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Grécia: Maioria dos imigrantes implicados no julgamento da revolta de Amygdaleza libertada da prisão

rooftop-protest-by-prisonersNa véspera do Ano Novo, 24 dos 25 imigrantes detidos sob prisão preventiva foram finalmente libertados da prisão. Estavam entre os acusados no julgamento da revolta de Amygdaleza, absolvidos por unanimidade pelo tribunal de todas as acusações relacionadas com a rebelião no campo de concentração de Amygdaleza em Agosto de 2013. Após o aparelho repressivo ter vacilado para a frente e para trás, uma mente de mestre decidiu que não era necessário prolongar mais a detenção destas pessoas, com a excepção de um imigrante que ainda está encarcerado na prisão de homens de  Koridallos, aparentemente por causa de um processo criminal anterior. O resto deles encontram-se agora “livres”. No entanto, enquanto que em relação a alguns dos imigrantes que tinham pedido asilo o seu pedido era aceite, à maioria deles foi entregue um documento que exige a sua saída voluntária (deportação) do país no prazo de 30 dias.

Tudo continua
Ninguém no campo de concentração, nunca e em lado nenhum

Assembleia No Lager
Atenas, 7 de Janeiro de 2015

Bem-vindo à Grécia – Cartaz da Assembleia No Lager visto nas ruas de Atenas

BEM-VINDO À GRÉCIA

A morte não acidental de um imigrante

Na terça-feira, 22 de Julho, Ahmad Mohamed Farogh do Paquistão, um detido no campo de detenção de Amygdaleza, que sofria de doença no coração, pediu repetidamente aos guardas atenção médica. Deram-lhe medicamentos desajustados e uma ambulância foi chamada; a ambulância não veio e um veículo da polícia foi usado para levar o homem para o hospital. Ele morreu no caminho.

E.H. do Afeganistão tentou escapar do campo de detenção de Amygdaleza e conseguiu; os guardas deram por isso, avistaram-no e apanharam-no. Espancaram-no brutalmente no momento em que o capturaram e novamente no campo, na frente dos outros detidos. Permaneceu a sangrar durante horas, em Amygdaleza. Foi então transferido para o hospital e, eventualmente para outro campo de detenção, com fracturas nos braços e pernas. Na mesma noite, outro emigrante tentou fugir, não conseguiu, e desde então o seu destino é desconhecido.

Nos campos de concentração contemporâneos, os imigrantes estão prisioneiros duma guerra que ocorre diariamente e da bófia para decidir sobre a sua vida e morte; mortes que quase nunca são divulgadas ou são apresentadas de tal forma que parece natural e óbvia. Tão óbvia como parece ser a punição daqueles que tentam escapar, dos que desafiam a violência quotidiana que experimentam, dos que questionam a detenção que lhes é imposta. E além de óbvia deve ser exemplar e dura.

Todas essas coisas estão a acontecer, não só na obscuridade dos campos de detenção. Elas estão a acontecer em plena luz do dia, nas ruas da metrópole. Lá, onde pogroms estatais são feitos diariamente, levando dezenas de imigrantes aos “paraísos da hospitalidade grega” – ou seja, ao campo de detenção Amygdaleza ou às Direcções de Alienígenas de Attica (rua P. Ralli) – para uma detenção incondicional e indefinida.

“Grécia é um país verdadeiramente hospitaleiro”

Vassilis Kikilias, no novo centro de detenção, em Moria, ilha de Lesbos.

No meio de uma temporada turística bem sucedida, o ministro da ordem pública, Vassilis Kikilias, disse que o governo grego está a fazer “um trabalho humanitário, apoiado por cientistas, médicos e psicólogos” em Moria. Pergunta-se se Ahmad Farogh – como qualquer outro imigrante detido – deveria ter sido transferido para Moria, para experimentar lá, de forma científica, a política de extermínio dos modernos campos de concentração [lager].

Assembleia No Lager, Atenas, 29 Julho de 2014

Contra os centros de detenção para imigrantes

Força e solidariedade com as lutas diárias dos imigrantes detidos

nolager.espiv.net

Corinto, Grécia: Marcha contra os campos de concentração para imigrantes

no-lager

No domingo, 15 de Junho de 2014, cerca de 150 manifestantes marcharam até ao CIE, que se encontra dentro de uma ex-base militar na cidade de Corinto. A manifestação foi convocada pela Iniciativa Aberta Contra Os Centros de Detenção e pela Iniciativa Antiracista-Antifascista de Corinto, pela greve de fome que levaram a cabo os imigrantes internos no campo de concentração de Corinto (desde o dia 9 de Junho) e no de Amygdaleza (desde 11 de Junho) e que contou com a participação de coletivos e individualidades de Corinto, Atenas, Nafplio e Patras. A polícia local foi reforçada com dois esquadrões de polícia antimotim (MAT e YMET), vindos de Atenas para proteger a sede dos nazis do Amanhecer Dourado que se encontra a 100 metros do ponto de reunião dxs manifestantes. Além disso, uma carrinha da polícia e grupos de bófia motorizados (forças DIAS) seguiam a manif, mas não houve nenhum problema.

Simultaneamente, cerca de 50 compas da Assembleia No Lager, juntamente com solidárixs, participaram na marcha num bloco distinto, com uma faixa onde se podia ler “Pela destruição dos centros de detenção de imigrantes”. Gritaram-se palavras de ordem de apoio axs imigrantes e contra os campos de concentração e borraram-se pintadas nazis pelo caminho. Ao chegar, junto ao centro de detenção, voltaram-se a entoar palavras de ordem e foi colocada uma faixa colocada em balões que dizia, em inglês, Liberdade.

O nosso objectivo principal era transmitir axs imigrantes presxs a nossa solidariedade, algo que conseguimos, dado que se provocou reboliço no interior do acampamento, ao responderem xs imigrantes aos nossas sinais, gritando palavras de ordem. A bófia teve que encerrar xs imigrantes nas celas, para evitar que as coisas piorassem…

A Assembleia No Lager decidiu apoiar cada um dos momentos de resistência dxs migrantes pela sua vida e dignidade. Estamos e estaremos a seu lado, assim como estaremos também presentes nas futuras lutas, sem importar quantos dias durem as suas greves ou o nível de intensidade da sua luta. Enquanto a podridão se expande, torna-se também cada vez mais imperativo abraçar estes gritos de dignidade e liberdade, e destacar o que realmente são: parte das lutas sociais e de classe.

fonte

Attica, Grécia: Crónica da revolta no campo de concentração de Amygdaleza

Bem, desculpe incomodá-lo, mas nós aqui nos revoltamos.

Repórter: Você vive num contentor. Está bem aqui ou gostaria de voltar para o seu país?

Imigrante: Não, está uma grande confusão, mas não quero voltar.

Nikos Dendias, Ministro da Polícia e da Repressão (sorrindo ironicamente): Isso leva tempo. Num mês, um mês e meio, ele terá mudado de opinião.

Setembro 2012, campo de concentração de Amygdaleza

E realmente os imigrantes presos mudaram as suas opiniões. Mas não pediram para voltar porque não conseguiram aguentar as condições insuportáveis de detenção e os meios inumanos que o Estado grego tão avidamente utiliza. Transformaram o seu desespero em raiva e revolta.

Na noite de 10 de Agosto de 2013, no isolado e fechado campo de concentração para imigrantes sem documentos em Amygdaleza, o maior desse tipo na Grécia, e após um ano de tormentos psicológicos e físicos, os condenados deitaram fogo aos muros e consciências e, pelo menos por algum tempo,tornaram-se visíveis com os seus corpos e vozes.

A vinte e cinco quilómetros do centro de Atenas, num terreno amplo, inacessível e desolado, onde o arame farpado sucede aos polícias e os polícias sucedem ao arame farpado, os imigrantes revoltosos colocaram fogo nos contentores-jaulas, atacaram os guardas com garrafas de plástico e pedras, tentaram quebrar as portas de ferro e as cercas. Dez deles – temporariamente – seguiram o caminho para a liberdade, fora da que eles tratam por “a Guantánamo grega”.

“Durante uma hora e meia lutámos, 8 pessoas contra 1000. Todos levámos uma grande surra e quase ficámos incapacitados. Se quisessem e tivessem um plano melhor teriam nos matado” (um testemunho obviamente falso de um polícia da equipa de intervenção direta).

Ninguém viu nenhum polícia “incapacitado”. Mas vimos imigrantes espancados arrastados pelo pátio, com correntes. Ninguém conseguiu se encontrar com os prisioneiros gravemente feridos nos quais os guardas se vingaram e que ainda estão “desaparecidos” dentro do campo. Do lado de fora, polícias de todos os matizes e fascistas  patrulharam a área durante dias. Cães desgraçados caçam presas-humanas de cor escura que não ameaçam nada nem ninguém, exceto S. Douros, o prefeito de Acharnon (município ao qual Amygdaleza pertence) e os seus pares que estão “presos dentro das suas casas porque temem os fugitivos”. Que fiquem lá para sempre.

Revolta e solidariedade dentro e fora dos muros vão destruir a brutalidade Continuar a lerAttica, Grécia: Crónica da revolta no campo de concentração de Amygdaleza