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[CCF/FAI-FRI] Projeto Nemesis: uma proposta aberta

«Quem fala de guerra, deve ter um plano…»

A autoridade mais insidiosa é a que mantém a promessa de globalidade. É por isso que passamos de uma monarquia para uma democracia e não para a liberdade. A palavra “segurança” é a mais apreciada pela democracia. Quanto mais ouvimos falar sobre “segurança” mais as nossas vidas e a nossa liberdade recuam. Mas, sobretudo, o poder e a democracia contemporâneos empurraram a sociedade  para compromissos e para se submeter quase voluntariamente. A democracia agita-se como uma fábrica transparente que produz relações sociais. Os indivíduos submetem-se à ideologia governamental, às normas sociais e aos comportamentos disciplinados, considerando que o que vivemos hoje (a tirania económica, a chantagem da escravidão assalariada, na ditadura do espectáculo, a segurança tecnológica) é uma inevitável e natural ordem do mundo.

Portanto, mesmo na presença de uma autoridade omnipresente, chefes, funcionários, gerentes e proprietários sempre existirão. Hoje, a visibilidade de quem está no poder é particularmente clara. Políticos, líderes empresariais, proprietários, armadores, editores, jornalistas, juízes e a bófia são as pessoas no poder. O projeto Nemesis visa atacar essas pessoas. Esta é a nossa oportunidade de jogar para que o medo mude de campo. Em vez de se atacar os símbolos impessoais da justiça, acreditamos que é muito importante traduzir os nossos ataques no ambiente pessoal dos nossos inimigos: casas, escritórios, locais de socialização e veículos. Sabemos que para o poder, “ninguém é insubstituível”, mas também sabemos que um golpe em particular a um deles seria o medo instilado em cem outros. Criamos um legado de medo para as pessoas de sua espécie assim como para as susceptíveis de as substituir. Este é o contrapeso mínimo que podemos trazer o equilíbrio do terror em que o inimigo tem todo o controlo. Equilibrando o terror causado pelos assassinatos de trabalhadores pelos seus patrões, os disparos acidentais pela bófia, os milhares de anos de prisão proferidas pelos juízes, as mentiras de jornalistas, as leis e ordens de políticos. Em todos estes casos, o inimigo tem um nome e um endereço.

Ao atacá-los mostra-se que as pessoas como autoridade podem ser vencidas – ao mesmo tempo que, em vez de confinar a insurreição anarquista a conflitos ocasionais com a bófia – podemos fazer da revolução uma componente permanente das nossas vidas. Descobrindo aqueles que se escondem atrás de ordens e decisões que governam nossas vidas, estudando os seus movimentos e rotas e organizando as nossas próprias células ofensivas que responderão aos desafios da autoridade. Não antecipamos um curto-circuito social que conduzirá a mobilizações de massas, mas tornamos-nos os aceleradores da história através de nossas ações, criando o dicotomia ” com a autoridade ou com a liberdade”. Criamos espaços e eras onde a história é escrita pela nossa própria mão e não  percorrendo-a passivamente. O guerrilheiro urbano anarquista é uma forma de olhar a vida directamente nos olhos, de modo a que se forme um autêntico “nós” coletivo. É a construção de um processo anarquista de libertação com coragem, coerência e determinação. As nossas ações não são avaliadas apenas em função dos golpes infligidos ao inimigo, mas também em relação à possibilidade de mudar as nossas próprias vidas.

O projeto Nemesis é uma proposta internacional de se criar uma lista com os nomes de pessoas do poder com o objetivo de as atacar lá, onde se sintam em segurança, nos bastidores … nas suas próprias casas. A explosão da bomba em Atenas, na casa da procuradora distrital do M.P. Georgia Tsatani, foi o primeiro ataque, o primeiro ato do projeto Nemesis. Compartilhamos este projecto com todas as células do FAI-FRI e todos os anarquistas de ação, por todo o mundo, querendo iniciar um diálogo sobre a difusão da luta anarquista. E nós sabemos que o melhor diálogo para a avaliação de uma acção não pode ser outra coisa senão uma nova ação…

Através do projeto Nemesis saudamos todos xs nossxs companheirxs cativxs nas celas da democracia em todo o mundo e que não estão mais ao nosso lado. É especialmente dedicado aos membros do CCF  Olga Economidou, George Polydoros, Gerasimos Tsakalos, Christos Tsakalos, à nossa companheira anarquista Angeliki Spyropoulou e aos companheiros italianos da FAI, Alfredo Cospito e Nicola Gai.

A todxs aquelxs que não enterraram o machado de guerra…

Conspiração de Células de Fogo / FAI-FRI

Voltaremos em breve.

em  francês

[Projeto Nemesis, 1º acto] CCF reivindica ataque à bomba contra casa da procuradora M.P. Georgia Tsatani (Atenas – 10/2016)

ccfwolvesPROJETO NEMESIS
PRIMEIRO ATO

Reivindicamos a responsabilidade pelo ataque [12 de Outubro de 2016] à casa da procuradora distrital do Ministério Público, Georgia Tsatani, situada na rua Ippokratous, ao lado do departamento de polícia de Exarhia, no centro de Atenas.

Sabíamos que G. Tsatani tinha uma escolta policial e era um alvo bem guardado mas isso não nos impediu de realizar o ataque.

Optámos por uma ação simbólica – único propósito era apenas causar danos materiais – mas a Conspiração das Células de Fogo não se limitará a isso no futuro…

Existem duas ordens de razão para se ter escolhido em particular esta procuradora distrital.

A primeira prende-se com o facto de G. Tsatani ser um membro da rede para-judicial cujo actividade passa por colocar fora de vista os ficheiros que incidem nos interesses da máfia empresarial e de políticos (com o fim de tirar proveito disso, obviamente). É pois a vanguarda judicial dos seus mestres.

O ponto alto da sua maculada carreira é o caso Vgenopoulos, tendo G. Tsatani encerrado o caso, ajudando-o a ser descartado de uma condenação certa. A  venalidade que teve com o empresário Vgenopoulos foi bombeada até si através de invisível conta para-judicial. Estas imperceptíveis cortesias de homens de negócios podem até construir as moradias dos magistrados, em troca da sua “justiça”.

Outra amostra do estilo de escrita desta procuradora distrital, mantida diligentemente em segredo pelos medias, é o caso Meimarakis, relacionado com o equipamento e os subornos de Vagelis Meimarakis, sendo a única a assumir o arquivo do caso – o ex-ministro da defesa nacional volta nessa altura, tendo ela feito questão de se “esquecer” de enviar para o parlamento os ficheiros – claramente com vista à sua cobertura. Em troca desta conciliação dá-se a colocação da filha e do marido de Tsatani como candidatos a ministros da Nova Democracia na presidência Meimarakis.

Georgia Tsatani esteve envolvida no caso Vatopedi, deixando bem claro e uma vez mais a mafiosa cooperação Igreja -Justiça, bem como em muitos outros famosos casos nos quais se “iria cortar” a fim de esconder e proteger os interesses de autoridade.

A segunda ordem de razões para se escolher como alvo de ataque a procuradora distrital Georgia Tsatsani prende-se com a sua participação na sujeição judicial dxs parentes dxs nossxs companheirxs.

A obsessão de vingança dos juízes contra as famílias dxs nossxs companheirxs foi uma escolha que todos os juízes envolvidos serão convidados a pagar e com grande custo. Temos recordações e acima de tudo paciência, persistência e diligência …

Dedicamos esta ação aos/à membrxs detidxs da C.C.F, Gerasimos Tsakalos, Christos Tsakalos, Giorgos Polydoros e Olga Economidou.

Enviamos a nossa solidariedade à companheira anarquista Angeliki Spyropoulou, bem como a todxs xs presxs políticxs irredutíveis que se encontram nas celas da democracia grega e também para os companheiros italianos Alfredo Cospito, Nicola Gai e anarquistas perseguidxs em Itália no âmbito da operação “Scripta Manent” ” contra a F.A.I.

Em breve seguirá a versão completa desta proclamação, bem como a nossa proposta para o projecto “Nemesis”.

Voltaremos…

Conspiração de Células de Fogo / F.A.I.

em inglês / grego, italiano, alemão

Grécia / México [2012]: “Uma troca de ideias entre anarquistas”

Uma troca de ideias entre anarquistas: Uma discussão sobre tática e prática entre @s membr@s encarcerad@s da Conspiração das Células de Fogo e alguns anarquistas de práxis radicad@s no México.

Clique na capa para baixar, ler e/ou imprimir o texto. A tradução foi realizada por um grupo de tradução improvisado: inconstancia@riseup.net.

Cartaz da Biblioteca Kaos, em Porto Alegre, aqui.

Introdução do anarquista preso da CCF Christos Tsakalos (4 de Dezembro de 2015), em grego, aqui.

Atenas: Acusação para o plano de fuga da CCF

25-2A 16 de Novembro de 2015, foi anunciado que um total de 27 pessoas foram indiciadas no caso do plano de fuga da prisão de Korydallos da Conspiração das Células de Fogo. As pessoas pertencentes ao núcleo da família mais próxima de anarquistas em cativeiro estão incluídas entre xs acusadxs; o que significa que Athena Tsakalou (mãe dos membros da CCF, Christos e Gerasimos Tsakalos) e Evi Statiri (companheira sentimental de Gerasimos Tsakalos) serão também chamadas a julgamento.

Entretanto, Evi Statiri tinha apresentado um pedido para a retirada de uma das medidas cautelares impostas após a sua libertação da prisão. Solicitou o levantamento da proibição de se comunicar e visitar na prisão o seu companheiro sentimental Gerasimos Tsakalos, mas o seu pedido foi rejeitado no início deste mês (3 de Novembro).

Prisões gregas: Relatório médico sobre xs presxs da CCF e Angeliki Spyropoul (13/3/2015)

Recordamos que xs 10 membros presxs da CCF e Angeliki Spyropoulou estão em greve de fome desde o dia 2 de Março de 2015. De acordo com o relatório médico de 13 de Março, assinado pelos médicos Spyros Sakkas e Olga Kosmopoulou:

A 12/3, Theofilos Mavropoulos, de 24 anos de idade, tinha perdido 6,8 quilos, correspondente a 6,76% do seu peso corporal no início da greve, além de apresentar baixo nível de açúcar no sangue.

A 12/3, Giorgos Nikolopoulos, de 28 anos de idade, tinha perdido 6,5 quilos, correspondente a 7,06% do seu peso corporal no início da greve.

A 12/3, Damiano Bolano, de 28 anos de idade, tinha perdido 8,6 quilos, correspondente a 9,51% do seu peso corporal no início da greve.

A 12/2, Michalis Nikolopoulos, de 27 anos de idade, tinha perdido 6,2 kilos, que correspondem a 7,89 % do seu peso corporal no início da greve, além de apresentar bradicardia.

A 12/3, Panagiotis Argirou, de 26 anos de idade, que no passado havia enfrentado sérios problemas de saúde pelo que toma medicamentos, tinha perdido 6,2 quilos, correspondente a 8,58% do seu peso corporal no início do greve, além de apresentar baixo nível de açúcar no sangue.

Os anarquistas Theofilos Mavropoulos, Giorgos Nikolopoulos, Damiano Bolano, Michalis Nikolopoulos e Panagiotis Argirou encontram-se nas prisões para homens de Koridallos, onde existe uma enfermaria básica, mas sem assistência durante todo o dia.

Por outro lado, os anarquistas Haris Hatjimichelakis, Christos Tsakalos, Giorgos Polidoros e Gerasimos Tsakalos encontram-se numa ala especial nas celas subterrâneas das prisões femininas de Koridallos, onde não existe enfermaria e as condições são péssimas. Em concreto:

A 9/3, Haris Hadjimichelakis, de 26 anos de idade, tinha perdido 6,4 quilos, correspondentes a 7,56% do seu peso corporal no início da greve, além de apresentar baixo nível de açúcar no sangue.

A 9/3, Christos Tsakalos, de 35 anos de idade, tinha perdido 5,8 quilos, o que corresponde a 6,83% do seu peso corporal no início da greve, além de apresentar baixo nível de açúcar no sangue.

A 9/3, Giorgos Polidoros, de 32 anos de idade, tinha perdido 4,6 quilos, correspondente a 6,13% do seu peso corporal no início da greve, além de apresentar baixo nível de açúcar no sangue.

As anarquistas Olga Ekonomidou e Angeliki Spyropoulou encontram-se nas prisões para mulheres de Koridallos, donde existe uma enfermaria básica, mas sem assistência médica durante todo o dia.

A 11/3, Olga Ekonomidou, de 35 anos de idade, tinha perdido 4,5 quilos, correspondente a 8,65% do seu peso corporal no início da greve, além de apresentar hipotensão ortostática.

A 11/3, Angeliki Spyropoulou, de 22 anos de idade, tinha perdido 4,4 kilos, que correspondem a 7.58 % do seu peso corporal no início da greve, para além de apresentar hipotensão arterial ortostática e taquicardia (140 batimentos por minuto) ao levantar-se.

em espanhol

Prisões gregas: A CCF apoia a greve de fome coletiva de presos combativos

Seguem-se algumas palavras através das quais Giorgos Polidoros e Christos Tsakalos – membros da CCF presos – apoiam a greve de fome coletiva de presos combativos, a qual se está a desenrolar em paralelo à greve deles.

Giorgos Polidoros: […] Desde segunda-feira, 2 de Março de 2015, xs 10 membros das Células estão em greve de fome até à morte para que deixem em liberdade xs seus/suas familiares e amigxs. Não têm relação alguma com as nossas ações. Deixem-nos em paz ou preparem-se para contar xs primeirxs presxs políticxs mortxs. Ao mesmo tempo, apoiamos a greve de fome que se está a levar a cabo nas prisões, pela abolição da lei antiterrorista, da lei da capucha e das prisões tipo C. A situação criada pelos serviços antiterroristas às nossas famílias é uma consequência extrema da lei antiterrorista, dando início a novas histórias repressivas.

Christos Tsakalos: […] É óbvio que as duas greves de fome estão ligadas uma à outra e isto demonstra como é urgente e necessário que ambas se concluam vitoriosamente. Que conexão existirá? A greve de fome que levamos a cabo e o assunto que propomos, ou seja, a libertação imediata dxs nossxs familiares que foram encarceradxs pelos bastardos dos serviços antiterroristas, nada mais é que uma extensão natural e política das exigências postas pela malta para a abolição da lei antiterrorista […]

em espanhol | francês

Grécia: Comunicado dxs membros presxs da CCF de anúncio de greve de fome

Mazas-Galerie-CellulaireA 2 de Março de 2015, foi detida Angeliki Spyropoulou – a qual estava a ser perseguida – acusada de participação na tentativa de fuga dxs membros presxs da Conspiração de Células de Fogo, das prisões de Korydallos. A polícia grega deteve também um amigo pessoal do irmão de Giorgos Polidoros, a mãe dos irmãos Tsakalos, uma amiga pessoal dela e a esposa de Gerasimos Tsakalos. Xs membros presxs da CCF declararam-se em greve de fome até à morte, nas prisões de Koridallos, com a exigência única de que não se ordene prisão preventiva para xs seus/suas familiares e para as pessoas do seu meio de amizades.

Comunicado do núcleo de membros presxs da CCF

Há dois meses foi descoberto o nosso plano de fuga das prisões de Koridallos, algo pelo qual assumimos completa responsabilidade e do qual fizemos a nossa autocrítica. Após isto, tem sido desenvolvida uma perseguição sem procedentes a fim de se construírem culpadxs. O objetivo desta caça são xs nossxs familiares e xs amigxs delxs. Há dois dias vimos como detiveram o amigo de infância do irmão de Giorgos Polydoros e a amiga chegada da mãe de Christos e Gerasimos Tsakalos. Começaram então a falar de membros “periféricos”, “mensageiros”, e “fundo revolucionário”. Porquê? Por uma mochila com roupa? Por algum dinheiro que provinha de contribuições e eventos solidários dirigido a nós? Ou pelos famosos “miras laser para armas”? A pessoa que levava a mochila nem sabia que continha uns lasers. Além disso, e isto é o mais importante, estes lasers não eram mais que brinquedos que se vendem na praça de Monastiraki por 2 euros cada um e que queríamos para criar confusão à hora do assalto. Porque é que os serviços antiterroristas não dizem isso e em vez disso os apresentam como armamento?

Hoje mesmo vimos como detiveram a mãe de Christos e Gerasimos Tsakalos e a esposa deste último, porque a Angeliki Spyropoulou foi encontrada na casa dos pais dos irmãos Tsakalos. Angeliki é uma companheira excepcional e com a qual nos irmana uma afinidade política sem limites. Os 2 compas tinham-lhe dito que fosse a sua casa, caso se encontrasse numa situação difícil. Porque nós não vendemos nem as nossas ideias, nem a nossa gente. Angeliki estava a ser procurada há bastante tempo e, há uns dias, foi a sua casa para pedir à mãe de ambos para a hospedar temporariamente. Que havia de fazer? Fechar-lhe a porta? Não é desse tipo de pessoas e conhece o valor da humanidade mostrada a uma pessoa perseguida. Na mesma casa também vive frequentemente a esposa de Gerasimos Tsakalos por relações familiares, por isso também se encontrava ali.

Toda a responsabilidade é exclusivamente nossa. Xs familiares e as suas relações de amizade próximas não têm absolutamente nada a ver com o caso nem com nada de que xs acusam. Quanto a Angeliki, estaremos a seu lado e sabe que terá todo o nosso apoio. Estará junto a nós com a cabeça erguida, neste difícil caminho que escolhemos.

Mas não vamos ficar de braços cruzados a ver como esquartejam xs nossxs familiares e amigxs. Os serviços antiterroristas ultrapassaram todos os limites. Xs seus/suas inimigxs somos nós e não xs nossxs familiares. Basta. Começamos uma greve de fome até à morte a 2 de Março para proteger xs nossxs familiares e xs seus/suas amigxs, para que não entrem na prisão. Toda a responsabilidade é nossa e só nós carregaremos com ela. Até ao final! Se xs mandarem para a prisão, preferimos escolher a morte. Isto significa responsabilidade e cada um toma as suas decisões…

Libertação imediata dxs familiares e dxs seus/suas amigxs, que não têm nenhuma relação com o caso.

Conspiração de Células de Fogo-Núcleo da prisão
2 de Março de 2015

Olga Ekonomidou
Michalis Nikolopoulos
Giorgos Nikolopoulos
Haris Hadjimihelakis
Gerasimos Tsakalos
Christos Tsakalos
Giorgos Polidoros
Panagiotis Argirou
Damiano Bolano
Theofilos Mavropoulos

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Grécia: «Comunicado de guerra» dxs membros presxs da Conspiração de Células de Fogo

Nota de Contra Info:

Nos princípios de Janeiro de 2014 Christodoulos Xiros, membro condenado da organização marxista-leninista 17 Novembro (17N), encontrava-se em fuga após uma permissão de saída da prisão, à qual não regressou. A polícía grega pôs a sua cabeça a prémio por uma enorme quantia além de realizar una série de buscas em várias casas em Atenas e Tessalónica (como no caso do entorno da ex-okupa Nadir).

Após um ano, a 3 de Janeiro de 2015, Christodoulos Xiros foi localizado e recapturado próximo de Anavyssos, na região de Ática, sem resistir à sua detenção. A casa que utilizava foi detalhadamente registrada peos serviços antiterroristas: encontraram armas de fogo, explosivos e objetos vários, entre eles um cartão de identidade falsificado com a foto de uma mulher jovem, cujo nome verdadeiro parece ser Angeliki. Na mesma noite, forças da unidade especial antiterrorista EKAM e agentes da segurança estatal invadiram o módulo A das prisões de homens de Koridallos e pouco depois os anarquistas presos Gerasimos Tsakalos e Christos Tsakalos, membros presos da CCF, assim como dois anarquistas presos mais (acusados como supostos membros da CCF), Spyros Mandylas e Andreas Tsavdaridis (que assumiu a responsabilidade pelo Comando Mauricio Morales – FAI/FRI), foram separados da população geral da prisão e transferidos à seção especial das prisões de mulheres de Koridallos. Apesar da transferência a moral dos compas continua alta.

Pouco antes das eleições de 25 de Janeiro de 2015, os aparelhos de Estado desencadearam outro círculo de histeria mediática, em busca de indivíduos que possam estar vinculados com Christodoulos Xiros e/ou com xs  membros presxs da CCF. A polícia invadiu também diversas casas noutras cidades gregas enquanto publicava a foto da mulher que aparece no bilhete de identidade falsificado. Simultaneamente diziam ter encontrado notas que indicavam que se estava a planificar um assalto às prisões de Koridallos, com o objetivo de ajudar xs membros presxs da CCF a escapar. Em resposta às reportagens policiais sobre a «prevenção de um ataque terrorista» relacionado com o caso da tentativa de fuga, o núcleo de membros presxs da CCF sacou a público um comunicado enviando a sua forças e solidariedade com as pessoas anónimas  que estão a ser alvo de busca pela sua suposta participação na planificação da fuga.

Segue-se a sua carta mais recente, a partir de Koridallos, traduzida do original em grego em Asirmatista

hCOMUNICADO DE GUERRA

« Disparei-lhe uma bala na boca pelas mentiras que dizia e outra bala na mão pelas sujeiras que escrevia »
–Jacques Mesrine sobre o sequestro de um jornalista francês

A guerra suja e a desvergonha dos jornalistas sobre o caso da intenção de fuga da Conspiração de Células de Fogo não tem limites. Puseram em ponto de mira a companheira Angeliki, chantageando sentimentalmente os seus pais e difundindo asquerosas mentiras pela sua suposta relação como amiga do detido.

Angeliki é amiga da insurreição, da anarquia, da liberdade.

Se houvessem mais pessoas como a Angeliki, a luta e a anarquia seriam a única realidade possível.

CABRÕES, INFORMADORES, JORNALISTAS – VINGAR-NOS-EMOS.

Força e solidariedade por todos os meios com a companheira Angeliki e para todxs xs perseguidxs pelo mesmo caso.

As Células estarão sempre a seu lado…

Conspiração de Células de Fogo

Olga Ekonomidou
Giorgos Polidoros
Michalis Nikolopoulos
Giorgos Nikolopoulos
Gerasimos Tsakalos
Christos Tsakalos
Haris Hadjimihelakis
Damiano Bolano
Theofilos Mavropoulos
Panagiotis Argirou                                                             

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Grécia: “Quero companheiros, não a massa”, texto em solidariedade com Alfredo Cospito e Nicola Gai

Segue-se um texto em solidariedade com Alfredo Cospito e Nicola Gai, publicado em 24 de Outubro, à vista da primeira sessão do julgamento dos dois compas em Génova, realizado a 30 de Outubro de 2013, no qual Alfredo e Nicola reivindicaram a responsabilidade total da ação do Núcleo Olga FAI/FRI, os disparos a Roberto Adinolfi, administrador delegado da empresa Ansaldo Nucleare, de que eram acusados. 

Quero companheiros, não a massa…

Conheço pessoas… pessoas caladas e faladoras, cobardes e insolentes, humildes e arrogantes…

Pessoas que vivem obedientemente como ovelhas e outras, espreitando furtivamente como hienas.

Conheço pessoas que sonham sem fantasia e vivem sem sonhar… pessoas acostumadas a ter os olhos baixos e os ouvidos a receber instruções “acorda”,  “trabalha”, “paga”, “compra”, “acredita”, “compromete-te”…

Pessoas da multidão solitária, que pacientemente esperam na fila da vida… que esperam o amanhã eterno, melhores dias, o futuro optimista, a resposta às suas preces… As que estão à espera de acreditar num qualquer candidato a salvador, num qualquer manipulador do pensamento que lhes prometa uma vida melhor.

Mas os que esperam um amanhã para viver melhor, esses já estão mortos, hoje.

Conheço pessoas, mas poucas são as minhas companheiras.

Morte Lenta ou Insurreição aqui e Agora…

São estes os dois caminhos que se encontram à nossa frente.

Elegemos aquele onde ousam os fortes. É um ar mais limpo e a multidão – que se inclina perante os seus falsos ídolos – não desfeia a nossa estética.

É agradável olhar desde o Alto do Único, mesmo que a multidão deseje em segredo que caias no abismo, para não ter de se envergonhar da sua pequena estatura.

As nossas palavras esculpem como uma navalha o presente e as nossas ações queimam as pontes com o passado…

Com tenacidade e vontade, até que se assassine o Poder.

Por Nicola e Alfredo.
Pelos/as Anarquistas da Praxis.

Os membros da Conspiração de Células de Fogo: Giorgos  Nikolopoulos, Michalis Nikolopoulos, Christos Tsakalos, Gerasimos  Tsakalos, Olga Ekonomidou, Damiano Bolano, Panagiotis Argirou, Giorgos Polidoros, Theofilos Mavropoulos, Haris Hatzimichelakis

O membro da FAI/FRI Andreas Tsavdaridis e o anarco-nihilista Spyros Mandylas

Grécia: Sobre as greves de fome nas prisões gregas

[1º de Maio de 2012] Comunicado do núcleo de membros presos/a da CCF e de Theofilos Mavropoulos sobre o fim da greve de fome

Uma batalha vencida, mas a guerra não acaba aqui…

Após 23 dias de greve da fome, saímos vencedores/as do desgaste e do derrotismo em cativeiro que predominam no mundo dos/as presos/as.

Escrevemos: “Tomamos uma decisão… lutamos até ao final…”, e nos mantivemos consequentes com esta escolha, inclusive quando transferiram os nossos irmãos, Gerasimos e Panagiotis, com problemas graves de saúde, para o hospital Tzaneio. Porque de tudo o que se escreve, o que mais amamos é aquilo que um/a escreve com o seu próprio sangue e sela com as suas ações. Tudo o mais é verborreia vazia e perda de tempo.

Durante estes 23 dias, nunca lamentamos nem por um único momento a nossa decisão de levar a cabo uma greve de fome. Conhecíamos o risco. Sabemos como morrem todos/as… mas há mortes que pesam de maneira diferente, porque escolhemos nós mesmos/as a maneira em que morreremos, tal como escolhemos a maneira como vivemos. E decidimos sair vencedores desta batalha.

Gerasimos e Panagiotis conseguiram a sua transferência definitiva das prisões de Domokos. Gerasimos conseguiu a sua transferência às prisões de Koridallos e Panagiotis, devido aquilo a que chamam “convicto de larga duração” (condenado a 37 anos de prisão) não pode mudar para uma prisão de presos à espera de julgamento (como a de Koridallos) mas conseguiu a transferência para uma prisão de sua “escolha”, concretamente, a de Trikala, onde se encontram encerrados outros três membros da Conspiração de Células de Fogo.

Esta vitória deixa, à sua maneira, um legado mais na nossa demanda por uma convivência política dos/as membros da CCF dentro dos muros e abule o isolamento a que nos querem forçar.

Nesta confrontação com o sistema, com o tempo e com o desgaste adversários, dispusemos dos nossos corpos como barricadas e garantia da nossa dignidade. Por isso, nem pedimos favores, nem temos mendigado solidariedade nos lugares que evitamos frequentar na nossa viagem como anarquistas de práxis. Livramo-nos de partidos esquerdistas, de conferências de imprensa com fundo humanitário, de círculos reformistas. Optando assim por uma solidão consciente, temos contado amigos e inimigos, compas e indiferentes, ações e silêncios…

Não desperdiçamos palavras com os populistas e os insignificantes. Pelo contrário, a palavra “obrigado” é muito pobre para os/as compas de toda a Grécia que correram, repartiram folhetos, colaram cartazes, montaram concentrações de solidariedade con microfone aberto, ocuparam um canal de televisão, vieram numa marcha até às portas das prisões, realizaram transmissões de atualizações através da rádio…

Finalmente, enviamos nosso mais caloroso abraço a todos/as os/as vândalos/as, os/as provocadores/as, os/as incendiários/as e bombardeadores/as noturnos/as na Grécia, aos/às anarquistas nihilistas no Estado espanhol, ás/aos irmãs/os na Bolívia, no Reino Unido, assim como a todos os núcleos da Federação Anarquista Informal e da Conspiração de Células de Fogo…

Nada seria o mesmo sem todos/as vós…
Feliz reencontro, compas.

Ainda que tenhamos ganho não nos resta mais do que começar a próxima batalha

PELO ALASTRAMENTO DA FEDERAÇÃO ANARQUISTA INTERNACIONAL (FAI/IRF)
PELA INTERNACIONAL NEGRA DOS/AS ANARQUISTAS DA PRÁXIS

Núcleo de membros presos/a da CCF-FAI
e o anarquista revolucionário Theofilos Mavropoulos


[Atualização de 27 de Abril] Continuar a lerGrécia: Sobre as greves de fome nas prisões gregas

Grécia: Cartaz em solidariedade com os/as membros presos/a da O.R. CCF (10º dia de greve de fome)

[…Cada um/a escolhe de sua livre e própria vontade,vontade essa composta dos obstáculos que derrubar ou dos compromissos que aceitar. Sem serem entravados por nenhum “contentor social”, a Conspiração de Células de Fogo interrompe e desestabiliza a existência da quietude reacionária. E o faz inclusivé no chamado movimento anarquista em todas as latitudes, compondo o caminho mas sem dar orientações porque “nada quer”… Este caminho, uma nova forma de guerrilha anti-social e niilista irrompe com aquilo que não aceita ser classificado de estereótipo de falso sentimento revolucionário por parte do pedante academicismo do anarquismo oficial e dos/as devotos/as do militantismo como se fosse um fim em si mesmo. A guerrilhaa que determina num contexto revolucionário a sua própria propulsão destrutiva já deixou para trás todo o conceito de social…]
Federico Buono

Respeito-Honra-Solidariedade com os/as combatentes revolucionários/as da nova guerrilha urbana, membrxs orgulhosos/as da Organização Anarquista Revolucionária Conspiração de Células de Fogo.

Solidariedade com os grevistas da fome Gerasimos Tsakalos, Panagiotis Argirou, Christos Tsakalos, que continuam com consistência e determinação a sua luta poliforma contra a civilização do poder e dos seus subordinados, apesar da sua situação de encarceração. Compas, sigam com força até à liberdade!

Prisões gregas: Notas sobre as greves de fome e abstenções de comida dos/as presos/as em luta

4 de Abril: Declaração de greve de fome de Spyros Dravilas (interno na prisão de Domokos, que actualmente está no hospital da prisão de Koridallos), intitulada “O estado e as suas instituições vingam-se daqueles/as que não sucumbem ao sistema, privando-os/as do seu direito a saídas temporárias”. As autoridades negaram a Spyros Dravilas o seu direito a saídas temporárias, com o qual ele contava há dois anos e meio.

6 de Abril: Declaração de greve de fome de Giorgos Karagiannidis, Alexandros Mitroussias e Kostas Sakkas: ”A partir de hoje 6/4 nos declaramo-nos em greve de fome, exigindo o levantamento da nossa arbitrária e vingativa prisão preventiva assim como a libertação imediata da nossa co-acusada Stella Antoniou, por razões de saúde.” — cofirmado por Stella Antoniou, que atualmente protesta mediante uma abstenção de comida da prisão.

6 de Abril: Declaração de greve de fome de Panagiotis Argirou e Gerasimos Tsakalos, membros encarcerados da CCF, que exigem a sua transferência definitiva para as prisões de koridallos, para dar fim às transferências repetidas e vingativas e à sua tortura física e psicológica.

7 de Abrill: Vaggelis Kailoglou leva a cabo uma abstenção de comida da prisão, em solidariedade. Ele é o único dos lquatro detidos do 12 de Fevereiro que se manteve em prisão preventiva.

7 de Abril: Abstenção de comida da prisão, realizada pelos prisioneiros de guerra Sokratis Tzifkas (prisão de Diavatas), Giannis Skouloudis (prisão de Avlona), Babis Tsilianidis e Dimitris Dimtsiadis (prisão de Koridallos), em solidariedade com os/as presos/as em luta.

8 de Abril: O membro preso da CCF, Christos Tsakalos, declara-se em greve de fome, em solidariedade com os grevistas da fome, Panagiotis Argirou e Gerasimos Tsakalos.

8 de Abril: Abstenção de comida da prisão llevada a cabo por 130 presos na primeira ala da prisão de homens de Koridallos, em solidariedade com os/as compas presos/as em luta.

9 de Abril: Assembleia solidária na Escola Politécnica de Atenas, nol edifício Gini, com intervenções telefónicas dos presos em greve de fome a partir das prisões.

9 de Abril: Os restantes membros encarcerados da CCF e o anarquista revolucionário Theofilos Mavropoulos declaram que gradualmente se unirão à greve de fome dos seus irmãos na luta Panagiotis Argirou, Gerasimos e Christos Tsakalos.

11 de Abril: Declaração de Stella Antoniou sobre os últimos acontecimentos: As autoridades judiciais não pediram que Stella permanecesse em prisão preventiva, mas fizeram-no  com Sakkas, Mitroussias, Karagiannidi, baseando-se em acusações inventadas contra eles respeitantes aos antigos ataques incendiários da CCF. Dados os factos, e de acordo com os seus três compas, Stella explicou que interrompia a sua participação na greve de fome e que, apesar dos seus problemas de saúde, se abstinha de ingerir comida da prisão até que as suas pretensões se cumprissem.

11 de Abril: O anarquista expropriador Rami Syrianos declara-se em abstenção da comida da prisão, em solidariedade com os/as compas presos/as em luta.

14 de Abril: Uma assembleia em solidariedade com G.Karagiannidis, A.Mitroussias, K.Sakkas e S.Antoniou lançou a seguinte notícia entre outras: “Presentemente, os três compas, Karagiannidis, Mitroussias e Sakkas foram acusados no caso dos 250 ataques incendiários da CCF pelos procuradores Mokkas e Baltas, que pediram que tanto eles três tres, como também os membros da O.R. CCF, se mantivessem em prisão preventiva. Stella Antoniou foi acusada também, mas não permanecerá em prisão preventiva de novo, esperando-se que seja libertada em Junho de 2012, quando acabar o período de 18 meses desde a sua primeira prisão preventiva, apesar da sua quinta petição para a libertação por motivos de saúde ainda não ter tido resposta.” Recordemos que Stella está em prisão preventiva há 16 meses já, como única prova contra ela o fato de possuir cartão de identidade falso.

14 de Abril: Notícias do estado de saúde dos três membros presos da CCF, após uma semana em greve de fome: Gerasimos perdeu 6 kilos, Panagiotis 5 kilos e Christos 7 kilos. Todos os dias têm exames médicos, os níveis de açúcar e a pressão arterial são revistos.

15 de Abril: Mais três membros presos da CCF, Haris Hadjimihelakis, Damiano Bolano e Giorgos Polidoros, começaram uma greve da fome desde o dia 17 de Abril. (Seguir-se-ão atualizações)

Solidariedade internacional e explosiva
com os/as nossos/as irmãos/s em luta!

Nova transferência de um membro da O.R. Conspiração das Células de Fogo

No dia 9 de Agosto, Giorgos Polidoros foi transferido algemado da prisão de alta segurança de Corfu para o centro de detenção geral de Grevena devido a uma transferência disciplinar.

Logo de seguida os guardas prisionais de Grevena tentaram derrubá-lo enquanto o companheiro ainda estava algemado. Este resistiu e os carcereiros foram forçados a recuar acusando-o de uma nova infracção disciplinar de insubordinação.

Actualmente, ele está confinado a uma cela no presídio. Após uma intervenção por ele e pelos jovens internos da zona E2 (onde o companheiro Christos Tsakalos está preso), o serviço prisional e o sargento Yannis Ramogiannis comprometeram-se a transferir Giorgos Polidoros, após o fim da pena disciplinar (cinco dias de punição), para uma zona particular. Estamos a acompanhar o caso…

Companheiros em solidariedade
Quarta-feira, 10 de Agosto de 2011

Para uma melhor e mais directa comunicação com os presos-membros da O.R. Células de Fogo uma caixa postal foi aberta:
Τ.Θ. 51076, Τ.Κ. 14510, Nea Kifissia, Atenas-Grécia

A Promotoria de Bolonha está notificando dois membros da Conspiração das Células de Fogo

[Em 23 de junho dois membros da Conspiração das Células de Fogo (CCF), Hristos Tsakalos e Giorgos Nikolopoulos (presos em Komotini e Grevena) receberam mandados judiciais notificando-os a comparecer, em 28 de junho, à procuradoria de Bolonha (Itália). Lembramos que os dois, juntamente com outros três anarquistas, foram detidos em 14 de março, em Volos, e assumiram participação na CCF. A ação de envio de 14 pacotes incendiários, que continham uma quantidade muito pequena de material explosivo, capaz de acender uma chama, e nada mais. A CCF insiste no uso do termo “pacote incendiário” e não pacote-bomba, como foi visto em vários sites hispânicos e italianos. Como se sabe, a CCF utilizou também em suas ações explosivos fortes, quando essa foi sua intenção, como no dia 1 de novembro de 2010; também neste dia foram presos dois membros do grupo, Gerasimos Tsakalos e Panagiotis Argyrou. Segundo as declarações de uma testemunha, os anarquistas que enviaram de Atenas um pacote destinado a Berlusconi eram Hristos Tsakalos e Girorgos Nikolopoulos. A notificação vinda da Itália é algo que acontece pela primeira vez na Grécia, por isso as estimativas do que pode acontecer estão mudando. A seguir, uma carta de Hristos Tsakalos e Giorgos Nikolopoulos sobre a notificação.]

“Na tristeza da imensa mediocridade que nos afoga por todos os lados, estou me consolando com a idéia de que em algum lugar, em algum espaço pequeno, alguns malucos estão lutando para rebater o desgaste e a rotina.”

A procuradoria em Bolonha está nos notificando para no dia 28 de junho apresentar-nos para participar de uma investigação preliminar de “crime punível nos termos dos artigos 110 e 280 do Código Penal (atentado com objetivos terroristas e subversivos)”, pela remessa de pacotes incendiários a Silvio Berlusconi. Sim, é claro que, de acordo com a nota oficial da promotoria que nos foi entregue nas prisões em que estamos com o fax, também Berlusconi será notificado a apresentar-se, por sua parte, como “uma  vítima de uma ofensa criminal”.

Além disso, a Digos (serviço especial de investigação e interrogatório da polícia) está autorizada a comunicar a presente ordem. Obviamente estamos enfrentando um aumento interestadual da repressão, uma vez que, especificamente, este truque metódico deixa aberta a eventualidade da possível entrega dos presos guerrilheiros urbanos a outro país. Tão pouco casual é o encobrimento prestado pelas autoridades gregas aos serviços italianos, que o fazem ocultando este documento, em particular da promotoria de Bolonha, da publicação. Um movimento que carimba, mais uma vez, à colaboração entre os policiais e autoridades judiciais da Grécia e da Itália no que se refere à luta contra o inimigo interno anarquista. Vimos no passado quando aconteceram as reuniões entre os representantes da polícia grega, italiana e espanhola para montar a teoria do “triângulo anarquista”; pudemos verificar a cópia exata do método utilizado pelo promotor italiano Marini (dezenas de prisões de anarco-insurrecionalistas na Itália, sendo o pretexto a inexistente organização ORAI) que em sua versão grega estão aplicando os juizados especiais Baltas e Mokkas; também encontramos agora na convocação que nos vem da promotoria de Bolonha. Além disso, não esquecemos o recente caso de um imigrante que foi preso por autoridades gregas, depois que alguns artigos na imprensa italiana o apresentou como “líder terrorista” e, agora, segundo denunciam seus familiares, ignoram seu rastro.

Estamos convencidos de que a investida contra nós é um movimento da polícia e das autoridades judiciais italianas, com a ajuda de suas correspondentes gregas; é o remate da guerra anti-revolucionária internacional que está traçando uma linha reta após a repressão generalizada aos círculos subversivos.

Mesmo se ocorrer a eventualidade de que nos entreguem às autoridades italianas, nem por um momento cairemos de joelhos e tão pouco  vamos suplicar, arrependidos, ao inimigo por um tratamento mais favorável.

Participamos conscientes da guerrilha urbana e caminhamos, fora ou dentro dos muros das prisões, convencidos a lutar até o fim. Por esta razão, nem agora nem nunca vamos converter a acusação penal que nos toca em uma farsa barata para mostrar provas de inocência ou culpa. O importante é divulgar a campanha anti-revolucionária que o Poder lançou contra a guerrilha urbana anarquista e contra os projetos subversivos que lutam por uma derrubada violenta da ditadura econômica e da civilização de submissão e exploração.

Não temos nada a dizer aos nossos perseguidores na Grécia, nem na Itália, além de três palavras: REVOLUÇÃO, REVOLUÇÃO, REVOLUÇÃO Continuar a lerA Promotoria de Bolonha está notificando dois membros da Conspiração das Células de Fogo