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Santiago, Chile: Atentado incendiário contra imobiliária

Entre uma formosa obscuridade lunar, de noite negra, sob a lua nova e um incandescente céu estrelado (madrugada de 18 de Janeiro), estendemos as asas e com a sua envergadura cobrimos de sombra este asqueroso mundo. Planeamos irritadxs, visibilizámos  o objetivo e aguardamos com cautela, lançando-nos então furiosamente numa discussão contra um ramo de vendas imobiliárias para logo de seguida inaugurar outra edificação podre (departamentos) denominada “ALTUM”, da empresa “INMOBILIARIA ACONCAGUA” – para amontoar ao abrigar um grupo de cidadãos escravos – apenas a alguns quarteirões de uma maldita esquadra de polícia, atacando o nariz POLÍCIA BASTARDA!

Conhecidos pela sua devastadora expansão civilizadora, impulsam  cidades onde não as há fortalecendo-as onde já existem e ousando sepultar a imensidade e diversidade do indomável e indomesticável – quando dizemos “ousam” é porque vocês, horda de bastardos dominadores, com as vossas infra-estruturas não são NADA. Conspiramos para que desapareçam, pois nem conseguem nem conseguirão submeter a imensidade do selvagem e aquelxs que continuam em guerra contra a máquina civilizadora do poder. Ao mesmo tempo, criam o sentimento e fingem a práxis do ataque, materializando o nosso caótico ato de guerra com a instalação de um dispositivo incendiário / explosivo nesta sala de vendas, conseguindo ativá-lo – logo a seguir ao atraso programado – para dar origem ao fogo. Avivando-se este começa a queimar parte  da fachada, do chão e do tecto. Já no caminho de saída da zona, conseguimos ouvir ainda as sirenes que mobilizavam caminhões de  bombeiros e um contingente policial – que, para sorte do inimigo,  conseguiram controla o fogo ardente, propagado com propósito e intenção destrutiva, a que ansiávamos alcançar.

O nosso objectivo e data, a propósito, não foi aleatório. Aconcagua Real Estate é uma empresa do Grupo SalfaCorp, que desenvolve, administraa e vende projectos imobiliários no pikun mapu, especificamente em Pudahuel, san miguel, las vizcachas, puente alto, colina, Huechuraba, Padre hurtado, La cisterna, Cerrillos e Maipú. Por sua vez, o SALFACORP é o maior grupo empresarial do sector de construção no Chile, civilizadores e antropocêntricos contemporâneos que se vangloriam em parágrafos bombásticos que explicitamente falam de “uma liderança indiscutível que cultivaram durante os seus quase 90 anos de história”.

“A empresa alcançou esta posição graças ao seu sólido modelo de negócios – estruturado para crescer de forma planificada e ordenada – baseado em unidades de negócios independentes entre si e diversificadas, que incluem especialidades replicáveis em outros mercados, como pode ser visto na expansão internacional que se levou a cabo.
90 anos destruindo a Terra em função do progresso humanóide, construindo portos, pontes, cidades, edifícios e mega-projectos variados. Assim, esses projetos e negócios de extração produzem fortunas com o sangue da terra, que são sempre avaliados pela sociedade antropocêntrica, patriarcal e especista – perpetuando a sua ânsia de progresso até ao ponto de se orgulhar de habitar as cidades – prisões,  mantendo assim, também, a identidade cidanóide que nos repugna e enoja.  Assim, sabemos que não são só simples e complexos projectos os que destroem a natureza, pois estes são o claro reflexo e materialização da ideia do mundo civilizado – que o poder e os seus cúmplices procuram expandir – sendo esta afinal a moderna ideia colonizadora à qual declaramos a nossa guerra, ao poder e à civilização.

Detestamos a vinda do papa, o que simboliza e representa; invasão, massacres de nativxs, despojo, evangelização, domesticação, AUTORIDADE, IERARQUIAS, CONTROLO, DOMINAÇÃO.  Por isso realizamos a ação na conjuntura da visita desta indesejável máxima autoridade clerical, juntando-nos assim às ações que, a partir da sua informalidade e autonomia, se ergueram em diversos pontos do território Pikunche e Wallmapu.

Como aprendizagem só nos resta decidir aqui e agora o ataque, potenciando e afinando as formas e materiais com que os atacar e sermos mais eficazes na finalidade destrutiva, nutrindo-nos da praxis insurrecional e guerrilheira tanto do passado como do presente. Desta vez eles conseguiram fazer o seu trabalho, apagando o kutral indomável, mas continuaremos em pé de guerra contra TODA A FORMA DE DOMINAÇÃO! “HOKA HEY”

Saudamos com o coração transbordante de alegria Tamara sol e a sua tentativa de fuga, abraçando as suas convicções na prática, cada ato virando uma guerra contra esta maquinaria. Uma piscadela de cumplicidade aos/às dignxs companheirxs em guerra e sequestradxs nas prisões do poder do mundo inteiro!

Aos/às presxs políticxs mapuche e à sua resistência inquebrável no wallmapu com o exercício diário del kimun ancestral e coerente ataque às estruturas que devastam o território.

RESISTÊNCIA, NEWEN(1) E LIBERDADE AO MACHI CELESTINO CORDOVA – atualmente sequestrado na prisão de Temuco – que iniciou a sua GREVE DE FOME LÍQUIDA a 13 de Janeiro do presente ano EXIGINDO A URGENTE SAÍDA DO SEU REWE (2) E A RENOVAÇÂO DESTE.

Desta vez na warria (3), fazemos-nos presente com esta ação, apoiando também a greve do machi celestino, solidarizando-nos assim a partir da confrontação com o poder, da guerra  e da espiritualidade autónoma, fazendo-nos parte do conflito, encontrando-nos nas semelhanças e diferenças, mas caminhando com a intenção visível de não retroceder perante a colonização civilizadora.

Com a MEMÓRIA sempre viva, ativa e perigosa, avançamos junto aos/às nossxs guerreirxs mortxs, que nos velam junto o nosso espírito de combate. PELAO ANGRY, PUNKY MAURI, CLAUDIA LOPEZ, MATIAS CATRILEO, ALEX LEMUN E A TODXS XS COMPAS QUE VIVERAM EM CONFLITO E QUE NÃO CEDERAM NEM UM  MILÍMETRO FRENTE AO INIMIGO, PRESENTES AGORA E SEMPRE!

A MACARENA VALDES ASSASSINADA POR DEFENDER A MAPU DOS COLONOS AUSTRÍACOS DA EMPRESA RP GLOBAL E DO SEU NEGÓCIO EXTRATIVISTA, QUE NÃO HESITARAM EM MATÁ-LA E SIMULAR UM SUICÍDIO. NADA MAIS QUE UMA VINGANÇA DA LAGMIEN M. VALDESS.

A STGO MALDONADO, COMPA ANARQUISTA ASSASSINADO PELA GENDARMERIA NO OUTRO LADO DA CORDILHEIRA. UM ABRAÇO ONDE TE ENCONTRARES E ATAQUE DIRETO AOS LACAIOS QUE TE ARREBATARAM A VIDA.

FOGO ÀS PRISÕES E AOS SEUS CARCEREIROS, ÓDIO ETERNO A TODXS XS CORPOS POLICIAIS EM QUALQUER DAS SUAS EXPRESSÕES.

DESPREZO AOS/ÀS YANACONAS (4) QUE DE JOELHOS SE INCLINARAM PERANTE O PAPA!
SELVAGENS EM VEZ DE CIVILIZADXS, AQUI E AGORA PELA LIBERTAÇÃO TOTAL!
FOGO E SABOTAGEM À I.I.R.S.A!
CONTRA O PODER DA IGREJA E A MORAL CRISTÃ, BLASFEMOS EM VEZ DE DEVOTOS. NEM O PAPA NEM NENHUM MISERÁVEL EVANGELIZADOR SERÁ BEMVINDO!
CÁ ENCONTRAMOS-NOS EM GUERRA CONTRA TODA A AUTORIDADE!

Estampido Iconoclasta pelo Selvagem

N.T:
(1) Newen são as forças celestes.

(2) Todas as grandes cerimónias religiosas Mapuche se realizam ao pé do REWE, sendo este a árvore cósmica, símbolo da profissão do MACHI, também conhecido como KEMUKEMU; simboliza a árvore sagrada onde os espíritos invocados pousam. Este altar consiste num tronco de árvore com cerca de 3 metros de altura, cuja extremidade superior é esculpida em forma de cabeça humana, com ou sem chapéu; a frente tem a forma de uma escada de 4 a 7 degraus, aqueles que representam os quadrantes do seu cosmos “.

(3) Waria é cidade (em língua Mapuche)

(4) “Yanacona” é um termo depreciativo de origem Mapuche, para aqueles  que realizam ações consideradas contrárias aos interesses do seu povo,  como por exemplo, declarar contra xs comuneirxs e activistas mapuches nos julgamentos que o Estado chileno realiza contra elxs. É usado como sinónimo de traidor.

(5)”Hoka Hey” é uma exclamação em Sioux, semelhante às expressões: “Vamos nisso!”ou “Vamos entrar em ação!”

em espanhol

[Prisões chilenas] Mensagem dxs companheirxs Juan e Nataly (5/12); Veredicto caso bombas 2 (21/12)

5/12/17 – Uma nova abordagem da situação para xs indivíduxs em permanente conflito com o poder e compas solidários de qualquer lugar do mundo. Passados que são já mais de 3 anos do nosso encarceramento e mais de 8 meses em julgamento oral pelo denominado “caso bombas 2”.

O tempo decorrido na prisão faz ressaltar a toda a hora o significado da vida que escolhemos conscientemente – desde que sentimos a necessidade de enfrentar essa realidade de extermínio e devastação com as suas relações de poder e submissão, para assim realmente viver- e agora aproximamos-nos inevitavelmente de algum final…

Estamos presxs há mais de 3 anos por assumirmos posição contra o sistema de dominação, sem remorso por isso. Já que não podíamos negar-nos a nós próprios, menos ainda o que significa esta luta contra o poder, na qual muitxs compas nos foram arrebatadxs, sendo para nós uma necessidade mantê-lxs presentes, dos pensamentos aos atos, para continuarmos assim a sermos cúmplices, destruindo as fronteiras do tempo e do espaço.

Há mais de oito meses que se está a realizar um julgamento contra nós mas do qual claramente não nos sentimos parte, pois desde muito tempo que sabemos ser os únicos proprietários das nossas existências,
não importando onde estivéssemos.  Convocadxs diariamente a este lugar significa sentir ainda mais o confinamento físico, ao estarmos algemadxs, em jaulas pequenas e com intrusões forçadas diárias. Apesar disso, conseguimos estar todo este tempo próximxs, como nunca pudemos estar nos mais de dois anos de prisão.

Contamos-lhes que nos encontramos próximo do fim deste julgamento, a 1 ou 2 semanas, aproximadamente Esperamos que termine de uma vez, já que a extensão do processo se deve ao apetite da acusação para apresentar a sua “prova” até ao cansaço… (7 meses de exposição), sabemos que este caso é bastante fantasioso em relação ao Real.

Do visto e ouvido aqui, acusam-nos finalmente, de:

1- Ataque explosivo a 08/09/2014 no subcentro escola militar (acusado: Juan). Ataque do qual se deu aviso à polícia (número 133), segundo eles com somente 3 minutos de  antecedência à detonação. Informação da qual não duvidamos que exista manipulação – pois devido ao que atrás foi exposto, após o aviso não se adoptou nenhum procedimento policial, nem sequer se informou deste aviso. Facto com consequências já conhecidas de existência de feridos.

2- Ataque explosivo a 13/07/2014, na estação terminal de metro los dominicos, deflagrando o dispositivo mais de 10 minutos depois de ter sido encontrado sobre um assento do trem subterrâneo, por um empregado de metro. (acusadxs: Natal y Juan)

Estas duas ações foram reivindicadas pelxs compas da conspiração das células de fogo.

3- Atentado explosivo a 11/08/2014, dispositivo posto por baixo do carro particular de um polícia, isto num estacionamento contíguo à 1ª esquadra de stgo central (acusadxs: Nataly e Enrique, por “facilitar” o dispositivo a Juan, a quem se acusa de colocador). Ao princípio também se acusou Juan pela colocação de um dispositivo explosivo, na 39ª esquadra do Bosque. No mesmo dia, a 11/08/2014, num horário que só diferia em 10 minutos, aproximadamente, da explosão na 1ªesquadra, em lugares separados por uma distância exageradamente maior no tempo… situação que insultava a lógica e só se tornava possível na imaginação da acusação, pelo foi retirada esta acusação – sendo no entanto utilizada como um tipo de prova em todo o julgamento.

Ambas as ações foram reivindicadas pela conspiração internacional pela vingança.

4- Nataly e Juan são acusadxs de colocação de pólvora negra.

A acusação (e não só eles), pretendem não só condenar-nos mas também condenar estes factos sob a lei antiterrorista e, como consequência, ao sepulcro que são os seus cárceres,  solicitando prisão perpétua a Juan, 20 anos e 1 dia a Nataly e 10 anos e 1 dia a Enrique.

Este processo só procura – pela sua natureza repressiva, policial, mediática, judicial e de prisão – ser um golpe e uma demonstração mais de força contra xs indivíduos que negam o seu poder. Este é um “processo” que – desde o nosso encarceramento a 18/09/2014-  contou já com mais de 2000 polícias para nos deter, no meio de um festim mediático. Polícías de diversas instituições tais como GOPE, LABOCAR, DIPOLCAR, PDI, entre outrxs, muitas das quais participaram neste julgamento na qualidade de testemunhas ou peritos, con informações de sitios do sucesso (por GOPE), levantamento de evidências (por LABOCAR e  DIPOLCAR) e a inteligência de Carabineros, a cargo deste caso. Com perícias tais como o ADN pretendem vincular-nos a estes factos, ADN de misturas complexas, ao limite de detenção e outras complicações técnicas que não entregam nem têm nenhuma certeza científica, é só uma interpretação tendenciosa, parcial até à manipulação da prova por parte dos polícias de LABOCAR, como podemos apreciar neste julgamento. Para além da forma subjetiva, procuram ainda justificar uma relação com os factos através do nosso posicionamento. Factos dos quais temos sustentado não ser autorxs, mas que é um elemento extraordinariamente para o Ministério Público, devido à sua vaga acusação.

Hoje temos a necessidade de não ceder frente aos golpes dos nossos inimigos e responder a cada compa  solidário e de ação que tenha estado connosco neste confinamento – compas dos mais diversos lugares do globo: Argentina, Brasil, Grécia, só para mencionar alguns. As suas diversas formas de desenrascar e propagar o conflito são fundamentais para aquelxs de nós que vivem a realidade prisional, e hoje queremos abraçá-lxs uma vez mais. Temos ainda bem claro que nada do que eles pretendam determinar, será suficiente para acabar com os nossos desejos de liberdade. A liberdade dxs compas presxs, e a mesma necessidade da destruição das prisões são parte das nossas abordagens e objetivos, pelo que o sentir nas mãos e chocar com estes muros só podem reforçar esta necessidade…

Hoje queremos saudar fraternalmente o Byron Robledo, compa atropelado por um miserável condutor dum transantiago em defesa da propriedade dos ricos. Quebrar a passividade e solidarizarem-se com Byron!!! Um abraço à distância ao companheiro Konstantinos Yajtzoglou, sequestrado em Atenas, acusado de atentar contra o primeiro ministro e empregado do FMI Loucas Papadimos. Solidariedade insurrecta com xs companheirxs da CCF e um abraço cúmplice a Freddy Fuentevilla, Marcelo Villarroel e Juan Aliste, sempre atentos e dispostos a se solidarizarem.

Recebemos com alegria a notícia da libertação de Hans Niemeyer e de Javier Pino, tal como a saída da prisão dos 8 comuneiros mapuches – presos na denominada operação Huracán – assim como a dos comuneiros absolvidos pelo caso Luchsinger Mckay.

Dos muros da prisão de San Miguel,  Nataly Casanova;
Do CDP stgoSur (Ex-Penitenciária)  Juan Flores.

21/12/17 – VEREDICTO DO CASO BOMBAS 2

Juan Flores, primeiro companheiro condenado pela lei antiterrorista; Nataly e Enrique absolvidxs.

*Metro los dominicos*

Delito principal qualificado como danos + lei de controlo de armas: Juan condenado, absolvidxs Nataly e Enrique.

*1ª Esquadra*

Delito principal  qualificado como danos + lei de controlo de armas: Juan, Enrique e Nataly absolvidxs.

*Sub Centro*

Delito principal qualificado como atentado terrorista: Juan condenado

*Pertença de pólvora*

Delito de controlo de armas: Juan e Nataly absolvidxs.

Assim:

Nataly e  Enrique: Absolvidxs de todas as acusações.

Juan Flores: Culpado de porte e detonação de dispositivo explosivo + Danos + 6 lesões menos graves (Metro los Dominicos) e de colocación de dispositivo terrorista + dano moral (Subcentro).

Pela primeira vez o tribunal utiliza a lei antiterrorista para condenar (nesta última década), após uma série de rejeições em anteriores processos (Caso Bombas, causa contra Victor Montoya, contra o companheiro Luciano Pitronello, contra o companheiro Hans Niemeyer, entre outrxs) às pretensões da acusação – este veredito é clave e histórico nesse aspecto, validando o uso da lei antiterrorista.

A leitura final será a 15 de Março de 2018, onde se entregarão os detalhes do veredicto, além da quantidade de anos de prisão a que vão condenar o companheiro Juan Flores. Xs companheirxs  Enrique Guzman e Nataly Casanova já abandonaram a seção de máxima segurança e a prisão de san miguel, respetivamente.

Tanto a acusação como a defesa poderão ainda procurar a anulação do processo.

Toda a solidariedade insurrecta com o companheiro Juan Flores!

Abaixo a lei antiterrorista; Abaixo o Estado policial!

via publicacionrefractario em espanhol

Montevideu, Uruguai: Corte de rua e queima de coberturas por Santiago Maldonado

Quando era meio-dia de quarta-feira, 25, decidimos cortar a monotonia da tarde, assim como o tráfego e a circulação de mercadorias, para que os transeuntes tomem um instante das suas alienadas horas e reflitam sobre a vida e morte de Santiago Maldonado, lutador anarquista recentemente assassinado pelo Estado argentino.

Santiago esteve desaparecido e foi assassinado por se solidarizar com a causa do povo Mapuche que, até à data, resiste firme em várias comunidades, instaladas em territórios recuperados à multinacional Benetton.

Vai também para elxs o nosso apoio e queremos também chamar a atenção dos cidadãos comuns para elxs e para a sua digna luta.

Por tudo isto, decidimos cortar o tráfego nos cruzamentos das ruas Arenal Grande e Galicia, queimando várias coberturas e deixando panfletos para explicar a acção.

Santiago não morreu, vive na revolta!

A guerra social continua!

Coletivo Fuego en Las Calles (Fogo nas ruas)

em espanhol

Prisões chilenas: Carta do companheiro Marcelo Villarroel Sepúlveda respeitante ao caso de Santiago Maldonado

LUTA CONSTANTE CONTRA TODAS AS JAULAS, A AMNÉSIA E A PASSIVIDADE COBARDE!!!

Estas palavras nascem e tornam-se necessárias quando é preciso abraçar todxs aquelxs que se entregam desmedidamente ao buscado encontro da Libertação Total.

Pela ampliação da Revolta, pela ineludível confrontação com o poder, pela disseminação das práticas autónomas de negação da dominação e tudo o que a torna possível.

Enquanto escrevo, o Ódio e a Raiva guiam-me… Enquanto cada um segue a sua vida há um queridx compa que nos falta…

SANTIAGO MALDONADO, o Lechu, o Brujo, desapareceu.
E não posso guardar silêncio nem evitar a sua física ausência.

Desde a altura em que experienciamos a prisão na região dominada pelo Estado da Argentina que os nossos passos se cruzaram. Nós encarceradxs na província de Newken e Santiago agitando na cidade de La Plata, junto a um universo de ativxs companheirxs, solidárixs e cúmplices.

Mais de nove anos depois do momento em que os nossos passos se cruzaram no contínuo caminho da irmandade, caminho esse que nos situa no mesmo lado da trincheira.

Porque tem de ser dito claramente: Estamos em Guerra contra a opressão e a miséria!!!
Contra todas as polícias, Estados, pátrias e xs cobardes que acomodam os seus discursos e vidas para torná-las inofensivas e integradas.

Não há que esquecer nunca que aquelxs de nós que decidiram passar à ofensiva também assumiram o risco permanente. Não somos vítimas passivas das circunstâncias nem merxs espectadorxs.

Tal como aconteceu com Santiago que em completa coerência com o seu sentir anárquico foi feito desaparecer a 1 de Agosto pela Gendarmeria (força intermédia entre a Polícia e o exército) enquanto se solidarizava ativamente com a luta Mapuche em Cushamen, província de Chubut, ao sul da Argentina e próxima da fronteira com o Chile.

Já passou um mês e o Lechuga não aparece. E ainda que Santiago esteja entre todxs xs de nós que não esquecemos nem abandonamos a luta diária a sua presença física faz-nos falta.

Trazê-lo-emos de volta devolvendo golpe por golpe, multiplicando os seus gestos e actos em todo o planeta, contra xs miseráveis responsáveis de que hoje não o possamos abraçar.

Aqui da prisão, hoje a minha chamada é para se aprofundar o ataque contra a amnésia e o medo. Porque quem diz crer na Anarquia deve entrar em ação em concordância com a dita convicção.

Centenas de prisioneirxs revolucionárixs em todo o mundo, unidxs por convicções similares, somos a expressão viva de uma luta sem pátrias nem fronteiras que busca a destruição total de todas as cadeias, jaulas e cárceres nas quais vivem grande parte da população do planeta.

São tempos de combate, não podemos ocultar o evidente.

O fogo rebelde e ancestral vai incinerando as máquinas do capital depredador, o sangue insurreto dxs nossxs caídxs acompanha os nossos rituais de guerra, as nossas silenciosas conspirações buscam a única justiça possível: A Vingança faz-se urgente e necessária.

POR SANTIAGO E TODXS XS NOSSXS CAÍDXS: NEM UM MINUTO DE SILÊNCIO E TODA UMA VIDA DE COMBATE!!!

SOLIDARIEDADE E FRATERNIDADE INTERNACIONAL PELA DEMOLIÇÂO DE TODAS AS PRISÔES!!!

ATÉ À DESTRUIÇÃO DO ÙLTIMO BASTIÃO DA SOCIEDADE CARCERÁRIA!!!

ENQUANTO EXISTIR MISÉRIA HAVERÁ REBELIÃO!!!

Marcelo Villarroel Sepúlveda
Prisioneiro Libertário
Prisão de Alta Segurança
Stgo. Chile
30 Agosto 2017.

em espanhol l inglês

Corunha, Galiza: Contra-informação nas ruas, um mês depois do desaparecimento de Santiago Maldonado

Passado um mês do desaparecimento do companheiro Santiago Maldonado, difundimos a informação nas ruas, no noroeste da península Ibérica: na Corunha, cidade portuária, da qual partiram centenas de barcos com imigrantes para a América Latina. Cidade onde é praticamente nula a informação que a este lado do Atlântico chega, através dos meios de informação hegemónicos. Também não estávamos à espera de outra coisa.

A Europa colonizadora nunca deixou de o ser – embora pouco ou nada se fale aqui da devastação que as multinacionais europeias e os seus aliados, os Estados, estão a levar a cabo na América do Sul: oculta-se isso, atrás das máscara das ONGs e da mais hipócrita e paternalista das caridades.

Antes que os serviços de limpeza da cidade silenciem de novo as paredes, algo ficará dito sobre o que se passou a 1 de Agosto – nesse dia a Gendarmeria da Argentina sequestrou Santiago, “El Lechu”, na Lof de Resistência Cushamen – e também sobre a repressão e a expropriação constante que sofrem o povo e a Comunidade Mapuche.

Em apoio à situação que enfrentam xs companheirxs em toda a Argentina, e que se expande, rejeitando as fronteiras; em solidariedade com a luta do povo mapuche, para além de qualquer território delimitado pelo estado. Pelo companheiro “Lechuga” e todxs xs que lutam contra a dominação.

em espanhol l alemão

Bolívia: Por Santiago Maldonado

Cushamen, Província de Chubut

A partir de algum lugar da Bolívia,
12/08/17

A 1 de Agosto de 2017 a Gendarmeria da Argentina reprimiu a Comunidade Mapuche Pu Lof em Resistência, no departamento de Cushamen, Província de Chubut do Território dominado pelo estado argentino – a qual pertence ao povo mapuche, que continua, tal como tantos outros povos de todo o mundo, a lutar por conservar o seu território avassalado há mais de 5 séculos, antes pela colónia, agora pelos estados.

Desde esse dia que Santiago Maldonado (lechuga) se encontra desaparecido, desde esse dia que a nossa impotência pela distância cresce dia a dia, a nossa raiva, o nosso ódio a cada bastião autoritário perpetuado pelos estados é infinito – desde esse dia que muitxs de nós têm um nó na garganta ao desconhecer o seu paradeiro, desde esse dia (que como muitos outros dias da nossa vida é cinzento) que vamos afiando as nossas vidas, vamos conspirando, vamos nos encontrando, onde quer que estejamos, e vamos também enviando o nosso pequeno grande grão de areia, o nosso gesto solidário e os nossos desejos mais formosos, a nossa força e raiva. até todxs vocês.

A 27 de Junho de 2017, o Lonko Facundo Jones Hualaé foi detido, após ter participado na cerimónia do Wiñoy tripantu. Transferido para Bariloche, logo a seguir passa para a unidade penal número 14 de Esquel. Facundo encontra-se em greve de fome desde 31 de Julho, sequestrado pelo Estado Argentino e reclamado pelo Estado Chileno – ambos os estados encontram-se em constante colaboração no que toca a combater não só a luta do povo mapuche como também cada foco de rebelião e de ataque, veja-se o caso dxs companheirxs Freddy, Marcelo e Juan, em 2008.

Puna Jujeña

Hipócritamente, a 1 de Agosto, o presidente argentino encontrava-se em Jujuy, realizando asquerosamente a cerimónia da pachamama, espectáculo circense e um insulto ao povo kolla, o qual luta contra as empresas mineiras que avançam em puna jujeña [terras altas na cordilheira dos Andes, a norte]. Festejando o dia da pachamama [a terra como símbolo de fecundidade] num entorno onde o cimento cada vez avança mais, onde ser vendedor ambulante é um delito, onde um formoso rio será transformado num parque frio.

Mas não culpamos só o governo de turno, já que para nós todo o estado é terrorista!!!

Todo o estado é terrorista, seja este de esquerda ou direita, qualquer estado quer a destruição da natureza selvagem, todos eles adoram o progresso.

E porque tampouco esquecemos!!!

A Julio Lopez, a Luciano Arruga, Pablo Moreno, Luciano Gonzalesi e a tantxs outrxs desaparecidxs, torturadxs e assassinadxs em delegacias de polícia e prisões, vilas, campos, aldeias remotas etc… muitxs delxs anónimxs, caídos nas mãos do estado argentino nas últimas décadas.

T.I.P.N.I.S

E daqui, neste território dominado pelo estado Boliviano – o qual acaba de aprovar uma lei que retira a intangibilidade [que não pode ser adulterado] ao T.I.P.N.I.S. (Território indígena Parque Nacional Isiboro Secure). Com esta retirada, pretende-se construir uma estrada, que partirá em duas partes uma reserva natural – neste estado indígena que idolatra a civilização que planeia a construção de uma represa hidroeléctrica na sua Amazónia, que planeia a construção de uma central nuclear nas terras altas, que planeia construir uma petroleira em Boquerón, que saqueia, desfloresta, maltrata, contamina a natureza selvagem – saíremos às ruas para deixar a nossa mensagem em apoio.

PELA DESTRUIÇÃO DA SOCIEDADE CARCERÁRIA!!
APARIÇÃO COM VIDA DE SANTIAGO MALDONADO
LIBERDADE A FACUNDO JONES HUALA
LIBERDADE AOS/ÀS COMPANHEIRXS SEQUESTRADXS PELOS ESTADOS

FORÇA À LUTA MAPUCHE
FORÇA A CADA ATAQUE ANTI-CIVILIZAÇÃO, EM DEFESA DA TERRA
FORÇA E ÂNIMO PARA CADA AÇÃO REIVINDICADORA
NATUREZA LIVRE E SELVAGEM!
VIVA A ANARQUIA!

em espanhol

[Portugal] Luta multiforme contra a tirania global, nem um palmo ao avanço do terrorismo de estado

[semana de solidariedade internacional com presos/as anarquistas –
23 a 30 de agosto 2017]

Recebido a 24 de agosto

Luta multiforme contra a tirania global, nem um palmo ao avanço do terrorismo de estado

Na Argentina, Chile, Uruguai, Perú, Brasil, México, Bolívia, Paraguai, Grécia, Turquia, Síria, Estados Unidos, Venezuela, Alemanha, Polónia, Rússia, Índia ou China  –  tal como em Portugal ou noutra qualquer parte do mundo – a ordem é para atacar por todos os meios quem resista, perseguindo implacavelmente todos os/as lutadores/as, aprisionando-os/as, torturando-os/as, matando-os/as, se preciso for. Os cães do poder são pagos para isso, as leis são feitas para proteger todos os crimes de terrorismo de estado, todos os crimes do capitalismo. O capitalismo, de todos os matizes, alimenta-se destas situações enquanto as populações se mantêm inertes, aterrorizadas ou adormecidas, ignorando a que ponto a sua inação reforça todo o fascismo que se tenta instalar por todo o lado.

Somos contra todas as fronteiras, contra todas as formas de poder, de subordinação, contra todas as formas de capitalismo. Poderíamos apelar à solidariedade em particular com o companheiro Santiago Maldonado feito desaparecer pela polícia, na Argentina, quando se solidarizava com a digna luta do povo Mapuche – ou com todos/as os/as outros/as anarquistas que lutam diariamente em todo o mundo pela destruição deste sistema, pela liberdade, arriscando a sua vida, dentro e fora das prisões – mas consideramos que a única forma de defender a sua liberdade e a sua vida é todos/as cuidarmos da nossa liberdade e da nossa vida. Essa é a memória que deve prevalecer.

Luta multiforme contra a tirania global, nem um palmo ao avanço do terrorismo de estado.

A paixão pela liberdade é mais forte do que todas as prisões!

Alguns e algumas anarquistas

24 de agosto de 2017

em pdf aqui

em espanhol, inglês, alemão

Porto Alegre, Brasil: Ação multiforme pela aparição com vida de Santiago Maldonado

Recebido a 21 de agosto

Ação simultânea contra o consulado argentino e nas ruas da burguesia, em Porto Alegre: Desapareceu Santiago Maldonado e não ficamos indiferentes.

Em ação simultânea, o consulado da Argentina em Porto Alegre foi fisicamente atingido com garrafas de tinta enquanto que a Av. Goethe – uma via de relevância para boa parte da população burguesa e exploradora de Porto Alegre – foi paralisada pelas chamas de ódio e da revolta duma barricada. Panfletos, uma faixa pela aparição com vida de Santiago e a    solidariedade com xs mapuches, foram deixados no consulado e na passarela da Av. Goethe respectivamente.

Se chamamos pela aparição com vida de Santiago, isso não é demanda nenhuma. Não viemos para pedir nada ao Estado Argentino pois deles nada esperamos. Se chamamos pela aparição com vida de Santiago é porque lançamos, com força, o grito da agitação por ele, o grito da solidariedade combativa que não fica indiferente, o grito de guerra contra um sistema da dominação colonizadora.

É oportuno lembrar que Santiago foi feito desaparecer durante o ataque contra o Pu Lof Cushamen, da provincia Chubut, território mapuche pré-colombiano. Ataque demandado pela empresa italiana de moda Benetton – “dona” de 900.000 hectares na Patagónia, desde 1991. É devido a esta histórica cumplicidade – entre os estados e os “produtores” capitalistas – que muitas culturas e formas de vida são banidas dia a dia e que, hoje, lamentamos o sumiço de mais uma pessoa que luta.

O guerreiro povo mapuche luta contra estas invasões faz séculos, vivendo em constante conflito contra os estados chileno e argentino.  Deles nos chega  uma história cheia da digna insubmissão, de pessoas que – contra todas as probabilidades- resistem, existem, e confrontam a dominação.

A repressão do Estado Argentino, ao atacar o território mapuche e fazer desaparecer o anarquista Santiago, é mais uma expressão da sua tentativa de controle e guerra às pessoas que não aceitam as estruturas de poder e dominação. Repudiamos qualquer ação autoritária, atacando a ordem e os poderes estatais.

Nossa resposta foi a ação direta, a cumplicidade e solidariedade entre xs que lutam. Pois não importa onde estejamos, não haverá indiferença entre aquelxs cujxs corações não se deixam dominar, entre xs lobxs neste mundo de ovelhas. Faremos com que sintam nossa raiva. Rompamos o sossego dos cúmplices do sumiço de Santiago, gritemos pela sua aparição com vida.

A solidariedade – para com xs companheirxs que lutam pela destruição do sistema capitalista- não conhece fronteiras.

Pela aparição com vida de Santiago Maldonado!
Pela liberdade do Lonko Facundo Jones Huala!
Pela liberdade dxs peñis mapuches sequestradxs pelos estados!

Marichi wew!
[Dez vezes venceremos!]

No panfleto podia se ler:
“Atacamos este símbolo do estado argentino por ser parte do genocídio do povo Mapuche e da desaparição do anarquista Santiago Maldonado. Assim como aqui, a colonização segue lá – aniquilando os povos e destruindo a natureza, visando apenas lucro.N a ditadura e na democracia, o Estado é o assassino daquelxs que lutam pela terra e pela liberdade.Ninguém será esquecidx e estarão sempre vivxs em nossas ações.
Solidariedade combativa!
Morte ao estado e à civilização colonizadora
Na faixa:
Pela aparição com vida de Santiago Maldonado.
Se tocam a um@ tocam a tod@s

Panaji, Índia: Colagem de cartazes solidários com Santiago Maldonado

Recebido a 17 de Agosto, traduzido para português por Contra Info Em Panaji, capital de Goa, foram colocados 25 cartazes em solidariedade com Santiago Maldonado, junto de lojas da Benneton.

As reivindicações de propriedade desta empresa italiana são o motivo que levou ao ataque da polícia militarizada [gendarmeria da Argentina] à comunidade mapuche em resistência – ataque esse onde usavam balas de borracha e também chumbos de caça. As pessoas foram brutalmente espancadas e os seus pertences queimados. Alguns e algumas foram forçados a fugir através de um rio para salvar as suas vidas. Muitxs se tornaram testemunhas oculares de algumas pessoas estarem a ser levadas em camiões – entre estes Santiago Maldonado, ferido.

Desde aquele dia, ninguém mais soube dele.

O texto que se pode ler nos cartazes, com base em informação disponibilizada em Contra Info, está disponível em pdf aqui.

em alemão  l espanhol l inglês

Foz do Iguaçu, Paraná, Brasil: Faixa por Santiago Maldonado

Ao amanhecer desta sexta-feira (18 de agosto), encontramos esta faixa pendurada no centro da cidade de Foz de Iguaçu, Paraná, Brasil. A faixa diz “Cadê o Santiago? Liberdade a Facundo Huala, Newen povo Mapuche.”

Há mais de duas semanas que Santiago Maldonado desapareceu em mãos da polícia. Ele se encontrava na comunidade Mapuche Pu Lof em Cushamen quando os porcos invadiram os territórios mapuche sob ordem no juiz Guido Otranto que mandou desalojar  a comunidade. Seguindo a tradição colonial militar, os porcos entraram atirando nas pessoas e queimando as suas pertenças. Nove pessoas foram feridas e vários detidos, ainda no dia de hoje Santiago segue desaparecido…

Vale ressaltar que essa caçaria aconteceu um dia depois de um protesto que teve lugar frente ao tribunal federal de Bariloche pela libertação do Lonko Facundo Huala detido em 28 junho de 2017. O estado chileno tinha pedido a captura internacional de Facundo, acusado de ter participado em 2013 de um ataque incendiário contra a casa dos cuidadores de um campo próximo à cidade de Valdivia, onde foi detido e logo libertado. Em setembro do ano passado, o mesmo juiz que mandou desalojar a comunidade Pu Lof, Guido Otranto, tinha declarado a nulidade do processo de Facundo por irregularidades, porém, diante desse absurdo jurídico, Facundo Huala ainda segue preso em Esquel enquanto o estado chileno pede sua extradição.

Desde o território guarani invadido pelos estados nacionais e o capitalismo global, mandamos uma força para Facundo Huala e todo o povo Mapuche em luta!

Buenos Aires, Argentina: Ação direta contra a desaparição de Santiago Andrés – Atualização da situação

Aproximadamente às 10h da manhã de hoje (sexta-feira, 4/08/2017), a quase quatro dias do desaparecimento do companheiro Santiago Maldonado “lechuga”, destruímos a casa da província de Chubut, na putrefata capital do Estado chamado Argentina.

Embora abundem as razões, a raiva começa a transbordar e a transbordar-nos, já lá vão mais de 72 horas e um companheiro não aparece, enquanto Facundo Jones Huala continua em greve de fome.

Estendemos a nossa solidariedade ao povo mapuche e expandimos a nossa raiva contra todos os estados, o capital, a autoridade e todos os seus cúmplices.

Até que apareça o lechuga e até que o caos os sucumba!

Anárquicas individualidades expansivas do caos
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[Panfleto] APARIÇÃO DE SANTIAGO MALDONADO COM VIDA, JÁ!

Há já várias horas que não temos a certeza do paradeiro de uma pessoa. Mas não de uma pessoa qualquer, trata-se de uma pessoa solidária, companheira, anti-autoritária. O que sabemos, sim, é que uma vez mais as miseráveis forças da Gendarmeria [Força de Segurança de natureza militar] actuaram em conformidade com a rdem normativa democrática que em nada fica atrás das “temidas” ditaduras.

Uma vez mais o Lof em Resistência [famílias mapuche agrupadas num território libertado] em Cushamen, Chubut, foi invadido. E cada vez mais se acrescenta a perseguição e a domesticação do povo mapuche (que continua em luta para se recuperar como povo). Diversos assaltos, acosso policial e perseguição a várias comunidades mapuches – como o caso da prisão e pedido de extradição de Facundo Jones Huala, em cumplicidade mútua dos estados argentino e chileno – fazem ressurgir a raiva naquelxs que não querem ser mandadxs nem obedecidxs.

Nesta última repressão (a 1 de Agosto) entre uma chuva de balas, corridas e detenções- xs que tinham sido detidxs já foram libertadxs) – desaparece o “lechuga”. Conhecido companheiro do meio anárquico e anti-autoritário que se encontrava de forma solidária a apoiar e a resistir no Lof.

Há já várias horas que não sabemos ao certo do “lechuga” e a paciência começa a estalar, qual cristal que sofre o impacto das pedras da rebelião. Há já várias horas que não sabemos do paradeiro de um companheiro, mas o que sabemos, sim, é que não se respeita a yuta [bófia], que as suas leis  não nos atemorizam e que a combustão de alguns elementos acende e aviva o fogo.

Fogo que realça as nossas paixões contra a sua domesticada podridão.

¡Amulepetayinweican!
[A luta continua!]

Compilação informativa da desaparição de Santiago Andrés Maldonado (recebida a 5 de Agosto):

– Santiago desapareceu a 1/8, durante a brutal repressão levada a cabo pela gendarmeria na lof em resistência do departamento cushamen. Onde participaram os esquadrões 34, 35, 36, Ramos Mejía e Rawson, os quais abriram uma caçada humana, disparando sem parar.

– Sabe-se que Santiago Andrés Maldonado foi detido por efetivos da gendarmeria, durante essa brutal situação.

– Foi realizada uma busca exaustiva pelas delegacias circundantes à área, yendo todas negado a ingressão dele.

– Familiares, organizações de direitos humanos e companheirxs compañeros apresentaram habeas corpus, nos tribunais de Bariloche, Bolsón, Esquel. Como também em todo o país. Foi realizada uma ampla difusão por parte de um organismo de direitos humanos.

– Acosso por parte da gendarmeria ao irmão de Santiago, Sergio Maldonado, na altura em que este se acercou da lof à procura de mais informações sobre a situação em que foi detido e desaparecido o seu irmão;  novo acosso quando Sergio chegava à cidade de Esquel, por parte de efetivos da gendarmeria.

– Manifestações em toda a comarca andina, Neuquen, Cordoba, Buenos Aires e Uruguai, exigindo-se a imediata aparição do companheiro Santiago Andres Maldonado.

– Está-se a realizar uma conferência de imprensa por parte de membros da CPM (comissão pela memória). Na sede da Federação Judicial Argentina, rua Rincón 74 na cidade de Buenos Aires. Estará presente o presidente da CPM, Víctor Mendibil e outros integrantes do organismo, junto ao irmão do jovem desaparecido, amigos, familiares e companheiros. Acompanharão, também, o CELS e outros organismos de direitos humanos e organizações sociais que nas últimas horas se juntaram à exigência de aparição com vida.

Para além de que Santiago Andres Maldonado é um companheiro anarquista que decidiu se solidarizar de maneira ativa com a digna luta do povo mapuche e acudir indo à lof em resistência, quando soube da brutal repressão que estava a suceder a 1 de Agosto.

Santiago, aliás o bruxo, está desaparecido por se solidarizar e por lutar!!!!!!

O ESTADO E O CAPITAL, ATRAVÉS DO SEU APARELHO REPRESSIVO, SÃO OS CULPADOS DA DESAPARIÇÃO DO NOSSO COMPANHEIRO!!!!!!!!!!!!!!!!!!

em espanhol

Santiago, Chile: Reivindicação de ataque incendiário contra o SAG e a DGAC

Na noite de 30 de Junho – no âmbito do mês de agitação anárquica pela libertação da terra – decidimos organizar a nossa raiva e levar a cabo um ataque incendiário ao Serviço Agrícola Pecuário e à Direcção Geral de Aeronáutica Civil.

As motivações para levar a cabo esta ação directa são muitas e variadas; em primeiro lugar procuramos combatera modo de actuar especicista do SAG  –  já que propõe uma suposta salvação e preservação da natureza através da cdestrutiva intervenção da praga humana, pensando que esta espécie maldita tem autoridade para decidir como vive um animal, onde vive e por quanto tempo ele vive…nunca fomos nem seremos salvadores da terra, pelo contrário, hoje em dia somos os seus maiores destruidores. Para evitar este fatal destino existem dois caminhos – ou nos eliminamos como espécie ou fazemos o esforço de voltar às nossas origens, essas mesmas que temos esquecido graças ao falso progresso do capitalismo e do antropocentrismo.

Outro motivo para a nossa ação é a morte recente dos weichafes [lutadores mapuche] Patricio Gonzáles e Luis Marileo, que morreram a lutar em nome da terra, essa mesma que nos dá a vida e que nós apunhalamos pelas costas. Com esta ação queremos afirmar que o espírito guerreiro destes dois combatentes está mais presente que nunca, tanto nas lamas empapadas de raiva, amor e rebeldia que calcinam o sujo cimento como na natureza viva e indomável que resiste firmemente frente às garras do sujo capitalismo – para o qual a natureza não é mais do que um recurso.

A terceira motivação prende-se com o facto de nos encontrarmos nas vésperas do início de um novo processo de eleições – para de novo ser entregue de bandeja a nossa autonomia e a deixarmos sucumbir às decisões de um ser humano investido com o mito da autoridade – e não acreditamos na democracia, pois não existe um ser capaz de representar outro, não acreditamos nem nas eleições, nem em partidos nem na suja política, nem tampouco nos partidos políticos que tanto têm êxito entre os cidadãos – já que não se procura um melhor futuro para o mundo mas replicar atitudes que não fazem outra coisa  que fortalecer o pior cataclismo que a humanidade já viveu, o capital. Perante isto apelamos a NÃO SE VOTAR, mas sim a se organizar e a se fortalecer os laços de solidariedade e de afinidade, já que  relacionarmos-nos de forma horizontal e pelo simples desejo de o fazer é como uma comunidade surge.

EXIGIMOS A COMPLETA PARALIZAÇÃO DOS DIVERSOS PROJETOS QUE COMPÕEM A IIRSA JÁ QUE ESTES NADA MAIS FAZEM DO QUE CONTINUAR A ASSASSINAR A JÁ MUITO FERIDA NATUREZA, PARA ALÉM DE SE CONTINUAR A EXPANDIR O NOJENTO IMPERIALISMO

EXIGIMOS A LIBERDADE IMEDIATA DXS PRESXS POLÍTICXS MAPUCHES QUE COM FORÇA E CORAGEM LEVANTARAM UMA GREVE DE FOME, ALÉM DA LIBERDADE DE TODXS XS PRESXS EM COMBATE, JÁ QUE ENFRENTAR DE FORMA SUBVERSIVA ESTE SISTEMA NÃO É TERRORISMO, APENAS SOBREVIVÊNCIA

A todo o ser que leia este texto, fazemos uma chamada para que enfrente de forma direta os abusos e injustiças próprias do sistema neoliberal e do poder, esperando que esta pequena ação seja como una chispa que incendeie as mentes e os corações de todxs xs animais que acreditam na liberdade e num mundo novo.

LUIS MARILEO E PATRICIO GONZALES, SEMPRE PRESENTES EM TODA A AÇÃO COMBATIVA!

PELA LIBERTAÇÃO TOTAL DA TERRA, LEVANTAMOS-NOS EM PÉ DE GUERRA!

NESTE CONTEXTO A ÚNICA SAÍDA É LUTAR, NÃO TE SERVE DE NADA IR VOTAR!

ABAIXO TODAS AS JAULAS DESTA SOCIEDADE!

Buenos Aires, Argentina: Ataque incendiário contra igreja

Comunicado recebido a 20 de julho

Na madrugada de 11 de Julho deixamos uma “oferenda”incendiária à porta de uma igreja situada no cruzamento da rua Dorrego com a Av. Corrientes.

Levamos a cabo esta ação tendo em conta a proximidade da nojenta festa da pátria do dia 9 de Julho e a recente detenção de Facundo Jones Huala.

Não mais do que um pequeno gesto de solidariedade frente à crescente repressão e ao avanço tecnológico dos Estados, neste caso o chileno e o argentino.

Liberdade para Facundo Jones Huala!

Pela defesa da Terra!

Anarquistas contra toda a autoridade

N.T. Facundo Jones Huala é um lutador mapuche, perseguido pelo estado chileno, que se encontrava na Argentina, preso presentemente.

Viña del Mar, Valparaíso: Corte de estrada com barricadas em memória de Matías Catrileo

Bem cedo, na manhã deste 3 de Janeiro, cortamos a rota via las palmas com o propósito de recordar o nosso peñi [em mapuche, peñi significa irmão de um lutador] Matías Catrileo, assassinado cobardemente pelas costas por funcionários dos carabineiros – ação que foi encoberta pelo estado do $hile da mesma forma que todos as outras cometidas contra a resistência mapuche.

Não esquecemos aqueles irmãos e irmãs mapuches que se foram desta vida física; Alex Lemunao Saavedra, Johnny Cariqueo Yañez, Rodrigo Melinao Lincan, Jose Huenante Huenante, entre muitos outros, assim como também não esquecemos xs lutadorxs não mapuches, caídos às mãos dos cães a mando do poder e do capital. Não resta dúvida que continuarão na memória de todxs xs que lutamos pela libertação da terra.

Recordamos que há um mês a polícia atingiu nas costas um jovem mapuche com 17 anos apenas – com chumbo grosso, deixando-o com ferimentos graves nas costas e uma fratura – tendo aquele de ser hospitalizado; uma semana depois de Hernan Paredes Puen e Yocelyn Yevilao Maril também foram atingidos com mais de 130 chumbos no momento da sua detenção. Todos estes fatos dão-nos um vislumbre do estado de guerra que vivem os peñis e lamienes por defender o seu território.

A isto há que somar o sequestro, pela 4ª vez, da Machi Francisca Linoconao, que atualmente se encontra em greve de fome, há já 12 dias, mais 5 pênis que também aderiram à greve.

Concluíndo, este ato simbólico é uma advertência aos poderosos e sequazes – de que a guerra que o povo mapuche está a levar a cabo contra o estado chileno também se está a preparar de norte a sul. Aproveitem para dormir tranquilos agora porque a qualquer momento a luta estalará e pela via insurrecional iremos atrás dos seus pescoços

A partir da V região, mandamos farta força da terra [newen, palavra mapuche] para xs nossxs irmãos e irmãs que resistem em cada um dos territórios.

FIM DA MILITARIZAÇÃO NO TERRITÓRIO MAPUCHE
LIBERDADE IMEDIATA A TODXS XS PRESXS POLÍTICOS MAPUCHES E NÃO MAPUCHES
VIVEZA É DEFENDER A NATUREZA

em espanhol

Temuco, Chile: Faixa em solidariedade com Carlos Gutiérrez Quiduleo

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lienzo2-1024x768Segunda-feira, 16 Fevereiro de 2015, Temuco

A 28 de Novembro de 2013 é preso na região da Araucanía o companheiro Carlos Gutierrez Quiduleo, após permanecer na clandestinidade durante seis anos e logo a seguir a ter sido implicado no Caso Security, cujo julgamento terminou há alguns meses com condenações altíssimas sobre os companheiros Fuentevilla Freddy, Marcelo Villarroel e Juan Ready.

Carlos está-se a arriscar a uma pena de 30 anos de prisão, sendo julgado por três assaltos a bancos, além de um caso por posse ilegal de arma de fogo e uma agressão a um carcereiro, na Seção de Segurança Máxima (CAS), no ano passado.

No nosso círculo, acreditamos que cada gesto de um/a companheirx detidx tem um valor especial na medida que se transforma em sinais cúmplices de rebeldia que trespassam as barreiras impostas pela prisão.

Assim, a partir do momento da prisão de Carlos, prisão marcada pela cobertura dos media, entendemos que o grito: “Viva a resistência mapuche, viva a resistência anarquista!” é um grito de guerra que resiste aos embates de toda a autoridade, uma mensagem que só faz sentido quando há feedback, quando cada parceiro/a mantém a comunicação com aquelxs que resistem com dignidade e firmeza nas suas convicções, quando a solidariedade se torna a nossa arma contra o poder e para resistir e enfrentar a crueza de uma intenção de isolamento.

A faixa junto à bandeira negra, nos bosques milenares da Araucanía, como tu sempre o escreves, é não só um pequeno gesto cúmplice nesta guerra como também um gesto de carinho que te envia força e resistência não te deixes nunca desvalorizar.

Solidariedade Revolucionária Anárquica
Contra todo o tipo de poder e autoridade.
Liberdade para Carlos Gutiérrez Quiduleo!!

Coletivo Luta Revolucionária.
lucharevolucionaria[arroba]riseup.net

em alemão

Carta mapuche para Luca Abbà e NO TAV

Luca, irmão, amigo. companheiro:

Apagaram-se os sóis de verão, desligaram-se os rios das nuvens, os ancestrais da nossa Mapu Nuke que habitam as montanhas e os espíritos libertários que dormem nos cumes do Vale de Susa cuidam do teu sonho.

Do mais profundo dos nossos corações,  elevamos  o nosso canto no sagrado rewe  para que recuperes e voltes novamente para junto dos teus, junto das mulheres e homens de pensamento livre que lutam por uma mãe terra viva e libertária.

Às companheiras e companheiros do NO TAV que tenho gravados nas recordações da minha memória – pela sua solidariedade, dignidade e luta – a nossa solidariedade, nascida do mais profundo das raízes dos pinheiros e dos canelos que protegem a nossa terra.

Luca, irmão, amigo, companheiro
estamos contigo, cruzando os Andes
e nadando nos oceânicos mares
da solidariedade dos povos.

Rayen Kvyeh
poetisa do Coletivo de Poetas e Artistas Mapuche Mapu Ñuke.

Notas
Mapu Ñuke: Terra Mãe.
Rewe: Tótem mapuche utilizado em diversas cerimónias e que serve para se conetarem com o cosmos.
Pinheiros e canelos: árvores sagradas mapuche.

fonte

País Mapuche: Uma nova melodia libertária

A montanha
abriga no seu ventre
guerrilheiras naturais
estratégias de guerra
da terra espezinhada.

Abre o seu ventre a montanha
rio de copihues vermelhos
em negros cabelos abraçados
Avalanche incontível
num parto milenário
de justiça e liberdade.
….
O medo não faz tombar
as pétalas vermelhas do copihue
O canelo não verga a sua copa
para que beba o invasor.
….
Nos meus sonhos
meus avós me falaram.
Da cordilheira ao mar
do norte ao sul,
Do mais profundo
da nossa mãe terra
suas vozes aconselham,
que expulsemos
os usurpadores
da nossa terra.
Os usurpadores
da nossa liberdade.
….
De infinitas melodias
um arco-íris de odores e cores
acaricia a terra.
Gvnecen sorri.
e os pássaros werkenes
cantam
uma nova melodia libertária.

Versos extraídos do livro “Luna de los primeros brotes” de Rayen Kvyeh, poetisa mapuche.


11 de setembro de 1973. CHILE. Um golpe militar, chefiado pelo general Pinochet, com a ajuda do governo norte-americano, derruba Salvador Allende, que não sobreviveu, sendo instaurada uma ditadura sangrenta no Chile. Milhares de chilenos foram levados para o Estádio de Santiago e foram assassinados, ali mesmo ou feitos desaparecer. Milhares e milhares escolheram o exílio…

Os mapuches são povos originários, concentrados principalmente nas regiões centro-sul do Chile e no Sudeste da Argentina. São historicamente perseguidos e reprimidos e hoje representam cerca de 900 mil habitantes. Em luta permanente pela sua sobrevivência, contra os latifundiários e as grandes empresas madeireiras, que lhes roubam as terras e envenenam os rios, reivindicam o fim da aplicação da “lei anti-terrorista”, em vigência no país desde 1984, promulgada na ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990). Além da lei possuir dispositivos que dobram automaticamente as penas, ela ajuda a criminalizar qualquer luta indígena. A lei também suprime o direito ao hábeas corpus e à consolidação do “inimigo interno”, mecanismo que possibilita ao aparato policial e militar torturar e prender à bel prazer sob pretexto da violação da propriedade privada, da terra e de “ameaça ao povo”.

Chile: Resistência Mapuche reinvidica ataques incendiários ocorridos 4 anos depois da morte de Matias Catrileo

Passados 4 anos do cobarde ataque que assassinou Matias Catrileo Quezada, mapuche comprometido com o processo de resistência mapuche contra as empresas florestais, mineiras, energéticas, assim como latifúndios e o militarismo da ocupação do território mapuche, o Wallmapu. A Resistencia Mapuche, em comunicado, reinvidica o ataque incendiário realizado num centro de depósito da empresa florestal Volterra (um camião, uma máquina carregadeira e uma cabine), na zona de Peleco a caminho de Paicavi, na madrugada de 1 de Janeiro de 2012.

Outro ataque incendiário, ocorrido na madrugada de sexta-feira, 30 de Dezembro, na zona de Victoria (Araucania), afetou um helicóptero pertencente à empresa florestal Masisa. No local foram deixadas duas faixas reivindicando a ação. Numa das faixas podia ler-se textualmente “Liberdade para os presos políticos mapuche e para os presos políticos sequestrados nas prisões do Estado Chileno, Resistência Mapuche”, enquanto que a segunda assinalava “Os Nossos Mortos continuam a lutar Alex Lémun, Matías Catrileo e Jaime Mendoza Collio, Weichafe Resiste “. Todas as acções foram assumidas pelos Orgãos de Resistência Ancestral Mapuche da Coordenadora Arauco Malleco.

O helicóptero prestava apoio à CONAF no controlo dos incêndios que afetam as plantações florestais. A Corporação Nacional Florestal (CONAF) na prática nada mais faz que regulamentar a exploração da Terra trabalhando para as empresas florestais e os grandes proprietários de terras (latifundiários).

A Araucania é uma região muito rica em recursos naturais. No entanto é atualmente uma das regiões mais pobres do país, com altos índices de pobreza. No passado, muitas terras da nação mapuche foram expropriadas ilegalmente e posteriormente vendidas a privados e empresas. Hoje, as empresas florestais são responsáveis pela continuidade da espoliação territorial dos mapuche, pela sua exploração laboral, pela desertificação e contaminação dos rios e terras. A militarização dos territórios é total, os carabineiros invadem militarmente as zonas de conflito, de modo a proteger os interesses do grande capital.

Os incêndios florestais têm-se concentrado maioritariamente nas plantações de pinheiros, em zonas ressequidas devido à depredação dos solos – provocada pelas monoculturas florestais – e em setores  de milhares de hectares de plantações de pinheiros onde estes estão  a morrer, devido a uma praga da vespa taladrora “florestal Sirex noctilio”, causando prejuízos às empresas. Os mega incêndios – que já provocaram várias vítimas humanas- têm permitido  às  mega empresas acederem ao cobro de seguros que, por seu lado, os permite combater a praga que está absolutamente descontrolada.

Com a insinuação de que serão os causadores dos recentes incêndios, mais uma vez o terrorismo de estado se prepara para aplicar a lei “anti-terrorista” ao povo mapuche, não tendo hesitado no passado em torturar e aprisionar menores, em fazê-los “desaparecer” e assassinar às claras os bravos guerreiros.

No Chile, muitas dezenas de resistentes mapuche estão a ser processados ou já o foram, ao abrigo de uma lei criada pelo ex-ditador Augusto Pinochet. A lei anti-terrorista prevê a aplicação da prisão preventiva por dois anos, bem como o impedimento dos advogados de defesa de acederem à investigação ou interrogarem testemunhas, cuja identidade é considerada confidencial. Também prevê uma duplicação das penas por “causa” e “efeito.”

mais info: www.mapuexpress.net

Ação em frente ao Consulado do Chile em Porto Alegre (RS) em solidariedade com Luciano Pitronello

Comunicado

Olá queridos compas de todas as partes do globo,

Desde Porto Alegre (RS), sul do Brasil, soubemos do chamado internacional por nosso querido compa Tortuga e saímos ontem, às 8h40, por ti querido… Botamos fogo na entrada do Consulado do Chile em Porto Alegre com farta gasolina em dois pneus justo na chegada do cônsul.

Voaram folhetos com as seguintes palavras:
Solidariedade e Liberdade para Luciano Pitronello (Tortuga), osas 14 anarquistas envolvidos no “Caso Bombas” e ao guerreiro povo Mapuche, NEWEN!!!

Já sabemos que foi transferido seu julgamento e estamos atento/as… Seguro que não estás sós…

Que viva a anarkia!!!

agência de notícias anarquistas-ana