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Montevideu, Uruguai: Convite para a 7ª Feira do Livro Anarquista

7ª Feira do Livro Anarquista em Montevideu. Proximamente, em Setembro. Centro Social “Cordon Norte”, J. Requena 1758 FERIAANARQUISTAMVD.WORDPRESS.COM

A partir de Montevideu-Uruguai, convidamos todxs xs interessadxs a participarem na Sétima Feira do Livro Anarquista.

A máquina do capitalismo continua a sua colonização em cada esfera das nossas vidas, mercantilizando as relações e arrasando o eco-sistema. A civilização mantém-se enquadrada na sua rotina de produção e consumo – enquanto o desenvolvimento vai tornando os dispositivos de vigilância e repressão cada vez mais sofisticados – mantendo-se a mira sobre todxs xs que quebrem os códigos impostos e alterem a normalidade.

Vive-se tempos de sobre-informação, onde os meios de comunicação são cada vez mais eficientes na tarefa de formar verdades absolutas, construídas mediante relatos que propiciam o medo e a submissão dos que fazem o jogo ao domínio estatal. Aumenta a cegueira montada pelo show mediático do espectáculo, gerando um foco de atenção manipulado e aparado ao gosto dos poderosos. Isto assegura ainda mais dependência e adoração a instituições punitivas e repressivas, bem como se favorecem os antigos mecanismos do tipo militar e a “mão dura”, que são outro sintoma de decomposição social.

O planeta encontra-se na etapa do colapso ambiental, fruto dos métodos produtivos capitalistas que avassalam o meio envolvente, provocando nele uma sistemática decadência cuja consequência é o assassinato e empobrecimento da vida.

Enquanto a democracia oferece uma política tranquilizadora baseada no diálogo e na mediação, os governos da direita ou da esquerda oferecem diferentes formas de administrar a mesma miséria, deixando à rédea solta as macro-empresas exploradoras e as multinacionais. As soluções reformistas emanam de todo o lado e por toda a parte como comprimidos adormecedores, dando lugar ao rearranjo dum sistema que perpetua a sua hegemonia e trata de conseguir uma cobertura mais benevolente e aceitável.

Enquanto anarquistas e anti-autoritárixs, a nossa posição deve manter-se firme e sustentada. Se se deseja que sejamos protagonistas – gestantes da mudança debemos combsocial, encaminhando-nos para um mundo de solidariedade recíproca – onde cada individualidade conviva com o resto em total liberdade, deve-se então combater o monstro capitalista em todas as suas facetas e variantes. O confronto é inevitável  – sempre que mantenhamos intacta a convicção de transformação – mas devemos pensar estrategicamente. Traçar um imaginário prático revolucionário no presente é um desafio necessário e vital – visto que assumir a responsabilidade perante um mundo que se desarma aos bocados requer um compromisso incorruptível, onde não funcionam as meias tintas. Por isso convocamos à sétima feira do livro anarquista, para levar a cabo instâncias de reflexão e diálogo que alimentem a nossa capacidade de incidência no presente – já que agora é quando temos mais de nos exercitar para desenvolver uma força criadora que abra caminho a outra forma de vida.

Temos que repensar as formas dinâmicas de nos defendermos dos poderosos e dos seus fantoches, dos responsáveis da devastação. Já é hora de se ampliar e propagar a prática transformadora como potência de uma vida em liberdade – contraposta aos interesses dos políticos e empresários que procuram a nossa aprovação conformista.  A passividade instalada tem de ser substituída por uma atitude vivaz e rebelde, que contagie ao desejo de mudança, que infunda ânimo à reafirmação sobre as bases da auto-organização horizontal, enquanto modelo generalizado. Ainda temos muito que pensar e projetar nesta direção, porque baixar a guarda e a resignação não é nenhuma opção para xs amantes da liberdade.

em espanhol

Uruguai: Ação no âmbito do Dezembro Negro

Há dias, de passagem pela cidade de Maldonado (território controlado pelo estado uruguaio) entre tantas câmaras de vigilância, polícias, devoção pelo dinheiro e cidadãos – robots  aspirantes a burgueses (em termos económicos porque quanto a valores já o são!) encontramos-nos perante um graffiti em solidariedade com o bosque de Hambach, em território alemão – o qual está a ser ameaçado de ser arrasado na sua totalidade para o arranque de uma mina de carvão (lenhite) propriedade da multinacional RWE e onde há anos que se vem acampando e resistindo à sua devastação. Nesse graffiti também estava escrito “fora UPM” como recusa à futura instalação da 3ª fábrica de celulose em território uruguaio. Assumimos que o lugar onde se fizeram os graffitis não foi escolhido por uma questão de sorte já que pertence a uma loja comercial da UTE – o que fez que não só criássemos afinidade com o que estava escrito, mas que nos tenha ocorrido realizar aí a nossa contribuição para a guerra contra a sociedade tecno – industrial. Assim, procedemos à recolha dos materiais necessários para atacar a pata energética que permite que esta repugnante civilização continue a funcionar.

Altas horas da madrugada de 8 de Dezembro – com Alexis Grigoropoulos e o Pelao Angry na memória, com o coração a bombar fortemente nos nossos peitos pelos nervos/medos/raiva – quebrámos uma montra da dita loja e atirámos para dentro uma garrafa cheia de combustível que, por um erro nosso (não humedecemos suficientemente a mecha e esta apagou-se ao atirá-la) não teve as consequências desejadas. Aprendizagens para a próxima sabotagem! De qualquer modo, não temos dúvida de que, no dia seguinte, não deve ter sido um dia mais, algo quisemos deixar claro, nem todxs vão abaixar a cabeça e ficar paralisadxs perante a destruição da terra! Há quem procure quebrar os seus vidros, máquinas, o seu cimento, as suas lógicas, os seus truques, as suas manias da superioridade e, sobretudo, a sua apatia generalizada.

Como cada ação que provoca sorrisos cúmplices em quem se encontra atrás das grades ou que se encontram perseguidxs em qualquer canto do mundo – quebrando assim o isolamento que lhes querem impôr – también isto vai para vocês! força e verticalidade, não estão sós! E bem sabemos que nas ruas não estão todxs!

Quebra as tuas próprias barreiras, vence xs teus medxs e não esperes por nada, ataca-os como te seja possível!

Bando de aves migratórias

em espanhol

Montevideu, Uruguai: Corte de rua e queima de coberturas por Santiago Maldonado

Quando era meio-dia de quarta-feira, 25, decidimos cortar a monotonia da tarde, assim como o tráfego e a circulação de mercadorias, para que os transeuntes tomem um instante das suas alienadas horas e reflitam sobre a vida e morte de Santiago Maldonado, lutador anarquista recentemente assassinado pelo Estado argentino.

Santiago esteve desaparecido e foi assassinado por se solidarizar com a causa do povo Mapuche que, até à data, resiste firme em várias comunidades, instaladas em territórios recuperados à multinacional Benetton.

Vai também para elxs o nosso apoio e queremos também chamar a atenção dos cidadãos comuns para elxs e para a sua digna luta.

Por tudo isto, decidimos cortar o tráfego nos cruzamentos das ruas Arenal Grande e Galicia, queimando várias coberturas e deixando panfletos para explicar a acção.

Santiago não morreu, vive na revolta!

A guerra social continua!

Coletivo Fuego en Las Calles (Fogo nas ruas)

em espanhol

Uruguai: Semana de agitação pela Liberdade de Mumia [de 15 a 22 Outubro]

Muitos já conhecem a incansável luta de Mumia Abu-Jamal, um dos presos políticos com maior reconhecimento no mundo. Supõe-se que foi considerado culpado e condenado à morte pelo assassinato do polícia branco Daniel Faulkner, em Filadélfia, a 9 de dezembro de 1981.

Na realidade a Polícia e o Ministério Público de Filadélfia criminalizaram-no e tentaram assassiná-lo por ter sido Pantera Negra, simpatizante do MOVE e jornalista revolucionário, escrevendo sempre contra o poder.

Talvez até já tenham participado nas ações e atividades que, em 1995 e 1999, conseguiram suster a execução que já estava planeada.

Ou até fizeram parte do movimento internacional que, por fim, resultou na revogação da pena de morte em 2011.

Ou talvez tivessem ajudado na campanha para lhe dar a atenção médica necessária – em relação à hepatite C, após ele quase ter morrido em 30 de março de 2015.

Sem uma luta contínua durante dois anos, nunca lhe teriam fornecido o tratamento com os novos anti-virais, com os quais se curou quase imediatamente e se sente muitíssimo melhor. Mas, desgraçadamente, as autoridades carcerárias deixaram passar tanto tempo que ele desenvolveu cirrose hepática. Por isso agora mais que nunca lhe urge a liberdade.

Apresenta-se, neste momento, uma nova possibilidade jurídica para se desfazer o veredito de culpabilidade a Mumia. O que acontece é que a Suprema Corte dos Estados Unidos – no recente caso Williams vs Pensilvânia – determinou que Ron Castille, o Promotor da Filadélfia que logo se tornou Juiz da Suprema Corte da Pensilvânia, violou a Constituição dos Estados Unidos ao atuar como juiz e parte no caso de Terrance Williams. O mesmo aconteceu no caso de Mumia com Castille, que teve um papel destacado na Promotoria ao conseguir um falso veredito de culpado, e depois, como juiz, rechaçou mais de 30 apelações de Mumia.

Estamos, agora, a pressionar para que a Promotoria entregue todos os arquivos sobre a participação de Castille no caso – um primeiro passo para apresentar as apelações de novo. Faz falta a ação de todxs para ganhar a sua liberdade. Por isso estamos a convocar todas as individualidades, coletivos, comunidades e organizações para uma semana de agitação pela liberdade de Mumia.

Pela liberdade de Mumia Abu-Jamal e a queda dos cárceres e do sistema que os engendra!

Amigxs de Mumia – Uruguai

via agência de notícias anarquistas-ana

Montevideu, Uruguai: Concentração por Santiago Maldonado (feito desaparecer pela polícia na Argentina)

No cartaz pode ser lido:

Concentração e mobilização, 5ª feira, 10 de Agosto, às 18:00, Praça Liberdade, Montevideu, Uruguai

Pela aparição com vida de Santiago Maldonado. Feito desaparecer pela Gendarmeri no dia 1 de Agosto, na comunidade Lof en Resistência, na localidade de Cushamen, Argentina, e em solidariedade com a resistência  do povo mapuche.

A TERRA NÃO É UM NEGÓCIO
SE TOCAM UM/A TOCAM A TODXS!

Concentração pela aparição com vida de Santiago Maldonado. Quinta feira, 10 de Agosto, às 18:00, praça Liberdade, em Montevideu, Uruguai.

em alemão

Montevideu, Uruguai: Ataque incendiário ao quartel-general do adido militar argentino

A 2 de Fevereiro, um edifício do Estado argentino (Adido Militar), localizado na área de Pocitos, foi alvo do nosso ódio pela repressão realizada em Dezembro de 2016 sobre os manifestantes que se opõem à devastação ecológica causada pela empresa de mineração Barrick Gold, responsável por vários derrames de cianeto na região da província de San Juan assim como pela repressão de 10 de Janeiro contra a população Mapuche, na província de Chubut, em conluio com paramilitares da empresa privada Benetton.

Seja qual for o estado, a nossa solidariedade é com as populações, não com os governos.

Que a anarquia e a solidariedade não sejam apenas palavra escrita!!
Pela Morte de todos os Estados e do Capital!!!

Como nota final, aderimos à campanha regional contra o Plano do Projeto IIRSA.

Cadelas Incendiárias Fania Kaplan

Montevideu, Uruguai: Contra a repressão, solidariedade e ação (20/4)

Concentração de apoio a 7 compas indagadxs pelo desalojo de La Solidaria
5ª feira  20/4  14:00 em ponto
Tribunal  (ruas Juan Carlos Gómez e Reconquista)

8 detidxs  – 2 invasões policiais – 1 processo judicial – 7 indagadxs

TIREM AS MÃOS DOS NOSSOS CENTROS SOCIAIS!

La Solidaria

Mão estendida ao/à companheirx, punho cerrado ao inimigo!

em espanhol

Montevideu, Uruguai: Sobre as detenções e invasões policiais vinculadas à La Solidaria

Terça-feira, 4 de Abril, membros da Inteligência e da Polícia efectuaram dois assaltos conjuntos vinculados ao Centro Social La Solidaria. Os assaltos culminaram com cinco pessoas detidas, tendo uma ficado processada, sem prisão preventiva, por danos. A acusação, que podia passar a furto, surge das indagações que os corpos repressivos estatais estão a levar a cabo, a partir do desalojo e dos factos posteriores envolvendo o centro social.

O Estado prometeu já mais detenções, por estes dias. É de supor, então, que existirão mais detenções. A propriedade privada foi posta em causa, a auto-organização foi a culpada. A tensão – entre as normas estatais que defendem a ordem existente, baseada no lucro e na exploração e a capacidade auto-constituinte da sociedade, na luta pela transformação radical- é inevitável.

A capacidade para ocupar lugares e dar-lhes uma verdadeira vida, pormos-los ao serviço da luta social auto-organizada, a capacidade de faltarmos ao respeito ao mundo do domínio, não será perdoada pelos defensores do capital..

Nestes momentos, a claridade nas ideias é muito importante e a capacidade de sermos firmes é crucial.

Defendamos os nossos centros sociais, defendamos a luta pela liberdade.

Auto-organização e ação direta.

Anarquistas.

Ps: No momento em que este texto era escrito um compa mais era detido e transferido ao juiz para declarações, sendo libertado horas depois, na qualidade de  citado. Só numa semana foram um total de seis, xs detidxs, para além dxs 2 detidxs no mesmo dia do desalojo, continuando todxs elxs na qualidade de citadxs.

Montevideu, Uruguai: Comunicado da assembleia aberta de ocupantes da La Solidaria

MÃO ESTENDIDA AOS/ÀS COMPAS – PUNHO CERRADO AOS/ÀS INIMIGXS

Perante patacoadas só desprezo… (o que os media nunca dirão)

A partir destas linhas queremos reivindicar certos factos ocorridos na manifestação em repúdio ao desalojo do local La Solidaria, manifestação por nós convocada e, no que se refere à concentração, organizada colectivamente, a partir da nossa assembleia.

Além da concentração acordamos também o posterior corte de estrada de 21 de Março, corte que seria feito no mesmo momento em que se impôs à população o decreto do governo de esquerda – permitindo desse modo a polícia reprimir os piquetes, sem ter sequer a ordem dum juiz.

Nestes últimos dias os media lançaram uma série de ataques de desinformação que inundaram tudo – das mentiras mais descaradas ao incitamento dos exércitos de “bons cidadãos”, para proteger a ordem estabelecida. A normalidade do poder, dizem eles, deve ser obedecida a todo o custo. Normal é ver como é repetida uma e outra vez a miséria diária da exploração e da obediência aos seus ditames. O paradigma da dominação justa e da servidão voluntária tem a sua expressão máxima na indignação de vários dos mercenários da imprensa.

Mas as ruas têm também as suas vozes, já que há vida (e em abundância) para além da propaganda do Capital. Um monte de mentiras estúpidas – como por exemplo a da horda que marcha, atacando indiscriminadamente as pessoas – não irão ser sustentadas por nenhum dxs nossxs vizinhxs, xs quais, por sua vez, têm mostrado inúmeras vezes a sua solidariedade com o projeto e suas lutas. A propaganda imbecil dos proxenetas bem pensantes da Ordem não é mais forte do que as relações que estabelecemos com xs ocupantes ou com xs desalojadxs do bairro e com xs quais se praticou o apoio mútuo, uma e outra vez.

A estranheza – daquelxs para xs quais só vale a violência quando vinda do Estado – não é mais forte que os laços de solidariedade, respeito e reciprocidade forjados ao longo dos anos – com xs vizinhos, pequenxs comerciantes de bairro e centenas de amigxs da casa. Aquelxs que viram xs seus ou suas filhxs ou amigxs fazerem desporto sem competição, nas classes de boxe, ou desenvolver a sua sensibilidade estética nas oficinas de expressão plástica, aprender língua de sinais e crescer sob relações de reciprocidade e de liberdade, não podem engolir a versão do Estado. Xs “vândalxs estúpidxs” são xs que defendem a devastação da terra e da água, xs “desmioladxs irresponsáveis” são xs defensorxs do clientelismo – como forma possível de relações sociais – não xs que lutam contra ela ser a única.

Aquelxs que, ao longo do tempo, aprenderam na La Solidaria a desenvolver a sua capacidade auto-instituinte da sociedade, a forjar acordos de forma responsável,  a consensuar – sem chefes ou poder político – só podem rir-se da história dxs defensorxs dessa normalidade. As centenas de vizinhxs e participantes que passaram nestes anos pela La Solidaria e pelas suas oficinas – ou a participar nas actividades ou coordenações – sabem que nela se potenciava a auto-organização da luta social, afastada e contrária a toda a forma de opressão ou poder.

Por isso mesmo, sabemos que todxs elxs não se sentiram ou sentem atacadxs pelxs compas de La Solidaria. Sabem suficientemente bem que a nossa ética nos impede de atacar indiscriminadamente, danificar as suas casas ou querer atentar contra a sua segurança. Usar a violência – não como auto-defesa mas indiscriminadamente – encerrar em vez de ajudar, dar exemplo através do castigo, criar pautas de convivência baseadas no consumo e na dominação, são e serão os eixos do Capital e do Estado, não xs nossxs.

O repúdio ao desalojo – o nosso e o dxs vizinhxs e companheirxs – dignificou-nos e é parte essencial da nossa responsabilidade na vida. Somos conscientes quando, em todos os locais onde pararmos, fizermos algo para transformar a realidade. O repúdio ao desalojo não foi, nem é, uma luta contra o Estado por um grupo determinado – tal como ao governo ou a uma empresa qualquer. Foi, e é, parte de uma luta que não foi iniciada por nós – e da qual todos fazemos parte, gostemos ou não.

Enquanto a propaganda do poder é a da defesa das relações de benefício económico, competição permanente e respeito às leis de políticxs e outrxs empresárixs, nós promovemos a auto-organização não-hierárquica, o respeito pelas pessoas e não pelos dispositivos de dominação e exploração, a reciprocidade como motor social e a dignidade de confrontar-se com a ordem, sem oprimir ninguém, por sua vez. Confundir ou misturar isso com violência gratuita é maniqueísmo e arrogância. Querer obrigar-nos a obedecer – e a respeitar a dominação do capitalismo financeiro e a dxs seus e suas encobridorxs – é pura estupidez de fanfarrõesa costumadxs a mandar.

Solidarizamos-nos com as pessoas detidas, logo a seguir aos factos, assim como com todxs aquelxs que diariamente sofrem a mesma sorte, a mesma prisão, o mesmo despedimento, a mesma incerteza ou o mesmo deslocamento forçoso de local – e que sabemos albergarem as mesmas raivas e os mesmos sonhos de liberdade. Saudamos com o punho no ar a todxs xs que se solidarizaram connosco nos dias anteriores ao desalojo e nas últimas horas, compas do estrangeiro, do interior, vizinhxs e amigxs…
As casas passam…e a nossa luta é imparável!
Assembleia aberta de ocupantes da la Solidaria

em espanhol

Montevideu, Uruguai: Ataque incendiário a estacionamento da empresa Multicar

Ai Ferri Corti -Romper com esta realidade, com os seus defensores e falsos críticos.

Comunicado recebido a 13/03/2017:

Na madrugada passada, atacamos o estacionamento da empresa de aluguer de carros Multicar Rent A Car, em Montevideu. Não podemos precisar a magnitude do dano causado mas mesmo assim estamos seguros de que o nosso ataque foi certeiro e que parte da frota da empresa foi parcialmente danificada.

A motivação do ataque tem a ver com o rol desta empresa que funciona não só promovendo o luxo e a opulência, alugando carros de todas as gamas e oferecendo serviços específicos para o turismo (talvez uma das indústrias mais devastadoras) mas também pelo seu currículo como cúmplice explícito de múltiplas empresas públicas e privadas, nacionais e estrangeiras , as que oferecema infraestrutura para desenvolver as suas tarefas de exploração e controlo social. A partir deste local a Multicar funciona como uma das patas privadas do Estado, já que apoia com os seus veículos de reboque e gancho a própria Intendência de Montevideu, nas suas tarefas de assédio à cidadania.

Aproveitamos este comunicado para convidar todxs xs companheirxs do território a expressar a sua dissidência e raiva através da ação direta insurrecional. É fácil, divertido, pertinente e necessário.

Saúde e vemos-nos nas ruas!

Célula Autónoma Espontânea
Chuk Palaniuk

Montevideu, Uruguai: Concentração contra o despejo de La Solidaria [21/03/2017]

A 21 de Março deste ano chegarão as forças da ordem à Fernández Crespo, 1813 para finalmente desalojar a La Solidaria.

Este não é somente um golpe ao espaço, é também um ataque aos métodos utilizados: à auto-organização e à ação direta para se lutar contra este mundo de exploração.

É também um ataque a todos aqueles setores que permanentemente lutam por transformar a realidade, a todos esses setores que lutam por outra forma de vida, mais aprazível, baseada na solidariedade e no apoio-mútuo.

Frente às tentativas do Poder de fazer calar a luta, propomos potenciar a rebelião permanente contra o seu mundo de morte.

Propomos responder aos ataques constantes e cada vez mais profundos que o Capital exerce sobre as nossas vidas.

Saquem as vossas mãos dos nossos centros sociais!

Montevideu, Uruguai: Intervenção em apoio à La Solidaria

Na noite de ontem, 13 de Março – em apoio à La Solidaria que será desalojada neste 21 de Março – intervimos na Igreja evangélica alemã com pinturas, folhetos e grafitis onde podia ser lido “Não ao despejo da La Solidaria”.

Intervimos na igreja pela sua relação direta com o despejo – já que foi ela quem, há anos perante uma intenção falida quis desalojar La Solidaria, agora a casa foi vendida à empresa chilena Maria Caprile, deixando assim que a máfia da especulação imobiliária avance.

Intervimos na igreja porque a relação e coordenação entre curas, políticos e polícias – para manter este mundo de exploração e dominação – torna-se cada dia mais clara.

Intervimos na igreja pelo que ela em si mesma representa – pelos séculos de massacres e perseguições, por instaurar desde há anos a homofobia e a misoginia.

Este é um pequeno gesto de apoio à La Solidaria; é uma chamada a todxs aquelxs que lutam para se resistir e se transformar a realidade.

No pasaran!

Montevideu, Uruguai: Encontro de lutadorxs pela terra e contra o capital

Encontro de lutadorxs pela terra e contra o capital
Sábado 18 e domingo 19 de Fevereiro – Punta Yeguas – Oeste de Montevideu

Convidamos-los para nos encontramos neste lugar encantador que o capital e o estado agora nos pretendem arrebatar através dos seus megaprojetos ecocidas.

Para ver em que pé andamos, o que já foi realizado e, sobretudo, o que temos a fazer para enfrentar esta nova ofensiva de projetos devastadores da natureza –  nos quais o governo aposta para superar a crise económica em curso.

Para trocar ideias e experiências de luta. Para coordenar, potenciar, continuar a construir alternativas.

Mineração, OGM (trangénitos), regaseificação, portos, estradas portuárias, ferrovias, centros (pólos) de logística, urbanização, gentrificação, negócios imobiliários, saneamento, dragagem, aterros navais e militarização assolam os nossos bairros.

Se compartilhas as nossas inquietações seria bom que te acercasses, de forma a participares nesta proposta (que permanece aberta).

Ah! traz tenda, colher e algo para o cozido vegano!

SOMOS SEMENTES DE LUTA AO VENTO!
A TERRA QUE NOS PARIU!

N.T. Realiza-se de 12 a 19 de Fevereiro, uma semana de agitação e propaganda anárquica contra a IIRSA, na qual este encontro se enquadra.
A I.I.R.S.A. (Iniciativa para a Integração da Infra-estrutura Regional Sulamericana) é composta por megaprojetos de diversos estados e empresas de forma a agilizar o fluxo de mercadorias – impondo um reordenamento neocolonial e novas maneiras de controlo, em cumplicidade com a sociedade de consumo cidadã.
Aqui em pdf o cartaz da chamada para a jornada internacional de protesto contra a IIRSA, que se realiza a 15 de Fevereiro de 2017.

espanhol

Uruguai: Célula Refractária Nikos Maziotis ataca casa de neonazi em Montevideu

fuego
3 de Outubro de 2016. Região ocupada pelo Estado Uruguaio.

Ofensiva contra o nazismo.

A Célula Refractária Nikos Maziotis reivindica ataque contra a casa do secretário do Grupo Interparlamentar Uruguaio, Oscar Piquinela De Campo, funcionário no Palácio Legislativo por porte e exposição de uma bandeira negra com a cruz céltica neonazi na sua varanda.

Chamada à sabotagem e guerra aberta contra toda a autoridade.

Que um indivíduo como o senhor Piquinela, funcionário num organismo do Estado, não tenha qualquer problema em manifestar ideias com tanto ranço como as do nazismo já é demonstração suficiente de que ideias supostamente antagónicas como Democracia e Nazismo podem coexistir. Não esqueçamos que na Alemanha o Partido Nazi chegou ao poder através do recurso eleitoral da Democracia Republicana. Ambas compartilham condutas autoritárias. A Democracia com o seu inocente rosto da tolerância e o clássico discurso da “paz social” também tem no seu aval um passado e um presente manchado de sangue – se duvidarem perguntem às famílias que já perderam algum filho às mãos da polícia democrática, perguntem aos lutadores sociais e anti-sociais perseguidos, golpeados e encerrados (para mencionar só alguns dos tantos crimes que são levados a cabo).

Por tal motivo é hora de todos aqueles que beneficiam e regozijam com a repressão e exploração tenham medo. ATAQUE E SÓ ATAQUE é a nossa palavra de ordem. Enfrentemos a autoridade de todos os ângulos possíveis, que sintam na pele a pressão social e anti-social. Que a palavra se faça ação. E que a nossa solidariedade derrube os muros de toda a prisão e instituição. Para a rua compas, o conflito está à nossa espera!!!!

Dados adicionais do senhor Oscar Piquinela:

Domicílio: rua Dr. Juan Campisteguy 3070, entre Antonio Machado e a Bvar. Artigas. A meio quarteirão do Novo Shopping.

Licenciado em relações internacionais.

Funcionário na secretaria do GRULAC perante a União Interparlamentar. Tel: 29248686/29248119/29248774. Telemóvel: 099685810. E-mail: ipuuuru@parlamento.gub.uy

LIBERDADE E ANARQUIA. ATÉ AO NADA NEGADOR E DESTRUIDOR DE TODA A AUTORIDADE.

Morte ao nazismo, ao fascismo, ao comunismo e à democracia. Sempre anarquistas. Sempre anti-autoritários ¡!!!

Célula Refractária Nikos Maziotis

 

Uruguai: Fotografias da marcha contra o despejo de La Solidaria

Nem tudo está à venda! La Solidaria resiste!
Nem tudo está à venda! La Solidaria resiste!

29 de Abril de 2016

O negócio imobiliário avança inexoravelmente no bairro Cordón – e não só aí – aumentando os preços e pondo fora do bairro a todxs aquelxs que não lhes convém para que venham aquelxs que têm mais dinheiro, enquanto o Estado se encarrega de encher cada esquina de câmeras para nos manter controladxs, aumentando cada vez mais a quantidade de polícias e, portanto, a vigilância; na tarde de ontem realizou-se uma marcha contra o processo de despejo que se está a levar a cabo contra o centro social autónomo La Solidaria.

As ameaças de despejo à La Solidária são só uma parte do processo de gentrificação que se está a viver no bairro Cordón, sendo levadas a cabo por negociantes, pela polícia e pelos políticos de forma conjunta.
Não há transformação possível se não intervirmos, outras formas de nos relacionarmos – horizontais, solidárias e não baseadas em dinheiro – são possíveis e não serão oferecidas concerteza por aqueles que se vêm como privilegiados deste mundo de exploração.

A marcha partiu da praça Acción Directa e dirigiu-se pela 18 de Julho até à praça Libertad, onde foi lida uma proclamação.

Despejos = Distúrbios
Despejos = DistúrbiosLiberdade - Autonomia - Solidariedade - La Solidaria resiste Liberdade – Autonomia – Solidariedade – La Solidaria resiste

Mais fotos da marcha aqui

Uruguai: Ação em solidariedade com vários Centros Sociais Okupados

BASTA DE ESPECULAÇÃO! NEM TUDO ESTÁ À VENDA!
BASTA DE ESPECULAÇÃO!
NEM TUDO ESTÁ À VENDA!

26 de Abril 2016

Ação em solidariedade com o Centro Social Ocupado Taucho (Ilhas Canárias, Espanha), Centro Social Autónomo La Solidaria (Montevideu, Uruguai), Centro Social Okupado e Autogestionado La Morada (Madrid, Espanha) e Okupa Bosque Ibirapijuka (Porto Alegre, Brasil)

Na madrugada de segunda-feira intervimos à entrada para a Câmara da Construção do Uruguai selando a sua porta e escrevendo palavras de ordem na sua fachada.

Este grémio da patronal concentra várias das principais empresas locais e estrangeiras as quais através de diversos contratos, tanto públicos como privados, contribuem diariamente para acentuar os fenómenos de especulação na habitação, gentrificação nos bairros e exploração de territórios e pessoas.

Este local dá guarida a empresas vinculadas à construção de edifícios, plantas industriais, infra-estruturas logísticas, prisões, centros de consumo e tantas outras misérias do mundo actual, de forma a dar seguimento à planificação da estratégia de lucro sem limites de todas elas.

Por tudo isto – aproveitando também para brindar a nossa solidariedade incondicional com diversos projectos que, em cada uma das suas diversas realidades e conjunturas procuram dar luta a este mundo de opressão – decidimos deixar-lhes a nossa marca.

BASTA DE ESPECULAÇÃO!
NEM TUDO ESTÁ À VENDA!

Uruguai: Ataque com nafta e cocktails molotov ao local dos sub-oficiais da força aérea

1-12-1Há algum tempo que o Estado uruguaio tem vindo a mostrar de forma “subtil” as suas medidas de força contra todxs aquelxs que se rebelam contra o regime, tentando minar a vontade de não se ficar trancadx nas nossas casas e sair em busca do mundo que queremos.

Tal arrogância e soberba não pode ser passada por alto a todxs aquelxs que são sensíveis e não são indiferentes ao abuso e ao terrorismo do poder.

Diante da ameaça e ultraje do dia 28 de Março de 2016, no Laboratório do Grupo de Investigação em Arqueologia Forense da Faculdade de Humanidades e Ciências – donde se roubaram documentos respeitantes aos desaparecidos na ditadura de 73-85 – na madrugada de 4ª feira, 6 de Abril, atacamos com nafta e cocktails molotov o local do “centro de sub-oficiais da Força Aérea”.

Só existe uma saída para este círculo de violência autoritária e ela é o conflito nas ruas.

Também fazemos chegar o nosso abraço cúmplice ao/à compas Mónica e Francisco,

Que nenhum/a rebelde fique caladx!
Ao inimigo, combate-se-lo nas ruas!
Morte ao Estado e viva a anarquia!

Heras negras

Montevideu: A respeito da campanha contra o movimento anarquista

A imprensa aponta, a polícia dispara. Se tocam a um/a tocam a todxs
A imprensa aponta, a polícia dispara.
Se tocam a um/a tocam a todxs

Mais uma vez um companheiro é seguido e obrigado a apresentar-se nos serviços de investigação do Estado [Inteligencia] sendo a seguir enviado a prestar declarações, perante um juíz. Nada de novo, trata-se de outro ataque ao movimento e, por isso, respondemos coletivamente. Estamos conscientes da luta onde estamos metidxs.

Já há muito tempo que as forças repressivas atacam continuamente xs nossxs companheirxs e continuarão na sua função –  o ataque será cada vez mais duro à medida que nos formos fortalecendo, enquanto a resistência continue, enquanto a luta avançar nas ruas… Porque é xs nossxs companheirxs têm sempre de passar pela Inteligencia antes de xs levarem ao juíz? Por que ostentam diante delxs onde vivem e que lugares frequentam? A resposta é simples, porque nos temem, porque tentam  amedrontar-nos, fazer-nos sentir temor perante algo ao qual nos esquivamos: pela nossa responsabilidade. Desta vez foram procurar-nos pelos factos ocorridos na marcha de 8 de Março, onde um jornalista disse ter sido agredido por um grupo de manifestantes.

Enquanto a imprensa cria teses absurdas sobre militantes pagos, reuniões com a extrema direita, marcam as pessoas perante os corpos repressivos, fazendo de juízes – sem pudor algum de mandar para a fogueira as suas vítimas: enquanto a polícia se infiltra nas marchas ou ataca xs manifestantes nas ruas, também a Inteligencia se ocupa de fazer os registros dxs lutadorxs e de lhes tentar gerar terror. Já é bem claro para nós como funciona a imprensa, qual é a sua tarefa e já o referimos muitas vezes. Enquanto a imprensa aponta é a polícia que dispara, os serviços da secreta, neste caso.

O mundo vive momentos de reestruturação que também afetam este território: as cidades são militarizadas, os populismos de esquerda dão lugar a novas aberturas de mercado – usando as estruturas repressivas que aqueles lhes deixaram. A sorte para xs refratárixs da ordem está lançada é só a luta contra todo o poder pode alterar o rumo dos mais terríveis modos de dominação.

Quanto a nós, não vamos para qualquer outro lado, temos estado e continuaremos cá, somos parte da rebelião contínua nos bairros, não fazemos política, não temos nenhuma solução mágica a vender a incautos, procurando votos ou comprando a sua fé.  Potenciamos a resistência social, fora de toda a estrutura hierárquica e a ela contrária, contrária e fora de todo o espírito de derrota ou fracasso. também.
Nenhum/a companheirx está só, se tocam a um/a tocam a todxs.

Anarquistas

Montevideu: Comunicado do centro social autónomo La Solidaria – 26/03

Contra o despejo de La Solidaria - Em defesa dos espaços autónomos
Contra o despejo de La Solidaria – Em defesa dos espaços autónomos – marcha em Montevideu, 24 de Fevereiro

Os media não falam da quantidade de gente que se juntou à marcha de 24 de Fevereiro nem tampouco das numerosas ações que se levaram a cabo noutras regiões. Ao mesmo tempo, a calma que agora parece reinar em torno do despejo do espaço faz serenar os ânimos e adormecer-nos, à espera de novos golpes. Mas esta calma é só na aparência. É uma tática do Poder – que só fala quando quer manchar um projecto que vem sendo protagonista do conflito social já há mais de 4 anos – e que quando se cala é porque é no silêncio que faz avançar a sua lenta mas devastadora máquina burocrática.

Em finais de Abril começará o julgamento e dar-se-á início a um processo de rotina para funcionários e burocratas, sendo possível que acabe, uns meses depois, com a declaração de despejo da casa. Perante este panorama a campanha contra o despejo continua, optando sempre pelas nossas ferramentas e forma de fazer as coisas. Sabemos que esse é o verdadeiro problema para o Poder: o contágio das práticas horizontais e autónomas. Para nós é claro que é por isso que nos querem levar ao seu terreno de jogo: o da lei, a imposição e a obediência.

Na semana anterior à manifestação ocorreu uma nova intimidação para se abandonar a casa. Aqueles que hoje reclamam um processo pacífico são iguais ou piores que os que há 3 anos mandaram uma gangue de polícías para nos intimidar. De facto, eles são os que agora co-fabulam a jornalistas – para confundir o que somos – e os que na semana passada tinham a polícia do departamento de investigação dentro e fora do julgamento. São eles, também, os que “pacíficamente” ameaçam quando nos recusamos a negociar, recordando-nos que voltaremos a pontapés. Insistem para que deixemos isto tudo de lado e que daqui a poucos meses nos retiremos sem qualquer inconveniente com a lei.  Propõem negociar o que para nós não se negocia: a liberdade de decidir sobre um lugar que nos pertence de facto e que eles reclamam no papel. Esquecem-se que reclamam um espaço que foi abandonado e deixado em ríinas, que só o podem exigir graças a um sistema que funciona na base de papéis e números. Reclamam respeito e indignam-se ao verem-se escarrapachados num cartaz. Surpreendem-se com a nossa forma de fazer as coisas. Pensam que nos podem atacar e que vamos responder de acordo com as suas regras.  Talvez pretendessem sujar-se, mas não tanto. O que sem sombra de dúvidas ficou claro é que não entendem nada quando falamos de autonomia, solidariedade e ação direta.

É por tudo isto que queremos convidar todxs aquelxs que, de alguma forma, se sintam parte da conflitualidade social – vendo nesta luta parte desse conflito – a juntar-se à organização da próxima marcha contra o despejo, a realizar na 3ª feira, 26 de Abril.  Temos presente que neste conflito também se estão a jogar os vindouros, sendo esta uma boa oportunidade para se fortalecer a resistência. O nosso objetivo continua a ser  “não ao despejo” embora entendamos que numa luta específica possamos perder – todavia uma derrota pode também ser uma vitória. As experiências adquiridas, as cumplicidades que se teçam, os debates que se abram são tão ou mais importantes que um projeto em si. Como se diz por aqui: a ação abre caminho a mais ação.

Recordamos que as portas de La Solidaria continuam abertas e que as atividades continuam a desenrolar-se com normalidade. Os conflitos por estes lados são vários e enquanto existir este espaço vamos continuar a dar espaço a quem luta por outra forma de se relacionar, anti-autoritária.Também queremos enviar uma saudação a todxs xs que nestas últimas semanas se solidarizaram de diversas formas: fazendo parte da lmobilização, acercando-se da casa ou realizando ações e atividades noutras regiões.

Não ao despejo de La Solidaria!
Vemos-nos nas ruas!
Assembleia do centro social autónomo La Solidaria

Atenas: Ação junto à embaixada do Uruguai por La Solidaria

urug26.02.16-1urug26.02.16-2 urug26.02.16-4urug26.02.16-7-768x576urug26.02.16-10Na sexta-feira à tarde, 26 de Fevereiro de 2016, uma iniciativa da okupa Themistokleous 58 de Exarchia e de companheirxs solidárixs – quase vinte pessoas no total – foi concentrar-se junto à embaixada do Uruguai em Kifissia (na zona fina de um subúrbio ao norte de Atenas), em resposta ao apelo internacional para uma semana de acções contra o despejo do centro social autónomo La Solidaria, em Montevideu. Desdobramos uma faixa, jogamos panfletos e gritamos palavras de ordem em diferentes idiomas, interrompendo mesmo que simbolicamente a normalidade burguesa de Kifissia, e deixando claro aos funcionários do Estado uruguaio que xs nossxs companheirxs em Montevideu não estão sózinhxs.

Força para aquelxs que defendem a okupa La Solidaria!
Luta anarquista em todo o lado!

urug26.02.16-11

La Solidaria resiste em toda a parte! Mãos fora das okupas!
La Solidaria resiste em toda a parte! Mãos fora das okupas!
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Mãos fora de La Solidaria!

urug26.02.16-12urug26.02.16-14-768x576

em inglês l espanhol

Montevideu: Semana internacional de agitação contra o desalojamento do centro social autônomo La Solidaria

La Solidaria é um centro social autônomo que funciona desde o ano 2012, quando o local foi ocupado para construir um espaço que servisse como uma ferramenta a mais para a prática de nossa própria autonomia e o desenvolvimento da nossa luta social. No final de outubro do ano passado chegou uma carta de despejo ordenando abandonar o lugar, mas como tentaram em 2013 não será tão facil.

Temos defendido e defenderemos o local não como um espaço físico se não por que desde ai, potenciamos códigos e valores opostos aos que imponhem as relações intermediadas pelo Estado e o capital, para potenciar outro tipo de relacionamento baseado na solidariedade e na ação direta. Nos consideramos parte do conflito social, parte dos projetos mais amplos para transformar a realidade, acabar com o mundo baseado no dinheiro e criar um mundo baseado na solidariedade e na liberdade.

A imprenssa cumpre mandados do Estado e os investidores que tem comprado a casa preparando o terreno para o desalojamento. Nos encontramos em momento decisivo, ao longo da ultima semana de fevereiro estarão tomando uma decisão em respeito ao desalojamento. É por isso que nos encontramos em uma semana de ações em solidariedade com o espaço, uma semana de agitação contra o desalojamento do centro social autônomo La Solidaria.

Cada golpe nos reafirma em nosso caminho e nos faz mais fortes contra as ameaças de desalojamento: Mais resistência e mais ação! A solidariedade não conhece fronteiras, tirem suas mãos dos nossos centros sociais.

Assembléia do centro social autônomo La Solidaria.
lasolidaria@mail.com

em espanhol

Montevideu: Porque é que La Solidaria constitue uma ameaça?

Não ao desalojo de La Solidaria
Não ao desalojo de La Solidaria

Os cachorros latem para o que não é conhecido deles…

Não nos surpreende nada tanto as mentiras como o espectáculo armado pela
imprensa nos últimos dias – afinal tratam-se dos mesmos servos do capital que há bem pouco nos quiseram vincular com a extrema – direita – sabem bem a conveniência da mentira para o andamento do seu negócio, não necessitando de a repetir mil vezes para que uns quantos incautos acabem por nela acreditar. Os emplumados do El País e todos aqueles que repetiram as suas palavras, não se importando se elas continham alguma ponta de verdade – como o El Espectador ou o M24 – estão bem conscientes de que o que importa no espectáculo é cacarejar. Não estamos a pedir o impossível, não pedimos sinceridade ou verdade à imprensa. Não é isso que denunciamos mas sim o objectivo que se esconde por trás das repetidas tentativas de manchar tanto a atividade de La Solidaria comp os vários companheiros lá envolvidos e, agora, todos aqueles que se aproximaram para concretizar a sua solidariedade. A imprensa, fazendo o recado ao Estado e aos especuladores que compraram a casa, prepara o terreno para a vingança sobre aqueles que se opõem ao negócio, a todos os negócios. É por isso que nos tentam enxovalhar e que falam sobre ratazanas e outras mentiras; eles não querem, não se atrevem a colocar sobre a mesa os debates concretos e objectivos que La Solidaria lança: a especulação imobiliária, a propriedade privada, a luta por um mundo melhor. Se amanhã tirarem os ocupantes da La Solidaria – se fecharem o centro social que funciona em Cordón há três anos, como biblioteca são muitos mais anos – a imprensa já terá terminado o seu trabalho sujo e estará já tudo preparado para a repressão.

Porque é que são tão perigosos?

La Solidaria não é o local de qualquer grupo ou organização política. É um lugar onde funciona a auto-organização social baseada, conscientemente, em princípios opostos ao valor do dinheiro e ao do seu mundo. Sabemos o que não queremos e sobretudo sabemos o que queremos e o que estamos a levar a cabo. O capital e o Estado criam relações baseadas na competição, dependência e consumo, opomos-lhes relações baseadas na reciprocidade e na solidariedade. Na Solidaria a competição converte-se em apoio mútuo, a vida toma sentido quando cada um/a trabalha por si e pelxs outrxs e o dinheiro converte-se num papel sem importância. Cada companheirx concorda com isto de forma livre e, em seguida, tanto é responsável ​​perante si próprix como perante xs outrxs pelo que realiza. Não há necessidade de sonhar com um mundo novo, vivemos-lo enquanto lutamos. Enquanto o Estado propõe às pessoas que fiquem adormecidas com todas as drogas possíveis, tal como com a televisão, o confinamento e o consumo de tudo o que não é necessário, nós propomos-nos começar a falar sobre as coisas que  queremos e realmente precisamos. E o mais importante – enquanto a recuperação do capital passa, cada vez mais, por cada um/a acreditar que decide coisas que não decide – mostramos que é possível ter a capacidade de decidir e encarregar-se disso. É isso que temos sempre feito.

Alguma coisa está errada e todxs sabemos disso

Enquanto os que vivem no medo, ou os que o geram, santificam a propriedade privada e o domínio, nós pertencemos a um mundo que, com actos, nega a necessidade da exploração e das hierarquias. Estamos orgulhosxs de não olhar para o outro lado, de nos implicarmos e de não tentarmos ter apenas um discurso bonito, antes o levando à prática. A luta a que pertencemos não começou nem terminará em nós, pelo contrário, faz parte de uma longa luta pela liberdade que tem sido travada em todos os tempos. Queremos banir de vez todas essas  hierarquias que colocaram o homem acima da mulher ou o humano acima da natureza. As empresas necessitam da concorrência, da guerra, da exploração e do consumo desenfreado, as pessoas não. Sabíamos desde o início que um lugar como o nosso – onde todas as actividades são gratuitas, as decisões são tomadas em conjunto e a lei é substituída pelo livre acordo – se torna um perigo para os defensores da ordem existente. Alguma coisa está errada e todos o sabemos, a natureza ameaçada, a vida desprezada e a exploração defendida como nunca pelos acomodados tem de parar.  A diferença entre nós e outras pessoas preocupadas é que nós pomos em prática soluções, é que lutamos contra o que está mal.

Quem deve decidir.

Agora falaram sobre a legitimidade dos proprietários, dos que lá puseram dinheiro, de ter a nossa casa, de nos tirarem de lá para continuar o negócio da especulação imobiliária, de continuarem a arrastar as pessoas para fora do bairro para que o negócio se mantenha. Mas de que legitimidade se fala? São os políticos que devem decidir sobre a nossa casa, os que ganham dinheiro com o que nos roubam, vivendo à nossa custa? Ou serão os empresários os que devem decidir, os mesmos que nos exploram no trabalho e sabem apenas o Evangelho da sua ganância? As nossas formas de auto-organização não são conhecidas deles, são nas nossas assembleias abertas e horizontais que tomamos as nossas decisões. É por tudo isto que milhares de cartazes na rua dizem “Tirem as mãos dos nossos centros sociais” nós não precisamos, nós nunca o fizemos. Nestes dias a palavra solidariedade adquire cada vez mais sentidos. Sabemos que a liberdade é isso, o que está a acontecer não acontecerá nunca à porta dos donos das coisas. A alguma lágrima de uma vizinha, a alguma carta de apoio por baixo da porta, junta-se a força e a coragem de muitos outros vizinhos que vieram para mostrar o seu apoio e dar mais força a uma coisa que já sabíamos: vale a pena lutar. Agora que o lugar está a ficar pequeno para as assembleias e que muitos solidárixs se aproximaram é que nos damos conta de que é possível estar à altura do que os tempos nos exigem. Até ontem, sabíamos que tínhamos muitxs companheirxs, hoje sabemos que temos muitíssimos cúmplices. É impossível evitar sentir regozijo pelas pessoas que se acercaram, e não tem a ver com o seu número, tem a ver com o que podemos aprender com isso: só a liberdade rompe o medo. A solidariedade internacional também nos encheu de alegria, a voz dos compas por todo o mundo só o tem reafirmado. Quando os carcereiros que tinham as crianças trancadas nas piores condições se foram embora e ocupamos a casa para lhe dar vida, uma vizinha imediatamente fez uma denúncia mas alguns anos mais tarde, quando a polícia tentou expulsar-nos, era ela que estava na linha de frente para defender o projecto. Com estes exemplos as palavras tornam-se inúteis. A nossa responsabilidade é a de continuar a lutar por um mundo diferente.

E então…

Querem-nos tirar, mas em substância só conseguiriam fazer-nos mudar de lugar. Os nossos projectos não estão confinados apenas a uma casa, uma casa é apenas um par de paredes, os nossos projectos vão além de todas as paredes. O que somos é imparável porque somos parte do conflito social, porque fazemos parte de projectos maiores para transformar a realidade, acabar com o mundo baseado no dinheiro e criar um mundo baseado na solidariedade e liberdade. As nossas convicções são firmes e as ideias claras. Fortalecemos a auto-organização social, longe de partidos políticos, religiões ou ideologias. Fortalece-nos o orgulho de não baixar a cabeça e de ter um modo de vida oposto ao valor do dinheiro. Assim, eles não podem fazer nada com a gente. Não pedimos permissão para ocupar um lugar vazio nem para questionar a sua sagrada propriedade. Não vamos rogar nada a nenhum poder, não nascemos para obedecer ou levar uma vida triste.

Há três anos ocupamos um lugar vazio e convertemos-lo numa oportunidade para a vida. Mas o que chamamos de vida não é o que pregam políticos ou outros empresários, a vida para nós está relacionada com a capacidade de escolher, desfrutar e responsabilizar-se por o fazer. Queremos tudo e não negociamos nada é por isso mesmo que a La Solidaria é uma ameaça a este mundo.

Assembleia contra o desalojo do centro social autónomo La Solidaria