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Porto, Portugal: Programa do 1º Encontro Anarquista do Livro – 4 a 6 de Maio

O Encontro Anarquista do Livro realiza-se nos dias 4, 5 e 6 de Maio de 2018, no Porto, e constitui um espaço de afirmação da dissidência, de intercâmbio de ideias, experiências e materiais, e de fortalecimento de redes de afinidade.

Programa completo:

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Porto, Portugal: Convite para o Encontro Anarquista do Livro – 4 a 6 de Maio

Colónia Anarquista L´Experience – Bélgica (1906)

Compas,

Nos dias 4, 5 e 6 de Maio decorrerá no Porto o Encontro Anarquista do Livro, um momento de intercâmbio de material, experiências e comunicação.

Para além da importância de estreitecermos laços e criarmos redes de cumplicidade entre nós, este encontro pretende ser um espaço de difusão da nossa presença e das nossas ideias.

Para tudo isto, lançamos o convite para que partilhem connosco esses dias com as vossas editoras e distribuidoras e também com as vossas ideias para outras coisas que achem por bem organizar.

A confirmação de presenças de bancas, as propostas de actividades e as necessidades de alojamento devem ser enviadas até ao dia 25 de março para o email: encontroanarquistadolivro@riseup.net

Saúde e Anarquia!

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Porto, Portugal: Erva Rebelde número Dois

Erva Rebelde número Dois
Passados cem anos, grande parte dos mitos do comunismo da Rússia soviética foram derrubados e as suas atrocidades desvendadas. Mas reduzir o que aconteceu na Rússia, no início do século vinte, a uma data em particular, a alguns nomes conhecidos e algumas decisões políticas descarta o importante legado da experiência de um movimento popular, da natureza da sua organização e práticas, do impacto que teve nos meios anarquistas e do consecutivo debate que se iniciou entre plataformistas e sintetistas, entre método insurreccionalista e método sindicalista. Talvez possa parecer anacrónico ou nostálgico, quiçá até será! Mas pouco importa ao desafio que se fez o colectivo Gera, porque lhe permitiu remexer na História para falar do pequeno povo, das suas lutas e mortes, revisitar um importante movimento popular e fazer uma recolha histórica dando relevo às anarquistas e aos anarquistas da Rússia desde 1880.

Entendemos a revolução russa como uma mudança profunda que se construiu no seio da sociedade e que se desenvolveu a partir do final do século dezanove. Foi um movimento popular de descontentamento e sofrimento com aspirações à liberdade e dignidade que levou ao movimento insurreccional contra o poder do Czar em 1905 e à sublevação popular que antecipava alterações profundas nas estruturas sociais, políticas e económicas em Fevereiro de 1917.

Assim, este número da Erva Rebelde dedica-­se exclusivamente ao tema da revolução russa, não para trazer novamente os grandes nomes da História, mas para visitar os outros nomes destas histórias da História. Aquelas pessoas que se envolveram nas actividades anarquistas de 1903 a 1917, aquelas que morreram em 1905, as que foram fuziladas, assassinadas, deportadas, exiladas, as que voltaram com a miragem de uma possibilidade em 1917, as que morreram na Grande Guerra 1914-­1918 ou na guerra civil de 1917-­1921, todas as que pereceram ou sofreram por acreditar num ideal anarquista. Este número da Erva Rebelde apresenta textos de reflexão, traduções, notas de leituras, mas também uma separata composta apenas por mulheres que empreenderam um trabalho de investigação e escrita criativa sobre anarquistas russas, intitulada “O Manuscrito encontrado na Utopia”. Contém, além disso, um DVD com documentos (uma cronologia, uma bibliografia, um índice biográfico e outros textos), várias pastas de imagens (fotografias, gravuras, mapas, pinturas, retratos), vídeos e ficheiros de som.

Erva Rebelde número Dois em pdf  aqui

ervarebelde.noblogs.org

Setúbal, Portugal: COSA e À DA MACHADA em solidariedade com A TRAVÊSSA Okupada no Porto

A Solidariedade atravêssa tudo

Força aí companheires, queremos desde já expressar a nossa solidariedade com as vossas ambições. Estamos juntes. É com esta e outras iniciativas que se ultrapassam barreiras/obstáculos da vida quotidiana. Ao criar algo de raíz feito por nós, sem as estruturas do poder dominantes, vivemos um processo que nos garante outra dinâmica político-social. Encorajamos todes que queiram continuar e desafiamos todes a experimentar estas aventuras subversivas de modo a recuperarmos as nossas vidas.

1 Despejo = 1000 Okupações!!!

Nota de Contra Info:
Na manhã do dia 16 de Outubro, o espaço ocupado A Travêssa dos Campos foi alvo de uma acção repressiva por parte da autoridade policial. Chegaram por volta das 7h30 com grande aparato de meios e agentes e preparados para uma entrada rápida e violenta no edifício. Após o arrombamento das portas foi dada a ordem – todos para o chão, caralho! Juntaram todas as pessoas numa sala, duas delas algemadas, e revistaram cada uma delas e os seus pertences. Para além disso, fotografaram e filmaram a operação e toda a gente que resistia no edifício. Ao todo foram 21 pessoas, mais uma cadela levada para o canil. Na esquadra, toda a gente foi identificada e novamente revistada. A todos os envolvidos foi aplicado um termo de identidade e residência e passada uma constituição de arguido sem referência a qualquer crime.

em alemão

Portugal: Revista anarquista “Erva Rebelde”, nº 1

Acaba de sair o número 1 da revista de índole anarquista “Erva Rebelde”, tendo o número 0 saído há cerca de um ano. Pode ser consultada aqui  (disponível em pdf, também).

EDITORIAL

(…) não se pode matar a liberdade de pensar. É certo que pode ser silenciada, mas ela oferece seguramente a sua oposição perpétua e indomável aos ditames da autoridade tal como uma erva cresce sem ruído.” (Voltairine de Cleyre)

… para que o dinheiro entre, ele tem que sair.
(uma mulher na mercearia)

“… passo a vida a mijar e dói-me
a piça.
” (sentados no chão ao sol durante uma pausa, um operário para o outro)

Um dia, o mundo adormece com a morte de Fidel, no outro, acorda com a eleição de Trump e de uma ponta à outra das notícias e dos artigos de opinião, que percorrem o planeta, estamos sempre em conflito ideológico, ou resolutamente perplexas, com o mundo que nos rodeia. Este conflito cresce-nos nas entranhas e ramifica-se quer pela percepção que temos da importância dada a certos assuntos e o silenciamento de outros, quer pelas palavras assépticas que nos querem inculcar, mas também pela profusão intencionalmente caótica e dispersa. Se há coisas que nem apetece referir, porque soam a heresia política, como falar do mundo em que vivemos e que queremos construir sem referir o massacre da linguagem e do humano? Enquanto continuamos a nos organizar a um ritmo que será sempre demasiado lento, mas necessariamente lento, um desconforto, uma amargura e um desassossego se instalam. Entre companheiros que partem, como Júlio Carrapato, e outras que chegam, criam espaços como a livraria anti-autoritária em Lisboa, ou a livraria Amarcord em Berlim abrem portas e organizam momentos de partilha e discussão, nesta finisterra, os espaços do pensar anarquista permanecem à imagem do contexto social, político e económico que vivemos com as características próprias das nossas circunstancias geográficas, históricas e do nosso ser. O ritmo de eleições e os seus dispositivos, que confirmam as suas contradições e declarações perigosas e bélicas, como o recente ruído nuclear de dirigentes no twitter que, en passant, já fora assunto de discussão estival no seio da NATO encaminham-nos para um espaço cada vez mais pequeno, onde muros, ora legais ora de betão armado e arame farpado, são erigidos pelas chamadas democracias. Em nome da segurança e liberdade submetem-nos à pequenez e mesquinhez dos governos e à prepotência violenta do braço armado dos estados, as forças policiais e militares, que matam, violam e encarceram de Ferguson à Palestina, de Paris ao México.

A queda do muro de Berlim em 1989 deu lugar a uma economia militar lucrativa e a técnicas aperfeiçoadas de controlo e separação, porque afinal as vedações não foram derrubadas, apenas se deslocaram para as fronteiras do mundo ocidental, um espaço economicamente protegido e favorecido, um espaço definitivamente branco e judaico-cristão. Os países da Europa, um a um, consolidam dispositivos de repressão que nos apresentam como benéficos para a nossa liberdade e cimentam políticas económicas definidas a longo prazo nos corredores calcorreados pelas elites dos estados.
São políticas acima de qualquer partidarismo político, daí a profusão de candidatos sem partido aos mais elevados postos dos estados (como Macron em França) confirmando a natureza ilusória das democracias representativas, e que desfrutam de uma panóplia de máscaras democráticas imiscuídas nas engrenagens dos estados. Isto confirma-nos que sem perder de vista a nossa posição contra os estados e seus mecanismos, há uma luta premente que passa por todo o tipo de educação contra-capitalista e boicote ao capitalismo, quer pela destruição, quer pela organização de circuitos desviantes do consumismo (troca, respigagem, hortas comunitárias, apropriação, ocupação, roubo organizado para redistribuição). Entretanto, como se a confusão não fosse suficiente, a acção humanitária é separada do activismo político e criminalizada pelos tribunais em França. Respiramos um ar povoado de drones que vigiam e matam, alimentando um desejo de controlo totalitário capitalista, mas curiosamente, democratizado, porque cada qual pode comprar o seu drone pessoal, o seu pequeno circuito de vigilância.
A malta segue assistindo e participando na gamificação da vida, as nossas vidas.

Porto, Portugal: Saíu o nº 0 de “Erva Rebelde”, uma nova publicação de índole anarquista

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grupo erva rebelde

Esta sociedade não satisfaz.
Usa-nos como cobaias na experiência incessante de um poder que testa em nós cada nova fuga em frente.
Mas a máscara das garantias e direitos cai e revela a cupidez do dinheiro, que contribui com os capatazes de que necessita para a rapina dos e aos Estados, sendo o pós-desastre terreno fértil para a instituição de novos totalitarismos e hierarquias.
A vacuidade toma conta de tudo.
Sabemos que o poder encontra sempre novas metamorfoses em que se apresenta como o salvador dos desastres que cria.
Contudo, os mitos do progresso, do desenvolvimento, da eficiência, não podem levar senão ao fracasso, como o demonstrou, por exemplo, o fim da experiência ‘soviética’ e as convulsões generalizadas que atravessam o capitalismo, desde os EUA à China.
Porém, onde se encontrou a crítica com a acção estão os que nos antecederam e os que nos acompanham com esse sentido crítico em busca daquilo a que aspiramos.
É valioso o nosso legado, difuso e amplo, e nós estamos também disponíveis para o fortalecer, no confronto atento e aberto.
Por isso estamos contra a imposição de um modelo civilizacional tido por superior, mas na verdade embrutecedor e colonialista, que faz tábua rasa da cultura e organização social de muitos povos;
contra o endoutrinamento sistemático do nosso pensamento e da nossa energia;
contra a normalização mediática, massificadora, a tecnologia ao serviço do império, seja nuclear, genética, digital, vertiginosa;
contra a resignação em vista da recompensa num longínquo amanhã, seja ele místico ou político.
Não queremos ser peões nesta fazenda, a trabalhar por comida e um cartão de plástico para uso no botequim do fazendeiro. E não nos supomos livres por poder sair de uma fazenda e ceder a nossa força a outra em tudo idêntica.
Antes procuramos formas de trazer esta falência à consciência colectiva. Queremos actuar sobre ela para construir uma sociedade antiautoritária, assente na liberdade, solidariedade, autogestão e acracia.
Queremos agir para limpar o pó que nos soterra.
Procuramos acções onde a fruição se conjugue com a demolição do existente, afirmando a construção de outra vida, como uma erva daninha que cresce irreverente, necessariamente à margem desta loucura colectiva. Só assim poderemos evitar ir na corrente.
Não nos revemos reféns de um passado, não trazemos prontas soluções, nem esperamos no futuro líderes, santos ou salvadores que nos baste seguir.
Somos anarquistas!

número zero. Porto. Maio de 2016. 38 Páginas.
contactos: ervarebelde@riseup.net

[Portugal] “Miséria e limites da mentalidade ativista – Tópicos para um debate”

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[Este texto serviu de introdução ao debate realizado na Casa Viva (Porto), no dia 5 de Abril de 2014, integrado no evento “Sábados com Anarquia”]

No confronto entre o individuo e a realidade com que este se depara é inevitável o aparecimento da pergunta “o que fazer?” e o seu corolário “como o fazer?”. Perante esta interrogação, diferentes estratégias, derivadas de diferentes perceções sobre a luta “política”, são desenvolvidas e postas em prática.

Abordamos hoje a mentalidade e prática ativista, posicionando-nos criticamente em relação a um modo especifico de entender e intervir no confronto com o existente. Apresentamos aqui alguns tópicos para um debate que pretendemos que vá além desta pequena introdução.

De um ponto de vista meramente etimológico, podemos descrever o ativismo como a ideologia da atividade (diferente de ação), como um tipo de mentalidade que pressupõe um frenesim e um fetichismo pela atividade (quanto a nós a maior parte das vezes inócua) que descura uma análise aprofundada da realidade concreta em que se vive e que muitas das vezes se cinge a uma tentativa de remendo das injustiças criadas pela organização social existente ao invés de apostar pela sua destruição.

À falta de uma perceção concreta do terreno em que se move, o ativismo multiplica-se em ações que podem ir desde o abaixo-assinado da cidadania indignada ao boicote ao consumo desta ou daquela marca de refrigerantes, passando pela manifestação folclórica ao ritmo de tambores que na maior parte das vezes só servem para abafar as palavras de ordem e que a nosso ver retiram qualquer aspeto combativo que, eventualmente, possa ter a manifestação. Esta falta de análise da realidade em que se encontra, leva também à importação de modelos que (para alguns) tiveram sucesso noutros pontos do globo mas que a maior parte das vezes são completamente inadequadas ao sitio e ao momento onde são aplicados.

Outro do aspetos que nos gostaria desenvolver nesta discussão é o fetichismo da opinião pública. Não interessa, pois, que a opinião pública não exista per si, que seja uma coisa criada pelos meios de comunicação de massa, há que convencer esse “fantasma” chamado opinião pública de que a nossa luta é justa e para o bem comum. Como conclusão deste tipo de pensamento, e à semelhança da esquerda bem pensante, há que ganhar as massas para o nosso lado e para isso há que ser ordeiro e bom cidadão para aparecer bem na fotografia do jornal ou no ecrã da televisão. De facto, não raras vezes o discurso ativista está impregnado de palavras como “cidadania”, “justiça”, “democracia”, ou seja, a linguagem da mais básica social-democracia.

Como vemos, ao invés de expandir os limites do conflito, o ativismo mantém-no nos limites da linguagem impostos pelo sistema dominante, não importando que algumas das vezes utilize métodos que poderiam ser considerados radicais, como a ação direta, a sabotagem, a horizontalidade ou a auto-organização. Estes métodos que historicamente pertencem às franjas mais radicais do movimento político foram hoje tomados de assalto por um sem número de grupos dos mais variantes quadrantes dos quais o mais bizarro seriam os nazis autónomos. Então, vemos que não é pelos métodos empregues em determinada situação que se poderá definir a posição em que alguém ou algum grupo se encontra na luta pela destruição do atual estado das coisas ou até mesmo, que seja esse o seu objetivo.

Gostaríamos também de falar no papel dado às lutas específicas que cristalizam na chamada campanha por este ou aquele motivo. Perante um determinado problema, não raras vezes vemos um despegar de energias e recursos tendo em vista o alertar para esse mesmo problema e “fazer alguma coisa sobre o assunto”. Assiste-se aqui a um autentico proliferar de discursos e ações, a maior parte das vezes inócuas, e que mais uma vez resultam mais do “ter que fazer porque é certo” e para expurgar culpas auto-induzidas do que verdadeiramente aproveitar esses pequenos conflitos para uma critica mais ampla e mais radical aos motivos que provocam o existir desse problema. Perante isto, vemos os abaixo assinados, os distribuidores de panfletos e quando se supõe estar o caldo propício, a ação de rua e (raras vezes) a sabotagem simbólica. O fato de ser uma luta ou até uma associação específica leva a que se juntem pessoas cuja única afinidade entre elas seja a resolução desse problema específico, eventualmente coabitando no mesmo espaço pessoas com posturas politicamente opostas.

Por outro lado, pensámos que mesmo que uma campanha tenha sucesso, nunca se poderá considerar uma vitória pois o fato de se terem atingido os objetivos de determinada campanha não se trata de uma vitória mas sim de um reajustamento do sistema, ou seja, uma retirada estratégica.

Por último, e para não nos alongar-mos muito nesta introdução, queríamos só referir uma consequência (diríamos quase que inevitável) da mentalidade ativista que é a “profissionalização” ativista. Quantas vezes não olhamos à nossa volta e não vemos os profissionais do protesto, os que sabem como e quando se fazem as coisas. Para nós, semelhante postura é incompatível com uma luta pela abolição das hierarquias e dos papeis sociais. Já não bastava que o papel reservado ao ativismo fosse o de (no interior do sistema) ser o “agente credenciado” da mudança social, ainda por cima haver no seu seio aqueles que, devido aos anos “dedicados” ao “movimento”, sejam lideres informais no combate à injustiça de hoje e que provavelmente serão os administradores da justiça de amanhã.

Estes são apenas alguns aspetos que gostaríamos de ver discutidos sabendo que muitos mais haverá a falar sobre este tema em especifico, e que estamos seguros que durante a discussão que se seguirá surgirão. O nosso objetivo é que através deste debate se possam partilhar e clarificar pontos de vista e que através da discussão honesta e profunda, possam, por um lado, ser criadas novas afinidades entre companheiros para que o conflito social se expanda e, por outro, separemos as águas em que nos movemos.

Porto, 5 de Abril de 2014

Porto, Portugal: Atualizacões sobre o caso do Es.Col.A

Após uma brutal desocupação na passada 5ª feira, 19 de Abril – tendo sido detidas três pessoas de forma violenta e uma delas recebido tratamento hospitalar – em assembleia popular foi decidido reocupar o Es.col.A no dia 25 de Abril o que viria a acontecer por mais de mil apoiantes que não se deixaram intimidar pelo forte contigente policial. No entanto, na manhã de 26 de Abril, muito cedo, o Es.col.A  foi invadido sem resistência, pois ninguém lá se encontrava, por dezenas de funcionários municipais que destruíram todo o material ainda existente, desligaram água e luz e procederam ao emparedamento de diversas janelas e entradas. Também telhas e material sanitário foram arrancados e destruídos. A assembleia popular realizada nessa mesma tarde resolveu não reocupar o Es.col.A  por agora e continuar as actividades culturais no largo da Fontinha. Mas o espírito okupa e de solidariedade para com o Es.col.A manifestaram-se já em Lisboa e em Coimbra, cidades onde aconteceram duas ocupações a 25 de Abril.
Já no dia seguinte ao desalojo, em assembleia no Largo da Fontinha, junto ao Es.col.A, cerca de 150 pessoas, tinham decidido re-ocupar no dia 25 de Abril. a Escola Primária do Alto da Fontinha.

Com muitas dezenas de apoiantes vindos de todo o país, cerca de 600 pessoas, em ambiente festivo mas combativo, concentraram-se na Batalha e cerca das 15 horas e 30 começaram a descer a rua 31 de Janeiro rumo à Avenida dos Aliados, onde convergem todas as manifestações de 25 de Abril decorridas neste 25 de Abril no Porto.

Cerca de mil manifestantes subiram depois a rua Camões até à Fontinha. A multidão invade o largo da Fontinha onde são esperados pela polícia. Entraram nas instalações do Es.col.A, perante a passividade policial. Eram cerca das 18h e 30 e procedia-se já ao retirar das placas que tapavam as janelas.

Confraternização geral e marcação de uma assembleia popular na Fontinha para o dia seguinte, 26 de Abril, pelas 18h e 30.

No dia seguinte muito cedo, o Es.col.A  foi invadido sem resistência, pois ninguém lá se encontrava, por dezenas de funcionários municipais que destruíram todo o material ainda existente, desligaram água e luz e procederam ao emparedamento de diversas janelas e entradas. Também removeram as canalizações e sistema elétrico da escola da Fontinha  e foram retiradas e partidas telhas do edifício. A Assembleia popular realizada nessa tarde resolveu não reocupar o Es.col.A por agora e continuar as actividades culturais no largo da Fontinha.

Mas  o espírito okupa e de solidariedade para com o Es.col.A  manifestou-se em Lisboa onde, após o desfile do 25 de Abril do Marquês ao Rossio, um grupo de cerca de 50 pessoas ocupou um prédio abandonado, na Rua de São Lázaro, em solidariedade com o projecto ES.CO.L.A da Fontinha e em Coimbra, onde um terreno camarário abandonado há mais de dez anos foi ocupado nesse mesmo dia, tendo já em atividade uma horta comunitária.

OCUPA E RESISTE!

Mais atualizações em breve
Contra info na rua

Porto, Portugal: O espaço Es.col.A foi desalojado

Na manhã de 5ª feira, 19 de Abril, cerca das 10h, massivas forças policiais tomaram de assalto o Espaço Colectivo Autogestionado do Alto da Fontinha, no bairro do Alto da Fontinha, no Porto. A bófia, armada até aos dentes e encapuçados invadiram o pátio da antiga escola primária, enquanto vários agentes e mais de dez carrinhas da polícia e outros tantos carros da PSP cercavam o bairro.

Duas das pessoas solidárias foram detidas junto à Es.col.A, e outra mais tarde, para além dos ocupas que se encontravam no edifício que foram levados à força para o exterior, onde se encontrava já uma concentração solidária. Os/as manifestantes fizeram uma ação de desobediència civil, sentando-se no chão para impedir a passagem, mas a polícia atacou-os, facilitando a circulação dos seus veículos; entretanto, um cordão policial formou-se atrás bloqueando o bairro. Depois do desalojo, toda a infraestrutura do espaço foi destruída e emparedaram o edifício, tal como ordenaram as autoridades municipais.

Depois de uma assembleia improvisada os cerca de 150 solidários/as que estavam concentrados/as no Largo da Fontinha, dirigiram-se para a rua do Heroísmo onde se encontravam os 3 detidos, os quais foram finalmente transferidos para o posto da polícia da Bela Vista tendo-se previsto passar à disposição judicial nessa mesma tarde. A seguir os/as solidários/as dirigiram-se até à sede do município, que estava gradeado e guardado com um cordão policial, onde mais um manifestante foi detido depois de se ter encharcado em gasolina. Essa pessoa foi levada ao hospital para ser limpa tendo-a libertado a seguir.

Às 18h 30, em Lisboa, cerca de 300 pessoas reuniram-se no Rossio e marcharam em solidariedade com a Es.Col.A até ao Largo de Camões, para onde havia sido convocada uma concentração em repúdio do desalojo.

Para além da triste notícia do desalojo e das vomitivas imagens com os cães de uniforme a invadir o espaço Es.col.a a argumentação dos/as próprios/as ocupas causou-nos uma dupla amargura. As cartas da Es.col.A, datadas de 17 de Maio de 2011 e de 17 de Abril de 2012, refletem bem as ilusões cidadãs e democráticas dos participantes e do seu espírito de negociação com as autoridades. Nos seguintes extratos dessas cartas observa-se bem isso:

[17 de maio de 2011]]
“[…]Para conhecimento do senhor presidente da Câmara Municipal do Porto e demais portuenses aqui fica a exposição dos representantes da Es.Col.A.  na assembleia municipal.
Tendo em conta que a Constituição Portuguesa garante, através do Articulo 52º, a legitimidade da acção popular para assegurar a defesa dos bens do Estado;
Tendo em conta que no seu Artículo 85º, a Constituição Portuguesa preconiza que o Estado apoie as experiências de autogestão;
Tendo em conta que o direito da acção popular, nos casos e términos previstos na lei, é conferido a todos, pessoalmente ou através de associações de defesa dos interesses em causa, sobretudo para assegurar a defesa dos bens do Estado.
Tendo em conta que, na letra e no espírito da lei, o Estado deve apoiar as experiências viáveis de autogestão[…]”

[17 de abril de 2012]
“[…]A única relação formal entre a Câmara Municipal do Porto e a Es.Col.A.  foi um contrato- promessa (uma promessa de contrato), no qual nos comprometíamos a deixar o nosso carácter informal, transformando-nos em associação, no prazo limite de 30 días úteis e onde as autoridades se comprometiam a nos enviar, dentro dos 10 dias subsequentes, a proposta de contrato. A Es.Col.A. cumpriu a sua parte do acordo, dentro do tempo previsto, e fizemos saber à autarquia que a associação se tinha já constituído. A Câmara Municipal do Porto não cumpriu a sua parte[…]“

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A emancipação social, a autogestão, a autonomia e a liberdade não se negociam, nem se constitucionalizam democraticamente. A lei do Estado foi, é e será sempre inimiga de todos estes valores. Deixamo-vos com um vídeo documental das lutas de rua pela defesa da okupa Mainzer Strasse no bairro de Friedrichshain, em Berlim, Novembro de 1990.

http://www.youtube.com/watch?v=x6JzBRX9vQQ

Porto, Portugal: Concerto benefit detidos na Grécia em 6/12/11

No dia 6 de dezembro de 2008, Alexandros Grigoropoulos foi assassinado em pleno centro de Atenas pelo polícia Epaminondas Korkoneas e o seu cúmplice companheiro de trabalho Vassilis Saraliotis.

Três anos depois, várias manifestações reafirmaram que não nos esquecemos das consequências da existência de forças policiais nas sociedades de hoje; Indivíduos destabilizados psicologicamente por um sistema que os incita à violência ilimitada resposta a qualquer confronto com o orgulho pela liberdade na população da qual se pensam protectores, às ordens dos objectivos neoliberais dos seus donos.

No dia 6/12/2011 foram apanhados pela polícia de choque grega (YAT) 19 pessoas, 14 delas gregas, três alemãs, uma espanhola e uma portuguesa; quatro dos 5 estrangeiros tiveram de pagar 2000€ de coima para poder esperar em liberdade o julgamento que se efectuará daqui a um ou dois anos (reavendo o valor caso compareçam ao julgamento), todos os acusados tiveram de pagar 750€ de gastos de justiça. Aos lucros do estado somam-se os valores pagos a cada advogado, deixando toda a máquina da justiça de bolsos mais cheios.

Pois, nós não estamos aqui para tentar convencer ou converter nenhum animal a ser ou em ser humano, cada um toma o caminho que escolhe, é por isso que não nos importa o que digam, nem surpreende o que façam; sabemos que queremos apenas que não existam e com este pensamento traçamos o nosso limite e identificamos o nosso inimigo.

A SOLIDARIEDADE É UMA ARMA!
13/14 Janeiro de 2012

CasaViva, Porto
PRAÇA MARQUÊS POMBAL 167 PORTO

Portugal-México: Hackmeetings em acção (direta)

Crónica do 1º hackmeeting em Portugal (Porto) e de como se “sincronizou” com o hackmeeting no México (Cereza, Ojo de Agua, Tecámac)

O primeiro hackmeeting em Portugal realizou-se a 29 e 30 de Outubro, partilhado pelos espaços CasaVivaEs.Col.A e Espaço Musas.

Um encontro livre e autogestionado que se focou na tecnologia e nas suas implicações sociais, e que aproveitou a energia do Hackmeeting Ibérico que teve lugar em A Corunha, no fim de semana anterior.

Tudo começou na sexta-feira à tarde, na CasaViva, com a chegada do primeiro material para a montagem de alguns nós da rede Guifi.net – uma rede comunitária wireless, que conta já com milhares de utilizadores na Catalunha e no resto do estado espanhol. Entre hackers, hacktivistas, ciclistas e outros freakies, o espaço foi-se dividindo entre configurações de hardware e hardcoding do jantar. Depois da refeição, e ao som de música livre, decorreu uma sessão VJing em software livre – Delvj – com bastante entusiasmo e vontade de aprender do público. Já a noite era avançada quando se fez um pequeno streaming para o México, onde decorria em simultâneo o Hackmitin Mexico. Continuar a lerPortugal-México: Hackmeetings em acção (direta)

Porto: 1º hackmeeting em Portugal reúne hackers de toda a Península Ibérica

Apanhando a vibração e energia do Hackmeeting Ibérico, que aconteceu este ano, na Corunha, Galiza,  de 21 e 23 de Outubro, e com um empurrão do hackerspace galego Cova dos Ratos, avançamos para a organização de um pós-hackmeeting aqui no Porto. Assim, no fim-de-semana de 29 e 30 de Outubro temos o primeiro Hackmeeting em Portugal. Organização de Hacklaviva, Es.Col.A da Fontinha, CasaViva, Trebelab, Espaço Musas, Meighacks e vivalahack!

O Hackmeeting é um encontro livre e auto-gestionado que gira em torno da tecnologia, das suas implicações sociais, da livre circulação de saberes e técnicas, da privacidade, da criação colectiva, do conflito telemático. Está destinado a todo o tipo de pessoas que tenham uma mente aberta e curiosa com vontade de partilhar as suas experiências, e que encarem o encontro e a participação na sua coordenação como mais uma dessas experiências livres e abertas. Algumas conversas e workshops podem exigir conhecimentos avançados de informática, outras nem tanto; outras nada têm a ver com informática.

Procuramos explorar fenómenos de “tensão-interacção entre o social, o tecnológico e o político” e “integrar e contaminar mutuamente as pessoas destes campos e aproveitar as sinergias específicas de cada um guardando um equilíbrio instável necessário para fazer surgir o melhor de cada. Na questão interna de quem somos e para onde vamos esta tensão manifesta-se de forma constante e obriga-nos a continuamente estar a repensar e rever as nossas posições.”

manifesto Continuar a lerPorto: 1º hackmeeting em Portugal reúne hackers de toda a Península Ibérica

Portugal: Acampamento Libertário – 2, 3 e 4 de Setembro – Valongo (Porto)

Queiva-Lugar da Azenha/Campo – VALONGO – PORTO

Pretende-se que iniciativas deste tipo (acampamentos libertários) se tornem regulares – ao contrário de outras semelhantes, num passado recente, muito esporádicas e ocasionais – de forma a constituírem não só mais um espaço e um tempo de encontro, divulgação e discussão de ideias de intervenção libertária em geral e anarco-sindicalista em particular, como uma oportunidade de ligação com a população local.

Princípios e orgânica de funcionamento

Os princípios que propomos e que pretendemos viver com outrxs companheirxs neste encontro são os princípios libertários de AUTOGESTÃO, AUTO-RESPONSABILIDADE, APOIO MÚTUO E INTERAJUDA, DECISÃO ASSEMBLEÁRIA, INTER-ACÇÃO POSITIVA COM A POPULAÇÃO TRABALHADORA LOCAL E COM O MEIO AMBIENTE ENVOLVENTE, UNIDADE E COMPLEMENTARIEDADE DAS DIFERENÇAS.

De acordo com estes princípios a orgânica de funcionamento que propomos é a de ASSEMBLEIA DIÁRIA DE PARTICIPANTES e criação nela dos vários Grupos de Trabalho, revogáveis a todo o momento pela Assembleia ,onde se procurará a decisão colectiva por consenso e só em útimo caso se decidirá por maioria-minoria. Incluem-se aqui todas as demais decisões relativas ao bom funcionamento e cumprimento dos objectivos deste campo e vivência de princípios libertários

A excepção ao funcionamento e à DECISÃO ASSEMBLEÁRIA de PARTICIPANTES é o funcionamento da EQUIPA DE PREPARAÇÃO que 2 dias antes irá para o local para:
a)Montagem de Instalações (cozinha, duches, wc.s, abrigos e tendas, etc.,
b) assegurar a ligação com os apoios locais.

Para já solicitamos que xs companheirxs disponíveis para integrar esta EQUIPA DE PREPARAÇÃO entre 30 de Agosto e 1 de Setembro nos avisem até 28 de Agosto para sabermos atempadamente com quem podemos contar.

 Local e acessos

O local do Acampamento Libertário situa-se a cerca de 12 Km.s do Porto, em Valongo, numa das margens do rio Ferreira, conhecido como Queiva, frequentado tradicionalmente como local de lazer pela população local e grupos de actividades de ar livre, junto às ruínas de antigas azenhas, no lugar da Azenha, na Freguesia de Campo . O local insere-se numa zona de paisagem protegida e em parte do Parque Paleozóico de Valongo e recentemente foi alvo de uma tentativa privada para a instalação de uma mini-hidrica, projecto esse contestado com êxito pela Terra Viva!AES, pela população local e pela administração local (Junta de freg.de Campo e C.Mun.Valongo). Continuar a lerPortugal: Acampamento Libertário – 2, 3 e 4 de Setembro – Valongo (Porto)