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Santiago, Chile: Atentado incendiário contra imobiliária

Entre uma formosa obscuridade lunar, de noite negra, sob a lua nova e um incandescente céu estrelado (madrugada de 18 de Janeiro), estendemos as asas e com a sua envergadura cobrimos de sombra este asqueroso mundo. Planeamos irritadxs, visibilizámos  o objetivo e aguardamos com cautela, lançando-nos então furiosamente numa discussão contra um ramo de vendas imobiliárias para logo de seguida inaugurar outra edificação podre (departamentos) denominada “ALTUM”, da empresa “INMOBILIARIA ACONCAGUA” – para amontoar ao abrigar um grupo de cidadãos escravos – apenas a alguns quarteirões de uma maldita esquadra de polícia, atacando o nariz POLÍCIA BASTARDA!

Conhecidos pela sua devastadora expansão civilizadora, impulsam  cidades onde não as há fortalecendo-as onde já existem e ousando sepultar a imensidade e diversidade do indomável e indomesticável – quando dizemos “ousam” é porque vocês, horda de bastardos dominadores, com as vossas infra-estruturas não são NADA. Conspiramos para que desapareçam, pois nem conseguem nem conseguirão submeter a imensidade do selvagem e aquelxs que continuam em guerra contra a máquina civilizadora do poder. Ao mesmo tempo, criam o sentimento e fingem a práxis do ataque, materializando o nosso caótico ato de guerra com a instalação de um dispositivo incendiário / explosivo nesta sala de vendas, conseguindo ativá-lo – logo a seguir ao atraso programado – para dar origem ao fogo. Avivando-se este começa a queimar parte  da fachada, do chão e do tecto. Já no caminho de saída da zona, conseguimos ouvir ainda as sirenes que mobilizavam caminhões de  bombeiros e um contingente policial – que, para sorte do inimigo,  conseguiram controla o fogo ardente, propagado com propósito e intenção destrutiva, a que ansiávamos alcançar.

O nosso objectivo e data, a propósito, não foi aleatório. Aconcagua Real Estate é uma empresa do Grupo SalfaCorp, que desenvolve, administraa e vende projectos imobiliários no pikun mapu, especificamente em Pudahuel, san miguel, las vizcachas, puente alto, colina, Huechuraba, Padre hurtado, La cisterna, Cerrillos e Maipú. Por sua vez, o SALFACORP é o maior grupo empresarial do sector de construção no Chile, civilizadores e antropocêntricos contemporâneos que se vangloriam em parágrafos bombásticos que explicitamente falam de “uma liderança indiscutível que cultivaram durante os seus quase 90 anos de história”.

“A empresa alcançou esta posição graças ao seu sólido modelo de negócios – estruturado para crescer de forma planificada e ordenada – baseado em unidades de negócios independentes entre si e diversificadas, que incluem especialidades replicáveis em outros mercados, como pode ser visto na expansão internacional que se levou a cabo.
90 anos destruindo a Terra em função do progresso humanóide, construindo portos, pontes, cidades, edifícios e mega-projectos variados. Assim, esses projetos e negócios de extração produzem fortunas com o sangue da terra, que são sempre avaliados pela sociedade antropocêntrica, patriarcal e especista – perpetuando a sua ânsia de progresso até ao ponto de se orgulhar de habitar as cidades – prisões,  mantendo assim, também, a identidade cidanóide que nos repugna e enoja.  Assim, sabemos que não são só simples e complexos projectos os que destroem a natureza, pois estes são o claro reflexo e materialização da ideia do mundo civilizado – que o poder e os seus cúmplices procuram expandir – sendo esta afinal a moderna ideia colonizadora à qual declaramos a nossa guerra, ao poder e à civilização.

Detestamos a vinda do papa, o que simboliza e representa; invasão, massacres de nativxs, despojo, evangelização, domesticação, AUTORIDADE, IERARQUIAS, CONTROLO, DOMINAÇÃO.  Por isso realizamos a ação na conjuntura da visita desta indesejável máxima autoridade clerical, juntando-nos assim às ações que, a partir da sua informalidade e autonomia, se ergueram em diversos pontos do território Pikunche e Wallmapu.

Como aprendizagem só nos resta decidir aqui e agora o ataque, potenciando e afinando as formas e materiais com que os atacar e sermos mais eficazes na finalidade destrutiva, nutrindo-nos da praxis insurrecional e guerrilheira tanto do passado como do presente. Desta vez eles conseguiram fazer o seu trabalho, apagando o kutral indomável, mas continuaremos em pé de guerra contra TODA A FORMA DE DOMINAÇÃO! “HOKA HEY”

Saudamos com o coração transbordante de alegria Tamara sol e a sua tentativa de fuga, abraçando as suas convicções na prática, cada ato virando uma guerra contra esta maquinaria. Uma piscadela de cumplicidade aos/às dignxs companheirxs em guerra e sequestradxs nas prisões do poder do mundo inteiro!

Aos/às presxs políticxs mapuche e à sua resistência inquebrável no wallmapu com o exercício diário del kimun ancestral e coerente ataque às estruturas que devastam o território.

RESISTÊNCIA, NEWEN(1) E LIBERDADE AO MACHI CELESTINO CORDOVA – atualmente sequestrado na prisão de Temuco – que iniciou a sua GREVE DE FOME LÍQUIDA a 13 de Janeiro do presente ano EXIGINDO A URGENTE SAÍDA DO SEU REWE (2) E A RENOVAÇÂO DESTE.

Desta vez na warria (3), fazemos-nos presente com esta ação, apoiando também a greve do machi celestino, solidarizando-nos assim a partir da confrontação com o poder, da guerra  e da espiritualidade autónoma, fazendo-nos parte do conflito, encontrando-nos nas semelhanças e diferenças, mas caminhando com a intenção visível de não retroceder perante a colonização civilizadora.

Com a MEMÓRIA sempre viva, ativa e perigosa, avançamos junto aos/às nossxs guerreirxs mortxs, que nos velam junto o nosso espírito de combate. PELAO ANGRY, PUNKY MAURI, CLAUDIA LOPEZ, MATIAS CATRILEO, ALEX LEMUN E A TODXS XS COMPAS QUE VIVERAM EM CONFLITO E QUE NÃO CEDERAM NEM UM  MILÍMETRO FRENTE AO INIMIGO, PRESENTES AGORA E SEMPRE!

A MACARENA VALDES ASSASSINADA POR DEFENDER A MAPU DOS COLONOS AUSTRÍACOS DA EMPRESA RP GLOBAL E DO SEU NEGÓCIO EXTRATIVISTA, QUE NÃO HESITARAM EM MATÁ-LA E SIMULAR UM SUICÍDIO. NADA MAIS QUE UMA VINGANÇA DA LAGMIEN M. VALDESS.

A STGO MALDONADO, COMPA ANARQUISTA ASSASSINADO PELA GENDARMERIA NO OUTRO LADO DA CORDILHEIRA. UM ABRAÇO ONDE TE ENCONTRARES E ATAQUE DIRETO AOS LACAIOS QUE TE ARREBATARAM A VIDA.

FOGO ÀS PRISÕES E AOS SEUS CARCEREIROS, ÓDIO ETERNO A TODXS XS CORPOS POLICIAIS EM QUALQUER DAS SUAS EXPRESSÕES.

DESPREZO AOS/ÀS YANACONAS (4) QUE DE JOELHOS SE INCLINARAM PERANTE O PAPA!
SELVAGENS EM VEZ DE CIVILIZADXS, AQUI E AGORA PELA LIBERTAÇÃO TOTAL!
FOGO E SABOTAGEM À I.I.R.S.A!
CONTRA O PODER DA IGREJA E A MORAL CRISTÃ, BLASFEMOS EM VEZ DE DEVOTOS. NEM O PAPA NEM NENHUM MISERÁVEL EVANGELIZADOR SERÁ BEMVINDO!
CÁ ENCONTRAMOS-NOS EM GUERRA CONTRA TODA A AUTORIDADE!

Estampido Iconoclasta pelo Selvagem

N.T:
(1) Newen são as forças celestes.

(2) Todas as grandes cerimónias religiosas Mapuche se realizam ao pé do REWE, sendo este a árvore cósmica, símbolo da profissão do MACHI, também conhecido como KEMUKEMU; simboliza a árvore sagrada onde os espíritos invocados pousam. Este altar consiste num tronco de árvore com cerca de 3 metros de altura, cuja extremidade superior é esculpida em forma de cabeça humana, com ou sem chapéu; a frente tem a forma de uma escada de 4 a 7 degraus, aqueles que representam os quadrantes do seu cosmos “.

(3) Waria é cidade (em língua Mapuche)

(4) “Yanacona” é um termo depreciativo de origem Mapuche, para aqueles  que realizam ações consideradas contrárias aos interesses do seu povo,  como por exemplo, declarar contra xs comuneirxs e activistas mapuches nos julgamentos que o Estado chileno realiza contra elxs. É usado como sinónimo de traidor.

(5)”Hoka Hey” é uma exclamação em Sioux, semelhante às expressões: “Vamos nisso!”ou “Vamos entrar em ação!”

em espanhol

Santiago, Chile: Ataque incendiário a autocarro da Transantiago

É sempre momento para atacar embora não sejamos indiferentes ao panorama actual… enquanto a sociedade se regozija, seduzida pela visita papal – expiando as suas culpas na ansiedade da espera – reivindicamos nós a aventura da ação directa.

A 10 de Janeiro, já noite, animados de autónomos desejos, deixamos um dispositivo incendiário – durante o percurso do I 01 do Transantiago – ativado nas proximidades  do cruzamento das ruas Franklin e San Francisco. No momento em que o fogo estava a expandir o chofer borrego acode e sufoca o fogo com um extintor, queimou-se só a parte detrás deste transporte símbolo das lógicas mercantis, que delega tempos e pulsos, adequando o quotidiano a um controlo social mais delimitado, dando as comodidades típicas de uma cultura alienante. Não obstante, a nossa ação despedaça estes tempos, estas comodidades, escolhendo, sem chefes e em horizontalidade, onde e quando fazer e desfazer as negras intenções de conflito permanente contra tudo o que se posiciona como autoridade.

Quer dizer que dando este ataque em tal hora e lugar,  para nós as nossas decisões e palavras são um vínculo com o que acreditamos ser o óptimo ao momento de ataque Já que há ritmos que se geram com segurança e, mais ainda, com uma vontade determinante de afilar as feridas aos nossos inimigos. Quanto aos materiais, horários e objectivos só nós é que os fixamos e avançam de acordo com o sentido de guerra… quando pretendermos que o dano-destruição sejam distintos assim o faremos e toda a planificação apontará nesse sentido.

Ninguém nos dirigirá, nunca. Vamos pelo ataque descentralizado, autónomo, livremente associado, anárquico e violento. Saudando xs nossxs companheirxs na prisão. Juan Flores condenado recentemente por ataque explosivo, sob a Lei Antiterrorista e Tamara Sol, com a sua tentativa de fuga – que demonstra como a ousadia é o melhor alimento.

Com todo um mundo por destruir, multiplicar a ação autónoma já!
A 10 anos da sua caída em guerra…

Grupo Autónomo Weichafe Matías Katrileo.

N.T. Foi em 2008, o cobarde ataque que assassinou Matias Catrileo Quezada, jovem estudante universitário comprometido com o processo de resistência mapuche contra as empresas florestais, mineiras, energéticas, assim como latifúndios e o militarismo.

em espanhol

Viña del Mar, Valparaíso: Corte de estrada com barricadas em memória de Matías Catrileo

Bem cedo, na manhã deste 3 de Janeiro, cortamos a rota via las palmas com o propósito de recordar o nosso peñi [em mapuche, peñi significa irmão de um lutador] Matías Catrileo, assassinado cobardemente pelas costas por funcionários dos carabineiros – ação que foi encoberta pelo estado do $hile da mesma forma que todos as outras cometidas contra a resistência mapuche.

Não esquecemos aqueles irmãos e irmãs mapuches que se foram desta vida física; Alex Lemunao Saavedra, Johnny Cariqueo Yañez, Rodrigo Melinao Lincan, Jose Huenante Huenante, entre muitos outros, assim como também não esquecemos xs lutadorxs não mapuches, caídos às mãos dos cães a mando do poder e do capital. Não resta dúvida que continuarão na memória de todxs xs que lutamos pela libertação da terra.

Recordamos que há um mês a polícia atingiu nas costas um jovem mapuche com 17 anos apenas – com chumbo grosso, deixando-o com ferimentos graves nas costas e uma fratura – tendo aquele de ser hospitalizado; uma semana depois de Hernan Paredes Puen e Yocelyn Yevilao Maril também foram atingidos com mais de 130 chumbos no momento da sua detenção. Todos estes fatos dão-nos um vislumbre do estado de guerra que vivem os peñis e lamienes por defender o seu território.

A isto há que somar o sequestro, pela 4ª vez, da Machi Francisca Linoconao, que atualmente se encontra em greve de fome, há já 12 dias, mais 5 pênis que também aderiram à greve.

Concluíndo, este ato simbólico é uma advertência aos poderosos e sequazes – de que a guerra que o povo mapuche está a levar a cabo contra o estado chileno também se está a preparar de norte a sul. Aproveitem para dormir tranquilos agora porque a qualquer momento a luta estalará e pela via insurrecional iremos atrás dos seus pescoços

A partir da V região, mandamos farta força da terra [newen, palavra mapuche] para xs nossxs irmãos e irmãs que resistem em cada um dos territórios.

FIM DA MILITARIZAÇÃO NO TERRITÓRIO MAPUCHE
LIBERDADE IMEDIATA A TODXS XS PRESXS POLÍTICOS MAPUCHES E NÃO MAPUCHES
VIVEZA É DEFENDER A NATUREZA

em espanhol

[Chile] Projecto Fénix 2016: Dispositivo incendiário contra empresa de segurança, em Santiago

Bird-phoenix-flight-artContra a tirania da realidade que tem sido imposta às pessoas escolho sempre o realismo mágico da anarquia e a revolução que nunca se termina
Christos Tsakalos.

Lutar pela liberdade inclui combater a impunidade de quem reprime e vigia as nossas vidas.

Abrimos a época dos incêndios de 2016 durante a noite de domingo, 3 de Janeiro, atacando com um dispositivo incendiário de ativação retardada os escritórios centrais da ISP Service, empresa de segurança privada criada por um ex-agente de inteligência da ditadura chilena que, como muitos outros ex-agentes da repressão ditatorial, desenvolveram o seu próprio negócio de segurança no sector privado, uma vez chegada a democracia. O nosso fogo conseguiu danificar parte da fachada do edifício localizado na rua Lord Cochrane, no centro de Santiago.

Estamos conscientes de que as empresas de guardas, câmaras e monitoramento remoto são um negócio rentável apoiado pela ideologia da segurança, promovida pelo Estado / Capital e apoiada pela maioria social que, sem questionar os discursos do poder, reproduz e defende a ideia da Segurança Total, fica feliz por em cada esquina de bairro aparecerem cada vez mais câmaras, guardas e bófia.

Acendendo o nosso fogo revoltoso nos narizes de quem vigia, demonstramos uma vez mais a vulnerabilidade da rede de dominação, potenciando as nossas decisões, relações e práticas quootidianas no ataque direto a edifícios, representantes, gestores e defensores do controlo social.

Já o dissemos e reafirmamos-lo: o poder nunca é invulnerável, o ataque anarquista é sempre possível.

A partir da informalidade antiautoritária, organizamos-nos sem especialistas, sem líderes ou hierarquias, para levar a cabo a praxis da conspiração anarquista contra o poder, dando continuidade, através do fogo, ao projeto da Federação Anarquista Informal/Frente Revolucionária Internacional, porque a FAI / FRI  cobra vida onde qualquer indivíduo, célula ou grupo forjou com a sua própria AUTONOMIA o ataque direto, sem dar origem a dúvidas sobre as suas intenções, com uma forma de atuar certeira e não indiscriminada, com a SOLIDARIEDADE e o INTERNACIONALISMO anárquico como componentes essenciais de uma sedição libertadora sem centros nem periferia que quebre a normalidade opressiva e construa no presente a perspectiva da liberdade total.

Que mais ações como esta motivem a planificação de mais e melhores ignições e incêndios contra a miséria da ordem estabelecida, lembrando-se sempre de combinar as aprendizagens sobre como fabricar bombas incendiárias/explosivos com os conhecimentos necessários sobre como como deslocarmos-nos de forma segura através da cidade no momento de empreender a ação conspiratória e clandestina.

Combinemos as diversas formas de luta para derrubar este ou qualquer sistema de vida baseado no poder e na exploração!

Saudamos aquelxs que responderam com propaganda e acção à iniciativa por um Dezembro Negro – proposta a partir das prisões gregas pelos companheiros Panagiotis Argirou e Nikos Romanos. Que o ímpeto pela ação e debate não se detenha, que continue, se projecte e se concretize em estratégias de luta e em mais actos de insurreição que criem obstáculo e ponham em perigo os planos do poder.

Saudamos cada presx em luta que se mantenha dignx e consequente nas prisões do mundo civilizado.

Saudamos a vida em luta do guerreiro mapuche Matias Catrileo, assassinado há 8 anos (3 de Janeiro de 2008) pelas balas da democracia, disparadas nessa ocasião pelo polícia Walter Ramirez Espinoza, durante uma ação de recuperação de terras ancestrais.

Saudamos a cada humanx e animal que luta pela sua liberdade passando à ação contra o mundo da autoridade.

E aos/às nossxs companheirxs da FAI/FRI, encontrar-nos-emos novamente no voo da Fénix.

Viva a Coordenação Informal da Ação Anarquista Multiforme em todo o mundo!

Célula Anarquista de Ataque Incendiário “Fogo e Conciência”.
Federação Anarquista Informal/Frente Revolucionária Internacional – Chile.

 

em espanhol l inglês  traduzido por Insurrection News

Chile: Resistência Mapuche reinvidica ataques incendiários ocorridos 4 anos depois da morte de Matias Catrileo

Passados 4 anos do cobarde ataque que assassinou Matias Catrileo Quezada, mapuche comprometido com o processo de resistência mapuche contra as empresas florestais, mineiras, energéticas, assim como latifúndios e o militarismo da ocupação do território mapuche, o Wallmapu. A Resistencia Mapuche, em comunicado, reinvidica o ataque incendiário realizado num centro de depósito da empresa florestal Volterra (um camião, uma máquina carregadeira e uma cabine), na zona de Peleco a caminho de Paicavi, na madrugada de 1 de Janeiro de 2012.

Outro ataque incendiário, ocorrido na madrugada de sexta-feira, 30 de Dezembro, na zona de Victoria (Araucania), afetou um helicóptero pertencente à empresa florestal Masisa. No local foram deixadas duas faixas reivindicando a ação. Numa das faixas podia ler-se textualmente “Liberdade para os presos políticos mapuche e para os presos políticos sequestrados nas prisões do Estado Chileno, Resistência Mapuche”, enquanto que a segunda assinalava “Os Nossos Mortos continuam a lutar Alex Lémun, Matías Catrileo e Jaime Mendoza Collio, Weichafe Resiste “. Todas as acções foram assumidas pelos Orgãos de Resistência Ancestral Mapuche da Coordenadora Arauco Malleco.

O helicóptero prestava apoio à CONAF no controlo dos incêndios que afetam as plantações florestais. A Corporação Nacional Florestal (CONAF) na prática nada mais faz que regulamentar a exploração da Terra trabalhando para as empresas florestais e os grandes proprietários de terras (latifundiários).

A Araucania é uma região muito rica em recursos naturais. No entanto é atualmente uma das regiões mais pobres do país, com altos índices de pobreza. No passado, muitas terras da nação mapuche foram expropriadas ilegalmente e posteriormente vendidas a privados e empresas. Hoje, as empresas florestais são responsáveis pela continuidade da espoliação territorial dos mapuche, pela sua exploração laboral, pela desertificação e contaminação dos rios e terras. A militarização dos territórios é total, os carabineiros invadem militarmente as zonas de conflito, de modo a proteger os interesses do grande capital.

Os incêndios florestais têm-se concentrado maioritariamente nas plantações de pinheiros, em zonas ressequidas devido à depredação dos solos – provocada pelas monoculturas florestais – e em setores  de milhares de hectares de plantações de pinheiros onde estes estão  a morrer, devido a uma praga da vespa taladrora “florestal Sirex noctilio”, causando prejuízos às empresas. Os mega incêndios – que já provocaram várias vítimas humanas- têm permitido  às  mega empresas acederem ao cobro de seguros que, por seu lado, os permite combater a praga que está absolutamente descontrolada.

Com a insinuação de que serão os causadores dos recentes incêndios, mais uma vez o terrorismo de estado se prepara para aplicar a lei “anti-terrorista” ao povo mapuche, não tendo hesitado no passado em torturar e aprisionar menores, em fazê-los “desaparecer” e assassinar às claras os bravos guerreiros.

No Chile, muitas dezenas de resistentes mapuche estão a ser processados ou já o foram, ao abrigo de uma lei criada pelo ex-ditador Augusto Pinochet. A lei anti-terrorista prevê a aplicação da prisão preventiva por dois anos, bem como o impedimento dos advogados de defesa de acederem à investigação ou interrogarem testemunhas, cuja identidade é considerada confidencial. Também prevê uma duplicação das penas por “causa” e “efeito.”

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