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[Federação Russa] Solidariedade Internacional com anarquistas russxs reprimidxs (5-12 Fev)

Ações de solidariedade com xs anarquistas presxs e compas antifa na Rússia – frente à Embaixada Russa, em Praga, República Checa, e no Consulado de Gdansk, Polónia (08/02)

Chamada para uma campanha de solidariedade internacional com os anarquistas russos reprimidos

Em Outubro de 2017, em Penza, seis anarquistas e antifascistas foram presos por agentes do Serviço Federal de Segurança com a acusação de terem criado um grupo terrorista. Começou também, nessa altura, o período de assaltos policiais a casas de anarquistas e antifascistas, em toda a Rússia. Os objetos de atenção do Serviço de Segurança eram pessoas diferentes de cidades absolutamente diferentes. Por fim, uma nova onda de detenções foi lançada em Janeiro de 2018. Um antifascista, Victor Filinkov, foi sequestrado pelo Serviço de Segurança em São Petersburgo. Os oficiais do Serviço de Segurança Federal torturaram-no na floresta, fora da cidade. Disseram a Victor para admitir a sua participação no mítico grupo anarco-terrorista. Incapaz de suportar a tortura que lhe infligiam, Filinkov foi obrigado a incriminar-se e agora permanece em isolamento temporário. O advogado de Filinkov afirma que nunca tinha visto nenhum dano tão grave em vestígios de tortura durante a sua prática de luta contra as agressões policiais.

Há outro antifascista que reivindicou a sua tortura (São Petersburgo). Ilya Kapustin também foi ameaçado por oficiais do FSS, mas recusou-se a incriminar-se e depois disso foi libertado sob fiança. Não houve provas de que o grupo anarco-terrorista existisse na vida real, apenas as confissões obtidas sob ameaças e tortura.
No entanto, a polícia está a fazer tudo para forçar as pessoas a confirmar a existência de uma organização terrorista mítica chamada “Net”, surgida das informações falsas do FSS. Os oficiais afirmam que esta organização tem muitas células em cada cidade. Isso significa que a situação que ocorreu em São Petersburgo será observada noutras cidades russas muito em breve.

Obviamente, tudo o que está a acontecer agora é uma tentativa para varrer o movimento anarquista, antes das eleições para presidente, em 2018. Nos últimos anos, tem-se verificado um crescendo da atividade do movimento anarquista, após as repressões de 2012. Essas repressões só podem ser para intimidar pessoas e esmagar o movimento anarquista.

Neste caso é necessário mostrar~lhes que não temos medo e que não podemos ser destruídos pela sua força. Caso contrário as repressões serão usadas sempre que o movimento anarquista chamar a atenção do FSS. Devemos mostrar-lhes que quanto mais fortes forem as suas repressões mais furiosa será a nossa resistência. Agora, o importante é apoiar xs prisioneirxs, impedir a continuação da “caça às bruxas” e dar uma publicidade internacional a estes acontecimentos.

Os dias de 5 a 12 de Fevereiro são dias de solidariedade com xs anarquistas russxs reprimidos.

Torna-se necessário organizar diferentes ações de rua, noites de solidariedade, distribuir informações nos meios de comunicação e na Internet. Faça tudo o que possa pôr em ação e implementar. A única arma com que podemos combater a face do terror do estado é a unidade e a solidariedade entre nós. Sem essas duas coisas seremos esmagadxs por este monstro, um/a por um/a.

Estamos prontos para fornecer o espaço para a publicação de ações de solidariedade, basta enviá-las para media_ns@riseup.net .

O endereço para as suas cartas de solidariedade é:
VIKTOR SERGEEVICH FILINKOV,
UL. SHPALERNAYA, D. 25,
G. SANKT-PETERBURG,
191123, FEDERAÇÃO RUSSA
(Somente cartas em papel)

Captação de fundos: Paypal
abc-msk@riseup.net (Atenção! Enviar com a etiqueta “205”)

em inglês l alemão

República Checa: Rede de células revolucionárias (SRB) – ‘Chamada para a luta: Saboteie as Atividades desses Bastardos!

Demos-nos conta que a campanha repressiva sobre o movimento anarquista não tem fim. Exemplos suficientes disso são: A operação Fénix,o caso na república checa, o caso do Warsaw 3, acusações do assalto a banco em Aachen, tribunais com rebeldes contra a Cimeira do G20 em Hamburgo e outros casos.

Polícias, juízes, acusadores do ministério público. Eles são assombrados, aprisionados, surripiados e manipulados. Isto constitui um desafio para todas as células revolucionárias e outros grupos e indivíduxs. Saboteie as atividades desses bastardos. Dê-lhes a volta no terreno, tecnologia e estruturas. Organize a resistência. Apoie os fugitivos e os seus entes queridos.

O que nos anda a destruir só se deterá através da luta.

O objetivo é claro= Liberdade, justiça, anarco-comunismo.

Network of Revolutionary Cells (SRB)

em inglês

[República Checa] Texto do companheiro anarquista perseguido da Anti-Fénix, Lukáš Borl

Todo o poder para a imaginação?

Quando extensas greves e motins de trabalhadores e estudantes ocorreram em França, em 1968, um dos slogans daquela época era: “Todo o poder para a imaginação”.
A polícia checa e os tribunais têm agora a sua própria interpetação deste slogan: afirmam a sua autoridade através da promoção da sua própria imaginação.

Quando a polícia pretendeu um mandado de prisão – contra mim – os motivos alegados para isso eram apenas declarações especulativas e um monte de aleatórios disparates. Isso, obviamente, foi o suficiente para obter o mandado. Torna-se mesmo assustador o quão poderosa a sua imaginação pode ser.

Encontra-se escrito em alguns documentos: “Lukáš B. não tem residência permanente na República Checa. Com base na actual investigação, aclarou-se que, de Outubro de 2015 até Dezembro de 2015, se encontrava a movimentar-se, no território da república eslovaca,nos arredores da cidade de Žilina. Depois, em Abril / Maio, estava a mudar-se para a Eslovénia, nos arredores da cidade de Ljubljana.

Dali saíu – o mais provável para a Holanda – acompanhado de (nome da pessoa).
Depois foi descoberto que, no início do verão (junho de 2016) Lukáš Borl tinha participado numa reunião secreta dos defensores dos direitos dos animais, Frente de libertação animal (ALF), que aconteceu em França, nos arredores de Marselha, sob o nome RAT ATTACK [ATAQUE DE RATOS]. A partir da comunicação descoberta tornou-se claro que Lukáš B. planeia viajar ao longo da costa de Itália e França até a fronteira da Bélgica e Holanda, onde é suposto ter um emprego – fotografando para uma revista sobre migração. Especial da pesquisa pessoal: cabelo castanho, barba, 8-10 rastas na cabeça, 15-20 cm de largura.”

Que tipo de investigação pode levar a escrever tal absurdo? Em toda essa construção há apenas uma afirmação verdadeira – naquele momento não tinha realmente residência permanente na República Checa. Que espécie de polícia  pode ter na comunicação “descoberto” se deduzir declarações absolutamente falsas? Aparentemente, toda a investigação e comunicação “descoberta” ocorreu apenas nas cabeças das chefias da polícia. Apenas uma excogitação casual, tal como lhe poderemos chamar. Claro, a polícia vai pensar num nome melhor para o que fazem, simplesmente porque não é tático em absoluto admitir que a autoridade deles se baseia em excogitação e incapacidade de investigação.
Lukáš Borl
antifenix.noblogs.org

Notas de Contra Info:

No dia 28 de Abril de 2015, Lukáš foi um dos muitos anarquistas presos na operação policial Fénix. Foi libertado, após dois dias de prisão, mas outros três anarquistas permaneceram em prisão preventiva desde então (após um ano ainda havia um companheiro em custódia, à espera de julgamento).

Nos meses seguintes, Lukáš encontrava-se sob vigilância da polícia secreta. Sob a pressão das preocupações também poderia acabar na prisão, pela sua atitude e atividades anarquistas, decidindo, assim, passar à clandestinidade.Depois disso o lugar onde se encontra é desconhecido. Mas ainda publica textos em que sublinha a sua vontade de permanecer parte do movimento anarquista e das suas atividades.

A 4 de Setembro de 2016, Lukáš Borl foi preso pela polícia em Most e depois levado a prisão preventiva, em Litoměřice. Acusam Lukáš pela fundação, apoio e promoção de um movimento destinado a reprimir os direitos humanos e as liberdades.

O companheiro foi libertado sob fiança a 13. 4. 2017. Significa isso que vai aguardar o julgamento fora dos muros da prisão.

em inglês

[Praga, República Checa] Veredito do caso Fénix: Acusadxs absolvidxs

REPRESSÕES NA CHAMADA REPÚBLICA CHECA, OUTONO DE 2017  – O JULGAMENTO FÉNIX – ACUSAÇÕES REFUTADAS – MINISTÉRIO PÚBLICO APELOU – 3 ANOS DE FALTA DE EVIDÊNCIAS – 3 ANOS QUE LIXARAM COMPLETAMENTE AS NOSSAS VIDAS

PANFLETO ANTI-FÉNIX

3 anos de falta de evidências – 3 anos que lixaram completamente as nossas vidas

O clamor do caso Fénix consiste num conjunto de acusações de muitos crimes, variando da auto-intitulada “promoção do terrorismo” à preparação de ataques terroristas. Foram estes foram os mais discutidos até ao final do julgamento no Tribunal Municipal em Praga. No veredicto, o juiz declarou a absolvição de todxs xs cinco réus do caso Fénix ​​1. É uma vitória? Porque é que essa decisão não é definitiva? O artigo que se segue é a tradução de uma visão geral – já com mais de um mês – sobre as audiências do tribunal e algumas análises sobre da nossa situação e experiência, originalmente escritas em língua checa.

Esta longa audiência foi acerca de cinco anarquistas. Três delxs eram acusadxs ​​de planificar um ataque terrorista a um comboio que transportava apetrechos militares. 2 delxs foram acusadxs ​​de saber sobre tais planos e de não ter impedido xs presumíveis autorxs. Duas dessas cinco pessoas também foram acusadas de preparar um ataque com cocktails molotov contra carros da polícia durante o desalojo da okupa Cibulka. Basicamente, de acordo com os polícias implantados, existem no total cinco pessoas e três diferentes crimes nos quais estão envolvidas. (E tudo isso é apenas no caso do Fénix ​​1, porque algumas dessas pessoas estão a ser confrontadas com novas acusações, no contexto do Fénix ​​2).

No grupo onde xs cinco acusadxs ​​estavam envolvidxs, havia dois polícias infiltrados. Esses indivíduos prepararam de forma ativa os dois ataques e também os iniciaram, em parte. No entanto, o juiz não avaliou as suas ações enquanto provocação – visto os materiais que detectariam isso não estarem disponíveis.

A juíza, Hana Hrncirova, enfatizou que absolveu todxs xs acusadxs precisamente por falta de suficiência de provas. Destacou a falta de transparência do trabalho da polícia: “A razão que levou o tribunal a tomar tal decisão baseia-se no fato do juíz, durante a avaliação das evidências, ter expressado fortes dúvidas sobre a transparência dos métodos da polícia – tanto antes do início da ação penal como quando foi legalmente permitido envolver os agentes implantados no caso “ afirmou ela.

Sublinhou ainda, a juíza, que a polícia atuou sem ter mandato durante meses e quando o advogado da defesa pediu os registos de sua atividade, não os tinham: “O tribunal não possui vestígios de registos, nem de um ao menos”, disse a juíza. Por fim afirmou que: “O advogado de defesa tentou obter esses materiais porque se pode supor que, com base nessas permissões individuais, deveria haver algum registo nalgum lugar. Esses registos, no entanto, nunca viriam a ser incluídos no arquivo.”

De acordo com o que a polícia afirmou, os materiais dos primeiros meses de infiltração “não existem ou não podem ser usados”. Então, temos outra pilha de arquivos que existem, arquivos com uma transcrição das comunicações de telefone celular gravadas e que, de fato, podem ser usados. Especialmente para provar que os agentes secretos, a infiltração e a construção do caso não são uma questão do passado, como ouvimos com muita frequência. Cómico não deixou de ser o momento, quando o juiz levantou esta pilha sobre a cabeça (é um volume de cerca de 400 páginas A4) e disse que, a partir de todas essas transcrições, nenhuma coisa tem algum valor como evidência.

A decisão não é definitiva porque o promotor público Pazourek achou que ainda não tinha destruído a vida das pessoas o suficiente e apelou. Enquanto ex-polícia, acredita que a polícia atuou corretamente e espera que a Supremo Tribunal de Recurso confirme a sua opinião. Certamente que fará o possível para encontrar algo que “deve estar lá e pode ser usado”. Podemos, simplesmente, esperar que este caçador de anarquistas – propondo um mínimo de 12 anos de prisão para xs acusadxs no caso Fénix e desempenhando também um papel no Fénix 2 – tenha elementos sem valor de evidência no próximo julgamento, também.

Ao contrário de Pazourek, o ministro do interior – amante de armas, social-democrata – Josef Chovanec, não tem tempo para esperar pelo Tribunal de Apelação. As eleições parlamentares estão a aproximar-se e ele tem que dar prioridade ao polimento da imagem – apresentando-se como um justo e bom pai. E, portanto, após três anos, percebeu de repente, que no caso Fénix, “algo não está certo”. No seu perfil do “Twitter”, deixou alguns comentários fazendo referência a fatos pertencentes à história checa: “Se se prova que se trata, apenas, de uma provocação policial, pedirei um caso de investigação minuciosa e  a punição dos culpados. A polícia de um estado tão democrático […] não pode destruir arbitrariamente a vida das pessoas, e isso independentemente do seu pensamento político. Espero que o “julgamento de Omladina”* pertença à nossa história e não ao nosso presente“. Pena que não estivesse lá a dizer essas palavras quando, no momento da prisão de Martin Ignacak, o detetive principal Palfiova, olhando para o arquivo, declarou: “nós podemos fazer tudo!”

Se o próprio Chovanec é, ou não, direta ou parcialmente responsável pelo processo contra o movimento anarquista, não sabemos e demorará muito tempo ainda até descobrirmos. Certamente que – se o tribunal enviasse as cinco pessoas para trás das grades – podemos apostar que iria tocar nos ombros dos seus amigos “pelo bom trabalho que fizeram”. Agora, quando o contrário aconteceu, pode sempre culpar  – pelos erros e abuso de poder – apenas alguns indivíduos de um aparelho policial e punitivo que, de outra forma. é “impecável” e “útil para toda a comunidade”.

A falta de provas ganha

Para muitos de nós, o veredito do Tribunal é um alívio. Por um momento, podemos respirar, nos encontrar para jantar e ver xs nossxs amigxs – num estado de espírito mais relaxado, fora dos muros da prisão. Estes momentos são importantes na vida e é bom que possamos aproveitá-los. A prisão é uma instituição inútil, divide relacionamentos, isola pessoas e destrói vidas. É por isso que o veredito, por mais agradável que seja do que “culpado”, não é uma vitória total para nós. Não esquecemos o que três anos de infiltração e posterior investigação significaram. Ales, Martin e Peter ficaram presos durante 27 meses no total, Lukas durante 7 meses e, antes disso, tinha estado um ano na clandestinidade. Todxs elxs ainda aguardam julgamentos (recurso do Fénix ​​1 e para alguns delxs e outrxs 2 companheirxs da Fénix ​​2). Alguns/mas delxs com possíveis sentenças de prisão perpétua, ainda no ar. Não vamos deixar esquecer que Igor – hoje considerado inocente – esteve com a mais difícil custódia, durante três meses, e ainda está a enfrentar restrições difíceis, declarando aos serviços de liberdade condicional há quase ano e meio. Além disso, ainda está sob risco de deportação da República Checa devido à sua permanência sob custódia.

As famílias, amigxs e pessoas mais próximas dxs réus e preso – bem como todxs aquelxs que são diretamente afetadxs pelo caso Fénix – estão a enfrentar uma grande pressão emocional e segregação. A polícia entrou em vários espaços e tem levado mais e mais pessoas para interrogatórios. A polícia está a utilizar práticas de abuso de poder, tais como levar as pessoas para a floresta, ameaçando xs parceirxs e pais e mães dxs suspeitxs. Uma lista do que foi feito durante as várias ações repressivas – e estamos apenas a falar dos últimos três anos – na cena anti-autoritária na chamada República Checa-  provavelmente seria longa e assustadora.

Em suma, é claro que não há nada para comemorar. A necessidade de esmagar o sistema opressivo ainda está em jogo, basta pensar numa estratégia melhor e encontrar novas formas de lutar. Em casos como o Fénix, é necessário entender do que realmente se trata. As unidades repressivas não têm medo de nós sózinhos, nem temem Martin, Peter, Sasha, Ales, Katarína, Radka, Igor, Lukas, Ales e xs outrxs acusadxs. O que os assusta é que mais e mais pessoas se identificam com as nossas ideias, especialmente se começarem a usar uma maior variedade de táticas. Os protetores do status quo investem muitas forças, energia e recursos para manter as pessoas na crença de que esta é a liberdade com a qual sonharam.

As pessoas anti-autoritárias e anarquistas que acreditam que podemos viver as nossas vidas de uma forma mais genuína do que a oferecida pelo neoliberalismo – e de que não precisamos de Estado e Política – podem oferecer uma alternativa que possa interferir com esse estilo de vida consumista.

A repressão é, então, vista como a ferramenta ideal para suprimir ideias. E por elas, o aparelho estatal quer nos desacreditar – através de meios sensacionalistas e rotulando-nos de terroristas – intimidando-nos, usando o encarceramento e dividindo o movimento entre “radicais” e xs “não-violentxs” e colocando-nos uns contra xs outrxs. Paralisando-nos com a paranóia.

A questão é, então, onde essa tentativa de repressão é bem sucedida e em que pontos podemos trabalhar sobre nós mesmxs. Como não cair em armadilhas que são invisíveis à primeira vista e como derrubar muros nas nossas cabeças. Dentro de nós mesmxs e entre nós e outras pessoas.

Como quebrar esses muros e construir pontes fora deles. Como superar o medo, obter aquilo pelo qual se está a lutar e respeitar cada qual. E por último, mas não menos importante, como não cair no desejo de ganhar num jogo que não é nosso e que só nos afasta de coisas e atividades importantes.

O caso Fénix ​​tornou-se um ponto crucial nas vidas de muitxs de nós. Podemos aprender muito com isso. Tomá-lo como um ponto de referência, para entender melhor como funcionam as estruturas de poder e para que nos entendamos mutuamente, bem como para analisar criticamente os nossos próprios erros. Não queremos fingir que temos as respostas para todas as perguntas. Mas aprendemos uma coisa. Se queremos que as nossas ações e a nossa organização sejam, realmente, efetivas e perigosas para as estruturas de opressão que nos mantêm sob controle, essas devem ser decorrentes de discussões coletivas e negociações que vão além dos esquemas fornecidos pelo estado. Aprendemos que não há motivo para nos escondermos da repressão, é melhor estar pronto para a enfrentar e criar condições que tornem essas operações inativas. No tempo em que as pessoas estiverem presas – primeiro discute-se se esta é a medida certa para implementar ou não, apenas após a prisão – há uma razão para continuar a lutar. Isso não quer dizer que, se o processo judicial acontecer na ordem oposta, a questão seja resolvida- em vez disso, precisamos imaginar um mundo completamente diferente. Um mundo sem prisões, fronteiras e polícia, onde devemos realmente resolver os problemas, em vez de nos espalhar por trás dos muros.

Fénix não é uma operação visando alguns/mas anarquistas ingénuxs, mas um ataque ao futuro da subversão como um todo. É também uma demonstração do poder policial e do trabalho dos agentes secretos do estado na democracia que ouvimos tão frequentemente como sinónimo de liberdade.

Não te deixes apanhar!

Em Solidariedade, Cruz Negra Anarquista, Praga, Equinócio de Outono de 2017.

“Os meus pilares de valores são: Vida, Justiça, Liberdade e Igualdade. As pessoas que constroem casos e querem aprisionar pessoas dificilmente entendem tais valores. Estou pronto para qualquer veredito, e levá-lo-ei de cabeça erguida. Um veredito que afetará a minha vida e a vida dos outros. “
Final do discurso de Martin Ignacak.

Nota:

*Em 1894, o julgamento Omladina, convocado na capital regional austro-húngara de Praga, colocou ostensivamente o anarquismo e o anarco-sindicalismo checo no tribunal, bem como condenando, especificamente, 68 nacionalistas checos por atividades radicais.

em inglês (pdf) aqui

 

Atenas, Grécia: Gesto de solidariedade para com xs 6 compas recentemente presxs em Itália e Lukáš Borl na República Checa

uroborusComo gesto de solidariedade para com xs companheirxs recentemente presxs em Itália e na República Checa, colocámos uma faixa no centro de Atenas [no dia 12 de Setembro de 2016] onde se pode ler: “Ataque armado até ao esmagamento da civilização do Poder & execução; para todxs xs irmãos/irmãs anarquistas em cativeiro; para todos os nossos momentos roubados. Solidariedade e cumplicidade com xs anarquistas recentemente presxs em Itália e na República Checa “.

União de individualidades anarquistas Uroborus

em inglês

[República Checa] Chamada internacional de solidariedade com anarquistas represaliadxs na operação “Fénix”

Nos dias 2 e 3 de Agosto de 2016, pelas 09:30 no Tribunal de Praga (Městský soud v Praze) terá lugar a audiência judicial dxs anarquistas acusadxs de um ataque terrorista na fase de preparação – um plano iniciado pelos dois agentes infiltrados.

Agradecemos todas as formas de apoio.
A solidariedade é a nossa arma!

Nota: Em Abril de 2015, o Estado checo lançou uma campanha repressiva sob o nome de “Operação Fénix” visando o movimento anarquista ativo no seu território. Invasões de casas de lutadorxs, prisões, pertences pessoais confiscados, parentes e amigxs dxs detidxs perseguidxs e processos acusatórios cozinhados em esquadras policiais. Onze lutadorxs foram presxs como resultado desta operação, dos quais quatro foram enviadxs para prisão preventiva na República Checa, enquanto aos/às restantes foram dadas condições de fiança restritivas. Martin Ignačák, que é acusado de planear um ataque a um comboio de transporte de equipamento militar, foi de fato preso por agentes do governo que se infiltraram nos círculos anarquistas e que indicaram a meta juntamente com os planos para realizar tal ataque. Martin já passou mais de 14 meses na prisão à espera de julgamento; no entanto a vingança do aparelho de Estado contra o companheiro continua, com assédio constante dos seus familiares e as solicitações para substituição da prisão preventiva por condições de fiança negadas, além das condições debilitantes na prisão. Para resistir a isto, Martin realizou uma greve de fome desde 9 de Junho de 2016, usando o seu corpo como barricada contra o estatuto de excepção a que está submetido – a greve de fome entretanto foi terminada a 22 de Junho.

Atualizações: antifenix.noblogs.org

Atenas: Faixa desfraldada em solidariedade com a Okupa Klinika em Praga

Solidariedade com a Klinika | Solidariedade de Atenas à Klinika

Faixas suspensas em Exarchia, na Okupa Themistokleous 58, em solidariedade com o centro social autónomo Klinika em Praga – atacado por um grupo de neonazis em 6 de Fevereiro de 2016.

Força para aquelxs que continuam a resistir.
Foda-se o racismo e a xenofobia.

em grego l inglês

República Checa: Algumas palavras e imagens da Semana Internacional de Solidariedade com xs presxs anarquistas

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A Semana Internacional pelos Presxs Anarquistas foi de 23 a 30 de Agosto de 2014. Dezenas de eventos aconteceram da América do Sul ao Extremo Oriente. Os coletivos anarquistas de todo o mundo, de diversas formas, tentaram aumentar a conscientização de companheirxs e outrxs combatentes revolucionárixs que se encontram presxs. E nós, juntamente com outros grupos e indivíduos que apoiam a Cruz Negra Anarquista tentamos destacar esta questão. E não só isso. Tentamos expressar solidariedade a amigxs e companheirxs presxs através da intensificação da correspondência (cartas e envio de encomendas). Distribuímos e colocámos centenas de panfletos e autocolantes. Realizámos uma exibição pública de um filme sobre o destino de Sacco e Vanzetti, fazendo-o atual nas cidades, prisões, tribunais e até numa esquadra da polícia. Em Ústí nad Labem, de acordo com um comunicado assinado pelo grupo “Solidariedade Proletariana”, ‘um carro da polícia foi danificado como acto solidário com anarquistas presxs por todo o mundo‘. Embora a última semana de Agosto não seja a altura ideal para uma mobilização mais ampla, talvez a Semana Internacional de Solidariedade com Presxs Anarquistas tenha atingido o seu objetivo. Lembrou a necessidade de solidariedade não só para companheirxs e amigxs presxs, mas para todo o movimento enquanto tal.

fonte:  325.nostate.net