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[Itália] Furor Manet

FUROR MANET
Setembro 2016, a Operação Scripta Manent, dirigida pelo procurador do Ministério Público de Turin Sparagna, leva à detenção de 8, entre companheiros e companheiras.

A principal acusação é a constituição de uma associação subversiva com fins terroristas. Junto com isso, a imputação inclui vários outros ataques, todos assinados pela FAI (Federação Anarquista Informal) e FAI / FRI (Federação Anarquista Informal / Frente Revolucionária Internacional). Até hoje, cinco companheiros e uma companheira permanecem na prisão, outra em prisão domiciliária, enquanto no bunker de Turim o julgamento segue a bom ritmo. Dezenas de polícias de múltiplas cidades vão alternando no cenário do tribunal, na presunção de reconstruir a história do movimento anarquista contemporâneo. O começo está sinalizado, como já vimos inúmeras vezes, na época do julgamento de Marini, durante os anos 90. Desde então, o aprofundamento obsessivo e incessante das nossas vidas leva os espiões profissionais a enumerar e distorcer até os detalhes mais ínfimos, até os mais insignificantes ou íntimos do dia a dia, das nossas vidas e relacionamentos. Uma representação patética, mecânica e determinista que nos deixa indiferentes.

É nas diferenças individuais e nos confrontos ásperos e por vezes carregados de tensões contrastantes que reside a história do movimento anarquista – a história de cada um ou uma de nós, com limites e contradições. A esta história pertencem as práticas revolucionárias, algumas das quais estão no banco dos réus em Turim.

Em tempos como este, mais do que nunca, apoiar métodos revolucionários significa lutar contra a repressão do Estado, cujo objetivo é sepultar os/as nossos/as companheiros/as debaixo de anos de prisão e aniquilar a história do movimento anarquista.

Nem um passo atrás, pela Anarquia.
Cassa antirep. Alpi Occidentali

[Itália] Atualização do Julgamento “Scripta Manent” – Solidariedade Internacional a 16 de Novembro de 2017

O julgamento dxs anarquistas, acusadxs ao longo da operação “Scripta Manent”, começará a 16 de Novembro, no tribunal de segurança máxima da prisão de Turim.

À companheira Anna Beniamino assim como aos companheiros Alfredo Cospito, Danilo Cremonese e Nicola Gai não será permitido que compareçam na sala do tribunal, estando sujeitxs a uma vídeo-conferência a partir da secção de vigilância máxima 2, onde se encontram confinadxs.

Aos companheiros Marco Bisesti, Alessandro Mercogliano e à companheira Valentina Speziale será permitido comparecer na sala de tribunal, recusando estxs participar no julgamento em solidariedade com xs companheirxs sujeitxs à video-conferência.

via Croce Nera Anarchica

[Itália] Publicação “Solidarietà e complicità”

Luta contra a biotecnologia
não pára, solidariedade e cumplicidade

[Notas sobre a situação de Silvia, Billy e Costa]

Com o seu anulamento, termina o processo legal contra Silvia, Billy e Costa (exercido pelo estado italiano).

Após cinco anos de audiências terminou esta semana, em Roma, o processo em cassação de Silvia, Billy e Costa – acusados pelo Ministério Público de Turim de transporte e receptação de explosivos entre Itália e Suíça com finalidade de terrorismo.

A partir do momento em que Silvia, Billy e Costa tinham acabado de cumprir a pena imposta no julgamento na Suíça, o promotor de Turim, no papel do Procurador Arnaldi Di Balme, tentou abrir um processo, primeiro por associação subversiva (incluindo outras pessoas, por parte da Coligação Contra Nocividades) e, posteriormente, com mais recursos, tentando provar que uma parte da tentativa de sabotagem na Suíça tinha sido preparada em Itália, pelo menos na recuperação e transporte do material necessário.

A cassação confirmou a decisão anterior de improvisabilidade, de acordo com o princípio “Ne bis in idem”, ou seja, não se pode julgar uma pessoa várias vezes pela mesma situação, apelando-se para um princípio de falta de jurisdição.

Para aquelxs que queiram aprofundar o assunto, recomendamos a leitura da publicação “Solidarietà e complicità”, uma coleção de textos em torno da tentativa de sabotagem do centro IBM sobre nanotecnologias na Suíça e da solidariedade entretanto expressa pela realidade do movimento, também a nível internacional [que pode ser pedida para envio postal].

[Itália] Convocatória de Solidariedade Internacional a 16 de Novembro de 2017 – Julgamento “Scripta Manent”

A 16 de Novembro, às 10 horas, perante o tribunal de alta segurança de Turim, celebrar-se-á a primeira audiência do julgamento “Scripta Manent”. Será um julgamento de longa duração, no qual 22 companheirxs anarquistas estão acusadxs, sete dxs quais continuam na prisão.

O aparelho repressivo do Estado acusa uma parte do movimento anarquista de o atacar, através das práticas de ação directa destrutiva contra as suas estruturas e os seus homens, a realização e distribuição de publicações anarquistas e apoio aos/às prisioneirxs revolucionárixs.

A teoria do acusador do ministério público Sparagna é que as posições dxs compañerxs acusadxs são isoladas e distantes do contexto anarquista. É uma tentativa flagrante de fraccionar e confinar o anarquismo a certos recintos fechados, legais e interpretativos.

Demoliremos a intenção de se isolar estxs companheirxs – afirmamos que a prática e as acusações de que são acusadxs constituem um património de todxs xs anarquistas e revolucionárixs – e reafirmamos a nossa proximidade com xs acusadxs.

Fazemos uma chamada para se participar na concentração de 5ª feira, 16 de Novembro, às 10 da manhã, em frente ao tribunal de alta segurança da prisão “le Vallette” em Turim, e reafirmamos a chamada à solidariedade internacional com todxs xs prisioneirxs anarquistas, rebeldes e revolucionárixs, em qualquer lugar e de acordo com as modalidades que cada pessoa considere mais apropriadas.

em espanhol, inglês, italiano, alemão

Itália: Terminou o processo judicial dxs companheirxs Billy, Costa e Silvia

A luta contra a biotecnologia não pára, solidariedade e cumplicidade

Há alguns dias atrás, o tribunal de Turim realizou uma audiência do julgamento, no estado italiano, contra os companheirxs eco-anarquistas Billy, Costa e Silvia. O Supremo Tribunal confirmou o “incumprimento não processual da jurisdição”, como já foi decidido em primeira instância e em recurso, pelo princípio de não se poder processar duas vezes o réu pelo mesmo ato. Fecha-se, de uma vez por todas, com essa decisão definitiva, o seu caso nos tribunais estatais.

Solidariedade para com xs companheirxs – Fogo para a IBM e o mundo tecno-prisional.

em italiano via CNA Italia, inglês

Viena, Áustria: Atentado à Embaixada Italiana – Solidariedade aos/às anarquistas presxs em Turim

PANDEMÓNIO

Recebido a 25 de Maio:

Ontem à noite atacámos a Embaixada Italiana com bombas de tinta, expressando dessa forma a nossa solidariedade ativa com xs anarquistas presxs em Turim.

Pela libertação imediata de António, Antonio & Francisco, na prisão desde 3 de Maio.

Pela revogação da prisão domiciliária de Giada, Fabiola & Camille, acusadas de resistir a uma busca policial na sua vizinhança, em Fevereiro.

em alemão, inglês, italiano

Turim, Itália: Leitura da sentença do processo Silvia Billy Costa

1905

24 de Março de 2016

De manhã cedo, no Tribunal de Turim procedeu-se à leitura da sentença por Silvia, Billy e Costa – já condenadxs na Suíça por posse, trasporte e recepção de explosivos para a tentativa de assalto ao centro de pesquisas de nano-tecnologia IBM aZurigo sob a assinatura de “Frente de Libertação da Terra-Suíça”. O processo helvético tinha sido concluído com condenações de três anos e quatro meses e três anos e oito meses.

A promotoria de Turim tinha interposto um novo processo, totalmente italiano pelo qual tinha sido pedida uma pena até 5 anos e 6 meses pelos mesmos delitos. O tribunal expressou-se pela impossibilidade de procedimento por “Ne bis in idem”, não se poder voltar a condenar pelo mesmo crime, seguindo-se a decisão de não avançar por falta de jurisdição.

Turim: Atualização do julgamento contra xs presxs anarquistas Chiara, Claudio, Mattia e Niccolò

no-tav-4-1024x1024No dia 14 de Novembro de 2014, Macerie transmitiu que se realizou na sala Bunker da prisão de Vallette, em Turim, mais uma sessão do julgamento contra xs presxs anarquistas Chiara Zenobi, Claudio Alberto, Mattia Zanotti e Niccolò Blasi. Ao fim de quatro horas, os bastardos acusadores do ministério público, Rinaudo e Padalino, requereram pesadas penas: 9 anos e 6 meses para cada um dos/da companheirxs, sob a acusação de ataque com fins de terrorismo, cometimento de ataque terrorista com armas mortais e explosivos, posse e transporte de armas de guerra, e causando danos a funcionário público pelo fogo e violência. Quanto às partes civis, por sua vez, o Lyon Turim Ferroviaire (LTF) requer, como compensação pelo ato de sabotagem a quantia “simbólica” de 50.000 €.

Em Setembro de 2014, Chiara, Claudio, Mattia and Niccolò tinham assumido responsabilidade pela sua participação na sabotagem do canteiro de obras TAV de Chiomonte, ocorrida em Maio de 2013.

A leitura da sentença terá lugar a 17 de Dezembro de 2014.

Roma: Ataque incendiário em solidariedade com xs compas detidxs em Turim a 3 de Junho

hoguera

2 de Julho de 2014

Enteiramo-nos de que em Roma um posto de vendas da empresa construtora PROGEDIL foi incendiado em solidariedade com xs companheirxs perseguidxs e detidxs em Turim a 3 de Junho de 2014. Agora não contribuirá mais para a construção do novo centro residencial. Antes de se apagar, o stand lançou uma última saudação de liberdade a Fabio, Michele, Andrea, Paolo, Toshi, Chiara, Claudio, Niccolò, Beppe, Francesco, Daniele, Marianna e Nicolò.

Turim, Itália: Horticultura de guerrilha contra o TAV

No dia 2 de Março do corrente ano,  2 de Março, plantou-se um novo símbolo contra o comboio de alta velocidade, na cidade de Turim. Cerca de 60 ativistas do “Reclaim the fields /Reclama os campos” ocuparam um bocado de terreno entre  Corso Marche e Corso Francia. Em poucas horas, foram esculpidas no solo as letras NO TAV e plantou-se uma grande variedade de sementes e pessegueiros.

A ação ocorreu num baldio (terra da comunidade) que será privatizado e arrasado se for construída a linha ferroviária de alta velocidade (TAV) que liga Lyon a Turim. Os ativistas de toda a Europa usaram a ocupação como  oportunidade para realizar os seus workshops e seminários sobre energias renováveis de código aberto e sobre as dificuldades existentes de acesso à terra. Muitas pessoas que passavam de carro mostraram, entusiasmadas, o seu apoio e algumas gritaram slogans contra o TAV. A ação terminou com um bloqueio espontâneo do trânsito e uma manifestação pelas ruas de Turim.

Essa ação de jardinagem e horticultura de guerrilha anuncia, também,  o início de uma nova luta em Turim para protestar contra a vontade do atual primeiro-ministro não eleito, Mário Monte, de vender as terras de “Demanio”. É um baldio, terra da comunidade,  e que se manteve disponível para uso comum desde o Império Romano e segue a lei, independentemente do uso público ou privado. A iniciativa começou por ação do Reclaim the Fields, mas a esperança é ver o bairro recuperar o pedaço de terra, compartilhando, produzindo e colhendo alimentos para todos.

Isto pode ser entendido como uma metáfora para um tipo de crescimento que  pode enfrentar o discurso político de crescimento económico usado em projetos como o TAV (em portuguêsTGV).

fontes: 1, 2

França: Manifestantes atacam consulado da Itália em Lyon em apoio à luta contra o trem de alta velocidade e solidariedade a Luca Abbà

Na manhã desta quarta-feira (29 de fevereiro), cerca de 30 pessoas picharam e atacaram com bombas de tinta o Consulado Geral da Itália em Lyon, em luta contra o trem de alta velocidade (TAV) e apoio e solidariedade a Luca Abbà, um ativista que caiu anteontem de uma torre de eletricidade durante um protesto no Vale de Susa (norte da Itália) contra a ampliação de um túnel para o TAV que liga Turim e Lyon.

Forza Luca! Liberi tutti!

fontes: notavliberi, ana

Vale de Susa, Itália: Terrorismo de estado não trava NO TAV

A França e a Itália firmaram, em 2001, um acordo para a construção de uma linha de trem de alta velocidade (TAV) entre Lyon, na França, e Turim, no norte da Itália- considerada estratégica para a rede européia- que vai diminuir a duração da viagem, de sete horas, como é hoje, para quatro. O custo do projeto está estimado em 15 bilhões de euros, sendo uma parte financiada pela União Européia.

Porém, os habitantes do Val de Susa (norte da Itália), que receiam a destruição do meio ambiente, contestam fortemente o projeto. Muitos manifestantes e opositores à linha de alta velocidade alegam razões ambientais e de saúde para se oporem à realização deste projeto.

Há vinte anos que a luta no Vale do Susa tem sido um exemplo e uma inspiração, ao impedir a construção da linha de comboioTGV, um projecto megalómano que promove a destruição do vale em beneficio de grandes empresas ligadas à máfia italiana.

A 27 de Fevereiro de 2012, em Val de Susa, iniciaram-se os trabalhos de despejo e demolição da Baita Clarea (uma das barricadas/acampamentos anti-TAV/TGV que se encontram no caminho das obras), juntamente com o transporte de material para o local. A expulsão acontece dois dias depois de uma manifestação que juntou setenta mil pessoas no Vale do Susa. Um dia que acabou com a polícia a espancar os manifestantes que, na estação de comboios de Turim, procuravam regressar a casa.

Um companheiro, Luca Abbà, resistente NO TAV, por volta das 8h30, subiu a um poste de electricidade para tentar atrasar a operação industrial-militar. Um bófia tentou fazê-lo descer, manobra absolutamente assassina, sem rede ou qualquer outro instrumento de protecção. Luca recusou-se a descer e subiu um pouco mais, pressionado pelo polícia, apanhando uma violenta descarga eléctrica que o projectou varios metros. A responsabilidade das forças da ordem é inquestionável.

Luca foi transportado de helicóptero para o hospital de Turim, após quase uma hora do “acidente” provocado pela polícia, e os trabalhos de despejo e demolição continuaram. Encontra-se neste momento em coma induzido, após ter sofrido varias fracturas e queimaduras em todo seu corpo. A pesar da grave situação, os médicos dizem que não está em perigo de vida.

Por detrás do polícia que subiu ao poste está toda uma instituição que defende a todo o custo o existente; a prevalência da morte sobre a vida, do lucro sobre a solidariedade, da lei sobre o indivíduo. O polícia que subiu foi o filho da puta do momento, nem mais nem menos do que os que ficaram em baixo a afastar os companheiros do Luca ou a expulsar os resistentes para naquele lugar colocarem as máquinas.

A resposta da população não se fez esperar: centenas de pessoas estão desde 27 de Fevereiro,de manhã, a bloquear a auto-estrada e estradas nacionais que atravessam o Vale do Susa, e grandes manifestações de solidariedade tiveram entretanto lugar por muitas cidades de Itália.

O objectivo é manter as ocupações, re-ocupar a “Baita Clarea” e pôr um fim aos trabalhos de construção.

Colaboração de compas
fontes: informa-azione.info / radioblackout.org