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[prisões gregas] Pola Roupa, companheira da Luta Revolucionária, sentenciada a prisão perpétua mais 25 anos

[A sentença refere-se a um ataque explosivo ocorrido 10 de Abril de 2014 contra a sede do Banco da Grécia, em Atenas]

O Tribunal impôs uma sentença de prisão perpétua mais 25 anos à companheira Pola Roupa, adotando a proposta de sentença do acusador do ministério público Drako. A sentença de prisão perpétua a que o companheiro Nikos Maziotis foi condenado, em 2016, pelo mesmo ataque não é apenas uma vingança radical contra os dois rebeldes não arrependidos e coerentes que não foram entregues à prisão em 2013 no final do primeiro julgamento da Luta Revolucionária – entraram na clandestinidade a fim de continuar as ações da Organização. Isso prova, de acordo com os argumentos do acusador Drako, a periculosidade das ações da Luta Revolucionária como um meio de minar e derrubar a economia e o Estado.

Recordemos que o acusador Drako afirmou no seu discurso que o ataque ao Banco da Grécia poderia causar o colapso do prédio e que, se o prédio tivesse entrado em colapso, o sistema financeiro e a economia do país entrariam em colapso.

A sentença de prisão perpétua para Roupa, tal como para Maziotis, confirma do lado do inimigo, isto é, do Estado, a correção da estratégia da Luta Revolucionária, que considerava que os principais golpes em estruturas-chave de um sistema já enfraquecido em crise poderiam causar o seu colapso.

Solidariedade à Luta Revolucionária

em inglês via 325nostate l italiano

Atenas, Grécia: Hospitalização involuntária de Nikos Maziotis e Pola Roupa

Os membros da Luta Revolucionária Nikos Maziotis e Pola Roupa encontram-se em greve de fome desde 11 de Novembro de 2017.

Xs dois companheirxs presxs estão a lutar contra medidas de isolamento; contra disposições específicas do novo código correcional destinadas a reprimi-lxs como prisioneirxs de alta segurança; contra a proposta de detenção de prisioneirxs de alta segurança nas esquadras de polícia; contra a pretendida reintegração do regime prisional do tipo C. Elxs também exigem o fim imediato do isolamento imposto sobre Nikos Maziotis (desde Julho, o companheiro é mantido isolado de outrxs presxs por uma decisão do ministério da justiça); uma extensão das horas de visita com base na frequência das visitas que um prisioneiro tem; salas apropriadas de visita para xs pais presxs se encontrarem com seus filhos.

Deixaram claro desde o início que apenas receberiam água. Repetidamente pediram para receber uma comunicação telefónica sem obstáculos com o seu filho de seis anos, antes de serem transferidxs das prisões de Koridallos para qualquer hospital.

Em 2 de Dezembro, Nikos Maziotis e Pola Roupa foram transferidxs para um hospital fora das prisões, devido à deterioração de seu estado de saúde. No entanto, no próprio dia, ambos xs companheirxs pediram que fossem enviadxs de volta para as prisões, porque, eventualmente, não era permitida a comunicação telefónica sem obstáculos com o seu filho.

Em 4 de Dezembro, Nikos Maziotis queimou e destruiu a seção de isolamento B na cave da prisão feminina de Koridallos, onde foi mantido em prisão solitária durante 5 meses. Foi então transferido para a enfermaria da prisão, por causa dos fumos, e ameaçado com maior isolamento – desta vez numa unidade disciplinar das prisões de Koridallos.

Às primeiras horas do dia 5 de Dezembro os grevistas da fome Nikos Maziotis e Pola Roupa foram transferidxs à força para fora das prisões de Koridallos.

O procurador da prisão ordenou a sua hospitalização involuntária. Estão a ser mantidxs no Hospital Geral do Estado de Nikaia, ambxs ameaçadxs de alimentação forçada. Até ao momento, os médicos do hospital não cederam ao pedido do promotor.

Nikos Maziotis e Pola Roupa continuam a sua greve de fome. Declararam que não aceitarão soro e irão agir contra o tratamento involuntário e a alimentação forçada (tortura) de todas as formas possíveis.

(todas as postagens relacionadas em grego)

em inglês, alemão

Hamburgo, Alemanha: Ataque à frota da Sicherheit Nord e chamada à luta anarquista

Sabotagem é isso: meios adequados, fachada da autoridade arrebatada. Quando e onde as agências da Segurança se guardam a si próprias – movimentando-se nesse sentido e, em seguida, se encontram perante os escombros das ferramentas que a mantêm de pé – o seu poder torna-se visivelmente questionado e mais e mais infracções da lei serão encorajadas.

Como no caso da Suíça, a empresa de construção Implenia tem visto a sua participação  em projetos penitenciários ser paga com máquinas de construção em chamas. Como no caso da Vinci, SPIE ou Eiffage, em França, devido a conexões semelhantes com a repressão.

No dia 13 de Novembro em Hamburgo, Barmbeck, a frota da Sicherheit Nord foi destroçada, incendiámos vários veículos. A Sicherheit Nord tem acordos de cooperação com a bófia em dez estados federais, protegendo a base da NATO em Lüneburg e as embaixadas, estabelecendo o aprovisionamento de refugiados e lojas em bairros que pareçam inseguros para os que dominam.

Esta acção e este texto são para nós. Para xs milhares que tornaram o levante de Hamburgo possível. Para xs prisioneirxs. Para as pessoas afectadas pela Operação “Scripta Manent”em Itália. Um fogo em solidariedade com Nikos Maziotis e Pola Roupa, em greve de fome, e uma saudação para Konstantinos G., em prisão preventiva, acusado de envio de carta-bomba e de pertença às CCF. Liberdade para Lisa, acusada no processo de assalto a bancos de Aachen!

Estamos comprometidos com uma luta contra o Estado, a todos os níveis. A repressão não nos poderá deter.

Para a anarquia – Grupos Autónomos

P.S. O mais difícil de ser captado…
É provável que o prejuízo resultante para a Sicherheit Nord seja manejável. Atualmente, pode até nem ser possível medir o sucesso das lutas através dos danos materiais ao Estado e aos seus servos.

Conforme se demonstrou – através dos grandes tumultos ocorridos em Julho e também nos ataques militantes, no período anterior ao G20 – o propósito de uma estratégia ofensiva de atacar e de lidar com a polícia, como a forma mais visível e não interpretável, é fortalecer as posições antagónicas. Observou-se com que facilidade o estado forneceu 40 milhões de euros para mitigar os danos perceptíveis à burguesia de Hamburgo; pouco antes os enlutados pela série de 9 assassinatos nas estruturas nazis com o conspiratório nome soando NSU confortaram-se com os 900 mil euros que foram jogados fora.

As campanhas com o objetivo duma quantidade predeterminada de danos à propriedade têm, na melhor das hipóteses, um aspecto desportivo. O carácter de uma cena que não é política, perseguindo objectivos mas esperando-os do evento, também. Evento para saltar e que a miúdo, no seu consumismo, expira. A campanha do ano passado pela Rigaer 94 não deveria fazer isso, mais comentários é nocivo. Mas destacam-se a série de ataques contra a Cimeiro do G20, sem problemas, nesta fase muito ativa de grupos pequenos, embora a continuidade do conteúdo tivesse ficado atrás da prática contínua.

Depois dos tumultos ficou à vista que existem poucas estruturas anti-estatais que sejam pela violência. O compromisso com a abordagem ofensiva (foi escolhido a das estruturas militantes) – e tal como em relação a grupos  que tinham pretenciosamente prometido o inferno – sofreu ameaças governamentais e a perseguição dos media. Porque estes factos não são compreensíveis: suporta-nos a história de um movimento radical de esquerda com experiência na estratégia governamental contra a revolta e esmagamento das estruturas de oposição. Nela podemos apreender, se lhe quisermos dchamadaatenção, a traição que esse distanciamento público constitui. Uma ausência de ação, depois desta Cimeira de resistência é, no máximo, impróprio. Incompreensível é também a preocupação com as consequências graves que virão se se trabalhar visivelmente com as estruturas.  A proibição do Linksunten.indymedia.org é o único caso que o estado assim como assim poderia dar-se ao luxo de ter uma ação populista para bloquear uma estrutura que, de todos os modos, no nosso entendimento, no seu papel central era defeituosa. Vale a pena assinalar que o Linksunten já não tinha sido antes porque  a ligação desligada foi tomada – e este meio pode voltar a ser usado a qualquer momento, se necessário, para voltar a estar operacional. E se olharmos para o caso da França, vemos um exemplo de como se pode ultrapassar a censura dos sítios da internet: O Indymedia anunciou que continuará a ser acessível no endereço Onion.

Não existe nada significativo neste momento. As consequências são de esperar, ser militante é um termo mais amplo que se envolver em atividades de impacto e pequenas escaramuças. Necessitamos de mais pessoas que se sintam vinculadas a posições antagónicas nas suas batalhas locais para as dar a conhecer e propagar. Necessitamos de estruturas alternativas outra vez, a luta anti-estatal a sentir-se conetada, auto-organizada e com grupos de ajuda-mútua, grupos de vizinhos, individuais e coletivos, lidando com o nosso bloco negro e os nossos pequenos grupos “noturnos”, a comunicarem-se olhos nos olhos. Sobre os objetivos, as estratégias e os meios.

Na Cimeira do G20 mostramos que somos capazes de atuar, en interação com algumas estruturas de ação aberta, a organização do acampamento, a rede de apoio sanitário, o comité de investigação, algo semelhante precisamos ter. Tal interação deve desenvolver continuidade. Neste momento, onde todxs temos um considerável êxito na nossa tufarada podemos escrever a nossa memória coletiva ainda fresca e que já não está aleatória. A vida quotidiana da cena entre Soliparty e os plenários, perdidos estão.

de.indymedia (alemão)

Tessalónica, Grécia: Lambros Foundas através das nossas chamas (ataques a casas de polícias)

Lambros Foundas vive através das nossas chamas

Declaração de responsabilidade pelos ataques às casas dos polícias Efthimis Efthimiadis e Ilias Hajis.

Em 10 de Março de 2010, um anarquista e membro da Luta Revolucionária, Lambros Foundas, é executado em Dafni durante a expropriação de um veículo que iria ser usado num ato de violência revolucionária da organização.

O incêndio das residências dos polícias Efthimis Efthimiadis (no nº 20 da rua Kiprou, em Agios Pavlos) e Ilias Hajis (na rua Papanastasiou em Sikies, Tessalónica), às primeiras horas de 9 de Março, é a nossa homenagem mínima à memória de um companheiro que foi morto pelos tiros do exército metropolitano de ocupação da democracia, lutando pela Revolução.

Combatentes mortos são a razão e a causa da continuação da nossa luta revolucionária.

Na quinta-feira de 5 de Janeiro, são detidos xs membros da Luta Revolucionária Pola Roupa e Kostandina Athanasopoulou. Durante a prisão da companheira Pola, os polícias encapuçados da força antiterrorista sequestraram o seu filho de 6 anos e, sob a ordem do Procurador de Menores Nikolou, transferem-no para a ala psiquiátrica do hospital Pedon, sob guarda.

Os três membros da Luta Revolucionária, Pola Roupa, Kostandina Athanasopoulou e Nikos Maziotis, a partir do momento da detenção de Pola e Kostandina, iniciam uma greve de fome, exigindo a libertação imediata da criança de 6 anos e a sua entrega à custódia dos familiares.

A mensagem é clara: contra a teimosia dos revolucionários, a repressão desenrola a mais suja e anti-ética das armas. Porém esta tentativa desprezível  dos mecanismos, para extorquir e se vingar dxs presxs, encontrou pela frente a determinação dxs 3 membrxs da Luta Revolucionária, assim como uma dinâmica de luta multiforme – através de uma série de acções de apoio político e de solidariedade agressiva – levantando uma barreira temporária à vulgaridade  da repressão.

Toda a acção da Luta Revolucionária pode ser convocada na aplicação de uma estratégia revolucionária desestabilizadora do regime. As 3 greves repressivas contra a organização, após a execução do companheiro Lambros Foundas, e a segmentação de um círculo mais amplo de indivíduos – baseado no contato e nas relações que tinham com membros da organização, a recompensa de 1 milhão de euros por dois membros, a lesão durante a prisão do companheiro Nikos Maziotis em Monastiraki, o sequestro de uma criança de 6 anos, as recentes ameaças contra a companheira Pola (plano para a assassinar e a tentativa de suborno do membro do parlamento europeu pelo Syriza, Kostandina Kouneva) e a recusa de conceder licenças ao companheiro Kostas Gournas, ilustram o medo das autoridades à estratégia da luta armada.

No verão de 2002, as autoridades tentaram, através das prisões dos membros da organização 17 de Novembro, impor o medo da resistência e a futilidade da propaganda armada. O estrondo da explosão da bomba da Luta Revolucionária nos tribunais de Evelpidon, na madrugada de 5 de Setembro de 2003, foi o fim dessa tranquilidade, ordem e segurança; 14 anos depois, há tentativas das autoridades para impor a mesma futilidade. A história nos chama para provar, uma vez mais, que eles estão errados. Vamos organizar a nossa auto-defesa colectiva, da qual surgirão formações agressivas de violência revolucionária.

Violência à violência expressa pelos mecanismos repressivos em nome da ordem e da segurança contra as partes combatentes.

Sangue ao sangue dxs revolucionárixs mortxs, assassinadxs pela repressão internacionalizada.

Ataque por todos os meios às transportadoras e representantes da repressão.

Ataque através das lutas e manifestações, ataque aos centros de tomada de decisão e esquadras de polícia, ataque às suas casas.

Solidariedade aos combatentes e rebeldes presxs por todo o mundo, de Standing Rock, no Dacota, até aos subúrbios franceses flamejantes.

Quanto a Tsoutsouvis, Kassimis, Foundas, Morales e todos os mortos revolucionários, a luta continua.

Organização de Ação Anarquista

em inglês via 325.nostate

Atenas: Colocada faixa na Okupa Themistokleous 58 em solidariedade com a Luta Revolucionária

Viva a Luta Revolucionária!

A 5 de Janeiro de 2017, os asquerosos da unidade anti-terrorista detiveram as combatentes anarquistas e membros da Luta Revolucionária Pola Roupa e Konstantina Athanasopoulou. Ao mesmo tempo foi capturado o filho de seis anos de Pola Roupa e Nikos Maziotis, metendo-o dentro de uma clínica psiquiátrica. Como resposta às tentativas de separar o filho dos seus revolucionários pais, xs três membrxs da Luta Revolucionária realizaram uma greve de fome e sede, obrigando as autoridades a entregar o pequeno à avó, embora esteja pendente uma decisão final acerca da sua custódia.

No domingo passado, 22 de Janeiro, colocámos na okupa uma faixa onde se pode ler em persa, inglês e grego “Viva a Luta Revolucionária”. Com este pequeno gesto internacionalista enviamos forças aos/às membrxs não arrependidxs da Luta Revolucionária e declaramos que estamos ao lado daquelxs que se armam para atingir as pessoas e estruturas que compõem o Estado/Capital e a dominação.

DE ATENAS ATÉ TEERÃO
MORTE A TODOS OS SERVOS DO ESTADO

Okupa Themistokleous 58

em grego,espanhol

[Grécia] 21 de Janeiro de 2017: Jornada de Acção em solidariedade com a Luta Revolucionária

No cartaz pode ler-se:

“Sou uma revolucionária e nada tenho a desculpar-me.
Terroristas, criminosos, ladrões são aqueles que compõem a vida económica e política; as instituições e os governos que, por intermédio dos memorandos, travam o ataque mais violento e hediondo contra a base social em nome de uma “forma de sair da crise”. Terrorista, criminoso, ladrão é o Estado e o Capital; aqueles contra quem a minha luta com toda a minha alma se tem dirigido, na luta armada, na Luta Revolucionária; aqueles a quem a minha organização tem tido como alvo em todos estes anos da nossa atividade.

(…) Quando o sistema económico e político ataca a maioria social da maneira mais impiedosa possível, a luta armada pela revolução social é um dever e uma obrigação; porque é aí que a esperança reside, em nenhum outro lugar.
A única esperança para uma saída definitiva da crise sistémica que estamos a viver neste período histórico ou uma saída definitiva de cada crise. É a única esperança para derrubar o capitalismo, o sistema que dá origem a crises; a única esperança para derrubar o Estado e o Capital.

É a única esperança para um contra-ataque armado da base social contra um sistema que os esmaga.

É a única esperança para derrubar o Estado e o Capital; para a revolução social.

Por uma sociedade de igualdade económica e liberdade política para todos ”

“Eu sou uma anarquista, membra da organização revolucionária armada Luta Revolucionária. Os únicos terroristas são o Estado e o Capital.”


Manifestação em solidariedade com xs membrxs da Luta Revolucionária

Sábado, 21 de Janeiro de 2017, às 12:00 em Monastiraki (centro de Atenas)

SOLIDARIEDADE COM XS MEMBRXS DA LUTA REVOLUCIONÁRIA

NENHUM STATUS DE EXCEPÇÃO PARA PRESXS POLÍTICXS

LUTA CONTRA O ESTADO E O CAPITAL POR QUALQUER MEIO

– Assembleia de Solidariedade (Atenas)

Texto completo do texto em grego; inglês

Grécia: Lambros-Viktoras Maziotis Roupas confiado a parentes

Faixa pendurada na Okupa anarquista Utopia A.D, em Komotini, norte da Grécia: “Seis anos de idade cativa; O ódio está a crescer; Bófia-juízes-
media corporativa imunda, assassinos “

Hoje, domingo 8 de Janeiro de 2017 – após uma nova ordem do representante do ministério público – a custódia temporária de Lambros-Viktoras Maziotis Roupas foi dada à avó do lado de sua mãe, tendo finalmente terminado, então, o seu cativeiro na unidade psiquiátrica do hospital infantil em Atenas. A criança de seis anos deixou o hospital, escoltado pelos seus parentes em primeiro grau.

Enquanto isso, houve protestos de prisioneirxs em prisões de homens e de mulheres de Koridallos, prisão de mulheres de Elaionas em Tebas e na prisão de Trikala.

Os membros da Luta Revolucionária Nikos Maziotis, Pola Roupa e Kostantina Athanasopoulou interromperam a sua greve de fome e sede.

Um tribunal decidirá sobre a custódia final da criança, dentro de seis meses.

em inglês, italiano

Atenas, Grécia: Três prisioneirxs da Luta Revolucionária em greve de fome e sede – Lambros-Viktoras Maziotis Roupas raptado

Na madrugada de 5 de Janeiro de 2017, duas membras da Luta Revolucionária, a companheira fugitiva Pola Roupa e a anarquista Konstantina Athanasopoulou, foram capturadas num dos subúrbios da zona sul de Atenas. A bófia da seção anti-terrorismo tomou de assalto um esconderijo onde se encontrava Pola e o seu filho de seis anos, enquanto Konstantina era presa noutra casa próxima.

Separado da sua mãe à força, Lambros-Viktoras Maziotis Roupas –  o filhinho dos membros da Luta Revolucionária Nikos Maziotis e Pola Roupa – é mantido em cativeiro num hospital pediátrico e vigiado pela polícia (!), sem direito a ver os parentes mais próximos ou até mesmo o representante legal dos pais.

As autoridades gregas, e em particular a representante do ministério público para menores, Sra Nikolou, continuam a recusar-se a confiar a criança aos parentes em primeiro grau de Pola Roupa.

Em resposta a isso, a 5 de Janeiro, três membros da Luta Revolucionária – o prisioneiro anarquista Nikos Maziotis, a recapturada companheira Pola Roupa e a recém- presa Konstantina Athanasopoulou – deram início a uma greve de fome e sede, exigindo que a criança de seis anos seja imediatamente confiada à tia e à avó (do lado da mãe).

Numa carta aberta, Nikos Maziotis declara, entre outras coisas, que: “O nosso filho é filho de dois revolucionárixs e está orgulhoso dos seus pais. Não sucumbiremos a qualquer chantagem. Defendemos as nossas escolhas com a nossa própria vida“.

A 6 de Janeiro, durante a transferência das duas mulheres ao tribunal Evelpidon, Pola gritou: “Os vermes levaram o meu filho prisioneiro para Paidon (Hospital Infantil de Atenas), vigiado por polícias armados; aos seis anos é um prisioneiro de guerra” e “Viva a Revolução! “. Pola acrescentou ainda: “Sou uma revolucionária e nada tenho a desculpar-me“.

Indica-se a seguir a declaração de Konstantina:

Sou uma anarquista, membro da organização revolucionária armada Luta Revolucionária (Epanastatikos Agonas). Os únicos terroristas são o Estado e o Capital. Recuso-me a comer e beber seja o que for até que o filho dos meus companheiros Pola Roupa e Nikos Maziotis seja entregue aos parentes deles.
Konstantina Athanasopoulou
“.

Lá dentro, prisioneirxs anarquistas e outrxs reclusxs de diferentes alas das prisões de Koridallos, para mulheres e para homens, montaram um protesto conjunto – recusando-se a entrarem nas celas – reivindicando o fim imediato do cativeiro de Lambros-Viktoras, em solidariedade com xs prisioneirxs da Luta Revolucionária atualmente em greve de fome e de sede.

Cá fora, companheirxs de várias cidades ao longo de toda a Grécia realizaram diversas ações em apoio imediato aos/às revolucionárixs anarquistas, exigindo que seja concedida aos parentes em primeiro grau da Pola Roupa a visita imediata e a custódia do seu filho menor de idade.

Força a Konstantina Athanasopoulou, Pola Roupa e Nikos Maziotis, membroxs orgulhosxs da Luta Revolucionária.

A Luta Revolucionária não irá depôr as armas nem se renderá aos inimigos da liberdade.

 em inglês, alemão, italiano

Prisões de Korydallos: Nikos Maziotis, membro da Luta Revolucionária, na tentativa de escape e sentença de prisão perpétua

prison-breakTexto do anarquista Nikos Maziotis acerca da operação de escape das prisões de korydallos e da sentença de prisão perpétua proferida no âmbito do 2º julgamento da Luta Revolucionária

A tentativa de escape da prisão de Korydallos de helicóptero, a 21 de Fevereiro de 2016 – uma operação levada a cabo pela companheira Pola Roupa, membro da Luta Revolucionária – foi um ato revolucionário, uma ação de guerrilha para a libertação de prisioneirxs políticxs. Era um meio de continuar a actividade da Luta Revolucionária, uma resposta a operações repressivas do Estado contra a nossa organização e outrxs presxs políticxs, companheirxs que estão na prisão por atividade armada, além do mais. Foi, por conseguinte, um ato de solidariedade exemplar, de grande e única importância. A operação de escape da prisão foi um passo no sentido de continuar a atividade revolucionária armada; promovendo a luta pelo derrube do Estado e Capital; deitando abaixo a política do estabelecimento de programas de resgate impostos pela troika dos mandantes supranacionais do país, a CE, BCE e FMI, ao qual o ESM foi adicionado – através da promulgação e implementação do terceiro programa do memorando pelo governo liderado pelo SYRIZA. A luta armada nas circunstâncias actuais é mais oportuna e necessária do que nunca. O fracasso desta operação não nos irá dobrar. Lutaremos enquanto vivermos e respirarmos.

A Luta Revolucionária provou que tem permanecido de pé ao longo dos anos, não obstante os sucessivos golpes repressivos e sacrifícios; o sangue do companheiro Lambros Foundas, que foi morto em 10 de Março de 2010, num tiroteio com a polícia no distrito de Dafni, Atenas, durante uma acção preparatória da organização; as nossas prisões um mês depois, a 10 de Abril de 2010, na véspera da assinatura do primeiro memorando da Grécia; a minha prisão em 16 de Julho de 2014, em Monastiraki, Atenas, onde fui ferido na sequência de uma perseguição e tiroteio com a polícia. A Luta Revolucionária permaneceu de pé porque assumimos a responsabilidade política pela nossa participação na organização – na Grécia, fomos a primeira organização revolucionária e anarquista armada a fazê-lo – e porque defendemos a nossa história, as ações da organização e o nosso companheiro Lambros Foundas, que deu a sua vida para que o memorando não passasse; para transformar a crise numa oportunidade para a revolução social. Permanecemos de pé, como uma organização, porque não nos importava pagar o custo e o preço, porque não nos transformarmos em traidorxs ou desertorxs, porque nenhum/a de nós tentou salvar a própria pele no momento da repressão. É precisamente porque reivindicamos a responsabilidade política que ficamos vivos como organização, na prisão em 2010-11. Demos uma batalha política contra o inimigo no 1º tribunal especial. Uma vez libertadxs da prisão, após 18 meses em prisão preventiva, optamos por não nos render à prisão iminente e, em vez disso, passamos à  clandestinidade no intuito de continuar a luta armada e a atividade da organização.

O ataque da Luta Revolucionária – Comando Lambros Foundas, em 10 de Abril de 2014 contra o Banco da Grécia – uma sucursal do BCE, uma das organizações mais popularmente odiadas que compõem o quarteto de mandantes supranacionais – também o foi contra um edifício que abrigava o escritório do representante permanente do FMI na Grécia, anulou a operação repressiva de 2010 e continuou a estratégia da organização, lançada em 2009, com os ataques à sede do Citibank e a uma das suas filiais, uma filial do Eurobank e à Bolsa de Atenas. Durante anos a Luta Revolucionária viu-se confrontada com a ponta de lança da repressão do estado – uma vez que lidar com a organização e a atividade revolucionária geralmente armada é uma prioridade importante para a sobrevivência do sistema – visando eliminar o inimigo interno para a suave execução e implementação da lista de programas de resgate, que constituem as políticas de genocídio social e limpeza de partes da população.

Em 2007, o Departamento de Estado dos EUA e o Estado grego colocaram recompensas de 1 milhão de dólares e 800 mil euros, respectivamente, após o ataque da organização com um anti-tanque RPG à Embaixada dos EUA em Atenas. Em 2010, o governo Papandreou celebrou as nossas detenções e um funcionário do governo afirmou que tinham impedido um golpe que acabaria com a economia, na véspera da assinatura do primeiro memorando e no meio do medo de colapso da economia grega. Em 2014, depois de termos passado à clandestinidade e de termos sido condenadxs a 50 anos de prisão pelo 1º tribunal especial, o governo Samaras colocou uma recompensa de 2 milhões de euros pelas nossas cabeças – um milhão pela companheira Roupa e outro milhão por mim. A minha prisão, três meses após o ataque da Luta Revolucionária contra o Banco da Grécia, foi comemorada pelas autoridades gregas. Os funcionários dos EUA felicitaram-nos pela minha recaptura e fizeram declarações sobre a estabilidade política. Medidas especiais foram implementadas depois da minha prisão e, em Dezembro de 2014, fui transferido para a recém-inaugurada prisão de segurança máxima tipo C, sendo esta a primeira transferência de um prisioneiro político, já pré-anunciada desde a minha recaptura. Em Abril de 2015 estava incluído na lista de “terroristas internacionais”, designados pelo Departamento de Estado dos EUA, embora estivesse na prisão. As autoridades desencadearam uma caça ao homem para prender a companheira Roupa. Tudo isto demonstra que combater a Luta Revolucionária tem um grande significado para o sistema. Ou seja, a repressão contra a Luta Revolucionária e a aplicação de memorandos, juntamente com a estabilidade política do sistema, vão de mãos dadas.

O último elo na cadeia da repressão do sistema é a decisão do 2º processo contra a organização Luta Revolucionária, poucos dias após a tentativa de escape da prisão. Fui condenado a prisão perpétua pelo ataque à bomba contra o Banco da Grécia, mais 129 anos por duas expropriações de agências bancárias e por ter disparado sobre os polícias que me perseguiram em Monastiraki. A imposição da mais severa sentença que lhes foi possível, em relação ao ataque da organização contra os chefes do país, é uma decisão política consciente e não apenas um exagero processual. Como já foi dito, esta decisão não visa aterrorizarem-me a mim – porque sabem que não me arrependi e permanecerei sem arrependimento – mas sim aquelxs que queiram optar pela luta armada, companheirxs anarquistas / meio anti-autoritário e outrxs lutadorxs no seio da sociedade. Esta decisão política – aplicada pela primeira vez na Grécia no que diz respeito a um ataque com explosivos que ocorreu após um aviso telefónico, com danos materiais e sem feridos – destina-se a várixs destinatárixs e envia uma mensagem de intimidação, a de que xs lutadorxs que optem pela atividade revolucionária armada serão tratadxs com a máxima severidade.

Esta decisão demonstra o endurecimento cada vez maior do sistema contra o seu inimigo número um – a Luta Revolucionária, combatentes armadxs. Não é difícil entender por que é que é cada vez mais duro, mais duro até que os anteriores – num momento em que o governo liderado pelo SYRIZA tem já votado o terceiro memorando. A disparidade do tratamento penal nos 1º e 2º julgamentos pode dar origem a interpretações erradas; Por isso, gostaria de salientar o seguinte: Desde a promulgação de leis anti-terrorismo em 2001 e 2004 que esta legislação especial constitui uma opção política do Poder, a fim de lidar da forma mais efectiva possível, com a guerrilha urbana na Grécia, como se esta fosse a maior ameaça para o sistema; A disposição na legislação anti-terrorismo permite prisão perpétua – não por homicídio mas por explosão, como resultado de que havia perigo para os seres humanos ou de que uma lesão ocorresse. Eu fui condenado a prisão perpétua ao abrigo desta disposição. As decisões de tribunais especiais em julgamentos contra combatentes armados são decisões eminentemente políticas; os elementos no dossier de acusação são frequentemente de importância secundária. Por exemplo – como ficou demonstrado durante as audiências judiciais do 2º julgamento contra Luta Revolucionária em relação ao ataque da organização contra o Banco da Grécia – embora tivesse havido um telefonema de aviso antes da explosão, dando 50 minutos, os agentes de segurança permaneceram no interior do edifício sobre as instruções do supervisor de segurança do banco da Grécia. O próprio supervisor de segurança admitiu que há um regulamento padrão que obriga o pessoal de segurança a ficar no interior do edifício, apesar da ameaça de explosão. O mesmo aconteceu na sede do banco Piraeus, localizado em frente ao Banco da Grécia, onde os oficiais de segurança permanecem no interior do edifício, sob as instruções do cabecilha de segurança do banco. Como demonstrado no 1º julgamento contra a organização, o mesmo também tinha ocorrido em 2 de Setembro de 2009 no ataque da Luta Revolucionária ao edifício da Bolsa de Atenas, onde o pessoal de segurança permaneceu lá dentro, conforme ordenado pelo chefe de segurança.

Ficou assim demonstrado que aqueles que são responsáveis ​​por causar perigo aos seres humanos são os executivos do poder económico e os mecanismos e estruturas centrais do sistema, tais como bancos e bolsas de valores – os que consideram que as pessoas e populações inteiras possam ser desgastáveis; até mesmo os agentes de segurança das suas instalações. Porque, para eles, os seus lucros estão acima de tudo; os seus lucros, banhados no sangue e miséria, substituem a própria vida humana. Estes são os mecanismos que o povo grego considera responsáveis pela política implementada ao longo dos últimos seis anos, o que resultou em milhares de mortes e milhões de pobres, destituídos e pessoas com fome. Estes são os mecanismos cujos executivos (banqueiros, os principais acionistas, grandes empresários) ao lado de seus subordinados (políticos de governos gregos) o povo grego considera responsáveis pela desvalorização da vida de milhões de pessoas, pelos suicídios e pauperização; não os combatentes da Luta Revolucionária. Os ataques da Luta Revolucionária contra tais mecanismos e estruturas são, em grande medida, popular e socialmente aceites.

Tenho sido coerente no confronto com o inimigo nos tribunais especiais, tanto no 1º como no 2º julgamentos contra a organização. Isto implica assumir a responsabilidade política, a defesa política da atividade da Luta Revolucionária, da luta armada e da Revolução para o derrube do Estado e Capital, sem importar nem o custo nem o preço. Este é o dever de cada lutador, de todo o anarquista, de todo o revolucionário que se depara com juízes e órgãos do inimigo. A sentença a 50 anos de prisão, no 1º julgamento, foi baseada na assunção de responsabilidade política. É por isso que fomos condenadxs como cúmplices em 16 ações da organização, pelo teorema de responsabilidade coletiva, ao invés de sermos condenadxs como perpetradorxs reais. A resposta do Estado ao fato de eu manter a coerência na minha trajetória como lutador e continuar a defender a Luta Revolucionária, e, por extensão, a luta armada e a perspectiva de Revolução e derrube do sistema, foi o resultado do 2º julgamento, onde fui condenado a prisão perpétua por uma ação, o ataque à bomba contra o Banco da Grécia. Toda a minha trajetória após as prisões iniciais em 2010, o fato da Luta Revolucionária permanecer viva durante a detenção pré-julgamento em 2010-11, o fato da companheira Roupa e eu tivessemos defendido a atividade da organização na 1ª tribunal especial, a nossa escolha de não nos entregarmos à prisão, de ir para a clandestinidade e continuar a luta armada e a atividade da organização, com o ataque contra o Banco da Grécia, toda essa trajetória e todas estas escolhas são baseadas na assunção da responsabilidade política para a nossa participação na Luta Revolucionária, após ter sido capturado em 2010. Isto é o que o Estado tentou atingir através da decisão do 2º julgamento contra a organização.

A minha sentença de prisão perpétua foi uma mensagem aos/às lutadorxs que assumem a responsabilidade política e não repudiam a sua actividade e participação na sua organização.

As coisas estão a tornar-se cada vez mais claras para os combatentes que querem resistir e para xs presxs políticxs. O dilema “rejeição ou prisão perpétua” (nos velhos tempos era execução por fuzilamento) entra em vigor; um dilema colocado pelo Poder, um dilema que nos velhos tempos era “rejeição ou morte”.

Ao longo dos anos, para se suprimir qualquer perspectiva revolucionária, o Estado não se limitou apenas à predominância militar sobre os seus rivais – tenta a sua derrota política, forçando-os ao repúdio político. No caso da guerrilha urbana na europa ocidental, nos anos 70 e 80, especialmente em Itália, o alvo de repúdio político não era as suas convicções ou identidade política, antes a luta armada como sendo um dos meios de luta e de organizações da guerrilha urbana. Na Grécia, o dilema colocado pelo Poder uma vez foi este: ou repúdio ao comunismo, ou prisão e, noutras circunstâncias, a execução por fuzilamento. Hoje em dia, mais indirectamente, o dilema é este: ou a escolha de luta revolucionária armada com custos e consequências pesadas, ou a renúncia à luta revolucionária armada como sendo um dos meios de luta. Ou a assunção da responsabilidade política pela participação de alguém numa organização armada e na defesa da sua actividade, ou a aceitação da perseguição do Estado, do repúdio a uma organização armada e a pertença de alguém a ela e , por extensão, da luta armada, em face do medo de ir para a prisão.

Noutros períodos, mais difíceis, como a ocupação e a guerra civil, o preço a pagar para a luta era o pelotão de fuzilamento; e não apenas para a luta armada. Muitxs lutadorxs confrontadxs com o “repúdio ou morte” preferiram o pelotão de fuzilamento; claro que não queriam se tornar mártires, mas porque acreditavam que o repúdio é uma vergonha e desgraça; como tal, consideravam-no pior do que a morte. Havia militantes armadxs e guerrilhas do ELAS (Exército de Libertação do Povo Grego) e DSE (Exército Democrático da Grécia), mas também lutadorxs que não travam a luta armada, que permaneceram impenitentes e foram enviadxs aos milhares para o pelotão de fuzilamento durante a Ocupação e a guerra civil; foram executadxs em Goudi, no  campo de tiro Kessariani, nos campos de Chaidari e Pavlou Mela, em Makronissos e Corfu, em Yedi Kule. Da mesma forma, na Espanha, após a vitória de Franco, milhares de anarquistas armadxs que lutaram pela revolução em 1936-1939, e travaram a guerra de guerrilha até 1975, foram enviadxs para pelotões de fuzilamento em Campo de la Bota, Montjuïc, Carabanchel, ou estrangulados pelo método do garrote – usado como meio de execução para hereges durante a Inquisição.

A luta pela derrube do Estado e Capital é uma atividade que exige convicções inabaláveis, responsabilidade, coerência, comprometimento, envolvimento político, vontade de ferro e conhecimento político e teórico de princípios e experiências da tradição revolucionária histórica. Como podemos sequer falar de luta, da libertação social, revolução, anarquia, pedir aos outros para participar numa luta subversiva com todos os custos e as consequências que isso implica, se nós mesmxs não formos capazes de assumir a responsabilidade pelas nossas escolhas políticas?

Pela primeira vez em décadas – desde a era do Estado do pós-guerra, quando as guerrilhas do ELAS que foram excluídxs pelo Tratado de Varkiza de 1945, que não reconhecia a sua actividade como sendo política, bem como os do DSE que permaneceram na prisão durante pelo menos 15 anos – há uma perspectiva de que xs presxs políticxs condenados a 25 anos ou prisão perpétua para a ação revolucionária armada permanecerão muitos anos nas prisões do Estado marioneta grego contemporâneo da elite económica supranacional. Estamos a passar por um período em que o poder está, mesmo que indirectamente, a tentar arranjar dilemas para apresentar as suas credenciais, mais uma vez como no passado, para nos quebrar com o espectro do encarceramento a longo prazo.

A luta pela Revolução Social, para derrubar o Estado e o Capital, deve continuar apesar das dificuldades, os custos e consequências. Nunca entregaremos as armas da nossa luta.

SEM PAZ, SEM TRÉGUA COM O ESTADO E O CAPITAL

LUTA ARMADA PELA REVOLUÇÃO SOCIAL

HONRA PARA SEMPRE AO COMPANHEIRO LAMBROS FOUNDAS, MEMBRO DA LUTA REVOLUCIONÁRIA

Nikos Maziotis, membro da Luta Revolucionária

em inglês l turco via isyandan.org

[Grécia] Carta aberta de Pola Roupa sobre a sua tentativa de fazer evadir Nikos Maziotis da prisão de Koridallos

chile

A seguir apresenta-se a tradução da primeira parte da longa carta da companheira; publicada originalmente em grego em Atenas IMC (8 de Março de 2016).

Noutras circunstâncias este texto seria escrito em nome da Luta Revolucionária. Todavia, o resultado da tentativa de libertar o companheiro Nikos Maziotis da prisão de Korydallos obriga-me a falar em nome pessoal.

A 21 de Fevereiro [de 2016], num helicóptero, tentei libertar o membro da Luta Revolucionária Nikos Maziotis. A operação foi planeada de forma a que outros presos políticos pudessem se juntar a nós, aqueles que desejassem abrir o seu caminho para a liberdade. Os detalhes do plano – assim como o modo como consegui contornar as medidas de segurança,  abordando armada o helicóptero – não têm nenhum significado especial e a eles não me irei referir; apesar de ter havido muita desinformação relacionada com esses detalhes.

Por uma questão de clareza mencionarei, apenas, que o plano não se baseou em qualquer das fugas anteriores da prisão em helicóptero nem tampouco está associado a quaisquer planos que ainda não tenham sido postos em prática, além de eu não ter qualquer relação com a outra pessoa fugitiva – apesar dos meios de comunicação dizerem o contrário. Além disso, esta tentativa não foi precedida por qualquer plano de fuga que “tenha abortado”, como relatado por alguns meios de comunicação.

Passado um quarto do tempo da viagem – após a descolagem de Thermisia em Argolida – peguei na minha arma e pedi ao piloto para mudar de rumo.  Não entendeu quem eu era, mas ainda assim percebeu que se tratava de uma tentativa de evasão da prisão. Entrou em pânico. Atacou-me, puxando de uma arma – um fato por ele “omitido”. Porque provavelmente vão tentar refutar o facto dele se  encontrar armado, recordo que existem relatórios disponíveis publicamente onde se indica que durante a revista ao helicóptero foram encontradas duas armas. Uma delas era minha, a outra não era. A outra era a sua própria arma, a que lhe caiu das mãos durante a luta em voo. E, quanto a mim, é claro que tinha uma segunda arma. Iria eu, para tal operação, armada apenas com uma?

Perdeu o controle do helicóptero e entrou em pânico gritando “vamos acabar por nos matar”. A descrição que foi apresentada – a de um helicóptero substancialmente incontrolável –  é verdadeira. Mas essas imagens não foram fruto das minhas ações mas sim das suas. O helicóptero foi perdendo altitude e rodopiava no ar. Voamos a poucos metros sobre fios elétricos. Gritei-lhe que puxasse para cima o helicóptero, que fizesse o que lhe pedisse, de forma a que ninguém fosse ferido.

Num instante estávamos em terra.  Em relação aqueles que falam de uma reação desapaixonada do piloto, aparentemente e a julgar pelo resultado, não sei do que possam estar a falar.

Em vez de fazer o que lhe disse para fazer, preferiu correr o risco de sofrermos uma colisão, o que só não aconteceu por acaso. Escusado será dizer que ao entrar no helicóptero – para tentar obter o controle do mesmo e o pôr no rumo das prisões – tinha já tomado a minha decisão. Se ele se recusasse a fazer o que eu dissesse, teria naturalmente de reagir. Aqueles que afirmam que fui a responsável pela descida descontrolada do helicóptero, a 5.000 pés do chão, o que esperavam? Que tivesse dito “se não quiser vir para as prisões, não importa”? Disparei a minha arma e estivemos envolvidos, ambos armados, numa luta corpo a corpo durante o voo.

Preferiu arriscar a chocarmos na montanha, em vez de obedecer. Quando finalmente pousou no chão com velocidade, mesmo sabendo que a operação estava perdida, tive todas as oportunidades de o executar. Conscientemente, decidi não o fazer. Sabendo embora que estava a pôr em perigo a vida ou a liberdade, não o executei – apesar da chance de o fazer. Ele próprio sabe muito bem disso. O único fator que me deteve foi a consciência política. E tomei esta decisão arriscando a minha própria vida e a possibilidade de fugir.

Olhando a operação de fuga da prisão no seu todo, é óbvio que foram tomadas todas as possíveis medidas de segurança para a salvaguardar dos guardas armados que estivessem a patrulhar o perímetro da prisão – levava ainda um colete à prova de balas para o piloto. O objectivo era assegurar que o choque na prisão fosse o de menor risco possível para o helicóptero, companheiros e, é claro, o piloto. Agi com o mesmo pensamento quando desembarcados no terreno; apesar do facto da operação ter falhado por causa do piloto; apesar do fato dele ter estado armado. E, essencialmente, colocar a sua vida acima da minha própria vida e segurança. Mas estou a reconsiderar essa escolha específica.

Organizar para fazer evadir Nikos Maziotis foi uma decisão política, tanto quanto o foi  libertar outros prisioneiros políticos. Não foi uma escolha pessoal. Se quisesse libertar apenas o companheiro Nikos Maziotis não teria fretado um grande helicóptero – um fato que tornou a organização da operação mais complexa. O objetivo da operação era a libertação de outros prisioneiros políticos, também; aqueles que, juntamente connosco, realmente queriam abrir o seu caminho para a liberdade.

Esta ação, portanto, apesar das dimensões pessoais que lhe são conhecidas, não foi uma escolha pessoal, mas uma decisão política. Foi um etapa do caminho da Revolução. O mesmo vale para cada ação que já levei a cabo e para cada ação que farei no futuro. Estes são elos de uma cadeia de planeamento revolucionário destinada a criar condições políticas e sociais mais favoráveis, ampliar e fortalecer a luta revolucionária. A seguir, referir-me-ei à base política desta escolha; mas primeiro tenho que falar sobre fatos e da forma como tenho operado, até agora,em relação a alguns desses fatos.

Como já foi mencionado anteriormente, cada ação que realizo diz respeito a um ato relacionado com a planificação política. No mesmo contexto, expropriei uma filial do banco Piraeus, nas instalações do Hospital Sotiria, em Atenas, em Junho passado [2015]. Com este dinheiro, além da minha sobrevivência na “clandestinidade”, assegurei a organização da minha ação e o financiamento da operação para a libertação de Nikos Maziotis, e de outros presos políticos, das prisões de mulheres de Korydallos. A razão pela qual me refiro a esta expropriação (e não me poderia importar menos com as consequências penais desta admissão) é porque, neste momento, considero que é absolutamente necessário divulgar como operei tendo em conta a segurança dos civis – aqueles que, em determinadas circunstâncias, aconteceu estarem presentes nas ações revolucionárias em que estive envolvida – assim como a minha perspectiva sobre este assunto, sempre mutatis mutandis, na ocasião da tentativa de fuga da prisão.

No caso da expropriação da filial do banco Piraeus, o que mencionei aos funcionários do banco era que não deviam pressionar o botão de alarme, porque isso colocaria em risco a sua própria segurança, já que não estava disposta a deixar o banco sem o dinheiro.  Eu não os ameacei, nem estiveram em perigo por minha causa. Só estariam em perigo por causa da polícia, se os polícias chegassem ao local e, posteriormente, tivesse com eles um confronto armado. E a polícia só chegaria se quaisquer funcionários pressionassem o alarme do banco. Esse era um dos desenvolvimentos que eles mesmos queriam evitar. Porque as pessoas que possam estar presentes em cada ação destas não têm medo daqueles que tentam expropriar, antes sim da polícia intervir. Além disso, é muito estúpido qualquer um tentar defender dinheiro pertencente aos banqueiros. E para que conste, quando um funcionário do sexo feminino me disse “nós mesmos também somos pessoas pobres” sugeri-lhe que passasse por cima de um ponto “cego”, onde as câmaras não nos podem ver, para lhe dar 5.000 euros, o que ela não aceitou, aparentemente por medo. Se ela tivesse aceite o dinheiro, podia ter a certeza de que eu não iria falar publicamente do assunto. E um detalhe: o que estava a segurar era um avental de médico para esconder a minha arma enquanto esperava fora do banco; não foi uma toalha (!), conforme mencionado várias vezes.

Em cada período de tempo, na luta pela Revolução – como também no caso de todas as guerras – às vezes xs revolucionárixs são obrigadxs a procurar a ajuda de civis, na sua luta. Os exemplos históricos são muitos – uma tentativa de documentá-los iria encher um livro inteiro e este não é o momento para expandir sobre o assunto – tanto na Grécia como em movimentos armados e organizações noutros países. Nesses casos, no entanto, o que essencialmente lhes pedimos é para tomarem partido numa guerra. Uma vez que alguém se recusa a ajudar, a sua posição não é apenas sobre a prática em particular, mas uma postura hostil, em geral, contra a luta. Põem em perigo ou anulam compromissos, colocam as vidas dxs combatentes em risco, jogam obstáculos no caminho de um processo revolucionário. Tomam uma posição contra a guerra social e de classe.

Nem na filial do banco Piraeus ou durante a tentativa de fuga de helicóptero tornei a minha identidade conhecida. Portanto, nenhum dos envolvidos nestes casos sabia que aquelas eram ações políticas. Mas, depois da tentativa de fuga ter falhado, e dado que – como já mencionei – tive a oportunidade de matar o piloto mas não o fiz, arriscando a minha própria vida, tenho que tornar o seguinte público: a partir de agora – sempre que precisar da assistência de civis novamente e se o considerar necessário – vou tornar a minha identidade conhecida desde o início. Dado que a minha missão, em qualquer caso, diz respeito à promoção da luta pela derrocada do sistema criminal, que todos saibam que qualquer eventual recusa de cooperação ou esforço para obstruir a ação serão tratados em conformidade.

Estou, naturalmente, ciente dos detalhes pessoais do piloto, mas não vou ameaçar a sua família. Nunca iria ameaçar as famílias e crianças.

Este é o meu balanço após a tentativa de fuga e que devia ser tornado público.

A OPERAÇÃO DE ESCAPE DA PRISÃO FOI UMA ESCOLHA REVOLUCIONÁRIA

[…]

O ESCAPE DA PRISÃO FOI TENTADO PELA REVOLUÇÃO SOCIAL

LUTEI TODA A VIDA PELA REVOLUÇÃO SOCIAL

VOU CONTINUAR A LUTAR PELA REVOLUÇÃO SOCIAL

Pola Roupa
membro da Luta Revolucionária

em inglês | alemão | francês | italiano via Croce Negra Anarchica

Atenas: Sentenças de prisão no segundo julgamento contra a Luta Revolucionária

solidarity-with-revolutionary-struggleA 3 de Março de 2016, no tribunal da prisão de Koridallos, no segundo julgamento contra a Luta Revolucionária, todos os co-acusados foram sentenciados no respeitante ao ataque contra a Supervisão Directiva do Banco da Grécia no centro de Atenas a 10 de Abril de 2014; ao carro bomba contendo 75 kg de explosivos ; ao tiroteio em Monastiraki a 16 de Julho 2014 (quando o companheiro Nikos Maziotis foi ferido e recapturado pela polícia) e ainda por expropriações de sucursais bancárias.

O membro da Luta Revolucionária Nikos Maziotis foi condenado a prisão perpétua acrescida de 129 anos e a multa de 20,000 euros.

A membro da Luta Revolucionária (fugitiva) Pola Roupa foi condenada a 11 anos de prisão por acusação de contravenções (se for detida, ela irá a tribunal por acusações de delitos graves, também).

Antonis Stamboulos foi condenado a 13 anos de prisão.

Giorgos Petrakakos foi condenado a 36 anos de prisão e ainda a uma multa de 9000 euros.

em inglês l italiano

Prisões gregas: Sobre a solidariedade – Nikos Maziotis (Novembro de 2014)

Solidariedade é a nossa arma
A solidariedade é a nossa arma

O seguinte texto do companheiro Nikos Maziotis, membro da Luta Revolucionária, com data de publicação de 6 de Novembro de 2014, dirigia-se então à Assembleia Aberta de Anarquistas/Anti-autoritárixs Contra as Condições de Detenção Especiais, propondo a sua transformação numa Assembleia de Solidariedade Para Todxs xs Presxs Políticxs e Lutadorxs Encarceradxs. Simultaneamente, tratava-se de uma convocatória aberta a todxs xs compas do entorno anarquista/anti-autoritário para apoiar e participar nesta iniciativa. O texto foi enviado a todxs xs presxs políticxs e lutadorxs encarceradxs.

Companheirxs, o texto que vos é dirigido diz respeito às prisões tipo C, para além de ser uma proposta para a transformação desta assembleia no que diz respeito à questão da solidariedade.

Companheirxs, a legislação das prisões de tipo C é um desenvolvimento previsível do ataque repressivo do Estado contra as Organizações Revolucionárias Armadas, contra a ação armada. É a continuação das alterações legislativas e das reformas que começaram há 14 anos e que estão directamente vinculadas às condições políticas e económicas impostas desde há anos a nível internacional – a “guerra contra o terrorismo” e as reformas neoliberais destinadas a impor a ditadura dos mercados, a ditadura do capital supranacional.

Como Luta Revolucionária, creio que desde 2003 temos analisado de maneira correcta as condições políticas e económicas do princípio da década passada – quando começamos a nossa acção – condições relativas à globalização do sistema capitalista. Tanto a “guerra contra o terrorismo”, lançada em 2001 após os ataques contra os Estados Unidos, como as reformas neoliberais que se levaram a cabo com o objectivo da ditadura do capital multinacional, não revelam mais do que o carácter político-militar e económico da globalização. Assim, o sistema procede a medidas de repressão cada vez mais duras – com o objectivo de impor a ditadura dos mercados – e tende cada vez mais para o totalitarismo.

Durante esse mesmo período, na Grécia, realiza-se a abertura da economia grega ao capital supranacional, após o denominado escândalo da Bolsa de 1999, através da integração do país na União Económica e Monetária (UEM) e na zona Euro em 2002. Portanto, não por acaso que no mesmo período, inclusive com um atraso em relação à Europa ocidental e aos EUA, o Estado grego procedesse à legislação da primeira lei antiterrorista, em 2001, lei elaborada pelo então ministro da justiça Stathopoulos. Esta lei foi votada após pressão dos EUA e Reino Unido, assinalando membros das organizações armadas revolucionárias e mais especificamente a 17 Novembro (17N), que era a única organização guerrilheira activa nesse momento. Esta lei foi denominada “lei contra o crime organizado”, e apareceu com o propósito evidente de servir a táctica do Estado de desmontar as características políticas das Organizações Revolucionárias armadas, despolitizá-las e retirar-lhes a ideologia, na sua acção, apresentando xs membrxs como criminosxs comuns do código penal. Com base nesta lei foram julgadxs xs acusadxs  pelos casos da 17 Novembro e Luta Popular Revolucionária (ELA na sigla em grego) em 2003 e 2004, respectivamente.

No entanto, apesar do facto desta lei apontar para membros das Organizações Revolucionárias armadas, o Estado utiliza-a, agora, num endurecimento mais amplo da repressão penal, no que concerne aos delinquentes comuns, a quem condenam com a agravante de “participação em organização criminosa”, pondo quase em desuso o artigo de delito menor de “formação e participação em bando”. E isto teve como resultado o aumento das penas em geral. Mas não confundamos causa e efeito. A lei de Stathopoulos, a primeira lei antiterrorista, foi feita principalmente para xs membros das Organizações Revolucionárias armadas, só que o resultado foi a generalização da sua aplicação aos casos de delinquência organizada.

Três anos depois, em 2004, a lei do ministro Papaligouras – durante o governo de Karamanlis e da Nova Democracia – a segunda lei antiterrorista, surge para aclarar as coisas, visto que fala da “formação de organização terrorista” e de “actos terroristas”, que “de certa maneira e sob certas circunstâncias, é possível que causem danos ou destruam as estruturas políticas e económicas fundamentais constitucionais do país”. Apesar do sistema não reconhecer inimigxs políticxs, a lei de Papaligouras reconhece a existência e a actividade de organizações armadas que ameaçam as estruturas constitucionais, políticas e económicas fundamentais, atribuindo assim, na realidade, características políticas à sua ação. Na mesma lei existe também a agravante de “direção de organização terrorista”, procurando por um lado aumentar a pena para xs acusadxs e condenadxs como directorxs ou líderes de “organizações terroristas” e por outro lado no intuito de confirmar que não há outra forma de organização social aparte da organização hierárquica da sociedade actual, onde dominam o Capital e o Estado.  Foi com base na lei de Papaligouras – também votada sob a pressão dos Estados Unidos em vésperas dos Jogos Olímpicos de 2004 – que foram realizados todos os julgamentos das Organizações Revolucionárias armadas, tanto da Luta Revolucionária, como da Conspiração de Células de Fogo.

Assim, a legislação para as prisões tipo C, é a continuação lógica e a consequência das duas leis anti-terroristas de 2001 e 2004, além da lei de 2003 que estabelece a cooperação internacional a nível policial e judicial – entre a Grécia, a União Europeia e os EUA – no âmbito do combate à acção armada revolucionária. Esta lei vem preencher um vazio na política repressiva grega e alinhá-la com a da União Europeia e a dos EUA, visto que na Europa e nos EUA, juntamente com as leis antiterroristas existentes a partir dos anos 70 e 80 – quando muitos países se confrontaram com problemas graves devido à acção de Organizações Revolucionarias armadas – existem também as prisões com regimes de detenção especiais para xs membros destas organizações.

O mesmo sucedeu na Turquia, nos princípios da década de 2000, quando se construíram las prisões de tipo F, sobretudo para os membros das Organizações Revolucionárias de esquerda que realizam a luta armada – e todos se recordarão da luta dxs membros presxs dessas organizações, que realizavam greves de fome até à morte, ou se auto-imolavam para evitarem ser transferidxs às prisões tipo F.

O entorno anarquista/anti-autoritário deve fazer o óbvio e ver as coisas objectivamente. As prisões tipo C são principalmente para os acusados por luta armada, independentemente de terem assumido a responsabilidade política da sua participação nas organizações às quais pertencem, ou se recusam as acusações. E isto não se anula pelo facto de nessas prisões encarcerem também outros presos de delito comum de longas penas, que foram condenados com a lei de “organização criminosa”. O que se escreveu num texto da Assembleia pelas prisões de tipo C acerca da “construção de culpáveis” não é nada certeiro. Que não se busquem caças de bruxas onde não as há. Os julgamentos que se levam a cabo contra compas por participarem em “organização terrorista”, por “actos terroristas” que poderiam lesar as estruturas constitucionais, políticas e económicas fundamentais do país, são julgamentos que pretendem a condenação de Organizações Revolucionárias armadas específicas, e isto independentemente de nestes julgamentos também estarem compas que recusem as condenações. Ser anarquista não é um idiónimo, pelo menos por agora.[idiónimo: referência à lei de 1929, onde ser comunista se considerava um delito per se, e que foi utilizada para mandar milhares de pessoas para o exílio, em ilhas gregas desertas]

Mas tanto a legislação antiterrorista como as prisões, nas quais tentam isolar-nos, dão um sinal claro por parte do Estado ao entorno anarquista/anti-autoritário e à  sociedade. Quem escolhe a luta armada como forma de acção terá um tratamento penal predatório se o detêm ou o encarceram sob um regime especial,  nas condições de crise económica mundial que se desenvolveram desde 2008, onde o regime, além do sistema económico e político, perdeu o consenso social de que desfrutava antes da crise, e porque nestas condições a luta armada é um factor desestabilizador e debilitante para o sistema. E isto é algo que os executivos do regime referiam em relação à Luta Revolucionária tanto em 2010 – quando fomos detidxs pela primeira vez – como na recente detenção do anarquista Antonis Stamboulos, acusado de participação na Luta Revolucionária, onde o ministro da ordem pública, Vassilis Kikilias, ligou directamente a ação – ou a ameaça de ataques da organização – à desestabilização do sistema num período especialmente delicado para ele.

A legislação das prisões de tipo C, como consequência e continuação do ataque repressivo do Estado aos lutadores, que optem pela luta armada, tem como objectivo dobrar, através do isolamento, os membros das Organizações Revolucionárias armadas e os acusados de participar nestas organizações, degradá-los como sujeitos políticos e incluso fazê-los renunciar à luta armada.

Ainda que na Grécia – através das recentes reformas sobre as prisões de tipo C – existam mudanças no código penal e o procedimento criminal a respeito da luta armada não existem artigos como em Itália, onde se pede a renúncia à luta armada, juntamente com a facilitação de informações, para que seja menos dura a situação para o preso, aqui isto é um objectivo perseguido de uma maneira mais indirecta. A permanência nas prisões de tipo C – para além do mínimo de 4 anos que a lei determina – será para os não arrependidos, visto que o juiz competente determinará se se ampliará este período ou não face à gravidade das ações, mas também com base no carácter e na personalidade do preso. Torna-se óbvio, então, que quem permaneça não arrependido e firme, durante as eleições – eleições de luta pelxs que assim se encontrem – será considerado perigoso para a ordem e a segurança pública e a sua permanência nas prisões tipo C será prolongada por tempo indefinido, até ao final da sua condenação.

A ação contra as prisões de tipo C só pode ser parte de solidariedade com todos os presos políticos e os combatentes presos nas prisões gregas a ser transferidos para prisões tipo C. E isto independentemente da diversidade de casos, ou se o presos políticos assumiram a responsabilidade pela sua participação nas organizações a que pertencem ou pertenceram, ou são acusados de envolvimento em organizações guerrilheiras e rejeitaram as acusações, ou se eles são anarquistas acusados de expropriações de bancos.

Companheirxs – justamente porque a ação contra as prisões de tipo C não pode ser outra coisa que parte da solidariedade com todxs xs presxs políticxs e lutadorxs encarceradxs – proponho a transformação da assembleia contra as prisões de tipo C numa assembleia de solidariedade com todxs xs presxs políticxs e lutadorxs encarceradxs, não só com xs condenadxs ou acusadxs de participar em Organizações Revolucionárias, também com companheirxs que se confrontam com a repressão do Estado, acusadxs por outras formas de luta – manifestações, ocupações ou confrontos, ou confrontos nas ruas com a polícia.

É contraditório e paradoxal que alguém se mobilize contra as prisões tipo C e simultaneamente não se solidarize com os companheiros  presos a serem transferidos para prisões tipo C. É um défice político sério que haja dezenas de presxs políticxs e lutadorxs encarceradxs e não exista uma assembleia de solidariedade com elxs. A solidariedade é uma posição e postura políticas. É um elemento chave em toda a mobilização ou ambiente político que queira ter características de movimento. Solidariedade significa que xs lutadorxs presxs e formas de luta que eles escolheram – e pelas quais estão na prisão – fazem parte da luta comum, a luta pela Revolução, pela Anarquia e pelo Comunismo. Solidariedade significa que acreditamos que a luta armada e a guerrilha são parte da luta pelo movimento pela revolução social. Portanto, qualquer um que discorde deste princípio não pode ser solidárix, ou fingir que é solidárix com xs companheirxs que estão na prisão e que defendem a ação armada como uma opção de luta.

Isto, naturalmente, não significa que xs solidárixs, o entorno ou o movimento não possam fazer críticas às posições, discurso ou às ações das Organizações Revolucionárias, sempre que esta crítica seja de boa fé, com argumentos puramente políticos, não com calúnias, injúrias e aforismos. Para se demonstrar, finalmente, que a postura que diz que “a solidariedade não equivale à identificação” é sincera e não uma desculpa para aquelxs que não estão de acordo e condenam a luta armada e a guerrilha, mas sem ter a coragem política para o dizer aberta e publicamente, e que demonstram uma “solidariedade” seletiva para com aqueles que são declarados inocentes e rejeitam as acusações, mas voltam as costas aos/às que defendem a luta armada e assumem a responsabilidade política da sua participação em organizações a que pertencem.

A Solidariedade não é selectiva porque se o for então não é solidariedade. A Solidariedade não tem critérios pessoais, de amizade, de família ou parentes. A solidariedade não é a distinção entre culpados e inocentes, nem a distinção entre casos de organizações e indivíduos.

A solidariedade não faz distinções entre presxs anarquistas e comunistas, nem tem características nacionais. A solidariedade não é a separação das formas de luta, a promoção de binário “luta de massas ou luta armada”, “legalidade ou ilegalidade”, a separação entre a luta armada e o movimento, ou a linha divisória entre “a parte em conflito mas não armada da anarquia” e “a parte anarquista armada”.

Repito que a solidariedade tem apenas um critério político: que xs presxs e as formas de ação que estxs escolheram – como a luta armada, a guerrilha urbana ou qualquer outro tipo de acção pela qual se encontram na prisão – são parte da luta comum do movimento pela derrubada do Capital e do Estado, pela Revolução Social. Aquelxs para os quais este critério não significa nada são os informadores e os denunciantes, como Tzortzatos, que se chibou dxs companheiros no caso da 17N, sem pressão ou violência e tortura, e Giotopoulos, que condenou a ação da 17N nos tribunais.

Proponho, portanto, a transformação do assembleia pelas prisões de tipo C numa assembleia de solidariedade pelxs presxs políticxs e lutadorxs encarceradxs. Não só para xs encarceradxs pela ação armada mas também por qualquer outra forma de luta. É lógico que as ações de solidariedade desta assembleia incluirão nas suas actividades as relacionadas com as prisões de tipo C

É hora de que cada companheirx assuma as suas responsabilidades e tome uma posição clara e explícita sobre a questão da solidariedade. Qualquer subterfúgio demonstra que a solidariedade não é uma arma, apenas uma palavra vazia de sentido. Um cadáver na boca de muitos. Assim, convido todxs xs compas dentro  e fora  da prisão a tomarem uma posição e atitude políticas  para que se abra un diálogo sobre a proposta de criação de uma assembleia de solidariedade.

Se o entorno anarquista/anti-autoritário quer simplesmente esquecer xs presxs do Estado e deixá-los a apodrecer na prisão, então está a esquecer a própria luta.

Nikos Maziotis, membro da Luta Revolucionária
Prisões de Diavata

em grego | espanhol

Prisões gregas: Nikos Maziotis, sobre a lista de “terroristas” internacionais dos EUA (Abril 2015)

Em 2009, como consequência de ataque com um foguete contra a embaixada dos EUA – em Atenas, a 12 de Janeiro de 2007 – o grupo anarquista de guerrilha urbana Luta Revolucionária (Epanastatikós Agónas) foi designado como “organização terrorista estrangeira”, pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos.

A 21 de Abril de 2015, o mesmo Departamento de Estado emitiu a “designação de terrorista” contra um dxs membros da Luta Revolucionária, o preso anarquista Nikos Maziotis. No dia seguinte o companheiro publicou como resposta o comunicado abaixo indicado:
us-embassy-athens-greece-2007“Quem não está connosco, está contra nós”
– Discurso do presidente dos EUA George W. Bush, após o 11 de Setembro de 2001.

“Não estamos convosco, estamos contra vós”
– Estrato do posicionamento de Nikos Maziotis – no tribunal especial da prisão de Koridallos, a 11 de Junho de 2012, em relação ao ataque da Luta Revolucionária à embaixada dos EUA.

Ao incluir-me na lista de “terroristas” internacionais, o Departamento de Estado proporcionou-me uma grande honra. Esta é a segunda vez que os assassinos planetários me honram como membro da Luta Revolucionária, pois já tinham oferecido uma recompensa de um milhão de dólares – pela minha cabeça e as doutrxs membrxs da organização – após um ataque da Luta Revolucionária contra a embaixada dos EUA, em Atenas, em Janeiro de 2007.

Obviamente que esta movimentação é uma mostra de falta de confiança em relação ao governo grego e contém uma forte mensagem do governo dos EUA que, em caso de ataque a objetivos dos Estados Unidos, não reconhece qualquer precedente judicial de outro Estado, e pode deter e julgar qualquer lutador/a armadx ou revolucionárix que os tenha atacado, em qualquer parte do mundo, inclusive se já tiver sido julgadx e encarceradx no país em que este ataque tiver sido perpetuado. Mas o Departamento de Estado não tem com que se preocupar. O governo do SYRIZA, apesar das derrogações, será consequente com a frente unida na guerra contra o “terrorismo”, tal como está a ter consequente com as obrigações do pagamento da dívida aos credores da elite supranacional. Pois, tal como afirmaram já, são duplamente sensíveis às questões de “terrorismo”, pois muitos ataques foram levados a cabo em nome da Esquerda.

Independentemente do número de anos que tenha que estar na prisão, independentemente do preço que pago, sempre me encherei de alegria ao recordar a humilhação que lhes provocamos, como Luta Revolucionária, nessa manhã de Janeiro de 2007, ao atingirmos a fachada da embaixada dos EUA com um foguete tipo RPG anti-tanque, e sempre recordarei com satisfação as palavras da então Secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, que foi despertar o então planetarca George W. Bush dizendo-lhe: “Senhor Presidente, atacaram-nos em Atenas.”

Nikos Maziotis, membro da Luta Revolucionária
Prisão de Domokos

em espanhol

Atenas: Concentração solidária no segundo julgamento da Luta Revolucionária

Afisa_B_diki_EAConvocamos uma concentração solidária junto ao tribunal especial das prisões de Koridallos, na sexta-feira, 16 de Outubro, às 12:00 horas. Através da nossa presença solidarizamos-nos com xs compas que serão julgadxs pelo caso da Luta Revolucionária.

Este novo julgamento contra a Luta Revolucionária é a continuação do ataque repressivo iniciado em Abril de 2010 com as detenções de lutadorxs que participavam ou foram acusadxs de participar na organização.

A Luta Revolucionária, através das suas ações e discurso, apontava e continua a apontar contra aqueles que levaram a cabo o mais brutal dos ataques contra a sociedade.

A 16 de Julho de 2014, após um confronto armado com a bófia em Monastiraki, Nikos Maziotis é ferido e detido (até aí procuravam-no).

A 1 de Outubro de 2014, durante uma operação dos serviços antiterroristas, foi detido o anarquista  Antonis Stamboulos, em prisão preventiva a partir daí pois foi acusado de participar nessa organização.

A 16 de Outubro de 2015, no tribunal terrorista começará o julgamento contra xs companheirxs Nikos Maziotis e Pola Roupa, membros da organização, contra o companheiro anarquista Antonis Stamboulos e  contra Giorgos Petrakakos.

Tal como no primeiro julgamento para o caso da Luta Revolucionária, neste também se dará uma batalha política contra o inimigo social e de classe, o Estado e o capitalismo.

Solidariedade com Nikos Maziotis e Pola Roupa, membros da Luta Revolucionária, com o anarquista Antonis Stamboulos e com Giorgos Petrakakos.

Força à companheira Pola Roupa, procurada, com a cabeça a prémio.cabeza.

Honra para sempre ao companheiro anarquista e membro da Luta Revolucionária Lambros Foundas.

Assembleia de solidariedade com xs presxs políticxs e com xs lutadorxs encarceradxs e processadxs

Tessalónica, Grécia: Cartaz solidário tendo em vista o segundo julgamento da Luta Revolucionária

“A luta revolucionária é um assunto de profunda e irredutível crença na destruição do Estado e do capitalismo”
–Pola Roupa, 8/8/2014

10 de Abril de 2014: A organização Luta Revolucionária ataca com um carro-bomba a Direção de Supervisão do Banco da Grécia, na rua Amerikis, em Atenas, no mesmo edifício onde se aloja o representante permanente do Fundo Monetário Internacional na Grecia, W. McGrew.

16 de Julho de 2014: É detido o anarquista Nikos Maziotis, que se encontrava na clandestinidade, membro da Luta Revolucionária – após um confronto armado com a bófia, do qual resulta ferido.

1 de Outubro de 2014: Durante uma operação dos serviços antiterroristas é detido o anarquista Antonis Stamboulos o qual ingressa em prisão preventiva sob a acusação de participante na organização.

16 de Outubro de 2015: O Estado e o Capital tentam julgar, pela segunda vez, a Luta Revolucionária. No tribunal especial das prisões de Koridallos conduzir-se-á um julgamento contra xs membrxs da organização Nikos Maziotis e Pola Roupa (procurada), contra o companheiro Antonis Stamboulos e contra Giorgos Petrakakos [ilegalista detido a 24 de Setembro de 2015 na cidade de Volos, após uma operação da polícia grega].

O que se maquina, na realidade, é outro terror-julgamento de emergência para condenar a necessidade do confronto armado com o Estado e o capitalismo. A necessidade da luta para uma ofensiva contra o monopólio estatal da violência legal. A crença na necessidade da luta pela Revolução Social e Anarquia – valores pelos quais deu a vida o companheiro e membro da organização Lambros Foundas.

Enquanto existirem os Estados e o Capital existirá também a luta pela destruição. Pela construção da sociedade anarquista revolucionária de igualdade, solidariedade e liberdade.

Solidariedade com xs membrxs da organização Luta Revolucionária e com todxs xs processadxs no mesmo caso.

Okupa Terra Incognita
terraincognita.squat.gr

em grego | espanhol

A propósito dos carros incendiados nas últimas semanas em Berlim…

siemens wisag

Para Mónica Caballero, Nikos Romanos, Francisco Solar, Nikos Maziotis e todxs xs prisioneirxs revoltadxs, para aquelxs que incendeiam os veículos da empresa construtora de prisões Vinci nas ruas de Paris, comemorando o feriado do 14 de Julho à sua maneira, para os irredutíveis que nas ruas de Atenas mais uma vez lançaram μολότοφ [cocktails molotov] e pedras, não se deixando decepcionar com o Syriza… e para nós mesmxs.

Foi por isso que ateamos fogo a um veículo da Deutsche Telekom, empresa de vigilância no distrito de Wedding, em Berlim, a 11 de Junho de 2015; que queimamos uma carrinha da empresa de armas Siemens na península de Stralau, a 13 de Julho de 2015, e reduzimos a cinzas um veículo da empresa de segurança WISAG, na Paul-Junius-Straßele, a 17 de Julho de 2015.

A fortaleza Europa não entrará em colapso enquanto a tempestade que lança a fúria
até aos seus limites exteriores não se conectar com as subversões internas e locais,
e que estas lutas serão os corolários umas das outras.

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Prisões gregas: O anarquista Nikos Maziotis suspende a sua greve de fome

A SOLIDARIEDADE É A NOSSA ARMA

No dia 5 de Abril de 2015 o anarquista Nikos Maziotis anunciou que suspendia a sua greve de fome. Segue-se a tradução parcial do seu comunicado, através do qual explica os seus motivos e faz uma primeira avaliação desta luta:

Após 35 dias de luta finalizo a greve de fome que eu tinha começado a 2 de Março, juntamente com outros companheiros. Não tomei esta decisão porque tenha chegado aos limites das minhas forças mas sim porque creio que, dadas as atualizações relacionadas com as demandas, esta luta terminou o seu ciclo e esgotou o seu potencial, tomando em consideração também as ações solidárias que se realizaram. Optei por suspender a greve de fome agora, com a apresentação do projeto de lei, não a seguindo até à sua votação, que se realizará pelo menos ao fim de 10 dias, após as festas da Páscoa, permanecendo no entanto bastante cauteloso com as possíveis modificações que supostamente apresentaria o ministério, relacionadas com a lei da capucha ou o material genético. Porque o governo demonstrou já o pouco confiável que é no cumprimento dos seus anúncios.

Participei na greve de fome com o braço lesionado devido aos ferimentos que sofri durante a minha detenção e a sua reabilitação necessitará bastante tempo, talvez meses ou inclusivé mais de um ano. As reivindicações que apoiei juntamente com outros compas presos têm características claramente políticas, pois apontam ao núcleo “antiterrorista” e repressivo do Estado. Desde o início, não tive a ilusão de que todas as demandas eram “realistas” para se obterem, como a abolição da lei antiterrorista 187A e da lei pelas organizações ilícitas 187, mas que deveriam ser postas por razões políticas. […]

Não vou falar em termos de vitória ou derrota. A luta dos presos políticos, independentemente do seu resultado, tem um grande valor e importância. É a primeira greve de fome de presos políticos, e como já afirmei noutras ocasiões, supera inclusive o contexto reivindicativo posto. É a única mobilização política combativa que o governo de SYRIZA enfrentou. Esta luta dissipou as ilusões em relação à máscara esquerdista do Poder, a muleta esquerdista do capitalismo, a administração esquerdista da crise. Este é o grande legado político que deixa à história e neste sentido saímos definitivamente ganhadores.

Nikos Maziotis, membro da Luta Revolucionária
Prisões de Domokos

FORÇA E RECUPERAÇÃO RÁPIDA PARA NIKOS MAZIOTIS

Prisões gregas: Texto de Nikos Maziotis sobre a greve de fome da CCF

QUE NINGUÉM FIQUE SOZINHO FRENTE À REPRESSÃO DO ESTADO

Esta semana, a partir de 2 de Março, xs presxs políticxs iniciaram uma greve de fome nas prisões. Alguns deles, como é o meu caso, compartilhamos um contexto reivindicativo comum sobre a abolição das legislações “antiterroristas”, a abolição da lei da capucha, a abolição das prisões tipo C e a libertação de Savvas Xiros, condenado no caso da 17 Novembro, por razões de saúde.

Xs presxs políticxs da Conspiração de Células de Fogo começaram também uma greve de fome, ao mesmo tempo, exigindo a libertação dxs seus/suas familiares, xs que recentemente foram detidxs e postxs sob prisão preventiva, depois de se ter descoberto o plano de fuga das prisões de Koridallos da CCF.

Independentemente das diferenças reivindicativas apoio a luta dxs presxs da CCF, relacionada com a sua pretensão. Creio que apesar das diferenças políticas entre xs presxs políticxs e dos problemas que se têm criado entre elxs e das greves de fome com contextos diferentes, os solidárixs e o espaço anarquista/antiautoritário devem apoiar todxs xs presxs políticxs. Que ninguém permaneça sózinho frente à repressão.

Nikos Maziotis, membro da Luta Revolucionária
Prisões tipo C de Domokos

em espanhol | inglês

Prisões gregas: O anarquista Nikos Maziotis declara-se em greve de fome

barComunicado de Greve de fome de Nikos Maziotis, membro da Luta Revolucionária, no contexto da mobilização da luta dos presos políticxs:

Nos últimos 15 anos, e especialmente depois de ser declarada a guerra contra o “terrorismo”, o sistema capitalista a nível internacional assume características cada vez mais totalitárias com o fim de impôr a ditadura dos mercados e os interesses da élite económica supranacional que emergiu, através do processo de globalização, após o fim do bipolarismo. Neste contexto, a repressão e a blindagem do arsenal legislativo e penal dos Estados é da maior importância e é implementado, com o propósito da reprodução do sistema, num ambiente globalizado contra xs inimigxs políticxs do novo estado de coisas – especialmente contra a ameaça da acção armada revolucionária, sobretudo nos últimos anos – depois do rebentar da crise financeira mundial.

O Estado Grego, que está atado ao carro do Capital supranacional, adoptou as reformas neoliberais segundo a doutrina da União Europeia, para além de actualizar o seu arsenal legislativo e penal segundo as exigências da “guerra antiterrorista” internacional. Assim, em 2001, votou a primeira lei “antiterrorista” (artigo 187 do código penal sobre as organizações ilícitas), em 2004 votou a segunda lei “antiterrorista” (artigo 187A sobre as organizações terroristas); em 2009, pouco depois da revolta de 2008 votou a lei do capuz [que criminaliza xs manifestantes com a cara encoberta], e em 2010 modificou o artigo 187A, endurecendo-o. Em 2010, na sequência de uma ordem do Ministério Público, foi imposta a medida de recolha violenta de amostras de DNA e por fim no Verão de 2014, como continuação e consequência natural da sua política repressiva, votaram a lei das prisões tipo C.

Este aumento gradual do ataque repressivo por parte do Estado foi sendo intensificado ao longo destes anos em paralelo com as reformas neoliberais dos governos gregos; contudo, agudizou-se ainda mais depois do rebentar da crise financeira mundial, da revolta de Dezembro de 2008 e a colocação do país sob o poder do Fundo Monetário Internacional, do Banco Central Europeu e da União Europeia através da assinatura do primeiro memorando em 2010.

Sob estas condições – na sequência das quais o regime acabou por perder o consenso social do qual se aproveitava antes da crise, devido ao feroz ataque iniciado há 6 anos – a repressão e a legislação “antiterrorista” são pilares e pré-requisitos fundamentais para a perpetuação do sistema.

A deslegitimação do regime aos olhos da maioria social por causa do maior roubo social feito contra si, assim como a fome, a pobreza e a miséria que afligem o povo, as milhares de mortes por suicídio, por doenças, por falta de bens básicos, com xs milhares que ficaram sem lar e aquelxs que se alimentam do lixo ou dependem das cantinas sociais, tudo isso cria as condições apropriadas para a perspectiva da revolução e da subversão de um regime que é responsável pela crise e por todos os males que se seguiram.

A tomada do Poder e administração da crise capitalista por parte do Syriza, após as eleições de 25 de Janeiro de 2015 não muda verdadeiramente as coisas. Apesar das promessas pré-eleitorais pela abolição dos memorandos e a permuta da dívida, a política que o governo do Syriza se comprometeu a seguir não é diferente da que aplicaram os governos anteriores e isto é comprovado pelo pedido de extensão do presente memorando-programa de resgate – embora com a sua indiferença e os truques propagandísticos não lhe chamem memorando ou se refiram ao Fundo Monetário Internacional, ao Banco Central Europeu e à União Europeia como instituições e não como Troika. Na realidade, o governo do Syriza aceitou tanto os memorandos, como a dívida e após a extensão do presente memorando-programa de resgate assinará um novo, com tudo o que isto implica.

Como membro da Luta Revolucionária e como preso político nas prisões de tipo C, creio que só o caminho da subversão e da revolução social, popular e armada permitirá a saída da crise, derrubar os memorandos e os contractos de empréstimo e eliminar a dívida. Como membro da Luta Revolucionária e preso político nas prisões de tipo C – no âmbito da mobilização de luta dos presos políticos contra as legislações especiais “antiterroristas” e contra os tribunais e prisões especiais – a partir de 2 de Março participo na greve de fome, reivindicando:

1) A abolição da primeira lei “antiterrorista” de 2001, artigo 187 (sobre as organizações ilícitas).

2) A abolição da segunda lei “antiterrorista” de 2004, artigo 187A (sobre as organizações terroristas).

3) A abolição da “lei do capuz”.

4) A abolição da lei das prisões de tipo C.

5) A libertação de Savvas Xiros, condenado pela sua participação na organização 17 de Novembro, por razões de saúde.

Nikos Maziotis, membro da Luta Revolucionária
Prisões de tipo C de Domokos

                                                                                                             espanhol

Grécia: Declaração assinada por todos os presos da ala E1 da prisão tipo C de Domokos

compas presxsO preso Giorgos Sofianidis começou uma greve de fome na sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2015, exigindo a sua transferência para a prisão de Koridallos (onde esteve preso até à véspera de Ano Novo) para que seja possível frequentar os seus estudos na mesma região onde estão disponíveis pelas instituições educacionais onde foi admitido (além de que uma dessas escolas opera dentro da prisão de Koridallos). A seguir encontra-se um comunicado assinado por todos os presos da ala E  da prisão de segurança máxima de Domokos.

Nós, todos os prisioneiros atualmente detidos na ala especial E1 na prisão dentro da prisão, a prisão tipo C de Domokos, declaramos que a partir de hoje, 27 de Fevereiro de 2015, nos vamos abster das refeições da prisão e recusar a entrar ao meio dia nas celas.

Estamos solidários com o nosso companheiro de prisão, o grevista da fome Giorgos Sofianidis,  e pedimos que ele seja reenviado à prisão de Koridallos  pois caso contrário corre o risco de perder qualquer possibilidade de estudar no TEI (Instituto de Educação Tecnológica) de Piraeus e no IEK (Instituto de Formação Profissional) da prisão de Koridallos.

Exigimos que as condições especiais de detenção bem como a bárbara e desumana prisão tipo C sejam abolidas.

As nossas mobilizações continuarão até que as prisões tipo C sejam erradicadas.

Kostas Gournas
Nikos Maziotis
Dimitris Koufontinas
Giorgos Sofianidis
Yannis Naxakis
Alexandros Meletis
Konstantinos Meletis
Vasileios Varelas
Mohamed-Said Elchibah
Alexandros Makadasidis

inglês

Atenas: Ataque incendiário pelo Comando Jorge Saldivia – FAI/FRI

ESMAGAR OS FASCISTAS (A)

À hora a que os votantes se preparavam para entregar a sua dignidade às urnas, delegando a gestão das suas vidas ao pessoal político do país, uma célula incendiária da Federação Anarquista Informal passou ao ataque, procurando contribuir desta maneira ao desvio antidemocrático.

Colocámos um engenho incendiário na livraria de Adonis Georgiadis [parlamentar do partido da Nova Democracia], no distrito de Kifisia [22/1/2015]. A propriedade e os negócios dos políticos estão no ponto de mira, tal como a sua integridade física. Adonis Georgiadis é conhecido pelas suas opiniões de extrema direita, é um defensor fanático das prisões de tipo C, para além de ser o responsável político da proibição da comunicação telefónica do guerrilheiro da Luta Revolucionária Nikos Maziotis durante uma actividade política pública e programada sobre o tema da luta armada. Também no caso da vitoriosa [sic] greve de fome do compa anarquista Nikos Romanos tinha expressado publicamente as suas percepções thacheristas, defendendo a rigidez mortífera do Estado, tanto contra esta greve de fome, como contra qualquer outra que seja feita por lutadorxs presxs.

Agudizemos os nossos ataques!
Um abraço caloroso para xs nossxs compas presxs ou procuradxs!
Morte ao Estado!

Federação Anarquista Informal – Frente Revolucionária Internacional (FAI/FRI)
Comando Jorge Saldivia

Ps: O companheiro Jorge Saldivia foi assassinado a 3 de Outubro de 2014 às mãos de um guarda armado, durante a tentativa de expropriação de um camião de valores no Chile. Jorge permaneceu coerente com a luta ilegal contra o regime, durante toda a sua vida. Militou nas fileiras do FPMR durante os tempos da ditadura. Não se vendeu ao conto democrático da paz social e continuou a luta caindo no combate com a arma na mão. Jorge, como outrxs revolucionárixs mortxs, está presente.

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Atenas: Ataques incendiários por um Dezembro Negro

lin (1)[8 de Janeiro de 2015]

DO CHILE ATÉ À GRÉCIA

«Más tardes senhores, e ainda que não seja do vosso agrado…xs amotinadxs estão em pé de guerra e ofereçam isso a Jesus!»

Estes dias «sagrados» em que os problemas sociais se enterram sob os sorrisos hipócritas de uma sociedade podre – que se perdoa a si mesma sob o manto do amor e prazer falsos, num ambiente unitário de festejo generalizado, procurando fortalecer os sentimentos de segurança, prosperidade e do falso poder aquisitivo da cidadania, para lá da economia do comércio conseguir empatar as perdas da crise – quando as ruas da metrópole se inundam de consumidores estúpidos e frívolos, enquanto cenas de gente sem lugar a agonizar nas esquinas mais obscuras e xs trabalhadorxs do sector comercial a cuspir com os horários exterminadores das «noites brancas» da patronal (sem esquecerr as suas próprias responsabilidades), decidimos «mandar» nossxs presentes à nossa gente e ao mesmo tempo alguns desejos explosivos aos inimigos, com a promessa de que 2015 será insurreto.

O incêndio de um veículo da ELTA Courier (correios gregos) a 25 de Dezembro, queremos que seja a nossa contribuição mínima para a extensão da violência insurrecional no âmbito do chamada internacional de alguns e algumas compas anónimxs do Chile por um Dezembro Negro, na memória do combatente anarquista insurrecional Sebastián que caíu pelas balas de um guardião do Capital durante a tentativa de expropriação de um banco em Santiago a 11 de Dezembro de 2013. Enviamos a nossa solidariedade e os nossos abraços mais carinhosos de companheirismo aos/às compas presxs Tamara Sol (no Chile), Mónica Caballero e Francisco Solar (Estado espanhol), enquanto seguimos com ânsia o desenvolvimento do caso dxs 7 compas em prisão preventiva no âmbito da operação “Pandora” no Estado espanhol.

Além disso – pouco antes do amanhecer do último dia de 2014 – incendiámos um veículo da empresa privada de segurança e limpeza  DELTA Security Force, na zona de Elliniko, como resposta imediata e reflexiva à transferência de Nikos Maziotis, guerrilheiro da organização Luta Revolucionária, às prisões de máxima segurança (tipo C) de Domokos.

PENSA GLOBALMENTE ∞ ATUA LOCALMENTE
FOGO ÀS PRISÕES

Honra para sempre a Lambros Foundas.
Honra para sempre a Sebastián Oversluij Seguel.

HONRA PARA SEMPRE AOS/ÀS CAÍDXS DA GUERRA REVOLUCIONÁRIA

Federação Anarquista Informal – Frente Revolucionária Internacional
Sínodo Profano Permanente

espanhol

Grécia: Texto do compa Nikos Maziotis acerca da sua transferência às prisões de segurança máxima de Domokos

1944atenasA minha transferência para as prisões de segurança máxima de tipo C em Domokos aconteceu poucas horas depois do colapso do governo de Samaras – uma vez que não foi possível a eleição do Presidente da Democracia durante a votação de 29/12/2014 no parlamento grego, depois da qual se convocaram eleições para 25 de Janeiro de 2015. A minha transferência para as prisões de tipo C é o último acto de um governo que, tal como os anteriores, não pôde suportar o peso da política de genocídio social que tem vindo a aplicar nos últimos 2 anos e meio, sob as ordens da Troika e da elite económica supranacional.

É o último acto de um governo que provou que o regime que conduziu milhares de pessoas à morte, que afundou milhões na pobreza, na miséria, na fome e a um povo inteiro à humilhação, tem medo dxs revolucionárixs e dxs lutadorxs armadxs. Têm medo da luta armada revolucionária, por isso nos querem enterrar vivxs no isolamento dentro das novas prisões de segurança máxima.

A minha transferência para Domokos foi um dos seus objectivos principais após o confronto armado em Monastiraki a 16 de Julho de 2014, quando me detiveram ferido, tendo já anunciado que eu seria o primeiro preso a ser mudado para ali. As prisões de tipo C são a continuação natural e a consequência da política repressiva do Estado contra xs lutadorxs armadxs e a guerrilha urbana. Tal como as leis antiterroristas, a legislação das prisões de segurança máxima e as recentes mudanças no código penal têm como objectivo, deforma prioritária, atingir a luta armada revolucionária.

Especialmente nas condições atuais – onde o regime se encontra deslegitimado e perdeu o consenso social devido à crise e ao feroz ataque que desencadeou – fazer frente à luta armada ou à sua ameaça é uma prioridade grandepara o Poder, tal como admitiram eles mesmos na altura da minha detenção – pela qual receberam as felicitações dos Estados Unidos – a segurança está ligada com a estabilidade, os investimentos e a continuação do programa de resgate.

Não tenho ilusão alguma da postura que pudesse ter um possível governo do Syriza sobre as prisões de tipo C – não as iriam abolir, nem anular as transferências, tal como não aboliriam os memorandos.

NENHUMA TRÉGUA AO ESTADO

NÃO ÀS ILUSÕES ELEITORAIS

A SOLUÇÃO SÓ O POVO ARMADO A DARÁ

Nikos Maziotis, membro de Luta Revolucionária
Prisões de Domokos

Grécia: Mais transferências de prisioneiros para a prisão de segurança máxima em Domokos

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O anarquista Nikos Maziotis, membro da Luta Revolucionária, encontra-se encarcerado há cinco dias na 5ª ala da nova prisão tipo C, em Domokos.

A 2 de Janeiro de 2015, mais dois presos condenados como membros de organizações revolucionárias armadas, anarquista Kostas Gournas (Luta Revolucionária) e Dimitris Koufontinas (17 de Novembro), foram transferidos das celas das masmorras da prisão de mulheres de Koridallos para as instalações de segurança máxima de Domokos. Na mesma manhã, os presos anarquistas Yannis Naxakis e Grigoris Sarafoudis, ambos condenados por assalto à mão armada em Pyrgetos-Larissa bem como pela -suposta- participação numa organização revolucionária armada (Conspiração das Células de Fogo), também foram levados da prisão de homens em Koridallos para a prisão tipo C em Domokos. Sarafoudis foi transferido para Domokos ainda que, actualmente, seja co-acusado no caso do assalto à mão armada em Filotas-Florina ao lado de outros companheiros, cujo julgamento vai continuar, no tribunal especial da prisão de Koridallos, em Janeiro deste ano.

Entretanto,  da véspera de Ano Novo até hoje vários outros prisioneiros foram transferidos para a prisão de segurança máxima em Domokos.

Veria, Grécia: Ações contra as prisões de máxima segurança

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Na manhã de 30 de Dezembro de 2014, o compa Nikos Maziotis foi transferido às prisões de tipo C de Domokos, na intenção de a inaugurar de maneira oficial.

Como reflexo disso, saímos nessa mesma noite e vandalizamos com tinta e pintadas o edifício do Conselho Legal do Estado – Oficina Judicial de Veria, além de termos sabotado 4 caixas automáticos.

Luta contra as prisões, ao lado dxs compas encarceradxs.