Arquivo de etiquetas: contra o patriarcado

Santiago, Chile: Dispositivo incendiário/explosivo contra santuário católico

Reivindicamos a instalação de um dispositivo incendiário/explosivo numa das entradas do santuário do Movimento Apostólico de Schoenstatt, situado na comuna de La Florida, ação realizada na noite de 15 de Janeiro, dia da chegada do Papa Francisco ao Chile.

Através desta ação reafirmamos o combate contra a autoridade da Igreja Católica, instituição cujos organismos e representantes exercem historicamente a repressão a repressão sobre os corpos, a imposição de papéis e de padrões de comportamento, a manipulação das mentes e o monopólio espiritual castrador dxs indivíduxs.

Cúmplice das matanças, perseguições e genocídios na historia mundial, a Igreja Católica e o seu Papado são um dos pilares do domínio civilizado e do colonialismo no território denominado “América Latina”.

O Movimento Apostólico de Schoenstatt, fundado na Alemanha en 1941 pelo sacerdote José Kentenich – que personalizou o movimento em 1949, no Chile – é se dúvida alguma um enclave de referência do conservadorismo da elite empresarial chilena.

É através da rede de escolas  do Movimento que os Padres de Schoenstatt educam mais de seis mil meninos e meninas no Chile  – utilizando uma matriz de valores repressores da liberdade sexual condenam o aborto e defendem a hegemonia da instituição-contrato do matrimónio heterosexual.

Ligados a este movimento encontramos uma série de personagens desprezíveis  tais como o sacerdote Raúl Hasbún, defensor moral e político da ditadura; o parlamentar José Antonio Kast, defensor da ditadura e dos torturadores, empresário e ex-candidato presidencial de tendência fascista; o empresário Agustín Edwards, dono do diário de direita “El Mercurio”, que rezava no Santuário de Schoenstatt quando um grupo guerrilheiro (FPMR) sequestrou o filho, a princípios dos anos 90; o empresário Felipe Matta Navarro, amigo pessoal do Presidente Piñera e ligado ao negócio das pensões das AFP; os sacerdotes Rodrigo Gajardo, reconhecido pedófilo e, por fim,  Francisco José Cox Huneeus, acusado de abuso sexual de menores, vivendo hoje recolhido num mosteiro.

Para além destes vínculos e de qualquer contexto ou justificação, sabemos que é sempre bom o momento para atacar a tranquilidade dos templos da moral e da autoridade.

Saudamos, através desta ação, o desafio lançado pelxs companheirxs da“Célula Santiago Maldonado”, que a partir de Itália propuseram que se reforçasse os ataques que atentem contra a paz dos representantes e cúmplices do domínio.

Saudamos cada célula e individualidade anárquica que continue a propagar o fogo da sublevação da liberdade.

CONTRA O PODER DA IGREJA E A MORAL CRISTÃ
SOMOS BLASFEMXS ANTES QUE DEVOTXS!
FRANCISCO, NÂO ÉS BENVINDO!
AQUI ESTAMOS EM GUERRA CONTRA TODA A AUTORIDADE

Célula Incendiária Anti-clerical “Hortensia Quinio”
Federação Anarquista Informal / Frente Revolucionária Internacional (FAI / FRI)

espanhol

Neuquén, Argentina: Não ao trabalho

Nota prévia: Aqui vão algumas palavras à volta dos despedimentos ocorridos acerca de um mês na cidade de Neuquén, Rio Negro, Argentina. Palavras que canalizam a crítica, a reflexão e a ação em relação à situação dxs trabalhadorxs têxteis demitidxs em Neuquén. E em solidariedade com as pessoas que lutam por querer viver em liberdade (18 de Fevereiro)

Eu NÃO apoio as trabalhadoras têxteis de Neuquén

É através da escravidão assalariada que se obtém um maior dominação nos nossos tempos. Todo o trabalho é escravidão; pelo facto de ser o eixo da produção constitui também uma das ferramentas mais alienantes da dominação. Eu não apoio nem incentivo o trabalho. E que se saiba o trabalho é qualquer labor forçado. Não há vida na vontade de trabalhar, mas sim servidão e alienação. E a minha decisão não é a de ter uma vida de escravidão, mas sim de liberdade.

O patriarcado não é coisa da actualidade, paremos para analisar as nossas relações e veja-se a dominação de uma pessoa “segundo o género”, trata-se de uma tensão da liberdade até se atingir um equilíbrio nas relações humanas. Embora eu discorde e seja dissidente da divisão domesticada em que fazemos de ‘homem’ ou ‘mulher’ (ou dos géneros em si) – não sendo esta mais do que outra forma de dominação e controlo normalizado – perpetuando os valores hostis  da civilização, não é minha intenção apoiar um trabalho que é atribuído ao género feminino, em geral e historicamente.

A poluição gerada pelas fábricas, neste caso a têxtil, é potencialmente prejudicial. Nas fábricas de têxteis os produtos químicos utilizados, tanto nos tecidos de tingimento, ou nas estampagens, lavados ou postos nos cabides – e as águas residuais que geram – são uma nocividade, tanto a nível pessoal como ambiental. Directa ou indirectamente a utilização de corantes, compostos e solventes, causa contaminação nas fábricas têxteis ou em qualquer tipo de fábrica, não sendo minha a vontade de alimentar tal poluição.

Como apoiar a reinserção laboral? Porque é que deveria apoiar um trabalho que alimenta a dominação? Onde reside a liberdade se apoiamos as fábricas que matam a Terra?

Podem-me responder que o trabalho é tudo o que já sabemos e insistir que sem trabalho não há dinheiro e que,  ainda que saibamos que o dinheiro é a razão da miséria,  é isso que nos possibilita não morrer de fome ou não morrer de frio. Sim, é verdade!  Mas assim acabo por ser cúmplice da exploração e das suas misérias ao pedir a reincorporação no trabalho, não ?

A solidariedade não se destina a fazer política, muito menos a fazer proselitismo. A solidariedade é acima de tudo um desejo da vontade de cada um/a. A minha intenção é transformar esse desejo numa qualidade da liberdade. A minha solidariedade nasce da minha vontade; vontade de criar um mundo novo, um mundo livre. A minha solidariedade baseia-se num apoio incondicional à vida e não à exploração.

Em todo o caso algumas ideias vagas podem ser o compartilhar alimentos, oferecer a cada uma das pessoas despedidas ferramentas para se auto-abastecer, como seja o caso de alguma horta comunitária ou não. Alimentos há em todo o lado, basta ir aos mercados de verduras e apanhar aquilo que se deita fora ou se pensa que não será possível comerciar. Falar-lhes de que há outras formas de viver para além do trabalho assalariado numa fábrica, falar e vislumbrar essas formas de viver. Impulsionar a raiva que gera esta forma despojada de entender a vida e que seja potenciada e se amplifique na ação solidária. Que a solidariedade desperte. Que se inquiete em cada um/a  para a despertar e que não fique limitada, porque não é coisa fácil, não é “assim mais não”. Que a cerquemos, que se arrisque, que se force, como se costuma dizer: se a jogue.

A liberdade é assassinada dia a dia e de alguma maneira sou cúmplice;  não quero alimentar essa cumplicidade ao apoiar o trabalho, o patriarcado ou a contaminação.

Quero ser solidário.

Eu NÃO apoio as trabalhadoras texteis de Neuquén.

Eu apoio as pessoas despedidas da fábrica ‘Neuquén Textil SRL’.

em espanhol

Alemanha: Chamada anarquista face à Cimeira do G-20 em Hamburgo (Julho 2017)

A 7 e 8 de Julho de 2017 em Hamburgo – quando se reunirem os criminosos de guerra mais bem sucedidos deste planeta, os maiores dos exploradores sem escrúpulos do ser humano e da natureza e líderes auto-declarados deste planeta – não será com algumas exigências que se verão confrontados e, portanto, reavaliados para um melhor governo ou escravidão social.

Vão é sentir a fúria das ruas quando estiverem a passar com os seus comboios através de áreas desertas ou a falar sobre os ataques noturnos das últimas semanas.

Esta chamada – tal como tantas outras feitas durante encontros semelhantes – não pretende perder-se na análise da importância da política da Cimeira do G-20 ou dos seus participantes. A injustiça do mundo já foi declarada mais de mil vezes, agora qualquer pessoa que sinta vontade de agir já não necessitará de ler qualquer outro texto.

Queremos falar daquelxs que já se encontram envolvidxs na luta – contra o capitalismo, seus Estados e sociedades – em particular de nós.

Desde Seattle, em 1999, que os protestos contra as Cimeiras constituem o catalisador da resistência radical; indivíduos e grupos reuniram-se, trocaram ideias, permaneceram juntos atrás das barricadas e levaram consigo a chama da resistência, na volta para as suas regiões. Nem sequer os disparos em Gotemburgo e Génova, ou os numerosos informadores infiltrados, conseguiram impedir o desenvolvimento de uma rede caótica de tendências autónomas/anarquistas/anti-autoritárias por toda a Europa.

Depois surgiu a crítica de que o evento deveria ser menos ativo – como se alguém tivesse implorado para que funcionasse como um “turismo manifestante” numa cidade qualquer.  As manifestações contra o G-20 em Cannes e Niza, em 2011, foram preparadas neste resplendor de champanhe de alguns gestores do movimento. Tudo deve vir a ser diferente, melhor, mais político. Em relação a esse tempo, nenhuma conclusão ou análise foi divulgada à posteriori – a resistência simplesmente falhou – só as patacuadas (alibis) habituais das ONG’s nos cantaram os seus programas.

Portanto, agora é em Hamburgo e estão já de cabelos em pé – os responsáveis nas suas sedes assassinas dos serviços secretos, as autoridades policiais e os comandos militares. Temem a nossa vinda. Mas nós não temos nenhum liderzão que possa ser eliminado, a nossa resistência não depende do comportamento esquemático de alguns indivíduos. Talvez nada ocorra se tu – que te encontras a ler este texto neste momento –  não tiveres agido. Não esperes que outrxs preparem algo para ti, de modo que tenhas só que embarcar nisso.

De certeza que haverá uma grande manifestação dos idiotas da esquerda, pois querem fazer o seu ritual democrático – como um certo Sr. Marx os ensinou, há já 150 anos. E talvez lá estejamos, também, ou à margem ou atrás das linhas da polícia. Ainda há muito tempo para pensar e preparar isso.

Entretanto, estamos a fazer a chamada para uma campanha antecedente da Cimeira, contra qualquer forma de poder. Em Julho de 2017 queremos destruir (mesmo que apenas simbolicamente …) o império do patriarcado sobre as mulheres, a regra dos estados sobre as suas fronteiras e centros urbanos, a regra do trabalho sobre o nosso tempo, a regra do dinheiro sobre o nosso comportamento social, a dominação dos bens sobre as nossas vidas, a regra dos polícias sobre o medo à repressão, nas nossas mentes.

Por Hamburgo e todos os seus bairros existe um número infinito de objectivos adequados à destruição – visto isso, temos de começar já com isso. Assim, em Julho de 2017, será possível que a alienação entre o mundo do G-20 e o resto seja já a suficiente para não ser preciso mais Cimeiras para conseguirmos nos reunir. A campanha militante contra o G-8 em Heiligendamm, em 2007, poderia servir de modelo: forneceu-nos tanto a compreensão da sua força como das possibilidades da organização horizontal – para além dos incontáveis processos preliminares, também uma nova geração de ativistas de ações clandestinas auto-determinadas e bófia a fugir da chuva de pedras, em Rostock.

Aparte disto, chamamos também a um aprofundamento teórico da nossa prática – na qual a presença ou ausência do anarquismo nos motins deva ser testada – como recentemente na França, como em Frankfurt em Março de 2015, em rituais como o 1º de Maio ou na política quotidiana, seja no entorno ou na luta contra os nazis.

Porque não podemos reclamar do domínio dos reformistas em lugares onde não estivermos presentes. Ou onde haja somente frases vazias com um A circulado,  se criem conversas superficiais de um “consenso das ações”,  conversas essas ouvidas com um posterior distanciamento em relação a elas. Tal discurso teria que ir para lá das referências ao G-20 surgidas até agora  nas reivindicações de responsabilidade (bem-vindas).

A nossa resistência contra a Cimeira do G-20 não pretende sair “vitoriosa” no sentido de impedir esse evento. Poderá ser o início de algo que também poderia começar noutro dia qualquer: a auto-capacitação do indivíduo sobre a existência e a (auto) organização em estruturas coletivas. Mas só uma chamada para isso dificilmente chamaria a atenção. Portanto…

Ataquemos a Cimeira do G-20!
Atiremos Hamburgo para o caos!
Destruamos a fortaleza europeia!

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Kiev, Ucrânia: Good night macho pride 2014

De 24 a 28 de Abril de 2014 em Kiev, Ucrânia, acontecerá o 3º festival anarcofeminista “Good night macho pride”.

Durante este encontro realizar-se-ão discussões teóricas e práticas relacionadas com temas anarquistas e feministas tais como: relações e formas de falar de uns ou umas com xs otrxs, a interação em grupos, como lidar com insultos ou agressões, conciencialização perante comportamentos sexistas e a prevenção do esgotamento dxs ativistas. Para além disto, será uma boa oportunidade para entrar em contato com grupos e ativistas anarcofeministas de diferentes pontos da Europa.
Um aspecto importante a ser tratado será o dos temas anarcofeministas e de género no movimento anarquista da antiga URSS; outro, será o intercâmbio de experiências e estratégias para superar o patriarcado.

Mail de contato: gnmp@riseup.net / Mais info: svobodna via a3yo

EUA: Manifestação ruidosa contra a proposta de ampliação da prisão de São Francisco

fire to prisons
Fogo às prisões

Na noite de sexta-feira, 21 de Março, uma estridente e turbulenta manifestação foi até ao 850 da rua Bryant, a cadeia atual em São Francisco, bem como o local de um projeto para ampliação da prisão. Participámos nesta manifestação para expressar o nosso repúdio pela expansão da prisão proposta, mas também para expressar solidariedade com xs que estão presxs actualmente. Cerca de 100 pessoas caminharam atrás de faixas que diziam: “nem nova prisão, nem prisão velha” e “esmagar o patriarcado, queimar os estabelecimentos prisionais: uma prisão é uma prisão e nada mais”. Aquando da chegada à prisão, foi lançado fogo-de-artifício para os que estão dentro. Veículos da polícia e a prisão em si, foram vandalizados com pedras, tinta de spray e bombas de tinta.

Há meses que ouvimos conversas do Departamento do Sheriff de São Francisco sobre os planos para construir uma nova prisão, substituindo a que se encontra no 850 da Bryant. Um esforço liderado pelo sheriff Mirkarimi, que afirma que uma nova prisão é necessária para lidar com as condições inabitáveis da existente. A oposição à nova prisão tem-se focado na irresponsabilidade orçamental de construir um novo centro correcional neste momento. E ainda que não discordemos com o facto de que gastar centenas de milhões de dólares numa nova prisão seja claramente ridículo, rejeitamos por completo as implicações deste argumento. Muitos dxs presxs na monstruosidade de 850 Bryant já expressaram a sua oposição ao novo projecto de construção que supostamente seria construído em seu nome. Não pensamos que alguma vez possa existir uma altura apropriada para uma nova, mais “segura”, prisão, independentemente da solidez financeira do projecto, porque todas as celas são inabitáveis. O cerne da questão é que as cadeias e penitenciárias são instituições onde as pessoas pobres – em especial a população negra e pobre – são forçosamente subjugadas; são fábricas feitas para reproduzir continuamente a lógica e violência da supremacia branca. Como justifica a cidade que a população negra de São Francisco sejam uns meros 7% mas que mais de 50% das pessoas encarceradas sejam negras? Entendemos que a pressão da cidade para a existência de uma nova prisão, a expansão do policiamento em bairros como Mission são uma consequência dos sempre crescentes níveis de riqueza em São Francisco. Todo este dinheiro chega nos bolsos de yuppies assustados e tecnocratas e são estas as comunidades que a cidade quer proteger. Por isso dizemos que se foda!

Quando as escolhas que se apresentam são apenas quanto ao tamanho de uma sempre crescente sociedade-prisão, a nossa única opção é a revolta. Claramente, qualquer luta significativa contra a construção de uma nova prisão irá envolver inúmeros actos de resistência e subversão, tanto de dentro como de fora. Reconhecemos que esta manifestação é pequena face à força necessária para impedir a construção de uma nova prisão, mas temos de começar nalgum lado. Esta manifestação foi uma humilde contribuição para esse fim, e um convite a outros. Convidamos qualquer um ou uma que odeie este mundo-prisão a encontrar outrxs ou a atacar sozinhx. Em vez das falsas escolhas (oferecidas pelo departamento do sheriff, departamento da polícia de São Francisco, a câmara e o procuradoria) precisamos de uma vaga de conflitos contra este empreendimento.

Liberta xs presxs e queima o que restar

– alguns/mas anarquistas