Arquivo de etiquetas: antiracismo

A extrema-direita em Portugal, hoje

recebido a 19.02.18

[Contribuição anarquista importante. Companheirxs, em Portugal,  procuram justamente entender de que forma e por que meios se pretende expandir o nacionalismo e o patriotismo, o ódio racial, a xenofobia generalizada, a homofobia assassina e o conservadorismo mais obsceno, assim como identificar as suas ramificações – associações, movimentos, partidos, negócios e locais.]

Tendo como alvo preferencial xs imigrantes, xs homosexuais, transgénero e xs anti-militaristas em geral, além de qualquer mulher em particular (movimentos anti-aborto e outros) é desde logo evidente que a extrema-direita se pretende infiltrar (ou já fundou associações) em meios ligados à defesa do ambiente, direitos dos animais, meios vegan ou vegetarianos, esotéricos e de solidariedade social (mas só para “brancos”), tendência aliás comum ao que se passa um pouco por toda a Europa. A juntar-se a isto, aparecem as bandas nazis em franco florescimento, uma editora de venda on-line mas também em apresentações de livros (ou com ligações a alfarrabistas onde vendem diretamente toda a mixórdia nazi-fascista, pura e dura).

Desde sempre presentes nas claques dos grandes clubes de futebol, também treinam jogos de guerra, perseguindo negros ou outras etnias, tentando matá-los, no terreno ou on-line. E por falar em on-line, presentes estão em força nas chamadas redes sociais, onde também captam “incautos” entre o descontentamento geral – tal como o fazem nos sites de jogos de guerra, todos eles de violência extrema racista, homofóbica, xenófoba e misógina.

Possuem, claro está, locais de culto e negócios. Uns legais, outros ligados a tráficos (mulheres, armas e drogas). A cereja em cima do seu “bolo envenenado” são as organizações políticas, umas visíveis, outras na clandestinidade. Treino de assassinos e bestialidade humana. É disso que se trata e devemos estar preparados para esmagar, uma e outra vez, os ovos da serpente e para a matar, por fim.

[LISTA EM ATUALIZAÇÃO]

Local da moda de concentração nazi: Bar Cave.

Grupos em florescimento: NOS e “Verdade Contra o Sistema”.

Negócios:

– Restaurante BRASA DO PRIOR VELHO – Lisboa (gerido por um nazi e local de encontros da NOS).

– Defensive fight system na Moita. (com a “Defensive Fight System” – na prática de Kung Do Te – Grupo Desportivo e Popular de Chão Duro na Moita). Representada pelo seu Director Paulo Cegonho (membro de extrema-direita, assumido), o ginásio tem protocolo com a NOS.

-Bar Cave ( Cave Rock Bar) – de um membro da “Oifensiva”, banda nazi – frequentado por hammerskins e publicitado (antes da sua abertura) por várias páginas de extrema direita e elementos de extrema direita como o “nosso novo bar”.

-Hellxis (do dono da antiga Portugal Ultra, de parafernália nazi, e ex-membro (ou amigo, ou o raio que quiserem) do MAN.

– Editorial Contra Corrente [editora de livros de extrema direita, vende on-line, nas apresentações dos livros e em duas lojas de alfarrabistas (negócio direto e não “alfarrabismo”, uma em Lisboa, outra no Porto -“Cedofeita”)]

– Barbearia Lvsitana (barbearia de um nazi “conhecido”)

– Club 38 portugal (hammerskinhouse e organizadora de eventos nazis)

– Artur Miguel tattoos (loja de tatuagens de nazis, irá participar no seu concerto de Dezembro)

– Saintshopestreettattoo loja de tatuagens de (e para) nazis

– Lisboa Nossa (organizadora de eventos nazis)

– Jornal O Diabo (jornal de extrema-direita)

Mygon, loja 15156 josé pais (cabeleireiros de homens de Nuno Pais, membro da NOS)

Organizações políticas:

– Escudo Identitário (extrema-direita dissidente do PNR, tem hammerskins)

– Movimento Social Nacionalista (o nome não precisa de “apresentações”)

– Ideal Identitário (organização nacionalista)

– Associação Portugueses Primeiro.

Organizações “não” políticas:

– Motus Veritis – Movimento Verde (associação “ecológica” de extrema-direita)

– Mal Portugal (movimento anti- taurino constituído por nazis)

– Movimento Luz Branca (“solidariedade social”, para “brancos”)

Grupos nas redes sociais:

Verdade contra o sistema 

A indignação e revolta;

Reconquista Portugal;

Gargúlas de Portugal;

Portugal sem islamismo.

Partidos:

– PNR (Partido Nacional Renovador)
– NOS (Nova Ordem Social – tentativa de futuro partido, do mafioso Mário  Machado, página fechada de momento)

Outros locais e páginas:

– Portugal é de todos (nome e tópicos enganosos, parece ser uma página do “povo” e contra a corrupção, mas é uma página salazarista)

– A casa – combate cultural (mais uma página nacionalista)

– Mocidade Portuguesa da Divisão de Lisboa (“convívio” on-line de ex- membros orgulhosos da Mocidade Portuguesa – movimento fascista da 2ª República, Estado Novo, Ditadura fascista)

– LusitanOi (banda nazi)

– Legião Lusitana (banda hammerskin)

– Clann Portugal (Clann, página nacional socialista)

– Posição nacionalista (página de “opinião”)

SUSPEITAS

Alex barbershop 16  (barbearia a necessitar de confirmação, se alguém souber algo, mas é desde logo evidente a preferência especial dos nazis por ela).

[Espanha] Nenhum Estado nos fará livres – Contra o Nacionalismo

CONTRA O ESTADO E O CAPITAL O ÚNICO CAMINHO É A LUTA – A LUTA ESTÁ NAS RUAS – NEM NAÇÕES NEM FRONTEIRAS (A)

Cartazes, panfleto e volantes contra o nacionalismo – em todas as suas expressões – foram distribuídos por todo o Estado espanhol, a partir de 18 de Outubro de 2017. Na cidade de Madrid ficaram disponíveis, a maior parte deles, no Local Anarquista Motín.

No panfleto distribuído podia ler-se:

NENHUM ESTADO NOS FARÁ LIVRES

Nenhum Estado, espanhol ou catalão, nos dará qualquer tipo de liberdade. Isto porque a razão de ser de qualquer Estado é submeter xs exploradxs e garantir os privilégios das classes dirigentes. O Estado regulamenta a exploração mediante a Lei e assegura que xs oprimidxs nunca se levantarão contra uma ordem que os explora, humilha, expulsa, entristece, rouba e assassina, por todo o planeta.

Nenhuma polícia, Mossos, Guarda Civil ou Nacional nos protegerá. Pelo contrário, são a força de choque do Estado que protege a propriedade privada e que se encarrega de reprimir e perseguir todxs aquelxs que não se ajoelham e decidem lutar contra o seu podre mundo. Não há uma boa polícia ou má polícia, todos os corpos repressivos obedecem a uma lógica muito específica: manter a ordem. Não esqueçamos o desempenho de qualquer das forças policiais em greves gerais, manifestações, invasões em bairros, controlos racistas, vigilância de prisões, despejos e desokupações, e inclusive como força de ocupação estrangeira (lembre-se do número de corpos repressivos implantados em missões internacionais). Obedecem e servem aos seus mestres.

A Democracia, as instituições parlamentares e xs políticxs não cuidam dos nossos interesses mas, apenas, dos seus próprios interesses. Ninguém, para além de nós próprixs deveria velar pelos nossos interesses. Escolher xs nossxs amos, votar, submeter-nos a maiorias e / ou minorias, atuar nos quadros democráticos …torna-nos cúmplices da nossa própria dominação e instaura em nós o espírito de delegação em profissionais. Colocamos as nossas vidas nas suas mãos. Confiar em políticxs que só procuram (como todxs elxs, aliás) rentabilizar as nossas lutas e sentimentos – enquanto nos submetem ou aspiram a submeter-nos – faz com que nos convertamos numa massa servil disposta a se mobilizar ou desmobilizar, segundo os seus interesses eleitorais e lutas pelo poder.

Nenhum nacionalismo ou bandeira deveriam nos representar. Como oprimidxs e exploradxs, deveríamos entender que temos mais em comum com qualquer outrx exploradx ou oprimidx do que com um empresário ou político nascido no mesmo lugar que nós. Nacionalismo e patriotismo são ferramentas do Poder com as quais se infectam e manipulam os oprimidos, fazendo-os dançar ao ritmo dos opressores para se vincularem com os inimigos da nossa classe e seus projetos e necessidades, em constante mudança. O carinho à terra em que vivemos ou à nossa língua são-nos arrebatados para justificar a criação de novos estados. Impedindo, assim, que a cultura seja algo vivo, em constante evolução e livre desenvolvimento entre indivíduos e comunidade. O Estado é a morte de todo o desenvolvimento livre, construindo fronteiras e semeando as sementes do racismo e da xenofobia.

Sob o capitalismo, Estado ou qualquer forma de autoridade nunca seremos livres. Construamos um mundo novo sobre as ruínas da sociedade autoritária e estatal. Construamos e lutemos pela anarquia, como combate constante contra toda a forma de opressão e exploração, em solidariedade e apoio mútuo com xs nossxs iguais, venham donde venham.

NEM NAÇÕES NEM FRONTEIRAS!

em espanhol via ContraMadriz

Porto Alegre, Brasil: Nosso País É o Mundo

recebido a 8/10/17

A piada de mau gosto que é o movimento “O Sul é Meu País” realizou mais uma suposta “consulta popular” (da qual na verdade só participam os próprios separatistas) em algumas cidades dos estados que compõem seu sonho de novo país.

Hoje esticamos uma faixa em uma movimentada avenida de Porto Alegre com os dizeres “O Mundo é Meu País!”. Queremos lembrar a todas as pessoas que nenhum país, novo ou antigo, será a solução de nossos problemas ou nos dará a liberdade que queremos!  Pelo contrário, mais fronteiras restringem ainda mais a liberdade das pessoas. Principalmente em um país fundado com base em noções bairristas e eurocêntricas.

Os separatistas argumentam que não é possível identificar o que de fato une culturalmente as pessoas nascidas no Brasil. Não podemos deixar de concordar. Mas isso porque todas as nações são abstrações! As fronteiras nada mais são do que separações arbitrárias, baseadas em semelhanças superficiais ou inventadas e que ignoram os povos originários, como o povo Guarani que habita a região dos três estados, mas também outras partes do Brasil e também do Paraguai e Argentina. Nações nascem motivadas por migrações forçadas, genocídios e limpeza étnica. Uma nação, por menor que seja, é uma abstração que não nos serve de nada. E neste caso, ainda pior, pois é racista ao se basear em uma ancestralidade europeia.

Essas fronteiras recém inventadas permitem pintar como inimigo quem está do lado de lá da linha, e assim controlar a todxs nós ainda mais (e nos mandar para guerras infundadas). No caso do movimento “O Sul é Meu Pais” cria-se esse inimigo ao colocar os estados do sul como explorados pelos estados mais ao norte. Chegam ao ponto de dizer que os estados do sul são como uma colônia do resto do país. Essa visão míope gera um bode expiatório e ofusca os reais responsáveis pela escassez e crise.

Capitalizando na crescente repulsa à política partidária, o movimento se equilibra numa corda bamba ao se declarar apartidário, buscando parecer neutro. Apesar disso, suas lideranças não conseguem esconder suas tendências neoliberais e de direita, beirando fascismo. De fato, a independência do sul é inclusive uma pauta de movimentos neonazistas.

Defensores da separação dos três estados do sul afirmam que “Brasília não nos representa”, mas querem substituí-la por outro governo que, como todo governo, é uma ferramenta para controlar e oprimir a população.
Sim, Brasília não nos representa, mas o Piratini [capital deste novo país] também não nos representa. Ninguém nos representa. Somos ingovernáveis!

Nenhum país mais! Pelo fim de TODAS as fronteiras!

em inglês, espanhol

Brasil: Bombas de tinta no Tribunal de Justiça de Porto Alegre

Recebido a 15 de Junho de 2017

Bombas de tinta no Tribunal de Justiça de Porto Alegre pela sentença a 11 anos de prisão do Rafael Braga, único preso pelos protestos de 2013.Expandir o conflito é desbordar qualquer margem que ameace nos conter. Espalhar o conflito é enxergar o instinto anárquico de indocilidade e poder agir com ele, solidarizar por ele. No sábado de 6 de maio, poucos dias depois de que ficamos sabendo da absurda sentença, quando a noite caía, caminhamos em direção do Tribunal de Justiça de Porto Alegre e atiramos contra ele bombas de tinta.

No domingo pela manhã já tinham contratado alguém para fazer a faxina do lugar deixando ainda rastros do fato. Uma semana depois, no sábado de 13 de maio, fomos ate lá com a mesma vontade e decoramos a fachada de novo.

Pouco importa se é simbólico, se só uns quantos estavam trabalhando (de luzes ligadas) aquelas noites e tomaram um susto ao ouvir vidros se quebrando na porta. O que importa é que sua normalidade seja quebrada, que seus dias e suas noites não sejam calmas… que suas sentenças e trabalhos que roubam a vida do Rafael e outros como ele, não fiquem como a ordem normal da sociedade que faz séculos domina uns pelo progresso de outros poucos. Que a normalidade de uma sociedade baseada na opressão, racismo e o encerro seja quebrada. O que importa é que não se perda a decisão em ação de revidar e atacar o que nos ataca.

Porquê o Rafael?

Rafael Braga Vieira, catador de lixo e morador de rua, foi detido em 21 de junho de 2013 no contexto dos protestos históricos contra o aumento da passagem no Brasil. Acusação: porte de artefato incendiário ou explosivo. O que ele tinha nas mãos eram duas garrafas de plástico, uma de água sanitária e uma de pinho sol.

Várias pessoas foram detidas ao longo de 2013 por ter participado nesse mesmos protestos, e foram liberadas um tempo depois, alguns com uma vergonhosa atitude delatora (esperar o que num lugar onde a delação é premiada). Mas Rafael Braga não, ele não foi liberado. Ele foi sentenciado e condenado a 5 anos de seqüestro nas gaiolas do estado/capital-civilizador. A mensagem: A favela não pode protestar. Tudo bem com estudantes, ativistas, e militantes da esquerda, e sobretudo brancos, eles podem e até vão esperar em  casa seu “devido” processo, mas os negros, pobres e favelados atacar o sistema … não! E isso que Rafael apenas estava onde vivia, nas ruas.

Faz anos que existe uma agitação anárquica pelo Rafael. Desde reuniões, almoços, atividades, feiras, um chamado internacional pelo Rafael em novembro de 2016 e outro em junho de 2017, até ataques contra partes do sistema carcerário: Queimaram caixas eletrônicos do Banco Santander em dezembro de 2013 sinalizando a solidariedade com Rafael Braga, em maio de 2014, os vândalos selvagens antiautoritários solidarizam também com ele, queimando o tribunal militar da união e viaturas da PM, e em setembro do 2016 alguns amigxs da revolta deixaram um artefato incendiário embaixo de uma viatura mandando um abraço ao Rafael.

Esta agitação mostra que para alem das “ideologias”, uma pessoa que cai nas gaiolas do inimigo e se mantém digna, não será esquecida, não ficará só, porque os laços construídos na luta, são firmes ainda quando trata-se de alguém que recebe os castigos como efeito colateral de nossas ações por ser parte dos reprimidos de sempre: negros pobres e favelados. daqueles que não tem cidadania nem direitos.

Pequena alegria sentimos ao saber de sua liberdade vigiada em 2015, mas, pouco duraria. Em janeiro de 2016 ele foi detido novamente, esta vez por tráfico de entorpecentes, unicamente com inimigos como testemunhas: “Neste sentido são valiosas as declarações prestadas pelos policiais militares Pablo Vinicius Cabral e Victor Hugo Lago, em seus respectivos depoimentos às fls. 195 e 220, que diligenciaram a prisão do réu RAFAEL BRAGA, declarações estas que foram corroboradas pelos testemunhos de seus colegas de farda Farley Alves de Figueiredo (fl. 247) e Fernando de Souza Pimentel (fl. 248).” Estrato da sentença contra Rafael Braga.

A mensagem de novo foi clara: ‘quanto mais vocês se mobilizarem para defender essas pessoas, mais dura será a nossa resposta’.

Com uma mão terna e a outra armada

Com uma mão terna, a solidariedade é um torrente de ações que procuram fazer a vida do seqüestrado menos dura na cadeia, são atos certeiros que quebram o isolamento mandando cartas, livros, comida, apoiando economicamente a ele e a sua família que se vê obrigada a ter que lidar com advogados, processos, as vezes até viagens para visitar alguém.

Mas, fazer menos pesada a cárcere não resolve nem questiona esta sociedade carcerária. Aqui não existe um só juiz, advogado ou agente penitenciário que não tenha sido parte do seqüestro de algum pobre, negro, favelado.  Não existe um só jornal que não nos ensine que isto é “normal” em todos eles a negritude e a pobreza são transmitidas como criminais. Então, aqui não existe negociação possível. Declaram-nos a guerra.  Policiais, leis e cárceres são parte da engrenagem da dominação. Desde o capitão do mato até o sistema judicial a opressão só tem mudado de nomes.

A civilização dominadora, berço do estado, o capitalismo e a moral dos que governam, chama a gritos um ataque, provoca, cuspe no rosto e esmaga no chão se caírmos, nos demandando reagir.

Por isso a nossa mão armada, a do confronto, do agito, do revide. Porque cada ataque contra eles está justificado por séculos de dominação, exploração e extermínio. Porque cada ato vandálico está justificado pela ostentação da mercadoria e da cultura dominante, aquela velha civilizada, bem penteada, ultra legalizada e moralista cultura do domínio que marginaliza a quem não é serviçal, que mata ou seqüestra a aqueles que não lambem a mão do patrão.

Porque a solidariedade é uma arma de combate que não só ajuda ao companheiro, mas responde a quem nele bate.

Para mandar a merda ao juiz seqüestrador: Ricardo Coronha Pinheiro

Mandando algo:

Ricardo Coronha Pinheiro
Tribunal de Justiça- Comarca da Capital
Cartório da 39ª Vara Criminal
Av. Erasmo Braga, 115 L II sala 812CEP: 20020- 903
Centro – Rio de Janeiro – RJ

Mandando um email:

cap39vcri@tjrj.jus.br
assessoriadeimprensa@tjrj.jus.br

Fazendo ligação ou mandando fax:
(0xx21) 3133-2000

Para doar qualquer valor à Família de Rafael Braga
-banco Caixa Econômica Federal
Agencia 4064
Conta Poupança 21304-9
Operação 013
Nome: Adiara de Oliveira Braga (mãe do Rafael)
CPF:  148 955  027  59

Pela Solidariedade combativa
Pelo Rafael
A cada ataque um contra-ataque!

Atenas: Presença na marcha antifascista de 18 de Fevereiro em Aspropyrgos

Morte aos racistas (A)
Alerta Antipatriota /A)
Acabar com os patriotas

Em 18 de Fevereiro de 2017, um grupo internacional de compas organizado pela Okupa Themistokleous 58, participou na manifestação antifascista de Aspropyrgos, realizada por iniciativa do grupo anarquista Non Serviam para marcar mais um ataque assassino contra um imigrante do Paquistão, no início de Fevereiro. Nas faixas em urdu e grego podia ser lido: “Morte aos racistas (A)“, e durante o percurso escreveram-se nas paredes as palavras de ordem,”Alerta Antipatriota” e “Acabar com os patriotas“, voaram folhetos e gritou-se nas ruas conservadoras desta cidade que nenhum ataque por motivos racistas / fascistas irá ficar sem resposta .

Nem nativxs nem estrangeirxs
Apátridas insurgentes!

Okupa Themistokleous 58

Nem nativxs nem estrangeirxs
Apátridas insurgentes!
Nem nativxs nem estrangeirxs
Apátridas insurgentes!

em grego

Londres: Um comunicado de Croydonianxs furiosxs

Liga de defesa dos refugiados /
Refugiado bem-vindo! /
Croydon contra o racismo /
Solidariedade com as vítimas de crime de ódio

No dia 31 de Março, um jovem, Reker Ahmed, foi brutalmente espancado por uma gangue na área de Croydon enquanto esperava um autocarro. A gangue (cerca de 25) aproximou-se do jovem e depois de perguntar de onde ele era, perseguiu-o e atacou-o, deixando-o com lesões com risco de vida. Com apenas 17 anos, encontra-se à espera de asilo no Reino Unido. Este ataque ocorre na propriedade Shrublands, Shirley, uma área habitada por trabalhadores de origem diversa e o seu significado foi sentido pela comunidade local.

Em resposta a esta violência racista e xenófoba, optamos por redecorar o bairro com o nosso repúdio. Ao oferecer uma mensagem de solidariedade aqui, demonstramos a nossa solidariedade em todos os lugares; dos EUA à Grécia, da Bielorrússia ao Médio Oriente; para todas as vítimas do Estado, do regime de fronteiras e para todas as vítimas de crimes de ódio.

Realizamos esta acção como uma mensagem clara da comunidade mas também dirigida aos perpetradores. Nessa altura ainda estávamos sem saber se tinha saído um ataque realizado por pessoas da propriedade, mas tal parecia improvável e inédito, numa tal diversidade perto da comunidade. No entanto, infelizmente, a gangue consistia em pessoas de diversos antecedentes. É verdade que o nacionalismo obscurece a verdade da classe opressiva e das hierarquias raciais e faz-nos identificar com a nossa própria opressão. No entanto, a resposta à nossa ação revelou exactamente o que também suspeitamos; que este era um ataque endossado por FASCISTAS auto-identificáveis a partir da área, provavelmente.
A cobertura mediática deste evento descreveu o incidente como um “suposto crime de ódio” e até agora abstiveram-se de descrever o incidente como explicitamente fascista. No entanto, os graffiti nazis foram pintados e vemos isso como a evidência clara de que o ataque não foi um caso aleatório de violência delinquente; antes como um motivo mantido e visado, politicamente compreendido, de ódio a migrantes. (Já cobrimos e subvertemos esse grafite fascista:Ver abaixo.)

DEIXEMOS CLARO:

– Não vamos ficar parados quando migrantes são bodes expiatórios e vítimas de uma brutalização, encorajada pela retórica fascista dos governos e da vanguarda da mídia de direita.

– Não permitiremos a aplicação de medidas de imigração para subtrair pessoas das nossas comunidades e condená-las à deportação e à morte.

– Certamente não nos intimidará o Brexit britânico e o ressurgimento tóxico da política de extrema-direita.

– Devemos responder devidamente a todas estas ameaças e violência que infligem às nossas comunidades.

PORQUÊ?

Talvez não seja coincidência que o ataque tenha ocorrido na noite anterior aquela em que “Britain First” [Bretanha Primeiro] organizou um desfile patético, minúsculo de extrema-direita no coração de Londres Central. A maioria dos anti-fascistas e outros tipos poltticamente discernidos compreendem que a extrema-direita no Reino Unido está actualmente fracturada e desorganizada, mas o Brexit é uma força histórica que traz a possibilidade de uma presença fascista encorajada nas nossas ruas.

É, pois, uma necessidade urgente que nos EDUQUEMOS, PREPARE-SE e comece a ORGANIZAÇÃO nas nossas comunidades através do diálogo e da acção. Devemos nos capacitar para desafiar e perturbar a lógica da opressão onde quer que ela levante as suas muitas cabeças; da hidra do Estado ao longo pescoço do fascismo, não temos medo e vamos continuar lutando.

Croydon é vibrante, Croydon é migrante, Croydon é forte

Para os fascistas de Shrubland: ESTÁS NO BAIRRO ERRADO. MANTEM-TE ESCONDIDO.

A todos os outros: ESTÃO COM MEDO. VAMOS MANTÊ-LOS ASSIM.

JUSTIÇA PARA REKER AHMED.

SOLIDARIEDADE COM A LUTA INTERNACIONAL CONTRA O FASCISMO!

em inglês

Okupa Figueira, Porto Alegre: Vivenciar a anarquia e auto-gestão, mobilizar alternativas à normatividade

figueiraAs raízes que quebram o concreto de um bairro no meio de uma civilização. Resistente, sensível. Uma árvore que vive há 150 anos observando os cursos de vidas que passaram por ela, cada mudança da sociedade em que vive. A figueira agora, habita um espaço que, sem pedir alguma autorização, abre caminhos para o surgimento de uma vida que respeita a inquietação de nossos corpos e mentes, que fomenta ideias e que resiste em meio a uma cidade hostil e fria que é Porto Alegre, em um país hostil e frio que denominaram Brasil. Nós escolhemos não esperar mais para colocar em prática ideias que nos atormentavam enquanto sobrevivíamos isolades na vida cotidiana. Sabemos que resistir à uma sociedade machista, patriarcal, hetero-normativa, racista e classista é viver em guerra. Viver em guerra em um mundo dominado por homens, que tentam sufocar e silenciar todos os dias nossas vivências. Optamos por não sermos subjugades. Não sermos submisses. Nem ao estado, nem aos homens, nem ao capitalismo. Construímos então, uma barricada. Um refúgio em meio ao concreto cinza. Um lugar de experiências e processos, vivenciando a anarkia e a auto-gestão, mobilizando possibilidades de alternativas à normatividade.
Resistimos.

Essa carta é dirigida à todas as mulheres, cis e trans, homens trans, bixa, monstra, sapatão, que queiram se juntar ao espaço e construi-lo com o que puderem, seja uma troka de ideia, uma oficina, uma atividade, ou até mesmo uma visita.

A figueira é um espaço exclusivo, no qual não entram homens cis.

figueira.squat.net

Lesvos, Grécia: Chamada incendiária à ação contra Frontex e todas as engrenagens europeias de deportação

arder

04-04-2016

Hoje, na ilha de Lesvos, Grécia, onde o clima está no seu melhor dia desde que começou 2016, a máquina de deportação para mandar refugiadxs de volta à Turquia foi ativada. Esta manhã uma balsa partiu para a Turquia com duzentos refugiadxs a bordo, esta tarde ocorrerá o mesmo, e isto vai-se repetir de agora em diante.
Frontex começou a enviar xs nossxs compas de volta ao inferno…

OS NOSSOS CORAÇÕES ESTÃO A ARDER!

Pedimos ao movimento anarquista em todo o mundo que procurem vingança!  Comecemos a queimar a Frontex, a polícia, os militares e todxs aquelxs que estão no Poder!

Queimemos a engrenagem de deportação!

Alguns e algumas anarquistas

[Okupa Themistokleous 58] Manifestação em memória de Shahzad Luqman, em Petralona, Atenas

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Na passagem dos 3 anos do assassinato de Shahzad Luqman, participamos na manifestação – sábado 16/1 às 12:00 – na Praça Merkouri em Ano Petralona, Atenas.

– Concentração às 11h em frente da Okupa Themistokleous 58, em Exarchia, para irmos para lá juntxs.

Okupa Themistokleous 58

em grego l inglês

Grécia: Caminhada anarquista no centro de Atenas

A 7 de Novembro de 2015, ao meio-dia, no meio da multidão de sábado, um punhado de nós realizou uma intervenção no bairro de Exarchia e nas ruas no centro da cidade, de Monastiraki a Thissio, para expressar a nossa solidariedade com os companheirxs que estão sob repressão em diferentes cantos do mundo, e, especificamente, nos territórios do Brasil, Uruguai e em Espanha.

"Solidariedade com a Okupa «La Solidaria», Montevideu - Do Uruguai até à Grécia, somos uma mesma resistência"
“Solidariedade com a Okupa «La Solidaria», Montevideu – Do Uruguai até à Grécia, somos uma mesma resistência”
"Força aos/às compas represaliadxs - Sempre com a cabeça erguida"
“Força aos/às compas represaliadxs – Sempre com a cabeça erguida”
"Nem um passo trás na luta feminista - Solidariedade com xs companheirxs em Porto Alegre, Brasil"
“Nem um passo atrás na luta feminista – Solidariedade com xs companheirxs em Porto Alegre, Brasil”
"Nenhum ataque misógino sem resposta - Solidariedade com xs companheirxs em Porto Alegre, Brasil"
“Nenhum ataque misógino sem resposta – Solidariedade com xs companheirxs em Porto Alegre, Brasil”

5 Colocámos faixas em Português, Inglês, Espanhol e Grego nos portões da Escola Politécnica de Atenas, nas ruas de Patission e Stournari, na praça de Exarchia e em frente à estação de metro, em Thissio.

"Cuidado patriarca, tem cuidado sexista ...Os feminismos estão a agitar toda a terra, de uma ponta a outra"
“Tem cuidado patriarca, tem cuidado sexista… Os feminismos estão a agitar toda a terra”
"Experimentamos aqui a violência todos os dias, com todos os machismos, com cada racismo"
“Experimentamos aqui a violência todos os dias, com cada machismo, com cada racismo”
"Eu era uma jovem mulher e existia o desemprego ...Tornei-me uma rufiana [informante feminina] que se juntou à polícia"
“Eu era pequena e havia desemprego…Tornei-me uma delatora que se juntou à polícia”
"Nem sexismo nem transfobia, merda em cada bandido uniformizado e no patriarcado"
“Nem sexismo nem transfobia, merda em cada uniformizado e no patriarcado”
“Luta internacional e libertária, vamos quebrar na rua a misosiginia”
"Somos muitxs e estamos em toda a parte, vamos invadir as cidades-prisões"
“Somos muitas e estamos em toda a parte, vamos invadir as cidades-prisões”
"Da Grécia ao Brasil, abaixo com o estatismo, viva a Anarquia"
“Da Grécia ao Brasil, abaixo o estatismo, viva a Anarquia”
"A Libertação será total, bofetadas e pontapés para cada estuprador"
“A Libertação será total, bofetadas e pontapés para cada estuprador”

No nosso percurso também atirámos flyers (1, 2), em solidariedade com as feministas libertárias no Brasil, que responderam com dignidade e a continuidade da sua acção ao brutal ataque que sofreram da bófia, durante a 1ª Feira do Livro Autónoma e Feminista, em Porto Alegre.

"Nem um passo trás na luta feminista - Solidariedade com xs companheirxs em Porto Alegre, Brasil"
“Nem um passo trás na luta feminista – Solidariedade com xs companheirxs em Porto Alegre, Brasil”
"Nenhum ataque misógino sem resposta - Solidariedade com xs companheirxs em Porto Alegre, Brasil"
“Nenhum ataque misógino sem resposta – Solidariedade com xs companheirxs em Porto Alegre, Brasil”

16Colocámos três faixas pelo mesmo caso; na Rua Patission:”Nem um passo atrás na luta feminista – Solidariedade com xs companheirxs em Porto Alegre, Brasil”; na praça de Exarchia: “Nenhum ataque misógino sem resposta – A solidariedade com xs compas em Porto Alegre, Brasil “; e em Thissio: “Nenhum ataque misógino e racista sem resposta – Morte ao Estado – Viva a Anarquia “.

"Força aos/às compas represaliadxs - Sempre com a cabeça erguida"
“Força aos/às compas represaliadxs – Sempre com a cabeça erguida”

Outra faixa na Rua Patission, foi colocada em solidariedade com aquelxs que foram invadidxs, presxs ou enviadxs para prisão preventiva nas recentes operações persecutórias do Estado espanhol.18No portão de entrada na rua Stournari, penduramos uma faixa em solidariedade com o centro social autónomo La Solidaria, em Montevideu, Uruguai, atualmente ameaçado de expulsão pelo novo proprietário, pois, de acordo com o aviso de despejo, o edifício está “precariamente ocupado por um grupo anarquista. “O espaço, que é libertado desde Fevereiro de 2012, foi mais uma vez alvo de repressão, tal como o projeto – entre outros – resiste a planos de urbanização e especulação imobiliária no bairro. Na faixa pode ler-se: “Solidariedade com a Okupa «La Solidaria», Montevideu – Uruguai a partir da Grécia, somos uma mesma resistência.”

em grego | inglês | alemão

Berna, Suíça: Ataque anarquista contra a autoridade do Estado

Berner-PolizeiwacheNa noite de sábado, 21 de Fevereiro, expressando a nossa ira contra este sistema doentio – com tintas, sprays e vidros quebrados – atacámos o posto policial da praça Waisenhaus, o departamento regional prisional de Berna e os carros da bófia que lá estavam estacionados.

– Devido a preconceito racial, as marionetas da autoridade do estado prendem e humilham pessoas de pele escura, dia após dia.

– De tempos a tempos, morrem nas prisões pessoas sob circunstâncias “inexplicáveis”. Isso aconteceu também na passada quarta-feira, na prisão regional de Berna.

Estas são apenas duas entre as milhares de outras razões pelas quais nos organizámos e atacamos estas estruturas de domínio.

Não vamos parar de lutar até estas condições doentias serem superadas e que todxs possam viver juntxs, livres de hierarquias. A liberdade não pode ser comprada, tal como as batalhas não podem ser prevenidas.

Resistência contra todas as estruturas de Poder!

No Justice No Peace Fight the Police*

Pela Anarquia

N. T.: * Nenhuma Justiça Nenhuma Paz Combate a Polícia.

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Atenas: Fascista espancado em Exarchia

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Na tarde de segunda-feira, 20 de Outubro, um fascista foi avistado e rebentado na área de Exarchia. Esta serpente, que dá pelo nome de Ioannis Kaptsis (natural da Ilha de Syros) estava a usar uma t-shirt  “Pit Bull Hellas”, que lhe tiraram assim como à sua mochila. Foram encontrados nela recibos de pagamentos da área de Exarchia (provavelmente mora no bairro), bem como um telemóvel com contactos de destacados nazis do Amanhecer Dourado (Giannis Lagos, por exemplo) e outrxs da mesma escumalha (ex: Giorgos Amanhecer Dourado, Maria Amanhecer Dourado).

Nem em Exarchia, nem em lado nenhum!

Esmagar os fachos em cada bairro!

PS. Agradece-se a sua generosa doação de dinheiro que vai ser utilizada para renovar o visto de permissão de residência de um companheiro imigrante.

Chipre: Refugiados fizeram um protesto no telhado do centro de detenção de Mennogeia

Após incidentes consecutivos de suicídio e auto-mutilação de detidos nas prisões de Chipre, cinco detidos de origem iraniana e outro do Afeganistão,  encerrados dentro do centro de detenção do Mennogeia em Larnaca, fizeram um protesto no telhado do edifício da prisão, na manhã de 25 de Agosto de 2014, para exigir o fim da sua detenção. Em Chipre, como em outros lugares, os requerentes de asilo e outros imigrantes são detidos por meses a fio. Os manifestantes imigrantes informaram os apoiantes do lado de fora que existem pessoas sem condenação penal que estiveram dentro do mesmo buraco durante 4,5 anos.

Um grupo de pessoas em solidariedade realizou uma concentração nas proximidades do centro de detenção, aos gritos de “Liberdade” e palavras de ordem como “A paixão pela liberdade é mais forte do que todas as celas de prisão.”

https://www.youtube.com/watch?v=Xaszu6P9CuE

https://www.youtube.com/watch?v=H3nGJbkPmhg

Depois de uma estadia de 48 horas no último piso do centro de detenção e negociações com as autoridades, os manifestantes imigrantes foram libertados condicionalmente.

Carolina do Norte, EUA: Anarquistas atacam a sede da polícia de Chaper Hill, em solidariedade com Luke O’Donovan e os revoltosos de Ferguson

Na madrugada de 14 de Agosto, esmagámos três carros patrulha da polícia junto à sede do Departamento da Polícia de Chapel Hill, Carolina do Norte. Uma mensagem foi também pintada, num dos carros, dizendo “Para o Luke”.

Fizemos isso como um pequeno gesto de solidariedade com Luke O’Donovan,* de Atlanta, Geórgia, que foi recentemente condenado a dois anos de prisão por defender-se contra cinco atacantes homofóbicos. Esperamos que isto lhe traga um sorriso à cara.

Também realizamos este acto em solidariedade com os revoltosxs e saqueadorxs de Ferguson,** Missouri, que, face à brutalidade contínua da polícia racista, inspiraram o mundo com a sua corajosa resistência contra as forças do estado, capital e supremacia branca. Que a sua insurreição se propague.

Tanto em pequenos grupos como bairros inteiros, é possível ripostar.

Alguns/ algumas anarquistas

Nota dxs tradutorxs:

* letlukego.wordpress.com

** Onde a 9 de Agosto de 2014 Michael Brown, um negro de 18 anos desarmado, foi baleado e morto pelo bófia Darren Wilson, branco.

Berlim: Algumas impressões de um protesto anti-desalojo em Kreuzberg

berlin-kreuzberg-june2014 Abaixo está uma breve atualização do protesto de rua contra o cerco à okupa de refugiadxs na rua Ohlauer em Kreuzberg, ameaçada com o desalojo desde 24 de Junho . Escrevemos isto para partilhar a experiência que tivemos no dia 1 de Julho , esperando que isso pudesse servir de alguma maneira para que outrxs companheirxs formassem uma opinião sobre a situação .

Chegamos ao bairro por volta das 16:00 e depois de dar uma volta para verificar onde a bófia tinha feito bloqueios, fomos para a rua Ohlauer, onde se encontra a escola okupada, cercada por forças policiais massivas. No telhado do edifício antigo da escola era possível ver 2 ou 3 pessoas, enquanto na junção das ruas Ohlauer e Reichenberger estava uma multidão, cerca de 500 manifestantes. A bófia antimotim tinha mudado as barreiras de metal para a frente, ganhando alguns metros de terreno, e puseram-se em linha com armadura corporal completa e dezenas de carrinhas da polícia atrás. Não havia nenhuma maneira das pessoas chegarem perto da entrada do edifício, a não ser quebrar violentamente as linhas da polícia, algo que estava fora de questão no momento, dado que estávamos em inferioridade numérica com os porcos, mas principalmente devido ao carácter da concentração que era tudo menos combativo.

Junto à Livraria Tempest estavam 2 pontos de recolha de informação, quer dizer 2 mesas com um grupo de pessoas sentadas atrás delas, a organizar coisas (não conseguimos compreender o que era exactamente a matéria desses assuntos). Ao mesmo tempo, no meio da rua estava uma pequena carrinha com um sistema de som, da qual pessoal (na maioria refugiadxs hip-hopper e imigrantes) iam cuspindo rimas e cantando. A maior parte dxs manifestantes estavam sentadxs no chão, de costas para a bófia e a ver o concerto improvisado. Achamos que momentos de expressão livre nas ruas são realmente importantes no dia a dia, mas consideramos que festividades alegres, em alturas cruciais como esta, são no mínimo ingénuas senão reacionárias. O sentimento geral era o de um protesto pacificado de direitos civis  ou de festa de rua, desprovido de qualquer sentimento de raiva contra a militarização da zona pelas forças policiais.  Além do mais, a música e anúncios através do microfone eram contínuos, não deixando espaço para gritar palavras de ordem, praticamente obrigando toda a gente a assumir o papel de espectador.

Não obstante, o que achamos completamente irresponsável por parte daqueles que fizeram a convocatória e/ou organizam estes protestos é o facto de aceitarem (senão convidarem) a imprensa durante o ato. Carrinhas da TV, câmaras, repórteres fotográficos e jornalistas estavam misturados com os manifestantes, a filmar, a tirar fotos, a gravar e a monitorar tudo em geral. Não é do nosso conhecimento se haviam ou não companheirxs entre a multidão que tivessem a mesma opinião que nós mas que preferiram manterem-se discretos. No entanto, não houve nenhuma reação visível de ninguém contra esta presença de facto dos bastardos dos mass media. Assim, dirigimo-nos a um ponto de informações, explicando que o ambiente não parecia seguro para manifestantes, porque todos os nossos movimentos estavam a ser monitorados não apenas pela bófia como também pela imprensa, recebendo apenas a resposta de que havia pessoas que queriam os media presentes (entre elas também refugiadxs). Tentamos gritar frases como (“ A imprensa está a trabalhar para o Estado, jornalistas fodam-se daqui para fora agora!”) mas em vão, já que as nossas vozes foram abafadas pelo sistema de som.

Passado um bocado fomos para a esquina da rua Lausitzer com a Reichenberger, a um quarteirão da escola dxs refugidxs, onde a bófia tinha confinado cerca de 100 manifestantes que realizavam um protesto sentados na estrada para bloquear a chegada de mais carrinhas da polícia que se dirigiam para a rua Ohlauer. O ânimo estava ligeiramente melhor aqui, havia pessoas a gritarem frases bem alto, mas a acção não excedeu os limites da desobediência civil. Dadas as circunstâncias os protestos sentados podem ser eficazes em termos de bloquear o avanço da bófia, mas não há garantias para os activistas que botas da polícia não lhes vão pisar as cabeças quando lhes apetecer. A bófia usou a violência contra os manifestantes, mas não conseguiu romper a manif sentada;  certificaram-se então de espalhar mais terror, fazendo avançar esquadrões da polícia em uniformes negros e balaclavas a cobrir as características faciais. Não há dúvida, o Estado é o único terrorista.

Permanecemos na zona até perto das 20:00, indo de um protesto sentado para outro (havia pelo menos mais 2 no bairro). Antes de decidirmos deixar o local, fizemos uma breve intervenção nas festividades da Rua Ohlauer quando a música parou, declarando alto que os mass media são a voz do inimigo e que deviam ser expulsos imediatamente por isso. A imprensa é em grande parte responsável pela preparação deste despejo em termos de propaganda, e é realmente triste ver que algumas pessoas não reconhecem o óbvio. Esta luta, como qualquer outra luta parcial, ou será radicalizada e assumida tanto por refugiadxs como pelxs solidárixs como um episódio de uma guerra social em curso, ou irá acabar por ser mediada e assimilada pelo Poder.

Aqui está um documento datado de 1 de Julho com várias exigências (assinado por um certo número de pessoas de diferente origem), numa tentativa de alguns/algumas refugiadxs chegarem a um “acordo” com as autoridades distritais de Friedrichshain-Kreuzberg, e evitar a sua acusação judicial e o desalojo violento da Gerhart Hauptmann Schule. 

Entretanto, o ministro federal do Interior, Thomas de Maiziére, apelou a um voto urgente num reforço das restrições na legislação de asilo, que tornará praticamente impossível às pessoas (é particularmente contra xs ciganxs) vindas da Bósnia Herzegovina, Macedónia, ou Sérvia, entre outros, de obter asilo na Alemanha, visto que a lei irá alterar o status de tais regiões para “países de origem seguros”. Espera-se que o parlamento alemão decida sobre esta medida racista de forma acelerada.

Bem-vindo à Grécia – Cartaz da Assembleia No Lager visto nas ruas de Atenas

BEM-VINDO À GRÉCIA

A morte não acidental de um imigrante

Na terça-feira, 22 de Julho, Ahmad Mohamed Farogh do Paquistão, um detido no campo de detenção de Amygdaleza, que sofria de doença no coração, pediu repetidamente aos guardas atenção médica. Deram-lhe medicamentos desajustados e uma ambulância foi chamada; a ambulância não veio e um veículo da polícia foi usado para levar o homem para o hospital. Ele morreu no caminho.

E.H. do Afeganistão tentou escapar do campo de detenção de Amygdaleza e conseguiu; os guardas deram por isso, avistaram-no e apanharam-no. Espancaram-no brutalmente no momento em que o capturaram e novamente no campo, na frente dos outros detidos. Permaneceu a sangrar durante horas, em Amygdaleza. Foi então transferido para o hospital e, eventualmente para outro campo de detenção, com fracturas nos braços e pernas. Na mesma noite, outro emigrante tentou fugir, não conseguiu, e desde então o seu destino é desconhecido.

Nos campos de concentração contemporâneos, os imigrantes estão prisioneiros duma guerra que ocorre diariamente e da bófia para decidir sobre a sua vida e morte; mortes que quase nunca são divulgadas ou são apresentadas de tal forma que parece natural e óbvia. Tão óbvia como parece ser a punição daqueles que tentam escapar, dos que desafiam a violência quotidiana que experimentam, dos que questionam a detenção que lhes é imposta. E além de óbvia deve ser exemplar e dura.

Todas essas coisas estão a acontecer, não só na obscuridade dos campos de detenção. Elas estão a acontecer em plena luz do dia, nas ruas da metrópole. Lá, onde pogroms estatais são feitos diariamente, levando dezenas de imigrantes aos “paraísos da hospitalidade grega” – ou seja, ao campo de detenção Amygdaleza ou às Direcções de Alienígenas de Attica (rua P. Ralli) – para uma detenção incondicional e indefinida.

“Grécia é um país verdadeiramente hospitaleiro”

Vassilis Kikilias, no novo centro de detenção, em Moria, ilha de Lesbos.

No meio de uma temporada turística bem sucedida, o ministro da ordem pública, Vassilis Kikilias, disse que o governo grego está a fazer “um trabalho humanitário, apoiado por cientistas, médicos e psicólogos” em Moria. Pergunta-se se Ahmad Farogh – como qualquer outro imigrante detido – deveria ter sido transferido para Moria, para experimentar lá, de forma científica, a política de extermínio dos modernos campos de concentração [lager].

Assembleia No Lager, Atenas, 29 Julho de 2014

Contra os centros de detenção para imigrantes

Força e solidariedade com as lutas diárias dos imigrantes detidos

nolager.espiv.net

Hamburgo, Alemanha: Manifestações selvagens e distúrbios contra as fronteiras e os seus cães de guarda

Lampedusa-Demo in Hamburg

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Na tarde de sexta-feira, 6 de Junho – após os ataques brutais da bófia num protesto realizado pelxs refugiadxs de Lampedusa e apoiantes, que teve lugar na quinta-feira, 5 de Junho, na Praça Rathausmarkt – centenas de pessoas tomaram as ruas de St.Pauli.

Uma importante manifestação não autorizada, com um milhar de participantes no máximo, iniciou-se às 8 horas da noite em Neue Pferdermarkt e foi até à rua principal de Schanzenviertel’s, a Schulterblatt. Foram sprayados slogans contra o estado e as fronteiras nas paredes de casas, bancos e lojas, houve pirotecnia e bem ruidosa.

Depois da bófia interromper a manifestação, a multidão dispersou e voltou a juntar-se em diferentes alturas e lugares. Só em parte, havia diversas manif em simultâneo.

Conseguiu-se atacar a sede local do partido social democrata (SPD) em St.Pauli; além disso, foi destruída a entrada do edifício de habitação do senador de justiça de Hamburgo, na Brigittenstraße. As pessoas ergueram muitas barricadas, quando foram atacadas, uma parte delas, pela polícia.  Isto são apenas algumas impressões dessa noite. A bófia não conseguiu controlar a situação. Foi bom verificar que muitos tomaram iniciativa própria e que estavam bem preparados.

Nenhumas fronteiras! Nenhuns estados!

Por muitas noites incontroláveis de verão!

Como podia ser lido nessa noite, numa parede recém-pintada, em St. Pauli:
“Pela revolta social!”

Leipzig, Alemanha: Ataques incendiários em Connewitz ((Re: Berlim: (Re: Leipzig))

Saudações de volta para xs compas em Berlim!

“Na noite de quinta-feira [15 de Maio de 2014] dois carros foram atingidos no espaço de poucos minutos, no sul de Leipzig, quase da mesma maneira… Uma Opel Combo da empresa ‘Wisag’ foi incendiada… A apenas dois quilómetros de distância, na Rua Probstheidaer, uma Ford Transit da empresa de serviços de zeladoria ‘ISS Serviços de Facilidade’ pegou fogo” (já relatado na imprensa).

ISS é uma merda pois:
A empresa realiza publicidade ofensiva neste domínio [limpeza de edifícios, remoção de graffiti, serviços de segurança, etc]; na Bélgica, a ISS tem sido alvo de militantes opositores da deportação de imigrantes, há vários anos. Foi colocada numa lista negra lá, devido ao seu envolvimento nos centros de deportação de Merksplas e Vottem” (já explicado num artigo de 2012).

A Wisag é uma merda porque:
Além disso, a Wisag protege instalações militares, locais de espírito nacional de corpos e instrumentos de estado-violência… Estamos particularmente furiosos com o ‘serviço de passageiros’ da Wisag! Em nome do provedor de transporte BVG em Berlim, a Wisag nega às pessoas sem bilhete qualquer acesso aos meios de transporte público urbano, persegue-os, e exerce a violência física contra eles. Funcionários da Wisag jogam os sem abrigo dos trens e das estações ferroviárias, e realizam controlos racistas” (já foi relatado num comunicado para um ataque aos escritórios da Wisag em Berlim, em Março de 2014).

Solidariedade com xs afetadxs pela repressão em Berlim e em todo o lado!

Contra a vigilância e pela liberdade
(A)

fonte: linksunten

EUA: Manifestação ruidosa contra a proposta de ampliação da prisão de São Francisco

fire to prisons
Fogo às prisões

Na noite de sexta-feira, 21 de Março, uma estridente e turbulenta manifestação foi até ao 850 da rua Bryant, a cadeia atual em São Francisco, bem como o local de um projeto para ampliação da prisão. Participámos nesta manifestação para expressar o nosso repúdio pela expansão da prisão proposta, mas também para expressar solidariedade com xs que estão presxs actualmente. Cerca de 100 pessoas caminharam atrás de faixas que diziam: “nem nova prisão, nem prisão velha” e “esmagar o patriarcado, queimar os estabelecimentos prisionais: uma prisão é uma prisão e nada mais”. Aquando da chegada à prisão, foi lançado fogo-de-artifício para os que estão dentro. Veículos da polícia e a prisão em si, foram vandalizados com pedras, tinta de spray e bombas de tinta.

Há meses que ouvimos conversas do Departamento do Sheriff de São Francisco sobre os planos para construir uma nova prisão, substituindo a que se encontra no 850 da Bryant. Um esforço liderado pelo sheriff Mirkarimi, que afirma que uma nova prisão é necessária para lidar com as condições inabitáveis da existente. A oposição à nova prisão tem-se focado na irresponsabilidade orçamental de construir um novo centro correcional neste momento. E ainda que não discordemos com o facto de que gastar centenas de milhões de dólares numa nova prisão seja claramente ridículo, rejeitamos por completo as implicações deste argumento. Muitos dxs presxs na monstruosidade de 850 Bryant já expressaram a sua oposição ao novo projecto de construção que supostamente seria construído em seu nome. Não pensamos que alguma vez possa existir uma altura apropriada para uma nova, mais “segura”, prisão, independentemente da solidez financeira do projecto, porque todas as celas são inabitáveis. O cerne da questão é que as cadeias e penitenciárias são instituições onde as pessoas pobres – em especial a população negra e pobre – são forçosamente subjugadas; são fábricas feitas para reproduzir continuamente a lógica e violência da supremacia branca. Como justifica a cidade que a população negra de São Francisco sejam uns meros 7% mas que mais de 50% das pessoas encarceradas sejam negras? Entendemos que a pressão da cidade para a existência de uma nova prisão, a expansão do policiamento em bairros como Mission são uma consequência dos sempre crescentes níveis de riqueza em São Francisco. Todo este dinheiro chega nos bolsos de yuppies assustados e tecnocratas e são estas as comunidades que a cidade quer proteger. Por isso dizemos que se foda!

Quando as escolhas que se apresentam são apenas quanto ao tamanho de uma sempre crescente sociedade-prisão, a nossa única opção é a revolta. Claramente, qualquer luta significativa contra a construção de uma nova prisão irá envolver inúmeros actos de resistência e subversão, tanto de dentro como de fora. Reconhecemos que esta manifestação é pequena face à força necessária para impedir a construção de uma nova prisão, mas temos de começar nalgum lado. Esta manifestação foi uma humilde contribuição para esse fim, e um convite a outros. Convidamos qualquer um ou uma que odeie este mundo-prisão a encontrar outrxs ou a atacar sozinhx. Em vez das falsas escolhas (oferecidas pelo departamento do sheriff, departamento da polícia de São Francisco, a câmara e o procuradoria) precisamos de uma vaga de conflitos contra este empreendimento.

Liberta xs presxs e queima o que restar

– alguns/mas anarquistas

Niš, Sérvia: “Dêm-nos os requerentes de asilo; podem ficar com a polícia”

Dêm-nos os requerentes de asilo; podem ficar com a polícia

7 de Dezembro de 2013: Desgostosos com o comportamento cada vez mais arrogante da polícia e decepcionados com a atitude racista dos cidadãos para com os requerentes de asilo, alguns libertários propuseram uma troca simples: “Dêm-nos os requerentes de asilo; podem ficar com a polícia” é o slogan escrito numa faixa pendurada num dos viadutos em Niš. Boa atividade dos compas para continuar a luta na sua cidade. Eles provaram mais uma vez que em Niš, Sérvia, o outro lado existe!

Descrição breve das duas referências publicadas em blogtipomogo:

Nos últimos meses, membros da “tropa de élite” de polícia estiveram alegadamente envolvidos na agiotagem, e também na colocação de uma bomba que matou o proprietário de um escritório de câmbio. Um membro da guarda civil de outra cidade matou e queimou duas pessoas porque supostamente lhe deviam dinheiro. Membros da guarda civil foram encontrados a escavar o solo em “propriedades privadas” em busca de ouro, a trabalhar como segurança privada em clubes utilizando recursos da polícia, acreditando-se que estão conectados com a máfia local. Num incidente recente, um membro da guarda civil abriu fogo, a partir de um veículo em movimento, sobre uma mulher porque ela o terá “provocado” pela sua condução lenta …O último incidente relacionado com os requerentes de asilo provenientes da África e Ásia (cerca de 250-300 deles viviam na rua já que não havia lugar para eles na centros de acolhimento) ocorreu quando um grupo de moradores de dois sítios estava a bloquear uma estrada, para protestar contra o fato dos refugiados serem transferidos para barracas no município de Obrenovac (perto de Belgrado). Depois, uma das barracas onde os migrantes deveriam ser acomodados foi incendiada (isso aconteceu à noite, e a pessoa que cometeu o incêndio criminoso mais tarde foi presa). Mais notícias relacionadas em noborderserbia.wordpress.com.

São Francisco, EUA: Ataque da memória nos negócios racistas

Mission

Há pouco mais de um par de meses, Sandra Cuadra estava viva. Agora morreu, Sandra está morta [após a sua luta com o cancro] e o restaurante que a recusou [por serem latinos] e à sua família – onde lhe disseram para sair da propriedade, onde a humilharam e aos seus entes queridos – aquele restaurante “O Cantinho dos residentes” ficou com os vidros das janelas quebrados, nas últimas horas do primeiro dia de 2014. Esperamos que o dono sinta um pouco da humilhação que infligiu a Sandra e à sua família.

Enquanto todos estão na luta contra o Google, Facebook e similares, não devemos esquecer as lutas locais,as micro lutas, as farsas cotidianas que rodeiam as paisagens gentrificadas de São Francisco e fora dela. Um forte núcleo de racismo floresce nos novos, gentrificados negócios, na sua maioria propriedade de brancos. O combate é local e global, e devemos lutar em ambas as frentes. Isto apenas agora começou, mantenham-na todxs!

La Lucha Sigue!
Venceremos!

Brigada Sandra Cuadra

fonte via  anarchistnews