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Santiago do Chile: Sai o nº 25 do boletim “La Bomba”- Projeto Nemesis

{Edição Especial} Projeto Nemesis.

Falar da CCF é falar de convicção revolucionária, é falar de novas formas de dar vida às ideias anarquistas. É práxis contra o mundo decadente, contra os poderosos, aqueles que dirigem as vidas de milhões de pessoas em todo o mundo, contra o capital e tudo o que cheire a poder. Trata-se de ataque – um ataque digno e ilegal desenvolvido de forma progressiva – sob uma nova visão de guerrilha.

A nova guerrilha urbana em território grego instalou na opinião pública a recusa ao modo de vida imposto, aos seus valores e lógica, o jogo da Imprensa por segurança apressou-se a minimizá-los e/ou silenciá-los (da mesma forma que aconteceu e ainda acontece no nosso território), mas o CCF atingiu de tal forma que não importa o que diga a élite grega, os seus media ou quem quer que seja. A prática da nova anarquia está aí, está viva e só resta posicionar-se: de um lado a subordinação e do outro a busca da liberdade.

Uma busca de liberdade em que só cada um dos membros saberá quando começou a traçá-la, o que se sabe publicamente é que a CCF nasce em Janeiro de 2008 – e daí em diante foram mais de 300 os atentados da mais diversa envergadura contra estruturas financeiras, policiais, judiciais, casas de políticos e um longo etc. em território grego – o medo mudou de campo, os poderosos já não se podiam manter tranquilos, seguramente que nojentas polícias procuravam dia e noite xs executorxs daqueles atos, atos esses que punham em causa a segurança interna.

Por outro lado, as ideias e atos de guerrilha levados a cabo pela CCF começaram a cruzar fronteiras, e claro, chegaram rapidamente ao nosso país, tal como a muitos outros. Sempre que membros da organização foram detidxs novas propostas chegavam a diversos lugares, a luta não acabava na prisão, esta tornava-se um novo campo de batalha. Os poderosos e os media de certeza que festejaram o suposto fim da CCF – supunham que a prisão seria o suficiente para apaziguar a ação anarquista, no entanto com o tempo ficou claro que as ideias fluíram novamente, saíam da prisão e materializavam-se em comunicados, livros, revistas e supostamente em ações da mais diversa índoles em diversos países (o Chile, por exemplo) enquanto que na Grécia renascia novamente nas ruas, com uma conspiração que procurava dar continuidade ao projeto da nova guerrilha urbana.

De aí em diante – com prisioneirxs nas prisões de máxima segurança, com perseguições e extorsões a familiares, difamações, através de extensos julgamentos que procuravam condenações eternas, com prémios sobre as cabeças dxs clandestinxs, com outrxs companheirxs que continuam nas ruas – a CCF não terminou e isso ficou demonstrado através de uma nova proposta internacional na qual se  procura atentar contra o meio envolvente pessoal do inimigo: o Projeto Nemesis.

Assim, a CCF começou por fazer voar um explosivo na casa da procuradora do Ministério Público Georgia Tsatani e lançando a sua proclamação. As ideias chegaram ao nosso território e alguns grupos de ação anarquista responderam. Uma bomba falsa semeou o pânico numa Villa Militar, recinto onde vivem membros das Forças Armadas. Posteriormente uma bomba incendiária queimou o acesso da Associação de Funcionários do Poder Judicial. Por outro lado, da Grécia para a Alemanha, a CCF voltaria a causar estragos, através do envio de uma carta-bomba ao Ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble. A quinta e última ação de que temos conhecimento é a de uma bomba incendiária que danificou a Confederação de Donos de Camiões (Chile).

Nesse sentido, querendo promover a expansão das ideias e ações da CCF à volta desta proposta internacional e por conseguinte as ideias e ações dos diversos grupos que a ela responderam – e como não – dos 10 anos passados desde a aparição daquele grupo armado grego, demos corpo a este boletim especial.

O nosso trabalho é uma modesta contribuição da propaganda que temos vindo a realizar desde 2012, sob o nome “La Bomba”, um boletim cujo objectivo é que não se percam as contribuições em torno do ataque anarquista no Chile; é por este motivo que continuamos a criar um arquivo tanto on-line como material, de modo a que estas iniciativas continuem a ter difusão e possam ser lidas em qualquer parte do mundo.

Editorxs do Boletim “La Bomba”.
Janeiro 2018, Chile.

Clica aqui para ler/descarregar a publicação.

em espanhol

[Projeto Nemésis ato V] Ataque incendiário/explosivo contra a Confederação Nacional de Donos de Camiões (Santiago do Chile)

PROJECTO NEMÉSIS ATO V

Na madrugada de 25 de Julho atacamos com um dispositivo incendiário/explosivo o edifício pertencente à Confederação Nacional de Donos de Camiões do Chile, situado na Almirante Barroso, no centro da cidade de Santiago.

A Confederação Nacional de Donos de Camiões do Chile é uma ligação estrutural na cadeia de dominação e exploração, tomando parte ativa tanto no saqueio do meio ambiente como no transporte de mercadorias no território chileno e no Wallmapu.

São eles uns dos principais beneficiários do projeto IIRSA – um dos seus objetivos é o «melhoramento» da infra-estrutura de estradas para a circulação de mercadorias nos países do Sul Latino-americano.

São eles que também se encontram na primeira linha de empresários que trabalham em estreita colaboração com o Estado Chileno na intensificação da repressão e da investigação policial em território mapuche – tentando pôr freio, sem êxito, à guerra dos camiões que faz parte da sublevação autónoma mapuche na defesa do seu território ancestral.

O nosso dispositivo funcionou na perfeição, danificando a porta do recinto e embora não fosse assinalado pela imprensa, eles sabem que um atentado atingiu as portas da sua  guarida e nós sabemos que a perigosidade da ofensiva anárquica não se mede nem pela cobertura mediática nem pelos flashes dos jornais. Esperamos que tenham contado, com preocupação, à Presidenta Michelle Bachelet acerca do nosso ataque – na reunião que tiveram com ela, no dia seguinte, às 8.15 hrs.

Nós, anárquicxs inimigxs de toda a forma de autoridade e ordem social, somos parte da continuidade histórica da rebelião emancipadora, nunca pacificada em nenhuma época ou lugar.

Somos os desejos de liberdade, armados de fogo e consciência, demonstrando uma vez mais que a rebelião e o ataque armado são tão possíveis quanto necessários num mundo dominado pelo poder e pelo dinheiro, buscando controlar e mercantilizar as nossas vidas e o planeta em que habitamos.

A nossa permanente rebelião mantém o fogo da libertação total, incendiando as ilusões da democracia, o reformismo e a via eleitoral, buscando agudizar a crise na ordem imperante, em vez de o salvar para lhe dar novos ares de Capitalismo Verde ou Estado Cidadão.

Cada atentado contra os responsáveis do domínio e os seus defensores demonstra sempre que se pode passar à ofensiva – com misturas incendiárias e explosivas que combinam a raiva, a cautela e a segurança no nosso modo de ação.

Enviamos uma saudação cúmplice a todxs xs companheirxs que ao longo do mundo enfrentam julgamentos, encarceramentos e clandestinidades – sobretudo a Juan, Nataly e Enrique no Chile, Fernando Bárcenas no México, a Alfredo Cospito, Nicola Gai, Davide Delogu e a todxs xs acusadxs na operação Scripta Manent em Itália, xs acusadxs na operação Fénix na República Checha, a Lisa na Alemaniha e membrxs da Conspiração de Células de Fogo na Grécia.

Enquadramos esta ação no «Projeto Nemésis» – proposta de companheirxs da Conspiração de Células de Fogo (Grécia) para atacar diretamente os centros de reunião, trabalho e local de habitação dxs responsáveis do domínio. Duas ações na Grécia e duas no Chile precederam o nosso ataque, por isso o denominados  «ATO V».

PORQUE A OFENSIVA ANÁRQUICA CONTINUA VIVA EM CADA ATENTADO PELA LIBERTAÇÃO TOTAL!
A MULTIPLICAR  OS ATAQUES CONTRA O PODER, OS SEUS CÚMPLICES E TODA A AUTORIDADE!

“Banda Ácrata por um Inverno de Fogo”- Federação Anarquista Informal/Frente Revolucionária Internacional.

PROJETO NEMÉSIS (traduções de Contra Info em português)

Sobre o projecto

ATO I (Grécia)

ATO II (Grécia/Alemanha)

ATO III (Chile):

ATO IV (Chile)

em espanhol

[Alemanha, Grécia] Conspiração das Células de Fogo: Projeto Nemesis – Ato 2

CCF/FAI assume responsabilidade por ataque com carta-bomba contra o Ministro das Finanças alemão

Nove anos depois da primeira aparição da Conspiração de Células de Fogo, em Janeiro de 2008.

Depois de mais de 300 ataques contra alvos de dominação que resultaram em dezenas de milhões de euros em danos e a transferência do medo para o campo do poder.

Depois de mais de 60 prisões de companheirxs e outrxs indivíduxs ao longo dos anos em que foram acusadxs de serem nossxs membrxs e dos milhares de anos de prisão que lhes foram impostos.

Depois das tantas vezes que os ministros e chefes de polícia declararam nos media que tinham conseguido nos ‘desmantelar’ e que “a CCF está acabada”.

Depois da inclusão da CCF em listas de organizações “terroristas” pelo Departamento de Estado dos EUA e pela Europol, na UE.

…continuamos até mesmo mais estrondosos.

Com a criação de uma rede conspiratória internacional de células FAI e CCF, em dezenas de países que já levaram a cabo e continuam a levar a cabo ações de guerrilha.

Com paixão ainda maior e tenacidade não apenas para atacar a infra-estrutura do sistema, mas também as pessoas no poder.

Sempre contra a apatia social.

Sempre contra os opressores de nossas vidas.

Ainda assim, não conseguem entender que a CCF é uma ideia e que a ideia não pode ser aprisionada porque é como a Hydra. Por cada companheirx que está presx, novxs companheirxs estão prontos para tomar o seu lugar e continuar no caminho do ataque.

Nós ainda transportamos a raiva…

Enviamos um pacote-bomba ao Ministro das Finanças alemão, no contexto da campanha do segundo ato do Projeto Nemesis.

Um comunicado vai seguir nos próximos meses.

Saudações companheiras aos grupos de ação direta da FAI no Chile e na Grécia pelas suas contribuições ao Projeto Nemesis.

Saudações rebeldes aos companheirxs da FAI em Itália e aos/à membrxs presxs da CCF na Grécia que permanecem irredutíveis.

Encaminhar para a Internacional Negra de Anarquistas da Praxis.

Nada terminou, tudo continua.

VIVA A ANARQUIA
Conspiração de Células de Fogo / FAI

via 325 em inglês

[Chile] Projecto Nemesis: Dispositivo incendiário/explosivo contra a Associação Nacional de Funcionários do Poder Judicial

Durante a madrugada de 11 de Dezembro instalámos um dispositivo incendiário/explosivo – de fabricação caseira com um sistema de retardador – na “Associação Nacional de Funcionários do Poder Judicial”, situada no centro de Santiago (rua Cienfuegos). O dispositivo funcionou correctamente, incendiando a porta do recinto.

A “Associação Nacional de Funcionários do Poder Judicial” é o lugar onde se reúnem os funcionários que permitem diariamente o funcionamento do complexo judicial-carcerário. Atingimos uma guarida das engrenagens activas do sistema – a mesma que permite diariamente que os miseráveis indivíduos do aparelho do Estado exerçam o direito que a si mesmos atribuíram para julgar e encerrar outras pessoas.

Cada sentença emitida por juízes, cada condenação solicitada pelo ministério público, cada encerramento nos cárceres do poder, são sustentados pelo rol de funções de cada funcionário judicial –  pois valida com o seu trabalho a existência e manutenção da indústria repressiva.

Em tempo de julgamentos contra anarquistas em que se arriscam condenas pesadas, a nossa ação constitui um raio de fogo proveniente do mais profundo das nossas obscuras intenções para com a ordem social do domínio.

Ação que enquadramos na proposta internacional do PROJETO NEMESIS, impulsionado a partir da Grécia por companheirxs da Conspiração de Células de Fogo – com vista a atingir os poderosos e os cúmplices nos seus lugares, casas, trabalho ou reunião.

Forma de ação que é autónoma, quebrando a passividade dos cidadãos, atuando fora dos horários programados pelas manifestações dos movimentos sociais.

Incêndios intencionais que complementam e elevam de grau os distúrbios nas ruas e o da pequena sabotagem.

Qualquer um/a pode fazê-lo, trata-se apenas de se decidir, planificar, tomar medidas de precaução, agir e experimentar o prazer do ataque, essa sensação que acalma as nossas ânsias de atingir diretamente o Poder – essa que nos faz sentir mais completxs e respirar mais oxigénio sem nos sentirmos superiores a nada nem a ninguém.

Os fogos e as explosões noturnas, nascidas de conspirações, constituem o órgão dinâmico da proposta insurrecional contra o domínio – totalmente vigente nas nossas vidas, para além de quanto adversa se mostre a realidade perante nós.
Não queremos criar um movimento, apelamos à conformação de células de ação, coordenadas entre si.

Somos xs continuadorxs de cada revolta e de cada conspiração que no Chile, América Latina, e no mundo tem oposto a violência libertadora à violência da escravatura. Somos o gérmen da continuidade das estratégias e das táticas guerrilheiras – experimentando ares novos com os nossos princípios e métodos anti-autoritários.

A morte de Fidel Castro, um ex-guerrilheiro que terminou a construir um Estado comunista em Cuba, os acordos de paz entre o Estado da Colômbia e as FARC, a guerrilha esquerdista existente há mais tempo no mundo contemporâneo, não representam para nós em absoluto a morte da luta revolucionária e da ação armada contra a opressão. O que morre com elxs é tão somente a derrota do paradigma autoritário, nas filas da luta anti-capitalista.

Mais do que nunca o nosso tempo convida à ação anti-autoritária e autónoma.

Os nossos incêndios e explosões não esquecem a matança perpetuada pelo Estado na Escola Santa María de Iquique, em 1907, nem o assassinato de 81 presos no incêndio da prisão cárcel de San Miguel, em Dezembro de 2010.

Saudamos a vida insurreta do companheiro anarquista Alexandros Grigoropoulous, arrebatada por um polícia em Dezembro de 2008.

Recordamos com fogo o companheiro anarquista nihilista Sebastian Oversluij que morreu disparando, a 11 de Dezembro de 2013, ao tentar expropriar o dinheiro aos responsáveis da miséria.

Do Chile à Grécia, de Rojava ao México, dos EUA a Espanha, Itália, Alemanha e no mundo inteiro.

Ação insurrecional e solidariedade com xs companheirxs presxs!

Pela expressão armada dos nossos desejos de liberdade.
Todos os dias são Dezembro Negro!
Não fiques de fora! Arma-te e sê violentx!

Guerra ao domínio!
Morte à civilização, ao patriarcado e a toda a autoridade.

Célula Incendiária “Novos Fogos no Horizonte”.
Federação Anarquista Informal/Frente Revolucionária Internacional.

Santiago: Reivindicação de dispositivo simulado em Villa Militar Oeste

No dispositivo foi escrito: “Sebastián Oversluij Presente”. Junto a um A, símbolo anarquista.

“A grande cidade apresenta, além disso, uma elevada concentração de objectivos de ataque (…) Alguns/mas combatentes, por poucxs que sejam, podem pôr em xeque, até, grandes contingentes de forças inimigas, através de acções apropriadas – a guerrilha deve deixar bem claro que os seus ataques se dirigem, por princípio, contra todas as instituições do inimigo de classe, todos os postos de administração e de polícia, o ponto nevrálgico dos centros diretivos, mas também os altos funcionários dessas instituições, juízes, directores, etc.; deixar muito claro que a guerra vai ser levada até aos bairros residenciais desses senhores (…) Utiliza a surpresa como arma e que seja ela que determine o tempo e lugar das operações.”

O moderno estado capitalista e a estratégia da luta armada / RAF.

As ideias e práticas antagónicas ao capital e ao estado têm sido a dor de cabeça da ordem burguesa – desde que se entranharam há séculos atrás, com toda a sua pujança, em território chileno – gerando diversas reacções, levadas a cabo pelos aparelhos armados do estado, fosse em ditadura ou democracia.

Durante os anos 60 salientou-se a VOP (Vanguarda Organizada do Povo), enquanto nos anos 70 esse lugar é ocupado por diversos grupos armados marxistas, a finalidade era sempre combater o poder estabelecido nessa época. Enquanto que a VOP o fazia nos tempos de Allende, o MIR (Movimento de Esquerda Revolucionária), FPMR (Frente Patriótica Manuel Rodríguez) e Mapu Lautauro (Movimento de Ação Popular Unitária) combatiam contra a ditadura militar de direita, fazendo-se parte da guerra contra a dominação, contra o Estado.

Durante a transição democrática estas organizações acabam por sentir o golpe ofensivo do Estado, desmembrando-se em seguida, ainda que parte dos seus/suas combatentes decida não desistir.

Durante os anos 90, e dada a reduzida expressão anti-capitalista, ressurgem novas correntes de autonomia e horizontalidade, fazendo-se estas notar na expressão política – principalmente em manifestações e violência nas ruas. Do anonimato à sabotagem com cargas explosivas a diversos alvos do capital e do Estado, aquelas começam a ressoar e, na década seguinte, esta forma de agir coloca a anarquia debaixo da mira atenta da polícia de investigação criminal.

A expressão viva desta nova etapa do anti-capitalismo começa a cimentar, a pulso em território chileno, a nova subversão, autónoma e libertária.

Nas mentes dos agentes do poder não cabe a possibilidade de que. no meio da democracia, existam indíviduxs dispostxs a fragilizar e interromper a paz social e a circulação capitalista. Os bombazos, a luta nas ruas, as extensas jornadas de protesto acompanhadas de fortes ataques à polícia, sabotagens, o fogo destruidor e a propaganda das ideias insurretas, de forma multiforme, começam a tomar parte da nova prática difusa e descentralizada, sem liderança nem dirigentes da expressão anti-capitalista – a práxis da luta anarquista insurreccional.

Com o passar do tempo o Estado começa a reestruturar-se, armando-se até aos dentes, fazendo a sua vigilância constante e sistemática, introduzindo o seu discurso na sociedade com o amparo da sua fiel amiga de sempre: a imprensa. Por isso mesmo as manipulações fazem da prisão o castigo efectivo, para xs que saem da norma imposta, o aniquilamento físico e mental debaixo de toneladas de betão e sim, é possível, o assassinato, sendo esta a forma máxima de castigo para xs subversivxs.

Sob estas tácticas do estado, a luta subversiva é catalogada como delinquência. Para todxs xs os que fazem dela a sua vida vida isto não tem relevância alguma, porque a reivindicação e o orgulho revolucionário contradirão sempre as suas “verdades”. No entanto, devemos entender que este qualificativo tem como objectivo a prevalência dos interesses dxs poderosxs. Aí radica a aposta do ataque insurreccional – golpear e atingir o poder – até que não possam controlar a sua asquerosa ordem.

Desta forma, e sob o prisma das ideias e acontecimentos expostos, voltámos a gerar uma corrente de acções, as que não pararam e que em seguida descreveremos. Hoje, tornámos parte do nosso projecto o seguinte: envio de balas ao pároco da Igreja dos Sacramentinos, em Março; os roubos em universidades, para fins políticos, em Julho; a colocação de um dispositivo incendiário num autocarro da transantiago (sem passageirxs) em Agosto. Todas estas acções reivindicadas pela Brigada da Morte, Bando Ilegalista Sebastián O. Seguel e o Núcleo de Ataque Herminia Concha, afins à FAI/FRI, que agora formam parte dos Núcleos Antagónicos da Nova Guerrilha Urbana.

No dia 2 de Dezembro, abandonámos um artefacto simulado no interior da Villa Militar Oeste, localizada na Av. Pajaritos, Estação Central, Santiago, Chile. (1)

O nosso dispositivo era composto por um extintor com cabos ligados a um telemóvel, o qual simulava um detonador à distância. Avisamos desde já, a não colocação de um engenho explosivo real foi por decisão política. Porque se bem que neste lugar vivam seres que merecem morrer, dia e noite passam trabalhadores que não são os nossos objectivos.

Dessa mesma perspectiva, utilizámos essa simulação no Mall Plaza Alameda e num autocarro da transantiago (com passageirxs) em Dezembro de 2015. Ao contrário do que se passou com o engenho explosivo que colocámos no Centro de Reinserção da Guarda- Prisional, em Fevereiro deste ano, composto por 1 kilo de ANFO, colocado estrategicamente junto a um reservatório de gás.

Agora, regressando à madrugada do 2 de Dezembro: esta acção de hostilidade, num local onde vivem os militares e polícias, está destinada a desmoralizar o inimigo histórico dxs revolucionárixs. Inimigo a combater com todas as nossas forças e armas. Daqui, da nossa posição, avisamos-vos poderosos: hoje foi uma simulação, mas temos todas as armas e explosivos de que precisamos e não hesitaremos em utilizá-los, no dia, hora e local que decidamos para vos atingir.

Desde já advertimos: militares nojentxs, caminhem com cuidado: María Riquelme (Bloco 4 dpto 12), Iván Pinto (Bloco 11 dpto 24), Luis Orellana (Bloco 11 dpto 1123), Oscar Moya (Bloco 11 dpto 1124), Sergio Martínez (bloco 11, dpto 1142). A vossa paz e tranquilidade terminou. Hoje, foram escolhidxs aleatoriamente, qualquer um ou uma podia estar ali, com cuidado mas estamos a xs observar.

Para finalizar, é imprescendível enviar uma saudação combativa e um sinal de cumplicidade aos/às companheirxs da Conspiração das Células de Fogo (na prisão e cá fora) na Grécia. Com esta acção desejamos contribuir mesmo que humildemente à iniciativa do Projecto Nemesis. Esperando que essa proposta ressoe em cada revolucionárix e se materialize em acções concretas, por todo o mundo.

Tão pouco esquecemos xs nossxs irmãos/irmãs na prisão. Marcelo Villaroel, Freddy Fuentevilla, Juan Aliste, quando passam já 9 anos da emissão da ordem de busca e captura contra eles. Não esquecemos como o já extinto torturador Alejandro Bernales dava a mensagem entre linhas, através da imprensa. “ Caminham com a morte”. Não esquecemos também o extenso processo jurídico que tiveram que enfrentar por uma acção iniciada pela justiça militar, que com o decorrer do tempo, foi transferida para a justiça civil a cargo do fiscal militar Roberto Reveco. Transferência onde não existiu grande mudança, predominando o desejo das condenações do poder. Ainda assim, os nossos irmãos mantiveram-se firmes e irredutíveis, dignos e indómitos. A vocês, a nossa solidariedade.

Também desejamos enviar uma saudação internacionalista às mulheres guerrilheiras autónomas que dão vida à Revolução, em Rojava, no Médio Oriente. Mulheres que levam à prática ideias antagónicas ao capital, estado e patriarcado, no meio de um conflito bélico contra sacanas, polícias e militares opostos à liberdade e à autonomia.

Por último recordamos o nosso irmão e companheiro Sebastián Oversluij Seguel, a 3 anos da sua morte, duramte uma tentativa de assalto bancário, a 11 de Dezembro de 2013, na comuna de Pudahuel, Santiago, Chile. Morto às mãos do vigilante William Vera, militar com um currículo extenso, assassino a soldo do capital, com experiência em conflitos bélicos no estrangeiro.

Por tudo isto e muito mais: Atacar o corpo Militar!
A hostilidade está plenamente justificada!
Guerra ao inimigo, no seu território!
Tudo continua… Voltaremos!

Coluna Insurreccional “Ira e Complot” – FAI/FRI
Núcleos Antagónicos da Nova Guerrilha Urbana

(1) “Bomba simulada, na proximidade do metro Pajaritos, mobilizou Carabineros”. Bio Bio Chile, 2 de Dezembro 2016.

em espanhol

[CCF/FAI-FRI] Projeto Nemesis: uma proposta aberta

«Quem fala de guerra, deve ter um plano…»

A autoridade mais insidiosa é a que mantém a promessa de globalidade. É por isso que passamos de uma monarquia para uma democracia e não para a liberdade. A palavra “segurança” é a mais apreciada pela democracia. Quanto mais ouvimos falar sobre “segurança” mais as nossas vidas e a nossa liberdade recuam. Mas, sobretudo, o poder e a democracia contemporâneos empurraram a sociedade  para compromissos e para se submeter quase voluntariamente. A democracia agita-se como uma fábrica transparente que produz relações sociais. Os indivíduos submetem-se à ideologia governamental, às normas sociais e aos comportamentos disciplinados, considerando que o que vivemos hoje (a tirania económica, a chantagem da escravidão assalariada, na ditadura do espectáculo, a segurança tecnológica) é uma inevitável e natural ordem do mundo.

Portanto, mesmo na presença de uma autoridade omnipresente, chefes, funcionários, gerentes e proprietários sempre existirão. Hoje, a visibilidade de quem está no poder é particularmente clara. Políticos, líderes empresariais, proprietários, armadores, editores, jornalistas, juízes e a bófia são as pessoas no poder. O projeto Nemesis visa atacar essas pessoas. Esta é a nossa oportunidade de jogar para que o medo mude de campo. Em vez de se atacar os símbolos impessoais da justiça, acreditamos que é muito importante traduzir os nossos ataques no ambiente pessoal dos nossos inimigos: casas, escritórios, locais de socialização e veículos. Sabemos que para o poder, “ninguém é insubstituível”, mas também sabemos que um golpe em particular a um deles seria o medo instilado em cem outros. Criamos um legado de medo para as pessoas de sua espécie assim como para as susceptíveis de as substituir. Este é o contrapeso mínimo que podemos trazer o equilíbrio do terror em que o inimigo tem todo o controlo. Equilibrando o terror causado pelos assassinatos de trabalhadores pelos seus patrões, os disparos acidentais pela bófia, os milhares de anos de prisão proferidas pelos juízes, as mentiras de jornalistas, as leis e ordens de políticos. Em todos estes casos, o inimigo tem um nome e um endereço.

Ao atacá-los mostra-se que as pessoas como autoridade podem ser vencidas – ao mesmo tempo que, em vez de confinar a insurreição anarquista a conflitos ocasionais com a bófia – podemos fazer da revolução uma componente permanente das nossas vidas. Descobrindo aqueles que se escondem atrás de ordens e decisões que governam nossas vidas, estudando os seus movimentos e rotas e organizando as nossas próprias células ofensivas que responderão aos desafios da autoridade. Não antecipamos um curto-circuito social que conduzirá a mobilizações de massas, mas tornamos-nos os aceleradores da história através de nossas ações, criando o dicotomia ” com a autoridade ou com a liberdade”. Criamos espaços e eras onde a história é escrita pela nossa própria mão e não  percorrendo-a passivamente. O guerrilheiro urbano anarquista é uma forma de olhar a vida directamente nos olhos, de modo a que se forme um autêntico “nós” coletivo. É a construção de um processo anarquista de libertação com coragem, coerência e determinação. As nossas ações não são avaliadas apenas em função dos golpes infligidos ao inimigo, mas também em relação à possibilidade de mudar as nossas próprias vidas.

O projeto Nemesis é uma proposta internacional de se criar uma lista com os nomes de pessoas do poder com o objetivo de as atacar lá, onde se sintam em segurança, nos bastidores … nas suas próprias casas. A explosão da bomba em Atenas, na casa da procuradora distrital do M.P. Georgia Tsatani, foi o primeiro ataque, o primeiro ato do projeto Nemesis. Compartilhamos este projecto com todas as células do FAI-FRI e todos os anarquistas de ação, por todo o mundo, querendo iniciar um diálogo sobre a difusão da luta anarquista. E nós sabemos que o melhor diálogo para a avaliação de uma acção não pode ser outra coisa senão uma nova ação…

Através do projeto Nemesis saudamos todos xs nossxs companheirxs cativxs nas celas da democracia em todo o mundo e que não estão mais ao nosso lado. É especialmente dedicado aos membros do CCF  Olga Economidou, George Polydoros, Gerasimos Tsakalos, Christos Tsakalos, à nossa companheira anarquista Angeliki Spyropoulou e aos companheiros italianos da FAI, Alfredo Cospito e Nicola Gai.

A todxs aquelxs que não enterraram o machado de guerra…

Conspiração de Células de Fogo / FAI-FRI

Voltaremos em breve.

em  francês

[Projeto Nemesis, 1º acto] CCF reivindica ataque à bomba contra casa da procuradora M.P. Georgia Tsatani (Atenas – 10/2016)

ccfwolvesPROJETO NEMESIS
PRIMEIRO ATO

Reivindicamos a responsabilidade pelo ataque [12 de Outubro de 2016] à casa da procuradora distrital do Ministério Público, Georgia Tsatani, situada na rua Ippokratous, ao lado do departamento de polícia de Exarhia, no centro de Atenas.

Sabíamos que G. Tsatani tinha uma escolta policial e era um alvo bem guardado mas isso não nos impediu de realizar o ataque.

Optámos por uma ação simbólica – único propósito era apenas causar danos materiais – mas a Conspiração das Células de Fogo não se limitará a isso no futuro…

Existem duas ordens de razão para se ter escolhido em particular esta procuradora distrital.

A primeira prende-se com o facto de G. Tsatani ser um membro da rede para-judicial cujo actividade passa por colocar fora de vista os ficheiros que incidem nos interesses da máfia empresarial e de políticos (com o fim de tirar proveito disso, obviamente). É pois a vanguarda judicial dos seus mestres.

O ponto alto da sua maculada carreira é o caso Vgenopoulos, tendo G. Tsatani encerrado o caso, ajudando-o a ser descartado de uma condenação certa. A  venalidade que teve com o empresário Vgenopoulos foi bombeada até si através de invisível conta para-judicial. Estas imperceptíveis cortesias de homens de negócios podem até construir as moradias dos magistrados, em troca da sua “justiça”.

Outra amostra do estilo de escrita desta procuradora distrital, mantida diligentemente em segredo pelos medias, é o caso Meimarakis, relacionado com o equipamento e os subornos de Vagelis Meimarakis, sendo a única a assumir o arquivo do caso – o ex-ministro da defesa nacional volta nessa altura, tendo ela feito questão de se “esquecer” de enviar para o parlamento os ficheiros – claramente com vista à sua cobertura. Em troca desta conciliação dá-se a colocação da filha e do marido de Tsatani como candidatos a ministros da Nova Democracia na presidência Meimarakis.

Georgia Tsatani esteve envolvida no caso Vatopedi, deixando bem claro e uma vez mais a mafiosa cooperação Igreja -Justiça, bem como em muitos outros famosos casos nos quais se “iria cortar” a fim de esconder e proteger os interesses de autoridade.

A segunda ordem de razões para se escolher como alvo de ataque a procuradora distrital Georgia Tsatsani prende-se com a sua participação na sujeição judicial dxs parentes dxs nossxs companheirxs.

A obsessão de vingança dos juízes contra as famílias dxs nossxs companheirxs foi uma escolha que todos os juízes envolvidos serão convidados a pagar e com grande custo. Temos recordações e acima de tudo paciência, persistência e diligência …

Dedicamos esta ação aos/à membrxs detidxs da C.C.F, Gerasimos Tsakalos, Christos Tsakalos, Giorgos Polydoros e Olga Economidou.

Enviamos a nossa solidariedade à companheira anarquista Angeliki Spyropoulou, bem como a todxs xs presxs políticxs irredutíveis que se encontram nas celas da democracia grega e também para os companheiros italianos Alfredo Cospito, Nicola Gai e anarquistas perseguidxs em Itália no âmbito da operação “Scripta Manent” ” contra a F.A.I.

Em breve seguirá a versão completa desta proclamação, bem como a nossa proposta para o projecto “Nemesis”.

Voltaremos…

Conspiração de Células de Fogo / F.A.I.

em inglês / grego, italiano, alemão