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Lisboa, Portugal: Crónica da concentração realizada junto à embaixada de Espanha a 13 de Março de 2018


recebido a 15.03.18

[Concentração contra a Repressão no Estado Espanhol realizada a 13 de Março de 2018, Lisboa]

No dia 13 de Março concentraram-se junto à Embaixada de Espanha, em Lisboa, cerca de 3 dezenas de pessoas em protesto contra a repressão que se tem feito sentir no Estado Espanhol e em solidariedade com todas as pessoas presas e perseguidas por exercerem o seu direito à liberdade de expressão. A faixa afixada de frente para a Embaixada ostentava a frase “Contra a vossa repressão, contra a vossa democracia, somos ingovernáveis”. Um megafone fez soar música combativa e palavras de ordem anti-autoritárias, e distribuíram-se flyers informativos com o texto que se segue:

Contra a repressão, solidariedade e insurreição!

Nas últimas semanas o Estado Espanhol voltou a evidenciar o seu carácter fundamentalmente repressor e fascista, tendo diversos músicos sido condenados a penas de prisão e multas, por insultos à monarquia e exaltação do terrorismo, outras pessoas acusadas e sentenciadas porfrases escritas em algumas redes sociais e a censura de uma exposição sobre presxs políticxs na maior feira de arte de Madrid.

Desde a aprovação da Ley Mordaza em 2013, o Estado Espanhol tem vivido um estado de excepção não-declarado, onde a mera expressão de opinião crítica ao regime tem como consequência graves penas, tendo assim o intuito de estender um clima de medo numa sociedade onde os movimentos sociais e a organização de base têm experimentado uma forte adesão nos últimos anos. Foi até criada uma rede por parte da Polícia Nacional Espanhola chamada “Stop Radicalismos”, renovada recentemente, que incentiva a denúncia aleatória de qualquer pessoa por motivos ideológicos ao melhor estilo de um regime totalitário.

Desde a instauração da  democracia este estado de excepção era já uma situação quotidiana em regiões como o País Basco onde, devido ao contexto de conflito histórico, a transição democrática nunca escondeu a continuação de um projeto de Estado centralizado, imperialista e fortemente repressivo.

Esta tendência de aumento e normalização da repressão não é exclusiva ao Estado Espanhol, sendo que em França o estado de emergência justificado pelos atentados de 2015 tornou-se permanente com a nova lei antiterrorista do governo de Macron.

A perseguição que habitualmente era aplicada a grupos minoritários de dissidência política, tais como anarquistas, independentistas, ou qualquer outro tipo de militante ou ativista social, generaliza-se como algo quotidiano que afeta todos e todas e aqueles e aquelas que se atrevem a tornar público um pensamento que põe em causa as bases do sistema capitalista, denuncia as suas estruturas opressivas e se arrisca a propôr novas formas de organização social.

Estas situações demonstram que esta democracia (que enche a boca a tantos defensores da liberdade de expressão) e ditadura são as duas face de uma mesma moeda, que se alternam de maneira a perpetuar um sistema de domínio, o capitalismo, cujo único objectivo é a reprodução de si mesmo.

Contra toda a vossa polícia, os vossos juízes, os vossos media, seremos sempre ingovernáveis!

Rússia: Apoie prisioneirxs anarquistas e antifascistas em S. Petersburgo e Penza!

Começou a angariação de fundos para os advogados a trabalhar nos casos dos assaltos policiais e das prisões de anarquistas e antifascistas em S. Petersburgo e Penza, na Rússia. Neste momento ( 31/01) estão presas duas pessoas em S. Petersburgo e cinco em Penza, e outras estão ligadas ao caso como testemunhas. É provável que os assaltos policiais e prisões continuem. Xs presxs são acusadxs com a parte 2 do artigo 205.4 do código criminal russo (participação em organização terrorista), por ordem do tribunal de Penza.

A 23 de Janeiro, a caminho do aeroporto de Pulkovo, os Serviços de Segurança Federal (FSB) detiveram Victor Filinkov. Para se conseguir o seu testemunho, foi espancado e torturado com choques eléctricos na floresta. Os sinais de tortura foram confirmados pelo advogado de Filinkov e pelos membros da Comissão Pública de Monitorização (ONK) que o visitaram no centro de detenção, antes do julgamento. Filinkov está preso há dois meses.

A 25 de Janeiro o FSB fez um assalto inesperado ao apartamento de Igor Shishkin. Depois do assalto, nem o seu advogado nem os membros da Comissão Pública de Monitorização conseguiram localizar Igor, durante mais de um dia. A 27 de Janeiro Igor foi presente a tribunal com sinais de tortura, e foi preso no Centro de Detenção Pré-julgamento por dois meses. Xs jornalistas foram impedidxs de assistir ao julgamento, tendo ainda dois/duas sido presxs.

Também as testemunhas foram torturadas. Ilya Kapustin foi espancado e torturado com choques eléctricos enquanto a polícia lhe exigia que testemunhasse que alguns/mas dxs seus/suas conhecidxs estariam a planear “algo perigoso”. Numerosas marcas das armas de choques eléctricos foram registadas pelos serviços de saúde.

Em Penza, as prisões começaram em Outubro de 2017. O FSB local prendeu seis jovens, cinco dxs quais estão neste momento em detenção pré-julgamento. Todxs xs presxs foram brutalmente torturadxs. Pode ler-se em detalhe acerca dos eventos de Penza neste artigo. A ajuda legal é necessária para xs prisioneirxs (cujo número pode aumentar) e testemunhas. Ainda é cedo para mencionar valores exactos, mas serão necessários pelo menos 200 mil rublos para o trabalho de advogadxs nos próximos meses.
Cruz Negra Anarquista S. Petersburgo

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Todo o material sobre o caso pode ser encontrado nesta secção:
Caso dos anti-fascistas de S. Petersburgo e Penza.

em inglês

[Expulsão do bosque Lejuc, França] Comunicado “Bure por todo o lado, nuclear em lado algum”

O bosque Lejuc de novo ameaçado pela Andra e seus cães de fila? Habitemo-lo. Defendamo-lo. SE ELES OCUPAM, EXPULSAM-SE!    Apelo à mobilização imediata, em caso de ataque policial.

Está em curso a expulsão do bosque Lejuc, em Bure, desde as 6h30 desta manhã [22 de fevereiro]! Este bosque foi ocupado em 2016 – para atrasar a construção estaleiro CIGEO de l’ANDRA – por pessoas que lutam contra o lixo nuclear. Este é o ponto nevrálgico do projecto que deve acolher os poços de ventilação dos 265 km de galerias e onde serão acumulados 85000 metros cúbicos de resíduos radioactivos. Os militares auto-transportados chegaram e as pessoas estão a bordo. A escalada de repressão sofrida pelas pessoas que lutam em Bure chega ao seu ponto máximo.
A página vmc.camp foi bloqueada! Siga as infos em manif-est.info.

O Estado escolheu claramente enviar um sinal pela força… Num momento em que a treva invernal ainda não terminou. Num momento em que a Andra não poderá começar nenhum trabalho no bosque por causa do período de nidificação que começa a 15 de março. Num momento em que um saco de nós de recursos jurídicos e administrativos prende ainda o homem do lixo ao átomo: recurso administrativo contra a propriedade da Andra que se seguiu à troca municipal do bosque a 18 de maio de 2017; necessidade de uma avaliação ambiental prescrita pela Autoridade Ambiental em outubro de 2017, etc, a Agência não pode começar os seus trabalhos preparatórios.
O Estado responde através de uma operação de expulsão surpresa, com um grande dispositivo (500 polícias) e uma propaganda mediática sábia e bem oleada desde cedo, em todas as frentes.

Como em 2012 em Notre-Dame-des-Landes, os bulldozers seguem-se imediatamente às tropas, arrasa-se rapidamente os locais de residência sem deixar tempo para recuperar haveres pessoais. Seguindo-se a uma primeira expulsão do bosque em julho de 2016, as máquinas da Andra destruiram ilegalmente uma parte da árvores antes que a oposição pudesse reinvestir e reocupar a floresta em meados de agosto de 2016.

A 20 de setembro último, aquando de um mandato de busca sobre os diferentes locais de residência em Bure, dezenas de concentrações floriram por toda a França, e criaram-se  rapidamente comités de luta. Devemos agora continuar a organizar-nos em cada lugar e por toda a França. Mais do que nunca, Bure deve estar por todo o lado, fazer parte de nós; devemos ser milhares a levantarmos-nos agora contra o horror nuclear e a atomização que se prepara, e reagir.

Além destas considerações, resta a questão da fundamentação deste projecto levado a cabo por este governo, sem nenhum diálogo, na mais completa opacidade! Trata-se de não perder de vista que esta decisão de enterrar resíduos altamente radioactivos é uma solução para
nucleocrátas, essencial para a continuação do nuclear!

A SITUAÇÃO DE BURE NÃO É UM PROBLEMA  DOS NATIVOS, A OCUPAÇÃO DO BOSQUE LEJUC É UMA BARRICADA NO CORAÇÃO DA CADEIA DE PRODUÇÃO NUCLEAR E SEU MUNDO EM GERAL.

1) Chamada para apoio no Bosque Lejuc: precisamos de gente aqui!

2) Concentrar-se frente à câmara, hoje, é denunciar estas formas expeditas de acção contra um movimento que se opõe a uma lixeira nuclear e o seu funesto mundo (de merda)!

Siga-nos em vmc.camp (de momento em baixo) / burestop.eu / e sobretudo aqui

Nunca nos atomizarão! Que Bure viva por todo o lado!
Para nos contactar: burepartoutnnp@riseup.net

em francês

 

Setúbal, Portugal: Relatos de violência policial num domingo de pizzas na A da Maxada

Na tarde de domingo de pizzas na A da maxada dia 19 de Novembro, lá por volta das 18:30 apareceram cinco carros e uma carrinha da polícia. Nós estávamos a fazer e a comer pizza como noutro Domingo qualquer, quando um companheiro nos diz que estava alguém estranho no portão, a apontar a lanterna e a dizer que era polícia. Nesse mesmo momento vimos cair um calhau vindo do lado da rua que por nossa sorte não atingiu ninguém (o calhau tinha uma dimensão de quase 20cm). Neste momento reparámos que a polícia já estava na porta de cima. Percebemos que estavam muito agressivos e perguntamos porque é que estavam ali e o que é que se passava. Eles só diziam “abre a porta, abre a porta” e logo de seguida decidiram entrar ao pontapé, partiram a fechadura e a porta abriu violentamente batendo na cara de um companheiro abrindo-lhe um lenho na testa. Mais companheir@s protegeram a porta barricando-a, telefonámos rapidamente para o advogado a dizer o que se estava a passar.

Subimos o muro da casa para falar com a polícia cara a cara, vimos um grande aparato policial, muitos com escudo e cassetetes na mão e bastante enraivecidos. O oficial superior presente disse-nos que a casa era okupada, logo não é nossa e por isso eles tinham mais direito para estar cá dentro do que nós, ao qual lhe respondemos,”nós vivemos aqui”, sem nunca reivindicar a propriedade como nossa. Perguntamos se era preciso agir com essa violência toda, e porque estavam ali? O polícia respondeu que tinha havido uma queixa de um vizinho por causa do barulho e que o mesmo também lhes tinha dito que era uma casa ocupada por um grupo de jovens. Disseram-nos que tentaram abrir a porta à força porque se aperceberam que estávamos a trancar a porta.

A polícia perguntou porque não abríamos a porta, ao qual respondemos que não somos obrigados a abrir a porta sem que houvesse um mandato para entrar e que podíamos falar sem sair para fora da casa, explicamos também que a nossa desconfiança vinha na sequência do calhau atirado por eles e da agressividade até então demonstrada, ao qual a policia argumentou que eram “a policia”, que não tinham atirado nenhum calhau e que não devíamos ter medo deles porque se quisessem ter entrado já o teriam feito.

A conversa continuou durante uns vinte minutos com a polícia sempre a referir que a casa não era nossa e que não tinham atirado nenhum calhau, ao qual nós respondemos “esta é a casa onde vivemos”, que sabemos não haver queixa alguma do proprietário e que não nos diga que acabamos de ter uma alucinação colectiva porque todxs vimos o calhau de grandes dimensões cair cá dentro.

Quando eles se retiraram, falamos entre nós e deduzimos que esse calhau era um acto de provocação. Cai-nos um calhau e passado uns segundos eles já estão a pontapear a porta muito violentos. O plano deles deve ter sido de nos provocar à espera que houvesse uma retaliação da nossa parte para terem um a razão válida para entrar á força pela A da Maxada adentro feitos uns cowboys. Como já é comum nas suas acções abusivas de poder.

Receberam ou não receberam essa queixa de um vizinho não se sabe, sabemos sim que eram 6:30 da tarde, que não nos disseram quem tinha sido o autor da queixa e agregando ainda ao facto de até então termos uma boa relação com todos os vizinhos da nossa rua sem que estes tenham alguma vez demonstrado algum acto de descontentamento face a qualquer actividade feita na A da Maxada, especialmente depois de termos apagado o incêndio ombro a ombro com eles este verão.

Após termos sido obrigados a observar uma peça de teatro de péssima qualidade e de muita saliva gasta “a policia” lá se convenceu/apercebeu que pouco mais podia argumentar retiraram-se a realçar o facto de termos sido avisados que não podíamos fazer mais barulho e que se o fizéssemos seríamos tirados da A da Maxada à força…

Assim que se retiraram fomos ajudar um@ companheir@ a mudar o pneu do carro porque tinha sido esvaziado/furado. O pára-brisas traseiro e um espelho retrovisor da mesma viatura foram partidos, pelos vistos como a mostra de vingança/frustração por não terem conseguido entrar na A da Maxada.

Brasil: Contra a “Operação Erebo”

Recebido a 26/10/17

A polícia deflagrou a chamada “Operação Erebo”, com o intuito de perseguir anarquistas em Porto Alegre, região sul do território dominado pelo Estado bra$ileiro. Essa operação tem por objetivo prender anarquistas supostamente envolvidos em atividades informais desde 2013.

Sobre o caso, não precisamos falar mais do que o necessário:

NÃO FALAMOS A LÍNGUA DO INIMIGO

Não se trata de pessoas “culpadas” ou “inocentes”, muito menos se estavam “certas” ou “erradas”. A moralidade é a língua dos tribunais. Somos contra todas as leis, pois sua natureza opressora serve apenas para manter a “ordem e progresso”, responsáveis pela miséria humana. Estamos contra as prisões e consequentemente não colaboramos para preencher os depósitos humanos. Nós apoiamos com força total xs 10 anarquistas perseguidxs pela máquina genocida do Estado.

NÃO ACREDITAMOS NO ESPETÁCULO MIDIÁTICO

A mídia como sempre se aproveitou do episódio para armar seu espetáculo. Todas as notícias tentam caracterizar xs anarquistas perseguidxs como um único grupo a fim de dar credibilidade para o verme Paulo Cesar Jardim e seus cães da Delegacia de Polícia Civil. O momento da putrefata nação é delicado e está mais que explícito o interesse político da imprensa, ao qual desprezamos completamente.

NÃO CONSEGUIRÃO PRENDER UMA IDEIA!!!

Nem uma, nem mil operações policiais serão capazes de interromper a luta pela liberdade. A anarquia surge nas brechas do autoritarismo e do domínio tecnológico, sendo essa uma paixão muito mais forte do que qualquer cela.

PELA LIBERDADE TOTAL!!!
ESTAMOS EM TODO O LUGAR!!!

[Chile] Acerca das detenções em espaços anarquistas no Brasil e pela internacionalização da ofensiva anarquista no cone sul

SOLIDARIEDADE É AÇÃO!

A polícia civil do Rio Grande do Sul invadiu, na madrugada de 25 de Outubro de 2017, espaços e lugares anarquistas – no contexto duma investigação por ataques contra bancos, esquadras da polícia, empresas, automotoras e sedes de partidos políticos, realizados por grupos anárquicos, nos quatro últimos anos, em Porto Alegre.

Tudo isto ocorre na véspera da 8ª Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre – cuja abertura seria a 27 de Outubro –  e que foi suspensa até novo aviso, face aos acontecimentos.

Operação Erebo, é este o nome dado ao novo golpe repressivo contra companheirxs anarquistas. Erebo (negrura) era um deus primordial da obscuridade e sombra, na mitologia grega.

Tudo isto se desenrola, segundo a repressão, no âmbito de uma investigação iniciada há um ano – acerca de um ataque a um veículo nas proximidades de um quartel policial – investigação que contemplaria mais de trinta suspeitxs, entre xs quais e segundo palavras do Director da Polícia Metropolitana (Fábio Motta), se contariam pessoas do Brasil, Chile, Bolívia e França. Estas pessoas, segundo declarações na imprensa do chefe da Polícia Civil (Emerson Wendt), conformariam uma organização que se posiciona “contra toda a forma de poder, controlo e moral existente na sociedade”.

A repressão exercida pelos bastardos é do mesmo tipo que noutros operativos repressivos já feitos sentir na região do cone sul* – tal foi o caso da Operação Salamandra (“Caso Bombas”, Chile, 2010) ou da repressão contra meios anarquistas na Bolívia, em Maio de 2012 – confiscando livros, máscaras, folhetos, cartazes, computadores e, particularmente neste caso, uma grande quantidade de eco-tijolos, apresentados pela polícia como bombas molotovs.

As acusações levantadas pela repressão incluem intenção de homicídio, organização criminosa, formação de gangues e danos a património público com material explosivo.

Por seu lado, a imprensa corporativa local desenvolve o seu papel de colaboração miserável – de forma a validar e justificar a operação repressiva. Num dos noticiários, um repórter exibe nas mãos (sem luvas) uma das provas que considerava mais evidentes para dar conta da periculosidade do suposto grupo criminal: um exemplar do livro “Cronologia da confrontação anárquica”, que recompila ações diretas levadas a cabo no território dominado pelo Estado do Brasil.

Para lá das evidências e das acusações vemos, novamente, como as estratégias repressivas dos Estados são internacionalizadas e atingem ambientes anti-autoritários e companheirxs – tentando impedir o avanço da luta anárquica em todas as suas formas e expressões.

Perante isto, a nossa resposta só pode ser uma: a solidariedade internacional e o fortalecimento das redes de ação e coordenação, potenciando a ofensiva anárquica, em guerra contra os Estados e toda a forma de poder.

Do Chile ao Brasil, solidariedade, agitação e ação direta, contra toda a autoridade!

Sin Banderas Ni Fronteras, núcleo de agitação anti-autoritária.
Chile, 26 de Outubro de 2017.

*Cone Sul; a área mais austral da América Latina, conformada por Argentina, Chile e Uruguai, Paraguai, Ilhas Malvinas e a Região Sul do Brasil.

em espanhol, inglês via insurrection news

Argentina: Morte aos Estados assassinos, Santiago presente!

ESTADO/ TERRORISTA E ASSASSINO/ SANTIAGO PRESENTE!

AGORA JÁ FAZES PARTE DA TERRA QUE TANTO AMAVAS

Tristes são as horas que estamos a viver. Ontem, 20 de Outubro, Sérgio Maldonado confirmou o que tanto temíamos. O corpo plantado pela Gendarmeria no rio Chubut é o companheiro Santiago Maldonado.

A gendarmeria é responsável. O Estado é responsável. Porque foram eles que o levaram do território rebelde de Cushamen, a 1 de Agosto.

Santiago Maldonado já não é um desaparecido, agora é um assassinado. Mas não podemos nos esquecer nunca do mais importante. Santiago Maldonado foi morto por lutar, por ser solidário, por enfrentar a Gendarmeria ao lado dos weichafes (guerreiros) do MAP, o Movimento Mapuche Autónomo do Puel Mapu, exigindo a liberdade de Facundo Jones Huala.

Santiago Maldonado foi morto pela propriedade privada. Não satisfeitos com o terem-lo feito desaparecer e matado, quiseram e e continuam a distorcer a sua figura. E até muitxs dos que dizem honrar a sua memória, também.

Há que tê-lo sempre nos nossos corações como um lutador – alguém que tentou, ao lado de outrxs, mudar esta sociedade de merda onde a mercadoria prevalece sobre a vida.

A nossa melhor homenagem será continuar a lutar, continuar a desafiar o Estado e o Capital como ele o fazia. Santiago Maldonado esse que pelejou nas barricadas de Chiloé defendendo o mar. Santiago Maldonado esse que lutou pela imensa terra do sul.

Cada vez que sopre o forte vento da Patagónia, ele lá estará. De cada vez que os rebeldes do mundo tentarem tomar o céu por assalto, ele lá estará.

Descansa companheiro, o mar, a terra e as florestas pelas quais deste a vida estão à tua espera, para te abrigar.

em espanhol l inglês

Setúbal, Portugal: COSA e À DA MACHADA em solidariedade com A TRAVÊSSA Okupada no Porto

A Solidariedade atravêssa tudo

Força aí companheires, queremos desde já expressar a nossa solidariedade com as vossas ambições. Estamos juntes. É com esta e outras iniciativas que se ultrapassam barreiras/obstáculos da vida quotidiana. Ao criar algo de raíz feito por nós, sem as estruturas do poder dominantes, vivemos um processo que nos garante outra dinâmica político-social. Encorajamos todes que queiram continuar e desafiamos todes a experimentar estas aventuras subversivas de modo a recuperarmos as nossas vidas.

1 Despejo = 1000 Okupações!!!

Nota de Contra Info:
Na manhã do dia 16 de Outubro, o espaço ocupado A Travêssa dos Campos foi alvo de uma acção repressiva por parte da autoridade policial. Chegaram por volta das 7h30 com grande aparato de meios e agentes e preparados para uma entrada rápida e violenta no edifício. Após o arrombamento das portas foi dada a ordem – todos para o chão, caralho! Juntaram todas as pessoas numa sala, duas delas algemadas, e revistaram cada uma delas e os seus pertences. Para além disso, fotografaram e filmaram a operação e toda a gente que resistia no edifício. Ao todo foram 21 pessoas, mais uma cadela levada para o canil. Na esquadra, toda a gente foi identificada e novamente revistada. A todos os envolvidos foi aplicado um termo de identidade e residência e passada uma constituição de arguido sem referência a qualquer crime.

em alemão

[Bielorrússia] Repressão brutal contra anarquistas; Pyotr Ryabov, filósofo anarquista preso por 6 dias, declarou uma greve de fome

[Informação fornecida pelo grupo anarquista Pramen]

A 9 de Outubro, a polícia atacou a palestra de Pyotr Ryabov

Soube-se, por volta das 16h30, que em Grodno, a polícia da Bielorrússia irrompeu numa palestra de Pyotr Vladimirovich Ryabov, a acontecer no “Tsentr Garadskogo Zhytsia” (Bielorrusso – “O centro da vida da cidade”).

Duas palestras do professor catedrático do Departamento de Filosofia da Universidade Pedagógica do Estado de Moscovo, candidato a ciências filosóficas, Pyotr Ryabov (conhecido anarquista) deveria ter lugar hoje em Grodno e em Baranoichi amanhã. O tema da palestra de hoje foi “Pensamento social libertário do último terço do século XX e início do século XXI”.

A bófia prendeu todos os presentes: cerca de 20 pessoas, incluindo o próprio Ryabov. Agora foram levados ao departamento de polícia.

Este é o terceiro ato de uma repressão brutal contra anarquistas na Bielorrússia nos últimos 2,5 meses. Em Agosto, a polícia local invadiu na palestra do anarquista russo e ex-prisioneiro político Alexey Sutuga. A 28 de Setembro a bófia efetuou buscas em duas casas de anarquistas de Minsk, confiscando tanto meios de impressão como eletrónicos.

A 11 de Outubro, o tribunal da cidade de Baranovichi, Bielorrússia, sentenciou o anarquista da Rússia Pyotr Ryabov

Pyotr Ryabov, filósofo anarquista, professor do departamento de Filosofia da Universidade Pedagógica do Estado de Moscovo foi condenado a 6 dias de prisão por “hooliganismo em pequeno grau” [malícia malévola, vandalismo] e “distribuição de materiais extremistas” (estatuto 17.1 e 17.11 do códice de delitos menores da Bielorrússia).

O Tribunal considerou o jornal anarquista bielorrussso “Svoboda ili Smert №6”, publicado em 2007, como material extremista. No entanto, estas foram acusações falsas, o verdadeiro motivo da prisão foi a palestra sobre o movimento anarquista, pela qual Ryabov chegou a Baranovichi. Ryabov foi preso quando regressava a Moscovo, na estação de comboios de Baranovichi, supostamente participaria noutro evento em Moscovo.

Após a sentença, Pyotr Ryabov declarou o início de uma greve de fome.

Itália: Notícias de Florença

No dia 1 de Janeiro de 2017, após a explosão de uma bomba artesanal junto a uma livraria fascista – na qual um polícia do esquadrão anti-bomba perdeu uma mão e um olho – várias casas de companheirxs foram tomadas de assalto pela polícia e registradas. A polícia esperava encontrar armas de fogo e/ou explosivos. As investigações não levaram a nada, exceptuando a apreensão de panfletos, computadores, roupas e outros  materiais. Uma investigação contra pessoas desconhecidas foi lançada entretanto – com a intenção de xs acusar das infrações de “fabricação, posse e transporte de um dispositivo explosivo ou incendiário num lugar público” e “tentativa de assassinato”.

A polícia iniciou, entretanto, uma nova operação chamada “Operazione Panico” (Operação Pânico), a 31 de Janeiro. Às 12h30, a polícia bateu à porta das casas de várixs companheirxs, para notificá-los da execução de dez medidas cautelares. Estas consistiam em 3 pessoas confinadas à prisão domiciliar, 4 pessoas receberam uma ordenação, para impedir que saíssem da cidade, obrigando-os a voltar à noite para suas casas e a assinar diariamente na esquadra. E, finalmente, 3 pessoas receberam condições de fiança, mas tendo de assinar na esquadra da polícia, todos os dias.

Durante o curso da Operação Pânico foram 35 as pessoas directamente visadas. Isso também levou ao desalojo da okupa Villa Panico, uma das okupas históricas de Florença, ocupada nos últimos 10 anos. No total, foram 12 as pessoas acusadas de serem “membros de organização criminosa”.

Outros eventos entretanto aconteceram como uma luta com a polícia, em Abril, seguindo-se uma provocação policial, entre muitas das provocações habituais, que terminou com a prisão de 3 companheirxs (Michele, Francesca e Alessio), uma sentinela e demonstração solidária com xs detidxs. Os suspeitos dessa operação repressiva estão todos sob investigação por uma série de eventos contestados que aconteceram na cidade em 2016. Esses eventos incluem um ataque com pedras da calçada e tijolos a livraria fascista, uma explosão na mesma livraria e distribuição de folhetos anti-militaristas num mercado local – que resultaram num punhado de pessoas levadas para a esquadra da polícia e acusadas de “resistência e recusa em fornecer provas de identidade”. Outros eventos foram uma briga com a polícia em Abril, depois de muitas das provocações habituais que acabaram com a prisão de 3 companheirxs (Michele, Francesca e Alessio) e concentrações de solidariedade com xs presxs.

Dois meses após o fim da operação, uma série de medidas repressivas foram impostas contra 2 companheirxs – em constante escalada na sua gravidade – desde a presença diária na esquadra até prisão domiciliária. Um terceiro companheiro também foi obrigado a assinar diariamente na esquadra da polícia. Esta nova onda de repressão e detenções foi  ligadas ao aparecimento de grafitis políticos em toda a cidade.

A 3 de Agosto, uma operação conjunta a nível nacional, entre a DIGOS (unidade de operações especiais da polícia), a ROS (unidade de operações especiais de Carabiniri) e a polícia antiterrorista, levou a mais oito prisões: 6 em Florença, 1 em Roma e 1 em Lecce. Cinco companheirxs foram acusados de tentativa de homicídio no ataque à bomba no dia de passagem de ano. Xs outrxs com a infração de “fabricação, posse e transporte de um dispositivo explosivo ou incendiário para um lugar público”. A segunda acusação refere-se a um ataque de molotov contra um quartel de Carabinieri, o que aconteceu na noite da luta contra a polícia, mencionada anteriormente.

No dia 5 de Agosto, 6 detidxs foram libertadxs pelo GIP (juiz para investigação preliminar) devido à falta de provas contra elxs. Um companheiro, Salvatore Vespertino, ainda está preso porque as autoridades alegaram terem sido encontrados vestígios do seu DNA em componentes usados para construir a bomba. Paska, outro companheiro, que deveria ter sido libertado, por falta de provas pelos eventos na passagem de ano, ainda se encontra em prisão preventiva, por alegada “adesão a organização criminosa”, com base em evidências recolhidas durante a Operação Pânico.

Como o caso de Paska mostra, a investigação contra pessoas desconhecidas foi, portanto,  incorporada à Operação Panico. Isto significa que adoptaram a mesma linha de indagação – seja para os acusados de serem “membros de organização criminosa” ou por
várias infrações específicas.

Endereços:

Salvatore Vespertino
Casa Circondariale Sollicciano
Via Minervini 2/r
50142- Firenze
Italia

Pierloreto Fallanca
Casa Circondariale
Via Paolo Perrone, 4
73100 – Lecce
Italia

Para apoiar os companheiros e os custos legais:

Youssra Ramadan
Card Number: 5333 1710 3998 6134
IBAN: IT81R0760105138290113490114

Viña del Mar, Valparaíso: Corte de estrada no Canal Chacao [13/09/2017]

Tanto Democracia como Ditadura assassinam, reprimem e fazem desaparecer a todxs aquelxs que se levantam em pé de luta e resistência contra o avanço da devastação capitalista, nos mais diversos sítios do planeta. Hoje, faz um ano em que assassinaram Macarena Valdes, às mãos de assassinos a soldo da empresa RP Global – a propósito de enfrentar a instalação de uma central no terreno Tranguil – tal como também se cumprem 12 anos do desaparecimento de Jose Huanante, às mãos da bastarda polícia na região de Puerto Montt. E já passado mais de um mês do desaparecimento de Santiago Maldonado, às mãos do Estado Argentino, por se solidarizar com a luta da resistência Mapuche, a nossa resposta é clara:

NÃO DAREMOS A OUTRA FACE PERANTE A VIOLÊNCIA QUOTIDIANA QUE XS NOSSXS COMPANHEIRXS DE LUTA SOFREM, ERGUEMOS-NOS E QUEBRAMOS A PASSIVIDADE DA ROTINA CIDADÃ COMO UM GESTO DE MEMÓRIA E AÇÃO SOLIDÁRIA COM TODAS AS LUTAS QUE SE LEVANTAM EM RESISTÊNCIA E OFENSIVA PELA LIBERTAÇÃO DA TERRA E PELA DEFESA DOS TERRITÓRIOS:

SOLIDARIEDADE COM XS PRESXS POLÍTICOS MAPUCHES DO CASO IGLESIAS QUE JÁ SE ENCONTRAM HÁ MAIS DE 90 DIAS EM GREVE DE FOME, AOS/ÀS IMPUTADXS DO CASO LUCHSINGER-MACKAY E COM TODXS XS PRESXS SUBVERSIVXS EXISTENTES POR TODO O MUNDO.

CLAUDIA LOPEZ, MACARENA VALDES E TODXS XS CAÍDXS, SEMPRE PRESENTES!

em espanhol

[11 de Setembro, Chile] Ninguém está esquecido, nada se encontra saldado, memória aos/às caíd@s

Véspera do 11 de Setembro. Lançámos panfletos e colocámos uma faixa – a passos do local onde funciona o nosso projecto de biblioteca – onde se podia ler: “NINGUÉM ESTÁ ESQUECIDO – NADA ESTÁ SALDADO – MEMÓRIA A@S/ÀS CAÍD@S”.

Dalgum lugar do território chileno
Biblioteca Anti-Autoritária Libertad
Inverno, 2017

em espanhol, inglês, alemão

Chania, Grécia: Faixa em solidariedade com o Linksunten Indymedia, silenciado pelo Estado na Alemanha

Nestes tempos em que a Internet é um elemento essencial do nosso quotidiano, a defesa da sua capacidade receptiva é e deverá ser o ponto crítico da sua gestão, sendo essa uma das razões pelas quais apoiamos qualquer expressão de contra-informação.

A contra-informação é, foi e continuará a ser um pilar principal para se gerir e promover a palavra e atos de movimentos políticos que na primeira linha se opõem ao estado e capital. É essencial defender em todos os sentidos – fisicamente e online – qualquer fonte de contra-informação saudável de que o indymedia.org & linksunten.indymedia.org é exemplo.

Portanto, e como ato mínimo de solidariedade, deixamos uma faixa de solidariedade com o silenciado linkunten.indymedia.org num ponto central da velha cidade de Chania.

Portanto, e como ato mínimo de solidariedade, deixamos uma faixa de solidariedade com o silenciado linkunten.indymedia.org num ponto central da velha cidade de Chania.

Solidariedade não negociável com linksunten.indymedia.org

Fonte Apatris (grego) via insurrectionnews (inglês)

[Argentina] Destruamos a Sargentina!

Sede central da GEOF (grupo especial de operações anti-terroristas) da Argentina.

Destruamos a Sargentina!!!

Estas “palavras” não são (só) isso: passámos à “fase” da @ção DIRETA e mentem porque têm medo de nós… Nem tudo o que se passa se vê nos ‘diários’ do sistema! Nem nos nossos tampouco! E está a acontecer tudo muito rápido compitas. Vertigem revolucionária a sacudir o coração: era o que queríamos e o que temos por fim. Sim, teve o custo de um companheiro; mas é a lava que os irá sepultar. Que não se dê o corpo ao manifesto de forma tonta – bem o advertem xs lindxs cúmplices de Portugal – sejamos inteli.gentes: nem “anarquismo de biblio.tecas”, nem uma punkitude “insurrecional” auto-destrutiva, estamos de acordo? Não inventámos nada. Somos da mesma fibra que conhecemos no “Lechu”, escutem aí bem tod@s que, agora, o reivindicam como “próprio”. É tal e qual como disse um@ d@s noss@s: ANARQUISTA! Inimigo do estado, do capital e da fodida “paz social” destas pessoas que agora (..um raio “ayahuasqueiro” os parta) andam por aí a choramingar, fazendo politi.Kaka com os nossos ideais. Não somos “infiltrad@s…”, como @s cúmplices do Espectáculo cacarejam cada vez que na revolta anárquica arde a paixão. Assim:

– A 31 de Agosto, um dia antes de se cumprir um mês sem Lechu, ardeu o edifício do GEOF, eheh… O Grupo Especial da Operação Federal “anti-terrorista”, em pleno bairro burguês de Palermo… em pleno centro de Buenos Aires – os mass-merda ocultaram esse facto; tal como o fizeram com muitas das ofensivas que nunca lhes passou pela cabeça que poderiam atingir os seus centros de “poder”.

– Após a manifestação no El Bolson [1 de Setembro], a merda da gendarmeria quase que foi incendiada com molotovs (eram “infiltrad@s” também..?).

– Em La Plata, queimámos uma parte do senado, seguido de um atentado, no ‘Ministério’ da ‘Segurança…’, com um gendarme ferido e carros queimados, sem detid@s.

– Após a manifestação em Buenos Aires – com um saldo de 31 detid@s que nem sequer estavam nas barricadas da Av. de Mayo – os mass-merda voltaram a dizer que a “calma” estava a regressar mas… cerca de vinte encapuçad@s colaram-se à casa rosada (sede do governo) com molotovs, e… estiveram a ponto de deitar fogo à sua sede imunda.

– Foi destroçada a sede da gendarmeria, a pouca distância, numa ação coordenada, arriscada e muito valente.

Mas não podemos deixar de mencionar as invasões policiais de Cordoba! A bófia entrou em vários locais libertários (circula a info nas redes), na capital dessa província e levaram bombos e faixas…
O periódico fascista La Nacion acaba de ‘apontar’ contra a exFLA (a Federação Libertária Sargentina…) que foi convertida em Ateneu Anarquista; estejamos alerta… Se tocam num@ tocam a tod@s e nem o avanço da sua repressão impedirá que tornemos reais os seus piores pesadelos.

Agradecemos a Contra Info pelo seu trabalho assim como a tod@s que (por toda a parte), apoiam a nossa luta de morte contra toda a autoridade.

M@K (i) M.Anarquico.Kosmico.informal

SANTIAGO PRESENTE SEMPRE, GUERRA AO ESTADO ASSASSINO.
SEMPRE IRREDUTÍVEIS. DESTRUAMOS O SEU SISTEMA!!!
E QUE O MEDO SE DISSOLVA: ANARQUIA, ANARQUIA AGORA

em espanhol l inglês

Chamada internacional pelo aparecimento do companheiro Santiago Maldonado – 01/09

TERRORISTA É O ESTADO

Chamada a nível internacional para nos manifestarmos pela aparição do companheiro Santiago Maldonado, feito desaparecer pelo estado argentino durante a repressão à comunidade mapuche a 1 de Agosto na lof em resistência de Cushamen (Chubut-Arg.). Este facto demonstra-nos uma vez mais quanto sinistro é o estado e os seus verdugos.

A 1 de Setembro cumpre-se UM MÊS de desaparição do “Lechu” ,“el Brujo”. Mês esse durante o qual o Estado e os meios de comunicação, mais do que uma vez, justificaram a desaparição e noutras viraram do avesso a informação, chegando até a culparem a comunidade mapuche e a sua família.

QUE A RAIVA E AS AÇÕES TRANSBORDEM!
A SOLIDARIEDADE NÃO DESAPARECE!

[Portugal] Luta multiforme contra a tirania global, nem um palmo ao avanço do terrorismo de estado

[semana de solidariedade internacional com presos/as anarquistas –
23 a 30 de agosto 2017]

Recebido a 24 de agosto

Luta multiforme contra a tirania global, nem um palmo ao avanço do terrorismo de estado

Na Argentina, Chile, Uruguai, Perú, Brasil, México, Bolívia, Paraguai, Grécia, Turquia, Síria, Estados Unidos, Venezuela, Alemanha, Polónia, Rússia, Índia ou China  –  tal como em Portugal ou noutra qualquer parte do mundo – a ordem é para atacar por todos os meios quem resista, perseguindo implacavelmente todos os/as lutadores/as, aprisionando-os/as, torturando-os/as, matando-os/as, se preciso for. Os cães do poder são pagos para isso, as leis são feitas para proteger todos os crimes de terrorismo de estado, todos os crimes do capitalismo. O capitalismo, de todos os matizes, alimenta-se destas situações enquanto as populações se mantêm inertes, aterrorizadas ou adormecidas, ignorando a que ponto a sua inação reforça todo o fascismo que se tenta instalar por todo o lado.

Somos contra todas as fronteiras, contra todas as formas de poder, de subordinação, contra todas as formas de capitalismo. Poderíamos apelar à solidariedade em particular com o companheiro Santiago Maldonado feito desaparecer pela polícia, na Argentina, quando se solidarizava com a digna luta do povo Mapuche – ou com todos/as os/as outros/as anarquistas que lutam diariamente em todo o mundo pela destruição deste sistema, pela liberdade, arriscando a sua vida, dentro e fora das prisões – mas consideramos que a única forma de defender a sua liberdade e a sua vida é todos/as cuidarmos da nossa liberdade e da nossa vida. Essa é a memória que deve prevalecer.

Luta multiforme contra a tirania global, nem um palmo ao avanço do terrorismo de estado.

A paixão pela liberdade é mais forte do que todas as prisões!

Alguns e algumas anarquistas

24 de agosto de 2017

em pdf aqui

em espanhol, inglês, alemão

Leipzig, Alemanha: O custo incendiário não é o fim do mundo e as pedras são mesmo grátis!

5 e 16 Março de 2017

Na noite de 4/5 de Março tínhamos incendiado duas escavadoras que deveriam ter construído um parque de estacionamento num antigo parque, na via Karl-Heine. Na noite de 16/17 de Março causamos um fogo de maiores dimensões num edifício para escritórios em construção, no porto de Lindau.

Temos ouvido muitas vezes que a gentrificação é um processo complicado praticamente fora do nosso alcance. Não entendemos isso como razão que ficar de fora – se houver – não importa o que fazemos de qualquer maneira – então fazemos o que nos trará maior diversão: a destruição de propriedade das pessoas que querem fazer uma fortuna com a valorização do bairro.

O capital tem sido verdadeiramente selvagem a gerir o mercado imobiliário em Leipzig e a festa está longe de terminar. Aproveite a oportunidade de participar, mesmo com o estrangulamento da sua bolsa: o custo incendiário não é o fim do mundo e as pedras são mesmo grátis!

O cerco da polícia à cidade neste fim de semana é péssimo, o estado policial não resulta saudável. Mesmo o aumento da vigilância não conseguiu evitar este e outros ataques a nazis, à bófia e à cidade impecável.

Saudações solidárias às pessoas afectadas pela repressão!

Abaixo o Estado – Atacar o G20!

via Linksunten em alemão l italiano

Atenas: Espancamentos infligidos ao preso anarquista Panos Aspiotis por se recusar a dar amostra de ADN

MicrophoneO anarquista Panagiotis (Panos) Aspiotis era procurado desde Março de 2013 sob acusação de porte de armas de fogo (“violação da lei referente a armas”). Em Outubro de 2015 apresentou-se voluntariamente perante as autoridades. Foi recambiado e enviado para uma prisão longe de Atenas (a sua antiga residência). Durante estes meses de prisão recusou-se sempre a dar à polícia uma amostra de ADN.

No sábado, 6  de Fevereiro de 2016, Panos Aspiotis foi transferido da prisão de Nafplion para Atenas – onde estava agendado que comparecesse perante o juiz de instrução Eftichis Nikopoulos (juiz de apelação especial contra o terrorismo) na segunda-feira, dia 8. Esperava-se que fosse transferido para a prisão de Korydallos mas em vez disso foi trazido para a Divisão de Transferência de Prisioneiros. Ele foi separado de outros presos
e colocado numa célula sem câmaras de vigilância, onde foi atacado por polícias encapuçados da unidade anti-terrorista que tentaram levar-lhe à força uma amostra do seu ADN. Ele foi espancado e chutado repetidamente na cabeça, costelas e corpo. O companheiro resistiu à primeira tentativa, engolindo o cotonete com ADN. Os polícias continuaram a espancá-lo, mesmo depois de terem tomado à força a a amostra de DNA dele.

SOLIDARIEDADE COM O PRISIONEIRO ANARQUISTA PANOS ASPIOTIS.

em grego:
1–Texto da DAK [rede de lutadorxs presxs]
2– Aviso de Tameio  [Fundo de Solidariedade para xs lutadorxs presxs e perseguidxs (Assembleia de Atenas)]
3– As palavras do prisioneiro anarquista comunista Tasos Theofilou
em inglês

Paris: Nem da sua Guerra, nem da sua Paz!

Folheto distribuído em Paris, publicado originalmente em 15 de Novembro de 2015. PDF em francês aqui.

Temos de aniquilar os inimigos da República … e retirar a nacionalidade francesa aos que espezinharem o seu espírito
– Manuels Valls, Primeiro Ministro, 14 de Novembro de 2015

Se existir algum fio condutor na República Francesa é, sem sombra de dúvida, o dos assassinatos em massa. Do Terror de Estado de 1793-1794 – que deu origem justamente à palavra terrorismo – até ao esmagamento dxs revoltosxs de 1848 e da Comuna de 1871; da colonização ou da deportação de Judeus possível graças a triagem prévia até aos massacres de manifestantes argelinos em 1961, em pleno coração de Paris, todas as Repúblicas francesas massacraram sem contar com o facto dos poderosos terem continuado a dominar e explorar toda a gente. A República Francesa não passa de uma montanha de cadáveres onde a imundice que constitui o seu topo para lá se manter tem necessidade de esmagar os seus verdadeiros inimigos, xs rebeldes e revolucionárixs que lutaram por um mundo de justiça e liberdade. O “espírito francês”, essa grande treta, a existir seria um armário cheio até o ponto de ruptura com vozes clamando por vingança contra os burgueses, os políticos, a bófia, os soldados e os padres que nos espezinharam para consolidar o seu poder.

Ah, mas isso faz parte do passado, não é? São várias as décadas de participação de cidadãos, de integração no mercado europeu e de expropriação generalizada e realmente já se esqueceram daqueles que ainda mantêm um toque de sensibilidade, de que o fogo contra a multidão não é exclusividade de terroristas distantes? Que nos últimos anos o governo francês fez o seu grande regresso no palco internacional do terrorismo de Estado, multiplicando os seus ataques militares ao redor do mundo (Líbia, Mali, Afeganistão, Costa do Marfim, Somália, República Centro Africano, o Iraque, Síria)? O pretexto muda de cada vez, mas as razões são as mesmas: manter o controle estratégico de recursos, ganhar de novo mercados e áreas de influência, preservar os seus interesses contra os concorrentes, evitar que insurreições se transformem em experiências de liberdade. E caso fosse necessário, avisos foram mesmo lançados para prevenir os indolentes que esta lógica de guerra não conhece limites territoriais: a morte de um manifestante no ano passado em Sivens ou corpos crivados com estilhaços dos de Notre-Dame-des-Landes e Montabot recordam que as granadas ofensivas dos caqui não hesitam a ser lançadas, no mínimo, contra as multidões para espalhar o terror.

O que é o terrorismo senão o atingir de uma forma indiscriminada para se tentar manter ou conquistar o poder? Um pouco como os ricos fazem quando estão a matar e mutilar milhões de pessoas diariamente no trabalho em nome do lucro que extraem da sua exploração. Um pouco como fazem os industriais e os seus lacaios de bata branca, envenenando de forma sustentável toda a vida na Terra. Um pouco à semelhança do que fazem todos os estados que encerram e torturam os excluídos em lume brando, os excluídos dos seus paraísos comerciais assim como os rebeldes às leis colocando-os entre quatro paredes durante anos. Um pouco como as graaandes democracias que fizeram do Mediterrâneo um cemitério popular de milhares de indesejados por terem cometido o erro de não terem um pequeno pedaço de papel adequado. Mas a paz do Estado e do capitalismo tem esse preço. A Paz dos poderosos é a guerra contra os dominados, tanto dentro como fora das suas fronteiras.

Em 13 de Novembro, em Paris, a regra do jogo foi respeitada. Seja baptizada como islâmica ou república, califado ou democracia, o Estado continua a ser o Estado, ou seja, uma potência autoritária sob a qual a violência em massa é aplicada contra aquelxs que não se submetem à ordem soberana. A que obriga a obedecerem a leis ditadas de cima, ou seja serem a negação de indivíduxs que possam se auto-organizar sem dirigentes nem dirigidxs. Quer seja nos bombardeamentos do passado, de Dresden e Hiroshima até às aldeias do Vietnam com napalm ou nos atuais da Síria com barris de TNT, os Estados nunca hesitaram nas suas guerras sujas em sacrificar parte de seu próprio povo, ou do povo de  alguns dos seus concorrentes. Ao atingir os transeuntes em Paris, aleatoriamente, para punir o seu Estado, os pequenos soldados de Daech não estão mais que a reproduzir a implacável lógica de seus concorrentes. Uma terrível lógica, tão terrível quanto pode ser a do poder estatal.

O estado de emergência decretado em França desde ontem é uma medida de guerra interna de um governo que coloca o país em linha com a sua política de terrorismo internacional, é apenas mais um passo na base da práxis de qualquer governo para a normalização forçada da vida, a sua codificação institucional, a sua padronização tecnológica. Porque se o governo olhar para o futuro, o que é que ele vê? Buracos económicos, desemprego em massa, esgotamento de recursos, conflitos militares internacionais, guerras civis, desastres ecológicos, o êxodo da população … Ele vê, de facto, um mundo cada vez mais instável, onde os pobres serão sempre os mais numerosos, mais concentrado, um mundo a escorrer de desespero a transformar-se num enorme barril de pólvora, atormentado por tensões de todos os tipos (sociais, de identidade, religiosas). Um mundo onde a ignição de qualquer faísca que seja não deve ser tolerada por uma democracia cada vez mais totalitária. Então, tal como “cidadão” é outra palavra para “bófia”, a “guerra ao terrorismo” significa principalmente outra guerra contra aqueles que quebram as fileiras do poder. A todxs xs insubmissxs da pacificação social, a todxs xs desertores das guerras entre poderosos e autoritários, sabotemos a União nacional …

Um mau sujeito,
inimigo da República e de todos os Estados
Paris, 14 de Novembro de 2015

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Turquia: Comunicado da DAF sobre o ataque de dia 10 de Outubro de 2015, em Ancara

certain_days_political_prisonerNão pode ser esquecido, não pode ser perdoado

Hoje, dia 10 de Outubro, o “Encontro do Trabalho, Democracia e Paz”, organizado por vários sindicatos, associações e organizações foi atacado. Como em Junho, em Amed,  e em Julho, em Suruc, as bombas explodiram hoje, em Ancara, matando já dezenas de pessoas.

Milhares de pessoas, vindas de muitas cidades de pontos geográficos diferentes, reuniram-se contra a política de guerra, contra o lucro da guerra de diferentes grupos de poder. Hoje, as bombas que explodiram assassinaram as pessoas que queriam paz, vida e liberdade contra a guerra.

Esta explosão em que, até agora, mais de 30 pessoas perderam as suas vidas [estima-se que mais de 100 pessoas foram mortas] é um reflexo da ganância e sede de sangue dos poderes. Os que assassinaram em Amed, em Pirsus, em Cizir, estão agora a tentar intimidar as populações – frustradas com a política de guerra – e desencorajar com isso a sua luta pela liberdade, assassinando dezenas de pessoas em Ancara.

Os poderes devem saber que seja qual for o meio que empreguem, detenção ou assassinato à bomba, não teremos medo desses poderes ou que não nos submeterão às suas políticas de guerra.

Por um mundo novo, uma vida de liberdade, xs assassinadxs em Amed, Pirsus, Cizir e Ancara, NÃO SERÃO ESQUECIDXS, os assassinos NÃO SERÃO PERDOADOS.

Acção Revolucionária Anarquista (DAF)

Do terrorismo na boca dos Estados

dum20 de Janeiro de 2015

Uma nova ofensiva dos Estados e dos seus aparelhos está em marcha, após os assassinatos de Paris, na guerra civil mundial em curso. Antes as condições não estavam maduras para se poder justificar uma mudança na imagem sacrossanta da Democracia, agora surgem novas leis de excepção, impostas por decreto sob diversas formas.

Leis que incrementam ainda mais o controlo dos cidadãos – através de intervenções telemáticas, telefónicas ou dos dados fornecidos por empresas – que restringem o espaço de liberdade aparente das fronteiras na Europa, que fomentam a delação de concidadãos suspeitos de sair das normas (especialmente funcionários ao serviço do Estado em centros de saúde, prisões, etc) fazendo a ponte à judiciária e legislações vigentes para levar a cabo investigações ou novas leis (ou o seu endurecimento), que permitam um maior controlo das fronteiras, dotando de maior poder os órgãos policiais… Gerando um estado de emergência fictício através do conceito de terrorismo, aludindo sobretudo ao jihadismo, visto ser o que mais assusta – por ser culturalmente diferente e por, no discurso do poder, não ter uma raiz sócio-económica mas sim religiosa e autoritária. Um conceito que tanto para uso policial ou judicial pretendem redefinir agora em termos mais práticos, incluindo agora sob esse capote os indivíduos que agem sozinhos (os já baptizados como ‘lobos solitários’ por toda a imprensa) ou os que se organizam de forma informal e não hierárquica.

Após a aprovação da Lei Mordaça há poucas semanas, o Estado espanhol já envida esforços para concluir uma nova reforma do Código Penal que justifique a aplicação das leis de excepção antiterroristas para aqueles que actuem sozinhos e para os quais se justifique a ação policial-judicial preventiva de ataques terroristas. É algo que já se viveu em Itália, através das diversas montagens policiais anti-anarquistas, no Chile, com o caso Bombas e as alterações na Lei Antiterrorista ou na Lei de Controlo de Armas e Explosivos, ou na Grécia, através da implantação das  prisões tipo C para pôr freio à luta armada. Os partidos políticos – enquadrados numa moldura cada vez mais estreita e auto-condicionados pelo seu papel de aspirantes à gestão do Estado, dependente dia a dia dos votos de cidadãos alienados, lutam por sair na foto de fecho em concordância com os seus discursos de merda particulares. Nenhum será capaz de contradizer o que é imposto pelas condições criadas. Não podem nem querem pelo que são e pelo papel que adotam no sistema.

A operação Pandora, desencadeada contra anarquistas ativos na luta contra o Estado e o  capitalismo, não foi casual. Tratou-se de uma operação preventiva e, como tal, justificada aos olhos de todos os cidadãos à luz da sucessão de acontecimentos. Não encontraram nada mais. Por isso modificam e aprovam mais leis ainda – de forma a encobrir a aplicação de penas de prisão sem provas de actos de destruição de propriedades ou atentados físicos contra gestores do capital. A reunião do fascista Fernández Díaz com o seu homólogo chileno, prévia à operação Pandora, tampouco foi casual.

Entretanto, esses cidadãos alienados, tão escassos de sentido crítico como de dignidade, continuarão a debater sobre quem votar nas próximas eleições, pondo as suas ilusões de modificação das suas condições existenciais, nas velhas promessas dos novos figurantes políticos e esquecendo a sua miséria quotidiana, comentando a próxima partida de futebol, o próximo escândalo sentimental ou o próximo caso de corrupção.

O pressuposto da sua própria incapacidade e da delegação nos gestores das suas vidas serve de motor para que o poder continue a gerir a seu gosto. Se lhes compete espolverear nalguma situação (por lhes retirarem o trabalho, os despejarem de casa, lhes retirem as ajudas mínimas sociais, os obrigarem a pagar mais impostos, lhes aumentem os preços dos produtos básicos, lhes congelarem os ordenados ou as pensões, os enviarem à guerra…) e a sua possível ação de resistência perante ela é amplamente criminalizada e passível de pena, tenderão a explicá-lo a si mesmos como um efeito colateral para conseguir um bem maior geral (imposto pelo Estado e a Economia) e nem sequer entenderão porque é que isso é assim.

Nós, por nossa parte, não nos esquecemos de quem beneficia com tudo isto. As novas condições que continuamente renovam o poder estão orientadas de modo a manter e a melhorar as formas de relação capitalistas que o domínio requer. Essas novas leis, essas guerras, não estão separadas da exploração laboral, da destruição do território, da invasão e destruição de outras culturas, do aumento das prisões e da agudização das condições impostas aos e às guerrilheirxs nelas sequestradxs, das mortes nas fronteiras, etc. São outras consequências do manutenção de uma economia resolutamente orientada ao benefício de uns quantos, sejam quais forem os meios.

Por tudo isto nos repugna a visão estreita dos interesses promovidos por ‘eu sou Charlie’. Esses interesses são os do Estado, esses interesses são os do Capital. Esses interesses medem-se pelos cidadãos cegos e estreitos de vistas, promovidos pelos meios de desinformação do Poder. Participar de forma acrítica nessa maré emocional é alinhar-se com os Estados e o Capital. Não o fazer não significa apoiar o Estado Islâmico de que falam. Essa polarização sem matizes é outro dos interesses do Poder para isolar e criar o seu discurso totalitário.

Saronno, Itália: Despejada a okupa TeLOS, okupadas mais quatro!

italia-comunicado-apos-a-desocup-1Na madrugada de 10 de Setembro de 2014, a bófia despejou a TeLOS em Saronno, um espaço ocupado há mais de 5 anos.

Como resposta a 25 de Setembro três novas casas foram okupadas, e no dia seguinte 26 de Setembro, uma outra okupa foi criada, destinada a espaço auto-gerido.

Abaixo, encontra-se um comunicado dos companheirxs da okupa TeLOS, datado de 12 de Setembro de 2014.

Falando sobre o despejo da TeLOS…

Porquê?

Queremos deixar claro: o despejo de um espaço ocupado, não fechado sobre si próprio, sempre aberto ao exterior, decidido a meter pauzinhos na engrenagem daquelxs que aspiram a criar a cidade – dormitório, cidade – movida noturna, etc, não nos deixa nada surpreendidxs. No entanto ficámos atónitxs: com a solidariedade impressionante que entretanto recebemos, um dia depois apenas.

A razão pela qual fomos despejadxs é do domínio público: xs proprietárixs não sabem o que fazer com o edifício, não têm projectos para ele, a não ser ideias bizarras e vagas de sítios comerciais e estradas.

Nada de surpreendente, também. Não somos uma ameaça – como a propaganda dxs políticxs e da bófia nos retrata – para as pessoas de Saronno, mas representamos uma ameaça real à ordem dos Senhorxs de lá: a ordem daquelxs que são donxs de edifícios vazios na nossa cidade, esperando por uma chance de especulação; a ordem daquelxs que proíbem seja o que for nas ruas; a ordem daquelxs que atrás das suas secretárias e nos seus fatos confortáveis, pensam que podem brincar com as vidas e espaços dxs outrxs; a ordem daquelxs que acreditam que o mundo inteiro deveria ser propriedade de alguém que pode decidir por nós o que fazer; a ordem dos Carabinieri (um corpo militar desenvolvendo actividades policiais) e a ordem da bófia, escravxs nojentxs e defensores deste estado de coisas repugnante. Foi o capitão dos Carabinieri de Saronno quem ordenou a desocupação, pedindo permissão à prefeitura de Varese, porque – na sua opinião- Saronno tinha-se tornado incontrolável e ingovernável por causa do pessoal da TeLOS, que punham e despunham. Resumindo: a bófia ordenou o despejo porque somos um incómodo para elxs.

Assim que os políticos souberam do futuro despejo, deram azo a um verdadeiro linchamento nos media: estavam a jogar pelo seguro, porque sabiam que a data do despejo já tinha sido decidida. Foi o caso.

Como?

As últimas desocupações que tiveram lugar em Saronno, indicam claramente uma viragem categórica de ritmo na repressão. Quando a bófia se apercebeu do seu próprio embaraço (desocupações prolongadas por horas ou dias, e nos últimos anos com pessoas a resistir no telhado), mudaram de estratégia. A desocupação deixa de ser uma operação teatral e uma demonstração de força: hoje em dia é um subterfúgio e um engodo. Não vieram com montes de carros, ferramentas, tesouras, escadas, etc. Vieram com um par de carros, 40 polícias da Digos (MDPs) e com um estratagema conseguiram entrar na TeLOS. Gostaríamos de partilhar o truque deles e difundir o máximo possível a situação: perto das 4:30 da manhã, alguns habitantes da TeLOS viram luzes estranhas e fogo-de-artifício em atividade, às janelas. Alguém passou por cima da janela barricada que leva ao terraço para ver o que se estava a passar e é imediatamente caçado por cerca de vinte polícias da Digos, à espera nas sombras: precipitaram-se para dentro, pontapeiam o cão e bloqueiam toda a gente no edifício, que apesar disso consegue fazer um apelo.

A bófia conseguiu executar o despejo sem os companheirxs darem por isso: tanto pior! Um foguete ruidoso lembra-os dxs companheirxs, alguns segundos após entrarem.

Do lado de fora, por volta das 5.15 da manhã, companheirxs chegam e tentam aproximar-se para saber como estão as pessoas lá dentro. Imediatamente, são atacadxs e perseguidos alguns pela bófia. Um companheiro é parado, ameaçado e levado de carro à entrada da auto-estrada, onde a bófia acabou por o deixar.

O resto da manhã será relativamente calma: os objetivos principais eram trazer para fora a maior parte das coisas e ver regressar xs sete companheirxs que estavam temporariamente detidxs.

No mercado da cidade, uma pequena fila informa o que se passa, os condutorxs presos no trânsito são informadxs dos acontecimentos, também.

Ao final da tarde, uma pequena manifestação de repúdio transforma-se num selvagem e apaixonado desfile. A bófia provoca mas são mantidos à distância, no seu devido lugar: atrás de nós. Palavras de ordem e gritos quebram o silêncio, a TeLOS está em movimento.

Quando a manifestação acabou, demos as informações para os próximos dias, que serão cheios de atividades.

E então?

Desocuparam o edifício que abrigava a TeLOS, mas a TeLOS está viva e de boa saúde. Adaptamos-nos às novas condições, foi simples. Todas as coisas que planeávamos fazer na TeLOS vão ser feitas na mesma, apenas noutro sítio em Saronno. Na quinta-feira à noite vai haver um filme na praça do mercado; sexta-feira. um jantar na via Don Monza; no sábado haverá evento benefit, a partir do meio-dia até à noite.

A TeLOS eram as relações e as acções criadas em conjunto, nunca nos sentimos  “donos” de coisa nenhuma, ninguém que cuidava ou cuidou da TeLOS se sente envolvido, sente que ele ou ela devem encontrar uma maneira de continuar as suas lutas e a sua presença na cidade.

E depois? E depois… ainda temos alguma coisa para dizer diretamente, é uma surpresa, especialmente (assim o esperamos!) para a bófia.

A TeLOS está em movimento

27 de Setembro: manifestação em Saronno.

Outras atividades serão comunicadas em seu devido tempo…

$hile: Somos Ataque, somos fogo contra o Estado

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Vimos de todos os lados…

Vimos do ataque às esquadras da polícia, aos quartéis policiais e prisionais, aos centros de diversão dos poderosos, às igrejas e instituições do estado-capital. Temos vindo a fabricar dispositivos explosivos, conhecemos os seus usos e consequências na hora de actuar, sabemos quando agir, há anos que vimos das práticas e lógicas da conspiração.

Organizamos-nos informalmente, sem lideranças e reivindicando a autonomia, forjando redes clandestinas que a repressão não conseguirá detectar. Continuaremos, porque nunca parámos …

Perante o dispositivo explosivo detonado recentemente no Subcentro – que ocasionou diversos ferimentos em várixs transeuntes – sem sermos juízes, apresentamos e defendemos aqui a nossa posição.

Nas ações que temos perpetuado, nas cumplicidades que temos materializado, nos ataques que outrxs companheirxs levaram a cabo – aos e às quais não conhecemos pessoalmente, mas com xs quais compartilhamos, de forma anónima, o caminho da ação direta – sempre se tem identificado claramente o inimigo.

Inimigo é quem detém o poder ou quem se arma em sua defesa, passando a ser alvo e objectivo dos ataques, mas não quem aprova ou sucumbe passivamente perante o domínio.

Não somos parte da cidadania – na medida em que esta se deixa submeter e perpetua a ordem – mas isso não equipara o papel da cidadania com o papel dos poderosos, o do escravo com o do amo. Não é a cidadania em geral, nem qualquer transeunte o objectivo das nossas ações.

Entendemos o ataque e a auto-defesa como um acto que desafia e procura atingir toda a engrenagem que nos tenta submeter – assim como também nos proteger e resguardar perante a ofensiva de qualquer força repressiva – independentemente do uniforme que vistam.

Quem decida assumir a violência, para defender dos poderosos a região, posiciona-se no campo de batalha e deve assumir o custo disso, mas isto, como bem o explicam outrxs companheirxs por aí, não é um combate nem um golpe que se dê às cegas, sem ter claramente noção de quem se atinge.

A possibilidade de que circule um poderoso ou um civil qualquer não pode ser deixada ao acaso: a ação transgressora tem golpes precisos que sabem encontrar no objectivo tanto a infraestrutura do poder e da repressão como xs sujeitos que a exercem.

É o Estado e as suas políticas de Terror quem considera as vidas como simples números nas estatísticas das suas parcelas de poder, por ele avança devorando e esmagando impassível, nós nos distanciamos daquele em projecções e ideias, mas sobretudo em práticas, que inegavelmente nos diferenciam. Perante isto não deve restar espaço para dúvidas.

Ansiamos e accionamos pelo combate ao inimigo e à sua destruição, armamos-nos de meios para o alcançar, utilizamos e reivindicamos o uso da violência para fazer frente à autoridade, mas os nossos golpes não procuram causar dano a qualquer um ou uma que simplesmente transite pela cidade. Aquilo suporia que qualquer pessoa, pelo simples facto de circular, é cúmplice e colaboradora do poder, sem se ter absolutamente nenhum fundamento para sustentar o referido. Essas não são as nossas formas, nem o fundamento, nem o horizonte do caminho de ação direta que percorremos há anos.

Do mesmo modo que não deixamos à sorte a nossa segurança – aprendendo com as técnicas de avanço do inimigo – tampouco deixamos ao acaso a segurança de quem possa vaguear nas proximidades dos nossos alvos de ataque. Assim, não confiamos ou delegamos no bom trabalho do inimigo o cuidado com qualquer civil, tanto na evacuação como no isolamento da área. Não somos indiferentes à dor ou dano que um simples transeunte possa receber.

Não são xs cidadãos ou cidadãs quem deve temer pelas nossas ações. Se sentirem terror deve ser pela miséria de vida que o Estado impõe, através de cada uma das engrenagens que compõem a sua maquinaria de destruição, pelo gatilho fácil da polícia, pela criminalização de qualquer conduta que saia dos padrões fixados como normais, pelas asfixias económicas que levam ao suicídio ou a ele pelo avanço do controlo social. Daqui quem deve temer os nossos actos, relativamente a cada aspecto das suas vidas e segurança, são os representantes do domínio…estamos a acercar-nos.

Não escrevemos para nos demarcarmos da utilização da violência, mas para reivindicar o uso que lhe temos dado, deixando claras as nossas posições na luta insurrecional, posições essas que não contemplam o ataque a civis.

A chamada é para agir, na cumplicidade dos afins, proliferando os grupos de ataque, accionando pela libertação, mas tendo claro quais os nossos objectivos a difundir e o inimigo a atacar. As nossas práticas são parte da mensagem. Os nossos golpes devem ser precisos, sem medo, mas sem imprecisões.

Terrorista é o Estado.

Saudamos os últimos ataques a igrejas e quartéis policiais.

Contra toda a forma de poder, pela Anarquia e pela Libertação Total… Continuamos a crescer…

Núcleos de Ataque pela Libertação

[14 de Setembro de 2014]

espanhol

Grécia: Agressões policiais contra um companheiro na cidade de Drama

Bófia, TV, neonazis, todos os bastardos  trabalham juntos.

No dia 19 de Setembro de 2014, na cidade de Drama, um companheiro, conhecido pelas suas convicções anti-autoritárias, foi espancado por indivíduos da polícia secreta que, por sua vez, são conhecidos pela sua afiliação ao partido nazi do Amanhecer Dourado.

A tareia que lhe deram foi preparada com o pretexto de controlo de identidade, continuando a ser espancado mesmo dentro do carro em que o meteram para ser transferido para à esquadra local da polícia. Os amanhecer-dourados da secreta tentaram acusar o compa de resistência à autoridade, mas a sua insistência para ser transportado ao hospital – devido aos ferimentos na cara, nas mãos e nas costas – fez com que o soltassem ao fim de uma hora na esquadra.

A táctica das agressões não é algo de novo, apenas outra das mostras dos planos terroristas do Estado contra aquelxs que resistem à podridão duma sociedade que apenas oferece medo e repressão.

Não deixemos nenhum/a compa às mãos do Estado. Nenhuma agressão ficará sem resposta.

Antiautoritárixs de Kalamata