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[Federação Russa] Apoio ao prisioneiro político anarquista Evgeny Karakashev

recebido a 05.04.18

Apelamos à solidariedade e apoio ao anarquista Evgeny Karakashev, da Crimeia. Teve início a recolha de fundos para cobrir as despesas com a defesa.

Evgeny nasceu a 21 de Agosto de 1978. Vive em Yevpatoria, na Crimeia. Trata-se de um activista com convicções anarquistas. No dia 1 de Fevereiro de 2018 Karakashev foi detido, no dia 2 foi preso por suspeição de ter cometido crimes contemplados na Parte 1 do Art. 282 (incitamento ao ódio e inimizade) e na Parte 2 do Art. 205.2 (apelo público ao terrorismo) do Código Criminal da Federação Russa. Encontra-se em prisão preventiva desde 2 de Fevereiro de 2018.

Descrição do caso

No dia 1 de Fevereiro de 2018, Evgeny Karakashev foi detido por agentes da polícia em Yevpatoriya. A jornalista Alyona Savchuk escreveu nas redes sociais que procuraram Karakashev no dia da detenção. “Levaram-no violentamente: alguns homens à paisana forçaram a entrada, não se identificaram, atiraram-no imediatamente para o chão, agarraram-no, algemaram-no com as mãos atrás das costas. Evgeny afirma que foi algemado até às instalações de detenção temporária. Tem uma grande escoriação no lado direito da testa. Só à noite é que Karakashev conseguiu telefonar a um amigo e pedir-lhe para encontrar um advogado” – diz Savchuk – “O investigador Abushayev disse que não se recorda durante quanto tempo Karakashev esteve algemado, 5 minutos ou 3 horas, e que Karakashev «se ofereceu» para ir a esquadra voluntariamente”.

No dia 2 de Fevereiro de 2018, o Tribunal da cidade de Evpatoria prendeu Evgeny por 2 meses por suspeição de «incitamento ao ódio e à inimizade» e «apelos públicos ao terrorismo».

Resulta do despacho relativo à instauração do processo penal que, de acordo com a investigação, Karakashev publicou um vídeo numa das suas páginas na rede social «VKontakte», no final de 2014, que alegadamente apela ao terrorismo. Além disso, de acordo com o relatório, em Janeiro de 2017 Karakashev postou de uma outra conta, num chat com 35 pessoas, um texto que contém sinais de “propaganda de ideologia violenta” e “apelos a actividades terroristas”. Não se especifica exactamente o que terá Karakashev publicado, no entanto o documento afirma que os peritos investigaram um «teletexto, que começa com as palavras “usar granada contra” e termina com as palavras “nas janelas das autoridades, boa sorte”».

É óbvio que a razão para iniciar um caso criminal foi o vídeo “Chamada Vídeo dos Guerrilheiros de Primorsky”, publicado na rede social “VKontakte”, no qual os guerrilheiros explicam os motivos das suas acções. Este vídeo é entendido na Rússia como sendo extremista, por “incitar ao ódio contra um grupo social específico” [a polícia].

De acordo como o advogado Alexei Ladin, o próprio Evgeny Karakashev acredita que o início do caso criminal contra si e sua subsequente prisão se relacionam com o seu activismo: ele opôs-se a uma construção numa zona de lazer em Yevpatoriya, perto de um lago. Evgeny é um anarquista e antifascista. Karakashev tomou sempre uma posição civil activa, participou, por exemplo, num protesto junto ao edifício do FSB em Simferopol, e em Novembro de 2016 tencionou organizar uma acção “contra a brutalidade policial na Crimeia”, junto ao edifício do Ministério do Interior de Evpatoria. Esta acção foi interdita pelas autoridades locais. Depois deste incidente, Evgeny foi chamado pelo staff dos ditos órgãos policiais e convidado a dar explicações, Evgeny recusou dar qualquer testemunho.

Sinais de motivação política para a sua perseguição

É muito provável que o caso criminal contra Evgeny Karakashev tenha sido despoletado no contexto das suas actividades públicas de oposição política como participante das acções de protesto na Crimeia. No contexto da perseguição de activistas de extrema esquerda e antifascistas desde Janeiro de 2018, o caso de Karakashev parece ter uma motivação claramente política.
Deste modo, as circunstâncias da acusação levam-nos a acreditar que a detenção de Evgeny Karakashev foi um meio para acabar com as suas actividades públicas.

Ao mesmo tempo, a detenção foi aplicada em violação do direito a um julgamento justo, e a outros direitos e liberdades garantidos pela Constituição da Federação Russa, pelo Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos e pela Convenção Europeia para a Protecção dos Direitos do Homem e das Liberdades Fundamentais, baseando-se-se na adulteração de provas do alegado crime na ausência de elementos de delito de ofensa.

Como se pode ajudar: Pode-se transferir dinheiro pelo sistema Paypal: o nosso endereço é abc-msk@ riseup.net  Por favor mencionar “para Evgeny Karakashev”

Endereço prisional de Evgeni:
Karakashev Evgeni Vitalevich, bul. Lenina 4, 295006 Simferopol,
Respublika Krym, Russia.

Nota que na prisão apenas se aceitam cartas em Russo.

Cruz Negra Anarquista de Moscovo

fonte: avtonom.org

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Sydney, Austrália: Solidariedade com anarquistas presxs

Liberdade para xs anarquistas russxs
Antifascista

Em resposta ao apelo de solidariedade vindo dxs companheirxs na Rússia, no dia 18 de Março, dia das eleições russas,  um grupo de anarquistas em Sydney concentrou-se junto ao consulado da Rússia. Distribuímos panfletos sobre a situação dos anarquistas e antifascistas presxs na Rússia  e entoaram-se palavras de ordem contra a polícia, prisões e regime de Putin.

em inglês

 

Balanço da repressão contra anarquistas na Rússia – 2017 e primeiros meses de 2018

A Cruz Negra Anarquista de Moscovo publicou um balanço da repressão contra anarquistas – exercida pelo estado russo durante 2017 e inícios de 2018. Nesse período, as autoridades continuaram a incriminar e a perseguir companheirxs na Federação Russa. Xs anarquistas são também alvo de repressão nas prisões. Segue-se um extracto da recentemente publicada lista da repressão na Rússia.

S. Petersburgo e Penza

Em Outubro de 2017, os Serviços Especiais Russos (FSB) fabricaram um caso criminal, de larga escala, contra anarquistas e antifascistas – os quais a FSB declara serem membxos de uma organização terrorista com o nome The Network. As autoridades russas alegam que xs acusadxs planearam e prepararam actos terroristas a conduzir durante as próximas eleições
presidenciais em Março de 2018 e durante a Taça do Mundo que terá lugar no Verão do mesmo ano.

Em Penza, Yegor Zorin, Ilya Shakursky, Vasily Kuksov, Dmitry Pchelintsev, Arman Sagynbaev e Andrei Chernov foram detidos. Em S.Petersburgo, a polícia prendeu Victor Filinkov e IgorShishkin. Ilya Kapustin é neste momento testemunha. As famílias dos detidos relatam que
estes foram torturados para deles obterem confissões. Todos os detidos neste caso estão numa situação difícil, sob a ameaça de repetição de tortura, e têm grande necessidade do teu apoio e da tua solidariedade.

Podes fazer um donativo para apoiar os custos legais aqui. Os detidos ficarão também felizes por receberem cartas de apoio. Aqui estão os seus endereços:

S. Petersburgo:
191123, St. Petersburg, Shpalernaya St., 25 PKU SIZO-3 of the Federal
Penitentiary Service of Russia
Shishkin Igor Dmitrievich
Filinkov Victor Sergeevich

Penza:
PKU SIZO-1, st. Karakozova, 30, Penza, Penza region, Russia, 440039
Shakursky Ilya Alexandrovich
Pchelintsev Dmitry Dmitrievich
Chernov Andrey Sergeevich
Sagynbaev Arman Dauletovich

Moscovo
Dois activistxs, Elena Gorban e Alexei Kobaidze, são acusadxs de dano criminal da sede do Partido Russia Unida de Putin. Elxs foram acusadxs, no fim de Janeiro de 2018, depois de activistas desconhecidxs terem partido a janela de uma das filiais do Partido Russia Unida em Moscovo e de terem ateado um fogo em protesto contra a próximas eleições presidenciais.

“Não importa quem seja presidente, a sua política é sempre a opressão e a exploração das pessoas simples que trabalham. Nós, enquanto anarquistas, oferecemos auto-governo e democracia directa em troca de presidentes e outras instituições estatais. Junta-te à nossa luta!” – – disseram as pessoas responsáveis pela acção na sua declaração.
A polícia invadiu os apartamentos em que Gorban e Kobaidze viviam, a 13 de Fevereiro. Depois dos interrogatórios, xs activistas foram libertadxs sob fiança, e estão agora fugitivxs.

Chelyabinsk: caso criminal por faixa anti- FSB
Em Chelyabinsk, cinco activists foram detidxs a 19 de Fevereiro de 2018 depois de uma acção perto da filial local do FSB. Pessoas desconhecidas penduraram uma faixa com a inscrição “FSB – o maior terrorista” e atiraram uma bomba de fumo por cima da cerca das instalações do FSB. A acção foi realizada em apoio dxs anarquistas presxs em Penza.

Activistas, que preferem que os seus nomes não sejam publicados, relatam que os agentes do FSB xs torturaram com uma arma de choques eléctricos, exigindo que admitissem que tinham pendurado a faixa. Elxs foram entretanto libertadxs sob fiança, mas na condição de não saírem do país nem mudarem de residência. Podes ajudá-lxs com os custos legais transferindo dinheiro para a conta da Cruz Negra Anarquista.

Crimeia:

Yevgeny Karakashev preso por “justificar o terrorismo”. Em Fevereiro de 2018, o FSB da Crimeia prendeu o anarquista Yevgeny Karakashev. Acusado de “incitamento ao ódio” e “justificação de
terrorismo” ou, por outras palavras, por postar um vídeo na página do meio de comunicação social Russo VKontakte. Karakashev está actualmente detido.
Eugene é activista há já algum tempo. Antes da sua detenção, participou num piquete perto do edifíco do FSB em Simferopol, na Crimeia, e em Novembro de 2016, acompanhado por pessoas
com afinidades políticas, planeou um piquete “contra a arbitrariedade da polícia na Crimeia” junto ao edifício do Ministério do Interior. Este piquete foi banido pelas autoridades locais.

Perseguição Administrativa de Anarquistas

Em Janeiro de 2017, no aniversário do assassinato político do advogado Stanislav Markelov e da jornalista Anastasia Baburova, organizaram-se eventos em memória delxs por todo o país e que a polícia tentou interromper. Anarquistas foram detidxs em Moscovo, S. Petersburgo, Murmansk e Sevastopol. A polícia realizou outras detenções este ano, durante as acções em homenagem de Markelov e Baburova.

A 23 de Fevereiro de 2017, dúzias de pessoas foram detidas no festival antimilitarismo esquerdista “Desertir Fest”, no sudoeste de Moscovo. O festival foi organizado em protesto contra o recrutamento militar. A polícia considerou esta causa radical e portanto indevida. Em 2018 o festival não aconteceu porque a polícia o impediu antecipadamente.

Em Irkutsk, em Abril de 2017, foram realizadas buscas com a participação de uma unidade do SOBR (Forças Especiais Russas) e do Centro de Combate Contra o Extremismo. Nove pessoas foram detidas. Foi aberto um caso criminal sob o Artigo 148 do Código Criminal (insulto à religião) contra um dos activistas – Dmitry Litvin –. Xs restantes foram interrogadxs como testemunhas neste caso – xs próprixs detidxs estavam certxs de que a principal razão é outra: xs anarquistas locais são xs mais activos participantes da vida política da cidade e intensificaram os protestos repetidamente.

Em Novembro de 2017, quando xs antifascistas russos tradicionalmente homenageiam Timur Kacharava, um músico e antifascista assassinado por neo-nazis, a polícia interrompeu as homenagens. Como resultado, uma pessoa foi presa.

Perseguição de activistas russxs no estrangeiro

Em Abril de 2017, o anarquista Alexei Polykhovich foi deportado da Bielorússia, após 12 dias de prisão por participar numa manifestação em Minsk, onde as pessoas protestaram contra novos impostos. Durante o Verão, na cidade bielorussa de Baranovichi, a polícia de intervenção interrompeu uma palestra de Alexei Sutugi. O tema da palestra era a resistência às autoridades a partir da prisão. Quase todxs xs presentes foram detidxs até à noite. A 12 de Outubro, um tribunal local decretou que os materiais confiscados na palestra eram extremistas.

Em Outubro de 2017, na cidade bielorussa de Grodno, a polícia de intervenção interrompeu uma palestra do filósofo Pyotr Ryabov. Pyotr Ryabov é um simpatizante da causa anarquista e professor de filosofia na Universidade de Pedagogia do Estado de Moscovo. É especialista na história do pensamento anarquista. Depois de uma palestra intitulada “Movimentos Informais na Bielorússia 1991-2010”, em Baranovichi, Ryabov foi sentenciado a 6 dias de prisão por “disseminação de materiais extremistas”.
Depois disso, o Departamento de Cidadania e Migração local decidiu deportar Ryabov e decidiu impedi-lo de entrar no país durante 10 anos.
Em Moscovo, organizaram-se uma série de piquetes contra a prisão de Pyotr Ryabov, em frente da embaixada da Bielorússia.
“O estado sobrestimou a minha contribuição para a propaganda revolucionária: muitas das minhas palestras geraram menos revolta do que a sua proibição. Creio que o problema é o termo «anarquismo». As autoridades lembram-se do facto dos anarquistas terem sido condenados pelo incêndio da embaixada russa em 2010, e do facto dos anarquistas, em muitos casos, organizarem protestos massivos contra a lei do parasitismo”, disse Ryabov numa entrevista depois da sua libertação.

Em 2017, anarquistas da Bielorússia foram a mais activa força de protesto contra o imposto do parasitismo que as autoridades bielorussas queriam introduzir para os desempregados.

Notícias das prisões

O anarquista da Crimeia Alexander Kolchenko celebrou o seu 28º aniversário na prisão onde está ainda detido – apesar da recente troca de prisioneiros entre a Ucrânia e a Rússia. No seu aniversário, anarquistas da Ucrânia, da República Checa e da Polónia organizaram acções de solidariedade em aeroportos.
Kolchenko foi sentenciado a 10 anos de prisão pelo caso dos chamados “terroristas da Crimeia” – participou em acções contra a entrada das tropas russas na península, em particular no incêndio da filial local do partido Rússia Unida e do gabinete da comunidade nacionalista Russa da Crimeia. Em Novembro, foi-lhe diagnosticado um “defice de peso”. Ao mesmo tempo, o FSIN negou-lhe a oportunidade de estudar in absentia numa universidade ucraniana.

Podes escrever uma carta a Alexander Kolchenko para o seguinte endereço:
456612, Chelyabinsk Region, Kopeysk, ul. Kemerovskaya, 20, IK-6,
detachment 4, Kolchenko Alexander Aleksandrovich.

Na Mondovia, o anarquista Ilya Romanov continua a cumprir a sua pena por terrorismo: uma condenação que lhe coube depois de se ter ferido com fogos de artifício em Outubro de 2013. Devido ao acidente, Romanov perdeu uma mão mas, ainda assim, foi condenado por terrorismo e sentenciado a 10 anos de prisão.

Em Abril, o ECHR considerou uma das queixas de Romanov e atribuíu-lhe uma compensação de 3,400 Euros pela detenção irracionalmente longa durante a investigação. Apesar disso, não é claro como Ilya Romanov poderá receber este dinheiro – todas as suas contas estão bloqueadas
pelo estado. Os familiares de Romanov, que tentaram transferir o dinheiro para Ilya através dos correios, foram detidos pela polícia. Em Maio, Romanov foi posto em isolamento durante quarto meses, e em Julho foi aberto um novo caso de terrorismo contra ele.

Ilya Romanov está detido em IK-22 Mordovia, no seguinte endereço:
431130, Mordovia, Zubovo-Poliansky district, st. Potma, n. Lepley.
Escreve-lhe uma carta, ele irá apreciá-la.

Finalmente livre
Em Maio de 2017, o anarquista Alexei Sutuga foi libertado da prisão. Em Setembro de 2014, Sutuga, conhecido pela alcunha Sócrates, foi condenado a três anos e um mês de prisão depois de alegadamente ter tomado parte numa rixa de café. O antifascista não admitiu culpa: ele afirma que tentou interromper a luta mas não agrediu ninguém. As vítimas neste caso eram neo-nazis russos.

Em Outubro de 2017, o antifascista de Tomsk, Yegor Alekseev, desapareceu antes de ser sentenciado por “apelos públicos a actividade extremista”, ou por ter postado um vídeo do YouTube no seu perfil de uma rede social.
Neste momento está seguro numa localização desconhecida. De acordo com Yegor, ele está decidido a esconder-se do sistema judicial russo, temendo ser condenado a prisão.

No início de Novembro de 2017, o historiador anarquista Dmitry Buchenkov evadiu-se da prisão domiciliária e está neste momento num país europeu incógnito. A sua fuga foi possível porque não tinha pulseira electrónica devido a escassez de recursos. De acordo com os investigadores, a 6 de Maio de 2012 Buchenkov terá alegadamente atacado um polícia. Ele foi acusado apesar de as provas claramente indicarem que no dia do alegado ataque ele não estava sequer presente: encontrava-se de visita à sua família, noutra cidade. Uma queixa sobre a sua prisão e perseguição politicamente motivada foi dirigida ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.

Esta lista foi preparada pelo coletivo da Cruz Negra Anarquista de Moscovo. Não é uma lista completa das perseguições a anarquistas pelo estado russo – a pedido de alguns/mas companheirxs, esta lista não menciona todas as desventuras dxs anarquistas da pós-União Soviética. Se quiseres ajudar, podes encontrar informação sobre como transferir dinheiro para as necessidades da Cruz Negra Anarquista Russa nesta página.

Fonte: avtonom.org/en/news

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Solidariedade com anarquistas na Rússia – Semana de Acção a partir de 11 de Março de 2018

Eleição Presidencial Russa, 2018

Chamada para semana de acção a  partir de 11 de Março de 2018

A próxima eleição de Putin acontecerá a 18 de Março. O rito de inauguração da re-eleição terá lugar em condições de terrorismo doméstico e ameaça de guerra nuclear. Os serviços de segurança russos deram início a uma vaga de repressão massiva contra todxs xs dissidentes do regime, exercendo uma pressão sem precedentes para cada dissidente, da oposição liberal a anarquistas.

Os serviços de segurança federal conduziram uma série de detenções e buscas às casas de anarquistas e antifascistas sob o seu escrutínio, no Outono de 2017. Seis anarquistas de Penza foram presxs e acusadxs de preparação de um golpe de estado. A única prova de tal “preparação” é o facto de todxs xs detidxs terem jogado airsoft. Durante vários meses, xs detidxs foram expostxs a tortura até se declararem culpadxs.

Dois/duas anarquistas foram detidxs em S. Petersburgo, em Janeiro de 2018. Foram sujeitxs a tortura, tal como xs companheirxs de Penza. A polícia forçou-xs a assumir uma confissão e a repeti-la perante os investigadores. Um dos anarquistas raptados, Victor Filinkov, foi levado para a floresta, onde foi sujeito a tortura. Ilya Kapustin foi também detido e torturado mas como não fez nenhuma confissão foi considerado “testemunha”.
Houve muitos assaltos policiais contra anarquistas e socialistas na Crimeia em Fevereiro e Março. O primeiro detido foi Eugenie Karkashev. A razão apresentada para a sua detenção foi uma conversa na rede social “Vkontakte”. Passado um mês, houve invasões policiais em massa contra outrxs anarquistas e comunistas desta península. A lista dxs detidxs na Crimeia inclui o anarquista Shestakovich e o comunista Markov, que foram presos durante 10 dias.

Depois disso, xs anarquistas Kobaidze e Gorban foram presxs e acusadxs de tumultos junto das instalações do partido no poder, “Russia Unida”. A polícia recusou admitir a presença do advogado da detida até ela se declarar como culpada, violando todas as regras da lei.

Três anarquistas, juntamente com familiares e amigos, foram raptadxs pelo FSS em Chelyabinsk. Foram também sujeitxs a tortura com choques eléctricos, com o objectivo de lhes extrair os testemunhos necessários e de os fazer admitir a sua participação numa acção que consistiu no hastear de uma faixa contra a repressão.

O presidente Putin deu pessoalmente a ordem para “lidar” com os discursos de protesto e com xs “organizadores de acções de rua não autorizados” num discurso oficial no Ministério da Administração Interna (MIA). As autoridades estão tão inseguras de si mesmas que recorrem ao
terror, a raptos e a tortura, vendo ameaças em qualquer protesto de rua. Ao mesmo tempo, os protestos e a maior publicidade possível destes acontecimentos podem realmente ajudar xs anarquistas presxs. Não houve muita informação sobre xs anarquistas de Penza e isso permitiu que o FSS xs tenha torturado por muito tempo. Imediatamente depois da campanha internacional de Fevereiro de 2018, o gabinete do procurador de S. Petersburgo foi forçado a confirmar o depoimento acerca da tortura de Victor Filinkov. Recorde-se que o silêncio e a inactividade de hoje nos condenam à prisão e a raptos amanhã.

Assim, na semana anterior à eleição de Putin, a 11 de Março, apelamos à atenção de todxs para as condições de terror em que estas eleições decorrem. Hoje, carrascos e terroristas querem ser novamente “eleitos”. E todxs nós conseguimos ver o que estas eleições são. Agora podemos chamar a atenção pública (russa e internacional), limitar o alcance do terror hoje e adiar o seu início amanhã. Só a pressão pública pode travar o terrorismo de estado. Apelamos à acção. “Noites solidárias”, agitação nas ruas, difusão de informação, performances ou manifs, tudo
o que esteja ao alcance do vosso poder e imaginação, tudo o que possa chamar a atenção para esta ilegalidade, nada será em vão.

O novo termo de Putin é um termo de prisão para cada russx.

Requisitos para ajuda dxs anarquistas reprimidxs e endereços para envio de cartas:naroborona.info

[Federação Russa] Solidariedade Internacional com anarquistas russxs reprimidxs (5-12 Fev)

Ações de solidariedade com xs anarquistas presxs e compas antifa na Rússia – frente à Embaixada Russa, em Praga, República Checa, e no Consulado de Gdansk, Polónia (08/02)

Chamada para uma campanha de solidariedade internacional com os anarquistas russos reprimidos

Em Outubro de 2017, em Penza, seis anarquistas e antifascistas foram presos por agentes do Serviço Federal de Segurança com a acusação de terem criado um grupo terrorista. Começou também, nessa altura, o período de assaltos policiais a casas de anarquistas e antifascistas, em toda a Rússia. Os objetos de atenção do Serviço de Segurança eram pessoas diferentes de cidades absolutamente diferentes. Por fim, uma nova onda de detenções foi lançada em Janeiro de 2018. Um antifascista, Victor Filinkov, foi sequestrado pelo Serviço de Segurança em São Petersburgo. Os oficiais do Serviço de Segurança Federal torturaram-no na floresta, fora da cidade. Disseram a Victor para admitir a sua participação no mítico grupo anarco-terrorista. Incapaz de suportar a tortura que lhe infligiam, Filinkov foi obrigado a incriminar-se e agora permanece em isolamento temporário. O advogado de Filinkov afirma que nunca tinha visto nenhum dano tão grave em vestígios de tortura durante a sua prática de luta contra as agressões policiais.

Há outro antifascista que reivindicou a sua tortura (São Petersburgo). Ilya Kapustin também foi ameaçado por oficiais do FSS, mas recusou-se a incriminar-se e depois disso foi libertado sob fiança. Não houve provas de que o grupo anarco-terrorista existisse na vida real, apenas as confissões obtidas sob ameaças e tortura.
No entanto, a polícia está a fazer tudo para forçar as pessoas a confirmar a existência de uma organização terrorista mítica chamada “Net”, surgida das informações falsas do FSS. Os oficiais afirmam que esta organização tem muitas células em cada cidade. Isso significa que a situação que ocorreu em São Petersburgo será observada noutras cidades russas muito em breve.

Obviamente, tudo o que está a acontecer agora é uma tentativa para varrer o movimento anarquista, antes das eleições para presidente, em 2018. Nos últimos anos, tem-se verificado um crescendo da atividade do movimento anarquista, após as repressões de 2012. Essas repressões só podem ser para intimidar pessoas e esmagar o movimento anarquista.

Neste caso é necessário mostrar~lhes que não temos medo e que não podemos ser destruídos pela sua força. Caso contrário as repressões serão usadas sempre que o movimento anarquista chamar a atenção do FSS. Devemos mostrar-lhes que quanto mais fortes forem as suas repressões mais furiosa será a nossa resistência. Agora, o importante é apoiar xs prisioneirxs, impedir a continuação da “caça às bruxas” e dar uma publicidade internacional a estes acontecimentos.

Os dias de 5 a 12 de Fevereiro são dias de solidariedade com xs anarquistas russxs reprimidos.

Torna-se necessário organizar diferentes ações de rua, noites de solidariedade, distribuir informações nos meios de comunicação e na Internet. Faça tudo o que possa pôr em ação e implementar. A única arma com que podemos combater a face do terror do estado é a unidade e a solidariedade entre nós. Sem essas duas coisas seremos esmagadxs por este monstro, um/a por um/a.

Estamos prontos para fornecer o espaço para a publicação de ações de solidariedade, basta enviá-las para media_ns@riseup.net .

O endereço para as suas cartas de solidariedade é:
VIKTOR SERGEEVICH FILINKOV,
UL. SHPALERNAYA, D. 25,
G. SANKT-PETERBURG,
191123, FEDERAÇÃO RUSSA
(Somente cartas em papel)

Captação de fundos: Paypal
abc-msk@riseup.net (Atenção! Enviar com a etiqueta “205”)

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