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Treviso, Itália: Instalações da Liga do Norte atacadas pela célula Haris Hatzimihelakis

Cansadxs de ficar em silêncio, fartxs de ver violência sistemática e diária a ocorrer na sociedade – seja através do racismo, sexismo ou trabalho assalariado – cujos valores essenciais são autoridade e lucro. Enfastiadxs da exploração, a vermos todos os partidos políticos como o principal responsável disso – como elxs reprimem a liberdade com o aparelho estatal, reformista e repressivo (TV, media, associações, exército, proteção civil, etc.). O estado e o capital são os maiores criminosos, até violam as suas próprias leis – roubando através dos impostos, matando através das guerras e do trabalho assalariado, rejeição de botes de migrantes no mar, campos de concentração para imigrantes na Europa e África, contaminando irreversivelmente seres humanos, animais e todo o planeta – tudo pelo lucro e poder.

Não esqueçamos a cumplicidade hipócrita da sociedade composta por cidadãos/ãs que fingem não ver os horrores do racismo e nacionalismo, presentes e passados. Essa aceitação é o pilar do totalitarismo e da democracia: ao longo do tempo a autoridade baseada na indiferença, medo, apatia foi não só sócapaz de criar gulags e campos de concentração nazis e, presentemente, os campos de concentração na Líbia e fora das nossas casas. É uma história que se repete a si mesma.

12.08.2018

Na madrugada desse dia as instalações da Liga do Norte foram atacadas em Treviso, com um dispositivo explosivo. Reivindicamos a colocação do dispositivo contra políticos, polícias e seus lacaios. Não queremos ser cúmplices de tudo isso, nos oporemos à violência indiscriminada do Estado com violência indiscriminada contra os responsáveis, por tudo isso. A quase total pacificação da Itália, onde as massas estão ocupadas a fazer guerra entre os pobres, um dos nossos objetivos é o da oposição à renúncia, impotência e quietude. O Estado e o capital usam todas as formas de tecnologia e violência para desviar a atenção dos problemas reais dos explorados, sendo o principal deles o ódio entre xs mais vulneráveis e despossuídos, por meio de fronteiras, géneros, cores da pele.

Escusado será dizer que nenhuma facção insignificante de políticos autoritários será capaz de satisfazer os nossos desejos. Está-se a falar sobre o governo “verde-amarelo”, esquerda e direita, queremos que o estado seja destruído. Está a prometer-se aumentos salariais, redução de impostos, empregos, queremos a eliminação de dinheiro, bens e trabalho. Está a lutar por melhores condições do governo, mas só queremos nos divertir com as ruínas em chamas das suas cidades. Você faz política, nós fazemos guerra social.

As coisas estão difíceis, trata-se de um abismo existencial entre nós e elxs e não há espaço para diálogo.. como consequência disso sabemos onde atacar. Atacar o racismo e a exploração em particular. Atacar o Estado, o capital e todxs xs responsáveis. A ação direta torna claro o porque e o como, para nós.

Pela Anarquia!
Pela solidariedade internacional anarquista e rebelde!
Por um mundo sem fronteiras nem autoridade.

Com esta ação, saudamos a chamada lançada pelxs companheirxs da “célula Santiago Maldonado”, na qual se propunha aumentar os ataques à paz dos representantes da dominação e cúmplices.

Benvinda seja qualquer individualidade anarquista ou célula que continue a espalhar a chama, através da ação, no aqui e agora!

“Hoje tomamos a tocha da anarquia nas mãos, amanhã será outra pessoa. Para que não se apague!” [1]

Solidariedade com todxs xs prisioneirxs, Tamara Sol, Juan Aliste, Juan Flores, Freddy, Marcelo, J.Gan, Marius Mason, Meyer-falk, Dinos Yatzoglou, Lisa Dorfer, membrxs da CCF e da Luta Revolucionária.

Aos/ás anarquistas em Florença, Turim, Nápoles, Cagliari, Chile, Rússia, Alemanha, Polónia, da Operação Scripta Manent.

E para todxs xs rebeldes presxs nas cadeias de toda a parte do mundo!

Célula Haris Hatzimihelakis /International Negra (1881-2018)

[1] Célula Santiago Maldonado /FAI-FRI reivindica um ataque explosivo contra quartéis de carabineiros (07/12/2017)

original em italiano via a tradução em inglês

[Madrid] Ataques a ATM no âmbito da Semana Internacional em Solidariedade com xs Presxs Anarquistas

Durante a Semana Internacional em Solidariedade com xs Prexs Anarquistas foram sabotados mais de uma dezena de ATM em diversos bairros de Madrid. As ferramentas para este tipo de sabotagem são simples e fáceis de encontrar: martelos e sprays.

Entendemos a solidariedade como a continuidade da luta que conduziu xs nossxs companheirxs às prisões do Estado. A solidariedade anarquista é muito mais do que uma mera palavra escrita ou de que uma atividade de assistência a presxs. Esta solidariedade materializa-se no ataque às estruturas do capitalismo e do Estado e procura aprofundar-se no conflito, através da ação direta.
Abaixo os muros das prisões. Viva a anarquia.

Pelxs companheirxs atingidxs pela Operação Scripta Manent!

Pelxs companheirxs represaliadxs após a Cimeira do G20 em Hamburgo!

Pelos anarquistas indonésios processadxs após o 1º de Maio!

Pela Lisa e todxs xs anarquistas presxs!

Anarquistas

[Itália] Furor Manet

FUROR MANET
Setembro 2016, a Operação Scripta Manent, dirigida pelo procurador do Ministério Público de Turin Sparagna, leva à detenção de 8, entre companheiros e companheiras.

A principal acusação é a constituição de uma associação subversiva com fins terroristas. Junto com isso, a imputação inclui vários outros ataques, todos assinados pela FAI (Federação Anarquista Informal) e FAI / FRI (Federação Anarquista Informal / Frente Revolucionária Internacional). Até hoje, cinco companheiros e uma companheira permanecem na prisão, outra em prisão domiciliária, enquanto no bunker de Turim o julgamento segue a bom ritmo. Dezenas de polícias de múltiplas cidades vão alternando no cenário do tribunal, na presunção de reconstruir a história do movimento anarquista contemporâneo. O começo está sinalizado, como já vimos inúmeras vezes, na época do julgamento de Marini, durante os anos 90. Desde então, o aprofundamento obsessivo e incessante das nossas vidas leva os espiões profissionais a enumerar e distorcer até os detalhes mais ínfimos, até os mais insignificantes ou íntimos do dia a dia, das nossas vidas e relacionamentos. Uma representação patética, mecânica e determinista que nos deixa indiferentes.

É nas diferenças individuais e nos confrontos ásperos e por vezes carregados de tensões contrastantes que reside a história do movimento anarquista – a história de cada um ou uma de nós, com limites e contradições. A esta história pertencem as práticas revolucionárias, algumas das quais estão no banco dos réus em Turim.

Em tempos como este, mais do que nunca, apoiar métodos revolucionários significa lutar contra a repressão do Estado, cujo objetivo é sepultar os/as nossos/as companheiros/as debaixo de anos de prisão e aniquilar a história do movimento anarquista.

Nem um passo atrás, pela Anarquia.
Cassa antirep. Alpi Occidentali

[Itália] “Assim é…se lhe parece. Reflexões e atualizações em relação ao processo Scripta Manent”

Ilustração do artista gráfico holandês M. C. Escher.

As audiências em relação ao processo Scripta Manent encontram-se a decorrer ( Março a Julho).  As reflexões que se seguem – da autoria da companheira anarquista Anna Beniamino  – publicadas em Março, são datadas de Janeiro de 2018.

Assim é…se lhe parece
Reflexões e atualizações em relação ao processo

Não há grandes reflexões a fazer a propósito dum episódio repressivo (basicamente é sobre o jogo simples e cíclico da ação e reação), nem sobre as manigâncias da repressão, outra coisa bem conhecida; no máximo algumas observações sobre o desenvolvimento das suas técnicas e estratégias.

É o que vou tentar fazer aqui – mais de um ano depois das detenções – após a abertura do julgamento, o qual abriu uma brecha na bolha de censura e permitiu descobrir os arquivos da Procuradoria na complexidade da sua miséria. Isto depois do breve relatório aparecido na última edição da Croce Nera [Croce Nera Anarchica, nº 3 de Fevereiro de 2017] e os desenvolvimentos que ocorreram entre o fecho do processo e a audiência preliminar [de Julho de 2016].

No entanto, antes de qualquer comentário, quero reafirmar, simplesmente, o meu orgulho na anarquia e anarquistas – o que me permitiu alimentar com a solidariedade, feita de ações, escritos, de raiva que se recuperou para além dos portões e de prisão em prisão, mostrando novamente quanto a tensão anarquista está viva, atual e capaz de zombar das categorias e ir além dos limites que a repressão nos quer impor, ao desistir do peso dos medos e do mito do consenso.

Sempre pensei que a anarquia é uma coisa séria, se praticada por mulheres e homens fornecidxs da razão e, instintivamente, de algo que – quando o poder os bloqueia nas suas gaiolas – recai sobre ele e transforma em força as fraquezas que ele gostaria de nos insuflar. Estamos aqui por causa disso, num jogo de dados sem fim, entre a autoridade e a sua negação.

Além disso, era bem claro para mim que a anarquia tinha o privilégio indiscutível de poder se apoiar numa base filosófica poderosa, histórica e cultural, além dum instinto atávico para a negação – elementos que ainda hoje se misturam num conjunto eficaz de receitas destrutivas.

«A anarquia é poderosa, quando quer», enfatiza o companheiro anarquista Panagiotis Argirou na sua declaração, no verão passado, em solidariedade às pessoas presas no G20 em Hamburgo.

A ideia anarquista continua a ser um problema para a autoridade, mostrando aos espíritos livres o aspecto concreto que está na negação desta última.

Mas não quero criar mal-entendidos: não há processos simples contra ideias. Quando a repressão ataca é sempre como resultado de factos, ações específicas que minam a pacificação social – que é difusa e acostumada a controlar, tão típica desses tempos.

Ação e reação: mete-se em andamento processos contra anarquistas, pelo que estxs anarquistas são: inimigos do Estado.

A repressão – tal como a codificação e a aplicação do código penal que vêm a seguir – muda de forma e adapta-se segundo os riscos e o grau de perigosidade do confronto em curso: pode avançar com uma ferocidade vingadora, fazendo tábua rasa de tudo o que ela encontra no seu caminho, ou com um certo paternalismo até, ou com todo um painel de nuances intermédias. Por vezes são xs refratárixs, eles próprios, que dão o ritmo da ação, às vezes são elxs que sofrem golpes repressivos – e respondem. Muitas vezes são elxs que se queixam de não se mexerem – a não ser quando são encurraladxs pela repressão, em vez de atacarem os primeiros.
No entanto, deve-se ter presente que receber golpes não significa ser as «vítimas».

É provável que a «vítima da repressão» seja um papel já muito antigo, confortável para alguns no teatro da democracia – um rótulo falso e desagradável que produziu o pietismo e não uma consciência combativa.

É lá que se situa a importância destes tempos: na nova (ou renovada) consciência de ser um objeto contundente, portador de germes subversivos se se quiser – não apenas no interior de um “meio” estreito, mas também para se apresentar de forma social ou anti-social, de acordo com cada um/a – como orgulhosxs portadorxs de intensa crítica da era da dominação tecnológica, controlo e homologação geral.

Despir o imperador e montar as suas partes escondidas foi – e continua a ser hoje tal como no passado – alguma coisa que provoca a repressão, seja com os velhos ou com novos instrumentos. As categorias ridículas do Código Penal – desculpas, provocações, associações – visam impressionar o tecido que conecta pensamento e ação: a solidariedade.

Não podemos nos permitir ser surpreendidos com isso; há mais de um século, existiram associações de malfeitores e a autoridade real mandou fechar os jornais e perseguiu xs subversivxs e as suas reuniões, vigiava os lugares mal afamados onde estavam a reunir-se. Hoje monitorizam também a tela e as telecomunicações.

Ao contrário do passado, o controlo tornou-se invasivo devido ao advento de novos dispositivos tecnológicos – algo que é frequentemente acompanhado por uma consciência e uma confiança menos fortes no seu próprio potencial e possibilidades de se lhe opor [ao controlo].

Modelos e técnicas repressivas são reintroduzidos e modernizados (às vezes nem mesmo isso), usados se necessário; actualmente, são usados para conter ou tentar conter uma efervescência inegável nos meios anarquistas, entre outras coisas.
Constatar isso não significa parar como animais aterrorizados, porque surpreendidos com os faróis de um camião que chega em alta velocidade, ou se jogar – mãos e pés amarrados – na boca do monstro, persuadidxs de sua inevitável voracidade.  Mas sim uma mudança de perspectiva: aspirar, hoje e sempre, ser um bocado indigesto, sem tombar na paranóia de ver uma omnisciência e um todo-poderoso poder, onde muitas vezes não há estratégia geral, mas um emaranhado informe de interesses de carreira que surge em contraste e orientação alheias às de funcionários mais ou menos zelosos.

Não devemos esquecer o factor humano, mesmo na sua forma mais débil, como uma papelada de comissariado, a qual – ao voar e distorcer pedaços das nossas vidas – nos mostra um amplo panorama da miséria da sua existência.

Começando pelo fim: da associação ao incitamento e vice-versa.

Com a notificação do encerramento do dossier, em Abril de 2017 – para pessoas presas e outrxs acusadxs de Setembro de 2017 – além das ofensas de que já são acusadxs, foi adicionado, para 12 dos primeiros 17 acusadxs, este 414 C.p. (incitamento a crimes e delitos) com o objetivo de terrorismo, como redactores e / ou difusores da Croce Nera, o boletim em papel e o blog – referindo explicitamente para publicações e artigos do n °s 0 a 3. Sinal dos tempos, a ofensa de incitamento é agravada «por ter cometido os fatos através de instrumentos de informática e telecomunicações».

Além disso, em 2 de Junho de 2017, com um timing bastante oportuno em comparação com a audiência preliminar de 5 de Junho, o efeito bola de neve da repressão levou mais outros 7 companheirxs – estxs embora acusadxs ​​permanecem  livres até ao julgamento-  por 270 bis [Associação para fins de terrorismo] e 414 C.p, enquanto redatores (ou não) de Croce Nera, do blog RadioAzione e de Anarhija.info.

Isto além de se acusar 2 destes de 280 C.p [ato de terrorismo com engrenagens que podem causar a morte] por causa da descoberta – durante as perseguições de Setembro de 2016 – junto com outros textos publicados em Croce Nera, de uma cópia da reivindicação de ataque contra o tribunal de Civitavecchia, em Janeiro de 2016, pelo Comité de Pirotecnia por um ano extraordinário – FAI / FRI.

A seguir à audiência preliminar, as duas partes da investigação foram fundidas e todos os acompanhantes foram enviados para julgamento, permanecendo inalteradas as diferentes acusações. Após quase um ano de controlo obsessivo (com bloqueios e sequestro sistemático do correio dxs prisioneirxs, passou diretamente aos arquivos do Gabinete do Procurador sendo adicionado ao processo na audiência preliminar), pois o ministério público e a polícia – através de vigilância electrónica à solidariedade – conseguiram fazer sair uma medida punitiva contra xs companheirxs que mantiveram contacto com xs prisioneirxs e prosseguiram a atividade editorial.

O fato de usarem os artigos 270bis e 414 C.p. juntos está a tornar-se uma rotina, nas suas estratégias, se olharmos para o que foi feito com o julgamento do processo Shadow, em Perugia, e o uso que se faz dele neste processo.

Sem esquecer a intensificação, nos últimos anos, do “único” uso dos 414 C.p. – sem o usarem mais do que como complemento às acusações de associação  para atacar qualquer escrito que “defenda” a ação anarquista – como ferramenta maleável destinada a sufocar as chamas das palavras e ações solidárias.

Também se deve acrescentar que os pequenos truques dos polícias não impressionaram ninguém.

Alvará reciclável….a estrutura do inquérito

Talvez os escritos permaneçam, mas em relação ao Scripta Manent a base e os DIGOS de Turim realmente não queriam jogar nada fora. Saíram do antigo cemitério de velharias os processos passados e classificados, mastigados e cuspidos de 20 anos de vigilância e repressão:

O processo ORAI (também chamado de processo do Marini, investigação do ROS, Roma) de 1995 ;

A investigação do ataque ao Palazzo Marino [a sede da Câmara Municipal] em Milão, 1997, por Azione Rivoluzionaria Anarchica;

A investigação de Solidarietà Internazionale (pelo procurador Dambruoso, investigação conduzida pelo DIGOS, Milão), arquivado em 2000;

A operação Croce Nera (processo do Piazzi, liderada pelo ROS, Bolonha), que meteu na prisão, em 2005, os redatores da Croce Nera da época, arquivado num curto espaço de tempo;

A investigação sobre um pacote incendiário enviado ao comissário-chefe do Lecce em 2005, assinado por Narodnaja Volja / FAI;

A investigação sobre o ataque ao quartel dos Carabinieri de Fossano e os pacotes incendiários assinados pela FAI / RAT [Rivolta Anonima e Tremenda], 2006 (processo do Tatangelo, ROS, Turim), arquivado em 2008;

A investigação de pacotes incendiários e o ataque na área de Crocetta, em Turim, em 2007, assinados pela FAI / RAT (processo do Tatangelo, DIGOS, Turim), arquivado em 2009;

A operação Shadow (Processo do Comodi, Digos, Turim) começada em 2009 para 270bis [associação para fins de terrorismo], 280 [ato de terrorismo com  mecanismos que podem causar a morte], concluída em 2016 com condenações por 414 C.p. para o boletim KNO3 e 2 condenações por roubo de carro e tentativa de sabotagem de caminho de ferro;

A operação Ardire (processo do Comodi, ROS, Perugia), começada em 2010, com 8 pessoas em prisão preventiva em 2012, o dossier foi inteiramente transferido para o da Scripta Manent, por passagem e jurisdição territorial, primeiro em Milão, depois em Turim;

As investigações Kontro, Replay, Sisters, Tortuga (proc.do Manotti, ROS, Génova) sobre os ataques às casernas dos Carabinieri em Génova, o R.I.S. [Reparto Investigazioni Scientifiche, a “polícia científica” dos Carabinieri] de Parma, em 2005, e outros ataques;

As investigações Evoluzione e Evoluzione II (Procuradores Musto e Milita, ROS, Nápoles), começadas em 2012 com o ataque a Adinolfi, até que “evoluem” para vigilância dos blogs RadioAzione e RadioAzione Croazia;

A investigação Moto (processo de Franz e Piacente, ROS, Génova), que levou, em 2012, à prisão de Nicola Gai e Alfredo Cospito;

A investigação do pacote-bomba contra a Equitalia (processo Cennicola e Polino, DiIGOS, Roma) de 2011, reaberta em 2014;

A investigação sobre o ataque ao tribunal de Civitavecchia e os cocktails Molotov contra o Quartel dos Carabinieri em Civitavecchia em 2016 (processo do Cennicola, ROS, Roma).

Esta longa lista foi feita pela leitura na diagonal do índice [do processo Scripta Manent]; esquecendo seguramente certas coisas – sem listar outras vigilâncias e arquivos passados de uma investigação para outra, de um município para outro,  quantas vezes fonte de batalhas para obter jurisdição territorial, através de combinações possibilitadas pela formulação de delito associativo.

A estratégia por trás de tudo isto é bastante visível e a pilha de papel, ainda que contraditória, torna-se sugestiva. Isto considerando que são injetadas nos registros do Scripta Manent, quase inteiramente, as actas dos processos acima enumerados, para além das basófias do par Sparagna / DIGOS de Turim, que só à sua conta fez 206, e alguns arquivos de actos judiciais.

Registo e seleção: centenas de nomes e CVs, episódios de subversão no dia a dia indexados, seccionados e recompostos ad hoc. Trajectórias existenciais, fragmentos de discussão e periódicos publicados sobrepostos à interpretação (discordantes segundo o controlador de serviço), acrobacias espaço – temporais, estudos comportamentais dignos de Lombroso.  Esta não é seguramente a primeira vez que isso acontece – tal como a tentativa bem experimentada já de dividir entre “bons e maus” e a definição da imprensa anarquista como “clandestina” e preparatória à «associação».

Acontece frequentemente – eu mesma faço isso – fazemos ironia dos consideráveis fios de embrulho e das contradições evidentes nos arquivos judiciais; esquecemos, no entanto, que há nisso uma consciente arrogância de poder.

Além dos resultados, grandes ou pequenos, o aparelho repressivo está bem ciente da latitude que as suas operações anti-terrorismo lhe dão. Vigiar e punir…acompanhamento aprofundado de contactos, reações, tentativas de pressão sobre o “frágil” e amplitude da solidariedade, longas detenções preventivas…

No entanto, acredito que as análises que tendem a ver a repressão contra certos sectores do movimento – como laboratório onde testar técnicas repressivas a expandir aos mais amplos sectores sociais – são míopes e erróneas. Há lá uma presunção paternalista, ainda que ingénua – além da tentativa de encontrar consensos, através do cimento da luta contra a repressão – na morna dissensão destes anos.

O uso da cenoura e do pau, pelo contrário, é muito mais articulado e sorrateiro.

O poder não precisa de testar in vitro a repressão sobre os anarquistas;  simplesmente usa contra os anarquistas um pouco da violência desdobrada muito mais violentamente algures: o Estado não se preocupa por treinar bandos de mercenários armados para defender as suas fronteiras e interesses, de afogar todos os dias milhares de seres humanos, de usar o seu território para ofensas simples de opinião (basta clicar na página do primeiro idiota dos fundamentalistas religiosos do século XXI para acabar amordaçado no primeiro voo).

Por enquanto, a repressão espalha-se a punições muito diversas e está bem ciente por onde pode expandir-se cegamente, com a ampla cobertura escravizada dos media. Sem esquecer que, mesmo nos sectores do movimento, as frases “exemplares” não faltam.

Acontece que, muitas vezes, são xs companheirxs xs mais atentxs e conscientes da repressão. Não é por acaso que é no movimento que mais se presta atenção à evolução das técnicas de registo, controle, vigilância e de manipulação do consenso.

Psico-antropologia do comissariado

Num cenário onde tudo é baseado em inferências/especulações, manuseiam-se doses maciças de estudo comportamental para dar sentido a tudo isto. A consciência da omnipresente vigilância policial invasiva  – e o que fazer para se subtrair a ela – torna-se significativa em si mesma.

Existem práticas correntes nos círculos do movimento – práticas essas que são mesmo difundidas socialmente – pelas mais diferentes razões: falar de forma evasiva ao telefone ou usá-lo de forma limitada, não da maneira compulsiva como faria o guia do perfeito cidadão-consumidor; prestar atenção para ver se se é seguido a pé; procurar microfones e câmaras em casa, no carro e no seu local de trabalho; prestar atenção à vigilância de telecomunicações, apenas para dar alguns exemplos.

Após alguns anos, também ficamos a conhecer as interpretações oportunistas da bófia em relação aos encontros com amigos e companheirxs e a participação, por vezes, nos momentos de ajuntamento do movimento: de acordo com o acórdão sem recurso do serviço de voyeur, estamos muito ou muito pouco presentes.

Também conhecemos a paixão dos “apêndices” para realizar qualquer atividade, viagem ou pequena excursão como «encontro entre cúmplices» (o excesso de zelo do esbirro piemontês a tomar forma em longas reportagens em vídeo na praia na Ligúria, em meados de Agosto, com percursos de natação até a bóia que vão tornar-se «reuniões reservadas»).

Agora, na intersecção perfeita entre psicopolicial e comédia italiana, é a ausência que se torna evocativa: ausência física, falta de telefonemas e contactos. Isso não está relacionado, na tese acusadora, a um evento ou ação em particular, mas [que é sugestivo para a polícia] é o próprio fato de fugir do controlo, mais especificamente não sendo vigiado passo a passo, e não está claro se isso depende da vontade das pessoas que estão a ser vigiadas ou da incapacidade óbvia daqueles.

Demasiada irónico? Talvez, uma vez que a realidade é feita de uma vigilância obsessiva e perturbadora: buscas improvisadas para esconder a intervenção de microfones escondidos em casa que não funcionam bem, vigilância e radiografia dos correios, com a recolha de encomendas directamente de caixas de correio ou correios, cópias de chaves para entrar em locais de trabalho sem o conhecimento de pessoas sob investigação, câmaras escondidas em locais públicos considerados como “objectivos potenciais”.

Aqui estão alguns exemplos de um aplicação bastante densa de vigilância, além de métodos mais tradicionais: telefones sob escuta há vários anos, microfones em casa e nos locais de trabalho, GPS em carros, câmaras a apontar para a entrada da casa, adega, local de trabalho, controlos cruzados de chamadas telefónicas e posicionamento geográfico de computadores portáveis, perseguições a pé com fotos e vídeos, intercepção de correios e escutas através dos microfones dos computadores.

Em seguida e para se ficar ainda mais embrulhado na ilusão tecnológica e (pseudo)científica do novo milénio, um florescimento de estatísticas, diagramas, percentagens, cruzamento de dados mais curiosos: quantas vezes as pessoas sob investigação foram vistas ao longo dos anos (… até em casa, entre membros da mesma família ou pessoas que moram juntas, e mesmo durante os processos em que estiveram envolvidos, e quantas vezes se reencontraram…os seus telefones; em que dias da semana chegam as bombas empacotadas; quais as cidades mais afectadas por ataques; que palavras usam, preferencialmente, os anarquistas…mas aqui vamos além do estudo estatístico – sociológico -comportamental e para outro pilar do tribunal…

A sugestão de uma peritagem

Neste caso [montagem policial] o que chama a atenção é a evidência de uma técnica de remendos com o objetivo de colar delitos precisos a certos acusadxs. Para dar substância aos pressupostos da acusação há um uso maciço de peritagens gráficas – linguístico – estilísticas, a fim de atribuir a alguns acusados a escrita de certos textos de reivindicação.

Explicado que é desta maneira pode parecer até uma coisa séria (e é este o caso, quando serve como desculpa para detenção preventiva), mas quando descobrimos o conhecimento moderno – que usa a tecnologia e o espírito humano – podemos ver a que ponto os métodos utilizados são manobráveis ao seu desejo, questionáveis e com resultados aleatórios.

Deste ponto de vista, é bem clara a escolha de se continuar nisto, ignorando com conhecimento de causa os resultados que contradizem a tese escolhida: de um só golpe as comparações que levem a resultados negativos são ignoradas e em seu lugar retalham-se os textos  de modo a adaptá-los ao que se estava à procura. Palavras de uso comum ou próprias da linguagem político-poética-anarquista tornam-se caracterizantes a um ponto que – já no paradoxo de correspondências – estão cheias de atribuições… ou seja que dali saem tantos disparates que estes vão mesmo para além das acusações.

A máquina da repressão está bem consciente da inconsistência de certas comparações e peritagens – admitindo-o, até – mas também se encontra consciente de que o uso do ADN e outros conhecimentos técnico-científico foi “refogado” para a opinião pública como tecnologia segura e indiscutível, tal como se o tenta usar no tribunal.

Na realidade, os exemplos de manipulação de erros e/ou de aproximações (e até a jurisprudência agora é obrigada a admitir isso, depois dos primeiros anos de uso “acrítico” e de qualquer traço biológico). Podemos ver alguns exemplos recentes disso, um pouco por todo o mundo, em ações judiciais contra companheirxs.

Desta colheita compulsiva de material e confrontações cruzadas podem-se, no entanto, encontrar algumas informações sobre a sua colheita e utilizações sistemáticas.

O DAP [Dipartimento Amministrazione Penitenziaria, corresponde à Administração Prisional] oferece-se como fonte – além de identificar fotos e impressões digitais a que se pode juntar vestígios de prisões passadas, fornecendo ficheiros pessoais e traços gráficos de todos os anarquistas que passaram pelas masmorras italianas – surgindo mesmo dos seus arquivos o correio, as instâncias judiciais, os pedidos à administração, etc. Se o caso não foi por detenção ou perseguição, chegam mesmo a esgravatar nos arquivos municipais.

Há mais de dez anos que utilizam múltiplas bases de dados de ADN – alimentadas não só com assuntos embarcados – vindos das buscas por ordem judicial  – mas também conservando amostras e fazendo comparações cruzadas de partes delas por convicção, em posse de diferentes arquivos [policiais e/ou judiciais].

* * *
Aquilo que acabei de descrever não aborda mais do que alguns dos aspectos – a desenvolver e a serem alvo de reflexão, portanto. O que resta é o facto da sua ausência [do controlo], num contexto onde os procedimentos repressivos são vasos de comunicação, se tornar um motivo para se ser acusadx. A solidariedade é uma prova agravante e, se a operação Scripta Manent visava atingir alguns anarquistas, pode-se dizer que, até como desforra disso, aumentou a solidariedade e a consciência. E que aquilo tudo, ao fim e ao cabo – apesar do tão pequeno pedaço de céu que eu agora posso ver – nada mais faz do que me devolver o sorriso.

Anna
Roma, Janeiro de 2018

*****

Para escrever à Anna e outrxs companheirxs, actualmente na prisão no seguimento da Operação Scripta Manent:

BENIAMINO ANNA
Casa circondariale Rebibbia Femminile
Via Bartolo Longo, 92
00156 – Roma

BISESTI MARCO
Casa circondariale
Strada Statale per Casale, 50/A
15121 – Alessandria

NICOLA GAI
ALFREDO COSPITO
DANILO CREMONESE
ALESSANDRO MERCOGLIANO
Casa circondariale
Via Arginone, 327
44122 – Ferrara

Fonte: Croce Nera Anarchica
via Attaque (francês)

Itália: Atualização sobre a situação dxs compas presxs na operação “Scripta Manent” (meados de Março)

Todxs xs companheirxs acusadxs que podem assistir às audiências expressaram o desejo de ter uma possível presença solidária no tribunal.
Marco assistiu a algumas das últimas audiências, mas ainda não sabe se assistirá às próximas, já que ultimamente tem assistido sózinho.
Anna obteve a permissão para assistir às audiências 7ª e 8ª, portanto, SOLICITAMOS  PRESENÇA SOLIDÁRIA NO TRIBUNAL para lhes darem um sinal de proximidade e apoio.

Tanto quanto sabemos, Danilo, Alfredo e Anna recebem e-mails regularmente. Eles encontram-se bem e com grande espírito. Valentina está em prisão domiciliária, com todas as restrições, pode ver apenas alguns parentes.

O companheiro Marco Bisesti disse-nos que estará presente em todas as audiências do julgamento.

As audiências são levadas a cabo da seguinte maneira:

MARÇO: dias 1-7-8-15-22-28
ABRIL: dias 12-18-19
MAIO: dias 2-3-9-10-17-23-24-30-31
JUNHO: dias 6-7-14-15-20-21
JULHO: dias 4-5-11-12-18-19-25-26

Em breve estará disponível a direção do correio electrónico – para solicitar informação adicional sobre o caso.

fonte publicacion refractario

Santiago, Chile: Sabotagem à linha férrea do metro 4A

Na madrugada do dia 20 de Novembro procedeu-se à sabotagem – com material de betão contundente – das zonas férreas da linha 4A do metro de Santiago, à altura da estação metro La Granja[1]. Não podíamos permitir que – no dia seguinte à festividade democrática da eleição – as coisas seguissem o seu curso normal. É que a nós não nos basta chamar a não votar, decidimos posicionarmos-nos contra o Estado e as suas lógicas de controlo e dominação sobre as nossas vidas. Estamos contra o estado, uma das máximas expressões do exercício de autoridade, que tortura e reprime; estamos contra a sua democracia com ilusões de mudança social – oferecidas pelos poderosos e assumidas pela cidadania.

A nossa opção, neste e em todos os processos eleitorais, é a subversão permanente que assinala que uma vida livre se cria na destruição da ordem autoritária e na necessária violência contra os opressores e as suas estruturas de poder.

Com esta ação de sabotagem ampliamos e fazemos chegar a saudação e a cumplicidade solidária a todxs aquelxs que desta vereda confrontam o poder e os seus defensores.

Aos/às nossxs companheirxs sequestradxs nas prisões da democracia: Nataly, Juan e Enrique – que nesta semana será onde o estado e as suas autoridades farão sentir todo o seu castigo. A Marcelo Villarroel, Juan Aliste, Freddy Fuentevilla, Joaquín García, Natalia Collao, Sol Vergara.

Solidariedade com xs companheirxs encarceradxs no âmbito da Operação Scripta Manent, aos/às nossxs irmãos/irmã  da Conspiração das Células de Fogo e ao companheiro anárquico Konstantinos Yagtzoglou, axs/às companheirxs perseguidxs pelo estado brasileiro na Operação Erebo.

Contra o estado e a sua democracia.
A nossa única eleição é a violência organizada pela libertação total.

Banda de sabotagem Santiago “Brujo” Maldonado

[1] “Alta afluência de passageiros na Linha 4A do Metro provoca problemas de frequência”. Bio Bio Chile, 20 de Novembro de 2017.

en espanhol

Hamburgo, Alemanha: Ataque à frota da Sicherheit Nord e chamada à luta anarquista

Sabotagem é isso: meios adequados, fachada da autoridade arrebatada. Quando e onde as agências da Segurança se guardam a si próprias – movimentando-se nesse sentido e, em seguida, se encontram perante os escombros das ferramentas que a mantêm de pé – o seu poder torna-se visivelmente questionado e mais e mais infracções da lei serão encorajadas.

Como no caso da Suíça, a empresa de construção Implenia tem visto a sua participação  em projetos penitenciários ser paga com máquinas de construção em chamas. Como no caso da Vinci, SPIE ou Eiffage, em França, devido a conexões semelhantes com a repressão.

No dia 13 de Novembro em Hamburgo, Barmbeck, a frota da Sicherheit Nord foi destroçada, incendiámos vários veículos. A Sicherheit Nord tem acordos de cooperação com a bófia em dez estados federais, protegendo a base da NATO em Lüneburg e as embaixadas, estabelecendo o aprovisionamento de refugiados e lojas em bairros que pareçam inseguros para os que dominam.

Esta acção e este texto são para nós. Para xs milhares que tornaram o levante de Hamburgo possível. Para xs prisioneirxs. Para as pessoas afectadas pela Operação “Scripta Manent”em Itália. Um fogo em solidariedade com Nikos Maziotis e Pola Roupa, em greve de fome, e uma saudação para Konstantinos G., em prisão preventiva, acusado de envio de carta-bomba e de pertença às CCF. Liberdade para Lisa, acusada no processo de assalto a bancos de Aachen!

Estamos comprometidos com uma luta contra o Estado, a todos os níveis. A repressão não nos poderá deter.

Para a anarquia – Grupos Autónomos

P.S. O mais difícil de ser captado…
É provável que o prejuízo resultante para a Sicherheit Nord seja manejável. Atualmente, pode até nem ser possível medir o sucesso das lutas através dos danos materiais ao Estado e aos seus servos.

Conforme se demonstrou – através dos grandes tumultos ocorridos em Julho e também nos ataques militantes, no período anterior ao G20 – o propósito de uma estratégia ofensiva de atacar e de lidar com a polícia, como a forma mais visível e não interpretável, é fortalecer as posições antagónicas. Observou-se com que facilidade o estado forneceu 40 milhões de euros para mitigar os danos perceptíveis à burguesia de Hamburgo; pouco antes os enlutados pela série de 9 assassinatos nas estruturas nazis com o conspiratório nome soando NSU confortaram-se com os 900 mil euros que foram jogados fora.

As campanhas com o objetivo duma quantidade predeterminada de danos à propriedade têm, na melhor das hipóteses, um aspecto desportivo. O carácter de uma cena que não é política, perseguindo objectivos mas esperando-os do evento, também. Evento para saltar e que a miúdo, no seu consumismo, expira. A campanha do ano passado pela Rigaer 94 não deveria fazer isso, mais comentários é nocivo. Mas destacam-se a série de ataques contra a Cimeiro do G20, sem problemas, nesta fase muito ativa de grupos pequenos, embora a continuidade do conteúdo tivesse ficado atrás da prática contínua.

Depois dos tumultos ficou à vista que existem poucas estruturas anti-estatais que sejam pela violência. O compromisso com a abordagem ofensiva (foi escolhido a das estruturas militantes) – e tal como em relação a grupos  que tinham pretenciosamente prometido o inferno – sofreu ameaças governamentais e a perseguição dos media. Porque estes factos não são compreensíveis: suporta-nos a história de um movimento radical de esquerda com experiência na estratégia governamental contra a revolta e esmagamento das estruturas de oposição. Nela podemos apreender, se lhe quisermos dchamadaatenção, a traição que esse distanciamento público constitui. Uma ausência de ação, depois desta Cimeira de resistência é, no máximo, impróprio. Incompreensível é também a preocupação com as consequências graves que virão se se trabalhar visivelmente com as estruturas.  A proibição do Linksunten.indymedia.org é o único caso que o estado assim como assim poderia dar-se ao luxo de ter uma ação populista para bloquear uma estrutura que, de todos os modos, no nosso entendimento, no seu papel central era defeituosa. Vale a pena assinalar que o Linksunten já não tinha sido antes porque  a ligação desligada foi tomada – e este meio pode voltar a ser usado a qualquer momento, se necessário, para voltar a estar operacional. E se olharmos para o caso da França, vemos um exemplo de como se pode ultrapassar a censura dos sítios da internet: O Indymedia anunciou que continuará a ser acessível no endereço Onion.

Não existe nada significativo neste momento. As consequências são de esperar, ser militante é um termo mais amplo que se envolver em atividades de impacto e pequenas escaramuças. Necessitamos de mais pessoas que se sintam vinculadas a posições antagónicas nas suas batalhas locais para as dar a conhecer e propagar. Necessitamos de estruturas alternativas outra vez, a luta anti-estatal a sentir-se conetada, auto-organizada e com grupos de ajuda-mútua, grupos de vizinhos, individuais e coletivos, lidando com o nosso bloco negro e os nossos pequenos grupos “noturnos”, a comunicarem-se olhos nos olhos. Sobre os objetivos, as estratégias e os meios.

Na Cimeira do G20 mostramos que somos capazes de atuar, en interação com algumas estruturas de ação aberta, a organização do acampamento, a rede de apoio sanitário, o comité de investigação, algo semelhante precisamos ter. Tal interação deve desenvolver continuidade. Neste momento, onde todxs temos um considerável êxito na nossa tufarada podemos escrever a nossa memória coletiva ainda fresca e que já não está aleatória. A vida quotidiana da cena entre Soliparty e os plenários, perdidos estão.

de.indymedia (alemão)

Madrid: Ação em solidariedade e apoio aos compas da Operação Scripta Manent em Itália

No dia 15 de Novembro, um dia antes do começo dos julgamentos da Operação Scripta Manent, um grupo de companheirxs anarquistas concentraram-se à frente da embaixada italiana, em Madrid. em apoio aos/às companheirxs detidxs na sequência desta operação. Espalhou-se a informação, através da distribuição do texto que se segue:

Solidariedade e apoio face ao julgamento dxs companheirxs detidxs na Operação Scripta Manent em Itália.

Na quinta-feira, 16 de Novembro, pelas 10:00 da manhã, será realizada a primeira sessão de julgamento contra xs 22 companheirxs anarquistas acusadxs no âmbito da Operação Scripta Manent, em Itália, com 7 delxs detidxs preventivamente

Foi em Setembro de 2016 que ocorreram as detenções e registros desta operação , em Itália. Mais uma vez, tentam atribuir diversas ações a uma suposta estrutura organizativa hierárquica, como foi feito anteriormente em Itália, com a Operação Osadia. Do mesmo modo, esta estratégia repressiva pode ser observada em diversos países, como o estado espanhol, grego, francês, etc. na tentativa de encaixar a conflitualidade anarquista e as suas práticas em acusações de organizações terroristas ou similares. O anarquismo nunca poderá encaixar nessas estruturas, pois a sua base é a horizontalidade e combate contra as hierarquias e todo o tipo o tipo de autoridade.

Todo o nosso apoio e força às/aos companheirxs que serão julgadxs a partir desta quinta-feira. A quatro dxs arguidxs foi-lhes negado a possibilidade de estar presente no julgamento e, em vez disso, poderão ter uma video-conferência. Em solidariedade com elxs, algumas/uns dxs companheirxs acusadxs recusaram-se a participar.

Solidariedade internacional com todxs xs que lutam pela liberdade
Coragem e força aos/às nossxs companheirxs
Contra toda a autoridade, pela anarquia

em espanhol via contramadriz

Génova, Itália: Ação Incendiária em Solidariedade com Companheiros Anarquistas sob repressão

Génova, 18.11.17: Há muita raiva e, por vezes, é suficiente muito pouco para que se  transforme em fogo.

Raiva e fogo andam juntos e não esperam por dias de campo para se dar a conhecer, atingem pobres e ricos – de modo semelhante ao acontecido no G8 de Génova ou no G20 de Hamburgo – mostrando a sua melhor face nessas ocasiões.

O fogo e a raiva actuam, apenas, não preparam o terreno para a revolução, não procurando adeptos entre as massas, olhando tristemente para uma sociedade em que não têm nada a pedir à sua própria existência.

Fogo e raiva: o primeiro um elemento, o segundo um sentimento, é preciso pouco para levá-los a se unir, somente um pouco de coragem, deixando depois sair um grito que perfura o manto da apatia na qual esta sociedade moribunda está agora envolvida e viciada.

Gritos de vingança pelas as dezenas de milhares de migrantes que morrem tentando atravessar as fronteiras espalhadas por todo o mundo.

Gritos à devastação e saqueis pelos Estados e multinacionais em nome do progresso.

Gritos que aquecem os corações das nossas irmãs e irmãos anarquistas em todo o mundo.

Catástrofes são os dias em que nada é feito contra a brutalidade dos governos!

Para xs companheirxs anarquistas, prisioneirxs da Op. Scripta Manent, para o prisioneiro anarquista em greve de fome Davide Delogu, para xs companheirxs de Florença, alguns carros foram destruídos pelo fogo, incluíndo um pertencente ao Serviço Consular italiano.

VIVA A ANARQUIA

Croce Nera Anarchica via insurrection news

[Itália] Atualização do Julgamento “Scripta Manent” – Solidariedade Internacional a 16 de Novembro de 2017

O julgamento dxs anarquistas, acusadxs ao longo da operação “Scripta Manent”, começará a 16 de Novembro, no tribunal de segurança máxima da prisão de Turim.

À companheira Anna Beniamino assim como aos companheiros Alfredo Cospito, Danilo Cremonese e Nicola Gai não será permitido que compareçam na sala do tribunal, estando sujeitxs a uma vídeo-conferência a partir da secção de vigilância máxima 2, onde se encontram confinadxs.

Aos companheiros Marco Bisesti, Alessandro Mercogliano e à companheira Valentina Speziale será permitido comparecer na sala de tribunal, recusando estxs participar no julgamento em solidariedade com xs companheirxs sujeitxs à video-conferência.

via Croce Nera Anarchica

[Itália] Convocatória de Solidariedade Internacional a 16 de Novembro de 2017 – Julgamento “Scripta Manent”

A 16 de Novembro, às 10 horas, perante o tribunal de alta segurança de Turim, celebrar-se-á a primeira audiência do julgamento “Scripta Manent”. Será um julgamento de longa duração, no qual 22 companheirxs anarquistas estão acusadxs, sete dxs quais continuam na prisão.

O aparelho repressivo do Estado acusa uma parte do movimento anarquista de o atacar, através das práticas de ação directa destrutiva contra as suas estruturas e os seus homens, a realização e distribuição de publicações anarquistas e apoio aos/às prisioneirxs revolucionárixs.

A teoria do acusador do ministério público Sparagna é que as posições dxs compañerxs acusadxs são isoladas e distantes do contexto anarquista. É uma tentativa flagrante de fraccionar e confinar o anarquismo a certos recintos fechados, legais e interpretativos.

Demoliremos a intenção de se isolar estxs companheirxs – afirmamos que a prática e as acusações de que são acusadxs constituem um património de todxs xs anarquistas e revolucionárixs – e reafirmamos a nossa proximidade com xs acusadxs.

Fazemos uma chamada para se participar na concentração de 5ª feira, 16 de Novembro, às 10 da manhã, em frente ao tribunal de alta segurança da prisão “le Vallette” em Turim, e reafirmamos a chamada à solidariedade internacional com todxs xs prisioneirxs anarquistas, rebeldes e revolucionárixs, em qualquer lugar e de acordo com as modalidades que cada pessoa considere mais apropriadas.

em espanhol, inglês, italiano, alemão

Itália: Novidades da operação Scripta Manent e algumas reflexões…

Pintura de Jean Léon Gerome “A Verdade saindo do poço”

Nos dias 11, 17, 18, 19 e 20 de Julho, haverão audiências preliminares referentes à investigação “Scripta Manent”. Relembro que, desde 3 de Julho, aos/às companheirxs já sob investigação foram adicionadxs outrxs – 5 companheirxs da Croce Nera Anarchica, eu por RadioAzione [site anarquista, em italiano, fechado pouco tempo depois] e a companheira que geria a RadioAzione Croácia, em relação à qual foi decidido, na audiência de 26 de Junho, que só estaria presente nas audiências seguintes.

Lançando um olhar ao dossier, tomamos conhecimento que uma investigação tinha sido aberta desde 2012, pelo ministério público de Nápoles, contra mim, um velho  companheiro, já indiciado na operação Marini [mega operação anti-anarquista conduzida em toda a Itália na segunda metade dos anos 90 pelos ROS, o serviço especial dos Carabinieri, sobre ordem do procurador de Roma] e outrxs companheirxs da região de Lazio, referente à  Federação Anarquista Informal.

Durante cinco anos sofremos um controlo total e isto levou a que outrxs companheirxs fossem colocados sob investigação, entre outrxs a companheira croata de RadioAzione.

Key logger instalado no computador, interseções telefónicas, vigilância ao longo de mais de 600km … do género: “Se eu me esqueci onde meti algo, posso perguntá-lo à Agente Elena (nome que deram ao software espião keylogger)”.

Após cinco anos de controle fictício, a 10 de Janeiro, o ministério público de Nápoles tinha solicitado a minha detenção, a da companheira de RadioAzione Croácia e a de dois companheiros gregos (um dos quais já aprisionado por C.C.F).

A partir desse momento passou tudo para as mãos do ministério públicio de Turim e  do  promotor Sparagna – visto o ministério público de Nápoles não ter competência para os tipos de delito de que nos haviam acusado.

De que é que somos acusadxs?

De ter feito contra-informação através de sites de internet e de jornais, de ter traduzido textos  de reivindicação de ações vindas do mundo inteiro, de ter apoiado, sustentado, de nos termos solidarizado e ter feito prova de cumplicidade com xs companheirxs anarquistas Alfredo e Nicola, de termos recolhido dinheiro para xs companheiros na prisão. De termos formado uma célula italiana, croata e grega da Federação Anarquista Informal.

Nalgumas passagens do processo o juiz de turno, tentando alimentar as distâncias existentes entre alguns/mas de nós e o resto do movimento anarquista, inventa do nada através de escutas (re)transcritas à sua maneira desacordos entre mim e certxs companheirxs da Croce Nera Anarchica – companheirxs com quem houve desde o princípio uma completa colaboração num jornal anarquista que reconhecemos ser o único que vale a pena ler e isto de tal forma que até sou acusado de organizar a apresentação deste projeto em Nápoles. Só falo nisto para refrear maledicências.

Se são estas as acusações, então:

Reivindico ter publicado no site RadioAzione tudo com o qual eu tinha afinidade.

Reivindico ter dado e continuar a oferecer solidariedade e cumplicidade para Alfredo, Nicola e todxs xs outrxs companheirxs-irmãos/ãs  que foram presxs em Setembro passado [na operação Scripta Manent].

Reivindico o facto de ter recolhido dinheiro para xs companheirxs detidxs.

Reivindico o facto de ter organizado o encontro da Croce Nera Anarchica em Nápoles. na esperança de organizar outros no futuro.

Reivindico o facto de ser anarquista, individualista e pela insurreição.

(agente Elena copiou tudo bem e fotografou? Agora relate aos seus chefes!)

Somma Gioacchino, Julho de 2017

fonte anarhija via attaque

Iruñea, Navarra: Solidariedade internacional – Junho negro/ekainak beltza

 Na noite de 2 para 3 de Junho fomos ao consulado italiano em Iruñea (Rua Taconera, 2 – frente à Delegacia Central da Polícia nacional) e pintamos-lhe a fachada com 5 kg de tinta. Este gesto solidário é dedicado aos companheiros e companheiras anarquistas prisioneirxs do estado italiano.

Solidarizamos-nos com o anarquista sardo Davide Delogu que recentemente tentou a fuga da prisão de Brugoli (1 de Maio).

Pelxs anarquistas presxs nas prisões de Ferrara, Alessandria, Uta, Rebibbia, etc.

Solidariedade aos companheiros e companheiras detidxs e perseguidxs em Turim.

Solidariedade aos/às anarquistas visadxs pelas operações Scripta Manent e Shadowv.

A próxima visita será com dinamite

Junho negro/ekainak beltza

N.T. Iruñea (em basco, Iruñea) também conhecida por Pamplona, é capital da província e comunidade foral (autónoma) de Navarra, no estado espanhol.

Paris, França: Solidariedade é o ataque!

Na noite de 28 para 29 de Maio, na Rua Romainville (Les Lilas), foi deixado em chamas um utilitário da Direcção Interdepartamental das estradas de l’île de france, uma das muitas peças periféricas da engrenagem que garante o funcionamento do Estado.

Queremos enviar solidariedade aos anarquistas que foram a julgamento no dia 29 de Maio, após a operação Scripta Manent em Itália.

Solidariedade também com Damien. A sua atitude combativa na prisão dá-nos a motivação. Pensamos que a solidariedade é uma relação de reconhecimento mútuo na base da conflitualidade contra o existente. Não somos solidárixs da desgraça mas sim da revolta.

Um pensamento também para Kara e Krem.

Por um mês de Junho perigoso.

Solidariedade é ataque.

em francês

[Itália] Para que Junho se torne perigoso

Chamada internacional de mobilização solidária com anarquistas presxs naquela região (em pdf também)

Escrito a partir das reflexões do encontro “De cabeça erguida”

PARA QUE JUNHO SE TORNE PERIGOSO

A repressão do Estado é parte fundamental deste sistema de domínio, sendo simultaneamente a mais abjeta das suas expressões; não surpreende, portanto, que todxs xs que não fossem passíveis de recuperação pelo sistema de poder – as individualidades anárquicas, revolucionárias e rebeldes – tenham sido os seus alvos, em particular e historicamente.

A ação direta foi a resposta encontrada por essas individualidades à repressão sobre elas exercida – seja ela física, psicológica, moral, social ou económica, desencadeada por todos os componentes do poder democrático a que se junta a brutal e indiscriminada violência das suas mãos armadas e da judiciária.

Essa ação direta – sempre dirigida aos responsáveis ​​pela repressão – é realizada tanto pela destruição criativa e libertadora dos locais de domínio como pela sabotagem das suas infraestruturas, para pôr fim, ou pelo menos dificultar, as causas da exploração e opressão de humanos sobre outros – animais humanos ou não humanos – e sobre a terra. Na ótica da libertação total, assistir passivamente à reprodução do domínio é ser cúmplice – é precisamente por isso que continuam de cabeça erguida em rebeldia.

Já como consequência disso, o poder coloca todas as suas estratégias em ação, continuando com os julgamentos e processos contra companheirxs seja pelas suas ações, conflitualidade ou escritos. No próximo mês haverá o julgamento de cassação relativo à chamada operação “Shadow” [Sombra], na qual um certo número de companheirxs são acusadxs, entre outras coisas, de instigação para se cometer um crime, no decorrer da publicação da revista KNO3[1].

Continuar a ler[Itália] Para que Junho se torne perigoso

[Prisões italianas] Uma carta da anarquista Anna Beniamino sobre a Operação Scripta Manent e não só…

[ Pouco depois desta carta ter sido enviada, soube-se que as investigações sobre a operação Scripta Manent foram fechadas, por isso agora aguarda-se a audiência preliminar, na qual o juiz vai decidir se coloca ou não em julgamento xs companheirxs visadxs.]

SCRIPTA MANENT

A acusação de Turim decidiu colocar uma tendência anarquista inteira em julgamento: o anarquismo anti-organização. Não se trata de uma enormidade sensacionalista ou defensiva, é o que a juíza investigadora de Turim, Anna Ricci, promulgou com os mandados de prisão emitidos em Julho de 2016, e aplicados em Setembro, provavelmente para evitar interromper as férias de verão de algum funcionário púbico.

A escolha dos inquisidores é clara a partir do enquadramento ridículo surgido nos papéis de autorização de detenção, um produto do encontro deletério entre a mente de algum bófia e a leitura apressada de um resumo da wikipedia.

O quadro dá forma a uma visão repressiva-maniqueísta de uma “anarquia social“, a boa e inofensiva e de uma (anti-social e anti-classes) “anarquia individual“- violenta e apetecível à repressão – cujo método é o “modelo anti-organizacional”.

Ao fazer as necessárias distinções, este quadro visa definir um campo específico, para se criar uma gaiola, de modo que a partir de um “insurrecionalismo” genérico, (um subproduto do modelo anti-organizacional), sempre violento e passível de castigo em diferentes graus, subespécies possa ser puxada para fora para formar diferentes vertentes da investigação 1 para a polícia italiana: ‘insurreccionalismo clássico‘, ‘insurreccionalismo social‘, ‘eco-insurreccionalismo‘ e a ‘federação anarquista informal‘.

Que diferentes tensões e tendências existem dentro do anarquismo é um fato, mas também é verdade que este tipo de categorização rígida é uma característica inerente à mentalidade e requisitos dos inquisidores, que se dedicam a delimitar uma área específica para fazer as suas manobras como melhor puderem: é dentro desse espaço que a seguinte operação se encontra.

Historicamente, a solidariedade com xs prisioneirxs revolucionárixs tem sido um ponto focal de interesse para xs anarquistas e uma maneira de nos unirmos e construir uma sensibilidade rebelde: solidariedade revolucionária e não a solidariedade com xs revolucionárixs.

Concebida pela Digos de Turim e após o regresso dos promotores, em 2012 – na sequência de 20 anos de tentativas repressivas recorrentes e fracassadas – a operação Scripta Manent levou à detenção de 5 anarquistas: A.M., V.S., D.C., M.B., A.B., todxs já sob investigação e/ou presxs, a seguir a várias publicações anarquistas sobre ação e repressão, especificamente, Pagine in Rivolta 2, o boletim Croce Nera Anarchica 3, e KNO3 4. Além disso, havia os mandados de prisão para A.C. e N.G, dois companheiros na prisão desde 2012, após um ataque ao director-geral da Ansaldo Nucleare, Adinolfi, que foi reclamado em julgamento em Outubro de 2013 como o Núcleo Olga (FAI/FRI). Durante anos, eles haviam sido conhecidos como editores de Pagine in Rivolta e Alfredo já havia sido processado pela KNO3.

Quatro outrxs anarquistas foram submetidxs a investigação – todxs tinham sido já presxs, durante a operação Ardire 5, parte da qual converge no presente processo judicial – junto com mais 4 pessoas, cujas detenções o juiz se recusou a validar no mandado de Julho e conduziu à tentativa infrutífera de apelação do promotor, em Outubro de 2016. Além disso, 32 assaltos policiais foram realizados  em toda a Itália, durante os quais um companheiro e editor da CNA foi preso, encontrando-se ainda preso sob o regime AS26 6.

A INVESTIGAÇÃO AINDA ESTÁ A CAMINHO

A operação está a ser conduzida pelo promotor Roberto Sparagna, novo nos chamados procedimentos anti-terrorismo – mas bem conhecido por ter corrido os julgamentos do chamado crime organizado. Não se sabe se esta operação estava em baixo para ele ou pela a entrada de polícias de Turim: a última hipótese parece muito mais provável, visto a maior parte do inquérito ter sido realizado e arquivado pela Digos ao longo dos anos e por causa das fotos pequenas com acontecimentos de fundo como os “cumprimentos do Dr. Petronzi” (ex-chefe de Digos de Turim), que Sparagna se certificou de estender aos presos, durante uma das suas tentativas de interrogatório.

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[Prisões italianas] Romper o isolamento! O companheiro anarquista Alfredo Cospito inicia dez dias de greve de fome

Uma breve atualização sobre o prisioneiro anarquista Alfredo Cospito – que iniciou ontem uma greve de fome de dez dias – e a Operação Scripta Manent

Há 15 dias atrás, as investigações sobre a operação Scripta Manent foram fechadas, por isso agora aguarda-se a audiência preliminar, na qual o juiz vai decidir se coloca ou não em julgamento xs companheiros visadxs.

Na terça-feira, 3 de Maio, o companheiro Alfredo Cospito, iniciou uma greve de fome de dez dias contra a censura que lhe foi imposta pelo promotor Sparagna [encarregado da op. “Scripta Manent”], que bloqueia quase toda a sua correspondência (de entrada e de saída).

Em particular, escreve que as cartas enviadas no mês passado por um de nós, da redação da C.N.A, foram todas bloqueadas, 7 de 7.

Nesta carta, já depois da censura ter sido imposta por 3 meses,  há mais de um mês, afirma que a situação ainda se tornou mais pesada que o habitual na altura do encerramento da investigação.

E como sempre nos tem dito, na Rebibbia [prisão de Roma] estão a passar pior.

Conclui a carta com um grito: “Romper o isolamento!

[Alfredo pede a todxs xs companheirxs no exterior para enviarem livros, revistas, cartas e materiais impressos em geral, em protesto e em apoio à sua greve]

Alfredo Cospito:
Via Arginone, 327 – 44122 Ferrara, Itália

italiano via Croce Nera Anarchica l inglês via  325.nostate

Prisão de Ferrara, Itália: Carta do companheiro anarquista Alfredo Cospito sobre a operação Scripta Manent

panteraEste texto foi escrito por Alfredo durante a sua recente greve de fome, começada a 3 de Outubro e terminada a 25 de Outubro, altura em que as autoridades da prisão o libertaram do isolamento.

Valentina, Danilo, Anna, Marco, Sandro, Daniele, Nicola – amigos, irmãos, irmãs, companheirxs que foram detidxs e de novo detidxs.

Deveria narrar a mesma velha história sobre outra fabricação. Em vez disso, desejo falar sobre o motivo pelo qual elxs foram detidxs. Os irmãos e irmãs foram presxs porque atacaram, estavam cansadxs de esperar, ignoraram-se as decisões da maioria e tomaram-se medidas.

Permaneço otimista e animado porque a lógica de ‘1 + 1 = 2′ diz-me que xs companheirxs que atacaram ainda estão livres, são capazes até de atacar novamente.

O poder não reprime aleatoriamente. Hoje quer isolar e aniquilar parte do movimento anarquista, que tão “pequeno” quanto possa ser foi capaz de quebrar as correntes que o amarravam à velha “Anarquia social”.

Um anarquismo social que de uma maneira suicida e compulsiva procura “consenso a todo custo”. Diluindo continuamente as suas aspirações.

Esta visão que “nunca vai além’ é muito conveniente para o poder que, pelo contrário, teme aqueles anarquistas que recusam que o ‘consenso’ amarre as suas mãos, porque acreditam que só fora da ação (não feita de teorias abstractas ou buscando – perseguindo ‘pessoas’) pode nascer a estratégia, o caminho a seguir.

Não quero comentar as “acusações” e as chamadas “evidências”. A única coisa que eu diria é que os irmãos e irmãs da FAI-FRI sempre reivindicaram com as cabeças erguidas, na frente dos porcos da toga preta, os seus próprios méritos, suas próprias ações, assumindo plena responsabilidade, cuspindo nas faces dos porcos , como o mantivemos em Génova.

A minha prioridade principal não é sair da prisão a todo custo, mas sair com a cabeça erguida sem ter renegado nada do que eu era e do que sou.

Eu sairei de forma boa ou de forma ruim, tudo dependerá da minha força, das minhas capacidades, da força de meus irmãos e irmãs lá fora, mas certamente  sairei com a cabeça erguida.

A minha cumplicidade ideal vai para os irmãos da “Cooperativa Artigiana Fuoco ed Affini” – FAI; os irmãos e irmãs da FAI-RAT (Rivolta Anonima Tremenda); os irmãos e irmãs da Narodnaja Volja – FAI, quem quer que sejam, onde quer que estejam.

A minha cumplicidade ideal vai para o anarquismo da práxis, o qual em novas formas está ressurgindo em boa parte do mundo, depois de uma longa hibernação.

Avante sem medo.

O futuro é nosso.

Pensamento e dinamite

Alfredo Cospito

em inglês via insurrectionnews

Buenos Aires: Ataque a uma camioneta da Presidência da Nação Argentina

carro-em-chamas-1024x679Em resposta à repressão exercida  pela DIGOS (Divisão de Investigações Gerais e Operações Especiais) – através da operação “Scripta Manent” sobre xs companheirxs anarquistas que habitam a região dominada pelo estado italiano – incendiámos uma camioneta da Presidência da Nação Argentina no dia 25/9/16 cerca da uma da manhã da manhã, na zona do cruzamento das ruas Marcos Paz e Pedro Lozano em Villa Devoto, Buenos Aires.

Anna, Marco, Sandrone, Daniele, Danilo e Valentina vocês não estão sós, deste lado dos muros continuaremos a atacar a autoridade e a incendiar as cidades de todo o mundo.

Liberdade ou morte (Federação Anarquista Informal)

em inglês, grego, italiano

[Projeto Nemesis, 1º acto] CCF reivindica ataque à bomba contra casa da procuradora M.P. Georgia Tsatani (Atenas – 10/2016)

ccfwolvesPROJETO NEMESIS
PRIMEIRO ATO

Reivindicamos a responsabilidade pelo ataque [12 de Outubro de 2016] à casa da procuradora distrital do Ministério Público, Georgia Tsatani, situada na rua Ippokratous, ao lado do departamento de polícia de Exarhia, no centro de Atenas.

Sabíamos que G. Tsatani tinha uma escolta policial e era um alvo bem guardado mas isso não nos impediu de realizar o ataque.

Optámos por uma ação simbólica – único propósito era apenas causar danos materiais – mas a Conspiração das Células de Fogo não se limitará a isso no futuro…

Existem duas ordens de razão para se ter escolhido em particular esta procuradora distrital.

A primeira prende-se com o facto de G. Tsatani ser um membro da rede para-judicial cujo actividade passa por colocar fora de vista os ficheiros que incidem nos interesses da máfia empresarial e de políticos (com o fim de tirar proveito disso, obviamente). É pois a vanguarda judicial dos seus mestres.

O ponto alto da sua maculada carreira é o caso Vgenopoulos, tendo G. Tsatani encerrado o caso, ajudando-o a ser descartado de uma condenação certa. A  venalidade que teve com o empresário Vgenopoulos foi bombeada até si através de invisível conta para-judicial. Estas imperceptíveis cortesias de homens de negócios podem até construir as moradias dos magistrados, em troca da sua “justiça”.

Outra amostra do estilo de escrita desta procuradora distrital, mantida diligentemente em segredo pelos medias, é o caso Meimarakis, relacionado com o equipamento e os subornos de Vagelis Meimarakis, sendo a única a assumir o arquivo do caso – o ex-ministro da defesa nacional volta nessa altura, tendo ela feito questão de se “esquecer” de enviar para o parlamento os ficheiros – claramente com vista à sua cobertura. Em troca desta conciliação dá-se a colocação da filha e do marido de Tsatani como candidatos a ministros da Nova Democracia na presidência Meimarakis.

Georgia Tsatani esteve envolvida no caso Vatopedi, deixando bem claro e uma vez mais a mafiosa cooperação Igreja -Justiça, bem como em muitos outros famosos casos nos quais se “iria cortar” a fim de esconder e proteger os interesses de autoridade.

A segunda ordem de razões para se escolher como alvo de ataque a procuradora distrital Georgia Tsatsani prende-se com a sua participação na sujeição judicial dxs parentes dxs nossxs companheirxs.

A obsessão de vingança dos juízes contra as famílias dxs nossxs companheirxs foi uma escolha que todos os juízes envolvidos serão convidados a pagar e com grande custo. Temos recordações e acima de tudo paciência, persistência e diligência …

Dedicamos esta ação aos/à membrxs detidxs da C.C.F, Gerasimos Tsakalos, Christos Tsakalos, Giorgos Polydoros e Olga Economidou.

Enviamos a nossa solidariedade à companheira anarquista Angeliki Spyropoulou, bem como a todxs xs presxs políticxs irredutíveis que se encontram nas celas da democracia grega e também para os companheiros italianos Alfredo Cospito, Nicola Gai e anarquistas perseguidxs em Itália no âmbito da operação “Scripta Manent” ” contra a F.A.I.

Em breve seguirá a versão completa desta proclamação, bem como a nossa proposta para o projecto “Nemesis”.

Voltaremos…

Conspiração de Células de Fogo / F.A.I.

em inglês / grego, italiano, alemão

Brasil: Ataque a uma viatura da polícia civil em Porto Alegre

Solidariedade com os sequestrados nas gaiolas dos Estados.

Na madrugada do dia 25 de setembro, deixamos uma carga incendiaria embaixo duma viatura na primeira delegacia da polícia civil, situada na rua Canabarro.

Ainda quando na cidade se respira o ar repressivo com a chegada da Força Nacional, conseguimos atacar. E não somos os únicos, o ataque à polícia neste território não é exclusividade nem profissão de ninguém. Abraçamos essa atitude de irreverencia, e celebramos o fogo na delegacia da vila Cruzeiro. Que a revolta e o ataque sejam permanentes!

Toda forma de polícia é inimiga da liberdade. Não só a polícia militar é repressiva e assassina. Há toda uma rede que defende a “ordem social”: Os p2 fazem um trabalho de inteligência para perseguir e encarcerar a todos os que não aceitam serem submissos a esse sistema, a guarda municipal é quem cuida da “limpeza social” das ruas das cidades, perseguindo moradores de rua, vendedores ambulantes etc… enquanto nos protestos pedem o fim da polícia militar esquecendo que toda polícia busca a eliminação da divergência… toda polícia é nossa inimiga.

Junto com nosso gosto por atacar esta força repressiva, nossos inimigos de sempre, nos acompanha também o desejo de mandar um abraço para nossos companheiros. Aos inquebrantáveis guerrilheiros urbanos da Conspiração das Células de Fogo que seguem lutando dentro das prisões gregas (estamos com vocês, hoje e sempre). Aos compas da Itália sequestrados pelos ataques da FAI FRI. A Rafael Braga Vieira, que ainda se encontra preso no Rio, acuado absurdamente por portar uma garrafa de pinho sol durante uma manifestação em 2013.

Pelo fim de todo tipo de polícia e pela propagação dos ataques contra a dominação.

Alguns amigos da revolta

PD. Os meios de comunicação assim como a própria polícia não falaram sobre o acontecido, obviamente, não seria muito estratégico expor suas fraquezas, vai que outros “vândalos” e rebeldes se inspiram e busquem atacar novamente as “forças da ordem” na sua própria casa….

em grego

França: Um veículo da Engie incendiado em Paris

fogoSCRIPTA MANENT ? ACTA NON VERBA !
“As palavras escritas permanecem”? Ações, não as palavras!

Face à repressão que atinge companheirxs anarquistas em Itália (Operação Scripta Manent), face aos nossos inimigos que são o Estado e o capital, acreditamos ainda e sempre que a melhor solidariedade é o ataque. Elxs pagam por atos que pertencem a todxs xs anarquistas do mundo inteiro. Queremos enviar-lhes um sinal da nossa proximidade com os factos. Ao contrário de outrxs daqui e doutros lugares que se contentam com um pouco de retórica nos seus sites na internet.

Na noite de 3 para 4 de Outubro, no prolongamento da rua Candale, na área de Pantin, deitamos fogo a um veículo pertencente à Engie, empresa que colabora com o Estado no encarceramento (administração de prisões e centros de detenção).

Fogo às prisões !
Solidariedade é ataque!

De alguns/mas outrxs anarquistas solidárixs de Paris

francês l inglês l grego l italiano

Itália: Duas antenas repetidoras da Wind/Ericson queimadas em Valsavignone

Mas que calor que está!

A 13 de Setembro, na localidade de Valsavignone, queimámos duas antenas repetidoras da Wind/Ericson.

Uma resposta mínima ao RECENTE ENCARCERAMENTO DXS NOSSXS COMPAS Anna, Vale, Alfredo, Nicola, Danilo, Daniele, Divo, Marco e Sandro.

Que cada golpe que recebamos do inimigo seja um retorno de chama infligida contra ele: a sua cara está em todo o lado… beh, nós também!

Que o nosso dia a dia, com ou sem repressão, seja (também) destrutivo!

Que a solidariedade, quando a repressão nos atinge, seja uma vez mais ataque!
Juramos juramos vingança, Liberdade ou morte!

em espanhol

Atenas, Grécia: Gesto de solidariedade para com xs 6 compas recentemente presxs em Itália e Lukáš Borl na República Checa

uroborusComo gesto de solidariedade para com xs companheirxs recentemente presxs em Itália e na República Checa, colocámos uma faixa no centro de Atenas [no dia 12 de Setembro de 2016] onde se pode ler: “Ataque armado até ao esmagamento da civilização do Poder & execução; para todxs xs irmãos/irmãs anarquistas em cativeiro; para todos os nossos momentos roubados. Solidariedade e cumplicidade com xs anarquistas recentemente presxs em Itália e na República Checa “.

União de individualidades anarquistas Uroborus

em inglês