Arquivo de etiquetas: Nikos Romanos

Viena, Áustria: Evento da “CNA – Célula Solidariedade” (Atenas) no Festival CNA Viena [20-23 Abril, 2017]

Evento solidário com xs companheiros presxs em Koridallos – “Cruz Negra Anarquista – Célula Solidariedade” (Atenas) @ FESTIVAL CNA VIENA – 20 a 23 Abril de 2017

“Como anarquistas, percebemos a necessidade de uma luta anarquista multiforme – posicionando o ataque contra o estado e a vassalagem que é imposta – por todos os meios possíveis, aqui e agora” (do texto de auto-apresentação do grupo CNA)

Neste evento, xs companheirxs da “CNA- Célula Solidariedade” irão falar da importância da solidariedade com xs prisioneirxs anarquistas, dos esforços de solidariedade e da conexão de lutas dentro e fora dos muros. Além disso será feita uma desconstrução do significado do movimento anarquista e do mito do bairro de Exarchia (Atenas).

“(…) não consideramos que a ação dxs nossxs companheirxs anarquistas esteja terminada após prisão, ou repressão.“(do texto de auto-apresentação do Grupo CNA)

Durante o evento haverá uma intervenção de três prisioneirxs anarquistas – via conexão ao vivo – prisão de Koridallos:

– Nikos Romanos
– Panagiotis Argirou CCF – Célula de Violência Metropolitana / FAI-IRF
– Olga Ekonomidou CCF – Célula Guerrilha Urbana / FAI-IRF

Elxs irão abordar os seguintes tópicos:

– As condições nas prisões e a situação dxs prisioneirxs anarquistas na Grécia
– A importância das assembleias de solidariedade para xs prisioneirxs anarquistas  e a conexão das lutas dentro e fora dos muros
– A escolha e a importância da luta armada; a reivindicação de responsabilidade no período de ação e em particular na participação na organização armada; a importância e consignação dessas escolhas
– A escolha fuga de presxs
– A posição da mulher na luta armada

Também será possível fazer perguntas aos/à companheirxs na prisão, de modo que a comunicação será em ambos os sentidos.

Algumas palavras do prisioneiro anarquista Panagiotis Argirou, dedicadas ao Festival CNA:

Há momentos em que tu sentes um certo tipo de força dentro de ti. Isso pode acontecer por razões diferentes a cada vez, mas sem dúvida que é sempre um sentimento muito positivo. Tal tipo de força pode ser sentida pelx prisioneirx quando elx descobre que há outrxs indivíduxs que querem um toque, um contato, uma comunicação, uma conversa com elx. É um sentimento muito forte, único, um sentimento de uma grande força, enchendo-x todx e isso é algo inestimável. Esse sentimento de que não se está sozinhx – que há outrxs companheirxs que querem compartilhar momentos, experiências ou qualquer outra coisa contigo – é algo tão valioso que só a liberdade em si se lhe pode comparar. Então, deixe-me agradecer muito pela oportunidade que me oferece de ter algum contacto, mesmo que seja por tão pouco. Desejo que o futuro nos traga mais oportunidades, para que um dia possamos ter a chance de ter uma conversa ao vivo fora dos muros. Um grande e caloroso abraço,
Panagiotis Argirou, membro do CCF-FAI

Contactos:

Sítio da Célula Solidariedade CNA (Atenas): https://abcsolidaritycell.espivblogs.net
E-mail: abcsolidaritycell@riseup.net

Nikos Romanos Prisão Estatal de Koridallos – prisão de homens – Ala A’, P.C. 18110, Koridallos, Atenas

Panagiotis Argirou Prisão Estatal de Koridallos – prisão de homens – Ala A’, P.C. 18110, Koridallos, Atenas

Olga Ekonomidou Prisão Estatal de Koridallos – prisão de mulheres, P.C. 18110, Koridallos, Atenas

Outros eventos @ Festival CNA Viena, podes procurar aqui: [https://abcfestvienna.noblogs.org/]

Localização:

CASA ERNST KIRCHWEGER
Rua Wielandgasse 2-4
1100 – Wien (Viena de Áustria)

em inglês l alemão

[Grécia] Sejamos todxs insurgentes, assaltantes e sabotadorxs

Solidariedade com todxs xs que estão submetidxs a julgamento pelos assaltos de Velventos

Em 2013, seis anarquistas foram detidos por duplo assalto na cidade de kozani, Velventos. Um ano mais tarde viram-se condenados a penas de prisão que variavam de 11 a 16 anos. No princípio de Março deu-se início ao seu julgamento de recurso, na prisão de Korydallos – onde têm sido mantidos reféns do Estado desde a sua detenção. A razão para certas pessoas serem perseguidas, espancadas e presas não se prende com o dinheiro que o banco irá perder, no caso ter sido bem sucedido o processamento do roubo. A verdadeira razão é o perigo que representaria para a autoridade se essa prática se espalhasse na sociedade – a de escolher sair e fazer por aí o que for possível para combater a opressão diária, a de encontrar os meios necessários para criar projetos de luta, a de ir contra o mundo dos ricos e poderosos, por via direta e autónoma. Não estamos a falar de assalto a bancos enquanto tal – que poderia também ser uma maneira alternativa de obter riqueza na mesma lógica capitalista, que está sempre a hipnotizar-nos, em todo o lado. Estamos a falar da escolha de agir – para aprofundar a aventura da revolta sempre em evolução – armados com ideias de liberdade e coragem.

Ou seja, é uma questão de vida. Queremos viver com a cabeça curvada, vendo sempre os nossos pés no chão desta tão amputada sociedade, pensando que esse é o horizonte? Ou queremos olhar à nossa volta, juntarmos-nos com muitxs ou poucxs para organizar o ataque contra o existente e tudo o que lhe dá ar para respirar? Nesse caso, é a nossa criatividade e imaginação que irá determinar o horizonte.

Solidariedade é luta.

Sejamos todxs insurgentes, assaltantes e sabotadorxs…

Próximas datas de julgamento: 23/3, 30/3, 11/4 & 27/4

inglês l grego

Escócia: Caixas electrónicos sabotados na região de Edimburgo

falcon-768x581Edimburgo, Escócia, 22/12/2015:

Durante a noite de 22/12 sabotei 3 caixas electrónicos na zona de Edimburgo. Usei espuma de poliuretano para bloquear todas as entradas e saídas da máquina. Este material expande-se e solidifica após algum tempo. Desta forma foram atacados os muros da minha existência civilizada. O selvagem não existe no fantasma da Natureza. A única coisa que existe, é algo tão idealista como a alienação do civilizado. O que é selvagem não tem rosto, manifesta-se pelo rotura da sistematização. O ataque não é efetivo quando nos confinamos a nós, em rígidos diálogos connosco mesmxs. A separação natureza – civilização é igualmente civilizada. A civilização intangível é mais dissimulada ainda do que a material. Quando o ser anti-civilização é visto apenas como insurreição contra a tecnologia e defesa da sagrada natureza, então torna-se míope e produto da alienação social em vez de escolha consciente.

Esta sabotagem não é mais do que a exteriorização de sentimentos de misantropia, direcionada àquelxs que irão encontrar no amanhã um congelamento da sua normalidade – ainda que por apenas algumas horas – e que julgarão o perpetrador. As massas são algo pútrido e talvez ainda mais repugnantes do que xs que dominam, seja porque o seu fantasma de Justiça as fazem reclamar, visto não estarem satisfeitas ou simplesmente porque se tornaram autómatos da sociedade. É através das massas que existe o amo, não há outra hipótese. Assim, neste contexto, não tenho nada a dizer aquelxs que estão do outro lado da barricada. A todxs xs outrxs, qualquer que seja a abordagem – caso não tenham sido consumidxs já por uma nova moralidade ou por outras correntes do ego – vou dizer apenas o suficiente.

Esta sabotagem é contra a sociedade e as cadeias da sua intangível civilização… A parte mais importante da civilização e que constitui os seus pilares não é mais do que as coisas que foram ficando inscritas em cada um ou uma de nós. E que se irá opor a qualquer civilização dominante com outra que ainda manterá resquícios da sociedade. A cultura segue as suas próprias morais, costumes e tradições. É, essencialmente, oposta à individualidade. Individualidades são aquelxs que estão vinculadxs aos seus egos em vez de a ideias. O ego é a única essência que se pode opor ao Estado, à sociedade e à civilização. A sua diversidade é infinita. Não é sagrado, não tem nem chefe nem qualquer moralidade. É o primeiro passo para a completa destruição do existente.

As ações infelizmente não falam por si próprias e a percepção necessita de profundidade tal como o abismo de cada um ou uma.  Sei que com a minha ação não vou alterar nada mais do que o ódio mas mudar-se-ão coisas dentro de mim: a explosão dentro do meu abismo e a reivindicação da responsabilidade dentro do isolamento. Dentro da nossa insignificante existência, os únicos momentos significativos são aqueles em que um ego ou individualidades conscientes criam por si próprias. Tudo o resto é um produto de consumo. Na minha opinião, aquelxs que lutam conscientemente contra o existente nunca precisam de desculpa para procurar coordenação e actuar. Para atuarem nem esperam por tempos correctos nem necessitam de recordar eventos específicos. Saudações axs compas Panagiotis Argyrou e Nikos Romanos a quem devemos, a partir da Grécia, o apelo por um Dezembro Negro.

Em direção ao nada….

Célula dx anarquista e consciência nihilista “Falcão do Caos”

em inglês

Melbourne, pretensa “Austrália”: BAE Systems atacada com tinta e à marretada por um Dezembro Negro

Assassinos corporativos
Assassinos corporativos

Nas últimas horas de Dezembro de 2015 atacamos os escritórios da empresa empreiteira da defesa BAE Systems, na Avenida River em Richmond, com tinta e à marretada.

A BAE Systems tira biliões da guerra e a sua tecnologia é responsável por incontáveis mortes de civis em todo o mundo.

Esta ação foi levada a cabo no âmbito do Dezembro Negro, um mês de ação direta anarquista, iniciado na Grécia pelos prisioneiros anarquistas Nikos Romanos e Panagiotis Argirou.

Também realizamos esta ação tanto em solidariedade com os presos anarquistas reféns de estados em todo o mundo como com os presos Indígenas mantidos como reféns pelas ‘autoridades’ colonialistas aqui na pretensa ‘Austrália’ – todxs elxs são presxs políticxs.

O Dezembro Negro está em toda a parte!

Célula de remodelação anarquista de escritórios

BAE mata pessoas
BAE mata pessoas
BAE é feita de assassinos BAE é feita de assassinos

melbourne4-1

melbourne5-1

em inglês l alemão

[Prisões gregas] Por uma nova postura de combate da insurreição anarquista – Por um Dezembro Negro

“Ódio ao indivíduo que se curva sob o peso de uma força desconhecida, de um qualquer X, de um Deus. Ódio a todos aqueles que cedendo a outros por medo, resignação ou por uma parte da sua força de homens [e mulheres] não apenas se esmagam a si mesmos, mas também a mim, a tudo o que amo, sob o peso do seu infame concurso ou da sua inércia estúpida. Ódio, sim, odeio-os porque o sinto, sinto que não me curvo perante os galões do oficial, a banda do prefeito, o ouro do capitalista ou todas as suas morais e religiões; já há tempos que sei que tudo isto não passa de tontarias que se quebram como o vidro…”
– Albert Libertad

Ao longo da história existem momentos nos quais a casualidade de alguns acontecimentos pode provocar dinâmicas variáveis, paralisando quase por completo o espaço-tempo social.

Aconteceu isso na noite daquele sábado, 6/12/2008, quando por momentos se entreviu o cúmulo do conflito entre dois mundos: de um lado a violência insurrecionária da juventude, entusiasta, espontânea e avassaladora e do outro o aparelho oficial e institucional do Estado que, através da repressão, reclama legalmente o monopólio da violência.

Não, não se tratava de um puto inocente e de um bófia paranóico que se encontraram no momento errado no local errado, foi antes um jovem companheiro amotinado que atacou um carro patrulha – numa zona onde haviam frequentes confrontos com as forças repressivas – e um bófia que estava a vigiar essa mesma zona e que, devido a uma percepção pessoal da honra e da reputação da polícia, decidiu enfrentar sozinho os desordeiros. Foi o choque entre duas forças opostas: de um lado a Insurreição e do outro lado o Poder, cada um dos protagonistas principais representava lados opostos.

O assassinato de Alexandros Grigoropoulos às mãos do bófia Epameinondas Korkoneas, assim como os grandes distúrbios que se lhe seguiram, provocaram um choque social muito forte – visto que se destroçou a imagem da “paz social” e se tornou visível, e de forma muito clara, a existência destes dois mundos contrapostos – causando situações das quais não havia volta a dar ou, pelo menos, em que se criaram e expressaram factos com uma dinâmica em que ninguém podia fingir não ter notado, não ter visto, não ter ouvido, não se ter dado conta.

A revolta de 2008 causou comoção na sociedade em que, na sua grande maioria, ainda desfrutava do bem-estar consumista e da cultura do estilo de vida ocidental, ignorando as funestas consequências da crise económica que estava a chegar. Causou constrangimento, entorpecimento e paralisia perceptual, já que a maioria do corpo social não conseguia entender donde tinham saído tantos milhares de amotinadxs a provocarem distúrbios de tal magnitude.

No rescaldo da revolta uma série de intelectuais, analistas políticos, professores, psicólogos, sociólogos, criminologistas, artistas até, aproveitando cada um o seu próprio prestígio e reconhecimento profissional, participaram no diálogo público, não só para interpretar o Dezembro de 2008 mas também para lhe retirar o sentido, difamando-o e condenando a violência como um todo, independentemente da sua origem, tornando claro qual o seu verdadeiro papel social.

Há muito mais a dizer sobre o Dezembro de 2008 e o seu legado insurrecional, de como foi expresso pelas dezenas de grupos de ação direta que se multiplicaram de forma explosiva em todo o país, criando uma frente de ameaça interna. Numa altura em que a ação direta anarquista minava, quase diariamente, a normalidade social. Mas do que estamos à procura principalmente é de recordar

Recordar o que foi o Dezembro de 2008 e como a anarquia para ele contribuiu, ao assumir um papel protagonista na manifestação de situações combativas que tiveram ressonância no movimento anarquista internacional.

Recordar o período onde a anarquia superou o medo à detenção, cativeiro e à repressão violenta e que por isso assumiu a auto confiança suficiente para se avançar em ações e movimentos que até então pareciam impossíveis. Uma confiança que se expressou em todo o espectro da ação anarquista multiforme – das simples intervenções públicas às ocupações de todo o tipo e das práticas de conflito espontâneas às ações de ataque mais organizadas.

Queremos recordar o nosso jovem companheiro que foi culpado da sua espontaneidade, algo que pagou com a vida. Podíamos ter sido nós a estar no seu lugar noutras circunstâncias, visto ser o mesmo entusiasmo insurreto o que nos caracteriza desde então, e é bom que TODXS recordem a sua procedência e não a exorcizem.

Queremos recordar a beleza de se paralisar o espaço-tempo social, através de pequenos ou maiores curto-circuitos sociais.

Queremos recordar quão perigosa a anarquia é, quando quer.

Queremos reviver os dias em que “a morte já não terá autoridade e despidos os mortos serão um só com o homem do vento e da lua a ocidente, explodindo ao sol até que o sol colapse” (versos parafraseados de um poema de Dylan Thomas).

* * *

«Então ficamos a saber o que representa a humildade.
Quantas vezes as pessoas se sentaram já
sozinhxs em casa
À espera que xs compas regressem?
A batalha é planeada
Cada minuto é contabilizado
Cada um/a sabe o que tem de fazer
Todo o cuidado é tomado.
Esta noite quantas guerrilhas travam batalhas?
Esta noite a rádio informa que a polícia tentou tirar das ruas
Centenas de manifestantes.
Voam pedras,
Podes escutar os cânticos, os vidros a quebrarem-se,
Os alarmes por trás da verborreia do jornalista.
São onze em ponto.
Não passou ainda.
Quantos já passaram antes de nós?
A linha rebobina na história.
Quantos ficam por passar? ”
A tribo do Águia orgulhosa de Weather Underground

Começamos pela constatação de que existe a necessidade mais que urgente de se delinear uma estratégia cujo cerne seja a colisão frontal da ação anarquista multiforme com o poder e os seus expoentes. Temos a convicção de que a contribuição de mais uma proposta  teórica acerca da organização anarquista não seria fértil pois permaneceria no quadro estreito da rigidez ideológica. Se não tentarmos aligeirar as contradições quotidianas, através de ações que complementem a totalidade do objetivo libertador, então ficamos condenados a nos afogarmos no dilúvio de introversão que permeia os círculos anarquistas.

Acreditamos que para a elaboração de uma estratégia – na qual confluem os grupos de afinidade, a luta polimorfa e a permanente insurreição anarquista – as nossas forças, a nossa dinâmica, as nossas capacidades e os nossos limites devem ser comprovados em ação. Desta forma seremos capazes de apresentar as nossas reflexões baseadas em experiências reais de luta e não em acrobacias teóricas. Vivemos no princípio do fim do mundo tal e como o conhecíamos até hoje.

O esforço de resolução pacífica de conflitos sociais por parte do Estado pertence a um passado distante tal como o da prosperidade económica, agora os modelos de intervencionismo estatal na economia são jogados no caixote do lixo – uma vez que, hoje em dia, a omnipotência das multinacionais e a capacidade do Capital de atravessar as fronteiras nacionais, sem restrições, estão a ser institucionalizadas pelos centros de poder dominantes. A narrativa histórica dos Estados-Nação – que serviram o desenvolvimento capitalista durante décadas através de economias nacionais – está em colapso, a fascistização da tecnologia oferece infinitas possibilidades de gestão das emoções humanas, a crescente complexidade da articulação social desestabiliza os automatismos sociais e militariza a vida social dentro das metrópoles, as máquinas da digitalização da vida desnervam o complexo funcionamento crítico do pensamento dos seres humanos, criando cemitérios de consciências, as imagens de horror humano estão a ser assimiladas pela consciência social e deixam de criar emoções para além da sensação de choque.

Encontramo-nos num processo de atualização qualitativa da “guerra civilizada”, onde a felicidade de uns coexistem com o tormento de outros; neste novo ambiente os seres humanos contemporâneos fazem o seu aparecimento, geneticamente aptos a aceitar como óbvia uma forma de vida doente, num mundo degenerado, no qual tudo o que era selvagem na natureza desapareceu às mãos da regeneração urbana e do rumo expansivo das condições artificiais de civilização. Vivemos entre roedores industriais que vivem com uma dieta controlada, num ambiente controlado e que se transformam em modelos sociais que devemos seguir a fim de sobreviver.

Neste contexto, a anarquia adquire uma possibilidade estratégica para se deitar fogo a todas as formas de representação política, para se tornar uma frente de guerra aberta, não ortodoxa contra a dominação, que transformará a diversidade e o pluralismo de pontos de vista no interior da comunidade anarquista numa vantagem e fará com que os oprimidos que decidam romper as cadeias confluam nos centros de luta que se criaram. Às vezes, as constatações mais importantes são ditas da forma mais simples: queremos ver o mundo do Poder destruído pelas mãos armadas de homens e mulheres amotinadxs. Superemos, pois, as formas teóricas, e voltemos a pôr o tónus do debate no ponto inicial – no ponto onde a pedra deixa a nossa mão para acabar na cabeça de um bófia, no ponto em que decidimos quebrar os grilhões do cativeiro, no ponto onde as vontades subversivas são expressas de forma combativa nas ruas, no ponto onde de encontram os indicadores de um dispositivo de relojoaria que procura fazer voar a névoa assassina da ordem da lei.

Revertendo o fluxo do diálogo pré-determinado, não falamos com antecedência do modo com que atuaremos, mas propomos uma coordenação da ação anarquista e o entrelaçamento informal de projetos anarquistas através da força vital da ação polimorfa; vamos, portanto, ser capazes de localizar os nossos erros e debilidades enquanto sondamos as nossas capacidades para avançar numa avaliação crítica, que formará as bases da estratégia que projete a nossa ação anarquista frontal contra toda a autoridade.

A nossa proposta para pôr em marcha a aposta da formação de uma frente anarquista multiforme e combativa é simples: uma campanha de ação com o nome de “Dezembro Negro” será o detonador para se reiniciar a insurreição anarquista dentro e fora das prisões.

Um mês de ações coordenadas, a fim de nos conhecermos, de sairmos para se quebrar as montras dos grandes negócios, ocupar escolas, universidades e sedes de município, distribuir textos que difundam a mensagem da rebelião, colocando dispositivos incendiários contra os fascistas e a patronal, colocando faixas nas pontes e avenidas principais, inundando as cidades com cartazes e folhetos, de fazer voar as casas dos políticos, jogar molotovs à bófia, pintar palavras de ordem nas paredes, de sabotar a circulação normal das mercadorias no Natal, de saquear as montras da abundância, de realizar atividades públicas e trocar experiências e pontos de vista sobre várias temáticas da luta.

De nos encontrarmos nos becos da cidade e pintarmos com cinzas os prédios feios de bancos, as esquadras da polícia, as multinacionais, as bases militares, os estúdios de televisão, os tribunais, as igrejas, os grupos de caridade.

Desregular de múltiplas formas a normalidade social mortal das psico drogas, da asfixia económica, da miséria, do empobrecimento, da depressão, regulando a nossa existência ao ritmo da insurreição anarquista, onde a vida adquire significado, na batalha incessante contra a dominação e seus representantes. Para incendiar a frágil coesão social e tomar as ruas, estrangulando primeiro o monstro da economia, antes que nos extermine ele, através dos seus aparelhos burocratas e dos seus assassinos de traje que dotam de pessoal os centros de administração da guerra económica.

O “Dezembro Negro” não procura ser só umas datas de motins, pelo contrário, o que queremos é que se crie a vários níveis, através da ação anarquista multiforme, uma plataforma informal de coordenação, na base da qual confluam as investidas subversivas. Uma primeira tentativa de coordenação informal da anarquia para além do quadro padrão, cuja ambição é criar esta experiência de luta para pôr em marcha propostas subversivas e estratégias de luta.

A nossa proposta está ligada simultaneamente a legados semelhantes de luta para além das nossas fronteiras geográficas – há alguns meses no México um grupo de compas atacou com um dispositivo explosivo o Instituto Eleitoral Nacional, fazendo uma chamada, uma campanha antieleitoral e combativa por um Junho Negro, que foi acompanhada por uma boa parte do movimento anarquista: centros eleitorais e ministérios foram pasto de chamas, os confrontos com a bófia espalharam-se pelas ruas das cidades, foram realizadas concentrações, distribuindo-se textos de propaganda anarquista contra as eleições. Um mosaico de ação multiforme com referências políticas variáveis e diferentes pontos de partida – foi esta a resposta da anarquia ao circo eleitoral para a democracia, utilizando como ferramentas a horizontalidade, a coordenação informal e a insurreição permanente. Tal experiência de luta, onde a imaginação coletiva e a determinação criam focos de guerra libertadora na nova ordem das coisas, demonstrando claramente a perspetiva da abolição com os fatos conhecidos do pseudo binário legal e ilegal, enquanto atualizam as projetualidades anarquistas através das chamas da revolta.

A aposta da subversão continua em aberto, o destino desta proposta encontra-se nas mãos dxs compas de todo o espectro da luta, que escolham se vale a pena pô-la em movimento.

«A primeira noite na cela, os pensamentos da sua vida livre viajavam com uma velocidade vertiginosa nos neurónios do seu cérebro. Sabia que o cativeiro é a continuação lógica da justaposição com um inimigo que detém o poder de fogo superior a todos os níveis.

Para xs que sabotavam os trilhos do ocorrido no comboio do terror de uma realidade social que extermina de mil formas xs que a desafiam – as barras da prisão serão uma realidade, mas sem que signifique que isso é aceite sem batalha.

Com estes pensamentos na cabeça cerrou os olhos e sonhou – não com o que gostaria de viver fora dos muros, mas com o pesadelo de muitos anos de inércia, de espera, do deteriorar dos instintos.

Na manhã seguinte – confrontando-se pela primeira vez com a monotonia de um quotidiano cativo e repetido – já estava farto de ter paciência, tinha-a visto a vagabundear nos labirintos da tolerância nas primeiras da covardia disfarçada. Encerrou o seu ódio na maleta das emoções intactas, ao lado de seu amor pela liberdade, e passou a chave a um companheiro para a deixar perto dos túmulos dxs compas assassinadxs, caídxs em combate contra o inimigo.

Os anos passavam e a única coisa que a prisão conseguiu foi enchê-lo de raiva, impacientá-lo para o depois fazer procurar formas de aplicação prática da guerra anarquista – havia-se dado conta de que a única aliança possível é com o mundo das possibilidades.

Poucas possibilidades de convencer a maioria das pessoas desta sociedade de que a sua eleição não consiste em algo entre a loucura e o ponto morto – mas suficientes para que valha a pena apostar, por elxs, na grande ideia da destruição. A grande ideia de um choque frontal com o mundo das sombras e dos seus servos.  A porta da prisão abre-se e agora sabe o que tem de fazer, manter a memória viva, não deixar espaço para o esquecimento, não esquecer xs compas que ficaram para trás, retomar o fio da insurreição onde foi cortado, verter o veneno da subordinação nas redes de reprodução da sociedade capitalista.

Pela insurreição anarquista permanente!
Nenhuma trégua ao Poder e às suas marionetas!»

Por um Dezembro Negro!

Pela ofensiva anarquista contra o mundo do Poder!

P.s: A 11 de Dezembro cumpre-se dois anos de perda do nosso irmão Sebastián “Angry” Oversluij, durante a expropriação armada de um banco no Chile – devido às balas de um servo uniformizado do sistema. Acreditamos que este “Dezembro Negro” constitua uma oportunidade para honrar a memória do nosso irmão anarquista, unificando a memória anarquista e abolindo de facto as fronteiras e distâncias.

Nikos Romanos

Panagiotis Argirou, membro da Conspiração de Células de Fogo – FAI/FRI

em pdf aqui para se poder espalhar por toda a parte

                              em grego | inglês | espanhol | italiano  &  turco

Atenas: Vídeo da marcha anarquista de 27 de Setembro

[youtube width=”541″ height=”344″]http://www.youtube.com/watch?v=Oa9KsXFnT-8

Vídeo da marcha anarquista de 27 de Setembro no bairro de Egaleo, através da qual finalizou a ocupação do Instituto Tecnológico de Atenas. Na faixa dianteira podia ler-se: “Concessão imediata das saídas educativas para Nikos Romanos”.

Algumas das palavras de ordem que se podiam ouvir: A paixão pela liberdade é mais forte que todas as celas // Nem fascismo nem democracia, abaixo o estatismo e viva a anarquia // Todos os valores desta sociedade são prisões de máxima segurança // O justo está do lado dxs amotinadxs, não dos delatorxs e dxs ajoelhadxs // Evi aguenta, até à liberdade // O Estado e o Capital são os únicos terroristas, solidariedade com xs  guerrilheirxs armadxs

O vídeo conclui com a seguinte mensagem:

Não queremos nada do Estado
Não esperamos nada dele…
Só a sua completa destruição

Concessão imediata das saídas educativas para Nikos Romanos
Levantamento das medidas restritivas contra Athena Tsakalou
Libertação imediata de Evi Statiri

Anarquistas da tomada do TEI de Atenas

espanhol

Tessalónica: Ações solidárias do Coletivo Anarquista Negro/Verde

LIBERTAÇÃO IMEDIATA DE EVI STATIRI, EM GREVE DE FOME DESDE 14/9.
LIBERTAÇÃO IMEDIATA DE EVI STATIRI, EM GREVE DE FOME DESDE 14/9
CONTRA A CRIMINALIZAÇÃO DAS RELAÇÕES FAMILIARES E DE AMIZADE. LIBERTAÃO IMEDIATA DE EVI STATIRI, EM GREVE DE FOME DESDE 14/9
CONTRA A CRIMINALIZAÇÃO DAS RELAÇÕES FAMILIARES E DE AMIZADE. LIBERTAÃO IMEDIATA DE EVI STATIRI, EM GREVE DE FOME DESDE 14/9
LIBERTAÇÃO IMEDIATA DE EVI STATIRI, EM GREVE DE FOME DESDE 14/9
LIBERTAÇÃO IMEDIATA DE EVI STATIRI, EM GREVE DE FOME DESDE 14/9
CONTRA A CRIMINALIZAÇÃO DAS RELAÇÕES FAMILIARES E DE AMIZADE. LIBERTAÇÃO IMEDIATA DE EVI STATIRI, EM GREVE DE FOME DESDE 14/9
CONTRA A CRIMINALIZAÇÃO DAS RELAÇÕES FAMILIARES E DE AMIZADE. LIBERTAÇÃO IMEDIATA DE EVI STATIRI, EM GREVE DE FOME DESDE 14/9
PAREM A PERSEGUIÇÃO AOS DOIS ANARQUISTAS ANDREA E ERROL. CONTRA O SAQUEIO DA NATUREZA, LUTA PELA TERRA E PELA LIBERDADE
PAREM A PERSEGUIÇÃO AOS DOIS ANARQUISTAS ANDREA E ERROL. CONTRA O SAQUEIO DA NATUREZA, LUTA PELA TERRA E PELA LIBERDADE
CONCESSÃO IMEDIATA DAS SAÍDAS EDUCATIVAS A NIKOS ROMANOS
CONCESSÃO IMEDIATA DAS SAÍDAS EDUCATIVAS A NIKOS ROMANOS

Na semana passada colaram-se papelógrafos nas paredes do centro de Tessalónica:

– Em relação ao caso dos dois compas Andrea e Errol que foram detidos no domingo, 23 de Agosto, na manifestação contra as minas de ouro em Skouries, península de Calcídica. Na terça-feira, 29 de Setembro assim como na quarta-feira, 30 de Setembro, a suspensão temporal da ordem de deportação que lhes foi imposta vai ser examinada nos tribunais de primeira instância de Tessalónica.

– Em relação ao caso de Evi Statiri, que desde 14 de Setembro iniciou uma greve de fome exigindo a sua libertação.

– Em relação ao caso do anarquista Nikos Romanos, a quem não lhe são concedidas as saídas educativas da prisão.

Colectivo Anarquista Negro/Verde

Atenas: Manifestação anarquista a partir da ocupação do Instituto Tecnológico

poriaMANIFESTAÇÃO A 27 DE SETEMBRO A PARTIR DA TOMADA DO T.E.I.   

Concessão imediata das saídas educativas da prisão ao anarquista Nikos Romanos: O Estado continua a negar-lhe as saídas educativas, apesar da reforma na legislação que se verificou após 31 dias de greve de fome, acompanhada por um movimento solidário multiforme e combativo.

Libertação imediata de Evi Statiri, em greve de fome desde 14 de Setembro: Evi encontra-se desde há seis meses em prisão preventiva, apesar de provas inexistentes, apenas porque se negou a renunciar ao seu companheiro de vida Gerasimos Tsakalos, preso político e membro da Conspiração de Células de Fogo.

Levantamento imediato das medidas restritivas contra Athena Tsakalou: O Estado mantem-la refém na ilha de Salamina, privando-la da comunicação com os seus filhos e de tratamento médico adequado.

A LUTA CONTINUA CONTRA O ESTADO, CAPITAL E TODA A AUTORIDADE

PELA DESTRUIÇÃO DE TODA A ESTRUTURA DE CONFINAMENTO

ATÉ Á RUPTURA TOTAL COM O EXISTENTE

Assembleia de anarquistas/antiautoritárixs da ocupação do T.E.I.

espanhol

Santiago: Mensagem do Coletivo Luta Revolucionária para xs compas da tomada do Instituto Tecnológico de Atenas

Texto lido/repartido a 21/09 na okupação do TEI de Atenas:

Há uns meses, fomos testemunhas de um golpe ofensivo do Estado, golpe esse que se fez sentir  até este lado do charco, marcando também as nossas mentes e corações, com os gestos, palavras e ações solidárias para com quem – após terem arriscado tudo – recebeu o embate do poder, com encarceramentos e a frustração de um plano de fuga que a todxs nos deixou atónitxs.

Evi e Athena enfrentaram este processo com dignidade, inteireza e também de forma feroz na resistência quotidiana ao confinamento, de estar frente a frente com x bartardx carcereirx e não se deixar dobrar, continuando firmes ao lado daquelxs que se posicionam contra a ordem imposta, de quem assume este caminho com os seus vertiginosos carreiros, com incertezas mas sobretudo com a claridade de quem são os inimigxs. Daqui lhes enviamos um forte abraço, muita força e ânimo para a companheira Evi, que decidiu iniciar uma greve de fome que apoiamos e com a qual nos solidarizamos, agora e enquanto dure.

Tal como a companheira Evi – que decidiu utilizar o seu corpo como uma arma na luta pela liberdade – há quase um ano também o companheiro anarquista Nikos Romanos o fez, ativando a solidariedade internacional e conseguindo dar um duro golpe ao Estado grego. Hoje estamos conscientes de que Nikos Romanos não conseguiu, no entanto, aceder às suas saídas educativas da prisão.

De Santiago de Chile, a partir do Coletivo Luta Revolucionária, saudamos com muito carinho e também com uma alegria cúmplice cada companheirx que mantém viva a okupação do Instituto Tecnológico de Atenas (TEI) desde 13 de Setembro, lutando insistentemente contra o poder, ativando a solidariedade na prática e mantendo os seus vínculos com xs compas que se encontram na prisão, assumindo qualquer consequência que ela possa trazer.

Por fim, enviamos toda a nossa solidariedade com xs compas golpeadxs e detidxs* pela polícia, na manifestação à memória combativa de Pavlos Fyssas, no passado dia 17 de Setembro e que culminou com um ataque incendiário à esquadra da polícia de Exarchia. Força! Jamais baixar a cabeça!  Enfrentando o inimigo, orgulhosxs do caminho escolhido.

Não queremos nada do Estado, não esperamos nada dele … Somente a sua completa destruição.

Concessão imediata das saídas educativas para Nikos Romanos. Levantamento das medidas restritivas contra Athena Tsakalou . Libertação imediata de Evi Statiri

Presxs na rua já! Caminhando dignxs e insubmissxs

19/09/2015

* Todxs xs detidxs do dia 17/09 foram já libertadxs.

espanhol

Grécia: Sobre a ocupação do Instituto Tecnológico de Atenas

Desde domingo, 13 de Setembro de 2015, os espaços do Instituto Tecnológico de Atenas (TEI), situado no bairro de Egaleo, encontram-se ocupados por companheirxs anarquistas. O quadro político em que se insere a tomada do TEI é o seguinte:

– Concessão imediata de saídas educacionais da prisão ao anarquista Nikos Romanos (Nikos é estudante de TEI).

– Libertação imediata de Evi Statiri, presa em greve de fome desde 14 de Setembro.

– Levantamento imediato das medidas restritivas contra Athena Tsakalou.

– Apoio aos/às refugiadxs e imigrantes que chegam aos territórios controlados pelo Estado grego e lutam contra os aparelhos democráticos e fascistas.

– Combate ao processo eleitoral.

O objetivo da ocupação é sabotar o funcionamento normal do Instituto, mantendo o espaço ocupado durante o período dos exames e, assim, fazer pressão aos ministérios da educação e da justiça para que concedam a Nikos Romanos as saídas educacionais pelas quais ele travou uma dura greve de fome, no ano passado. Ao mesmo tempo procura-se que seja um centro de apoio às lutas anarquistas que se desenvolvem atualmente na Grécia.

Durante a semana passada foram realizados uma série de atividades nos espaços tomados: evento contrainformativo para o companheiro Nikos Romanos, com uma intervenção telefónica deste a partir da prisão de Korydallos, projeções, evento infosolidário para os imigrantes e refugiadxs compas, com atualizações de compas da partir das ilhas de Mitilene e Kos, além de assembleias diárias abertas onde se decidem os passos seguintes.

Entretanto o Estado não ficou indiferente à tomada do TEI. O cerco repressivo tornou-se mais evidente nos últimos dias quando polícias à paisana que circulam nos arredores tentaram em vão capturar um compa que saía da ocupação. Quando os demais compas se aperceberam da situação saíram à rua e perseguiram os polícias à paisana até chegarem forças motorizadas de DIAS.

Para amanhã, 21 de Setembro, estão convocadas atividades de apoio financeiro para as despesas legais dxs detidxs do 17 de Setembro.

Às 16:00 há festival de grafiti e microfone aberto e a partir das 20:30 concerto de rap político.

Como chegar:

Autocarros A15 e B15 a partir da estação de comboios de Larisis.
Autocarro B16 e Γ16 da praça Koumoundourou.
Linha azul do metro, paragem final de Aghia Marina e depois a andar a pé são 10 minutos.

espanhol

A propósito dos carros incendiados nas últimas semanas em Berlim…

siemens wisag

Para Mónica Caballero, Nikos Romanos, Francisco Solar, Nikos Maziotis e todxs xs prisioneirxs revoltadxs, para aquelxs que incendeiam os veículos da empresa construtora de prisões Vinci nas ruas de Paris, comemorando o feriado do 14 de Julho à sua maneira, para os irredutíveis que nas ruas de Atenas mais uma vez lançaram μολότοφ [cocktails molotov] e pedras, não se deixando decepcionar com o Syriza… e para nós mesmxs.

Foi por isso que ateamos fogo a um veículo da Deutsche Telekom, empresa de vigilância no distrito de Wedding, em Berlim, a 11 de Junho de 2015; que queimamos uma carrinha da empresa de armas Siemens na península de Stralau, a 13 de Julho de 2015, e reduzimos a cinzas um veículo da empresa de segurança WISAG, na Paul-Junius-Straßele, a 17 de Julho de 2015.

A fortaleza Europa não entrará em colapso enquanto a tempestade que lança a fúria
até aos seus limites exteriores não se conectar com as subversões internas e locais,
e que estas lutas serão os corolários umas das outras.

alemão l grego l inglês l francês

Prisões gregas: Negado pela enésima vez o pedido de Nikos Romanos para saídas com fins educativos

Companheiros solidárixs com o preso anarquista Nikos Romanos informaram, a 12 de Junho de 2015, que o conselho das prisões de Koridallos – o procurador Nikolaos Poimenidis, a diretora Charalambia Koutsomichali e a assistente social Vassiliki Fragathoula – rejeitaram por unanimidade a solicitação de saídas educativas da prisão que o compa tinha apresentado e, em vez disso, propuseram “facilitar” exames à distância dentro da Escola de Segunda Oportunidade das prisões de Koridallos. O conselho da prisão argumentou que a sua decisão se tinha baseado no fato do juiz de apelação especial, Eftichis Nikopoulos, ter rejeitado recentemente a possibilidade de conceder a Nikos Romanos saídas da prisão.

em inglês | italiano | espanhol

Atenas: Ataque incendiário pelo Comando Jorge Saldivia – FAI/FRI

ESMAGAR OS FASCISTAS (A)

À hora a que os votantes se preparavam para entregar a sua dignidade às urnas, delegando a gestão das suas vidas ao pessoal político do país, uma célula incendiária da Federação Anarquista Informal passou ao ataque, procurando contribuir desta maneira ao desvio antidemocrático.

Colocámos um engenho incendiário na livraria de Adonis Georgiadis [parlamentar do partido da Nova Democracia], no distrito de Kifisia [22/1/2015]. A propriedade e os negócios dos políticos estão no ponto de mira, tal como a sua integridade física. Adonis Georgiadis é conhecido pelas suas opiniões de extrema direita, é um defensor fanático das prisões de tipo C, para além de ser o responsável político da proibição da comunicação telefónica do guerrilheiro da Luta Revolucionária Nikos Maziotis durante uma actividade política pública e programada sobre o tema da luta armada. Também no caso da vitoriosa [sic] greve de fome do compa anarquista Nikos Romanos tinha expressado publicamente as suas percepções thacheristas, defendendo a rigidez mortífera do Estado, tanto contra esta greve de fome, como contra qualquer outra que seja feita por lutadorxs presxs.

Agudizemos os nossos ataques!
Um abraço caloroso para xs nossxs compas presxs ou procuradxs!
Morte ao Estado!

Federação Anarquista Informal – Frente Revolucionária Internacional (FAI/FRI)
Comando Jorge Saldivia

Ps: O companheiro Jorge Saldivia foi assassinado a 3 de Outubro de 2014 às mãos de um guarda armado, durante a tentativa de expropriação de um camião de valores no Chile. Jorge permaneceu coerente com a luta ilegal contra o regime, durante toda a sua vida. Militou nas fileiras do FPMR durante os tempos da ditadura. Não se vendeu ao conto democrático da paz social e continuou a luta caindo no combate com a arma na mão. Jorge, como outrxs revolucionárixs mortxs, está presente.

inglês | francês | espanhol

Atenas: Acerca do fim da greve de Nikos Romanos

ΕΠΕΤΕΙΟΣ ΔΟΛΟΦΟΝΙΑΣ ΑΛΕΞΗ ΓΡΗΓΟΡΟΠΟΥΛΟΥ  ΕΠΕΙΣΟΔΙΑ ΣΤΑ ΕΞΑΡΧΕΙΑNikos Romanos, prisioneiro anarquista na Grécia, esteve em greve de fome desde 10 de Novembro até 10 de Dezembro de 2014. Os mecanismos judiciais recusaram a sua solicitação de licença para assistir às aulas da universidade. Em resposta a isso, acções multiformes de solidariedade tiveram lugar dentro e fora das prisões da democracia grega e internacionalmente.

Mais do que qualquer outra coisa, foi a urgência da situação a centelha que desencadeou confrontos nas ruas e inspirou instâncias de rebelião por todo o território controlado pelo Estado Grego. Paralelamente, xs companheirxs estavam dispostxs para trocar ideias e desejos durante o mês anterior, assim brotaram um grande número de ações diversas por ocasião da greve de fome deste preso: assembleias diárias, ações com faixas, ações diretas, assim como numerosos fogos postos e ataques com explosivos caseiros (principalmente contra caixas eletrônicos de bancos), ataques comando contra a polícia, tumultos nas ruas e confrontos de grande escala com as forças da ordem, bloqueios de edifícios, atos de sabotagem (com o uso de cola, tinta, etc.), agressões físicas contra as pessoas no Poder, protestos espontâneos contra a aparição pública de políticos, ocupação simbólica de emissoras de rádio e de televisões, uma onda de ocupações de edifícios corporativos/estatais, encontros de contra-informação e grandes manifestações.

A criatividade e conflitualidade das diversas e diferentes individualidades anarquistas e dos grupos pode não ser forte e decisiva o suficiente para manter a luta igualmente intensa a nível diário, mas sempre há uma chance de que novos projectos emergirão do recente encontro de companheirxs em edifícios ocupados, ações de rua, e por aí fora. No entanto, apenas se as pessoas em solidariedade com Nikos Romanos – e xs anarquistas em particular – estiverem dispostas a reflectir sobre os aspectos específicos do que ocorreu durante o último par de dias da sua greve, podem encontrar-se preparadas para a prática de uma muito necessária solidariedade com xs presxs, em face da abertura das prisões de segurança máxima em Domokos, bem como com o total agravamento das condições carcerárias.

Perante a sua solicitação inicial, negada repetidamente e de forma vingativa, o nosso companheiro foi chantageado para aceitar o monitoramento electrónico como uma opção para obter eventualmente saídas educacionais, um “último recurso” que se tornou mais premente tal a rapidez do agravamento do seu estado de saúde. Na verdade, ele optou por parar a greve de fome somente após a parlamento grego ter votado quase por unanimidade (com a excepção de dois deputados do principal partido no poder de acordo com o registo oficial, enquanto os deputados do partido nazi estavam presentes à votação) em favor de uma alteração proposta pelo ministro da Justiça. Esta alteração refere-se aos e às prisioneirxs – condenadxs (sentenciadxs em tribunal) e indiciadxs (aguardando julgamento) – que têm o direito de estudar numa instituição de ensino superior disponível na mesma região que a instituição estatal onde estam presxs, mas que não lhes foram concedidas licenças de saídas da prisão para comparecer regularmente às suas aulas.

Ela especifica que qualquer presx deve participar com sucesso num 1/3 de aulas e atividades de laboratório de um semestre de um ano lectivo através de um curso à distância, para poder ser autorizado a fazer uso de dias de saídas educacionais – através do uso de uma pulseira de monitoramento eletrónico para fisicamente frequentar as aulas. O ministro da Justiça incluiu a prestação da pulseira electrónica no último minuto, assegurando-se que os conselhos de administração (das prisões) ainda possam negar a solicitação de um preso para licença de estudos, ao acrescentar que caso fosse apresentada uma ”justificação especial” poder-se-ia emitir uma decisão negativa (mesmo depois dx presx ter concluído os cursos obrigatórios de ensino à distância dentro dos muros da prisão e até mesmo se ele / ela aceitar ser monitorizadx pela pulseira fora dos muros, presumimos). Esta alteração legislativa aplica-se em todos os casos de presxs sentenciadxs ou a aguardar julgamento que estão privadxs de saídas educacionais (por isso, não é apenas para o caso de Nikos Romanos). Nesta ocasião, quase todos os partidos políticos tiveram um benefício eleitoreiro da promoção de medidas ainda mais repressivas contra prisioneirxs, não perdendo a ocasião para exibir um perfil democrático e humanitário.

Nikos parou a sua greve, após 31 dias, mas ainda está asfixiando por uns sopros de liberdade. Dado o resultado, sabendo que sua demanda ainda não foi clamada, exigimos o que deve lhe ser concedido de imediato: saídas da prisão por motivos educativos. Contrariamente a um sentimento generalizado de “vitória”, sentimos que nada foi ganho para além da vida valiosa de nosso companheiro e a percepção de que devemos responder a todas as chantagens dos lacaios estatistas, não nalgum momento no futuro distante mas agora, através da intensificação de todas as formas de luta contra a sociedade-prisão. Estamos firmemente ao lado dxs presxs em luta e contra a aplicação do uso de teleconferência e monitoramento electrónico como mais um método de isolamento dxs presos do Estado/Capital. Agora, mais do que nunca, a solidariedade com xs prisioneirxs deve passar à ofensiva por qualquer meio necessário.

Inglês

Atenas: Comunicado de fim da ocupação do centro cultural “Melina”

-

Hoje, 12 de Dezembro de 2014, damos fim à ocupação do Centro Cultural “Melina”, em Thisio. A ocupação teve como objectivo apoiar a greve de fome de Nikos Romanos [finalizada a 10/12] e funcionar como ponto de encontro de pessoas solidárias pela agudização da guerra social.

Com as forças que tínhamos, tomámos nós também posição junto ao compa, e apesar da diferente valorização que temos sobre o resultado desta batalha, continuamos a defendê-lo como preso anarquista e continuamos a lutar pela destruição total do sistema de encerramento.

Deixamos o espaço, prometendo que nos encontraremos de novo nas ruas da luta e da insurreição. Nenhum Dezembro foi terminado alguma vez.

Força a Nikos Romanos e aos presos em greve de fome solidária. Nenhum processo contra xs detidxs do 6 de Dezembro.

Solidariedade com xs refugiadxs da Síria.

Libertação imediata do compa G.S. em greve de fome desde 3 de Dezembro.

NEM BRACELETES, NEM VÍDEO-CONFERÊNCIAS
AS PRISÕES DESTROEM-SE COM LUTAS VIOLENTAS

Anarquistas

Reino Unido: Ataques incendiários por Rémi Fraisse, em Bristol

car-burnedVingança por Rémi, fogo nas ruas contra a indústria nuclear, a sociedade carcerária e o (a) capital verde

(25 de Novembro em Bristol)

A polícia francesa matou Rémi Fraisse e tenta esmagar uma ocupação combativa do bosque de Sivens que impede a construção de um pântano. Incendiámos um veículo ao serviço da multinacional francesa GDF, a qual:

Tem vindo a trabalhar na construção de um novo reator nuclear não muito longe daqui, em Hinkley Point; está envolvida em projetos nucleares em vários países;

Impõe pântanos tornando irrecuperáveis terras indígenas na Amazónia com o apoio do Exército Brasileiro e presta serviços de gestão de instalações da polícia, nessa região;

Mantém instalações nas ilhas Shetland, em nome de um dos maiores terminais de petróleo e gás na Europa; administra diversas prisões francesas;

De uma maneira geral, projecta tecnologias para os mesmos bancos e entidades comerciais de forma a disfarçar o capitalismo industrial sob a capa de desenvolvimento sustentável.

A acção foi realizada na zona de Long Ashton, onde deitámos fogo a vários outros veículos, um ousado carro tipo 4 × 4, dois carros desportivos de luxo e um veículo da OCS – considerada uma das principais empresas de segurança privada no Reino Unido, oferecendo serviços de pessoal de guarda, patrulhas, instalações de câmaras de vigilância e monitorização, etc.

Em França, a ocupação da ZAD (zona a defender) que se opõe a uma planeada catástrofe ecológica – a qual pretende destruir habitats importantes para se irrigarem plantações de milho transgénico – ainda não foi subjugada. A anarquia interpõe-se no caminho dos industrialistas. Outra destruição é possível.

Alargam-se as divisões entre as classes, as devastações ambientais chegam umas atrás das outras, corrói-se o significado das nossas vidas, e pensavam eles que todos correríamos atrás da sua fantástica terra de conveniências e faríamos a vista grossa para obter benefícios sociais? Os níveis de miséria, de vigilância e de contenção estão a aumentar, as linhas foram traçadas e sabemos onde tomar posição. Ainda há alguém que acredite que a polícia tenha esta cidade completamente sob controlo?

Eles podem aprisionar Reiss Goyan Wilson (pelo incêndio a uma esquadra de polícia, em Nottingham, durante os distúrbios de 2011) mas não podem matar as nossas memórias. Enquanto o Estado reprime as irritantes manifestações de estudantes, xs anti-autoritárixs e xs marginalizadxs  – aos quais massacra sem piedade em Londres, Paris ou Ferguson – trazem de volta o fogo de Agosto.

No próximo ano, Bristol ostentará o prémio da Capital Verde Europeia, como se alguém acreditasse existir a mínima intenção de fazer frente à matança causada pela ideologia capitalista de crescimento económico. É claro que o discurso duplo ambientalista (a guerra é paz, cidades são verdes, etc.) mascara a satisfação dos patrões, visto o prémio atrair ainda mais investimentos à crescente economia verde e seus seguidores. Entretanto a crise da biodiversidade continua a avançar de forma incontrolável. Trata-se de uma piada (muito lucrativa) tal como em Nantes – nomeada Capital Verde Europeia para 2013 – onde um outro projecto de resistência está a levar a cabo uma forte luta contra o enorme desenvolvimento “verde” de um novo aeroporto e tudo o que isso implica.

Da mesma forma, iremos atacar esta farsa da lavagem verde – aos interesses capitalistas que estão por trás – não nos sítios das suas cerimónias auto-complacentes mas sim nos locais onde realizam os seus negócios diários, e também nas ruas daqui, onde se reproduzem os valores e as normas desta civilização. Não é por acaso que ateámos fogo durante a noite, porque atirarmos-nos  de cabeça, confiando nos especialistas, nunca foi suficiente para combatermos a condição miserável que temos num império vacilante e biocida.

Contra a sociedade de classes e o desenvolvimento industrial, inclusivé e em especial, contra o da lavagem verde. Vitória para a ZAD de Testet e a ZAD de Notre-Dames-des-Landes. Vitória para a greve de fome rotativa nas prisões gregas (em apoio a Nikos Romanos, nosso confederal da Federação Anarquista Informal) e para todxs xs presxs em guerra com a prisão.

F.A.I. Tochas na noite – Frente de Libertação da Terra

espanhol

De Hamburgo a Atenas: Ação em solidariedade com Nikos e Alexis

parc-fiction-2
Solidariedade com NIKOS ROMANOS em greve da fome desde 10/11 – Que a terra te seja leve ALEXIS 06/12/2008

parc-fiction-1Em 06.12.2014 colocámos no Park Fiction (Hamburgo / St. Pauli) uma faixa solidária por Alexis e Nikos. Saudamos Nikos e enviamos-lhe muita força e amor. Nikos encontra-se desde  10/11 em greve de fome, para que lhe sejam concedidas saídas educativas a uma universidade a partir da prisão. O seu pedido foi rejeitado a 02/12 pela segunda vez e Nikos encontra-se irredutível na sua luta. As nossas saudações e carinho vão também para os compas presos, Yannis Michailidis, Dimitris Politis e Andreas-Dimitris Bourzoukos, em greve de fome solidária com a sua luta. Esperamos que os nossos amigos não tenham de sufocar por um sopro de liberdade…

Alexis, não te esqueceremos! Estarás connosco sempre que tomarmos as ruas em rebelião, essas noites arderão por ti!

Nikos, aguenta, apesar de estamos separadxs por milhares de quilómetros estamos conectadxs. A tua luta inspirou, e roubou o sono dos protetores dessa ordem.

Mostremos-lhes solidariedade, organizemos protestos e ações em cada cidade!

“Nada está acabado, tudo começa agora”

Berlim: Solidariedade transparente para Nikos Romanos

“Solidariedade com Nikos Romanos, em greve de fome desde 10 de Novembro. Os nossos sonhos tornar-se-ão os seus pesadelos”

6 de Dezembro de 2014

Neste momento são vários os milhares de pessoas nas ruas de toda a Grécia a manifestarem-se em memória de Alexis Grigoropoulos e em solidariedade com Nikos Romanos, apesar da proibição de manifestações.

Alexis foi assassinado a 6 de Dezembro de 2008 por polícias gregos. Ele foi baleado na frente do seu amigo Nikos e morreu nos seus braços. Nikos foi preso, após a “expropriação de uma agência bancária” em 2013 e condenado a 16 anos de prisão.

Ao fim de 27 dias de greve de fome ele luta pela sua vida, está a lutar por um mundo sem poder e exploração. A sua demanda inclui o direito para estudar numa universidade em Atenas. Em 2 de Dezembro, a justiça grega rejeitou essa demanda e em resposta ferozes batalhas de rua ocorreram em solidariedade com o companheiro.

Perante os protestos e ações de solidariedade na Grécia e no mundo, poderíamos apenas sentar-nos calmamente em frente do écran,  à espera que Nikos deteriore a sua saúde, na esperança de que este sistema de porcos cumpra a sua demanda.

Nós não somos, infelizmente, em número suficiente para conquistar as ruas de Berlim. Mas queríamos chamar a atenção para esta situação de merda e enviar a nossa solidariedade e muita força a Nikos e todos os outros anarquistas em greve de fome solidária com a sua luta.

fonte: linksunten

Istambul: DAF e outros grupos saúdam o companheiro Nikos Romanos

“Liberdade para Romanos – Viva o anarquismo – Ação Revolucionária Anarquista (DAF)”
police-in-front-of-greek-consulate
Polícia defronte do consulado da Grécia

police-standing-for-protecting-greek-consulate

DAF-clash-with-police

Hoje, estamos nas ruas por Alexis, que foi assassinado pelo Estado grego, e por Nikos Romanos que está em greve de fome há 26 dias contra a repressão do mesmo Estado.

Hoje, estamos nas ruas pelos nossos irmãos e irmãs que foram assassinadxs
enquanto resistiam na Grécia, em Ferguson, no México, em Kobanê.

Hoje, estamos nas ruas por Berkin, Ali İsmail, Ethem, Arin, Kader, Suphi Nejat. Enquanto os estados estão a matar os nossos irmãos e irmãs em todo o mundo, nós, anarquistas revolucionários, estamos nas ruas com a nossa raiva contra os estados, capitalistas, empresas e assassinos.

Até mesmo a polícia que nos seguiu e nos atacou com as suas balas de plástico, bombas de gás e bastões não nos poude alcançar para suprimir a nossa raiva. Resistimos com as nossas bandeiras negras enquanto cresciam de tom as nossas palavras de ordem.

Esta paixão pela liberdade está a crescer hoje; a cólera pelxs que foram assassinadxs pelo estado inflama o nosso motim.

A Ação Revolucionária Anarquista saúda o companheiro Nikos Romanos’ e a sua resistência

Comunicado

Hoje, com toda a raiva de que a vida se apodera contra os poderes, com a convicção num mundo livre, as bandeiras negras são desfraldadas em todo o mundo. Contra as empresas que exploram o nosso trabalho para lucrar mais; contra os Estados que assassinam muitos de nós em nome das fronteiras que forjaram; contra todos os poderes que enchem os seus bolsos com as nossas vidas por eles destruídas, tornando-nos mais pobres e fazendo os ricos ainda mais ricos; a rebelião está viva na raiva do anarquismo. A raiva contra os patrões, empresas, assassinos e estados, está-se a propagar em pleno dilúvio através das bandeiras negras. O ressentimento de ser negligenciadx, desaparecidx e assassinadx está-se a transformar em raiva e as ruas estão a arder por toda a parte.

Há exatamente seis anos no bairro Exarchia de Atenas, Alexandros Grigoropoulos foi morto aos 16 anos, porque era um anarquista. Morto por um bófia, pela  bala da sua arma, porque tinha transformado a sua cólera em rebelião e saído para a rua a apelar à vingança pelas vidas que tinham sido tomadas, porque não obedeceu aos poderes e resistiu a todo o custo, pela liberdade. No dia 6 de Dezembro de 2008, a bala que atingiu Alexis foi transformada no fogo da rebelião nas ruas.

Embora os assassinos tivessem continuado os seus ataques, a raiva contra aqueles que silenciaram um coração que batia pela liberdade incendiou as ruas de Atenas, Tessalónica, Istambul e em todo o lado.

Nikos Romanos, que estava com Alexis no dia em que aquele foi morto e compartilhava com ele a convicção de um mundo livre, está agora em cativeiro, porque é um anarquista. Romanos está cativo, porque não permaneceu em silêncio contra a injustiça, porque não desistiu, apesar da opressão do Estado, porque com a mesma convicção que a de seu companheiro assassinado continuou a sua luta contra os poderes. Aqueles que pensavam que podiam parar essa luta, matando Alexis, agora capturaram Nikos, esperando com isso parar mais um daqueles corações que batem para o anarquismo. Tal como em 2008, as ruas estão cheias de raiva contra o Estado, que continua a atacar Romanos através do isolamento, opressão e tortura. Enquanto Romanos mantém uma greve de fome desde 10 de Novembro, outros companheiros anarquistas ne prisão também iniciaram uma greve de fome de solidariedade; e a mesma voz ecoou nas ruas ardentes e nas celas dos prisioneiros resistentes: “Enquanto respirarmos e vivermos, que viva a anarquia!”

Os poderes que assassinaram Alexis em 2008 e que mantêm em cativeiro Nikos hoje, pensam que podem ignorar a crescente raiva contra a injustiça no mundo. Continuam a aprisionar, atacar e matar com base nessa ilusão.

No México, 43 estudantes que resistiram à política dos poderes que suprimem o seu futuro, desapareceram às mãos do Estado. Os seus corpos foram encontrados em valas comuns, vários dias depois. Apenas por serem negras, as pessoas são visadas pela repressão fascista de poder e tornam-se alvos das balas da polícia; e aquelxs que resistem à prisão são estranguladxs e assassinadxs pela polícia. Muitos de nossos irmãos, como Berkin, Ethem Ali, Ahmet resistiram pelas suas vidas e foram mortos pelo Estado policial. Enquanto aquelas e aqueles que resistem em Kobanê, para criar uma nova vida, como Arin, como Suphi Nejat, como Kader, são mortos pelos bandos, militares e soldados do Estado, aqueles e aquelas que estão nas ruas, em todos os cantos da região, abraçando a resistência de Kobanê, como Hakan, como Mahsun são alvejadxs pela polícia assassina do mesmo Estado…

Onde quer que se encontrem aquelxs que lutam contra a injustiça, que resistem para retomar as suas vidas, que lutam pela sua liberdade, estando nas ruas, há luta contra a opressão, tortura e morte. Os opressores pensam que podem desencorajar aquelxs que não obedeçam, encerrando-xs, removendo-xs ou matando-xs; um grito de liberdade nalgum lugar encontra eco em todas as direções. Das celas de Atenas ao México, das ruas de Ferguson a Istambul e às terras livres de Kobanê, o desejo de um mundo novo espalha-se como uma inundação. Agora, esta paixão pela liberdade está a crescer; a raiva contra os assassinatos alimenta o fogo da revolta nos corações

Esta revolta é dirigida contra o poder que rouba as nossas vidas, que procura destruir a nossa liberdade, que nos mata. Esta revolta é dirigida contra o capitalismo e do Estado. Esta revolta é dirigida contra todas as formas de cativeiro.

Com esta revolta pela liberdade nos nossos corações, o anarquismo está a crescer em toda a parte do mundo. E a nossa luta está a aumentar, de um canto ao outro do mundo, transportada pelas ondas de bandeiras negras.

Viva a Revolução, viva a anarquia!

Ação Revolucionária Anarquista(DAF)
Ação Anarquista dos Liceus (LAF)
Juventude Anarquista
Mulheres Anarquistas
MAKI
TAÇANKA

Madrid: Manifestação em solidariedade com Nikos Romanos, Mónica e Francisco

bandeira_negraO 6 de Dezembro é uma data carregada de simbolismo e de recordações. Por um lado, no estado espanhol é o aniversário da constituição espanhola, que inauguraria a restauração da ditadura democrática após 39 anos de ditadura nacional-católica. Por outro lado, é o 6º aniversário da morte de Alexis Grigoropoulos sob as balas de um lacaio do Estado. Para além disso, por esta altura (apenas três semanas antes) faz um ano de encarceramento dxs anarquistas Mónica Caballero e Francisco Solar.

Por estes motivos, neste contexto e quando o anarquista Nikos Romanos e os compas Yannis, Andreas e Dimitris se encontram em greve de fome, na noite de 6 de Dezembro de 2014 teve lugar uma manifestação espontânea pelas ruas do bairro madrileno de Vallecas.

A manifestação, a que ocorreram entre 150 a 200 pessoas, avançou cortando as principais ruas de Vallecas, tais como a avenida de la Albufera, a Martínez de la Riva, levando-se uma faixa onde se podia ler “Liberdade presxs anarquistas” e alguns sinalizadores, entre gritos em apoio a Nikos Romanos, a Mónica, Francisco, Gabriel Pombo, Alfredo e Nicola, Noelia Cotelo e contra as prisões e pela Anarquia. Ao terminar leu-se um flyer que se repartiu e posteriormente a concentração dissolveu-se sem nenhum incidente. Quando íamos embora as carrinhas policiais apareceram…tarde.

Com este pequeno gesto queríamos enviar ânimo e força aos companheiros em greve de fome e ao resto dxs presxs anarquistas em todo o mundo, para lhes recordar e nos recordarmos que não estão sós e que, de uma maneira ou de outra, a luta continua.

Morte ao Estado e que viva a Anarquia

Alguns e algumas anarquistas de Madrid

panfleto

Buenos Aires: Marcha à embaixada da Grécia pela vida de Nikos Romanos

embajadagre
Solidariedade urgente com o compa em greve de fome, em risco de morte – 12h – Praça Housey – LIBERDADE PARA NIKOS ROMANOS

Amanhã, 9 de Dezembro, às 12 horas, marcharemos com bandeiras e faixas à embaixada da Grécia, em Buenos Aires, como expressão de solidariedade e exigir do Estado da Grécia que aceite a demanda do companheiro anarquista Nikos Romanos, há 30 dias em greve de fome, o qual, após sucessivos desmaios, se encontra em real perigo de morte. A chamada à solidariedade internacional é de carácter urgente, visto a sua vida estar em risco e, por sua vez, esta será uma manifestação em apoio a todxs xs lutadorxs da Grécia ao cumprir-se 6 años do assassinato do jovem Alexis Grigoropοulos.

Companheiro não estás só, o mundo mobiliza-se pela tua vida!

Anarquistas Solidários

Atenas: Comunicado da ocupação do Centro Cultural Melina, no bairro de Thissio

melina0
“O estado de direito assassina. Solidariedade com Nikos Romanos e os demais compas em greve de fome”

Hoje, 6 de Dezembro de 2014, ocupámos o Centro Cultural Melina, no cruzamento das ruas Irakleidon 66 e Thesalonikis, no bairro de Thissio, em Atenas.

A ocupação foi feita em solidariedade com a luta em curso de Nikos Romanos, 6 anos após a morte de Alexandros Grigoropoulos.

O nosso objetivo é a continuação da escalada da ação anarquista multiforme. Apoiamos todas as iniciativas que contribuam para a agudização da guerra social.

Vitória para a luta dos grevistas de fome Nikos Romanos, Yannis Michailidis, Andreas-Dimitris Bourzoukos e Dimitris Politis.

Força ao compa G.S. que [na prisão] de Mesolongi, está em greve de fome solidária desde 3 de Dezembro de 2014.

Apoiamos a luta dxs refugiadxs da Syria.

Um punho levantado para xs presxs nas prisões gregas que se negam a entrar nas suas celas, ou que se abstêm da comida da prisão ou que estão em greve de fome simbólica, em solidariedade com o anarquista Nikos Romanos.

FOGO ÀS FRONTEIRAS – FOGO ÀS PRISÕES

NEM ESQUECIMENTO – NEM PERDÃO

Ps: Encontrar-nos-emos nas ruas, nas barricadas, nas ocupações.

Atenas: 2° comunicado da assembleia de ocupação da GSEE

22:18 de 4/12/2014

SOLIDARIEDADE COM NIKOS ROMANOS, ANARQUISTA EM GREVE DE FOME

O edifício da Confederação Geral dos Trabalhadores Gregos (GSEE) está ocupado, desde as 19:00 de hoje, por anarquistas solidárixs con Nikos Romanos, anarquista em greve de fome desde 10 de Novembro. Ao fim de uma hora, forças repressivas rodearam o edifício que neste momento se encontra bloqueado.

É óbvio que as forças repressivas aplicam as ordens do governo, procurando prevenir a criação de outro centro aberto de luta que se aplique a uma mais ampla planificação de ações solidárias com o anarquista em greve de fome Nikos Romanos e com os anarquistas em greve de fome solidária Yannis Michailidis, Antreas-Dimitris Bourzoukos e Dimitris Politis.

No pasarán!

A assembleia de ocupação da GSEE decidiu que permanecerá dentro do edifício, qualquer que seja o bloqueio e unir a sua voz à do companheiro Nikos Romanos.

FORÇA AOS ANARQUISTAS EM GREVE DE FOME
VITÓRIA PARA A LUTA DE NIKOS ROMANOS

Atenas: Ocupada a Confederação Geral dos Trabalhadores Gregos (GSEE)

gsee-patission“Diziam-nos: vencereis, quando vos submeterdes. Submetemo-nos e encontramos a cinza.” [Giorgos Seferis]

Hoje, 4 de Dezembro de 2014, ocupámos o edifício da Confederação Geral dos Trabalhadores Gregos, como mostra de solidariedade com o anarquista em greve de fome Nikos Romanos. O anarquista Nikos Romanos é um inimigo consciente do regime. Escolheu lutar ativamente contra o Estado e o Capital, dentro e fora das prisões.

Os que procuram a sua aniquilação ou a rendição forçada são:

O governo – fiel às ordens do Capital local e internacional – que impõe a aplicação do memorando e uma política dura de austeridade económica e desvalorização da nossa força laboral.

O Estado que impõe um regime de emergência para extorquir o consenso social e para que se estabeleça o medo. Os campos de concentração para imigrantes, as prisões de tipo C, as detenções e as humilhações de mulheres “seropositivas”, a repressão violenta de manifestantes, as torturas, a ocupação policial em Skouries assim como o ataque às mobilizações estudantis, formam a imagem de uma Grécia-fortaleza.

Hoje em dia, o ponto culminante da política repressiva é o caso do anarquista em greve de fome, Nikos Romanos. Através do seu extermínio, o Estado pretende a neutralização das projectualidades revolucionárias: a auto-organização, a resistência, a solidariedade.
Ou seja, daquelas projectualidades que fazem detonar a ofensiva social e de classe, a revolução.

A luta de Nikos Romanos não tem a ver só com a concessão de saídas educativas. É uma barricada contra as prisões de tipo C , as novas condições de detenção, a anulação de direitos para xs presxs que foram conquistadas com sangue. É uma barricada contra o avanço assassino do Estado e do Capital. São por estes motivos todos que nos posicionamos ao lado do nosso companheiro e nos mostramos solidárixs com a sua luta.

LUTA ATÉ Á VITÓRIA , OU LUTA ATÉ Á MORTE

Ocupação da GSEE