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[Itália] Para que Junho se torne perigoso

Chamada internacional de mobilização solidária com anarquistas presxs naquela região (em pdf também)

Escrito a partir das reflexões do encontro “De cabeça erguida”

PARA QUE JUNHO SE TORNE PERIGOSO

A repressão do Estado é parte fundamental deste sistema de domínio, sendo simultaneamente a mais abjeta das suas expressões; não surpreende, portanto, que todxs xs que não fossem passíveis de recuperação pelo sistema de poder – as individualidades anárquicas, revolucionárias e rebeldes – tenham sido os seus alvos, em particular e historicamente.

A ação direta foi a resposta encontrada por essas individualidades à repressão sobre elas exercida – seja ela física, psicológica, moral, social ou económica, desencadeada por todos os componentes do poder democrático a que se junta a brutal e indiscriminada violência das suas mãos armadas e da judiciária.

Essa ação direta – sempre dirigida aos responsáveis ​​pela repressão – é realizada tanto pela destruição criativa e libertadora dos locais de domínio como pela sabotagem das suas infraestruturas, para pôr fim, ou pelo menos dificultar, as causas da exploração e opressão de humanos sobre outros – animais humanos ou não humanos – e sobre a terra. Na ótica da libertação total, assistir passivamente à reprodução do domínio é ser cúmplice – é precisamente por isso que continuam de cabeça erguida em rebeldia.

Já como consequência disso, o poder coloca todas as suas estratégias em ação, continuando com os julgamentos e processos contra companheirxs seja pelas suas ações, conflitualidade ou escritos. No próximo mês haverá o julgamento de cassação relativo à chamada operação “Shadow” [Sombra], na qual um certo número de companheirxs são acusadxs, entre outras coisas, de instigação para se cometer um crime, no decorrer da publicação da revista KNO3[1].

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[Prisões italianas] Romper o isolamento! O companheiro anarquista Alfredo Cospito inicia dez dias de greve de fome

Uma breve atualização sobre o prisioneiro anarquista Alfredo Cospito – que iniciou ontem uma greve de fome de dez dias – e a Operação Scripta Manent

Há 15 dias atrás, as investigações sobre a operação Scripta Manent foram fechadas, por isso agora aguarda-se a audiência preliminar, na qual o juiz vai decidir se coloca ou não em julgamento xs companheiros visadxs.

Na terça-feira, 3 de Maio, o companheiro Alfredo Cospito, iniciou uma greve de fome de dez dias contra a censura que lhe foi imposta pelo promotor Sparagna [encarregado da op. “Scripta Manent”], que bloqueia quase toda a sua correspondência (de entrada e de saída).

Em particular, escreve que as cartas enviadas no mês passado por um de nós, da redação da C.N.A, foram todas bloqueadas, 7 de 7.

Nesta carta, já depois da censura ter sido imposta por 3 meses,  há mais de um mês, afirma que a situação ainda se tornou mais pesada que o habitual na altura do encerramento da investigação.

E como sempre nos tem dito, na Rebibbia [prisão de Roma] estão a passar pior.

Conclui a carta com um grito: “Romper o isolamento!

[Alfredo pede a todxs xs companheirxs no exterior para enviarem livros, revistas, cartas e materiais impressos em geral, em protesto e em apoio à sua greve]

Alfredo Cospito:
Via Arginone, 327 – 44122 Ferrara, Itália

italiano via Croce Nera Anarchica l inglês via  325.nostate

[CCF/FAI-FRI] Projeto Nemesis: uma proposta aberta

«Quem fala de guerra, deve ter um plano…»

A autoridade mais insidiosa é a que mantém a promessa de globalidade. É por isso que passamos de uma monarquia para uma democracia e não para a liberdade. A palavra “segurança” é a mais apreciada pela democracia. Quanto mais ouvimos falar sobre “segurança” mais as nossas vidas e a nossa liberdade recuam. Mas, sobretudo, o poder e a democracia contemporâneos empurraram a sociedade  para compromissos e para se submeter quase voluntariamente. A democracia agita-se como uma fábrica transparente que produz relações sociais. Os indivíduos submetem-se à ideologia governamental, às normas sociais e aos comportamentos disciplinados, considerando que o que vivemos hoje (a tirania económica, a chantagem da escravidão assalariada, na ditadura do espectáculo, a segurança tecnológica) é uma inevitável e natural ordem do mundo.

Portanto, mesmo na presença de uma autoridade omnipresente, chefes, funcionários, gerentes e proprietários sempre existirão. Hoje, a visibilidade de quem está no poder é particularmente clara. Políticos, líderes empresariais, proprietários, armadores, editores, jornalistas, juízes e a bófia são as pessoas no poder. O projeto Nemesis visa atacar essas pessoas. Esta é a nossa oportunidade de jogar para que o medo mude de campo. Em vez de se atacar os símbolos impessoais da justiça, acreditamos que é muito importante traduzir os nossos ataques no ambiente pessoal dos nossos inimigos: casas, escritórios, locais de socialização e veículos. Sabemos que para o poder, “ninguém é insubstituível”, mas também sabemos que um golpe em particular a um deles seria o medo instilado em cem outros. Criamos um legado de medo para as pessoas de sua espécie assim como para as susceptíveis de as substituir. Este é o contrapeso mínimo que podemos trazer o equilíbrio do terror em que o inimigo tem todo o controlo. Equilibrando o terror causado pelos assassinatos de trabalhadores pelos seus patrões, os disparos acidentais pela bófia, os milhares de anos de prisão proferidas pelos juízes, as mentiras de jornalistas, as leis e ordens de políticos. Em todos estes casos, o inimigo tem um nome e um endereço.

Ao atacá-los mostra-se que as pessoas como autoridade podem ser vencidas – ao mesmo tempo que, em vez de confinar a insurreição anarquista a conflitos ocasionais com a bófia – podemos fazer da revolução uma componente permanente das nossas vidas. Descobrindo aqueles que se escondem atrás de ordens e decisões que governam nossas vidas, estudando os seus movimentos e rotas e organizando as nossas próprias células ofensivas que responderão aos desafios da autoridade. Não antecipamos um curto-circuito social que conduzirá a mobilizações de massas, mas tornamos-nos os aceleradores da história através de nossas ações, criando o dicotomia ” com a autoridade ou com a liberdade”. Criamos espaços e eras onde a história é escrita pela nossa própria mão e não  percorrendo-a passivamente. O guerrilheiro urbano anarquista é uma forma de olhar a vida directamente nos olhos, de modo a que se forme um autêntico “nós” coletivo. É a construção de um processo anarquista de libertação com coragem, coerência e determinação. As nossas ações não são avaliadas apenas em função dos golpes infligidos ao inimigo, mas também em relação à possibilidade de mudar as nossas próprias vidas.

O projeto Nemesis é uma proposta internacional de se criar uma lista com os nomes de pessoas do poder com o objetivo de as atacar lá, onde se sintam em segurança, nos bastidores … nas suas próprias casas. A explosão da bomba em Atenas, na casa da procuradora distrital do M.P. Georgia Tsatani, foi o primeiro ataque, o primeiro ato do projeto Nemesis. Compartilhamos este projecto com todas as células do FAI-FRI e todos os anarquistas de ação, por todo o mundo, querendo iniciar um diálogo sobre a difusão da luta anarquista. E nós sabemos que o melhor diálogo para a avaliação de uma acção não pode ser outra coisa senão uma nova ação…

Através do projeto Nemesis saudamos todos xs nossxs companheirxs cativxs nas celas da democracia em todo o mundo e que não estão mais ao nosso lado. É especialmente dedicado aos membros do CCF  Olga Economidou, George Polydoros, Gerasimos Tsakalos, Christos Tsakalos, à nossa companheira anarquista Angeliki Spyropoulou e aos companheiros italianos da FAI, Alfredo Cospito e Nicola Gai.

A todxs aquelxs que não enterraram o machado de guerra…

Conspiração de Células de Fogo / FAI-FRI

Voltaremos em breve.

em  francês

Prisão de Ferrara, Itália: Carta do companheiro anarquista Alfredo Cospito sobre a operação Scripta Manent

panteraEste texto foi escrito por Alfredo durante a sua recente greve de fome, começada a 3 de Outubro e terminada a 25 de Outubro, altura em que as autoridades da prisão o libertaram do isolamento.

Valentina, Danilo, Anna, Marco, Sandro, Daniele, Nicola – amigos, irmãos, irmãs, companheirxs que foram detidxs e de novo detidxs.

Deveria narrar a mesma velha história sobre outra fabricação. Em vez disso, desejo falar sobre o motivo pelo qual elxs foram detidxs. Os irmãos e irmãs foram presxs porque atacaram, estavam cansadxs de esperar, ignoraram-se as decisões da maioria e tomaram-se medidas.

Permaneço otimista e animado porque a lógica de ‘1 + 1 = 2′ diz-me que xs companheirxs que atacaram ainda estão livres, são capazes até de atacar novamente.

O poder não reprime aleatoriamente. Hoje quer isolar e aniquilar parte do movimento anarquista, que tão “pequeno” quanto possa ser foi capaz de quebrar as correntes que o amarravam à velha “Anarquia social”.

Um anarquismo social que de uma maneira suicida e compulsiva procura “consenso a todo custo”. Diluindo continuamente as suas aspirações.

Esta visão que “nunca vai além’ é muito conveniente para o poder que, pelo contrário, teme aqueles anarquistas que recusam que o ‘consenso’ amarre as suas mãos, porque acreditam que só fora da ação (não feita de teorias abstractas ou buscando – perseguindo ‘pessoas’) pode nascer a estratégia, o caminho a seguir.

Não quero comentar as “acusações” e as chamadas “evidências”. A única coisa que eu diria é que os irmãos e irmãs da FAI-FRI sempre reivindicaram com as cabeças erguidas, na frente dos porcos da toga preta, os seus próprios méritos, suas próprias ações, assumindo plena responsabilidade, cuspindo nas faces dos porcos , como o mantivemos em Génova.

A minha prioridade principal não é sair da prisão a todo custo, mas sair com a cabeça erguida sem ter renegado nada do que eu era e do que sou.

Eu sairei de forma boa ou de forma ruim, tudo dependerá da minha força, das minhas capacidades, da força de meus irmãos e irmãs lá fora, mas certamente  sairei com a cabeça erguida.

A minha cumplicidade ideal vai para os irmãos da “Cooperativa Artigiana Fuoco ed Affini” – FAI; os irmãos e irmãs da FAI-RAT (Rivolta Anonima Tremenda); os irmãos e irmãs da Narodnaja Volja – FAI, quem quer que sejam, onde quer que estejam.

A minha cumplicidade ideal vai para o anarquismo da práxis, o qual em novas formas está ressurgindo em boa parte do mundo, depois de uma longa hibernação.

Avante sem medo.

O futuro é nosso.

Pensamento e dinamite

Alfredo Cospito

em inglês via insurrectionnews

Itália: Atualizações do caso “Scripta Manent”

teoria-supercordas-838x629Anna Beniamino e Alfredo Cospito em greve de fome

O companheiro anarquista Alfredo Cospito começou uma greve de fome no passado dia 3 de Outubro. Os motivos desta greve de fome são o isolamento em que se encontra após a operação “Scripta Manente uma ação em solidariedade com a CCF, assim como a proibição de contacto com o seu companheiro Nicola Gai.

A companheira Anna Beniamino começou a 10 de Outubro uma greve de fome. Os motivos dessa greve, em sintonia com a do companheiro Alfredo Cospito, são o protesto pelo isolamento no qual todxs xs detidxs na operação “Sripta Manent” se encontram.

Endereços atuais dxs compas detidxs na operação “Scripta Manent”

Alguns dos companheiros foram transferidos. A seguir indicam-se os seus novos endereços:

MARCO BISESTI: Strada Alessandria, 50/A – 15121 San Michele, Alessandria (AL) – Itália

ALESSANDRO MERCOGLIANO: Strada Alessandria, 50/A – 15121 San Michele, Alessandria (AL) – Itália

ANNA BENIAMINO: Via Aspromonte, 100  –  04100 – Latina LT – Itália

DANILO EMILIANO CREMONESE:  Str. delle Campore, 32  –  05100 Terni TR – Itália

VALENTINA SPEZIALE : Via Aspromonte, 100  –  04100 – Latina LT – Itália

ALFREDO E NICOLA ENCONTRAM-SE NA MESMA EM FERRARA, NA AS2.

DANIELE CORTELLI : Str. delle Campore, 32  –  05100 Terni TR-Itália

Reforcemos a nossa afinidade e cumplicidade!

Solidariedade e cumplicidade com Alfredo!

Solidariedade e cumplicidade com Nicola, Sandro, Marco, Anna, Daniele, Danilo e Valentina!

Acabemos com o isolamento, que cada dia do seu isolamento faça explodir mil ações neste mundo!

Nada acaba, tudo continua…

[Projeto Nemesis, 1º acto] CCF reivindica ataque à bomba contra casa da procuradora M.P. Georgia Tsatani (Atenas – 10/2016)

ccfwolvesPROJETO NEMESIS
PRIMEIRO ATO

Reivindicamos a responsabilidade pelo ataque [12 de Outubro de 2016] à casa da procuradora distrital do Ministério Público, Georgia Tsatani, situada na rua Ippokratous, ao lado do departamento de polícia de Exarhia, no centro de Atenas.

Sabíamos que G. Tsatani tinha uma escolta policial e era um alvo bem guardado mas isso não nos impediu de realizar o ataque.

Optámos por uma ação simbólica – único propósito era apenas causar danos materiais – mas a Conspiração das Células de Fogo não se limitará a isso no futuro…

Existem duas ordens de razão para se ter escolhido em particular esta procuradora distrital.

A primeira prende-se com o facto de G. Tsatani ser um membro da rede para-judicial cujo actividade passa por colocar fora de vista os ficheiros que incidem nos interesses da máfia empresarial e de políticos (com o fim de tirar proveito disso, obviamente). É pois a vanguarda judicial dos seus mestres.

O ponto alto da sua maculada carreira é o caso Vgenopoulos, tendo G. Tsatani encerrado o caso, ajudando-o a ser descartado de uma condenação certa. A  venalidade que teve com o empresário Vgenopoulos foi bombeada até si através de invisível conta para-judicial. Estas imperceptíveis cortesias de homens de negócios podem até construir as moradias dos magistrados, em troca da sua “justiça”.

Outra amostra do estilo de escrita desta procuradora distrital, mantida diligentemente em segredo pelos medias, é o caso Meimarakis, relacionado com o equipamento e os subornos de Vagelis Meimarakis, sendo a única a assumir o arquivo do caso – o ex-ministro da defesa nacional volta nessa altura, tendo ela feito questão de se “esquecer” de enviar para o parlamento os ficheiros – claramente com vista à sua cobertura. Em troca desta conciliação dá-se a colocação da filha e do marido de Tsatani como candidatos a ministros da Nova Democracia na presidência Meimarakis.

Georgia Tsatani esteve envolvida no caso Vatopedi, deixando bem claro e uma vez mais a mafiosa cooperação Igreja -Justiça, bem como em muitos outros famosos casos nos quais se “iria cortar” a fim de esconder e proteger os interesses de autoridade.

A segunda ordem de razões para se escolher como alvo de ataque a procuradora distrital Georgia Tsatsani prende-se com a sua participação na sujeição judicial dxs parentes dxs nossxs companheirxs.

A obsessão de vingança dos juízes contra as famílias dxs nossxs companheirxs foi uma escolha que todos os juízes envolvidos serão convidados a pagar e com grande custo. Temos recordações e acima de tudo paciência, persistência e diligência …

Dedicamos esta ação aos/à membrxs detidxs da C.C.F, Gerasimos Tsakalos, Christos Tsakalos, Giorgos Polydoros e Olga Economidou.

Enviamos a nossa solidariedade à companheira anarquista Angeliki Spyropoulou, bem como a todxs xs presxs políticxs irredutíveis que se encontram nas celas da democracia grega e também para os companheiros italianos Alfredo Cospito, Nicola Gai e anarquistas perseguidxs em Itália no âmbito da operação “Scripta Manent” ” contra a F.A.I.

Em breve seguirá a versão completa desta proclamação, bem como a nossa proposta para o projecto “Nemesis”.

Voltaremos…

Conspiração de Células de Fogo / F.A.I.

em inglês / grego, italiano, alemão

Itália: Duas antenas repetidoras da Wind/Ericson queimadas em Valsavignone

Mas que calor que está!

A 13 de Setembro, na localidade de Valsavignone, queimámos duas antenas repetidoras da Wind/Ericson.

Uma resposta mínima ao RECENTE ENCARCERAMENTO DXS NOSSXS COMPAS Anna, Vale, Alfredo, Nicola, Danilo, Daniele, Divo, Marco e Sandro.

Que cada golpe que recebamos do inimigo seja um retorno de chama infligida contra ele: a sua cara está em todo o lado… beh, nós também!

Que o nosso dia a dia, com ou sem repressão, seja (também) destrutivo!

Que a solidariedade, quando a repressão nos atinge, seja uma vez mais ataque!
Juramos juramos vingança, Liberdade ou morte!

em espanhol

Itália [Op. Scripta Manent]: Endereços atuais dos anarquistas capturados a 6 de Setembro

f-a-iA 6 de Setembro de 2016, a secção de Turim da unidade antiterrorista DIGOS  desencadeou uma operação anti-anarquista sob o nome “Scripta Manent” [por escrito é seguro]. Buscas domiciliárias foram levadas a cabo em várias regiões da Itália. Os anarquistas Alfredo Cospito e Nicola Gai, encarcerados desde Setembro de 2012 por tiro na perna a Adinolfi (Célula Olga – FAI / FRI), receberam uma nova notificação de detenção na prisão. Além disso, seis prisões foram realizadas cá fora (cinco no contexto desta operação, uma como resultado de buscas em residência).

Com a Operação Scripta Manent pretende-se atribuir aos/às acusadxs uma série de ações reclamadas pela FAI (Federação Anarquista Informal) em Itália. Por isso, xs companheirxs Marco, Sandrone, Anna, Danilo e Valentina, juntamente com Alfredo e Nicola, são susceptíveis de enfrentar a acusação de “associação subversiva com intenção terrorista”.

A seguir indicam-se os seus endereços para correspondência (que poderão mudar a qualquer momento):

Marco Bisesti
Alessandro Mercogliano
C.R. Rebibbia, Via Raffaele Majetti 70, 00156 Roma, Italia

Anna Beniamino
C.C. Via Aurelia nord km 79,500 n. snc 00053 Civitavecchia, Italia

Emiliano Danilo Cremonese
C.C. Via San Donato 2, 65129 Pescara, Italia

Valentina Speziale
C.C. Via Ettore Ianni 30, 66100 Chieti, Italia

Nicola e Alfredo encontram-se presos na ala AS2 da prisão de Ferrara:

Nicola Gai
Alfredo Cospito

C.C. Via dell’Arginone 327, 44122 Ferrara, Italia

Daniele, um editor da Croce Nera Anarchica [Cruz Negra Anárquica] foi capturado no mesmo dia, no âmbito de outra ação de detenção, após a polícia ter encontrado algumas baterias e um manual do eletricista no seu apartamento. Deverá deverá enfrentar acusações de “posse de materiais para a fabricação de dispositivos explosivos”.

O companheiro poderá ser contactado através da seguinte morada:

Daniele Cortelli
C.C. Regina Coeli, Via della Lungara 29, 00165 Roma, Italia

Fontes: Italiano: Informa-azione & CNA; Inglês: ActForFreedomNow

Barcelona: Ações por um Dezembro Negro das individualidades pela Dispersão do Caos – FAI/FRI

Após as últimas operações policiais contra o meio anarquista, muito se disse e se escreveu – sendo na sua grande maioria uma queixa ou uma “condenação” à repressão por parte do poder – tanto em comunicados como nas opiniões.  Tendo em conta a última operação repressiva e as reacções que se seguiram, consideramos importante dar a nossa perspectiva sobre os acontecimentos

Começando pela visão de que a repressão, que se tem vindo a abater sobre nós, é a resposta lógica do Estado aqueles que consideram (ou o Estado mesmo considera) como os seus/suas inimigxs – não entendemos os comunicados em que de uma ponta à outra se descrevem como vítimas (e, claro, com as palavras mais apropriadas) se roga ao Estado que deixe de lançar as suas hordas policiais de forma “indiscriminada” contra xs anarquistas. Que a repressão é injustificada, supostamente usa-se e abusa-se do termo “montagem”, que não fazemos nada de mal…que nos atacam por “pensar diferente”… tenta-se dar uma imagem de “normalidade” e, por todos os meios, que esta imagem pública seja o mais limpa ou socialmente aceitável. Faz-se o possível para se distanciar de discursos ou práticas violentas, caindo assim no jogo de poder, usando a mesma linguagem, fazendo distinções entre anarquistas “bons/boas” e “maus/más” fomentando deste modo a mesma criminalização.

Chegados a este ponto, entre estxs “anarquistas” há quem não tenha tido vergonha de conceder entrevistas aos meios de comunicação dando uma imagem lamentável e, o que é pior, situando-se como porta-vozes do “movimento anarquista” (e já de passagem por todos os movimentos sociais) estxs aspirantes a políticxs e guias de massas tentam fazer todo o possível para afastar o anarquismo de seu carácter subversivo e de confronto, pintando-o como um simples movimento de activismo social, vazio de todo o discurso e prática de confronto com o poder e a ordem existente.

Por outro lado há os discursos dos que falam continuamente sobre o terrível que é a repressão, que todxs estamos controladíssimxs, que não se pode fazer nada… estas atitudes não fazem mais que difundir o pânico e a paranóia colectiva e por trás destes discursos e atitudes estão aquelxs que escondendo o seu imobilismo usam, como pretexto, a omnipresença da repressão, os seguimentos, os clássico  “a mim têm-me fichadíssimx”…etc, etc. Não estar disposto a assumir as coisas é uma decisão pessoal, mas esconder-se atrás de um medo descontrolado – e em muitos casos infundado – e dedicar-se a espalhar esse sentimento derrotista é perigoso é contraproducente. Isso não quer dizer que uns/umas sejam “bravxs” e xs outrxs “cobardes”, é totalmente normal ter medo das detenções nas delegacias de polícia, das prisões, dos espancamentos, das torturas e assassinatos realizados pela bófia ou pelos carcereiros …

No entanto, dar rédea solta ao medo permite o pânico e a paranóia – que por sua dá lugar aos discursos derrotistas que atraem a passividade e o imobilismo e ao é melhor “portar-se bem” tanto para si mesmx como para com o resto dxs companheirxs para não se acabar por ser o alvo de investigações policiais.

Como nota final sobre este assunto apenas dizer que, ainda que o Estado não tenha mostrado mais que a ponta do iceberg, isto não é nada comparado com o que poderia ter sido solto e, de fato, basta olhar para a repressão que se exerce actualmente noutras partes do mundo (e não é preciso ir muito longe) ou na própria Espanha há algumas décadas.

Deve ficar claro que, a partir do momento em que nos posicionemos como anarquistas, passamos a viver em risco permanente e com possibilidade de sermos atingidxs pela engrenagem repressiva – ainda que à margem das nossas práticas, pois como já se viu, há ocasiões nas quais a dita máquina repressiva procura acima de tudo provocar medo entre o inimigo, levando à frente qualquer um/a em vez de dar golpes certeiros – aos olhos do poder qualquer um de nós pode ser um objectivo.

Não obstante o desencadear das operações policiais, encarceramentos e  difamações levadas a cabo (e do está por vir) o poder sabe que permanecemos, como sempre, indivíduxs aos quais não nos podem controlar nem assustar por mais que tentem – não poderão acabar com as nossas ânsias de destruir todo aquilo que nos oprime. Enche-nos de alegria comprovar que, apesar de todo o transcrito, não conseguiram deter a ofensiva contra o existente, há sempre continue sem ceder ao medo e à submissão social, passando ao ataque permanente. A acção multiforme anarquista continuou espalhando-se pelos diversos bairros, cidades e vilas em forma de publicações e textos combativos, cartazes, pintadas, faixas, sabotagem, incêndios e explosivos, cortes de ruas com barricadas com barricadas, confrontos, ataques a edifícios do poder e distúrbios durante manifestações…

Ainda que a tendência em Espanha tem sido para a não reivindicação das ações, pelo que muitas delas ficam mudas ou são silenciadas, sabemos bem que tudo isto tem vindo a ser sucedido em maior ou menor grau. A violência minoritária sempre continuou e continuará e, sim, falamos de violência, sem tabus ou complexos, pois estamos convencidos de que o poder não cairá por si nem nenhum messias cairá do céu com a solução debaixo do braço.

Não usamos palavras como “auto-defesa” ou “contra-violência” ou não falamos de violência anarquista apenas quando haja um contexto de levantamento de massas porque resulta mais aceitável. Temos comprovado que, apesar de tudo, a prática insurrecional e o ataque continua a ser possível, a polícia não pode estar em toda a parte, nem nos espiar ou controlar a todxs: um pouco de senso comum, uma boa planificação e vontade são mais do que suficientes para se comprovar que a imagem de um mundo controlado e pacificado não passa de uma ilusão e quebrar esta ilusão de tranquilidade está nas nossas mãos.

Porque frente aos ataques do poder e à miséria de alguns/mas “anarquistas” que só se preocupam em darem ares de bons/as jovens inocentes perante a sociedade, e salvar-se a si mesmxs, nós armamos os nossos desejos e paixões, passamos ao ataque. Frente às massas e à sua passividade apenas oferecemos a nossa agressividade, não esperamos nada deles e lançamos-nos em pleno à revolta anárquica permanente.

Somos xs revoltosxs que decidiram seguir de pé e assumir o risco por nos atrevermos a viver a anarquia aqui e agora.

Para nós, as palavras sem actos são palavras mortas, por isso aproveitamos este comunicado para reivindicar as siguintes ações em diferentes zonas de Barcelona:

O incêndio de vários veículos de diferentes empresas privadas oo estatais, a maioria deles de empresas de segurança.

Ataques a sucursais bancárias mediante la rotura dos vidros e do caixa eletrónico com martelos, pedras e tinta ou incêndio do mesmo.

Incêndio de contentores e destruição de diverso mobiliário urbano.

Através deste comunicado queremos saudar afectivamente xs nossxs presxs, especialmente Monica e Francisco que lestão há mais de dois anos em prisão preventiva sem baixar a cabeça, xs compas Nicola e Alfredo, xs compas do CCF e xs compas atualmente prisioneirxs no Chile, assim como todxs xs compas presxs em qualquer parte do mundo, tal como saudamos xs nossxs e recordamos xs que tombaram e a todxs aquelxs que dia a dia continuam a apostar no conflito e na insurreição permanente em todo o lado, fazendo da anarquia uma ameaço, de novo.

Por um Dezembro Negro em todo o lado!

Pela Internacional Negra de anarquistas da praxis!

Pela extensão do Caos e da Anarquia!

Nada acaba, a guerra continua…

Individualidades pela Dispersão do Caos – FAI/FRI

Nota: Desenho realizado no Chile por um compa em prisão preventiva, acusado na montagem “Caso Bombas”, há anos atrás.

Itália: Concentração junto à prisão de Ferrara – 25/01

Contra a prisão como instituição repressiva e modelo social.
Solidariedade a todxs xs companheirxs presxs.

A prisão sempre foi um verdadeiro laboratório para o Poder construir e experimentar modelos de controlo social. O paradigma arquitectónico e disciplinar das Escolas, fábricas e hospitais passa pelas prisões. A intenção sempre foi a de acumular corpos, prerrogativa indispensável à de acumular capital. Isto implica um controlo e uma repressão exercidos continuamente a diversos níveis e que evoluíram com o tempo. Entre as últimas evoluções da tecnologia coerciva podemos recordar a reforma da diferenciação prisional – da qual a região de Emilia Romaña é promotora – e a extensão do 41bis (delito associativo, antes só para mafiosos) também a presxs políticxs. Por um lado, constrói-se uma perigosa “zoologia do delinquente”, onde se encerra a parte da população que não é compatível com a “norma”, considerada mais importante que o indivíduo. Por outro lado, trata-se de uma intensificação da repressão sobre todas as forças reais de mudança social- a lutar contra a exploração do homem pelo homem- e sobre o planeta. Se antes a prisão criminalizava a luta política, agora converte-a em terrorismo. Ser etiquetadx como terrorista nunca foi tão fácil.

A “prisão dura” de Ferrara, onde se encontram encerrados compas anarquistas sob o regime de Alta Segurança2, representa um dos emblemas desta lógica repressiva e punitiva. Consideramos necessário assinalar e denunciar a máquina do Estado, reguladora e opressora. Também consideramos necessário expressar a nossa mais calorosa solidariedade com os companheiros Michele Fabiani, Adriano Antonacci, Francesco Sala, Graziano Mazzareli, Lucio Alberti, Nicola Gai e Alfredo Cospito. Tem sentido mencionar aqui que precisamente nestes dias, os compas lutaram (e ganharam) contra as novas restrições à hora de pátio e à sociabilidade, decididas pelos carcereiros de Ferrara.

A nossa solidariedade vai também para xs compas processadxs – relacionando-xs às sabotagens de Dezembro na linha de alta velocidade – em Bolonha. Lutamos também contra todas as formas de denúncia e infâmia, inevitáveis acompanhantes da repressão do Poder.

25 de Janeiro, às 15:30 horas: concentração junto à prisão de Ferrara (estrada Arginone).

fonte informa-azione

espanhol

[Prisões italianas] Tudo o resto é aborrecido. Notas soltas sobre ação direta

1Pensei em escrever estas notas, porque me parece que ultimamente, até mesmo entre nós anarquistas, se está a falar muito pouco da ação direta (e, infelizmente, a ser praticada pouco…), privilegiando-se as tentativas de encontro com as “massas” mais ou menos indignadas. Decidi fazê-lo na Cruz Negra, porque espero que esta possa converter-se num espaço de debate entre aquelxs que consideram a ação como o centro do seu caminho de luta. Espero, sinceramente, que a Cruz Negra se converta não na reunião das más sortes carcerárias mas sim no lugar onde se pode retirar informação e aprofundar sem meias palavras – a partir de diferentes pontos de vista e sobre questões que são consideradas úteis – para dar mais contundência à luta contra a autoridade. De fato, a ação direta é algo para agir e não para pontificar mas estou convencido de que esclarecer o que cada um de nós  realmente entende quando usa essa palavra pode ajudar a aguçar armas para isso atacar.

Para abordar a questão, sem me perder em torções inúteis de palavras, quero  esclarecer primeiro o que, para mim, não é a ação direta.

Concentrações, distribuição de folhetos, manifestações “determinadas e de comunicação”, tartes (pinturas, cuspidelas, etc) na face do infame de turno, ovos com cores e todo esse tipo de coisas não podem ser consideradas ação direta. Estou ciente de que uma lista deste estilo atrairá até mim as setas dxs que sustêm que todos os meios têm a mesma dignidade na luta, o meu discurso poderá parecer superficial, “militarista”, impregnado de uma óptica de eficácia e blá blá blá … Mas ninguém, honestamente, pode negar que neste momento ao fazer essas coisas se está a mimar a luta, renunciando-se a vivê-la realmente.

Estou convencido de que se está a afrontar de ânimo leve a luta, com um sorriso nos lábios: não se trata só de um jogo, mas nada mais sério há do que um jogo onde as apostas são representadas pela qualidade de nossas vidas e da nossa liberdade. Ninguém pode negar que a correspondência entre o pensamento e a ação deveria ser a característica fundamental de ser anarquista. Se pensarmos que a destruição deste mundo é necessária, então temos de agir em consequência, não podemos recorrer a truques baratos, simpáticos e inofensivos, para silenciar a luta, enganando as nossas consciências famintas de liberdade. Devemos ter a coragem de afirmar que a ação direta ou é destrutiva ou não é ação direta. Os muros que nos aprisionam não cairão por si, mas sim só se investidos forem pela onda de choque da nossa raiva. É inútil que a lista de turno nos recorde que a insurreição não é o resultado da soma aritmética dos ataques realizados por anarquistas, estou a falar de outra coisa. A nossa vida é demasiado curta para nos permitirmos desgastá-la com centenas de acontecimentos para despertar as massas adormecidas, para que estas se apresentem pontuais à citação no dia mágico: só quando atacamos concretamente o existente conseguimos arrancar pedaços de liberdade – mesmo que apenas por alguns momentos – libertando-nos das amarras impostas pela vida quotidiana e pela lei.

A nossa luta deve ser violenta, sem compromissos, sem possibilidade de mediações ou vacilações: a ação direta destrutiva, o único meio que deveríamos usar para nos relacionarmos com quem nos oprime. Mas as coisas, como sempre acontece na realidade, são um pouco mais complicadas, infelizmente a ação só por si não constituirá a panacéia para todos os males do nosso movimento. Ainda que esteja absolutamente convencido de que nenhum ato de revolta é inútil ou prejudicial, entendo ser fundamental questionarmos-nos sobre a projetualidade que as geram e, acima de tudo, sobre o significado que lhe dão aquelxs que as fazem. O próprio ato pode assumir significados muito diferentes, se concebido numa óptica de ataque ou de defesa. Vou tentar explicar com um exemplo prático: no ano passado, em Vale de Susa, assistimos a um aumento positivo das práticas de sabotagem na luta contra o TAV; perfeito, se entre as intenções daquelxs que fizeram tais ações estivesse presente a intenção de afirmar claramente que não está em jogo só impedir a construção de uma linha ferroviária, mas antes a necessidade de atacar e destruir todo o projecto do sistema tecno-industrial que a desenha. Outra coisa é o sentido do que se pode ler em alguns comunicados do movimento NO TAV – ou, o que é ainda mais desconcertante, no n º 5 de Lavanda, hoje desenhada por alguns/algumas companheirxs envolvidxs nesta luta. Tais ações poder-se-iam  interpretar como o último recurso de uma população que já utilizou todos os meios de pressão possíveis (e pacíficos …) sem obter a atenção dxs que xs governam. Estou convencido de que tal interpretação banaliza qualquer aspecto positivo e revolucionário de tais atos; de fato, sugere que, se o poder fosse mais “razoável” se fosse mais aberto ao diálogo, existiria a possibilidade de o “convencer” para mitigar os seus aspectos mais nefastos.

A ação direta só expressa todo o seu potencial de libertação quando é concebida numa óptica de ataque. Nós não golpeamos o inimigo pelo desgosto com o seu último delito, que se tornou insuportável, mas porque queremos ser livres, aqui e agora. Não necessitamos justificações para golpear, não podemos aceitar viver uma vida carente de sentido, como meras engrenagens desse sistema mortal, é simples. Devemos ser nós quem dita os momentos de luta, há todo um mundo para demolir e as chances de derrotar o monstro tecnológico estão a tornar-se cada vez mais pequenas, se em proporção ao seu desenvolvimento.

Quando falamos de ação direta estamos a falar da nossa vida, visto a rejeição que temos ao existente não ser uma moda, mas algo muito mais profundo em que colocamos em jogo toda a nossa existência. Por este motivo, acho realmente irritante quando nos referimos a qualquer ação, dizendo que “era o mínimo que se podia fazer.” Estou convencido de que não há nada que possa ser feito ao mínimo, pelo menos contra o que nos oprime, não podemos nos auto-impor limites de acção, esta deve ser sem restrições tal como a nossa sede de liberdade. Se nos encontramos perante um explorador assassino de uniforme, etc, e se decidimos manchar-lhe o vestuário com pintura, isso não é o mínimo que se podia fazer mas sim o que decidimos fazer. Trata-se de algo ditado por uma série de análises – que não dando mais força à ação ainda a minimizam: “as pessoas não nos entenderiam, não devemos dar um passo a mais que os restantes, é necessário começar por ações pequenas, as que são facilmente reprodutíveis”, etc.

Naturalmente, trata-se de considerações que precisam de um tratamento mais profundo e espero que haja forma de voltar a isto e discuti-lo seriamente, o que hoje queria dizer é que devemos sempre aspirar a fazer o máximo que as nossas habilidades consintam. Quando agimos, devemos fazê-lo essencialmente por nós mesmxs e da maneira mais resoluta possível, não somos distintos daquelxs a que de forma autoritária chamamos ” gente comum”, o que quer que façamos qualquer pessoa o pode reproduzir, desde que alimente o nosso próprio desejo de destruir a autoridade. Não devemos tentar convencer as massas da bondade de nossa tese, mas procurar cúmplices que queiram participar na obra de demolição. Não temos
de ter medo do nosso ódio, mas devemos lançar-nos à ação, conscientes de que o inimigo não hesita nem um segundo na sua guerra contra a liberdade.

Estas notas foram ditadas não tanto pelo desejo de desenvolver qualquer análise teórica inovadora mas mais pelo desejo de tentar compartilhar a ideia da centralidade necessária da prática destrutiva de ação direta na vida de qualquer anarquista revolucionárix. Tudo o que acabou de ser dito seria certamente óbvio se não existissem tantxs companheirxs a consumirem tantxs forças, girando como peões em ativismos a que falta qualquer projetualidade verdadeiramente revolucionária, marcada pelas feridas do assistencialismo e do oportunismo. No entanto, já existem antídotos para tudo isso: organização informal, o nihlismo, o individualismo, a recusa de líderes carismáticos, a recusa do poder extra assembleário, a comunicação através da ação. É preciso voltar a olhar para o que está a acontecer àq volta do mundo, como historicamente sempre têm feito xs anarquistas, inimigxs de todas as fronteiras, e dar-nos-emos conta de como companheirxs de todas as latitudes estão a experimentar novos modos de ação, libertando-nos dos grilhões das lutas sociais para nos lançarmos sem freio ao ataque do existente. Temos de redescobrir a alegria de atuar, parar de nos limitarmos a uma busca ilusória do consentimento popular; sem tantxs … teóricxs, o nosso objetivo deve ser simplesmente destruir o que nos destrói. Libertemo-nos da política, mesmo no seu declínio antagonista; deve ficar claro que não lutamos por um futuro brilhante, mas por um viver, aqui e agora, a anarquia deveria ser em primeiro lugar um ato individual que afectasse a nossa própria vida: devemos conspirar, alimentar cada pequeno fogo que possa incendiar toda a pradaria, atentar com todos os meios contra a ordem, civilizada e tecnológica, que o sistema tenta impor. Nesta luta, devemos utilizar todas as armas que tenhamos à nossa disposição, em primeiro lugar as que não faltam no arsenal de todx x anarquista: a vontade e a ação direta destrutiva.

Fray Nicola Ferrara [Nicola Gai]
Cruz Negra Anarquista, Aperiódico anarquista, nº 0, Abril de 2014 Pág. 2-3

espanhol

Madison, EUA: Ação solidária com Alfredo Cospito e Nicola Gai

L'ordineDurante a noite de 27 de Agosto de 2014, vandalizámos casas e veículos com tinta spray no lado leste de Madison, em solidariedade com Nicola Gai e Alfredo Cospito, os anarquistas italianos que estão a cumprir penas de prisão pelo ataque em 2012 a Roberto Adinolfi, o director geral da Ansaldo Nucleare, uma empresa de energia nuclear italiana.                                                                     

Bristol, Reino Unido: Ataque incendiário à fábrica da multinacional BAE Systems

No contexto da cimeira da NATO em Newport uma célula da Federazione Anarchica Informale (FAI) atacou a fábrica BAE Systems em Filton, Bristol:

Preparámos o nosso ataque contra a fábrica de armamento da BAE Systems na área de Filton em Bristol, pegando fogo ao depósito de combustível, fora do Centro de Tecnologia Avançada (Instalações de Impacto – Secção de Instalações de Impacto Electromagnético de Grande Potência) a 29 de Agosto. Hoje (30.08.2014), anunciamos ter levado a isto a cabo no contexto da conferência da Nato em Newport daqui a cinco dias. Hoje (30.08.2014), anunciamos ter realizado este ataque no contexto da Cimeira da NATO, a realizar-se em Newport, nos próximos 5 dias. O Reino Unido está cheio de estruturas do complexo militar-industrial durante todo o ano e todxs podem tirar daí as suas conclusões.

A BAE Systems é possivelmente a maior das denominadas multinacionais de defesa e ainda o maior empregador industrial no Reino Unido. Alguns dos seus maiores projectos, apenas com as Forças Armadas Britânicas, são os jactos Eurofighter da NATO e os submarinos nucleares.

Desde artilharia e aviões teleguiados aéreos [drones] com sistemas de comunicação especializados, até aos caças-bombardeiros F16 da Força Aérea Israelita e os grilhões usados nos prisioneiros da Baía de Guantánamo, é possível encontrar a BAE Systems por trás da conquista imperialista e da morte ou da miseribilização de milhões em todo o mundo. A empresa tem agora sucursais de informação e investigação criminal, que lidam com matérias como ameaças cibernéticas no sector bancário, sendo contratada pela União Europeia para criar o Sistema de Gerenciamento de Crime Estratégico e Imigração: essencialmente uma base de dados de policiamento internacional. Estão a postos para lucrar gerindo a transição da analítica, desde a análise de locais físicos até a análise de indivíduos e como estes interactuam para vantagem dos que fazem cumprir a lei e das agências de inteligência.

A fábrica que atingimos produz hardware, incluindo o das fragatas navais e veículos de combate, e ali centenas de funcionários do Centro de Tecnologia Avançada desenham armamento de ponta para os mercados globais. Apenas algumas das suas especialidades são:

– Detecção de comportamento anormal & analítica de vídeo
Tecnologia de bio-inspiração
– Micro & nanotecnologia e materiais inteligentes
– Tecnologia para operações secretas & seguras

A BAE Systems está na vanguarda da robótica militar bem como das últimas inovações, como dispositivos de disfarce para tanques e equipamento de protecção pessoal feito a partir de líquido, para tornar a moderna máquina assassina de carne e sangue ainda mais ágil e mortífera. Olhem para os seus veículos blindados terrestres que são autónomos de supervisão humana (como aqueles que patrulham a zona fronteiriça de Israel-Gaza ou Israel-Líbano) ou as minúsculas máquinas de superfície ou submarinas modeladas a partir de insectos para reconhecimento audiovisual para ver um sinal do futuro que eles nos estão a preparar.
A empresa faz referência explícita à época da guerra assimétrica e a passagem do uso dos seus produtos no campo de batalha para o uso dentro da sociedade em grande escala: um fenómeno comum no sector. Um caso que ilustra isto é o do equipamento de visão nocturna de alta potência da BAE Systems, que começa a entrar no mercado das câmaras de vigilância civis para avançar com o projecto de tornar os centros urbanos em prisões abertas e em todo o lado onde for preciso proteger o sistema e os seus bens.

Será preciso escrever mais para demonstrar como o desenvolvimento tecnológico debaixo da civilizada estrutura do Poder nos está a levar para uma paisagem desolada e automatizada de quase total domínio e potencial aniquilação? A hora é tardia e o admirável mundo novo com a procura amplificada pela submissão será o preço pela nossa indiferença.

Atacamos-lhes ali onde pensavam que era terreno seguro, assim foi como decidimos pagar a BAE Systems com a mesma moeda pelo negócio que escolheu. Através do ataque estamos com aquelxs encarceradxs pelos seus próprios caminhos em direcção à anarquia:

Gianluca Iacovacci e Adriano Antonacci
Marco Camenisch
Nicola Gai e Alfredo Cospito

Os actos destrutivos irão multiplicar-se, por cada ano que passem lá dentro. Honra também aos e às lutadorxs dos dias passados que andaram armadxs contra o domínio no seu tempo.

FAI “Sacco & Vanzetti” Círculo de Propaganda pela Vida & pelo Facto

Génova, Itália: Voltam a ser confirmadas as condenações para Alfredo Cospito e Nicola Gai

Génova, 11 de Julho

O tribunal de apelação confirmou integralmente a condenação do primeiro grau, com rito abreviado, pelas lesões ao Administrador Delegado da Ansaldo Nucleare, Roberto Adinolfi: 10 anos e 8 meses a Alfredo e 9 anos e 4 meses para Nicola. No primeiro grau (são 3) os companheiros tinham reivindicado, na sala de audiências, a ação e a sua pertença como únicos componentes do núcleo Olga FAI/FRI. Na apelação, recusaram-se a assistir à farsa processual por videoconferência.

[Prisões italianas] Quebrar o isolamento

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Com dificuldade, as nossas palavras saem sem censura das quatro paredes desta prisão. Ainda assim, por vezes, consegue-se romper o isolamento. Aproveitamos esta ocasião para dar a nossa opinião sobre o projecto da nova Cruz Negra, projecto nascido aqui, entre uma hora de pátio e outra.

Muitas vezes, nos últimos anos, cedeu-se à choraminguisse, à vitimização filha da espera; espera pela concentração de turno, da palavra de ordem dita em coro, todos sucedâneos insuficientes da ação destrutiva. Em contrapartida, desde os primeiros dias do nosso encarceramento, estamos cheios de optimismo, um sentimento não só nosso, mas compartilhado com alguns dos nossos companheiros de prisão. Optimismo concreto, feito de diferentes perspectivas que, juntas, na diversidade, conseguirão derrotar esse “realismo”, essa constante, estéril, insuportável tendência do “social” que tantas tem enfraquecido. O medo obsessivo de realizar uma ação demasiado “violenta” por temor a que o rebanho escape. Estou certo de que o novo projecto editorial da Cruz Negra terá êxito entre xs distintxs companheirxs dedicadxs à ação, ao ataque destrutivo.

Há vários anos que, alguns de nós, sentimos a necessidade de um lugar, um espaço físico, um jornal em que as diferentes perspectivas e visões do anarquismo de ação se possam comparar, sem dogmas, cada uma com as suas próprias dúvidas e certezas. A Cruz Negra deveria ser esse lugar. A minha posição e a de Nicola em Génova foram claras. Eu afirmei claramente que creio na eficácia do projecto informal da FAI-FRI, que é somente um dos diversos elementos da mais ampla Internacional Negra. Estou convencido de que as ações para comunicar e difundir devem ser acompanhadas de uma mensagem, uma reivindicação, e que seja precisamente esta comunicação entre grupos, através das reivindicações, a assim chamada organização informal, com a qual muitos enchem a boca reduzindo-a a uma abstracção complicada. Só assim se pode saltar a assembleia decisiva e retirar “poder” aos distintos líderes/apaga-fogos anarquistas.

Esta é apenas a minha convicção, uma das visões que, espero, se possa contrastar e, porque não, confrontar-se nas páginas da Cruz Negra. Um ginásio teórico que, espero, com o tempo consiga desfazer-se da carga, já insustentável, de uma visão social e santimonial que está a transformar muitos anarquistas em sacerdotes laicos sempre atrás do último santo caso. Como peões militantes, se rebate de uma “luta” a outra, sem serem realmente incisivos, sem nunca serem suficientemente violentos. Em poucas palavras, eu e Nicola queríamos um periódico feito pelxs companheirxs que – embora tendo projectos totalmente diferentes dos nossos – não se limitem a cortejar os “perdedores” do momento, sejam os habituais presos ou os imigrantes, porque tal atitude política gera paternalismo, situando-nos por cima das “categorias” que defendemos e transformando-nos, de facto, em vanguarda. Companheirxs com diferentes perspectivas, mas unidos por uma certeza que, segundo nós, deveria ser indispensável para aderir a este projecto editorial, a certeza de que as palavras estão vazias se não vão acompanhadas de factos, e os factos são unicamente as ações de ataque destrutivo. O resto é política e mete-nos nojo.

Alfredo Cospito
Cruz Negra Anarquista, Aperiódico anarquista, nº 0, Abril de 2014. pág. 1

Itália: Atualizações sobre a censura na prisão AS2 de Ferrara

three28 Janeiro 2014 – Continua a censura e a apreensão arbitrária da correspondência e da imprensa anarquista, à entrada e saída da secção de Alta Segurança de Ferrara: cartas e atualizações informativas  impressas dos blogs e sites anarquistas do movimento entregues com semanas de atraso, imprensa anarquista de expressão inglesa retida e mantida assim há dois meses, a correspondência com algumxs companheirxs de prisão no exterior está bloqueada.

Recorda-se que, na seção AS2 de Ferrara, estão encerrados apenas três anarquistas [Adriano Antonacci, Nicola Gai e Alfredo Cospito] os quais não têm nenhuma possibilidade de contato com o resto dos prisioneiros; tudo isso contribui para criar obstáculos mas, de facto, impede qualquer intervenção ativa nas discussões sobre o que se passa nas ruas, já que as notícias chegam tarde e a conta-gotas.

Alfredo, em particular,  pediu para fazer presente a situação (o último episódio – recebeu notícia na semana passada da administração da prisão – retenção da carta / entrevista dirigida axs companheirxs presxs na Grécia, da CCF, há dois meses e nunca saída dos muros da prisão) e reafirma a solidariedade e proximidade com xs que continuam a atuar em Itália e fora dela, e axs companheirxs prisioneirxs , em particular à companheira Tamara Vergara Sol, sequestrada pelo estado chileno por ter atacado um vigilante do BancoEstado,em solidariedade com Sebastian Oversluij, anarquista assassinado há pouco tempo no Chile durante uma expropriação.

Para escrever aos companheiros:

Alfredo Cospito – Nicola Gai
C.C. Ferrara, Via Arginone 327, 44122 Ferrara (Itália)

Para mais informações : nidieunimaitres@gmail.com

Uma visão do futuro: Quando todos os Roberto Adinolfi caminharem de muletas

Texto do anarquista Sean Swain, preso nos EUA:

Voltando a Maio de 2012, Roberto Adinolfi dirigia a Ansaldo Nucleare – que constrói centrais nucleares em toda a Europa, incluindo uma em Kroko, Eslovénia, e outra em Cernadova, na Roménia. Adinolfi tem poder, dinheiro, prestígio e influência. Para ele, os sofrimentos e as mortes de Fukushima, Japão, não foram nem de longe tão reais como o seu espaçoso e climatizado escritório, a sua luxuosa casa de Génova ou a sua roupa cara.

Às vezes devem quebrar-se alguns ovos para fazer uma omelete. Para além disso, nenhuma das suas armadilhas de morte tinha derretido ainda.

Ainda. Palavra chave. Ainda.

Roberto Adinolfi com o seu poder, dinheiro, prestígio e influência nem notou que um veículo o seguiu até casa. Acreditou arrogantemente que passaria a sua carreira inteira amontoando dinheiro às pazadas, fazendo rodar o dado radioativo e jogando com milhões de vidas aheias, nunca tendo de dar conta a ninguém em qualquer dos casos.
Assim, na manhã de 7 de Maio, Adinolfi saíu da sua luxuosa habitação em Génova, dirigindo-se ao seu amplo escritório com ar condicionado quando um projétil anarquista o deixou coxo. Perdeu sangre e gritou.

A sua roupa cara estragou-se.

Alfredo Cospito e Nicola Gai assumiram este serviço público humanitário de enviar uma mensagem clara a Adinolfi da parte de milhões de futuras vítimas do seu holocausto nuclear. Não receberam prémios ou elogios, somente 10 anos e 8 meses e 9 anos e 4 meses, respetivamente, de prisão.

Parece claro que o governo italiano considera mais importante a roupa manchada de Adinolfi que os milhões de vítimas que estremecem sob a sombra do pesadelo nuclear. Perante a sua larga experiência como hierarcas delirantes, isto provavelmente não soará estranho.

Os inspiradores e impenitentes comunicados de Alfredo Cospito e de Nicola Gai encontram-se, en inglês, em Act For Freedom Now. A 30 de Outubro, quando Cospito tentou ler o mesmo comunicado na sala, os juízes interromperam-no e depois, mediante a intervenção da polícia, expulsaram os dois anarquistas da sala de audiências.

Atendendo a todos os relatos publicados, a direção da casa do juíz é ainda desconhecida…O juíz não parece caminhar claudicando.

Os agentes do tribunal Nicola Piacente e Silvio Franz, que defenderam durante muito tempo Adinolfi, tendo conseguido um milhão de euros como danos (para pagar sem dúvida a roupa de Adinolfi) também parecem caminhar despreocupados e com andares simétricos. Estes funcionários claramente ainda não receberam um projétil nas rótulas.

Ainda. Palavra chave. Ainda.

Para além da real, penetrante, ferida justiça, isto é óbvio, há um tipo de justiça poética em tudo isto. Não são só os pobres e os impotentes que despertam com medo em cada dia – nunca mais. Assim como as pessoas que temem ouvir a sirene da fábrica próxima, os funcionários em Itália igualmente reterão a respiração quando saírem das suas casas  e se dirigirem ao local onde diariamente cometem a sua dose de atrocidade mundana.

Quando os carros dos bombeiros fazem barulho próximo, mijam-se um pouco e aceleram, derramando o seu café.  Nesse momento de pânico e terror, um vislumbre do futuro pode ser antevisto, uma visão em que os executivos e legisladores, banqueiros e magnatas do petróleo, conselheiros militares e chefes de estado, mancando cima a baixo, apoiados em bengalas ou balançando nas suas muletas, sorriem e cumprimentam-se uns aos outros quando passam, mas os sorrisos são terríveis e os olhos desesperados.

Suspeito que esse momento lhes parece muito real, e estremecem quando contemplam esses disparos bem dirigidos, expressamente não letais …porque os atiradores desejam-los vivos.

Se os matares, não vão entender nada.

Há parques de estacionamento em todo o mundo, pelos quais tantos miseráveis e infames Adinolfi passam para ir para casa depois de terem passado um dia de trabalho assassinando o futuro. Falam ao telemóvel com as suas mulheres enquanto mandam mensagens às amantes e planificam as valas comuns que orquestarão para amanhã.

Não fazem nunca caso dos carros atrás deles. Nunca adiam nada.

Quantos Alfredo Cospito e Nicola Gai poderiam haver?

Quantos, a sério.

Sean Swain 243205
Ohio State Penitentiary
878 Coitsville-Hubbard Road
Youngstown, Ohio 44505, USA

fonte

Bristol, Reino Unido: Incendiado veículo da EDF Energy

nuclearNa noite de 16 de dezembro, em Bristol, deitamos fogo a uma van da EDF Energy (uma empresa subsidiária no Reino Unido da EDF, eletricidade de França) a maior fornecedora de energia e uma das coproprietárias da central nuclear Hinkley Point, em Somerset. Hinkley é um dos novos e vários projetos nucleares em Inglaterra.

A energia nuclear está em alta. Fornecedores de energia como a EDF continuam a centralizar as fontes e o capital promovendo, a cada novo projeto, as formas de energia perigosas e as precárias. Nas suas tentativas desesperadas de inventar “soluções” para a sua crise de energia (i.e. manter o nível de consumo de energia) apresentam processos como fratura hidráulica, CCS (captura e armazenamento de carbono) e muitos outros como alternativas “verdes” às formas mais tradicionais de combustível.  As empresas de energia estão interessadas somente em obter lucros a curto prazo.

Eles não têm soluções para os problemas ligados às novas formas de energia instável.  A nuclear é um dos exemplos mais salientes deste tipo de energia.  A extração de urânio para a produção nuclear constitue uma destrutiva e incessante corrida às últimas reservas remanescentes. As comunidades indígenas que  ainda permanecem nessas terras são habitualmente as que sofrem o impacto disso (como as Dinah, San e Mirrar).

A arrogante obsessão dos donos e das chefias das empresas da energia nuclear com o crescimento e lucro já nos condenou a todxs a 100.000 anos de lixo tóxico.  A efeitos radioativos no DNA de cada ser vivente. Embora os inevitáveis desastres à larga escala – como o de Fuckushima – sejam manchete por um curto período de tempo, os vazamentos contínuos de baixa nível nas centrais – como na de Sellafield, no leste de Inglaterra – passam despercebidos.

A energia nuclear “civil” é indissociável da energia nuclear com fins militares, uma constantemente a esconder o desenvolvimento da outra.  Os resíduos radiotivos das instalações civis são reprocessados em armas militares (com plutônio de baixa intensidade).  A dimensão do controle à larga escala, a centralização de recursos e do capital – para além da dependência cega na ciência e tecnologias complexas representadas pela energia nuclear – são a antítese do mundo que desejamos e para o qual lutamos.

Tomamos uma posição em solidariedade com Alfredo Cospito e Nicola Gai, na prisão por dispararem sobre um executivo de alto nível da energia nuclear, ferindo-o, assim como com Marco Camenisch, que também se encontra preso,  por sabotagem industrial.

Célula Mutante

Prisões italianas: Atualização da situação dos anarquistas Nicola Gai e Alfredo Cospito

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A seguir apresenta-se um texto informativo acerca da situação e das condições a que estão submetidos os companheiros Alfredo Cospito e Nicola Gai na secção AS 2 da prisão de Ferrara, divulgado por Radio Azione, onde, na introdução, se faz uma chamada de atenção:

Radio-Azione continuará a atualizar, dando a sua opinião e dando voz axs compas presxs, informando acerca das acções diretas em solidariedade com elxs. Quer gostem disso ou não xs “emproadxs” – que já detiveram um blogue (Culmine) atribuíndo axs compas uma sigla que aqueles jamais reivindicaram – a contra informação nunca se deterá.

A contra informação é uma das peças do puzzle das ideias dxs que a fazem e, aquelas, ao contrário do corpo físico, não se podem deter. Solidariedade com Alfredo, Nicola, Sergio, Adriano, Gianluca, em Itália; com Mónica e Francisco, em Espanha; com xs compas de Luta Revolucionária, com a CCF, com os 4 compas do duplo assalto de Kozani-Velventos, com Spyros Stratoulis, Rami Syrianos, Spyros Mandylas, Andreas Tsavdaridis e com todxs xs compas presxs na Grécia; com xs compas presxs no México, Chile, Bolívia e em todo o mundo. E, também, por fim, com xs fugitivxs e o compa Ilya Romanov, que perdeu uma mão até ao pulso, após a detonação de um dispositivo explosivo que transportava consigo, nas proximidades do Exército russo.

Situação carcerária de Nicola Gai e Alfredo Cospito

A 22 de Novembro, o juíz de instrução de Génova, Giacalone, a pedido da Promotoria, prolongou por mais três a censura da correspondência de Alfredo e Nicola, que entre prolongamento e prolongamento estão já com o correio censurado, na prática, desde o começo da sua detenção.

Cabe aqui recordar que a censura implica – para além do chato carimbo com tinta azul que emporcalha a correspondência com amigxs e companheirxs – um atraso sistemático e a confiscação arbitrária da correspondência, quer se trate de cartas pessoais, textos, folhetos, impressos de Internet, periódicos, etc.

Assim, o problema não é tanto a monitorização contínua de todo o escrito ou dito nas visitas – monitorizadas efetivo e constante, incluso sem ser declarado – mas a falta de comunicação que se gostaria de criar entre dentro e fora.

Este último prolongamento, como de costume, confirma a vingança estatal, preocupada com a solidariedade recibida pelos companheiros.

Segue-se un fragmento do decreto, flagrante exemplo das estratégias repressivas, que serve mais que milhares de reflexões que se possam fazer à margem:

“…sendo relevante para as necesidades da investigação, embora na decisão interlocutória de condenação em julgamento sumário, destinado a identificar potenciais concorrentes nos crimes pelo quais se procede, bem como a necessidade de prevenir delitos do mesmo tipo; sobre isso, deve-se provar que, durante a audiência dos acusados, através de duas cartas obtidas a partir dos registros das atas, reivindicaram a responsabilidade pelo atentado, declarando a sua pertença à FAI-FRI “Núcleo Olga”, sob cujas siglas se realizaram os ferimentos ao diretor-geral da Ansaldo Nucleare; a assunção de responsabilidade por parte dos dois anarquistas obteve várias aprovações na ala mais radical do movimento em favor da ação direta, tendo estimulado debates e a discussão; após a seleção realizada, os dois presos procuram credibilizar-se no movimento anarquista nacional , tal como demonstra a correspondência con […] […] que, entre os gregos da Conspiração de Células de Fogo – da qual Olga Ekonomidou faz parte (a prisioneira à qual se dedicava o atentado); em particular, observou-se uma carta enviada por Cospito a […], dirigida na realidade aos componentes anarquistas da célula encarcerados na Grécia e aos demais membros (tal e como se comprende pela introdução: Queridxs irmãos e irmãs da CCF), o que sugere uma discussão destinada a fortalecer um novo anarquismo de ação, definido como a ‘Nova Anarquia’, no qual se encontram as formas de luta violenta como a reivindicada pelos dois imputados (ver nota da Polícia Digos de Génova 21/11/13 adjunto ao escrito mencionado);

Considera-se, portanto, fundada e justificada a ação de controlo, solicitada pelo Ministério Público, pelo indubitável interesse da medida de controlo de toda a correspondência dirigida ao acusado, e cujo conteúdo, à luz do que já foi constatado, poderia revelar um projeto criminal indefinido compartilhado pelos acusados, através de cartas, correspondência, circulação de informação”.

Aqui assinalam-se 3 envios óbvios e esclarecidos já:

Com um companheiro anarquista encarcerado desde há anos estimado e conhecido – sem fronteiras – pelo enorme e constante trabalho de tradução a nível internacional, para além da sua tensão rebelde nunca domada;

Com um familiar de uma prisioneira anarquista grega, provavelemente titular de um código postal utilizado para se comunicar com o exterior (alegra-nos neste caso recordar que, segundo o ordenamento penitenciário grego, pode-se comunicar através de correio eletrónico e telefone com o exterior, não só com familiares, mas também publicamente, pelo que neste caso o enfoque com os canais informativos exterior/interior é totalmente diferente do regime de comunicações italiano) e também se faz referência a um texto publicado nos canais informativos do movimento, há meses;

Por último, comigo que, para além de fazer visitas, estou a ser investigada, no mesmo processo por 270bis, com Alfredo e Nicola…e também neste caso deveria ser supérfulo reiterar que sendo anarquistas…às vezes escreve-se da anarquia!.

O que se disse atrás serve para renovar o já dito muitas vezes, as atualizações na dinâmica da repressão – de qualquer forma que se tenha sido atingidx – servem de qualquer forma também para sublinhar as intenções de quebrar as redes de solidariedade com vista a consolidar as suas próprias certezas sobre as avaliações de mérito dos detentores dos instrumentos de controlo.. portanto, é óbvio o convite para continuar a envir material informativo, periódicos, etc.

Anna

Mais info: nidieunimaitres[arroba]gmail.com

Para escrever aos compas:
Nicola Gai, Alfredo Cospito
C.C.Ferrara Via Arginone 327 44122 Ferrara (Itália)

Estado espanhol: Faixa em solidariedade com Mónica e Francisco

Na semana de solidariedade con xs anarquistas Mónica Caballero e Francisco Solar, colocámos uma faixa em solidariedade com xs compas na estrada N.1 na altura de Altsasu (Nafarroa); com esta faixa queremos expressar a nossa solidariedade e proximidade com xs presxs anarquistas e a partir daqui aquí mandar-lhes um forte abraço. Ânimo e força compas.

Na faixa pode ler-se: Liberdade Mónica e Francisco, Anarkia Bidea Da [em basco: a anarquia é o caminho).

Na faixa não havia sítio para saudar outrxs prisioneirxs, pelo que a partir daqui mandamos un fuorte abraço aos companheiros:

Gabriel Pombo Da Silva; Marco Camenisch; Alfredo Cospito; Nicola Gai; Sergio Maria Stefani; José Miguel Sánchez; Marcelo Villarroel Sepúlveda; Freddy Fuentevilla Saa; Juan Aliste Vega; Hans Niemeyer Salinas; Carlos Gutiérrez Quiduleo; Mario González. Solidariedade axs prisioneirxs anarquistas da Grécia, Itália, México e de todo o mundo.

Agur eta ohore [em basco: adeus e honra], companheiro Sebastián Oversluij.

Anarquistas

Atenas: Intervenção solidária com prisioneirxs da guerra anarquista em todo o mundo

Liberdade a Mónica Caballero e Francisco Solar (presxs em Espanha)
Solidariedade com Marcelo Villarroel, Freddy Fuentevilla, Juan Aliste Vega, acusados no Caso Security (presos no Chile)
Solidariedade com os anarquistas Alfredo Cospito e Nicola Gai (presos em Itália)
Força ao compa José Miguel Sánchez Jiménez, em greve da fome desde 27 de Novembro (preso no Chile)

Atualização: O companheiro José Miguel Sánchez Jiménez está bem de saúde, encontrando-se atualmente na 9ª secção da prisão “Ex-Penitenciáría” em Santiago do Chile tendo suspendido a sua greve da fome.

Liberdade a Mónica Caballero e Francisco Solar; solidariedade com Valeria Giacomoni, Gerardo Formoso e Rocío Yune, acusadxs pelos ataques do Comando Insurreccional Mateo Morral (Espanha)
Liberdade ao nosso irmão Gabriel Pombo Da Silva (preso em Espanha)
Liberdade aos irmãos e a irmã presxs da Conspiração das Células do Fogo
Solidariedade com xs presxs da FLA/FLT
Liberdade ao anarquista vegano Walter Bond (preso nos EUA)
Liberdade a Spyros Mandylas e Andreas Tsavdaridis, acusados pelo Projeto Fénix. 10, 100, 1000 núcleos da FAI-FRI. Liberdade aos compas da CCF (presxs na Grécia)
Liberdade para todos os prisioneiros da FLA/FLT

Sexta-feira, 29 de Novembro, durante a noite, no centro de Atenas, um grupo de compas anarquistas realizou uma intervenção solidária com xs anarquistas presxs em todo o mundo. Várias palavras de ordem foram pintadas, assim como se lançaram folhetos sobre casos recentes e ainda se colocaram auto-colantes relacionados com os casos dos compas acusadxs pelo Projeto Fénix. Continuar a lerAtenas: Intervenção solidária com prisioneirxs da guerra anarquista em todo o mundo

Buenos Aires, Argentina: Ataque incendiário a dois patrulheiros da Polícia Federal

Trabalhadores armados e preparados para matar, guardiães da orden e da lei, serventes dos poderosos, assassinos a saldo. É a Policia Federal Argentina. A guerra psicológica faz parte da guerra social com a qual nos confrontamos, contra toda a autoridade, mas não é a que escolhemos nem a que incentivamos, a nossa guerra é a física, a do ataque direto aos opressores e aos seus pertences. Não nos basta saber que o inimigo perceba que pode ser atacado, mas sim saber que através de um ataque o seja. E se o interesse também fosse psicológico, consideraríamos que o mesmo se nutre diretamente de uma realidade fisica que se concretiza por meio do ataque direto que já mencionámos.

No domingo de 24 de Novembro de 2013 entre a 1.30 e as 2 horas da manhã, atacámos com dispositivos incenciários dois carros patrulheiros da Policia Federal Argentina, um da delegacia 41 e outro da delegacia 27.

Força para o companheiro Ilya Romanov preso após ter ficado ferido com o seu próprio dispositivo explosivo, quando se dispunha a atacar a polícia na Rússia.

Solidariedade com xs companheirxs Francisco Soler e Mónica Caballero presxs pelo ataque com uma bomba na Basilica del Pilar em Espanha.

Uma saudação cúmplice plena de amor e anarquia para os companheiros Alfredo Cospito e Nicola Gai presos em Itália e orgulhosos membros do Núcleo Olga FAI/FRI.

Amigxs da Terra / Federação Anarquista Informal

Itália: Sentença contra Alfredo Cospito e Nicola Gai

Génova, 12 de Novembro

Esta manhã foi emitido o acórdão do julgamento contra Nicola Gai e Alfredo Cospito em primeiro grau, sujeito a procedimento abreviado, por ferir Roberto Adinolfi, ação reivindicada por eles na sala de audiências durante a sessão da acusação de 30 de Outubro. Os compas não participaram na sessão de hoje. As condenações foram:

–  10 anos e 8 meses para Alfredo.
–  9 anos e 4 meses para Nicola.

Por atentado com fins terroristas (art. 280 do código penal italiano), com medidas restritivas (impossibilidade de aceder a benefícios, saídas precárias, liberdade condicional, etc.) dado que se reconheceram os fins terroristas. A determinação da indemnização requerida pelos reclamantes (estado italiano, Ansaldo Nucleare e o próprio Adinolfi) foi adiada para um futuro julgamento civil.

A juíza da Audiência Preliminar, Annalisa Giacalone, rendeu-se completamente às teses da acusação – segundo as quais subsistem os fins terroristas e subversão da ordem democrática, dado que, na pessoa de Adinolfi, administrador delegado de Ansaldo Nucleare, foi golpeada Finmeccanica, empresa de Estado con interesses mundiais na produção de sistemas de controlo e defesa.

Com a certeza de saber onde  realmente se encontram os produtores de terror indiscriminado e morte, um forte abraço solidário a Nicola e Alfredo e a todos/as os/as que não se submetem às lógicas do terror próprias do Domínio.

Para escrever aos companheiros:
Nicola Gai
Alfredo Cospito
C.C. Ferrara Via Arginone 327
IT-44122 Ferrara, Itália

nidieunimaitres@gmail.com

Grécia: “Quero companheiros, não a massa”, texto em solidariedade com Alfredo Cospito e Nicola Gai

Segue-se um texto em solidariedade com Alfredo Cospito e Nicola Gai, publicado em 24 de Outubro, à vista da primeira sessão do julgamento dos dois compas em Génova, realizado a 30 de Outubro de 2013, no qual Alfredo e Nicola reivindicaram a responsabilidade total da ação do Núcleo Olga FAI/FRI, os disparos a Roberto Adinolfi, administrador delegado da empresa Ansaldo Nucleare, de que eram acusados. 

Quero companheiros, não a massa…

Conheço pessoas… pessoas caladas e faladoras, cobardes e insolentes, humildes e arrogantes…

Pessoas que vivem obedientemente como ovelhas e outras, espreitando furtivamente como hienas.

Conheço pessoas que sonham sem fantasia e vivem sem sonhar… pessoas acostumadas a ter os olhos baixos e os ouvidos a receber instruções “acorda”,  “trabalha”, “paga”, “compra”, “acredita”, “compromete-te”…

Pessoas da multidão solitária, que pacientemente esperam na fila da vida… que esperam o amanhã eterno, melhores dias, o futuro optimista, a resposta às suas preces… As que estão à espera de acreditar num qualquer candidato a salvador, num qualquer manipulador do pensamento que lhes prometa uma vida melhor.

Mas os que esperam um amanhã para viver melhor, esses já estão mortos, hoje.

Conheço pessoas, mas poucas são as minhas companheiras.

Morte Lenta ou Insurreição aqui e Agora…

São estes os dois caminhos que se encontram à nossa frente.

Elegemos aquele onde ousam os fortes. É um ar mais limpo e a multidão – que se inclina perante os seus falsos ídolos – não desfeia a nossa estética.

É agradável olhar desde o Alto do Único, mesmo que a multidão deseje em segredo que caias no abismo, para não ter de se envergonhar da sua pequena estatura.

As nossas palavras esculpem como uma navalha o presente e as nossas ações queimam as pontes com o passado…

Com tenacidade e vontade, até que se assassine o Poder.

Por Nicola e Alfredo.
Pelos/as Anarquistas da Praxis.

Os membros da Conspiração de Células de Fogo: Giorgos  Nikolopoulos, Michalis Nikolopoulos, Christos Tsakalos, Gerasimos  Tsakalos, Olga Ekonomidou, Damiano Bolano, Panagiotis Argirou, Giorgos Polidoros, Theofilos Mavropoulos, Haris Hatzimichelakis

O membro da FAI/FRI Andreas Tsavdaridis e o anarco-nihilista Spyros Mandylas

Génova, Itália: Processo contra Alfredo Cospito e Nicola Gai

As garras fora dos nossos compas!

Esta manhã, 30 de Outubro, no tribunal de Génova, teve lugar o primeiro dia do julgamento, com processos sumários contra os companheiros Alfredo Cospito e Nicola Gai. Os dois companheiros foram investigados e detidos no dia 14 de Setembro de 2012, acusados de terem ferido na perna o administrador delegado da Ansaldo Nucleare, Roberto Adinolfi, no dia 7 de maio de 2012.

Alfredo e Nicola assumiram a responsabilidade do ataque contra Adinolfi, tentando ler uma carta para reivindicar a ação, mas a juíza expulsou-os da sala.

Tanto quanto se sabe, esta é a primeira vez que compas anarquistas reivindicam uma ação deste tipo, em Itália. Sempre se tem falado, entre os anarquistas, com termos que serviam mais para encher a boca do que para derrubar muros; agora alguma coisa aconteceu. Um responsável do aniquilamento da Terra esteve sob o ponto de mira e foi ferido.

A ação foi reivindicada por dois compas anarquistas. A ver se somando as palavras, os indivíduos e os atos as contas começam a bater certo.

Por fim a acusação, os promotores Nicola Piacente e Silvio Franz, solicitaram a condenação para os dois companheiros:
Alfredo Cospito, 12 anos e Nicola Gai, 10 anos.

Agora, e mais do que nunca, RadioAzione está com os dois companheiros, assumindo a solidariedade e a cumplicidade com Alfredo e Nicola.