Arquivo de etiquetas: Santiago Maldonado

[Brasil] Sai a Crónica Subversiva 2

Número 2 da Crônica Subversiva
(com separata sobre Santiago Maldonado e o número 5 da revista da CNA Kataklisma)

Depois de uma operação anti anarquista em Porto Alegre, a condenação dos 23 no Rio de Janeiro e antes da festa eleitoral daqueles que tentam governar e devastar tudo, aparece o segundo número da Crônica Subversiva.

Como cada publicação antiautoritária que surge em diferentes tempos e lugares, a Crônica Subversiva procura ser um canal de expansão de idéias que não estão, nem estarão nunca, contidas nos meios de comunicação.

Também é uma publicação com uma visão particular da vida, da autonomia, e da procura da anarquia e da revolta, que parte daquele instinto, inquebrantável e sincero, de sermos indômitos. Essa a sensação que faz as pessoas sair nas ruas, se arriscar, agir, e fazer algo na anarquia, a que procuramos espalhar com estas letras.

Primavera 2018

Clica aqui para baixar e imprimir (no link vem um arquivo com o corpo da Revista  e outro ainda com a separata)

[Brasil] 4ª edição do Solidariedade a Flor de Pele (Pelotas/RS) de 12 a 14 outubro de 2018

Chamado para a 4ª edição do Solidariedade a Flor de Pele – Santiago Maldonado Presente!

RECORDATÓRIO

Nos somamos à iniciativa – em coordenação com a convenção anárquica de tatuagens e piercings “Arte y Sabotaje” na Argentina, e “Tinta Negra” no Uruguai – de homenagear a vida em combate do companheiro e tatuador Santiago Maldonado “Lechuga”, que foi assassinado pelo estado argentino em 1 de agosto de 2017, enquanto lutava junto aos Mapuches na comunidade Pu Lof, no sul do território controlado pelo estado argentino.

Escolhemos o dia 12 de outubro para o início das atividades. Há 526 anos, os primeiros barcos coloniais chegavam no continente e, com eles, uma nova ordem social, que veio a se impor sobre as pessoas que viviam nesses territórios. Foi o começo dos genocídios, da devastação da terra e da expansão do capitalismo, mas também, de muitas lutas, batalhas, de resistências e ofensivas contra a colonização, que seguem vivas até hoje em cada canto da América Latina. Um exemplo, é a luta anti-capitalista e anti-estatal que os Mapuches seguem encarando.

Em julho do ano passado, a comunidade Mapuche Pu Lof estava recuperando terras que são reconhecidas pelo estado Argentino como propriedades do empresário Benetton. Para desalojar os Mapuches, no 1 de agosto, o estado argentino mandou suas tropas repressivas e foi neste contexto que Santiago Maldonado “desapareceu”. Durante mais de 6 meses, o estado argentino escondeu seu assassinato até que seu corpo fosse supostamente “encontrado” no rio Chubut em 17 de outubro. Santiago morreu como viveu, como um anarquista, solidário, lutando pela terra, contra a propriedade e contra o capital!

As três primeiras edições do Solidariedade a Flor de Pele proporcionaram momentos de encontros, trokas de materiais e debates fokados na luta anti carcerária. Então, foram espaços importantes tanto para a difusão da situação de companheirxs anarquistas presxs e/ou perseguidxs, quanto para a difusão da kontra-kultura anarko-punk, vendo as tatuagens e piercings como ferramentas que nos possibilitam juntar fundos para apoiar axs compas encarceradxs. Seguimos agora com este mesmo impulso.

Os ventos repressivos contra a Anarquia chegaram também por aqui. Em outubro de 2017, através da operação “Erebo”, que teve na mira a biblioteca anárquica Kaos, várixs companheirxs foram perseguidxs e okupações e kasas particulares foram invadidas. No Rio de Janeiro, a partir da operação Firewall, 21 pessoas acabam de ser condenados a penas de prisão que vão de 5 a 13 anos em regime fechado, pelos protestos de rua de 2013 e 2014.

No meio deste contexto, no qual nos querem amedrontadxs, a solidariedade se torna urgente e imprescindível! Não podemos deixar que o medo nos paralise! Convidamos a todxs xs anarquistas em luta e a todxs xs interessadxs a participarem da quarta edição do Solidariedade a Flor da Pele que acontecerá em Pelotas (RS) nos dias 12, 13 e 14 de outubro!

Em breve, publicaremos a programação no nosso blog: aflordepele.noblogs.org. Qualquer contribuição, aporte ou sugestão é benvinda e podem ser enviada no email novo: aflordepele4 [arroba]riseup.net

Fogo a todas as prisões!
Que viva a Anarquia!

Às pessoas que precisariam de alojamento, lhes pedimos que nos avisem quanto antes pelo email para organizar o espaço!
aflordapele.noblogs.org/

em espanhol

Buenos Aires, Argentina: “Arte e Sabotagem” Jornada de apoio a presxs – 25/08

Arte e Sabotagem – 1ª edição – Jornada de apoio a presxs

Edição especial – pelo nosso irmão Santiago Maldonado, companheiro Lechuga presente!

25/08 – sábado – a partir das 14h

“Kaasa La Gomera” – Barracas,
(cruzamento das ruas Quinquela Martin e Hornos)
Buenos Aires

em espanhol l inglês

Porto Alegre, Brasil: Por Santiago Maldonado, nossas ações e corações!

recebido a 07.08.18

Por Santiago Maldonado, nossas ações e corações!
Quem morre lutando vive em cada companheirx!

Santiago Maldonado, companheiro anarquista, foi desaparecido em 1 de agosto de 2017. Se encontrava na comunidade Mapuche Pu Lof, em Chubut, no sul da Argentina quando tropas repressivas foram mandadas até a comunidade para desalojar os Mapuche que tinham retomado seu território ancestral, “propriedade” do empresário Luciano Benetton. O Estado argentino escondeu Santiago durante mais de 6 meses até que seu corpo foi “achado” no rio Chubut em outubro.

Seu assassinato não foi um “acidente” nem um “abuso policial”! Seu assassinato foi ordenado pelo Estado Argentino que defendia à empresa Benetton e isso é o claro exemplo do corporativismo estatal-empresarial no qual nossas vidas sempre valerão muito menos que seus benefícios. Mas, os poderosos erraram e xs anarquistas de todas as terras se revoltaram indignados e insurretos!

A um ano da sua morte em combate, não pedimos “justiça”, nem “reparação” pelo seu assassinato. Se assim fosse, estaríamos validando o trabalho dos seus carrascos. Somos anarquistas e não demandamos nada. Não há justiça possível que venha dos nossos inimigos, dos mesmos que nos matam. Estaremos satisfeitos quando a dominação e o poder se derrubem e suas ruinas afoguem os que os perpetuam… e isso, está nas nossas mãos, não nas de terceiros…

Por Santiago, pela terra e pela liberdade, façamos da sua memória um chamado eterno a lutar!

Para imprimir, em pdf, clica aqui

Ferrara, Itália: Reivindicação de sabotagem de duas lojas Benetton

Somos inimigxs do poder e da dominação. Queremos o fim de todas as formas de exploração. Aspiramos à destruição absoluta da autoridade e do sistema capitalista. Os símbolos e as conseqüências do capitalismo e da exploração estão por todo o lado. Portanto, não precisamos mais do que tomar uma posição clara, escolhendo permanecer ao lado dxs oprimidos e atacando o sistema e seus cúmplices: ação direta pela autodeterminação e pela libertação total! Não importa quão pequena a ação seja quando comparada com os gigantes monstros que estamos a combater: são fatos e não promessas em época de eleições, são a prova do fato da luta não ter acabado ainda.

Na segunda-feira, 29 de janeiro, numa posição anarquista, antiespecista, anti-autoritária e anti-capitalista, sabotámos duas lojas da Benetton localizadas em Ferrara, bloqueando as fechaduras com cola.

Em solidariedade com o povo mapuche que, na Patagônia, há décadas que resiste à opressão da multinacional unida de cores que, desde 1991, retirou (criando vários problemas ambientais e sociais) quase um milhão de hectares de terra ao povo mapuche que viveu séculos naqueles lugares em harmonia com a Pachamama (Mãe Terra).

Pelos animais escravizados e explorados para produzir lã (para criar roupas) e carne (o negócio do Grupo Benetton não se limita apenas ao setor de vestuário).

Pelxs trabalhadorxs, crianças e adultxs, exploradxs nas fábricas e chantageadxs através do sistema de abastecimento.

Em memória das vítimas do colapso do Rana Plaza, em Bangladesh; e de Santiago Maldonado, Rafael Nahuel e todxs xs ativistas que perderam a vida por causa da brutal repressão implementada pelos Estados da Argentina e do Chile.

E também para não esquecer a participação da Benetton no transporte de material bélico britânico no Iraque  e a hipocrisia das campanhas publicitárias escondidas por trás do falso compromisso social feito por Oliviero Toscani, na tentativa de mostrar uma imagem limpa da multinacional.

“O poder é constantemente camuflado e o grande desafio é reconhecer as suas cores”

PELA LIBERTAÇÃO DE HUMANXS, ANIMAIS E TERRA

Célula anarquista – Sebastián Oversluij Seguel

fonte:croce nera anarchica

Santiago, Chile: Atentado incendiário contra imobiliária

Entre uma formosa obscuridade lunar, de noite negra, sob a lua nova e um incandescente céu estrelado (madrugada de 18 de Janeiro), estendemos as asas e com a sua envergadura cobrimos de sombra este asqueroso mundo. Planeamos irritadxs, visibilizámos  o objetivo e aguardamos com cautela, lançando-nos então furiosamente numa discussão contra um ramo de vendas imobiliárias para logo de seguida inaugurar outra edificação podre (departamentos) denominada “ALTUM”, da empresa “INMOBILIARIA ACONCAGUA” – para amontoar ao abrigar um grupo de cidadãos escravos – apenas a alguns quarteirões de uma maldita esquadra de polícia, atacando o nariz POLÍCIA BASTARDA!

Conhecidos pela sua devastadora expansão civilizadora, impulsam  cidades onde não as há fortalecendo-as onde já existem e ousando sepultar a imensidade e diversidade do indomável e indomesticável – quando dizemos “ousam” é porque vocês, horda de bastardos dominadores, com as vossas infra-estruturas não são NADA. Conspiramos para que desapareçam, pois nem conseguem nem conseguirão submeter a imensidade do selvagem e aquelxs que continuam em guerra contra a máquina civilizadora do poder. Ao mesmo tempo, criam o sentimento e fingem a práxis do ataque, materializando o nosso caótico ato de guerra com a instalação de um dispositivo incendiário / explosivo nesta sala de vendas, conseguindo ativá-lo – logo a seguir ao atraso programado – para dar origem ao fogo. Avivando-se este começa a queimar parte  da fachada, do chão e do tecto. Já no caminho de saída da zona, conseguimos ouvir ainda as sirenes que mobilizavam caminhões de  bombeiros e um contingente policial – que, para sorte do inimigo,  conseguiram controla o fogo ardente, propagado com propósito e intenção destrutiva, a que ansiávamos alcançar.

O nosso objectivo e data, a propósito, não foi aleatório. Aconcagua Real Estate é uma empresa do Grupo SalfaCorp, que desenvolve, administraa e vende projectos imobiliários no pikun mapu, especificamente em Pudahuel, san miguel, las vizcachas, puente alto, colina, Huechuraba, Padre hurtado, La cisterna, Cerrillos e Maipú. Por sua vez, o SALFACORP é o maior grupo empresarial do sector de construção no Chile, civilizadores e antropocêntricos contemporâneos que se vangloriam em parágrafos bombásticos que explicitamente falam de “uma liderança indiscutível que cultivaram durante os seus quase 90 anos de história”.

“A empresa alcançou esta posição graças ao seu sólido modelo de negócios – estruturado para crescer de forma planificada e ordenada – baseado em unidades de negócios independentes entre si e diversificadas, que incluem especialidades replicáveis em outros mercados, como pode ser visto na expansão internacional que se levou a cabo.
90 anos destruindo a Terra em função do progresso humanóide, construindo portos, pontes, cidades, edifícios e mega-projectos variados. Assim, esses projetos e negócios de extração produzem fortunas com o sangue da terra, que são sempre avaliados pela sociedade antropocêntrica, patriarcal e especista – perpetuando a sua ânsia de progresso até ao ponto de se orgulhar de habitar as cidades – prisões,  mantendo assim, também, a identidade cidanóide que nos repugna e enoja.  Assim, sabemos que não são só simples e complexos projectos os que destroem a natureza, pois estes são o claro reflexo e materialização da ideia do mundo civilizado – que o poder e os seus cúmplices procuram expandir – sendo esta afinal a moderna ideia colonizadora à qual declaramos a nossa guerra, ao poder e à civilização.

Detestamos a vinda do papa, o que simboliza e representa; invasão, massacres de nativxs, despojo, evangelização, domesticação, AUTORIDADE, IERARQUIAS, CONTROLO, DOMINAÇÃO.  Por isso realizamos a ação na conjuntura da visita desta indesejável máxima autoridade clerical, juntando-nos assim às ações que, a partir da sua informalidade e autonomia, se ergueram em diversos pontos do território Pikunche e Wallmapu.

Como aprendizagem só nos resta decidir aqui e agora o ataque, potenciando e afinando as formas e materiais com que os atacar e sermos mais eficazes na finalidade destrutiva, nutrindo-nos da praxis insurrecional e guerrilheira tanto do passado como do presente. Desta vez eles conseguiram fazer o seu trabalho, apagando o kutral indomável, mas continuaremos em pé de guerra contra TODA A FORMA DE DOMINAÇÃO! “HOKA HEY”

Saudamos com o coração transbordante de alegria Tamara sol e a sua tentativa de fuga, abraçando as suas convicções na prática, cada ato virando uma guerra contra esta maquinaria. Uma piscadela de cumplicidade aos/às dignxs companheirxs em guerra e sequestradxs nas prisões do poder do mundo inteiro!

Aos/às presxs políticxs mapuche e à sua resistência inquebrável no wallmapu com o exercício diário del kimun ancestral e coerente ataque às estruturas que devastam o território.

RESISTÊNCIA, NEWEN(1) E LIBERDADE AO MACHI CELESTINO CORDOVA – atualmente sequestrado na prisão de Temuco – que iniciou a sua GREVE DE FOME LÍQUIDA a 13 de Janeiro do presente ano EXIGINDO A URGENTE SAÍDA DO SEU REWE (2) E A RENOVAÇÂO DESTE.

Desta vez na warria (3), fazemos-nos presente com esta ação, apoiando também a greve do machi celestino, solidarizando-nos assim a partir da confrontação com o poder, da guerra  e da espiritualidade autónoma, fazendo-nos parte do conflito, encontrando-nos nas semelhanças e diferenças, mas caminhando com a intenção visível de não retroceder perante a colonização civilizadora.

Com a MEMÓRIA sempre viva, ativa e perigosa, avançamos junto aos/às nossxs guerreirxs mortxs, que nos velam junto o nosso espírito de combate. PELAO ANGRY, PUNKY MAURI, CLAUDIA LOPEZ, MATIAS CATRILEO, ALEX LEMUN E A TODXS XS COMPAS QUE VIVERAM EM CONFLITO E QUE NÃO CEDERAM NEM UM  MILÍMETRO FRENTE AO INIMIGO, PRESENTES AGORA E SEMPRE!

A MACARENA VALDES ASSASSINADA POR DEFENDER A MAPU DOS COLONOS AUSTRÍACOS DA EMPRESA RP GLOBAL E DO SEU NEGÓCIO EXTRATIVISTA, QUE NÃO HESITARAM EM MATÁ-LA E SIMULAR UM SUICÍDIO. NADA MAIS QUE UMA VINGANÇA DA LAGMIEN M. VALDESS.

A STGO MALDONADO, COMPA ANARQUISTA ASSASSINADO PELA GENDARMERIA NO OUTRO LADO DA CORDILHEIRA. UM ABRAÇO ONDE TE ENCONTRARES E ATAQUE DIRETO AOS LACAIOS QUE TE ARREBATARAM A VIDA.

FOGO ÀS PRISÕES E AOS SEUS CARCEREIROS, ÓDIO ETERNO A TODXS XS CORPOS POLICIAIS EM QUALQUER DAS SUAS EXPRESSÕES.

DESPREZO AOS/ÀS YANACONAS (4) QUE DE JOELHOS SE INCLINARAM PERANTE O PAPA!
SELVAGENS EM VEZ DE CIVILIZADXS, AQUI E AGORA PELA LIBERTAÇÃO TOTAL!
FOGO E SABOTAGEM À I.I.R.S.A!
CONTRA O PODER DA IGREJA E A MORAL CRISTÃ, BLASFEMOS EM VEZ DE DEVOTOS. NEM O PAPA NEM NENHUM MISERÁVEL EVANGELIZADOR SERÁ BEMVINDO!
CÁ ENCONTRAMOS-NOS EM GUERRA CONTRA TODA A AUTORIDADE!

Estampido Iconoclasta pelo Selvagem

N.T:
(1) Newen são as forças celestes.

(2) Todas as grandes cerimónias religiosas Mapuche se realizam ao pé do REWE, sendo este a árvore cósmica, símbolo da profissão do MACHI, também conhecido como KEMUKEMU; simboliza a árvore sagrada onde os espíritos invocados pousam. Este altar consiste num tronco de árvore com cerca de 3 metros de altura, cuja extremidade superior é esculpida em forma de cabeça humana, com ou sem chapéu; a frente tem a forma de uma escada de 4 a 7 degraus, aqueles que representam os quadrantes do seu cosmos “.

(3) Waria é cidade (em língua Mapuche)

(4) “Yanacona” é um termo depreciativo de origem Mapuche, para aqueles  que realizam ações consideradas contrárias aos interesses do seu povo,  como por exemplo, declarar contra xs comuneirxs e activistas mapuches nos julgamentos que o Estado chileno realiza contra elxs. É usado como sinónimo de traidor.

(5)”Hoka Hey” é uma exclamação em Sioux, semelhante às expressões: “Vamos nisso!”ou “Vamos entrar em ação!”

em espanhol

Uruguai: Ação no âmbito do Dezembro Negro

Há dias, de passagem pela cidade de Maldonado (território controlado pelo estado uruguaio) entre tantas câmaras de vigilância, polícias, devoção pelo dinheiro e cidadãos – robots  aspirantes a burgueses (em termos económicos porque quanto a valores já o são!) encontramos-nos perante um graffiti em solidariedade com o bosque de Hambach, em território alemão – o qual está a ser ameaçado de ser arrasado na sua totalidade para o arranque de uma mina de carvão (lenhite) propriedade da multinacional RWE e onde há anos que se vem acampando e resistindo à sua devastação. Nesse graffiti também estava escrito “fora UPM” como recusa à futura instalação da 3ª fábrica de celulose em território uruguaio. Assumimos que o lugar onde se fizeram os graffitis não foi escolhido por uma questão de sorte já que pertence a uma loja comercial da UTE – o que fez que não só criássemos afinidade com o que estava escrito, mas que nos tenha ocorrido realizar aí a nossa contribuição para a guerra contra a sociedade tecno – industrial. Assim, procedemos à recolha dos materiais necessários para atacar a pata energética que permite que esta repugnante civilização continue a funcionar.

Altas horas da madrugada de 8 de Dezembro – com Alexis Grigoropoulos e o Pelao Angry na memória, com o coração a bombar fortemente nos nossos peitos pelos nervos/medos/raiva – quebrámos uma montra da dita loja e atirámos para dentro uma garrafa cheia de combustível que, por um erro nosso (não humedecemos suficientemente a mecha e esta apagou-se ao atirá-la) não teve as consequências desejadas. Aprendizagens para a próxima sabotagem! De qualquer modo, não temos dúvida de que, no dia seguinte, não deve ter sido um dia mais, algo quisemos deixar claro, nem todxs vão abaixar a cabeça e ficar paralisadxs perante a destruição da terra! Há quem procure quebrar os seus vidros, máquinas, o seu cimento, as suas lógicas, os seus truques, as suas manias da superioridade e, sobretudo, a sua apatia generalizada.

Como cada ação que provoca sorrisos cúmplices em quem se encontra atrás das grades ou que se encontram perseguidxs em qualquer canto do mundo – quebrando assim o isolamento que lhes querem impôr – también isto vai para vocês! força e verticalidade, não estão sós! E bem sabemos que nas ruas não estão todxs!

Quebra as tuas próprias barreiras, vence xs teus medxs e não esperes por nada, ataca-os como te seja possível!

Bando de aves migratórias

em espanhol

Valparaíso, Chile: Barricadas e confrontos em Playa Ancha

14/12/2017

A 7 anos do massacre na prisão de San Miguel…
A 4 anos da caída em combate de Sebastian Oversluij…

POR UM DEZEMBRO NEGRO, PROCURA QUE VIVA A ANARQUIA!!!

Hoje há 81 razões para lutar, 81 razões para subverter a ordem e enfrentar os seus lacaios, para lhes recordar que a massa cidadã borrega é cúmplice da sua actuação, porque nem esquecemos nem tampouco perdoamos.

ABAIXO A PRISÃO E GUERRA AOS CARCEREIROS!!!

Com o anárquico pelao angry e o bruxo, presente em cada revolta, em cada motim, saímos à rua para afilar os gestos de memória e nos solidarizarmos com xs compas presxs na guerra frontal e permanente contra o estado, o patriarcado e o capital, pelo mesmo enviamos um cúmplice e caloroso abraço ao/à compas Juan e Nataly, que estão a ser julgadxs pelo poder no denominado caso bombas 2, assim como às/aos compas que estão na mira do poder e da imprensa em Valparaíso no caso 21 de Maio.

De igual forma nos solidarizamos com cada insurretx em revolta…

Até que a solidariedade se faça arma!!

em espanhol

Chile: Por um Dezembro Negro!

Com o anárquico Sebastián Oversluij na memória, a quatro anos de sua morte em combate no Chile, em meio de uma tentativa de expropriação bancária em Dezembro de 2013.

Com o coração inchado recordando o companheiro anarquista Alexandros Grigoropoulos, a sete anos de ser assassinado em Exarchia, Grécia, pelas balas da polícia em 2008.

Por um Dezembro Negro!

Enquanto o totalitarismo democrático e civilizado avança expandindo seus
mecanismos de controle e vigilância, devastando territórios naturais, atacando espaços liberados e implementando a caça de insurgentes em todo o mundo, impondo castigos, prisão e longas condenações contra xs inimigxs da dominação.

Enquanto na Itália nossxs companheirxs lançam blasfêmias contra os juízes e reafirmam suas convicções anárquicas no meio do julgamento pela operação repressiva Scripta Manent.

Enquanto milhares de presxs em luta se mobilizam na Grécia depois de tentativas do poder em asfixiar xs presxs com um novo código prisional.

Enquanto no Chile o poder tenta dar seu golpe de vingança exigindo longas condenações no julgamento contra xs anarquistas Juan Flores, Nataly Casanova e Enrique Durán.

Enquanto na Argentina ainda se sente a raiva e a dor pelo assassinato do companheiro Santiago Maldonado, e a polícia assassina o guerreiro mapuche Rafael Nahuel enquanto o governo militariza seus territórios começando os preparativos do próximo encontro da cúpula do G20.

Enquanto no Brasil a inteligência policial tenta frear a luta anárquica através da Operação Erebo, acusando companheirxs, espaços e bibliotecas anarquistas de estar por trás das belas explosões incendiárias que nos últimos anos se propagaram de maneira intencional contra sedes de partidos políticos, quartéis policiais e diversas estruturas de poder.

Enquanto tudo isso acontece, em diversos pontos do globo as vontades anárquicas exploram respostas práticas e ofensivas à agressão constante que representa a própria existência do poder e da autoridade.

Da dignidade dxs presxs em luta nas prisões da Bulgária aos incêndios de automóveis na França e as chamadas à ação na Chéquia. Da Bielorrússia à Austrália, do México à Bélgica e Alemanha. Da Bolívia ao Reino Unido, Finlândia, Rússia, Indonésia, Espanha e todo o mundo, os desejos de liberdade expressam, gritam, conspiram e agem sem chefes nem hierarquias, abrindo caminho para a anarquia aqui e agora.

É por isso que dezembro continua sendo um convite à comunicação insurgente com o calor selvagem da ação ofensiva contra o poder.

Por todxs nossxs companheirxs presxs e perseguidxs. Por todxs xs que se levantam e agem contra a dominação atacando suas estruturas e representantes.

Que a solidariedade com nossxs companheirxs se torne ação. Que a memória de Sebastián Oversluij e Alexandros Grigoropoulos inflame barricadas e alimente incêndios e explosões contra o poder e seus defensores. Que o inimigo sinta o cerco da revolta em cada bairro, em cada cela, em cada esquina.

Por um Dezembro Negro, tente viver a anarquia!!

em espanhol

Atenas: Faixa em memória de Santiago Maldonado na Okupa Themistokleous 58

Santiago Maldonado vive na revolta.

Passados quatro meses desde o desaparecimento do nosso companheiro anarquista Santiago Maldonado e do seu assassinato às mãos do Estado, enviamos uma saudação aos/às companheirxs na América do Sul e fazemos uma chamada para se mantenha viva a chama da revolta neste Dezembro Negro.

De Exarchia até à América do Sul, a solidariedade anarquista é mais forte que qualquer fronteira.

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Copenhaga, Dinamarca: Embaixada da Argentina atacada com tinta

Foi na noite de 17 para 18 de Outubro que atacámos com tinta a entrada da embaixada argentina, em Copenhaga, além de lá termos grafitado o nome de Santiago Maldonado e um A circulado.

Esta ação surge na sequência do desaparecimento do anarquista Santiago Maldonado: o estado argentino é o grande responsável pelo que aconteceu há mais de dois meses. Alguns dias depois, ouvimos a triste notícia: o seu cadáver tinha sido encontrado [no rio Chubut]. Tanto o Estado como a polícia são responsáveis! Estamos furiosxs!

Anarquistas

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Montevideu, Uruguai: Corte de rua e queima de coberturas por Santiago Maldonado

Quando era meio-dia de quarta-feira, 25, decidimos cortar a monotonia da tarde, assim como o tráfego e a circulação de mercadorias, para que os transeuntes tomem um instante das suas alienadas horas e reflitam sobre a vida e morte de Santiago Maldonado, lutador anarquista recentemente assassinado pelo Estado argentino.

Santiago esteve desaparecido e foi assassinado por se solidarizar com a causa do povo Mapuche que, até à data, resiste firme em várias comunidades, instaladas em territórios recuperados à multinacional Benetton.

Vai também para elxs o nosso apoio e queremos também chamar a atenção dos cidadãos comuns para elxs e para a sua digna luta.

Por tudo isto, decidimos cortar o tráfego nos cruzamentos das ruas Arenal Grande e Galicia, queimando várias coberturas e deixando panfletos para explicar a acção.

Santiago não morreu, vive na revolta!

A guerra social continua!

Coletivo Fuego en Las Calles (Fogo nas ruas)

em espanhol

Argentina: Morte aos Estados assassinos, Santiago presente!

ESTADO/ TERRORISTA E ASSASSINO/ SANTIAGO PRESENTE!

AGORA JÁ FAZES PARTE DA TERRA QUE TANTO AMAVAS

Tristes são as horas que estamos a viver. Ontem, 20 de Outubro, Sérgio Maldonado confirmou o que tanto temíamos. O corpo plantado pela Gendarmeria no rio Chubut é o companheiro Santiago Maldonado.

A gendarmeria é responsável. O Estado é responsável. Porque foram eles que o levaram do território rebelde de Cushamen, a 1 de Agosto.

Santiago Maldonado já não é um desaparecido, agora é um assassinado. Mas não podemos nos esquecer nunca do mais importante. Santiago Maldonado foi morto por lutar, por ser solidário, por enfrentar a Gendarmeria ao lado dos weichafes (guerreiros) do MAP, o Movimento Mapuche Autónomo do Puel Mapu, exigindo a liberdade de Facundo Jones Huala.

Santiago Maldonado foi morto pela propriedade privada. Não satisfeitos com o terem-lo feito desaparecer e matado, quiseram e e continuam a distorcer a sua figura. E até muitxs dos que dizem honrar a sua memória, também.

Há que tê-lo sempre nos nossos corações como um lutador – alguém que tentou, ao lado de outrxs, mudar esta sociedade de merda onde a mercadoria prevalece sobre a vida.

A nossa melhor homenagem será continuar a lutar, continuar a desafiar o Estado e o Capital como ele o fazia. Santiago Maldonado esse que pelejou nas barricadas de Chiloé defendendo o mar. Santiago Maldonado esse que lutou pela imensa terra do sul.

Cada vez que sopre o forte vento da Patagónia, ele lá estará. De cada vez que os rebeldes do mundo tentarem tomar o céu por assalto, ele lá estará.

Descansa companheiro, o mar, a terra e as florestas pelas quais deste a vida estão à tua espera, para te abrigar.

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Viña del Mar, Valparaíso: Corte de estrada no Canal Chacao [13/09/2017]

Tanto Democracia como Ditadura assassinam, reprimem e fazem desaparecer a todxs aquelxs que se levantam em pé de luta e resistência contra o avanço da devastação capitalista, nos mais diversos sítios do planeta. Hoje, faz um ano em que assassinaram Macarena Valdes, às mãos de assassinos a soldo da empresa RP Global – a propósito de enfrentar a instalação de uma central no terreno Tranguil – tal como também se cumprem 12 anos do desaparecimento de Jose Huanante, às mãos da bastarda polícia na região de Puerto Montt. E já passado mais de um mês do desaparecimento de Santiago Maldonado, às mãos do Estado Argentino, por se solidarizar com a luta da resistência Mapuche, a nossa resposta é clara:

NÃO DAREMOS A OUTRA FACE PERANTE A VIOLÊNCIA QUOTIDIANA QUE XS NOSSXS COMPANHEIRXS DE LUTA SOFREM, ERGUEMOS-NOS E QUEBRAMOS A PASSIVIDADE DA ROTINA CIDADÃ COMO UM GESTO DE MEMÓRIA E AÇÃO SOLIDÁRIA COM TODAS AS LUTAS QUE SE LEVANTAM EM RESISTÊNCIA E OFENSIVA PELA LIBERTAÇÃO DA TERRA E PELA DEFESA DOS TERRITÓRIOS:

SOLIDARIEDADE COM XS PRESXS POLÍTICOS MAPUCHES DO CASO IGLESIAS QUE JÁ SE ENCONTRAM HÁ MAIS DE 90 DIAS EM GREVE DE FOME, AOS/ÀS IMPUTADXS DO CASO LUCHSINGER-MACKAY E COM TODXS XS PRESXS SUBVERSIVXS EXISTENTES POR TODO O MUNDO.

CLAUDIA LOPEZ, MACARENA VALDES E TODXS XS CAÍDXS, SEMPRE PRESENTES!

em espanhol

[Argentina] PODEMOS AINDA SER PIORES – Considerações e reflexões um mês após o desaparecimento de Santiago Maldonado

PODEMOS AINDA SER PIORES
Considerações e reflexões um mês após o desaparecimento de Santiago Maldonado

A 1 de Agosto, na Estrada Nacional nº 40, integrantes da Pu Lof em resistência de Cushamen e solidárixs fazem uma barricada, cortando o trânsito em repúdio com o processo que enfrenta Lonko Facundo Jones Huala, em solidariedade com este (pela segunda vez). Minutos depois chegariam camiões e camionetas com cerca de trinta gendarmes armados com espingardas de caça. Os peñis (Mapuches) começam a lançar pedras em resposta à presença das bastardas forças da ordem. A Gendarmeria avança aos tiros, queimando os precários casebres e pertences dxs habitantes da Lof, fazendo-os retroceder, atravessando um rio. Entre elxs encontra-se Santiago Maldonado (“El lechuga” ou “el brujo”) que fica para trás. Aqui, alguns habitantes da Lof observam que a Gendarmeria apanha Santiago e ainda outrxs afirmam que se ouvem os gendarmes  a dizer que “tinham um”.

Após isto começam a circular imagens e testemunhos sobre o facto de Santiago não aparecer e de como o tinha levado numa camioneta “unimog”. As autoridades mantêm silêncio acerca disto.

Na sexta-feira, 4 de Agosto, várias individualidades anarquistas, assim como solidárixs entram na casa da província de Chubut reivindicando a aparição de Santiago. O lugar foi propício à destruição. Computadores, quadros, janelas, decorações tudo foi destruído com raiva. No lugar deixam-se pintadas e panfletos alusivos à repressão em Cushamen.

Na segunda-feira 7 de Agosto convoca-se – através de várias organizações, grupos e família – uma manifestação na Plaza de Congreso, a qual acabou por ser muito numerosa, entre elxs encontrando-se muitxs companheirxs. Com raiva, não só por causa do que aconteceu, mas também por causa dos aparelhos dos politicos que, no período anterior às eleições, distribuíram a sua cédula da Frente de Esquerda. Naquele mesmo dia, após o final do ato.  a Rua Entre Ríos foi cortada, atirando-se pedras, à paulada e com petardos contra a infantaria, dois polícias da cidade e um guarda do congresso nacional que se encontrava no bairro. Duas motos da bófia seriam incendiadas ainda. A seguir dispersou-se, sem nenhum detido ou ferido da nossa parte.

Na sexta-feira, 11 de Agosto, são coordenados em diferentes partes do país (Bolsón, Bariloche, Rosario, Buenos Aires) diversas marchas e eventos. Na capital, as marchas são organizados por grupos DH (incluindo uma fração das mães da Plaza de Mayo), familiares e amigos do lechuga, além de organizações de esquerda que pedem uma concentração “pacífica” na Plaza de Mayo, em frente à Casa Rosada. Sendo uma concentração multitudinária, um dos irmãos do lechu lê uma carta dele, deixando clara a sua posição anti-bófia e anarquista.

Uma das coisas que nos causa muita raiva foi a utilização, por parte de partidos políticos, da imagem e da história do meio do nosso parceiro – PO, MST, MA Convergencia Socialista, partidos kirchneristas, ONGs, sindicatos (A CGT tem histórias bastante obscenas nos tempos peronistas, envolvendo grupos AAA e parapolícia) – para juntar (no meio da campanha eleitoral) mais alguns pontitos; O sequestro do lechuga NÃO É CAMPANHA POLÍTICA. Oportunistas que nunca deixaram de defender a propriedade privada, a gendarmeria e até mesmo os governos que diariamente os reprimem e mergulham na miséria; porque eles próprios querem alcançar esse poder e exercer essa mesma autoridade. Com eles e com as suas respostas conciliadoras não temos absolutamente nada a ver.

Na quinta-feira a 17, é convocada uma marcha em Cordova Capital, onde se podia ver uma grande multidão a pedir o aparecimento de Santiago com vida. A polícia implantou um grande aparelho para evitar distúrbios. Nessa mesma noite, de madrugada, anónimxs deixam um dispositivo rudimentar que  incendeia as portas de entrada do Corpo de Suboficiais da Gendarmeria Nacional de Córdoba. Não houve reivindicação. Dias depois, em uma marcha nacional contra os casos de gatilho fácil por parte da polícia, há confrontos e destruições em todo o centro de Cordova Capital. Posteriormente seriam invadidos diversos locais anarquistas, plataformistas e políticos (incluindo um refeitório), além de casas para mães que tiveram xs filhxs assassinadxs pela polícia. De lá só foram levados cartazes, faixas e folhetos que falariam sobre o caso de Santiago (mais o leite do refeitório). Algumas pessoas foram detidas, mas seriam libertadas algumas horas depois.

Na quinta-feira 24, a agrupamento grupo H.I.J.O.S e outros esquerdistas convocam uma manifestação e marcham na Plaza San Martín, na cidade de La Plata. Há muita gente e até mesmo um bloco negro de anarquistas. Durante a marcha ocorrem alguns danos nas ruas centrais da cidade. A marcha terminará o seu percurso na mesma praça de onde saíu. Em frente, através de uma rua, o Senado de Buenos Aires. Perante o olhar atónito de alguns cidadãos indignados, a rua é cortada, destrói-se um caminhão bem quotizado no mercado e o Senado é atacado com pedras e um par de molotovs, conseguindo algum dano e queimando um pouco a fachada do próprio Senado … Algumas horas depois duas pessoas deixam dois bidões repletos de nafta que fazem arder dois carros no estacionamento do Senado. Ninguém reivindicou o ataque. Dias depois, despedem o chefe da polícia secreta de Buenos Aires.

Em algumas dessas concentrações e marchas, bem como nas ruas ou universidades e especialmente nas redes sociais, observamos que uma grande parte da opinião pública se tornou empática e  ficou “sensibilizada” com o que se passou com Santiago (e uma pequena parte apoia alguns fatos de violência). É verdade que na Argentina, quando se fala de pessoas desaparecidas, se evocam as ditaduras militares e as várias recordações que foram registadas nas memórias da sensibilidade social. O que a grande maioria dos políticos tentam enterrar é que é a continuação dos aparelhos repressivos e as semelhanças que possuem tanto os governos ditatoriais quanto os governos democráticos. Repressão, tortura e desaparecimentos forçados nunca se foram de vez…

Acreditamos que é necessária a expansão do conflito. Desde um primeiro momento, companheirxs e pessoas solidárias manifestaram-se de forma criativa em diferentes partes do mundo. Em primeiro lugar, Uruguai, Chile, Bolívia e Peru, depois Estados Unidos, Espanha, Índia, França, Síria, Colômbia, México e muitíssimos outros cantos deste planeta gasto. Tudo isso difundiu não só o que aconteceu com o lechuga, mas também que a solidariedade é internacionalista e não tem mais nenhumas fronteiras do que os limites que a nós mesmxs nos colocamos.

A imprensa aponta, o estado dispara Continuar a ler[Argentina] PODEMOS AINDA SER PIORES – Considerações e reflexões um mês após o desaparecimento de Santiago Maldonado

[Argentina] Destruamos a Sargentina!

Sede central da GEOF (grupo especial de operações anti-terroristas) da Argentina.

Destruamos a Sargentina!!!

Estas “palavras” não são (só) isso: passámos à “fase” da @ção DIRETA e mentem porque têm medo de nós… Nem tudo o que se passa se vê nos ‘diários’ do sistema! Nem nos nossos tampouco! E está a acontecer tudo muito rápido compitas. Vertigem revolucionária a sacudir o coração: era o que queríamos e o que temos por fim. Sim, teve o custo de um companheiro; mas é a lava que os irá sepultar. Que não se dê o corpo ao manifesto de forma tonta – bem o advertem xs lindxs cúmplices de Portugal – sejamos inteli.gentes: nem “anarquismo de biblio.tecas”, nem uma punkitude “insurrecional” auto-destrutiva, estamos de acordo? Não inventámos nada. Somos da mesma fibra que conhecemos no “Lechu”, escutem aí bem tod@s que, agora, o reivindicam como “próprio”. É tal e qual como disse um@ d@s noss@s: ANARQUISTA! Inimigo do estado, do capital e da fodida “paz social” destas pessoas que agora (..um raio “ayahuasqueiro” os parta) andam por aí a choramingar, fazendo politi.Kaka com os nossos ideais. Não somos “infiltrad@s…”, como @s cúmplices do Espectáculo cacarejam cada vez que na revolta anárquica arde a paixão. Assim:

– A 31 de Agosto, um dia antes de se cumprir um mês sem Lechu, ardeu o edifício do GEOF, eheh… O Grupo Especial da Operação Federal “anti-terrorista”, em pleno bairro burguês de Palermo… em pleno centro de Buenos Aires – os mass-merda ocultaram esse facto; tal como o fizeram com muitas das ofensivas que nunca lhes passou pela cabeça que poderiam atingir os seus centros de “poder”.

– Após a manifestação no El Bolson [1 de Setembro], a merda da gendarmeria quase que foi incendiada com molotovs (eram “infiltrad@s” também..?).

– Em La Plata, queimámos uma parte do senado, seguido de um atentado, no ‘Ministério’ da ‘Segurança…’, com um gendarme ferido e carros queimados, sem detid@s.

– Após a manifestação em Buenos Aires – com um saldo de 31 detid@s que nem sequer estavam nas barricadas da Av. de Mayo – os mass-merda voltaram a dizer que a “calma” estava a regressar mas… cerca de vinte encapuçad@s colaram-se à casa rosada (sede do governo) com molotovs, e… estiveram a ponto de deitar fogo à sua sede imunda.

– Foi destroçada a sede da gendarmeria, a pouca distância, numa ação coordenada, arriscada e muito valente.

Mas não podemos deixar de mencionar as invasões policiais de Cordoba! A bófia entrou em vários locais libertários (circula a info nas redes), na capital dessa província e levaram bombos e faixas…
O periódico fascista La Nacion acaba de ‘apontar’ contra a exFLA (a Federação Libertária Sargentina…) que foi convertida em Ateneu Anarquista; estejamos alerta… Se tocam num@ tocam a tod@s e nem o avanço da sua repressão impedirá que tornemos reais os seus piores pesadelos.

Agradecemos a Contra Info pelo seu trabalho assim como a tod@s que (por toda a parte), apoiam a nossa luta de morte contra toda a autoridade.

M@K (i) M.Anarquico.Kosmico.informal

SANTIAGO PRESENTE SEMPRE, GUERRA AO ESTADO ASSASSINO.
SEMPRE IRREDUTÍVEIS. DESTRUAMOS O SEU SISTEMA!!!
E QUE O MEDO SE DISSOLVA: ANARQUIA, ANARQUIA AGORA

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Prisões chilenas: Carta do companheiro Marcelo Villarroel Sepúlveda respeitante ao caso de Santiago Maldonado

LUTA CONSTANTE CONTRA TODAS AS JAULAS, A AMNÉSIA E A PASSIVIDADE COBARDE!!!

Estas palavras nascem e tornam-se necessárias quando é preciso abraçar todxs aquelxs que se entregam desmedidamente ao buscado encontro da Libertação Total.

Pela ampliação da Revolta, pela ineludível confrontação com o poder, pela disseminação das práticas autónomas de negação da dominação e tudo o que a torna possível.

Enquanto escrevo, o Ódio e a Raiva guiam-me… Enquanto cada um segue a sua vida há um queridx compa que nos falta…

SANTIAGO MALDONADO, o Lechu, o Brujo, desapareceu.
E não posso guardar silêncio nem evitar a sua física ausência.

Desde a altura em que experienciamos a prisão na região dominada pelo Estado da Argentina que os nossos passos se cruzaram. Nós encarceradxs na província de Newken e Santiago agitando na cidade de La Plata, junto a um universo de ativxs companheirxs, solidárixs e cúmplices.

Mais de nove anos depois do momento em que os nossos passos se cruzaram no contínuo caminho da irmandade, caminho esse que nos situa no mesmo lado da trincheira.

Porque tem de ser dito claramente: Estamos em Guerra contra a opressão e a miséria!!!
Contra todas as polícias, Estados, pátrias e xs cobardes que acomodam os seus discursos e vidas para torná-las inofensivas e integradas.

Não há que esquecer nunca que aquelxs de nós que decidiram passar à ofensiva também assumiram o risco permanente. Não somos vítimas passivas das circunstâncias nem merxs espectadorxs.

Tal como aconteceu com Santiago que em completa coerência com o seu sentir anárquico foi feito desaparecer a 1 de Agosto pela Gendarmeria (força intermédia entre a Polícia e o exército) enquanto se solidarizava ativamente com a luta Mapuche em Cushamen, província de Chubut, ao sul da Argentina e próxima da fronteira com o Chile.

Já passou um mês e o Lechuga não aparece. E ainda que Santiago esteja entre todxs xs de nós que não esquecemos nem abandonamos a luta diária a sua presença física faz-nos falta.

Trazê-lo-emos de volta devolvendo golpe por golpe, multiplicando os seus gestos e actos em todo o planeta, contra xs miseráveis responsáveis de que hoje não o possamos abraçar.

Aqui da prisão, hoje a minha chamada é para se aprofundar o ataque contra a amnésia e o medo. Porque quem diz crer na Anarquia deve entrar em ação em concordância com a dita convicção.

Centenas de prisioneirxs revolucionárixs em todo o mundo, unidxs por convicções similares, somos a expressão viva de uma luta sem pátrias nem fronteiras que busca a destruição total de todas as cadeias, jaulas e cárceres nas quais vivem grande parte da população do planeta.

São tempos de combate, não podemos ocultar o evidente.

O fogo rebelde e ancestral vai incinerando as máquinas do capital depredador, o sangue insurreto dxs nossxs caídxs acompanha os nossos rituais de guerra, as nossas silenciosas conspirações buscam a única justiça possível: A Vingança faz-se urgente e necessária.

POR SANTIAGO E TODXS XS NOSSXS CAÍDXS: NEM UM MINUTO DE SILÊNCIO E TODA UMA VIDA DE COMBATE!!!

SOLIDARIEDADE E FRATERNIDADE INTERNACIONAL PELA DEMOLIÇÂO DE TODAS AS PRISÔES!!!

ATÉ À DESTRUIÇÃO DO ÙLTIMO BASTIÃO DA SOCIEDADE CARCERÁRIA!!!

ENQUANTO EXISTIR MISÉRIA HAVERÁ REBELIÃO!!!

Marcelo Villarroel Sepúlveda
Prisioneiro Libertário
Prisão de Alta Segurança
Stgo. Chile
30 Agosto 2017.

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Corunha, Galiza: Contra-informação nas ruas, um mês depois do desaparecimento de Santiago Maldonado

Passado um mês do desaparecimento do companheiro Santiago Maldonado, difundimos a informação nas ruas, no noroeste da península Ibérica: na Corunha, cidade portuária, da qual partiram centenas de barcos com imigrantes para a América Latina. Cidade onde é praticamente nula a informação que a este lado do Atlântico chega, através dos meios de informação hegemónicos. Também não estávamos à espera de outra coisa.

A Europa colonizadora nunca deixou de o ser – embora pouco ou nada se fale aqui da devastação que as multinacionais europeias e os seus aliados, os Estados, estão a levar a cabo na América do Sul: oculta-se isso, atrás das máscara das ONGs e da mais hipócrita e paternalista das caridades.

Antes que os serviços de limpeza da cidade silenciem de novo as paredes, algo ficará dito sobre o que se passou a 1 de Agosto – nesse dia a Gendarmeria da Argentina sequestrou Santiago, “El Lechu”, na Lof de Resistência Cushamen – e também sobre a repressão e a expropriação constante que sofrem o povo e a Comunidade Mapuche.

Em apoio à situação que enfrentam xs companheirxs em toda a Argentina, e que se expande, rejeitando as fronteiras; em solidariedade com a luta do povo mapuche, para além de qualquer território delimitado pelo estado. Pelo companheiro “Lechuga” e todxs xs que lutam contra a dominação.

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Bolívia: O TIPNIS em emergência

O T.I.P.N.I.S. (Território indígena Parque Nacional Isiboro Secure) é um território no qual os devastadores da Pacha (Terra) vêem um espaço para saquear e enriquecer, sofrendo um assédio permanente tanto do Poder como de outros com menos poder, mas igualmente exploradores, como sejam plurinacionais (colonos, de acordo com o disfarce semântico do neocolonialismo), capitalistas e os furtivos. Madeireiros, caçadores de jacarés, lagartos, jaguares, etc. Bolivianos e estrangeiros, produtores de coca, empresas petrolíferas, etc, constituem o grupo das partes interessadas que apoiam o “processo de mudança”, um projecto que ainda não é nada capitalista e já traz consigo empresas multinacionais, para o enriquecimento destas através da destruição da natureza.

Não é apenas a flora que tentam destruir, são milhares de espécies animais e comunidades que têm até aqui sobrevivido ao avanço do capital e da civilização – levando-lhes quartéis, hospitais, doenças das cidades. O que o poder faz é subestimar a capacidade que têm para coexistir em harmonia constante com o seu meio ambiente – apenas um pretexto para entregar o seu território aos exploradores – e a única coisa que querem é que não se construa a estrada que irá levar “progresso e desenvolvimento” (miséria e etnocídio, em síntese) e verem-se livres do seu rápido desaparecimento, pois esse “desenvolvimento” envolve a prostituição, o tráfico e a exploração humana e animal, o narcotráfico e todas as doenças que temos de combater nas cidades.

O TIPNIS encontra-se localizado entre o norte de Cochabamba e o sul de Beni; entre 2000 e 2012 foram feitas nove marchas pelo território e dignidade – exigindo que o Poder respeite a sua autodeterminação e que não se intrometa na sua forma de se relacionar com o seu meio natural , já que o lugar tem muita diversidade no que diz respeito à natureza, bastante atraente para os exploradores, portanto.

Em Outubro de 2011, após a chegada de milhares de manifestantes, em marcha pelos TIPNIS, obteve-se a aprovação de uma lei que concedia a intangibilidade à área protegida; O poder aprovou no dia 8 de Agosto uma lei que elimina a intangibilidade de TIPNIS, com base numa consulta fraudulenta, na qual as comunidades indígenas resistiram a participar, votando colonos, outras pessoas e líderes compradxs, expulsos mais tarde pelas comunidades TIPNIS. A finalidade do Poder é terminar a parte que falta da estrada que dividirá o TIPNIS em dois, beneficiando sectores e empresas capitalistas interessadasno saque do parque.

Este projeto faz parte da IIRSA, como sabemos; a sua intenção é “integrar” os países da América do Sul por meio de estradas, vias fluviais, ferrovias, etc. Esta integração é acompanhada de negócios entre o Poder, transnacionais, cocaleiros e restantes  interessados em enriquecer à custa da pilhagem. Sabemos que o TIPNIS resistirá a essa imposição, o apoio solidário é importante em todas as cidades, para lá das leis e decretos, de ONGs, partidos de direita, ambientalistas reformistas e outras instituições. A solidariedade acrata marca presença nas lutas dos povos – porque lutam para se verem livres do Capital – alegramos-nos por ver ser gerada rebeldia e autonomia nestes setores, em que se luta por uma vida não condenada à exploração, como a que existe nas cidades. Temos muito contra que lutar: a central nuclear, as hidroeléctricas de Bala, Chepete, Rositas, contra todos os restantes projectos do Capital.

Noutros Estados – as lutas nos irmanam – lamentamos comunicar a desaparição de Santiago Maldonado, na Argentina, após a repressão em Cushamen, Chubut, onde viram como os gendarmes o detiveram, como parte da repressão a esta comunidade, para que a Benetton lhes possa arrebatar as terras. Força ao Povo Mapuche no Chile e Argentina, a sua luta é compartilhada por nós, todos os Estados são iguais, o inimigo é o mesmo.

Nem ditadura nem democracia, auto-organização e autonomia na luta
Jan jiwkampi TIPNIS (Não morras TIPNIS)

A responder à chamada pela agitação por Santiago Maldonado!

A 1/9 já se terá passado um mês da data de desaparição forçada do nosso compa Santiago Maldonado. Claramente foi detido, sequestrado e feito desaparecer pela gendarmeria. O estado e a sua força repressiva são obviamente responsáveis. A partir de 1/9 responderemos à chamada extensiva de um mês de agitação e ação através da insurreição pela revolta e o caos.

Fogo revólver e bombazos até que nos devolvam Santiago

Célula nihilista pela revolta expansiva

Chamada internacional pelo aparecimento do companheiro Santiago Maldonado – 01/09

TERRORISTA É O ESTADO

Chamada a nível internacional para nos manifestarmos pela aparição do companheiro Santiago Maldonado, feito desaparecer pelo estado argentino durante a repressão à comunidade mapuche a 1 de Agosto na lof em resistência de Cushamen (Chubut-Arg.). Este facto demonstra-nos uma vez mais quanto sinistro é o estado e os seus verdugos.

A 1 de Setembro cumpre-se UM MÊS de desaparição do “Lechu” ,“el Brujo”. Mês esse durante o qual o Estado e os meios de comunicação, mais do que uma vez, justificaram a desaparição e noutras viraram do avesso a informação, chegando até a culparem a comunidade mapuche e a sua família.

QUE A RAIVA E AS AÇÕES TRANSBORDEM!
A SOLIDARIEDADE NÃO DESAPARECE!