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Grécia: Caminhada anarquista no centro de Atenas

A 7 de Novembro de 2015, ao meio-dia, no meio da multidão de sábado, um punhado de nós realizou uma intervenção no bairro de Exarchia e nas ruas no centro da cidade, de Monastiraki a Thissio, para expressar a nossa solidariedade com os companheirxs que estão sob repressão em diferentes cantos do mundo, e, especificamente, nos territórios do Brasil, Uruguai e em Espanha.

"Solidariedade com a Okupa «La Solidaria», Montevideu - Do Uruguai até à Grécia, somos uma mesma resistência"
“Solidariedade com a Okupa «La Solidaria», Montevideu – Do Uruguai até à Grécia, somos uma mesma resistência”
"Força aos/às compas represaliadxs - Sempre com a cabeça erguida"
“Força aos/às compas represaliadxs – Sempre com a cabeça erguida”
"Nem um passo trás na luta feminista - Solidariedade com xs companheirxs em Porto Alegre, Brasil"
“Nem um passo atrás na luta feminista – Solidariedade com xs companheirxs em Porto Alegre, Brasil”
"Nenhum ataque misógino sem resposta - Solidariedade com xs companheirxs em Porto Alegre, Brasil"
“Nenhum ataque misógino sem resposta – Solidariedade com xs companheirxs em Porto Alegre, Brasil”

5 Colocámos faixas em Português, Inglês, Espanhol e Grego nos portões da Escola Politécnica de Atenas, nas ruas de Patission e Stournari, na praça de Exarchia e em frente à estação de metro, em Thissio.

"Cuidado patriarca, tem cuidado sexista ...Os feminismos estão a agitar toda a terra, de uma ponta a outra"
“Tem cuidado patriarca, tem cuidado sexista… Os feminismos estão a agitar toda a terra”
"Experimentamos aqui a violência todos os dias, com todos os machismos, com cada racismo"
“Experimentamos aqui a violência todos os dias, com cada machismo, com cada racismo”
"Eu era uma jovem mulher e existia o desemprego ...Tornei-me uma rufiana [informante feminina] que se juntou à polícia"
“Eu era pequena e havia desemprego…Tornei-me uma delatora que se juntou à polícia”
"Nem sexismo nem transfobia, merda em cada bandido uniformizado e no patriarcado"
“Nem sexismo nem transfobia, merda em cada uniformizado e no patriarcado”
“Luta internacional e libertária, vamos quebrar na rua a misosiginia”
"Somos muitxs e estamos em toda a parte, vamos invadir as cidades-prisões"
“Somos muitas e estamos em toda a parte, vamos invadir as cidades-prisões”
"Da Grécia ao Brasil, abaixo com o estatismo, viva a Anarquia"
“Da Grécia ao Brasil, abaixo o estatismo, viva a Anarquia”
"A Libertação será total, bofetadas e pontapés para cada estuprador"
“A Libertação será total, bofetadas e pontapés para cada estuprador”

No nosso percurso também atirámos flyers (1, 2), em solidariedade com as feministas libertárias no Brasil, que responderam com dignidade e a continuidade da sua acção ao brutal ataque que sofreram da bófia, durante a 1ª Feira do Livro Autónoma e Feminista, em Porto Alegre.

"Nem um passo trás na luta feminista - Solidariedade com xs companheirxs em Porto Alegre, Brasil"
“Nem um passo trás na luta feminista – Solidariedade com xs companheirxs em Porto Alegre, Brasil”
"Nenhum ataque misógino sem resposta - Solidariedade com xs companheirxs em Porto Alegre, Brasil"
“Nenhum ataque misógino sem resposta – Solidariedade com xs companheirxs em Porto Alegre, Brasil”

16Colocámos três faixas pelo mesmo caso; na Rua Patission:”Nem um passo atrás na luta feminista – Solidariedade com xs companheirxs em Porto Alegre, Brasil”; na praça de Exarchia: “Nenhum ataque misógino sem resposta – A solidariedade com xs compas em Porto Alegre, Brasil “; e em Thissio: “Nenhum ataque misógino e racista sem resposta – Morte ao Estado – Viva a Anarquia “.

"Força aos/às compas represaliadxs - Sempre com a cabeça erguida"
“Força aos/às compas represaliadxs – Sempre com a cabeça erguida”

Outra faixa na Rua Patission, foi colocada em solidariedade com aquelxs que foram invadidxs, presxs ou enviadxs para prisão preventiva nas recentes operações persecutórias do Estado espanhol.18No portão de entrada na rua Stournari, penduramos uma faixa em solidariedade com o centro social autónomo La Solidaria, em Montevideu, Uruguai, atualmente ameaçado de expulsão pelo novo proprietário, pois, de acordo com o aviso de despejo, o edifício está “precariamente ocupado por um grupo anarquista. “O espaço, que é libertado desde Fevereiro de 2012, foi mais uma vez alvo de repressão, tal como o projeto – entre outros – resiste a planos de urbanização e especulação imobiliária no bairro. Na faixa pode ler-se: “Solidariedade com a Okupa «La Solidaria», Montevideu – Uruguai a partir da Grécia, somos uma mesma resistência.”

em grego | inglês | alemão

Brasil: Agressão policial na 1a Feira do Livro Feminista e Autônoma de Porto Alegre

Desde o início da FLIFEA sofremos perseguições e agressões machistas e fascistas, com ameaças, provocações e presenças hostis, que foram constatadas e enfrentadas em cada momento. Mas o que aconteceu nesta noite de domingo (01/11/15) merece uma denúncia específica para apontar a violência estatal que expressa a misoginia institucional que violenta mulheres sistematicamente.

Na noite de domingo estava acontecendo um ensaio artístico, com a presença de em torno de 20 mulheres, e uma viatura chegou com dois policiais que vieram supostamente devido ao barulho. Eles filmaram e intimidaram as mulheres presentes que estavam falando com eles, o que gerou reações de proteção entre as mulheres, como se organizar para ir embora e filmar a situação. Em seguida chegaram outras viaturas com mais policiais que foram extremamente agressivos e marcadamente racista desde o início e tentaram deter uma de nós de maneira violenta, o que desencadeou uma série de agressões físicas por parte da polícia das quais nove mulheres ficaram feridas, sendo que quatro gravemente e precisaram de atendimento médico.

Muitas agressões aconteceram de maneira simultânea, havendo inclusive policiais que sacaram armas de fogo – um deles sacou uma arma e ameaçou várias de nós dizendo “eu vou queimar você”. Entre as ameaçadas nessa situação, uma das mulheres inclusive avisou que estava grávida, o que não foi relevante para os policiais. Dois moradores que estavam na praça no momento do ocorrido também foram agredido com cacetetes pela polícia. As mulheres que estavam com celulares foram alvo específico de agressões, e dois celulares foram roubados pelos policiais. Algumas das mulheres que tentavam fugir eram perseguidas e derrubadas e não conseguiam sair das agressões dos policiais, caídas no chão apanhavam com cacetetes e chutes, enquanto outras voltavam pra colocar seus corpos como escudos para tentar protegê-las e tirá-las dali. Essa cena se repetiu sucessivamente, e em meio a espancamentos com cacetetes as mulheres conseguiram chegar até as proximidades do Hospital de Clínicas, quando os policiais finalmente dispersaram.

Em nenhum momento companheiras ficaram para trás, conseguimos nos reunir em segurança para escrever este relato e para chamar a solidariedade de todas as pessoas que possam nos apoiar neste momento. A feira está programada para continuar suas atividades na segunda feira (02/11/15), no mesmo local onde ocorreram essas agressões. Considerando que mulheres chegarão desavisadas do ocorrido, temos que nos fazer presentes e precisaremos de todo o apoio possível. Começaremos o dia com uma roda de conversa sobre essa situação. Precisamos da presença da maior quantidade de pessoas possível para garantir a continuidade da feira nesse último dia. É assim que a gente revida, não nos calando e resistindo juntas não apenas na disputa pela rua e o espaço público mas também contra um sistema que não admite a auto-organização de mulheres e que se sente ameaçado pela nossa existência insubmissa. Foi escancarado o acréscimo de ódio que a misoginia teve nesse episódio e sentimos que isso precisa ser enfrentado pela nossa sobrevivência, por todas nós que vivemos na guerra desse mundo contra as mulheres.

em grego, espanhol

Istambul,Turquia: Intervenção anarquista junto à prisão de mulheres de Bakırköy

“Todos os dias são nossos!”

A 8 de Marçoo, “dia internacional das mulheres”, o coletivo Mulheres Anarquistas realizou uma declaração pública frente à prisão de mulheres de Bakırköy, onde estão encarceradas revolucionárias. As ativistas gritaram, entre outras palavras de ordem: “Sabemos que nem a liberdade nem os nossos sonhos podem permanecer cativos, porque o pensamento das mulheres nunca será escravizado…” Também entoaram que as prisioneiras não estão sózinhas, enquanto sustinham um pano onde se lia “LIBERDADE” e balões negros e violetas, lançados a seguir ao céu. As anarcofeministas que realizaram este protesto estavam descalças, uma ação que simboliza a tortura de estado.

comunicado completo em turco

Espanha: Agitação anarquista em (uma) Estremadura ibérica

Um ano de mobilizações em um território periférico europeu

[Sistemático, mas conciso, Gonzalo Palomo Guijarro, faz um recorrido pelos acontecimentos, as organizações, publicações, espaços e épocas de influência anarquista na Estremadura durante o último ano com especial atenção para as lutas que atravessam a atualidade regional e internacional: trabalhista e econômica, social, feminista, agro-ecológica e da contracultura. “Concluindo pelo compromisso pelo trabalho a partir daquilo que nos une em vez dos esforços de identidade que nos separam”, diz.]

Contexto

Estremadura tem sido tradicionalmente território de fronteira. Primeiro nas lutas da idade média – que tem sido chamado de Reconquista, pela historiografia cristã-eurocentrista – e desde então entre Espanha e Portugal. A Estremadura portuguesa marca outro limite: a Europa mais ocidental com o Oceano Atlântico.

O nome de ambas as regiões se refere à sua extensão além do rio Duero. Estremadura tem sido uma terra de grandes propriedades (a pastagem como paisagem e o agro-ecossistema emblemático, como atestado), subjugação e, como na idade moderna, fornecedora de matérias-primas e mão de obra barata para as zonas industriais; espanhóis, primeiro: País Basco, Catalunha e outras regiões costeiras, mas também Madri em sua condição de centro administrativo, assim como residência habitual de rentistas e cortesãos. E depois europeu: grande imigração ao norte dos Pirineos desde a Guerra Civil e especialmente desde a década de 1960. Esta sangria (saques segundo Naredo, Serna e Gaviria) formou uma comunidade autônoma com baixa densidade populacional, envelhecida e rural, de contexto econômico pouco industrializado e apenas desenvolvido de acordo com padrões capitalistas. Ambos os indicadores superando as comunidades autônomas adjacentes: Sul da Andaluzia, Castilla-La Mancha ao leste e Castilla e León ao norte. Não é assim com a região do interior de Portugal, que compartilha condições socioeconômicas semelhantes. Continuar a lerEspanha: Agitação anarquista em (uma) Estremadura ibérica