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Brasil: Bombas de tinta no Tribunal de Justiça de Porto Alegre

Recebido a 15 de Junho de 2017

Bombas de tinta no Tribunal de Justiça de Porto Alegre pela sentença a 11 anos de prisão do Rafael Braga, único preso pelos protestos de 2013.Expandir o conflito é desbordar qualquer margem que ameace nos conter. Espalhar o conflito é enxergar o instinto anárquico de indocilidade e poder agir com ele, solidarizar por ele. No sábado de 6 de maio, poucos dias depois de que ficamos sabendo da absurda sentença, quando a noite caía, caminhamos em direção do Tribunal de Justiça de Porto Alegre e atiramos contra ele bombas de tinta.

No domingo pela manhã já tinham contratado alguém para fazer a faxina do lugar deixando ainda rastros do fato. Uma semana depois, no sábado de 13 de maio, fomos ate lá com a mesma vontade e decoramos a fachada de novo.

Pouco importa se é simbólico, se só uns quantos estavam trabalhando (de luzes ligadas) aquelas noites e tomaram um susto ao ouvir vidros se quebrando na porta. O que importa é que sua normalidade seja quebrada, que seus dias e suas noites não sejam calmas… que suas sentenças e trabalhos que roubam a vida do Rafael e outros como ele, não fiquem como a ordem normal da sociedade que faz séculos domina uns pelo progresso de outros poucos. Que a normalidade de uma sociedade baseada na opressão, racismo e o encerro seja quebrada. O que importa é que não se perda a decisão em ação de revidar e atacar o que nos ataca.

Porquê o Rafael?

Rafael Braga Vieira, catador de lixo e morador de rua, foi detido em 21 de junho de 2013 no contexto dos protestos históricos contra o aumento da passagem no Brasil. Acusação: porte de artefato incendiário ou explosivo. O que ele tinha nas mãos eram duas garrafas de plástico, uma de água sanitária e uma de pinho sol.

Várias pessoas foram detidas ao longo de 2013 por ter participado nesse mesmos protestos, e foram liberadas um tempo depois, alguns com uma vergonhosa atitude delatora (esperar o que num lugar onde a delação é premiada). Mas Rafael Braga não, ele não foi liberado. Ele foi sentenciado e condenado a 5 anos de seqüestro nas gaiolas do estado/capital-civilizador. A mensagem: A favela não pode protestar. Tudo bem com estudantes, ativistas, e militantes da esquerda, e sobretudo brancos, eles podem e até vão esperar em  casa seu “devido” processo, mas os negros, pobres e favelados atacar o sistema … não! E isso que Rafael apenas estava onde vivia, nas ruas.

Faz anos que existe uma agitação anárquica pelo Rafael. Desde reuniões, almoços, atividades, feiras, um chamado internacional pelo Rafael em novembro de 2016 e outro em junho de 2017, até ataques contra partes do sistema carcerário: Queimaram caixas eletrônicos do Banco Santander em dezembro de 2013 sinalizando a solidariedade com Rafael Braga, em maio de 2014, os vândalos selvagens antiautoritários solidarizam também com ele, queimando o tribunal militar da união e viaturas da PM, e em setembro do 2016 alguns amigxs da revolta deixaram um artefato incendiário embaixo de uma viatura mandando um abraço ao Rafael.

Esta agitação mostra que para alem das “ideologias”, uma pessoa que cai nas gaiolas do inimigo e se mantém digna, não será esquecida, não ficará só, porque os laços construídos na luta, são firmes ainda quando trata-se de alguém que recebe os castigos como efeito colateral de nossas ações por ser parte dos reprimidos de sempre: negros pobres e favelados. daqueles que não tem cidadania nem direitos.

Pequena alegria sentimos ao saber de sua liberdade vigiada em 2015, mas, pouco duraria. Em janeiro de 2016 ele foi detido novamente, esta vez por tráfico de entorpecentes, unicamente com inimigos como testemunhas: “Neste sentido são valiosas as declarações prestadas pelos policiais militares Pablo Vinicius Cabral e Victor Hugo Lago, em seus respectivos depoimentos às fls. 195 e 220, que diligenciaram a prisão do réu RAFAEL BRAGA, declarações estas que foram corroboradas pelos testemunhos de seus colegas de farda Farley Alves de Figueiredo (fl. 247) e Fernando de Souza Pimentel (fl. 248).” Estrato da sentença contra Rafael Braga.

A mensagem de novo foi clara: ‘quanto mais vocês se mobilizarem para defender essas pessoas, mais dura será a nossa resposta’.

Com uma mão terna e a outra armada

Com uma mão terna, a solidariedade é um torrente de ações que procuram fazer a vida do seqüestrado menos dura na cadeia, são atos certeiros que quebram o isolamento mandando cartas, livros, comida, apoiando economicamente a ele e a sua família que se vê obrigada a ter que lidar com advogados, processos, as vezes até viagens para visitar alguém.

Mas, fazer menos pesada a cárcere não resolve nem questiona esta sociedade carcerária. Aqui não existe um só juiz, advogado ou agente penitenciário que não tenha sido parte do seqüestro de algum pobre, negro, favelado.  Não existe um só jornal que não nos ensine que isto é “normal” em todos eles a negritude e a pobreza são transmitidas como criminais. Então, aqui não existe negociação possível. Declaram-nos a guerra.  Policiais, leis e cárceres são parte da engrenagem da dominação. Desde o capitão do mato até o sistema judicial a opressão só tem mudado de nomes.

A civilização dominadora, berço do estado, o capitalismo e a moral dos que governam, chama a gritos um ataque, provoca, cuspe no rosto e esmaga no chão se caírmos, nos demandando reagir.

Por isso a nossa mão armada, a do confronto, do agito, do revide. Porque cada ataque contra eles está justificado por séculos de dominação, exploração e extermínio. Porque cada ato vandálico está justificado pela ostentação da mercadoria e da cultura dominante, aquela velha civilizada, bem penteada, ultra legalizada e moralista cultura do domínio que marginaliza a quem não é serviçal, que mata ou seqüestra a aqueles que não lambem a mão do patrão.

Porque a solidariedade é uma arma de combate que não só ajuda ao companheiro, mas responde a quem nele bate.

Para mandar a merda ao juiz seqüestrador: Ricardo Coronha Pinheiro

Mandando algo:

Ricardo Coronha Pinheiro
Tribunal de Justiça- Comarca da Capital
Cartório da 39ª Vara Criminal
Av. Erasmo Braga, 115 L II sala 812CEP: 20020- 903
Centro – Rio de Janeiro – RJ

Mandando um email:

cap39vcri@tjrj.jus.br
assessoriadeimprensa@tjrj.jus.br

Fazendo ligação ou mandando fax:
(0xx21) 3133-2000

Para doar qualquer valor à Família de Rafael Braga
-banco Caixa Econômica Federal
Agencia 4064
Conta Poupança 21304-9
Operação 013
Nome: Adiara de Oliveira Braga (mãe do Rafael)
CPF:  148 955  027  59

Pela Solidariedade combativa
Pelo Rafael
A cada ataque um contra-ataque!

Brasil: Ataque a uma viatura da polícia civil em Porto Alegre

Solidariedade com os sequestrados nas gaiolas dos Estados.

Na madrugada do dia 25 de setembro, deixamos uma carga incendiaria embaixo duma viatura na primeira delegacia da polícia civil, situada na rua Canabarro.

Ainda quando na cidade se respira o ar repressivo com a chegada da Força Nacional, conseguimos atacar. E não somos os únicos, o ataque à polícia neste território não é exclusividade nem profissão de ninguém. Abraçamos essa atitude de irreverencia, e celebramos o fogo na delegacia da vila Cruzeiro. Que a revolta e o ataque sejam permanentes!

Toda forma de polícia é inimiga da liberdade. Não só a polícia militar é repressiva e assassina. Há toda uma rede que defende a “ordem social”: Os p2 fazem um trabalho de inteligência para perseguir e encarcerar a todos os que não aceitam serem submissos a esse sistema, a guarda municipal é quem cuida da “limpeza social” das ruas das cidades, perseguindo moradores de rua, vendedores ambulantes etc… enquanto nos protestos pedem o fim da polícia militar esquecendo que toda polícia busca a eliminação da divergência… toda polícia é nossa inimiga.

Junto com nosso gosto por atacar esta força repressiva, nossos inimigos de sempre, nos acompanha também o desejo de mandar um abraço para nossos companheiros. Aos inquebrantáveis guerrilheiros urbanos da Conspiração das Células de Fogo que seguem lutando dentro das prisões gregas (estamos com vocês, hoje e sempre). Aos compas da Itália sequestrados pelos ataques da FAI FRI. A Rafael Braga Vieira, que ainda se encontra preso no Rio, acuado absurdamente por portar uma garrafa de pinho sol durante uma manifestação em 2013.

Pelo fim de todo tipo de polícia e pela propagação dos ataques contra a dominação.

Alguns amigos da revolta

PD. Os meios de comunicação assim como a própria polícia não falaram sobre o acontecido, obviamente, não seria muito estratégico expor suas fraquezas, vai que outros “vândalos” e rebeldes se inspiram e busquem atacar novamente as “forças da ordem” na sua própria casa….

em grego

Porto Alegre, Brasil: Ataque a caixas eletrônicos do Banco Santander em solidariedade com Mónica Caballero e Francisco Solar

A Solidariedade é uma força viva! Fogo na Bomba!

Na despedida de um sol quente de 34° e na subida da lua cheia em encontro ao céu que nos cobre, visitamos nessa segunda feira, na avenida Osvaldo Aranha o banco Santander, de frente a um posto policial. Entrando no estabelecimento bancário, lhes deixamos junto aos caixas eletrônicos um presente incendiário  natalino na clara intenção de destruir o estabelecimento. Após isto o tempo e o fogo fizeram sua parte. Não viemos roubar seu sujo dinheiro, viemos destruí-lo. Alcançamos nossas intenções:

Atacamos, causamos destruição, saímos ilesos e demonstramos com esta ação que a solidariedade não é um slogan vazio e que não vive em toda sua grandeza somente com a palavra. Esse pequeno gesto nos mostra que o incremento de medidas de vigilância na cidade não pode ser um freio à nossa vontade de desafiar constantemente o Poder, sempre podemos encontrar um jeito de escapar da “grande besta”, começando por desconstruir os nossos próprios medos.

Que seja um incentivo a todos os corações rebeldes a passar a ação na luta contra os “projetos de aceleração do crescimento” e também contra a copa do mundo que vem atropelando em alta velocidade. É evidente que a luta não se resume a este evento esportivo que tem violentado muita gente. E mais, sinalizamos com o calor deste incêndio nossa solidariedade com Rafael Vieira, Jair Soares, aos que resistem contra a hidrelétrica de Belo Monte, a todos que sofrem processos e perseguições como resultado dos protestos do inverno e também e não menos distante a todos que lutam contra o poder em todos cantos do mundo e se enfrentam com o peso do sistema penitenciário na Argentina, Grécia, Indonésia, Chile, Itália, Estados Unidos, Bulgária, México, Alemanha, Espanha.

Com esse pequeno ataque aos interesses espanhóis, mandamos uma força solidaria para Monica Caballero e Francisco Solar, presxs nas mórbidas grades do Estado espanhol, isolados no regime de segurança máxima FIES.

Frente à repressão, solidariedade ativa com todos os métodos possíveis!

Força e solidariedade para Monica e Francisco!
Liberdade ao Baiano e à Rafael Vieira, presos no Rio de Janeiro!

Nota: Não encontramos nenhum relato da imprensa corporativa respeito ao ataque da noite passada (dia 16 de dezembro), porém, a destruição foi efetiva, as caixas foram destruídas e o banco esta fechado até o dia de hoje.