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Uma resposta do membro da CCF Panagiotis Argyrou à chamada para solidariedade com xs detidxs do G20 em Hamburgo

Recebido e revisado a 13 de Agosto de 2017

Compartilhamos uma tradução que apareceu na Crônica Subversiva 1, aproveitando para mandar o abraço terno, a solidariedade raivosa e firme, para o companheiro Panagiotis Argyrou: Tuas palavras são bem recebidas compa!

[Resposta do membro da CCF Panagiotis Argyrou à chamada para a solidariedade com xs detidxs do G20 em Hamburgo]

Durante o exílio ou a detenção, poucas são as coisas que conseguem nos fazer sorrir ou nos oferecer uma sensação agradável. Posso, no entanto, dizer com certa certeza que devido a estes dias de julho nos quais Hamburgo se rendeu ao caos dos protestos contra o encontro do G20, aos choques com a policia, às barricadas ardentes, saqueios, vandalismo e incêndio de alvos da dominação, meus pensamentos foram impulsionados. Fiquei recheado de vários “valeu” assim como de emoções muito vivas e um sorriso apareceu no meu rosto.

Apesar disso, tenho de ser honesto. Embora num estágio inicial uma grande parte do anarquismo insurrecionário aspirasse a que fosse atingido um nível elevado, algo que já tinha ficado claro desde a chamada para uma campanha militante de organização informal – meses antes do encontro. E, embora existissem uma grande quantidade de textos públicos e reivindicações de responsabilidade que responderam a esse chamado (alguns/mas companheirxs tiveram a gentileza de mencionar a herança do dezembro negro), não estava tão certo que os dias em questão envolvessem realmente um momento tão grandioso. Isso devido ao fato de não serem desconhecidas para mim as dificuldades que isso implicava, tais como as adversidades e os desafios que tinham que ser confrontados pelas pessoas que queriam organizar e levar a cabo um plano de protestos tão ambicioso.

O estado de emergência declarado, em muitos países, pela ameaça assimétrica jihadista, o reforço dos controlos nas fronteiras devido aos grandes fluxos migratórios, o anúncio da militarização de Hamburgo e a construção de prisões especiais para os manifestantes; a mídia terrorista apelando à tolerância zero com os problemáticos, o domínio e o pessimismo de várias correntes anarquistas anti-insurgentes (isso pode ser devido, um pouco ironicamente, pela tentativa de se repetir os eventos de Génova) e até mesmo um preconceito contra anti- encontros – como armadilhas com policiais – por parte de cada grupo de anarquismo insurreccional (um ponto de vista que também tinha mantido no passado, tenho que admitir), tudo isso junto constituiu, portanto, factores de dificuldade crescente, sem nenhuma dúvida.

E ainda assim, contra todas as probabilidades, a chama brilhou e a campanha de “trazer o caos para Hamburgo” triunfou e, como resultado, todo o mecanismo repressivo tão bem armado – que supostamente ia esmagar os protestos – ficou eventualmente sob ridículo.

A intensidade dos eventos e, sobretudo, o êxito dos vários planos que, afinal, combinaram tácticas de ataque descentralizado do tipo bate-e-corre com aquelas das revoltas, justo no coração dos protestos, provou da maneira mais tangível que a competição entre as duas diferentes racionalidades é inútil já que cada uma contribui e enriquece, na sua própria forma, a insurreição anarquista. Além do mais, quando as revoltas se atrevem a se confrontar de frente com a supostamente todo-poderosa repressão do terrorismo de Estado, então tudo é possível. Assim como o ridículo da ativação urgente de tal mecanismo extravagante de repressão durante os dias do encontro em Hamburgo. É também um fato que alguns dos momentos mais potentes da historia das insurreições, do mundo inteiro, aconteceram precisamente contra todas as probabilidades e isso, em muitos casos, constitui a beleza de tudo.

Portanto, não posso deixar de me sentir emocionado por este vento de entusiasmo e autoconfiança que viajou milhares de quilômetros, de Hamburgo para este lugar de cativeiro. Isso porque através desses eventos todxs podem ver que as dinâmicas que acontecem em situações tão explosivas não começam nem terminam em um momento, antes viajam e se expandem, enviando uma mensagem para todos os lugares, dizendo que a chave para tudo é a determinação e a morte do derrotismo. Isso é suficiente para induzir um, dois, ou mais, momentos que podem funcionar como pedras angulares, marcas históricas, algo para onde podemos deslizar nosso olhar quando as coisas estão ruins, quando a frustração e a inutilidade são prevalecentes.

E quando olharmos para atrás, as lembranças nos darão a força exacta que precisamos para continuar até ao próximo Hamburgo, até a próxima revolta, até a completa destruição da dominação. Por outro lado, no entanto, as autoridades sabem muito bem como aproveitar estes momentos, para avaliá-los, entender seus efeitos a
longo prazo e, respectivamente, retaliar de forma clara e definitiva, afirmando que toda ocasião de insurreição será esmagada. Assim, depois das centenas de prisões de manifestantes, viu-se a investida dos comandos, totalmente armados, das forças policiais especiais contra xs rebeldes, nas ruas de Hamburgo, após o assalto brutal a um grupo de manifestantes; a repressão mostrou seus dentes ainda mais, mantendo em custódia muitas dezenas de pessoas, acusadas de participar dos tumultos, segundo as actualizações (36 ainda estão sob custódia).

Neste momento, uma nova chamada foi já feita, precisamente pela solidariedade com xs detidxs dos eventos anti-encontro. Foram já realizadas as primeiras manifestações, bem como ataques com vandalismos e incêndios em várias metrópoles europeias. Em resposta a esta chamada, gostaria também de expressar a minha solidariedade aos/às que foram detidxs pelos acontecimentos em Hamburgo, como também gostaria de enviar esse amplo sorriso que eu recebi de todxs aquelxs que lembraram da maneira mais linda que, quando a Anarquia quer, ela é poderosa.

Panagiotis Argyrou,
membro da Conspiração das Células de Fogo – FAI/FRI

Viena, Áustria: Evento da “CNA – Célula Solidariedade” (Atenas) no Festival CNA Viena [20-23 Abril, 2017]

Evento solidário com xs companheiros presxs em Koridallos – “Cruz Negra Anarquista – Célula Solidariedade” (Atenas) @ FESTIVAL CNA VIENA – 20 a 23 Abril de 2017

“Como anarquistas, percebemos a necessidade de uma luta anarquista multiforme – posicionando o ataque contra o estado e a vassalagem que é imposta – por todos os meios possíveis, aqui e agora” (do texto de auto-apresentação do grupo CNA)

Neste evento, xs companheirxs da “CNA- Célula Solidariedade” irão falar da importância da solidariedade com xs prisioneirxs anarquistas, dos esforços de solidariedade e da conexão de lutas dentro e fora dos muros. Além disso será feita uma desconstrução do significado do movimento anarquista e do mito do bairro de Exarchia (Atenas).

“(…) não consideramos que a ação dxs nossxs companheirxs anarquistas esteja terminada após prisão, ou repressão.“(do texto de auto-apresentação do Grupo CNA)

Durante o evento haverá uma intervenção de três prisioneirxs anarquistas – via conexão ao vivo – prisão de Koridallos:

– Nikos Romanos
– Panagiotis Argirou CCF – Célula de Violência Metropolitana / FAI-IRF
– Olga Ekonomidou CCF – Célula Guerrilha Urbana / FAI-IRF

Elxs irão abordar os seguintes tópicos:

– As condições nas prisões e a situação dxs prisioneirxs anarquistas na Grécia
– A importância das assembleias de solidariedade para xs prisioneirxs anarquistas  e a conexão das lutas dentro e fora dos muros
– A escolha e a importância da luta armada; a reivindicação de responsabilidade no período de ação e em particular na participação na organização armada; a importância e consignação dessas escolhas
– A escolha fuga de presxs
– A posição da mulher na luta armada

Também será possível fazer perguntas aos/à companheirxs na prisão, de modo que a comunicação será em ambos os sentidos.

Algumas palavras do prisioneiro anarquista Panagiotis Argirou, dedicadas ao Festival CNA:

Há momentos em que tu sentes um certo tipo de força dentro de ti. Isso pode acontecer por razões diferentes a cada vez, mas sem dúvida que é sempre um sentimento muito positivo. Tal tipo de força pode ser sentida pelx prisioneirx quando elx descobre que há outrxs indivíduxs que querem um toque, um contato, uma comunicação, uma conversa com elx. É um sentimento muito forte, único, um sentimento de uma grande força, enchendo-x todx e isso é algo inestimável. Esse sentimento de que não se está sozinhx – que há outrxs companheirxs que querem compartilhar momentos, experiências ou qualquer outra coisa contigo – é algo tão valioso que só a liberdade em si se lhe pode comparar. Então, deixe-me agradecer muito pela oportunidade que me oferece de ter algum contacto, mesmo que seja por tão pouco. Desejo que o futuro nos traga mais oportunidades, para que um dia possamos ter a chance de ter uma conversa ao vivo fora dos muros. Um grande e caloroso abraço,
Panagiotis Argirou, membro do CCF-FAI

Contactos:

Sítio da Célula Solidariedade CNA (Atenas): https://abcsolidaritycell.espivblogs.net
E-mail: abcsolidaritycell@riseup.net

Nikos Romanos Prisão Estatal de Koridallos – prisão de homens – Ala A’, P.C. 18110, Koridallos, Atenas

Panagiotis Argirou Prisão Estatal de Koridallos – prisão de homens – Ala A’, P.C. 18110, Koridallos, Atenas

Olga Ekonomidou Prisão Estatal de Koridallos – prisão de mulheres, P.C. 18110, Koridallos, Atenas

Outros eventos @ Festival CNA Viena, podes procurar aqui: [https://abcfestvienna.noblogs.org/]

Localização:

CASA ERNST KIRCHWEGER
Rua Wielandgasse 2-4
1100 – Wien (Viena de Áustria)

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Grécia: Três autocarros elétricos incinerados no centro de Atenas

Na noite de segunda-feira, 19-12-2016, um grupo de compas decidiram aquecer um pouco o inverno urbano, deitando fogo à paz social e à apatia.

Com apenas 5 litros de material inflamável e um ódio infinito contra todo o Poder, dirigimos-nos à rua Patision, no centro de Atenas, parámos 3 carros elétricos que passavam pelo sítio e, depois de  fazermos sair todxs xs passageirxs e xs condutorxs, incendiámos-los.

Três carros eléctricos queimados, um por cada prisão preventiva imposta contra xs detidxs dos confrontos em Atenas no dia 6 de Dezembro de 2016, em Atenas.

Força ao preso anarquista Panagiotis Argirou (membro da CCF) que recentemente foi condenado pelo Estado a mais 7 anos de reclusão, desta vez por tentativa de incêndio de um autocarro, em 2009.

Fogo às máquinas e à civilização!

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Sacco e Vanzetti: Uma viagem através do tempo – Texto de membros da CCF para um evento organizado pela Biblioteca Anárquica Kaos

//pt-contrainfo.espiv.net/files/2016/09/carta-de-elementos-CCF-para-evento-Biblioteca-Kaos.pdfTexto em pdf

Apresenta-se abaixo um texto escrito em Atenas, na Grécia – por vários membros presos da Conspiração de Células de Fogo – para um evento da Okupa Biblioteca Anárquica Kaos, no Brasil.

A todxs xs companheirxs, a todxs xs nossxs irmãos e irmãs anarquistas presentes neste evento organizado pela biblioteca Anárquica Kaos. Deixem que os nossos pensamentos irrompam e viajem para o Brasil de forma a serem enviadas estas breves palavras, com a esperança de que possam sentir um pouco a nossa presença ao vosso lado.

Em resposta ao tema do evento a ter lugar durante a Semana Internacional de Solidariedade aos/às presxs anarquistas gostaríamos de lançar a nossa contribuição pessoal e histórica em relação ao caso de Nicola Sacco e Bartholemeo Vanzetti. A Conspiração de Células de Fogo foi desde o início um grupo anarquista de ação direta que aspirava a um recrudescimento da presença agressiva anarquista na Grécia. Assim, a CCF não hesitou em criticar muitas vezes aquilo que se acreditava estar a ser impeditivo da generalização dessa intensificação. Mas quando a opressão finalmente chegou à nossa porta, aí entendemos completamente que se não estivéssemos ao nível dos nossos padrões ter-nos-íamos recusado a defender a nossa identidade, os nossos pontos de vista políticos e a nossa própria substância. Além do mais, poderíamos ter acabado por estar em completo contraste com as nossas críticas contra outrxs no passado. Deste modo, sete anos após o dia em que a repressão se abateu sobre nós, continuamos na vanguarda da dignidade anarquista, pelo menos de modo que a percepcionamos. Recusamos-nos a nos desonrar de qualquer forma e defendemos o que acreditávamos que tínhamos de defender, pagando o preço da nossa atitude intransigente.

Voltando ao passado, numa época em que dois companheiros – os anarquistas da práxis forjados no fogo da revolta Nicola Sacco e Bartholomeo Vanzetti – foram presos com acusações de expropriação armada e assassinato, enfrentámos desafios que não são de modo algum inéditos. Um fato que beneficia de ampla evidência é que tanto Sacco como Vanzetti participaram em redes militantes informais de afinidade anarquista, todas elas foram afiliadas a publicações como o jornal anarquista Cronaca Sovversiva, em cuja publicação eles próprios ajudaram, publicação essa que apoiava a necessidade de propaganda pela práxis. Sabe-se também que estas redes militantes informais foram responsáveis por uma série de ataques que sacudiram os Estados Unidos de 1914 em diante, ataques esses que estavam a ser financiados por expropriações armadas. Finalmente, é um facto que alguns dos companheiros de Sacco e Vanzetti confidenciaram, após o assassinato dos dois companheiros, que eles eram dois dos cinco ladrões da fábrica de calçados em Braintree, Massachusetts. Um dos companheiros de Sacco e Vanzetti, Mario Buda, por exemplo, durante uma entrevista, quando lhe perguntaram sobre o financiamento do seu grupo, respondeu: “Nós geralmente íamos aos sítios onde poderíamos encontrá-lo (o dinheiro) e levávamo-lo“, ou seja, aos bancos e fábricas. Muitos anos depois, em 1955, ele recebeu a visita do anarquista Charles Poggi, que estava a investigar historicamente o caso de Sacco e Vanzetti. Na discussão entre eles, Buda admitiu, pelo menos, a participação de Sacco no roubo em Braintree com a frase “Sacco estava lá” (“Sacco c ‘era“). Poggi ficou também com a impressão de que Buda foi um dos assaltantes, mas devido à discrição daquele, não levantou a questão.

Os dois companheiros foram presos após uma perseguição e apesar de se encontrarem armados não havia elementos de prova de incriminação contra eles – sem a técnica de investigação de balística que não tinha sido aperfeiçoada ainda naquela época e uma vez as testemunhas não podiam testemunhar nada que fosse confiável. Assim, ambos os companheiros escolheram defender-se declarando que estavam inocentes do roubo, ainda que culpados como anarquistas – num tempo em que, por tão pouco que isto representasse, poderia ser prova suficiente para alguém ser processado, torturado, preso ou mesmo deportado – na medida em que a onda de ataques anarquistas que abalaram os EUA tinha levado o Estado a tomar medidas de emergência contra anarquistas e imigrantes anarquistas, através de uma série de leis.

No pico da histeria anti anarquista, a que puseram o nome de Red Scare [Medo Vermelho], os dois companheiros tentaram equilibrar-se sem rede de modo a evitarem a pena de morte e a manterem a dignidade – uma vez que teimosamente se recusavam a perder a sua identidade, embora isso pudesse revelar-se suficientemente condenatório também.

Infelizmente, o caso de Sacco e Vanzetti é lembrado hoje exclusivamente como um exemplo de montagem do governo. A narrativa histórica que tem prevalecido está a tentar lançar um véu no contexto histórico mais amplo da era em que se deu o julgamento de dois companheiros referidos, induzindo deliberadamente em erro – retratando-os como meros sindicalistas organizados quando na verdade Sacco e Vanzetti e quase todxs xs companheirxs em torno da Cronaca Sovversiva tinham sentimentos profundamente anti – formalistas, distanciando-se das organizações oficiais anarquistas.

Em última análise, o caso dos dois companheiros foi sendo degradado tornando-o numa história onde se eleva o valor da vítima, em vez de ser um exemplo atemporal de uma orgulhosa insurreição anarquista. Tal tema é quase desconhecido até hoje. Naturalmente que cada companheirx mantém sempre o direito de não dar sequer um pingo de si mesmx para o inimigo, especialmente quando têm evidências insuficientes – se as houver até – para o/a condenar.

No entanto, isso é uma coisa outra coisa é o fetichismo político da vítima que omite deliberadamente e totalmente aquelxs que optam pessoalmente por defender o seu compromisso militante à anarquia. E se alguém tem dúvidas, deixem-nos saber os motivos porque é que os nomes dxs companheirxs de Sacco e Vanzetti continuam a ser lançados no esquecimento. Quantos ainda se lembram ou sabem sequer alguma coisa da “dinamite-girl”, a velha companheira de 19 anos de idade Gabriella Antollini, que reivindicou a responsabilidade do transporte de armas e explosivos? Quantos se lembram de Nicola Recci que perdeu quase toda a mão durante a fabricação de dispositivos explosivos? Com que frequência é Carlo Valdinoci mencionado, ele que morreu pela explosão de uma bomba que estava a planear colocar na casa do ministro da Justiça Palmer; ou Andrea Salsedo, que foi atirado de uma janela pela polícia, durante um interrogatório acerca de uma reivindicação de responsabilidade que foi descoberta na sua loja de impressão? Todxs estxs e muitxs mais, estavam destinadxs a ser deixados de fora dos livros de história, porque como realmente é o caso não eram “inocentes”.

Neste ponto, apesar do stress e de se declararem inocentes das acusações, nunca Sacco e Vanzetti denunciaram o seu património insurrecionário. Um fato comprovado pelo número das ações ofensivas em todo o mundo feito em nome da solidariedade aos dois companheiros. Desde o bombardeio, usando um carro com fios, de Wall Street até ao pacote-bomba enviado para o embaixador dos EUA em Paris, bem como dezenas de atentados de embaixadas americanas em diversos países. Os companheiros muitas vezes exortaram eles mesmos o movimento a fazer retaliações contra o Estado e juízes. Em Junho de 1926, numa edição da Protesta Umana, Vanzetti escreveu entre outras coisas: ”Tentarei ver Thayer morto antes do anúncio da nossa sentença” e pediu aos/às companheirxs “Vingança, vingança em nosso nome e em nome do nosso modo de vida e mortxs “. O artigo conclui com  “Health Is In You” [A saúde está em você] que foi o título de um manual sobre dispositivos explosivos publicado pela Cronaca Sovversiva (alguns dizem que traduzido por Emma Goldman a si mesma).

A rica contribuição da anarquia insurrecional no movimento de solidariedade com Sacco e Vanzetti está a ser, em grande parte, negligenciada até hoje. Na ocasião da chamada para a Semana de Acção Internacional pelxs anarquistas encarceradxs, vale a pena ser definitivamente lembrado em toda a sua perspetiva o legado de tal solidariedade militante. Quem acredita que a dissociação com atos militantes de solidariedade é nova ou tem falta de raízes, está profundamente enganadx.

Um fato notável é que, enquanto certos círculos anarquistas na Argentina caluniavam Severino Di Giovanni, acusando-o mesmo de ser um fascista, a viúva de Sacco – numa correspondência, alguns dias após a execução de ambos os companheiros – expressava a sua gratidão pelo apoio daquele ao caso. Na mesma carta, indicava que o diretor de uma determinada empresa de cigarros com o nome “Combinador” se tinha oferecido para dar a um tipo particular de cigarros da marca o nome “Sacco e Vanzetti”, tentando obter descaradamente lucro da notoriedade do caso. Em 26 de Novembro de 1927, uma bomba colocada por Di Giovanni e companheirxs explodiu numa filial da referida empresa em Buenos Aires. Fazia parte desse mesmo grupo o companheiro de Sacco e Vanzetti Ferrecio Coacci, o qual tinha sido deportado dos EUA. Coacci também era suspeito no roubo pelo qual Sacco e Vanzetti foram condenados, tendo a sua casa sido a primeira a ser invadida na investigação do caso.

Esperamos que consigamos nestas poucas palavras incentivar o interesse dos/as participantes do evento, definindo as bases para um autêntica discussão de companheirismo sobre todas as questões acima mencionadas – uma vez que, infelizmente, estamos condenadxs a nada aprender da nossa história, condenando-nos assim ao mesmo erro, uma e outra vez.

Do coração, enviamos a todos vós as nossas mais calorosas saudações.

Por fim, devemos lembrar-nos da frase do anarquista Luigi Galleani, companheiro de Sacco e Vanzetti e um dos editores de Cronaca Sovversiva: “Nenhum ato de rebelião é inútil; nenhum ato de rebelião é prejudicial.

Os membros da Conspiração de Células de Fogo

Michalis Nikolopoulos
Giorgos Nikolopoulos
Haris Hatzimihelakis
Panagiotis Argirou
Theofilos Mavropoulos
Damiano Bolano

Escócia: Caixas electrónicos sabotados na região de Edimburgo

falcon-768x581Edimburgo, Escócia, 22/12/2015:

Durante a noite de 22/12 sabotei 3 caixas electrónicos na zona de Edimburgo. Usei espuma de poliuretano para bloquear todas as entradas e saídas da máquina. Este material expande-se e solidifica após algum tempo. Desta forma foram atacados os muros da minha existência civilizada. O selvagem não existe no fantasma da Natureza. A única coisa que existe, é algo tão idealista como a alienação do civilizado. O que é selvagem não tem rosto, manifesta-se pelo rotura da sistematização. O ataque não é efetivo quando nos confinamos a nós, em rígidos diálogos connosco mesmxs. A separação natureza – civilização é igualmente civilizada. A civilização intangível é mais dissimulada ainda do que a material. Quando o ser anti-civilização é visto apenas como insurreição contra a tecnologia e defesa da sagrada natureza, então torna-se míope e produto da alienação social em vez de escolha consciente.

Esta sabotagem não é mais do que a exteriorização de sentimentos de misantropia, direcionada àquelxs que irão encontrar no amanhã um congelamento da sua normalidade – ainda que por apenas algumas horas – e que julgarão o perpetrador. As massas são algo pútrido e talvez ainda mais repugnantes do que xs que dominam, seja porque o seu fantasma de Justiça as fazem reclamar, visto não estarem satisfeitas ou simplesmente porque se tornaram autómatos da sociedade. É através das massas que existe o amo, não há outra hipótese. Assim, neste contexto, não tenho nada a dizer aquelxs que estão do outro lado da barricada. A todxs xs outrxs, qualquer que seja a abordagem – caso não tenham sido consumidxs já por uma nova moralidade ou por outras correntes do ego – vou dizer apenas o suficiente.

Esta sabotagem é contra a sociedade e as cadeias da sua intangível civilização… A parte mais importante da civilização e que constitui os seus pilares não é mais do que as coisas que foram ficando inscritas em cada um ou uma de nós. E que se irá opor a qualquer civilização dominante com outra que ainda manterá resquícios da sociedade. A cultura segue as suas próprias morais, costumes e tradições. É, essencialmente, oposta à individualidade. Individualidades são aquelxs que estão vinculadxs aos seus egos em vez de a ideias. O ego é a única essência que se pode opor ao Estado, à sociedade e à civilização. A sua diversidade é infinita. Não é sagrado, não tem nem chefe nem qualquer moralidade. É o primeiro passo para a completa destruição do existente.

As ações infelizmente não falam por si próprias e a percepção necessita de profundidade tal como o abismo de cada um ou uma.  Sei que com a minha ação não vou alterar nada mais do que o ódio mas mudar-se-ão coisas dentro de mim: a explosão dentro do meu abismo e a reivindicação da responsabilidade dentro do isolamento. Dentro da nossa insignificante existência, os únicos momentos significativos são aqueles em que um ego ou individualidades conscientes criam por si próprias. Tudo o resto é um produto de consumo. Na minha opinião, aquelxs que lutam conscientemente contra o existente nunca precisam de desculpa para procurar coordenação e actuar. Para atuarem nem esperam por tempos correctos nem necessitam de recordar eventos específicos. Saudações axs compas Panagiotis Argyrou e Nikos Romanos a quem devemos, a partir da Grécia, o apelo por um Dezembro Negro.

Em direção ao nada….

Célula dx anarquista e consciência nihilista “Falcão do Caos”

em inglês

Prisões gregas: Texto de Panagiotis Argirou tendo em vista o final do julgamento pelo Projecto Fénix

phoenixA TODXS XS COMPAS QUE ATRAVÉS DOS SEUS ACTOS ME DERAM MOMENTOS DE LIBERDADE

Só nos momentos em que a nossa tensão pela liberdade se encontra com a práxis é que somos realmente capazes de viver a anarquia, aqui e agora. Desgraçadamente, o sonho que carregamos nos nossos corações é demasiado grande para se evitar o risco de nos vermos frente à monstruosa muralha da autoridade levantada em defesa do Estado e do Capital. Quando realmente pomos a nossa vida em jogo, inevitavelmente acabamos por nos confrontar com as duras condições associadas à luta: a morte e a prisão.”
Nicola Gai*

Pouco antes do final do 4º julgamento consecutivo contra a Conspiração de Células de Fogo, e contra mim em particular – como um dos anarquistas que assumiu a  responsabilidade pela sua participação na CCF – gostaria de dizer algumas coisas dirigidas não ao tribunal mas a todxs xs companheirxs cuja ação deu ímpeto e subsistência ao Projeto Fénix.

A saudação clara de todxs xs membrxs presxs da CCF aos/às compas da Célula Sole – Baleno (a célula de sinpraxis entre Conspiração das Células de Fogo e Bandas de Consciência), custou-nos, no início, o processo por incitamento a 4 ações do Projeto Fénix: o ataque explosivo contra o veículo pessoal da directora da prisão de Korydallos em Atenas, o ataque explosivo ao veículo pessoal de um chefe dos carcereiros da prisão de Nafplio, o ataque incendiário a um hotel na Indonésia e o envio de uma carta-bomba ao ex-chefe da polícia anti-terrorista, em Atenas.

À posteriori, depois das autoridades competentes terem percebido que o ataque na Indonésia por parte da Unidade da Cólera / Conspiração Internacional pela Vingança – FAI / FRI, nunca se manteria de pé no julgamento, essa acusação caíu antes mesmo do início do julgamento.

No entanto, no que diz respeito aos outros ataques e à acusação em que me consideram instigador, por um lado isso ofende-me porque como anarquista abomino todas as formas de relação hierárquica, mas, por outro lado, ajuda-me a compreender que a dominação se sente ameaçada por guerrilheirxs anarquistas – quando, mesmo que a partir de uma situação de cativeiro, tentam estar presentes e conectadxs com a luta fora dos muros, saudando as hostilidades desencadeadas pelxs seus/suas companheirxs. A dominação sente-se ameaçada quando comprova que a condição de confinamento não é nem de longe suficiente para acabar com a energia combativa dxs presxs anarquistas. Isso por si só é suficiente para que se montem listas inteiras de acusação por incitação. Mas em nenhum caso é suficiente para quebrar a minha moral e o desejo de me conectar com todxs xs compas anarquistas que tomem uma posição combativa.

Portanto, por ocasião do final deste julgamento, gostaria de saudar novamente xs amadxs compas que por todo o lado, em todo o mundo, puseram em marcha a Conspiração da Internacional Negra dxs anarquistas da práxis através dos ataques do Projeto Fénix: do Chile à Rússia e da Alemanha à Indonésia.

Assim, em vez de declarar diante dos juízes, optei por enviar da minha cela um flamejante abraço a todxs aquelxs que optaram por atacar e a quem tenha armado a Anarquia com fogo e pólvora.

Cada actividade em separado, cada ação em especial, deu-me força e iluminou o meu coração com a chama da insurgência anarquista.

Daqui, do país do cativeiro, senti perto de mim cada um/uma dxs compas que das trincheiras do ataque conspirativo prejudicou a normalidade social, de cada forma possível.

A dinâmica que se manifestou com o Projeto Fénix deixou um legado significante, ao estudar o seu impacto dei conta de novas perspectivas de luta aberta para a Anarquia, quando se vai além das fronteiras e distâncias e se elege o choque frontal contra a dominação na base da organização informal.

Foi um desses momentos importantes que me incentivou a contribuir de novo com outra proposta para uma nova posição do combate anarquista através de uma chamada por um Dezembro Negro, um apelo conjunto com o companheiro anarquista Nikos Romanos.

Creio que as perspectivas abertas pelo Projeto Fénix e a coordenação informal da ação direta anarquista a nível internacional podem evoluir para algo mais ameaçador para o Poder, se se encontram com o resto da gama de práticas anarquistas, compondo um mosaico de ação anarquista multiforme a nível mundial que constantemente avança contra o Poder.

Então, tudo o que tenho a dizer à sua justiça é que moralmente, politicamente e em termos de valores, me encontro de todo o coração em cada ataque anarquista contra a dominação. Se quiserem, podem-me acusar de incitação a uma perpétua guerra anárquica contra a dominação, tal como eu poderei acusá-los de incitação a cada ato de barbaridade autoritária assinado em nome da justiça. Nada me daria maior satisfação do que a jubilosa notícia de que uma bala tinha sido cravada na sua cabeça como prémio pela sua vida miserável.

Viva o Projecto Fénix!

Viva o Dezembro Negro!

Viva a Coordenação Informal da Ação Anarquista Multiforme por todo o mundo!

Panagiotis Argirou
membro da Conspiração de Células de Fogo – FAI/FRI
24 de Dezembro de 2015

N.T. * Nicola Gai é um compa anarquista, preso em Itália, que assumiu a responsabilidade pela sua participação no ataque reivindicado pelo Núcleo Olga-FAI/FRI (disparar contra Roberto Adinolfi, o director executivo da Ansaldo Nucleare)

em grego l espanhol l inglês l italiano

Melbourne, pretensa “Austrália”: BAE Systems atacada com tinta e à marretada por um Dezembro Negro

Assassinos corporativos
Assassinos corporativos

Nas últimas horas de Dezembro de 2015 atacamos os escritórios da empresa empreiteira da defesa BAE Systems, na Avenida River em Richmond, com tinta e à marretada.

A BAE Systems tira biliões da guerra e a sua tecnologia é responsável por incontáveis mortes de civis em todo o mundo.

Esta ação foi levada a cabo no âmbito do Dezembro Negro, um mês de ação direta anarquista, iniciado na Grécia pelos prisioneiros anarquistas Nikos Romanos e Panagiotis Argirou.

Também realizamos esta ação tanto em solidariedade com os presos anarquistas reféns de estados em todo o mundo como com os presos Indígenas mantidos como reféns pelas ‘autoridades’ colonialistas aqui na pretensa ‘Austrália’ – todxs elxs são presxs políticxs.

O Dezembro Negro está em toda a parte!

Célula de remodelação anarquista de escritórios

BAE mata pessoas
BAE mata pessoas
BAE é feita de assassinos BAE é feita de assassinos

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em inglês l alemão

[Prisões gregas] Por uma nova postura de combate da insurreição anarquista – Por um Dezembro Negro

“Ódio ao indivíduo que se curva sob o peso de uma força desconhecida, de um qualquer X, de um Deus. Ódio a todos aqueles que cedendo a outros por medo, resignação ou por uma parte da sua força de homens [e mulheres] não apenas se esmagam a si mesmos, mas também a mim, a tudo o que amo, sob o peso do seu infame concurso ou da sua inércia estúpida. Ódio, sim, odeio-os porque o sinto, sinto que não me curvo perante os galões do oficial, a banda do prefeito, o ouro do capitalista ou todas as suas morais e religiões; já há tempos que sei que tudo isto não passa de tontarias que se quebram como o vidro…”
– Albert Libertad

Ao longo da história existem momentos nos quais a casualidade de alguns acontecimentos pode provocar dinâmicas variáveis, paralisando quase por completo o espaço-tempo social.

Aconteceu isso na noite daquele sábado, 6/12/2008, quando por momentos se entreviu o cúmulo do conflito entre dois mundos: de um lado a violência insurrecionária da juventude, entusiasta, espontânea e avassaladora e do outro o aparelho oficial e institucional do Estado que, através da repressão, reclama legalmente o monopólio da violência.

Não, não se tratava de um puto inocente e de um bófia paranóico que se encontraram no momento errado no local errado, foi antes um jovem companheiro amotinado que atacou um carro patrulha – numa zona onde haviam frequentes confrontos com as forças repressivas – e um bófia que estava a vigiar essa mesma zona e que, devido a uma percepção pessoal da honra e da reputação da polícia, decidiu enfrentar sozinho os desordeiros. Foi o choque entre duas forças opostas: de um lado a Insurreição e do outro lado o Poder, cada um dos protagonistas principais representava lados opostos.

O assassinato de Alexandros Grigoropoulos às mãos do bófia Epameinondas Korkoneas, assim como os grandes distúrbios que se lhe seguiram, provocaram um choque social muito forte – visto que se destroçou a imagem da “paz social” e se tornou visível, e de forma muito clara, a existência destes dois mundos contrapostos – causando situações das quais não havia volta a dar ou, pelo menos, em que se criaram e expressaram factos com uma dinâmica em que ninguém podia fingir não ter notado, não ter visto, não ter ouvido, não se ter dado conta.

A revolta de 2008 causou comoção na sociedade em que, na sua grande maioria, ainda desfrutava do bem-estar consumista e da cultura do estilo de vida ocidental, ignorando as funestas consequências da crise económica que estava a chegar. Causou constrangimento, entorpecimento e paralisia perceptual, já que a maioria do corpo social não conseguia entender donde tinham saído tantos milhares de amotinadxs a provocarem distúrbios de tal magnitude.

No rescaldo da revolta uma série de intelectuais, analistas políticos, professores, psicólogos, sociólogos, criminologistas, artistas até, aproveitando cada um o seu próprio prestígio e reconhecimento profissional, participaram no diálogo público, não só para interpretar o Dezembro de 2008 mas também para lhe retirar o sentido, difamando-o e condenando a violência como um todo, independentemente da sua origem, tornando claro qual o seu verdadeiro papel social.

Há muito mais a dizer sobre o Dezembro de 2008 e o seu legado insurrecional, de como foi expresso pelas dezenas de grupos de ação direta que se multiplicaram de forma explosiva em todo o país, criando uma frente de ameaça interna. Numa altura em que a ação direta anarquista minava, quase diariamente, a normalidade social. Mas do que estamos à procura principalmente é de recordar

Recordar o que foi o Dezembro de 2008 e como a anarquia para ele contribuiu, ao assumir um papel protagonista na manifestação de situações combativas que tiveram ressonância no movimento anarquista internacional.

Recordar o período onde a anarquia superou o medo à detenção, cativeiro e à repressão violenta e que por isso assumiu a auto confiança suficiente para se avançar em ações e movimentos que até então pareciam impossíveis. Uma confiança que se expressou em todo o espectro da ação anarquista multiforme – das simples intervenções públicas às ocupações de todo o tipo e das práticas de conflito espontâneas às ações de ataque mais organizadas.

Queremos recordar o nosso jovem companheiro que foi culpado da sua espontaneidade, algo que pagou com a vida. Podíamos ter sido nós a estar no seu lugar noutras circunstâncias, visto ser o mesmo entusiasmo insurreto o que nos caracteriza desde então, e é bom que TODXS recordem a sua procedência e não a exorcizem.

Queremos recordar a beleza de se paralisar o espaço-tempo social, através de pequenos ou maiores curto-circuitos sociais.

Queremos recordar quão perigosa a anarquia é, quando quer.

Queremos reviver os dias em que “a morte já não terá autoridade e despidos os mortos serão um só com o homem do vento e da lua a ocidente, explodindo ao sol até que o sol colapse” (versos parafraseados de um poema de Dylan Thomas).

* * *

«Então ficamos a saber o que representa a humildade.
Quantas vezes as pessoas se sentaram já
sozinhxs em casa
À espera que xs compas regressem?
A batalha é planeada
Cada minuto é contabilizado
Cada um/a sabe o que tem de fazer
Todo o cuidado é tomado.
Esta noite quantas guerrilhas travam batalhas?
Esta noite a rádio informa que a polícia tentou tirar das ruas
Centenas de manifestantes.
Voam pedras,
Podes escutar os cânticos, os vidros a quebrarem-se,
Os alarmes por trás da verborreia do jornalista.
São onze em ponto.
Não passou ainda.
Quantos já passaram antes de nós?
A linha rebobina na história.
Quantos ficam por passar? ”
A tribo do Águia orgulhosa de Weather Underground

Começamos pela constatação de que existe a necessidade mais que urgente de se delinear uma estratégia cujo cerne seja a colisão frontal da ação anarquista multiforme com o poder e os seus expoentes. Temos a convicção de que a contribuição de mais uma proposta  teórica acerca da organização anarquista não seria fértil pois permaneceria no quadro estreito da rigidez ideológica. Se não tentarmos aligeirar as contradições quotidianas, através de ações que complementem a totalidade do objetivo libertador, então ficamos condenados a nos afogarmos no dilúvio de introversão que permeia os círculos anarquistas.

Acreditamos que para a elaboração de uma estratégia – na qual confluem os grupos de afinidade, a luta polimorfa e a permanente insurreição anarquista – as nossas forças, a nossa dinâmica, as nossas capacidades e os nossos limites devem ser comprovados em ação. Desta forma seremos capazes de apresentar as nossas reflexões baseadas em experiências reais de luta e não em acrobacias teóricas. Vivemos no princípio do fim do mundo tal e como o conhecíamos até hoje.

O esforço de resolução pacífica de conflitos sociais por parte do Estado pertence a um passado distante tal como o da prosperidade económica, agora os modelos de intervencionismo estatal na economia são jogados no caixote do lixo – uma vez que, hoje em dia, a omnipotência das multinacionais e a capacidade do Capital de atravessar as fronteiras nacionais, sem restrições, estão a ser institucionalizadas pelos centros de poder dominantes. A narrativa histórica dos Estados-Nação – que serviram o desenvolvimento capitalista durante décadas através de economias nacionais – está em colapso, a fascistização da tecnologia oferece infinitas possibilidades de gestão das emoções humanas, a crescente complexidade da articulação social desestabiliza os automatismos sociais e militariza a vida social dentro das metrópoles, as máquinas da digitalização da vida desnervam o complexo funcionamento crítico do pensamento dos seres humanos, criando cemitérios de consciências, as imagens de horror humano estão a ser assimiladas pela consciência social e deixam de criar emoções para além da sensação de choque.

Encontramo-nos num processo de atualização qualitativa da “guerra civilizada”, onde a felicidade de uns coexistem com o tormento de outros; neste novo ambiente os seres humanos contemporâneos fazem o seu aparecimento, geneticamente aptos a aceitar como óbvia uma forma de vida doente, num mundo degenerado, no qual tudo o que era selvagem na natureza desapareceu às mãos da regeneração urbana e do rumo expansivo das condições artificiais de civilização. Vivemos entre roedores industriais que vivem com uma dieta controlada, num ambiente controlado e que se transformam em modelos sociais que devemos seguir a fim de sobreviver.

Neste contexto, a anarquia adquire uma possibilidade estratégica para se deitar fogo a todas as formas de representação política, para se tornar uma frente de guerra aberta, não ortodoxa contra a dominação, que transformará a diversidade e o pluralismo de pontos de vista no interior da comunidade anarquista numa vantagem e fará com que os oprimidos que decidam romper as cadeias confluam nos centros de luta que se criaram. Às vezes, as constatações mais importantes são ditas da forma mais simples: queremos ver o mundo do Poder destruído pelas mãos armadas de homens e mulheres amotinadxs. Superemos, pois, as formas teóricas, e voltemos a pôr o tónus do debate no ponto inicial – no ponto onde a pedra deixa a nossa mão para acabar na cabeça de um bófia, no ponto em que decidimos quebrar os grilhões do cativeiro, no ponto onde as vontades subversivas são expressas de forma combativa nas ruas, no ponto onde de encontram os indicadores de um dispositivo de relojoaria que procura fazer voar a névoa assassina da ordem da lei.

Revertendo o fluxo do diálogo pré-determinado, não falamos com antecedência do modo com que atuaremos, mas propomos uma coordenação da ação anarquista e o entrelaçamento informal de projetos anarquistas através da força vital da ação polimorfa; vamos, portanto, ser capazes de localizar os nossos erros e debilidades enquanto sondamos as nossas capacidades para avançar numa avaliação crítica, que formará as bases da estratégia que projete a nossa ação anarquista frontal contra toda a autoridade.

A nossa proposta para pôr em marcha a aposta da formação de uma frente anarquista multiforme e combativa é simples: uma campanha de ação com o nome de “Dezembro Negro” será o detonador para se reiniciar a insurreição anarquista dentro e fora das prisões.

Um mês de ações coordenadas, a fim de nos conhecermos, de sairmos para se quebrar as montras dos grandes negócios, ocupar escolas, universidades e sedes de município, distribuir textos que difundam a mensagem da rebelião, colocando dispositivos incendiários contra os fascistas e a patronal, colocando faixas nas pontes e avenidas principais, inundando as cidades com cartazes e folhetos, de fazer voar as casas dos políticos, jogar molotovs à bófia, pintar palavras de ordem nas paredes, de sabotar a circulação normal das mercadorias no Natal, de saquear as montras da abundância, de realizar atividades públicas e trocar experiências e pontos de vista sobre várias temáticas da luta.

De nos encontrarmos nos becos da cidade e pintarmos com cinzas os prédios feios de bancos, as esquadras da polícia, as multinacionais, as bases militares, os estúdios de televisão, os tribunais, as igrejas, os grupos de caridade.

Desregular de múltiplas formas a normalidade social mortal das psico drogas, da asfixia económica, da miséria, do empobrecimento, da depressão, regulando a nossa existência ao ritmo da insurreição anarquista, onde a vida adquire significado, na batalha incessante contra a dominação e seus representantes. Para incendiar a frágil coesão social e tomar as ruas, estrangulando primeiro o monstro da economia, antes que nos extermine ele, através dos seus aparelhos burocratas e dos seus assassinos de traje que dotam de pessoal os centros de administração da guerra económica.

O “Dezembro Negro” não procura ser só umas datas de motins, pelo contrário, o que queremos é que se crie a vários níveis, através da ação anarquista multiforme, uma plataforma informal de coordenação, na base da qual confluam as investidas subversivas. Uma primeira tentativa de coordenação informal da anarquia para além do quadro padrão, cuja ambição é criar esta experiência de luta para pôr em marcha propostas subversivas e estratégias de luta.

A nossa proposta está ligada simultaneamente a legados semelhantes de luta para além das nossas fronteiras geográficas – há alguns meses no México um grupo de compas atacou com um dispositivo explosivo o Instituto Eleitoral Nacional, fazendo uma chamada, uma campanha antieleitoral e combativa por um Junho Negro, que foi acompanhada por uma boa parte do movimento anarquista: centros eleitorais e ministérios foram pasto de chamas, os confrontos com a bófia espalharam-se pelas ruas das cidades, foram realizadas concentrações, distribuindo-se textos de propaganda anarquista contra as eleições. Um mosaico de ação multiforme com referências políticas variáveis e diferentes pontos de partida – foi esta a resposta da anarquia ao circo eleitoral para a democracia, utilizando como ferramentas a horizontalidade, a coordenação informal e a insurreição permanente. Tal experiência de luta, onde a imaginação coletiva e a determinação criam focos de guerra libertadora na nova ordem das coisas, demonstrando claramente a perspetiva da abolição com os fatos conhecidos do pseudo binário legal e ilegal, enquanto atualizam as projetualidades anarquistas através das chamas da revolta.

A aposta da subversão continua em aberto, o destino desta proposta encontra-se nas mãos dxs compas de todo o espectro da luta, que escolham se vale a pena pô-la em movimento.

«A primeira noite na cela, os pensamentos da sua vida livre viajavam com uma velocidade vertiginosa nos neurónios do seu cérebro. Sabia que o cativeiro é a continuação lógica da justaposição com um inimigo que detém o poder de fogo superior a todos os níveis.

Para xs que sabotavam os trilhos do ocorrido no comboio do terror de uma realidade social que extermina de mil formas xs que a desafiam – as barras da prisão serão uma realidade, mas sem que signifique que isso é aceite sem batalha.

Com estes pensamentos na cabeça cerrou os olhos e sonhou – não com o que gostaria de viver fora dos muros, mas com o pesadelo de muitos anos de inércia, de espera, do deteriorar dos instintos.

Na manhã seguinte – confrontando-se pela primeira vez com a monotonia de um quotidiano cativo e repetido – já estava farto de ter paciência, tinha-a visto a vagabundear nos labirintos da tolerância nas primeiras da covardia disfarçada. Encerrou o seu ódio na maleta das emoções intactas, ao lado de seu amor pela liberdade, e passou a chave a um companheiro para a deixar perto dos túmulos dxs compas assassinadxs, caídxs em combate contra o inimigo.

Os anos passavam e a única coisa que a prisão conseguiu foi enchê-lo de raiva, impacientá-lo para o depois fazer procurar formas de aplicação prática da guerra anarquista – havia-se dado conta de que a única aliança possível é com o mundo das possibilidades.

Poucas possibilidades de convencer a maioria das pessoas desta sociedade de que a sua eleição não consiste em algo entre a loucura e o ponto morto – mas suficientes para que valha a pena apostar, por elxs, na grande ideia da destruição. A grande ideia de um choque frontal com o mundo das sombras e dos seus servos.  A porta da prisão abre-se e agora sabe o que tem de fazer, manter a memória viva, não deixar espaço para o esquecimento, não esquecer xs compas que ficaram para trás, retomar o fio da insurreição onde foi cortado, verter o veneno da subordinação nas redes de reprodução da sociedade capitalista.

Pela insurreição anarquista permanente!
Nenhuma trégua ao Poder e às suas marionetas!»

Por um Dezembro Negro!

Pela ofensiva anarquista contra o mundo do Poder!

P.s: A 11 de Dezembro cumpre-se dois anos de perda do nosso irmão Sebastián “Angry” Oversluij, durante a expropriação armada de um banco no Chile – devido às balas de um servo uniformizado do sistema. Acreditamos que este “Dezembro Negro” constitua uma oportunidade para honrar a memória do nosso irmão anarquista, unificando a memória anarquista e abolindo de facto as fronteiras e distâncias.

Nikos Romanos

Panagiotis Argirou, membro da Conspiração de Células de Fogo – FAI/FRI

em pdf aqui para se poder espalhar por toda a parte

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Prisões gregas: Relatório médico sobre xs presxs da CCF e Angeliki Spyropoul (13/3/2015)

Recordamos que xs 10 membros presxs da CCF e Angeliki Spyropoulou estão em greve de fome desde o dia 2 de Março de 2015. De acordo com o relatório médico de 13 de Março, assinado pelos médicos Spyros Sakkas e Olga Kosmopoulou:

A 12/3, Theofilos Mavropoulos, de 24 anos de idade, tinha perdido 6,8 quilos, correspondente a 6,76% do seu peso corporal no início da greve, além de apresentar baixo nível de açúcar no sangue.

A 12/3, Giorgos Nikolopoulos, de 28 anos de idade, tinha perdido 6,5 quilos, correspondente a 7,06% do seu peso corporal no início da greve.

A 12/3, Damiano Bolano, de 28 anos de idade, tinha perdido 8,6 quilos, correspondente a 9,51% do seu peso corporal no início da greve.

A 12/2, Michalis Nikolopoulos, de 27 anos de idade, tinha perdido 6,2 kilos, que correspondem a 7,89 % do seu peso corporal no início da greve, além de apresentar bradicardia.

A 12/3, Panagiotis Argirou, de 26 anos de idade, que no passado havia enfrentado sérios problemas de saúde pelo que toma medicamentos, tinha perdido 6,2 quilos, correspondente a 8,58% do seu peso corporal no início do greve, além de apresentar baixo nível de açúcar no sangue.

Os anarquistas Theofilos Mavropoulos, Giorgos Nikolopoulos, Damiano Bolano, Michalis Nikolopoulos e Panagiotis Argirou encontram-se nas prisões para homens de Koridallos, onde existe uma enfermaria básica, mas sem assistência durante todo o dia.

Por outro lado, os anarquistas Haris Hatjimichelakis, Christos Tsakalos, Giorgos Polidoros e Gerasimos Tsakalos encontram-se numa ala especial nas celas subterrâneas das prisões femininas de Koridallos, onde não existe enfermaria e as condições são péssimas. Em concreto:

A 9/3, Haris Hadjimichelakis, de 26 anos de idade, tinha perdido 6,4 quilos, correspondentes a 7,56% do seu peso corporal no início da greve, além de apresentar baixo nível de açúcar no sangue.

A 9/3, Christos Tsakalos, de 35 anos de idade, tinha perdido 5,8 quilos, o que corresponde a 6,83% do seu peso corporal no início da greve, além de apresentar baixo nível de açúcar no sangue.

A 9/3, Giorgos Polidoros, de 32 anos de idade, tinha perdido 4,6 quilos, correspondente a 6,13% do seu peso corporal no início da greve, além de apresentar baixo nível de açúcar no sangue.

As anarquistas Olga Ekonomidou e Angeliki Spyropoulou encontram-se nas prisões para mulheres de Koridallos, donde existe uma enfermaria básica, mas sem assistência médica durante todo o dia.

A 11/3, Olga Ekonomidou, de 35 anos de idade, tinha perdido 4,5 quilos, correspondente a 8,65% do seu peso corporal no início da greve, além de apresentar hipotensão ortostática.

A 11/3, Angeliki Spyropoulou, de 22 anos de idade, tinha perdido 4,4 kilos, que correspondem a 7.58 % do seu peso corporal no início da greve, para além de apresentar hipotensão arterial ortostática e taquicardia (140 batimentos por minuto) ao levantar-se.

em espanhol

Grécia: Comunicado dxs membros presxs da CCF de anúncio de greve de fome

Mazas-Galerie-CellulaireA 2 de Março de 2015, foi detida Angeliki Spyropoulou – a qual estava a ser perseguida – acusada de participação na tentativa de fuga dxs membros presxs da Conspiração de Células de Fogo, das prisões de Korydallos. A polícia grega deteve também um amigo pessoal do irmão de Giorgos Polidoros, a mãe dos irmãos Tsakalos, uma amiga pessoal dela e a esposa de Gerasimos Tsakalos. Xs membros presxs da CCF declararam-se em greve de fome até à morte, nas prisões de Koridallos, com a exigência única de que não se ordene prisão preventiva para xs seus/suas familiares e para as pessoas do seu meio de amizades.

Comunicado do núcleo de membros presxs da CCF

Há dois meses foi descoberto o nosso plano de fuga das prisões de Koridallos, algo pelo qual assumimos completa responsabilidade e do qual fizemos a nossa autocrítica. Após isto, tem sido desenvolvida uma perseguição sem procedentes a fim de se construírem culpadxs. O objetivo desta caça são xs nossxs familiares e xs amigxs delxs. Há dois dias vimos como detiveram o amigo de infância do irmão de Giorgos Polydoros e a amiga chegada da mãe de Christos e Gerasimos Tsakalos. Começaram então a falar de membros “periféricos”, “mensageiros”, e “fundo revolucionário”. Porquê? Por uma mochila com roupa? Por algum dinheiro que provinha de contribuições e eventos solidários dirigido a nós? Ou pelos famosos “miras laser para armas”? A pessoa que levava a mochila nem sabia que continha uns lasers. Além disso, e isto é o mais importante, estes lasers não eram mais que brinquedos que se vendem na praça de Monastiraki por 2 euros cada um e que queríamos para criar confusão à hora do assalto. Porque é que os serviços antiterroristas não dizem isso e em vez disso os apresentam como armamento?

Hoje mesmo vimos como detiveram a mãe de Christos e Gerasimos Tsakalos e a esposa deste último, porque a Angeliki Spyropoulou foi encontrada na casa dos pais dos irmãos Tsakalos. Angeliki é uma companheira excepcional e com a qual nos irmana uma afinidade política sem limites. Os 2 compas tinham-lhe dito que fosse a sua casa, caso se encontrasse numa situação difícil. Porque nós não vendemos nem as nossas ideias, nem a nossa gente. Angeliki estava a ser procurada há bastante tempo e, há uns dias, foi a sua casa para pedir à mãe de ambos para a hospedar temporariamente. Que havia de fazer? Fechar-lhe a porta? Não é desse tipo de pessoas e conhece o valor da humanidade mostrada a uma pessoa perseguida. Na mesma casa também vive frequentemente a esposa de Gerasimos Tsakalos por relações familiares, por isso também se encontrava ali.

Toda a responsabilidade é exclusivamente nossa. Xs familiares e as suas relações de amizade próximas não têm absolutamente nada a ver com o caso nem com nada de que xs acusam. Quanto a Angeliki, estaremos a seu lado e sabe que terá todo o nosso apoio. Estará junto a nós com a cabeça erguida, neste difícil caminho que escolhemos.

Mas não vamos ficar de braços cruzados a ver como esquartejam xs nossxs familiares e amigxs. Os serviços antiterroristas ultrapassaram todos os limites. Xs seus/suas inimigxs somos nós e não xs nossxs familiares. Basta. Começamos uma greve de fome até à morte a 2 de Março para proteger xs nossxs familiares e xs seus/suas amigxs, para que não entrem na prisão. Toda a responsabilidade é nossa e só nós carregaremos com ela. Até ao final! Se xs mandarem para a prisão, preferimos escolher a morte. Isto significa responsabilidade e cada um toma as suas decisões…

Libertação imediata dxs familiares e dxs seus/suas amigxs, que não têm nenhuma relação com o caso.

Conspiração de Células de Fogo-Núcleo da prisão
2 de Março de 2015

Olga Ekonomidou
Michalis Nikolopoulos
Giorgos Nikolopoulos
Haris Hadjimihelakis
Gerasimos Tsakalos
Christos Tsakalos
Giorgos Polidoros
Panagiotis Argirou
Damiano Bolano
Theofilos Mavropoulos

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Grécia: «Comunicado de guerra» dxs membros presxs da Conspiração de Células de Fogo

Nota de Contra Info:

Nos princípios de Janeiro de 2014 Christodoulos Xiros, membro condenado da organização marxista-leninista 17 Novembro (17N), encontrava-se em fuga após uma permissão de saída da prisão, à qual não regressou. A polícía grega pôs a sua cabeça a prémio por uma enorme quantia além de realizar una série de buscas em várias casas em Atenas e Tessalónica (como no caso do entorno da ex-okupa Nadir).

Após um ano, a 3 de Janeiro de 2015, Christodoulos Xiros foi localizado e recapturado próximo de Anavyssos, na região de Ática, sem resistir à sua detenção. A casa que utilizava foi detalhadamente registrada peos serviços antiterroristas: encontraram armas de fogo, explosivos e objetos vários, entre eles um cartão de identidade falsificado com a foto de uma mulher jovem, cujo nome verdadeiro parece ser Angeliki. Na mesma noite, forças da unidade especial antiterrorista EKAM e agentes da segurança estatal invadiram o módulo A das prisões de homens de Koridallos e pouco depois os anarquistas presos Gerasimos Tsakalos e Christos Tsakalos, membros presos da CCF, assim como dois anarquistas presos mais (acusados como supostos membros da CCF), Spyros Mandylas e Andreas Tsavdaridis (que assumiu a responsabilidade pelo Comando Mauricio Morales – FAI/FRI), foram separados da população geral da prisão e transferidos à seção especial das prisões de mulheres de Koridallos. Apesar da transferência a moral dos compas continua alta.

Pouco antes das eleições de 25 de Janeiro de 2015, os aparelhos de Estado desencadearam outro círculo de histeria mediática, em busca de indivíduos que possam estar vinculados com Christodoulos Xiros e/ou com xs  membros presxs da CCF. A polícia invadiu também diversas casas noutras cidades gregas enquanto publicava a foto da mulher que aparece no bilhete de identidade falsificado. Simultaneamente diziam ter encontrado notas que indicavam que se estava a planificar um assalto às prisões de Koridallos, com o objetivo de ajudar xs membros presxs da CCF a escapar. Em resposta às reportagens policiais sobre a «prevenção de um ataque terrorista» relacionado com o caso da tentativa de fuga, o núcleo de membros presxs da CCF sacou a público um comunicado enviando a sua forças e solidariedade com as pessoas anónimas  que estão a ser alvo de busca pela sua suposta participação na planificação da fuga.

Segue-se a sua carta mais recente, a partir de Koridallos, traduzida do original em grego em Asirmatista

hCOMUNICADO DE GUERRA

« Disparei-lhe uma bala na boca pelas mentiras que dizia e outra bala na mão pelas sujeiras que escrevia »
–Jacques Mesrine sobre o sequestro de um jornalista francês

A guerra suja e a desvergonha dos jornalistas sobre o caso da intenção de fuga da Conspiração de Células de Fogo não tem limites. Puseram em ponto de mira a companheira Angeliki, chantageando sentimentalmente os seus pais e difundindo asquerosas mentiras pela sua suposta relação como amiga do detido.

Angeliki é amiga da insurreição, da anarquia, da liberdade.

Se houvessem mais pessoas como a Angeliki, a luta e a anarquia seriam a única realidade possível.

CABRÕES, INFORMADORES, JORNALISTAS – VINGAR-NOS-EMOS.

Força e solidariedade por todos os meios com a companheira Angeliki e para todxs xs perseguidxs pelo mesmo caso.

As Células estarão sempre a seu lado…

Conspiração de Células de Fogo

Olga Ekonomidou
Giorgos Polidoros
Michalis Nikolopoulos
Giorgos Nikolopoulos
Gerasimos Tsakalos
Christos Tsakalos
Haris Hadjimihelakis
Damiano Bolano
Theofilos Mavropoulos
Panagiotis Argirou                                                             

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Grécia: Intensifica-se a luta contra a construção de prisões de máxima segurança

Desde 28 de Junho (6º dia de greve da fome em massa), a luta está a ser intensificada, dada a aproximação da votação do projeto de lei pela construção de prisões de máxima segurança – na próxima 5ª feira, 3 de Julho de 2014.

A 27 de Junho, a rede de lutadores presos na Grécia apelou à solidariedade com esta luta, referindo-se também ao caso de greve da fome de Nicolò Angelino, que foi preso em Itália.

Mais de 30 grevistas da fome foram transferidos já para o hospital da prisão de homens de Koridallos; durante a manhã de 28 de Junho os compas Panagiotis Argirou e Michalis Nikolopoulos (membros presos da Conspiração das Células de Fogo) tiveram de ser transferidos também, para o mesmo hospital, tal como os compas Argyris Ntalios, Yannis Michailidis e Nikos Romanos.

No entanto, no serviço de saúde da prisão assim como no hospital não existe pessoal para cuidar dos grevistas que aí são levados de urgência enquanto que a administração da prisão mostra uma total indiferença pelo seu estado de saúde, enviando-os de volta às alas prisionais. Para mais, os carcereiros têm sido postos em “interrupção laboral”, cortando assim, de fato, as visitas axs presxs (dxs advogadxs e famílias). Em resposta a estes fatos, a 27 de Junho ao fim da tarde em Koridallos, os presos permaneceram uma hora a mais fora das suas celas, após o tempo de pátio.

Salienta-se aqui que a compa Olga Ekonomidou, na prisão de mulheres, entrou em greve da fome a 25 de Junho.

Em termos numéricos, presos de mais duas prisões juntaram-se à mobilização (50 em Corinto e 60 na ilha de Kos). Por outro lado, na prisão da ilha de Corfu, mais presos entraram em greve da fome após uma forte e calorosa intervenção solidária junto aos muros deste centro de extermínio, realizada por 20 pessoas na noite de 26 de Junho.

https://www.youtube.com/watch?v=WFCpZjTpZRg

Um vídeo da intervenção junto às prisões de Corfu.

Por fim, em relação à prisão de Alikarnassos (Ilha de Creta), a totalidade dos presos participa nos protestos mediante a abstenção da comida de prisão (para os mais pobres dos presos isto quase equivale a uma greve de fome).

Continuaremos as atualizações sobre este assunto. Incentivamos à reprodução das notícias relativas à luta contra o novo projeto de lei assim como encorajamos à realização de gestos solidários para além das fronteiras.

Grécia: “Quero companheiros, não a massa”, texto em solidariedade com Alfredo Cospito e Nicola Gai

Segue-se um texto em solidariedade com Alfredo Cospito e Nicola Gai, publicado em 24 de Outubro, à vista da primeira sessão do julgamento dos dois compas em Génova, realizado a 30 de Outubro de 2013, no qual Alfredo e Nicola reivindicaram a responsabilidade total da ação do Núcleo Olga FAI/FRI, os disparos a Roberto Adinolfi, administrador delegado da empresa Ansaldo Nucleare, de que eram acusados. 

Quero companheiros, não a massa…

Conheço pessoas… pessoas caladas e faladoras, cobardes e insolentes, humildes e arrogantes…

Pessoas que vivem obedientemente como ovelhas e outras, espreitando furtivamente como hienas.

Conheço pessoas que sonham sem fantasia e vivem sem sonhar… pessoas acostumadas a ter os olhos baixos e os ouvidos a receber instruções “acorda”,  “trabalha”, “paga”, “compra”, “acredita”, “compromete-te”…

Pessoas da multidão solitária, que pacientemente esperam na fila da vida… que esperam o amanhã eterno, melhores dias, o futuro optimista, a resposta às suas preces… As que estão à espera de acreditar num qualquer candidato a salvador, num qualquer manipulador do pensamento que lhes prometa uma vida melhor.

Mas os que esperam um amanhã para viver melhor, esses já estão mortos, hoje.

Conheço pessoas, mas poucas são as minhas companheiras.

Morte Lenta ou Insurreição aqui e Agora…

São estes os dois caminhos que se encontram à nossa frente.

Elegemos aquele onde ousam os fortes. É um ar mais limpo e a multidão – que se inclina perante os seus falsos ídolos – não desfeia a nossa estética.

É agradável olhar desde o Alto do Único, mesmo que a multidão deseje em segredo que caias no abismo, para não ter de se envergonhar da sua pequena estatura.

As nossas palavras esculpem como uma navalha o presente e as nossas ações queimam as pontes com o passado…

Com tenacidade e vontade, até que se assassine o Poder.

Por Nicola e Alfredo.
Pelos/as Anarquistas da Praxis.

Os membros da Conspiração de Células de Fogo: Giorgos  Nikolopoulos, Michalis Nikolopoulos, Christos Tsakalos, Gerasimos  Tsakalos, Olga Ekonomidou, Damiano Bolano, Panagiotis Argirou, Giorgos Polidoros, Theofilos Mavropoulos, Haris Hatzimichelakis

O membro da FAI/FRI Andreas Tsavdaridis e o anarco-nihilista Spyros Mandylas

Tessalónica, Grécia: Concerto benefit para os companheiros da Conspiração de Células de Fogo

Concerto ao vivo para apoiar financeiramente o companheiro das CCF Panagiotis Argirou,que precisará em breve de fazer uma nova cirurgia.

Sábado, 25 de Maio 2013 às 22h00 em Asteroskopeio, Tessalónica.

Centro Anarquista Nadir

nadir_benefit-gigNota de Contra Info: Recorde-se a grave lesão e a hospitalização do anarquista aprisionado Panagiotis Argirou (p.ex. ver aqui e aqui). O membro da CCF precisa, em breve, de se submeter a outra cirurgia especial e tratamento médico. Por esta razão, há  necessidade urgente para uma grande captação de recursos num período próximo. Chamamos à solidariedade cada anarquista, por todo o mundo, para ajudar os companheiros a suportar os custos médicos. Os anarquistas que queiram enviar apoio financeiro, também podem contatar a Assembleia de solidariedade com a OR CCF, em Atenas, em sal.spf[at]gmail.com

Atenas: Atualização de solidários/as sobre o estado de saúde do compa ferido, Panagiotis Argirou, membro da CCF (30/01)

4ª feira, 30 de Janeiro 2013

O companheiro  mostrou, durante os últimos dias, sinais lentos, mas constantes, de melhoria. Permanece na unidade de cuidados intensivos, mas tornou-se possível um contato escrito limitado com ele.
A infecção hospitalar das via respiratórias é tratável e não particularmente preocupante, segundo os médicos que o segue
Seguir-se-ão atualizações, sempre que houver novidades.

Força aí companheiro Panagiotis Argirou, membro da Organização Revolucionária anarquista Conspiração da Células de Fogo

Companheiros / Companheiras

Atenas: Actualização de solidários/as sobre o estado de saúde do membro da CCF Panagiotis Argirou

Hoje, 15 de Janeiro, os/as médicos/as do hospital Thriassio deixaram de tratar o compa da CCF Panagiotis Argirou com a medicação narcótica que o mantinha inconsciente. Ainda não recuperou completamente a consciência mas as suas primeiras reacções prometem a melhoria do seu estado de saúde…

Força, companheiro!

Atenas: Actualização sumária acerca do companheiro anarquista ferido Panagiotis Argirou

flaming-solidarityDe acordo com um resumo grego da 19ª sessão do julgamento CCF, no tribunal das prisões de Koridallos (14.1.2013), o membro da CCF Panagiotis Argiro continua hospitalizado numa unidade de cuidados intensivos. Saudamos os anarquistas da práxis, da Grécia à Indonésia, que expressaram a sua solidariedade para com Panagiotis com toda a sua força.

Atualizações constantes do julgamento CCF  em inglês por Actforfreedomnow/boubourAs, em espanhol, em Liberación Total

Atenas: Divulgado que o membro das CCF Panagiotis Argirou foi ferido na prisão e hospitalizado

Após conversa telefónica relativa ao anarquista Panagiotis Argirou, solidários/as divulgaram que o companheiro caíu da cama e gradualmente perdeu a consciência. Foi evacuado das prisões Koridallos para o hospital Tzaneiom em Piraeus e pode ser necessário o internamento noutro hospital seguidamente. As suas lesões parecem ser muito graves, com hematomas na cabeça.

Mais informações à medida que chegarem

Grécia, caso das CCF: novos processos em curso

Parece que os procuradores do ministério público a cargo da investigação ainda não terminaram o processo de acusação contra os/as membros presos/as da OR Conspiração das Células de Fogo, dado que os inquisidores estão agora a preparar mais dossiês nos seus gabinetes..

Em agosto de 2012, um investigador da sede da polícia  de Trikala visitou já as prisões de Trikala para notificar os compas Panagiotis Argirou e Haris Hadjimihelakis que tinham sido apresentadas contra eles acusações novas, em relação aos acontecimentos que tiveram lugar em 24 de Janeiro de 2011,durante a segunda sessão do julgamento do primeiro procedimento judicial contra as CCF, ou o primeiro julgamento do “caso Chalandri” respeitante a três explosões (nas duas casas do dois parlamentares, Panagiotis Chinofotis e Louka Katseli e do ministério da Macedónia e Trácia. Nesse dia, à saída dos compas do tribunal do terror desencadeou-se um confronto com a bófia que os conduziram à sala de interrogatórios. Várias desses polícias apresentaram uma queixa contra os compas, acusando-os, entre outras coisas, de tentar escapar, de os atacarem com vários objetos, como um extintor de incêndio, de os insultarem e ameaçarem a sua vida e segurança pessoal, ressaltando que em nenhum momento os compas deixaram de os atacar, mesmo quando algemados. Baseados nestes testemunhos, acredita-se que os dois serão acusados de agressão (causando lesões corporais), motim, etc.

Por trás deste novo processo, em ensaio, estão de novo os famosos interrogadores-investigadores especiais Baltas e Mokkas que citarão os nove membros da CCF, juntamente com o compa anarquista Theofilos Mavropoulos, em relação ao ataque incendiário a um veículo da Empresa de Segurança Katrantzos na zona de Galatsi (Atenas) durante a passagem de ano de 2009. Ainda não está claro se este processo surge agora por acaso ou deliberadamente, tendo em conta que o caso das 250 acções incendiárias e explosivas começou há um dois meses.No entanto, uma coisa está clara: parece não haver fim para a perseguição dos nove membros das CCF e do anarquista Theofilos Mavropulos. Surgem constantemente novos registros e processos como lembrete vingativo de que o sistema não esquece aqueles/as que abertamente e de facto, desafiam e declaram guerra contra o existente, optando por açóes diretas anarquistas.

Compas solidários/as

fonte

Grécia: Sobre as greves de fome nas prisões gregas

[1º de Maio de 2012] Comunicado do núcleo de membros presos/a da CCF e de Theofilos Mavropoulos sobre o fim da greve de fome

Uma batalha vencida, mas a guerra não acaba aqui…

Após 23 dias de greve da fome, saímos vencedores/as do desgaste e do derrotismo em cativeiro que predominam no mundo dos/as presos/as.

Escrevemos: “Tomamos uma decisão… lutamos até ao final…”, e nos mantivemos consequentes com esta escolha, inclusive quando transferiram os nossos irmãos, Gerasimos e Panagiotis, com problemas graves de saúde, para o hospital Tzaneio. Porque de tudo o que se escreve, o que mais amamos é aquilo que um/a escreve com o seu próprio sangue e sela com as suas ações. Tudo o mais é verborreia vazia e perda de tempo.

Durante estes 23 dias, nunca lamentamos nem por um único momento a nossa decisão de levar a cabo uma greve de fome. Conhecíamos o risco. Sabemos como morrem todos/as… mas há mortes que pesam de maneira diferente, porque escolhemos nós mesmos/as a maneira em que morreremos, tal como escolhemos a maneira como vivemos. E decidimos sair vencedores desta batalha.

Gerasimos e Panagiotis conseguiram a sua transferência definitiva das prisões de Domokos. Gerasimos conseguiu a sua transferência às prisões de Koridallos e Panagiotis, devido aquilo a que chamam “convicto de larga duração” (condenado a 37 anos de prisão) não pode mudar para uma prisão de presos à espera de julgamento (como a de Koridallos) mas conseguiu a transferência para uma prisão de sua “escolha”, concretamente, a de Trikala, onde se encontram encerrados outros três membros da Conspiração de Células de Fogo.

Esta vitória deixa, à sua maneira, um legado mais na nossa demanda por uma convivência política dos/as membros da CCF dentro dos muros e abule o isolamento a que nos querem forçar.

Nesta confrontação com o sistema, com o tempo e com o desgaste adversários, dispusemos dos nossos corpos como barricadas e garantia da nossa dignidade. Por isso, nem pedimos favores, nem temos mendigado solidariedade nos lugares que evitamos frequentar na nossa viagem como anarquistas de práxis. Livramo-nos de partidos esquerdistas, de conferências de imprensa com fundo humanitário, de círculos reformistas. Optando assim por uma solidão consciente, temos contado amigos e inimigos, compas e indiferentes, ações e silêncios…

Não desperdiçamos palavras com os populistas e os insignificantes. Pelo contrário, a palavra “obrigado” é muito pobre para os/as compas de toda a Grécia que correram, repartiram folhetos, colaram cartazes, montaram concentrações de solidariedade con microfone aberto, ocuparam um canal de televisão, vieram numa marcha até às portas das prisões, realizaram transmissões de atualizações através da rádio…

Finalmente, enviamos nosso mais caloroso abraço a todos/as os/as vândalos/as, os/as provocadores/as, os/as incendiários/as e bombardeadores/as noturnos/as na Grécia, aos/às anarquistas nihilistas no Estado espanhol, ás/aos irmãs/os na Bolívia, no Reino Unido, assim como a todos os núcleos da Federação Anarquista Informal e da Conspiração de Células de Fogo…

Nada seria o mesmo sem todos/as vós…
Feliz reencontro, compas.

Ainda que tenhamos ganho não nos resta mais do que começar a próxima batalha

PELO ALASTRAMENTO DA FEDERAÇÃO ANARQUISTA INTERNACIONAL (FAI/IRF)
PELA INTERNACIONAL NEGRA DOS/AS ANARQUISTAS DA PRÁXIS

Núcleo de membros presos/a da CCF-FAI
e o anarquista revolucionário Theofilos Mavropoulos


[Atualização de 27 de Abril] Continuar a lerGrécia: Sobre as greves de fome nas prisões gregas

Cambridge: Desde o Reino Unido até à Grécia, fogo na paz social!

Posicionamo-nos com a Conspiração de Células de Fogo-Federação Anarquista Informal (CCF/FAI) e saudamos os/as nossos/as irmãos/s na luta em greve de fome,pela transferência definitiva de Gerasimos Tsakalos e Panagiotis Argirou, prisioneiros de guerra das CCF/FAI, nas prisões do totalitarismo democrático grego. Pela dignidade e solidariedade rebelde.

Força à conspiração! Força às guerrilhas urbanas anarquistas!
Força a Billy, Eat, Luciano, Stella e aos Iconoclastas de Itália!

A 17 de Abril de 2012, deitámos fogo a uma “furgoneta de emprego” publicitária, propriedade do Centro de Emprego de Cambridge; entrámos no estacionamento fechado, pegámos o nosso fogo e desaparecemos, mesmo diante do focinho dos bófias que por ali passavam.

Desde o Reino Unido até à Grécia, fogo à paz social
Pelo anarquismo que é conspiratório e violento
Lambros, Mauri, Alexis, Carlo estão sempre a nosso lado

Célula de Fogo/Federação Anarquista Informal
Conspiração Internacional pela Vingança

Grécia: Cartaz em solidariedade com os/as membros presos/a da O.R. CCF (10º dia de greve de fome)

[…Cada um/a escolhe de sua livre e própria vontade,vontade essa composta dos obstáculos que derrubar ou dos compromissos que aceitar. Sem serem entravados por nenhum “contentor social”, a Conspiração de Células de Fogo interrompe e desestabiliza a existência da quietude reacionária. E o faz inclusivé no chamado movimento anarquista em todas as latitudes, compondo o caminho mas sem dar orientações porque “nada quer”… Este caminho, uma nova forma de guerrilha anti-social e niilista irrompe com aquilo que não aceita ser classificado de estereótipo de falso sentimento revolucionário por parte do pedante academicismo do anarquismo oficial e dos/as devotos/as do militantismo como se fosse um fim em si mesmo. A guerrilhaa que determina num contexto revolucionário a sua própria propulsão destrutiva já deixou para trás todo o conceito de social…]
Federico Buono

Respeito-Honra-Solidariedade com os/as combatentes revolucionários/as da nova guerrilha urbana, membrxs orgulhosos/as da Organização Anarquista Revolucionária Conspiração de Células de Fogo.

Solidariedade com os grevistas da fome Gerasimos Tsakalos, Panagiotis Argirou, Christos Tsakalos, que continuam com consistência e determinação a sua luta poliforma contra a civilização do poder e dos seus subordinados, apesar da sua situação de encarceração. Compas, sigam com força até à liberdade!

Prisões gregas: Notas sobre as greves de fome e abstenções de comida dos/as presos/as em luta

4 de Abril: Declaração de greve de fome de Spyros Dravilas (interno na prisão de Domokos, que actualmente está no hospital da prisão de Koridallos), intitulada “O estado e as suas instituições vingam-se daqueles/as que não sucumbem ao sistema, privando-os/as do seu direito a saídas temporárias”. As autoridades negaram a Spyros Dravilas o seu direito a saídas temporárias, com o qual ele contava há dois anos e meio.

6 de Abril: Declaração de greve de fome de Giorgos Karagiannidis, Alexandros Mitroussias e Kostas Sakkas: ”A partir de hoje 6/4 nos declaramo-nos em greve de fome, exigindo o levantamento da nossa arbitrária e vingativa prisão preventiva assim como a libertação imediata da nossa co-acusada Stella Antoniou, por razões de saúde.” — cofirmado por Stella Antoniou, que atualmente protesta mediante uma abstenção de comida da prisão.

6 de Abril: Declaração de greve de fome de Panagiotis Argirou e Gerasimos Tsakalos, membros encarcerados da CCF, que exigem a sua transferência definitiva para as prisões de koridallos, para dar fim às transferências repetidas e vingativas e à sua tortura física e psicológica.

7 de Abrill: Vaggelis Kailoglou leva a cabo uma abstenção de comida da prisão, em solidariedade. Ele é o único dos lquatro detidos do 12 de Fevereiro que se manteve em prisão preventiva.

7 de Abril: Abstenção de comida da prisão, realizada pelos prisioneiros de guerra Sokratis Tzifkas (prisão de Diavatas), Giannis Skouloudis (prisão de Avlona), Babis Tsilianidis e Dimitris Dimtsiadis (prisão de Koridallos), em solidariedade com os/as presos/as em luta.

8 de Abril: O membro preso da CCF, Christos Tsakalos, declara-se em greve de fome, em solidariedade com os grevistas da fome, Panagiotis Argirou e Gerasimos Tsakalos.

8 de Abril: Abstenção de comida da prisão llevada a cabo por 130 presos na primeira ala da prisão de homens de Koridallos, em solidariedade com os/as compas presos/as em luta.

9 de Abril: Assembleia solidária na Escola Politécnica de Atenas, nol edifício Gini, com intervenções telefónicas dos presos em greve de fome a partir das prisões.

9 de Abril: Os restantes membros encarcerados da CCF e o anarquista revolucionário Theofilos Mavropoulos declaram que gradualmente se unirão à greve de fome dos seus irmãos na luta Panagiotis Argirou, Gerasimos e Christos Tsakalos.

11 de Abril: Declaração de Stella Antoniou sobre os últimos acontecimentos: As autoridades judiciais não pediram que Stella permanecesse em prisão preventiva, mas fizeram-no  com Sakkas, Mitroussias, Karagiannidi, baseando-se em acusações inventadas contra eles respeitantes aos antigos ataques incendiários da CCF. Dados os factos, e de acordo com os seus três compas, Stella explicou que interrompia a sua participação na greve de fome e que, apesar dos seus problemas de saúde, se abstinha de ingerir comida da prisão até que as suas pretensões se cumprissem.

11 de Abril: O anarquista expropriador Rami Syrianos declara-se em abstenção da comida da prisão, em solidariedade com os/as compas presos/as em luta.

14 de Abril: Uma assembleia em solidariedade com G.Karagiannidis, A.Mitroussias, K.Sakkas e S.Antoniou lançou a seguinte notícia entre outras: “Presentemente, os três compas, Karagiannidis, Mitroussias e Sakkas foram acusados no caso dos 250 ataques incendiários da CCF pelos procuradores Mokkas e Baltas, que pediram que tanto eles três tres, como também os membros da O.R. CCF, se mantivessem em prisão preventiva. Stella Antoniou foi acusada também, mas não permanecerá em prisão preventiva de novo, esperando-se que seja libertada em Junho de 2012, quando acabar o período de 18 meses desde a sua primeira prisão preventiva, apesar da sua quinta petição para a libertação por motivos de saúde ainda não ter tido resposta.” Recordemos que Stella está em prisão preventiva há 16 meses já, como única prova contra ela o fato de possuir cartão de identidade falso.

14 de Abril: Notícias do estado de saúde dos três membros presos da CCF, após uma semana em greve de fome: Gerasimos perdeu 6 kilos, Panagiotis 5 kilos e Christos 7 kilos. Todos os dias têm exames médicos, os níveis de açúcar e a pressão arterial são revistos.

15 de Abril: Mais três membros presos da CCF, Haris Hadjimihelakis, Damiano Bolano e Giorgos Polidoros, começaram uma greve da fome desde o dia 17 de Abril. (Seguir-se-ão atualizações)

Solidariedade internacional e explosiva
com os/as nossos/as irmãos/s em luta!