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[Prisões gregas]: Tentam isolar o companheiro Nikos Maziotis

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Faixa colocada a 17 de Outubro na cidade de Prijedor, na Bósnia e Herzegovina, onde se pode ler: LIBERDADE PARA  NIKOS MAZIOTIS. VIVA  A  LUTA  REVOLUCIONÁRIA.

No contexto do evento “Luta Armada, Movimento Revolucionário e Revolução Social”, organizado pela Okupa VOX, realizado a 17 de Outubro na Escola Politécnica de Atenas, tinha sido programada uma comunicação telefónica com o anarquista Nikos Maziotis, atualmente preso no presídio de Diavata. Os guardas prisionais não permitiram a realização da chamada, apresentando como justificação uma suposta caída total do serviço de telefones na ala onde se encontra Nikos.

No dia seguinte, 18 de Outubro, compas solidárixs – após conseguirem entrar em contato  com Nikos Maziotis – informam que a restrição às chamadas em toda a ala foi imposta por ordem da promotoria e executada pelo alto comando, Valsamis. Quando Nikos Maziotis, juntamente com um grupo de presos, foi perguntar o que se estava a passar Valsamis argumentou de forma ridícula que se tratava de problemas técnicos, além de ameaçar o grupo de presos de que haveria consequências para eles caso continuassem a visitar o compa na sua cela, já que isso era algo proibido, etc…

Não é a primeira vez que esta lixeira ameaça presos que entram em contato com Nikos Maziotis, mas a proibição das chamadas telefónicas de presxs anarquistas e revolucionárixs é algo bastante preocupante, visto na Grécia não existirem antecedentes e, até agora, xs presxs terem podido intervir em eventos públicos,  através de telefone. Parece que tal medida restritiva se enquadra no contexto de isolamento e endurecimento das condições de confinamento que o Poder procura impôr, com vista à aplicação da nova lei de implementação das prisões de segurança máxima.

O evento repetir-se-à a 5 de Novembro, na Escola Politécnica (Exarchia), onde se tentará de novo entrar em contato direto com o irredutível guerrilheiro Nikos Maziotis.

Para escrever ao compa:

Nikos Maziotis
Geniko Katastima Kratisis Thessalonikis
57008 Diavata, Tessalónica, Grécia

espanhol

Balcãs: Por cima dos muros do Nacionalismo e das Guerras

bosnia

Comunicado dos participantes na 8ª Feira do Livro Anarquista dos Balcãs

É claro que o nacionalismo é uma ferramenta usada contra as classes exploradas. Nos Balcãs (especialmente na região da ex-Jugoslávia), o crescimento da ideologia nacionalista, nos anos 90, ajudou a possibilitar o brutal ataque capitalista contra a sociedade. Atomizou ainda mais a população e destruiu as redes de cooperação e solidariedade aí estabelecidas, anteriormente.

A necessidade de confrontar a ideologia nacionalista numa perspetiva radical e antiautoritária juntou-nos em Mostar a 5 e 6 de Setembro de 2014 para a 8ª Feira do Livro Anarquista dos Balcãs. Viemos da Bósnia Herzegovina, Croácia, Sérvia, Eslovénia, Albânia, Roménia, Grécia e de outros países situados fora da zona dos Balcãs.

A verdadeira natureza do nacionalismo não é em nenhum lugar mais óbvia que em Mostar, uma cidade dividida em duas, com os sinais da brutalidade da guerra ainda evidentes nas ruas da cidade.

É essencial entender que esta divisão não foi a causa da guerra, mas a consequência de guerras e ideologias nacionalistas criadas pelas classes dominantes.

Isto era claro para xs manifestantes em Tuzla que pintaram a palavra de ordem “Morte ao nacionalismo” bem como para os manifestantes em Mostar que incendiaram a sede de ambos os partidos nacionalistas em Fevereiro de 2014.

Ainda assim, noutras partes do mundo, novos nacionalismos e conflitos estão a ser criados em linhas semelhantes e com consequências previsíveis.

Muitxs pensam hoje, na Ucrânia, que têm de responder às falsas escolhas de guerra colocadas pelos estados e corporações (entre eles estão mesmo alguns anarquistas e “anarquistas”[1]). No entanto, mantemos que o nacionalismo é sempre uma ideologia que reproduz o Estado, um sistema de repressão e exploração, que conduz xs exploradxs e oprimidxs a confrontarem-se entre si. Vemos hoje na Ucrânia o mesmo mecanismo que também já foi usado durante as guerras, na ex-Jugoslávia: O nacionalismo é o instrumento daqueles que, no poder, empurram as pessoas para a guerra no interesse do capital. Enquanto anarquistas, opusemo-nos a todos os esforços de guerra na ex-Jugoslávia, através da solidariedade que continua até aos dias de hoje. Longe do pacifismo liberal ou das obsessões com exércitos de guerrilha nacionalistas de esquerda, a nossa luta nunca irá estar ao lado da política militarista e da destruição em que todos os estados são baseados.

Contra o nacionalismo, o militarismo e a guerra! Contra todos os governos e estados! Pela solidariedade e autonomia!

[1] Dxs nacionalistas anticoloniais da Mlada Bosna/”Jovem Bósnia” de Sarajevo de 1914, influenciados pelo anarquismo, até ao caso dos posers, como o grupo “anarco”-nacionalista Slobodari de Sarajevo em 2014, todas as tentativas de combinar o anarquismo com o nacionalismo mostram que o resultado é simplesmente o mesmo: nacionalismo. “Slobodari” é um pequeno grupo de Sarajevo que se apresenta como anarquista mas que está em contacto com nazis da Ucrânia (os chamados nacionalistas autónomos Avtonomnyj Opir/“Resistência Autónoma”). Além disso, existem vários sítios da web que causaram muita confusão, incluindo o sítio de uma suposta Cruz Negra Anarquista Balcânica. Leia mais sobre o tema (em inglês) em sabotagemedia.

Balcãs: Ações em solidariedade com a rebelião na Bósnia e Herzegovina

Em Fevereiro de 2014, anarquistas e antifascists de Niš, Belgrado, Novi Sad, Skopje, Sombor, Zagreb, Ljubljana e Rijeka levaram a cabo ações em solidariedade com a rebelião recente na Bósnia e Herzegovina.

“Apoiamos a revolta das pessoas na Bósnia e Herzegovina. Sabemos que um grande número dos nossos concidadãos pensam da mesma forma. As pessoas dos dois lados do rio Drina estão com fome, esperamos que os protestos na região vizinha abalem a adormecida Sérvia. Apelamos às pessoas para não se sujeitarem a ser absorvidos no vórtice das histórias nacionalistas e da propaganda suja e a unirem-se contra o inimigo comum: capitalismo e o Estado. Povo trabalhador, vocês estão famintos por causa deles – os parasitas, sanguessugas e ladrões – e não devido a alguém do outro lado do rio, cujo nome nem sequer sabem, e que está na mesma merda que vocês ” afirmou um antifascista em Nis.
(fontes:  blogtipomogo  i  ii)

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Belgrado
a) Por uma libertação anacional da B&H. Contra as elites políticas (A).
b) Por uma libertação anacional da B&H. Contra o FMI e o Banco Mundial (A).
[B&H = Bosnia e Herzegovina
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Belgrado – ação glbt/queer
a) “Quando a lei se tornar uma injustiça, a resistência torna-se um dever”.
b) “ Você não vê que não são os gays que te estão a foder mas sim o capitalismo..”
c) “Solidariedade contra o fascismo e o terror policial.”
d) “Um só amor para o funcionamento da B&H”.

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Ljubljana
a) “Ardendo, ardendo…” [referência à popular canção hip-hop]
b) “Como na Bósnia, então Ljublj(A)na – contra a tirania do capital”
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Niš
a) “ Deixa a revolução brilhar nos dois lados do rio Drina – AFA Niš”
b) “Apoia a rebelião popular na Bósnia! – (A)FA Niš”.
c) “Classe trabalhadora contra o capitalismo. Apoia Tuzla – (A)ntifa Niš”.
[AFA = Ação Antifascista]
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Novi Sad
a) “ Apoia o povo da B&H, AFA.”
b) “ Apoio para o povo trabalhador da B&H, AFANS.”
c) “ Levanta-te povo! Solidariedade com o povo da B&H, AFANS.”
[AFANS = Ação antifascista Novi Sad

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Rijeka
a) “ Deixa a B&H ser um exemplo para nós! Rijeka em solidariedade.”
b) “Políticos e magnatas, vocês não têm motivo para dormir calmamente.” ”
c) “Resistência – Rebelião transforma escravos em seres humanos.”
skopje
Skopje
a) Na faixa pode ler-se: Solidariedade.
b) “Solidariedade com o povo da B&H. Morte ao nacionalismo. Uma Balcãs, uma luta.”

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Sombor
“Apoio ao povo trabalhador da B&H. AFASO”.
[AFASO = Ação Antifascista Sombor)
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Zagreb
a) “Luta de classes 2014”
b) “Nem guerra entre povos nem paz entre classes”
c) “A liberdade não é apenas um clube de Tuzla.”
[Liberdade = Sloboda; em Tuzla há um clube de futebol Sloboda]

Além disso, na sequência de um convite através de redes sociais, dois encontros de solidariedade tiveram lugar em Belgrado e Zagreb com a participação de algumas centenas de pessoas oriundas de diferentes espectros (anarquistas, antifascistas, esquerdistas, estudantes, trabalhadores …).

Filme da Bósnia e Herzegovina, com cenas do encontro de solidariedade em Belgrado, Sérvia:

Mais informações sobre eventos na Bósnia e Herzegovina: CrimethInc  iii,

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