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Alemanha: Nove carros incendiados em Mulheim

9 carros incendiadosÀs primeiras horas do dia 14 de Fevereiro de 2016 deitamos fogo ao cemitério-urbano de Mulheim An Der Ruhr, queimando nove carros – mediante a colocação de dispositivos incendiários artesanais nas suas rodas. Para nós todos os carros são igualmente máquinas tóxicas e repulsivas do sistema industrial-tecnológico e foi assim que acabaram por ser queimados indiscriminadamente – optamos por não definirmos os objectivos numa base limitativa, baseados numa definição abstracta de carros de “luxo”.

Este ataque é um ato de vingança por todxs xs compas não-humanxs esmagadxs nos caminhos do “progresso” humano, tal como por aquelxs cujos lugares e vidas são todos os dias destruídos em nome da produção de carros – produção essa destinada a um prazenteiro e ardiloso funcionamento da sociedade é à acumulação de poder nas mãos das corporações – destruindo os nossos lugares de vida, o meio natural.

Escolhemos para agir o dia anterior à data fixada inicialmente para o julgamento pela intenção de fuga da Conspiração de Células de Fogo (Núcleo de Membrxs Presxs) – para estarmos junto a elxs, até que todas as prisões sejam só cinzas e ruínas e todxs xs compas humanxs e não-humanxs sejam livres.

Enviamos também as nossas saudações, amor e raiva a Mónica Caballero e a Francisco Solar acusadxs de bombardeio de duas igrejas em Espanha e cujo julgamento está marcado para 8, 9, e 10 de Março.

Este é um gesto de cumplicidade na guerra de libertação total.

Avancemos com a rejeição violenta da civilização e seus valores.

Até que todos sejamos livres!

Wildfire Cell (Célula Fogo Selvagem) – FLA/FLT/FAI

em espanhol

Turquia: Sabotagem em Istambul em solidariedade com Nikos Romanos

Adsız-KopyaDurante a noite de 1 de Dezembro de 2014, partimos os vidros de um rolo compressor e cortamos-lhe os cabos, no distrito de Kocasinan, em Istambul, como mostra de solidariedade factual com o anarquista preso Nikos Romanos, em greve de fome desde o dia 10 de Novembro, assim como com Yannis Michailidis, Andreas-Dimitris Bourzoukos e Dimitris Politis que, nas prisões gregas, deram início a uma greve de fome solidária para apoiar aquele.. A seguir deixámos gravadas as seguintes frases numa parede, próximo do local onde sabotámos o rolo compressor: “Nikos Romanos” e “Fogo às celas das prisões”.

Através desta pequena ação também queremos saudar xs guerreirxs que morreram para que não avancem os carniceiros do Estado Islâmico (ISIS), xs rebeldes que se negam a ser manifestantes passivxs e decidem lutar contra a polícia e atacar os objectivos da repressão e exploração no México, França, Ferguson, nos Estados Unidos, e Santiago de Chile; saudamos os núcleos da Frente de Libertação Animal-Frente de Libertação da Terra que continuam a multiplicar as acções e os ataques, em Istambul e arredores. Saudamos xs insurretxs que já estão fartxs de ser revolucionárixs de sofá, fartxs do palavreado da revolta e do fetiche organizativo, que estão fartxs de perder a sua imaginação anárquica nas águas estancadas da oposição liberal.

Até à liberdade de Nikos Romanos e de todxs xs anarquistas prisioneirxs de guerra em todo o mundo…

Solidariedade – Ataque – Insurreição

Até à libertação total…

Guerra social!

Frente de Libertação da Terra (FLT) / Fração de Solidariedade Insurrecional

EUA: “A destruição da propriedade é um componente útil de um conjunto de táticas para alcançar a libertação da terra”


Entrevista com Grant Barnes, preso da Frente de Libertação da Terra (FLT), realizada pelo ex-preso eco-libertário estadunidense Jeffrey Luers.

Jeffrey Luers > Atualmente estás cumprindo uma longa pena por vários incêndios reivindicados pela Frente de Libertação da Terra. O que levou você a executar estas ações?

Grant Barnes < Há algum tempo eu estava ciente da existência da FLT, e, conforme comecei a perceber o quão graves eram as conseqüências das alterações climáticas, decidi que era hora de fazer alguma coisa e assumir a responsabilidade. Creio que a destruição da propriedade é um componente útil de um conjunto de táticas para alcançar a libertação da terra e a criação de uma cultura biocêntrica. Eleva os custos econômicos e psicológicos da destruição da terra, e quando as ações são cobertas pela mídia, como sempre, mostra a todos (estejam do lado que estiverem nesta luta) que os destruidores são vulneráveis. Creio que a destruição de propriedades é algo que o resto das espécies do planeta faria para defender-se da extinção se tivessem o conhecimento e capacidade para fazê-lo. Aqueles que destroem as propriedades de pessoas irresponsáveis que não se preocupam com a natureza o fazem em nome dessas outras espécies, que são nossa família.

Jeffrey > Como começou a se envolver no ativismo?

Grant < Dava uma força em uma “info-shop” em Denver (agora fechada) e colaborava com Food Not Bombs, e trabalhava no programa de assistência e conscientização sobre violação.

Jeffrey > Estás cumprindo sua sentença em uma prisão de segurança máxima. Como está sendo?

Grant < Um dos maiores desafios tem sido o racismo. Sou branco, e muitas das pessoas com quem falo não é, e isso me levou a ter alguns confrontos com racistas. Porém meus amigos apóiam-me, por isso quando há problemas, respondemos juntos, e isso me mantém são e salvo.

Mas o mais difícil é o isolamento. Sou uma pessoa social e para mim a comunidade é muito importante, por isso cada dia é um esforço consciente para adaptar-me a passar sozinho a maior parte do tempo (na maioria das vezes eu não tenho permissão para sair da cela). No entanto, eu permaneço ativo, estudando para me formar e trabalhar, e tenho feito grandes progressos nestas duas áreas. Ocasionalmente eu tenho a oportunidade de responder cartas, uma das minhas atividades favoritas aqui.

Jeffrey > Quando decidiu se envolver com a eco-defesa, você pensava que acabaria na cadeia? Se foi assim, se preparou para quando chegasse o momento?

Grant < Eu sabia que poderia cair preso e tentei que não acontecesse. Em vários momentos da minha vida eu li relatos de prisão – como “Soul on Ice”, do membro dos Panteras Negras Eldridge Cleaver e “Soledad Brother” de George Jackson – e alguns textos mais recentes sobre a vida na prisão, incluindo um texto que encontrei na Internet chamado “Como sobreviver na prisão”. Ele contém boas informações, por exemplo, sobre a importância do respeito, embora acredite que teria aprendido esse tipo de coisa se eu tivesse lido ou não. Provavelmente a melhor maneira de alguém se preparar seja manter-se em boa forma física.

Jeffrey > Como tem sido o apoio que vem recebendo? Como as pessoas podem ajudar?

Grant < As pessoas do projeto Lucy Parsons no ano passado enviaram-me um par de livros, o que é ótimo porque é muito difícil conseguir bom material de leitura aqui dentro. O Earth First! me deu uma assinatura gratuita de seu jornal, e também recebi um exemplar da Green Anarchy e Bite Back, publicações que já considerava significativa quando estava fora e que agradeço poder ler aqui. Estou particularmente grato pelo Earth First! e a Green Anarchy ter publicado o meu endereço. Recebo um monte de cartões e cartas me desejando o melhor e tenho começado recentemente a me corresponder com várias pessoas. Seria ótimo se mais pessoas me escrevessem.

A melhor maneira das pessoas ajudarem é através do envio de informações sobre comunidades, redes de apoio mútuo e similares que colaborem, enquanto estiver ausente. Um dos aspectos mais frustrantes de estar na prisão é oferecer tão pouco aos outros, mas eu quero estabelecer uma base sólida para a comunidade que gostaria de criar uma vez que eu sair daqui. Criar uma comunidade envolve muito trabalho, e sei que é preciso dedicar tempo para compreender, entre outras coisas, o nível de compromisso de um membro em potencial e seus pontos de afinidade com outros membros. Quero criar esse diálogo, porque o tipo de vida que quero levar fora da cidade é uma vida em espaços livres do patriarcado, da exploração, do antropocentrismo, do racismo e de todos os outros sintomas da alienante civilização atual. E para isso estou muito interessado em grupos mais primitivos. Ainda assim, é sempre especial receber uma carta ou postal de alguém que se preocupa com a terra e desfruta a vida.

Jeffrey > Estás trabalhando em algum projeto enquanto preso?

Grant < Estou terminando minha licenciatura em antropologia cultural. Era estudante quando me detiveram. Ler sobre um grupo diversificado de culturas tem sido provocativo. Tem me ensinado o quanto foi perdido com a extinção dos modos de vida sustentáveis e primitivos, um conhecimento que necessitamos agora mais do que nunca. Também acompanho os relatórios sobre mudança climática e estou lendo alguns livros os quais não houve tempo quando eu estava fora, como “Endgame”, de Derrick Jensen.

Grant Barnes cumpre uma pena de 12 anos de prisão pelo incêndio de vários carros SUVs (uma gama de carros altamente poluentes). De sua cela observa as aves que construíram seus ninhos entre o arame farpado. Um reflexo do que acontece em nosso mundo.

Para escrever para Grant:

Grant Barnes, #137563, Arrowhead Correctional Facility, P.O. Box 300, Cañon City, CO, 81215-3000. EUA

Fonte:  fanzineelactivista.blogspot.com

agência de notícias anarquistas-ana