Arquivo de etiquetas: Croce Nera Anarchica

[Prisões italianas] O prisioneiro anarquista Davide Delogu ainda se mantém em greve de fome

Do telefonema semanal de Davide com os seus parentes, sabemos que:

Davide continuará a greve de fome a longo prazo, iniciada a 4 de Novembro, até que o seu total confinamento solitário, pelo artigo 14bis, seja revogado.

O nosso companheiro convida todxs para a solidariedade direta.

Davide fortalece a sua proximidade com os companheiros da AS2 [secções de prisão de alta segurança].

Repetidamente sublinhou a necessidade de uma solidariedade revolucionária.

Ele encontra-se de bom humor, mas já perdeu 13 quilos [28 libras].

CNA [Croce Nera Anarchica]

em italiano l inglês

[Itália] Atualização do Julgamento “Scripta Manent” – Solidariedade Internacional a 16 de Novembro de 2017

O julgamento dxs anarquistas, acusadxs ao longo da operação “Scripta Manent”, começará a 16 de Novembro, no tribunal de segurança máxima da prisão de Turim.

À companheira Anna Beniamino assim como aos companheiros Alfredo Cospito, Danilo Cremonese e Nicola Gai não será permitido que compareçam na sala do tribunal, estando sujeitxs a uma vídeo-conferência a partir da secção de vigilância máxima 2, onde se encontram confinadxs.

Aos companheiros Marco Bisesti, Alessandro Mercogliano e à companheira Valentina Speziale será permitido comparecer na sala de tribunal, recusando estxs participar no julgamento em solidariedade com xs companheirxs sujeitxs à video-conferência.

via Croce Nera Anarchica

[Prisões de anarquistas em Florença] Mensagem ao movimento anarquista internacional

Florença, 21 de Abril, 2016: alguém atacou o quartel dos carabineiros em Rovezzano, subúrbios de  Florença, com um cocktail Molotov.

Florença, 1 de Janeiro de 2017: um dispositivo explosivo colocado no exterior da livraria “Il Bargello”, perto da Casa Pound, explode nas mãos de um polícia, o qual fica gravemente ferido.

Após estes dois ataques anónimos, na manhã de 3 de Agosto de 2017 oito companheirxs são presxs. Os anarquistas: Marina Porcu, Micol Marino, Pierloreto Fallanca (Pasca), Giovanni Ghezzi, Roberto Cropo, Salvatore Vespertino, Sandro Carovac, Nicola Almerigogna.

Estxs companheirxs foram notificados de acusações de tentativa de assassinato – por causa do ferimento do engenheiro de desativação de bombas, Mario Vece – fabricação, detenção e transporte de dispositivos explosivos, danos agravados para o lançamento de garrafas incendiárias contra o quartel de carabineiros.

Os nomes dos principais inquisidores que coordenam a investigação são:

– Eugenio Spina ( dirigente superior da Polícia de Estado, chefe dos serviços anti-terrorismo).
– Lucio Pifferi  ( chefe da D.I.G.O.S. em Florença).
– Giuseppe Creazzo (procurador – chefe de Florença)

Como anarquistas não estamos interessadxs ​​em saber quem fez essas ações, válidas, concretas, vivas. O Estado italiano – após a continuação da Op. Scripta Manent – novamente ataca xs companheirxs refractários, que acreditam que a ação direta não mediada e destrutiva é um meio fundamental da luta revolucionária anarquista.

Note-se que a ação anarquista direta contra o Estado / Capital é cada vez menos viva, portanto, é muito fácil para o aparelho repressivo fazer o seu trabalho contra aquelxs que apoiam posições incontestáveis ​​para o caminho revolucionário. É fundamental, senão um dever, não misturar xs companheirxs anarquistas com a mera conjuntura dos caminhos do antifascismo político e anti-repressivo, que como anarquistas não nos pertencem. Com este documento, nós expressamos a proximidade a todos aquelxs  individualidades que incondicionalmente agem, para além da reclamação ou não das ações.

É importante reivindicar colectivamente estas práticas, como parte integrante da luta revolucionária anarquista, para não isolar xs nossxs queridxs companheirxs. As razões pelas quais o nosso anarquismo é partidário do ilegalismo e propaganda pelos fatos, devem-se ao fato de reiterarmos a sua estrita necessidade, no passado como agora, de fazermos todos os esforços para propagar e espalhar, publicitar, com pólvora negra, a ideia revolucionária anarquista.

Assim, os atentados, o fogo posto, as expropriações, os ataques armados são parte da guerra levada a cabo, sem tabus e sem limites pré-concebidos contra o Estado. Que as armas da política sejam abandonadas e a política das armas reabraçada numa forma não determinista, consciente e constante.

Adiante, companheirxs anarquistas internacionais, quando as prisões já não silenciarem os trovões da dinamite estaremos apenas a meio caminho. Vamos atacar a autoridade de qualquer maneira que esta se apresente, sem perder tempo e com todos os meios à nossa disposição.

O resto?

O resto é apenas a conversa fiada de quem sempre quer algo novo, mas não se atreveu a obtê-lo, aqui e agora.

Anarquistas

via Croce Nera Anarchica l espanhol

Itália: Novidades da operação Scripta Manent e algumas reflexões…

Pintura de Jean Léon Gerome “A Verdade saindo do poço”

Nos dias 11, 17, 18, 19 e 20 de Julho, haverão audiências preliminares referentes à investigação “Scripta Manent”. Relembro que, desde 3 de Julho, aos/às companheirxs já sob investigação foram adicionadxs outrxs – 5 companheirxs da Croce Nera Anarchica, eu por RadioAzione [site anarquista, em italiano, fechado pouco tempo depois] e a companheira que geria a RadioAzione Croácia, em relação à qual foi decidido, na audiência de 26 de Junho, que só estaria presente nas audiências seguintes.

Lançando um olhar ao dossier, tomamos conhecimento que uma investigação tinha sido aberta desde 2012, pelo ministério público de Nápoles, contra mim, um velho  companheiro, já indiciado na operação Marini [mega operação anti-anarquista conduzida em toda a Itália na segunda metade dos anos 90 pelos ROS, o serviço especial dos Carabinieri, sobre ordem do procurador de Roma] e outrxs companheirxs da região de Lazio, referente à  Federação Anarquista Informal.

Durante cinco anos sofremos um controlo total e isto levou a que outrxs companheirxs fossem colocados sob investigação, entre outrxs a companheira croata de RadioAzione.

Key logger instalado no computador, interseções telefónicas, vigilância ao longo de mais de 600km … do género: “Se eu me esqueci onde meti algo, posso perguntá-lo à Agente Elena (nome que deram ao software espião keylogger)”.

Após cinco anos de controle fictício, a 10 de Janeiro, o ministério público de Nápoles tinha solicitado a minha detenção, a da companheira de RadioAzione Croácia e a de dois companheiros gregos (um dos quais já aprisionado por C.C.F).

A partir desse momento passou tudo para as mãos do ministério públicio de Turim e  do  promotor Sparagna – visto o ministério público de Nápoles não ter competência para os tipos de delito de que nos haviam acusado.

De que é que somos acusadxs?

De ter feito contra-informação através de sites de internet e de jornais, de ter traduzido textos  de reivindicação de ações vindas do mundo inteiro, de ter apoiado, sustentado, de nos termos solidarizado e ter feito prova de cumplicidade com xs companheirxs anarquistas Alfredo e Nicola, de termos recolhido dinheiro para xs companheiros na prisão. De termos formado uma célula italiana, croata e grega da Federação Anarquista Informal.

Nalgumas passagens do processo o juiz de turno, tentando alimentar as distâncias existentes entre alguns/mas de nós e o resto do movimento anarquista, inventa do nada através de escutas (re)transcritas à sua maneira desacordos entre mim e certxs companheirxs da Croce Nera Anarchica – companheirxs com quem houve desde o princípio uma completa colaboração num jornal anarquista que reconhecemos ser o único que vale a pena ler e isto de tal forma que até sou acusado de organizar a apresentação deste projeto em Nápoles. Só falo nisto para refrear maledicências.

Se são estas as acusações, então:

Reivindico ter publicado no site RadioAzione tudo com o qual eu tinha afinidade.

Reivindico ter dado e continuar a oferecer solidariedade e cumplicidade para Alfredo, Nicola e todxs xs outrxs companheirxs-irmãos/ãs  que foram presxs em Setembro passado [na operação Scripta Manent].

Reivindico o facto de ter recolhido dinheiro para xs companheirxs detidxs.

Reivindico o facto de ter organizado o encontro da Croce Nera Anarchica em Nápoles. na esperança de organizar outros no futuro.

Reivindico o facto de ser anarquista, individualista e pela insurreição.

(agente Elena copiou tudo bem e fotografou? Agora relate aos seus chefes!)

Somma Gioacchino, Julho de 2017

fonte anarhija via attaque

[Prisões italianas] Uma carta da anarquista Anna Beniamino sobre a Operação Scripta Manent e não só…

[ Pouco depois desta carta ter sido enviada, soube-se que as investigações sobre a operação Scripta Manent foram fechadas, por isso agora aguarda-se a audiência preliminar, na qual o juiz vai decidir se coloca ou não em julgamento xs companheirxs visadxs.]

SCRIPTA MANENT

A acusação de Turim decidiu colocar uma tendência anarquista inteira em julgamento: o anarquismo anti-organização. Não se trata de uma enormidade sensacionalista ou defensiva, é o que a juíza investigadora de Turim, Anna Ricci, promulgou com os mandados de prisão emitidos em Julho de 2016, e aplicados em Setembro, provavelmente para evitar interromper as férias de verão de algum funcionário púbico.

A escolha dos inquisidores é clara a partir do enquadramento ridículo surgido nos papéis de autorização de detenção, um produto do encontro deletério entre a mente de algum bófia e a leitura apressada de um resumo da wikipedia.

O quadro dá forma a uma visão repressiva-maniqueísta de uma “anarquia social“, a boa e inofensiva e de uma (anti-social e anti-classes) “anarquia individual“- violenta e apetecível à repressão – cujo método é o “modelo anti-organizacional”.

Ao fazer as necessárias distinções, este quadro visa definir um campo específico, para se criar uma gaiola, de modo que a partir de um “insurrecionalismo” genérico, (um subproduto do modelo anti-organizacional), sempre violento e passível de castigo em diferentes graus, subespécies possa ser puxada para fora para formar diferentes vertentes da investigação 1 para a polícia italiana: ‘insurreccionalismo clássico‘, ‘insurreccionalismo social‘, ‘eco-insurreccionalismo‘ e a ‘federação anarquista informal‘.

Que diferentes tensões e tendências existem dentro do anarquismo é um fato, mas também é verdade que este tipo de categorização rígida é uma característica inerente à mentalidade e requisitos dos inquisidores, que se dedicam a delimitar uma área específica para fazer as suas manobras como melhor puderem: é dentro desse espaço que a seguinte operação se encontra.

Historicamente, a solidariedade com xs prisioneirxs revolucionárixs tem sido um ponto focal de interesse para xs anarquistas e uma maneira de nos unirmos e construir uma sensibilidade rebelde: solidariedade revolucionária e não a solidariedade com xs revolucionárixs.

Concebida pela Digos de Turim e após o regresso dos promotores, em 2012 – na sequência de 20 anos de tentativas repressivas recorrentes e fracassadas – a operação Scripta Manent levou à detenção de 5 anarquistas: A.M., V.S., D.C., M.B., A.B., todxs já sob investigação e/ou presxs, a seguir a várias publicações anarquistas sobre ação e repressão, especificamente, Pagine in Rivolta 2, o boletim Croce Nera Anarchica 3, e KNO3 4. Além disso, havia os mandados de prisão para A.C. e N.G, dois companheiros na prisão desde 2012, após um ataque ao director-geral da Ansaldo Nucleare, Adinolfi, que foi reclamado em julgamento em Outubro de 2013 como o Núcleo Olga (FAI/FRI). Durante anos, eles haviam sido conhecidos como editores de Pagine in Rivolta e Alfredo já havia sido processado pela KNO3.

Quatro outrxs anarquistas foram submetidxs a investigação – todxs tinham sido já presxs, durante a operação Ardire 5, parte da qual converge no presente processo judicial – junto com mais 4 pessoas, cujas detenções o juiz se recusou a validar no mandado de Julho e conduziu à tentativa infrutífera de apelação do promotor, em Outubro de 2016. Além disso, 32 assaltos policiais foram realizados  em toda a Itália, durante os quais um companheiro e editor da CNA foi preso, encontrando-se ainda preso sob o regime AS26 6.

A INVESTIGAÇÃO AINDA ESTÁ A CAMINHO

A operação está a ser conduzida pelo promotor Roberto Sparagna, novo nos chamados procedimentos anti-terrorismo – mas bem conhecido por ter corrido os julgamentos do chamado crime organizado. Não se sabe se esta operação estava em baixo para ele ou pela a entrada de polícias de Turim: a última hipótese parece muito mais provável, visto a maior parte do inquérito ter sido realizado e arquivado pela Digos ao longo dos anos e por causa das fotos pequenas com acontecimentos de fundo como os “cumprimentos do Dr. Petronzi” (ex-chefe de Digos de Turim), que Sparagna se certificou de estender aos presos, durante uma das suas tentativas de interrogatório.

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[Prisões italianas] Romper o isolamento! O companheiro anarquista Alfredo Cospito inicia dez dias de greve de fome

Uma breve atualização sobre o prisioneiro anarquista Alfredo Cospito – que iniciou ontem uma greve de fome de dez dias – e a Operação Scripta Manent

Há 15 dias atrás, as investigações sobre a operação Scripta Manent foram fechadas, por isso agora aguarda-se a audiência preliminar, na qual o juiz vai decidir se coloca ou não em julgamento xs companheiros visadxs.

Na terça-feira, 3 de Maio, o companheiro Alfredo Cospito, iniciou uma greve de fome de dez dias contra a censura que lhe foi imposta pelo promotor Sparagna [encarregado da op. “Scripta Manent”], que bloqueia quase toda a sua correspondência (de entrada e de saída).

Em particular, escreve que as cartas enviadas no mês passado por um de nós, da redação da C.N.A, foram todas bloqueadas, 7 de 7.

Nesta carta, já depois da censura ter sido imposta por 3 meses,  há mais de um mês, afirma que a situação ainda se tornou mais pesada que o habitual na altura do encerramento da investigação.

E como sempre nos tem dito, na Rebibbia [prisão de Roma] estão a passar pior.

Conclui a carta com um grito: “Romper o isolamento!

[Alfredo pede a todxs xs companheirxs no exterior para enviarem livros, revistas, cartas e materiais impressos em geral, em protesto e em apoio à sua greve]

Alfredo Cospito:
Via Arginone, 327 – 44122 Ferrara, Itália

italiano via Croce Nera Anarchica l inglês via  325.nostate

Itália [Op. Scripta Manent]: Endereços atuais dos anarquistas capturados a 6 de Setembro

f-a-iA 6 de Setembro de 2016, a secção de Turim da unidade antiterrorista DIGOS  desencadeou uma operação anti-anarquista sob o nome “Scripta Manent” [por escrito é seguro]. Buscas domiciliárias foram levadas a cabo em várias regiões da Itália. Os anarquistas Alfredo Cospito e Nicola Gai, encarcerados desde Setembro de 2012 por tiro na perna a Adinolfi (Célula Olga – FAI / FRI), receberam uma nova notificação de detenção na prisão. Além disso, seis prisões foram realizadas cá fora (cinco no contexto desta operação, uma como resultado de buscas em residência).

Com a Operação Scripta Manent pretende-se atribuir aos/às acusadxs uma série de ações reclamadas pela FAI (Federação Anarquista Informal) em Itália. Por isso, xs companheirxs Marco, Sandrone, Anna, Danilo e Valentina, juntamente com Alfredo e Nicola, são susceptíveis de enfrentar a acusação de “associação subversiva com intenção terrorista”.

A seguir indicam-se os seus endereços para correspondência (que poderão mudar a qualquer momento):

Marco Bisesti
Alessandro Mercogliano
C.R. Rebibbia, Via Raffaele Majetti 70, 00156 Roma, Italia

Anna Beniamino
C.C. Via Aurelia nord km 79,500 n. snc 00053 Civitavecchia, Italia

Emiliano Danilo Cremonese
C.C. Via San Donato 2, 65129 Pescara, Italia

Valentina Speziale
C.C. Via Ettore Ianni 30, 66100 Chieti, Italia

Nicola e Alfredo encontram-se presos na ala AS2 da prisão de Ferrara:

Nicola Gai
Alfredo Cospito

C.C. Via dell’Arginone 327, 44122 Ferrara, Italia

Daniele, um editor da Croce Nera Anarchica [Cruz Negra Anárquica] foi capturado no mesmo dia, no âmbito de outra ação de detenção, após a polícia ter encontrado algumas baterias e um manual do eletricista no seu apartamento. Deverá deverá enfrentar acusações de “posse de materiais para a fabricação de dispositivos explosivos”.

O companheiro poderá ser contactado através da seguinte morada:

Daniele Cortelli
C.C. Regina Coeli, Via della Lungara 29, 00165 Roma, Italia

Fontes: Italiano: Informa-azione & CNA; Inglês: ActForFreedomNow