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[Londres] Chamada para uma manifestação unitária contra a extrema-direita (13 Out)


Grande mobilização de militantes antifascistas em Londres. 13 de Outubro.

Uma coligação de grupos, incluindo os Antifascistas de Londres, convocou uma manifestação contra a extrema-direita da Aliança Rapazes Futebol Democrático (DFLA). A extrema direita já provou a si própria ser uma ameaça ressurgente, mobilizando 20.000 numa forte manifestação no centro de Londres, em Junho deste ano, atacando sindicalistas, negros e outras minorias étnicas e também livrarias de esquerda. Deixados sem controle certamente que repetirão esses ataques ultrajantes.

Os antifascistas começaram a unir-se de modo a combaterem essa nova ameaça. Em Julho, um bloco militante de cerca de 500 antifascistas concentrou-se para se opor a uma manifestação #FreeTommy. Procure maneiras de se envolver na construção de um movimento antifascista em massa nas próximas semanas.

Se estiver em Londres, fixe a data e participe na manifestação. Se estiver fora de Londres, considere organizar transporte para xs amigxs e companheirxs. Conheça o ponto de encontro a ser anunciado.

Contato: LDNANTIFASCISTS@RISEUP.NET
Defende Londres da violência fascista!

em inglês

Espanha: II Punhalada no nacionalismo. Recompilação de textos anarquistas

[Fanzine] II Punhalada no nacionalismo

Já se encontra disponível a segunda parte desta coleção recompilatória de textos anarquistas contra o nacionalismo. Neste segundo número, podem ser encontrados os seguintes textos:

Cartas contra o patriotismo dos burgueses

Patriotismo, uma ameaça para a liberdade
Perplexidades intempestivas

Nenhum Estado nos tornará livres

Comunicado anarquista para os que apoiam o Congresso Nacional Indígena

Destrói as barreiras

Pode ser descarregado aqui o pdf  – ou ser encontrado em distribuidoras, locais e centros sociais de diversos pontos do Estado Espanhol. O seu preço de venda ao público é de 2 euros, sendo 1,5 euros o preço de venda a distribuidoras. Para realizar pedidos (ou mandar propostas de textos para futuros números) escrever para o seguinte mail: grupotension@inventati.org

Introdução

Existe no Poder uma firme vontade de incentivar a exaltação do nacionalismo, aproveitando-se da confusão. Poderia parecer sem intenção a existência de uma multitude de definições, argumentos que se contradizem ou as interpretações que rodeiam conceitos como nação, pátria, independência, auto-determinação ou povo, mas não é.

É gerada assim uma estranha nebulosa onde um líder liberal e direitista se torna uma represália política, como representante de uma comunidade nacional, que sob a legitimidade democrática foi dotado de uma República como concretização desse projeto de nação. E aqueles que recentemente cercaram a mais alta instituição daquela nova república, o Parlamento, como alarido contra um governo autónomo que comandou as medidas neoliberais, com a velha desculpa da crise, agora aclamam e vitoriam os seus líderes. Do outro lado da mesma moeda encontramos-nos com os – na aparência – inofensivos trapos que ondeiam em edifícios públicos,mobilizam paixões e massas e dão pé e espaço ao fascismo, que se encontra como Pedro por sua casa num contexto de tensão nacionalista.

O nacionalismo sempre lá esteve, está sempre lá. É por isso que é tão simples acordar em certos indivíduos, especialmente nos explorados, o sentimento de identidade, porque já anteriormente existiu um processo de reprodução social e naturalização do nacionalismo nos media, no sistema educacional, no desporto, nas tradições … unindo tudo isso às mentiras propagadas pelos políticos e jornalistas que nos asseguram que o nacionalismo, ou bem que era uma coisa do passado ou bem que era uma causa das periferias globais, apenas seguida por alguns fanáticos e extremistas.

Tudo isso afirmado sob a firme vigilância do padrão nacional. A nebulosa.

É importante apontar direta e claramente se quisermos descobrir o monstro que se camufla sob identidades nacionais: ao estado e ao capitalismo, os ricos e poderosos que jogam a velha carta nacionalista. Que sirva esta segunda facada no nacionalismo, na forma de diversos textos anarquistas, como uma ferramenta para atacar o calcanhar de Aquiles da besta.

Morte às nações e que viva a anarquia.

contramadriz

A extrema-direita em Portugal, hoje

recebido a 19.02.18

[Contribuição anarquista importante. Companheirxs, em Portugal,  procuram justamente entender de que forma e por que meios se pretende expandir o nacionalismo e o patriotismo, o ódio racial, a xenofobia generalizada, a homofobia assassina e o conservadorismo mais obsceno, assim como identificar as suas ramificações – associações, movimentos, partidos, negócios e locais.]

Tendo como alvo preferencial xs imigrantes, xs homosexuais, transgénero e xs anti-militaristas em geral, além de qualquer mulher em particular (movimentos anti-aborto e outros) é desde logo evidente que a extrema-direita se pretende infiltrar (ou já fundou associações) em meios ligados à defesa do ambiente, direitos dos animais, meios vegan ou vegetarianos, esotéricos e de solidariedade social (mas só para “brancos”), tendência aliás comum ao que se passa um pouco por toda a Europa. A juntar-se a isto, aparecem as bandas nazis em franco florescimento, uma editora de venda on-line mas também em apresentações de livros (ou com ligações a alfarrabistas onde vendem diretamente toda a mixórdia nazi-fascista, pura e dura).

Desde sempre presentes nas claques dos grandes clubes de futebol, também treinam jogos de guerra, perseguindo negros ou outras etnias, tentando matá-los, no terreno ou on-line. E por falar em on-line, presentes estão em força nas chamadas redes sociais, onde também captam “incautos” entre o descontentamento geral – tal como o fazem nos sites de jogos de guerra, todos eles de violência extrema racista, homofóbica, xenófoba e misógina.

Possuem, claro está, locais de culto e negócios. Uns legais, outros ligados a tráficos (mulheres, armas e drogas). A cereja em cima do seu “bolo envenenado” são as organizações políticas, umas visíveis, outras na clandestinidade. Treino de assassinos e bestialidade humana. É disso que se trata e devemos estar preparados para esmagar, uma e outra vez, os ovos da serpente e para a matar, por fim.

[LISTA EM ATUALIZAÇÃO]

Local da moda de concentração nazi: Bar Cave.

Grupos em florescimento: NOS e “Verdade Contra o Sistema”.

Negócios:

– Restaurante BRASA DO PRIOR VELHO – Lisboa (gerido por um nazi e local de encontros da NOS).

– Defensive fight system na Moita. (com a “Defensive Fight System” – na prática de Kung Do Te – Grupo Desportivo e Popular de Chão Duro na Moita). Representada pelo seu Director Paulo Cegonho (membro de extrema-direita, assumido), o ginásio tem protocolo com a NOS.

-Bar Cave ( Cave Rock Bar) – de um membro da “Oifensiva”, banda nazi – frequentado por hammerskins e publicitado (antes da sua abertura) por várias páginas de extrema direita e elementos de extrema direita como o “nosso novo bar”.

-Hellxis (do dono da antiga Portugal Ultra, de parafernália nazi, e ex-membro (ou amigo, ou o raio que quiserem) do MAN.

– Editorial Contra Corrente [editora de livros de extrema direita, vende on-line, nas apresentações dos livros e em duas lojas de alfarrabistas (negócio direto e não “alfarrabismo”, uma em Lisboa, outra no Porto -“Cedofeita”)]

– Barbearia Lvsitana (barbearia de um nazi “conhecido”)

– Club 38 portugal (hammerskinhouse e organizadora de eventos nazis)

– Artur Miguel tattoos (loja de tatuagens de nazis, irá participar no seu concerto de Dezembro)

– Saintshopestreettattoo loja de tatuagens de (e para) nazis

– Lisboa Nossa (organizadora de eventos nazis)

– Jornal O Diabo (jornal de extrema-direita)

Mygon, loja 15156 josé pais (cabeleireiros de homens de Nuno Pais, membro da NOS)

Organizações políticas:

– Escudo Identitário (extrema-direita dissidente do PNR, tem hammerskins)

– Movimento Social Nacionalista (o nome não precisa de “apresentações”)

– Ideal Identitário (organização nacionalista)

– Associação Portugueses Primeiro.

Organizações “não” políticas:

– Motus Veritis – Movimento Verde (associação “ecológica” de extrema-direita)

– Mal Portugal (movimento anti- taurino constituído por nazis)

– Movimento Luz Branca (“solidariedade social”, para “brancos”)

Grupos nas redes sociais:

Verdade contra o sistema 

A indignação e revolta;

Reconquista Portugal;

Gargúlas de Portugal;

Portugal sem islamismo.

Partidos:

– PNR (Partido Nacional Renovador)
– NOS (Nova Ordem Social – tentativa de futuro partido, do mafioso Mário  Machado, página fechada de momento)

Outros locais e páginas:

– Portugal é de todos (nome e tópicos enganosos, parece ser uma página do “povo” e contra a corrupção, mas é uma página salazarista)

– A casa – combate cultural (mais uma página nacionalista)

– Mocidade Portuguesa da Divisão de Lisboa (“convívio” on-line de ex- membros orgulhosos da Mocidade Portuguesa – movimento fascista da 2ª República, Estado Novo, Ditadura fascista)

– LusitanOi (banda nazi)

– Legião Lusitana (banda hammerskin)

– Clann Portugal (Clann, página nacional socialista)

– Posição nacionalista (página de “opinião”)

SUSPEITAS

Alex barbershop 16  (barbearia a necessitar de confirmação, se alguém souber algo, mas é desde logo evidente a preferência especial dos nazis por ela).

[Espanha] “I Punhalada no nacionalismo” – fanzine

Já está disponível a 1ª parte desta colecção de recompilação de textos anarquistas contra o nacionalismo. No primeiro número podem encontrar textos sobre os seguintes temas:

– A pátria

– O nacionalismo como religião política

– Multi-culturalismo, capitalismo e nacionalismo

– Espaço, território e cultura

– Nação e nacionalismo: o atractivo manjar envenenado

– Estratos de “O persistente atractivo do nacionalismo” de Fredy Perlman

– Diferenças entre nacionalismo e anarquismo

– Catalunha no contexto do movimento populista

– Algumas considerações sobre a situação actual na Catalunha e a actuação dxs anarquistas

– Sobre a tríade, pátria, independência e estado

Podem descarregar aqui o PDF ou encontrarem-no nas distribuidoras, locais anarquistas e centros sociais de diversos pontos de Espanha. O preço de venda ao público é de 2 euros, sendo 1,5 euros o preço de venda a distribuidoras. Para realizar pedidos (ou enviar propostas de textos para futuros números) escrever para o seguinte mail: grupotension@inventati.org

Deixamos aqui a introdução

Um vez mais voltou a passar por aqui. Nesta altura nem faz sentido qualquer surpresa. Vivemos um processo de repressão, exploração e miséria material em crescendo. E novamente a burguesia conseguiu canalizar toda a raiva que isso poderia vir a gerar. Voltaram a adiantar-se. Após o 15M, conseguiram resgatar um antigo canto de sereia, apto para revoltosos e acomodados, com capacidade para seduzir tanto a mais aguerrida das militantes revolucionárias como o casposo mais reaccionário que possas imaginar.

Damas e cavalheiros, permítam que lhes apresentemos o nacionalismo.

O nacionalismo é jovem. Sabemos que não o parece. Se olharmos para trás parece até que anda connosco desde o princípio dos tempos. De facto, é isso que os seus amigos mais próximos querem que acreditemos. No entretanto sabe-se que nasceu há pouco tempo ainda, no seio de uma família numerosa mas muito bem estruturada. Os seus amorosos progenitores são tanto o Estado como o Capitalismo que o decidiram engendrar quando a sua irmã, a burguesia, acedeu ao poder.

O nacionalismo é atraente. Tem um não sei quê que conquista, que agrada tanto aos próprios como a estranhos. A sua última grande façanha foi ter atraído a esquerda – que tradicionalmente tem apoiado o internacionalismo. A verdade é que – se nos pusermos a pensar bem – nunca se conformou com isso. Conseguiu até a proeza de ver certos sectores da chamada “esquerda radical” apoiarem coisas que até há pouco tempo custava a acreditar ser possível, como os mossos (bófia da Catalunha). Ou que vejamos anarquistas convocando para votar num referendo ou a defender a democracia.

O nacionalismo é oportunista. Chegado o momento, não hesitará a deixar de lado a todxs xs que conseguiu que o apoiassem. Todxs xs oprimidxs e  exploradxs que agora mesmo estão a encher a boca com a “independência do capitalismo e do estado. E que continuarão a sofrer se a Catalunha se tornar independente. Ou se a Espanha mantiver a sua sacrossanta unidade.

Uma vez dito tudo isto sobre o nacionalismo, demos-nos conta que não gostamos disso. Não só isso, mas que acabamos por compreender que é nosso inimigo e que temos que nos livrar dele. Nós o queremos morto e enterrado. Esperamos que este fanzine possa ser a primeira punhalada de muitas que o conduzam à morte.

Não queríamos terminar sem dedicar algumas palavras a Rodrigo Lanza, recentemente preso como consequência da morte de um neonazi em Zaragoza. Preso como resultado do aumento do nacionalismo do Estado espanhol, que não hesitou em utilizar o seu caso para apontar, reafirmar e reforçar o seu próprio nacionalismo frente ao catalão. Porque a luta contra o fascismo é sempre uma autodefesa, enviamos-te muita força e apoio, companheiro.

em espanhol

[Espanha] Nenhum Estado nos fará livres – Contra o Nacionalismo

CONTRA O ESTADO E O CAPITAL O ÚNICO CAMINHO É A LUTA – A LUTA ESTÁ NAS RUAS – NEM NAÇÕES NEM FRONTEIRAS (A)

Cartazes, panfleto e volantes contra o nacionalismo – em todas as suas expressões – foram distribuídos por todo o Estado espanhol, a partir de 18 de Outubro de 2017. Na cidade de Madrid ficaram disponíveis, a maior parte deles, no Local Anarquista Motín.

No panfleto distribuído podia ler-se:

NENHUM ESTADO NOS FARÁ LIVRES

Nenhum Estado, espanhol ou catalão, nos dará qualquer tipo de liberdade. Isto porque a razão de ser de qualquer Estado é submeter xs exploradxs e garantir os privilégios das classes dirigentes. O Estado regulamenta a exploração mediante a Lei e assegura que xs oprimidxs nunca se levantarão contra uma ordem que os explora, humilha, expulsa, entristece, rouba e assassina, por todo o planeta.

Nenhuma polícia, Mossos, Guarda Civil ou Nacional nos protegerá. Pelo contrário, são a força de choque do Estado que protege a propriedade privada e que se encarrega de reprimir e perseguir todxs aquelxs que não se ajoelham e decidem lutar contra o seu podre mundo. Não há uma boa polícia ou má polícia, todos os corpos repressivos obedecem a uma lógica muito específica: manter a ordem. Não esqueçamos o desempenho de qualquer das forças policiais em greves gerais, manifestações, invasões em bairros, controlos racistas, vigilância de prisões, despejos e desokupações, e inclusive como força de ocupação estrangeira (lembre-se do número de corpos repressivos implantados em missões internacionais). Obedecem e servem aos seus mestres.

A Democracia, as instituições parlamentares e xs políticxs não cuidam dos nossos interesses mas, apenas, dos seus próprios interesses. Ninguém, para além de nós próprixs deveria velar pelos nossos interesses. Escolher xs nossxs amos, votar, submeter-nos a maiorias e / ou minorias, atuar nos quadros democráticos …torna-nos cúmplices da nossa própria dominação e instaura em nós o espírito de delegação em profissionais. Colocamos as nossas vidas nas suas mãos. Confiar em políticxs que só procuram (como todxs elxs, aliás) rentabilizar as nossas lutas e sentimentos – enquanto nos submetem ou aspiram a submeter-nos – faz com que nos convertamos numa massa servil disposta a se mobilizar ou desmobilizar, segundo os seus interesses eleitorais e lutas pelo poder.

Nenhum nacionalismo ou bandeira deveriam nos representar. Como oprimidxs e exploradxs, deveríamos entender que temos mais em comum com qualquer outrx exploradx ou oprimidx do que com um empresário ou político nascido no mesmo lugar que nós. Nacionalismo e patriotismo são ferramentas do Poder com as quais se infectam e manipulam os oprimidos, fazendo-os dançar ao ritmo dos opressores para se vincularem com os inimigos da nossa classe e seus projetos e necessidades, em constante mudança. O carinho à terra em que vivemos ou à nossa língua são-nos arrebatados para justificar a criação de novos estados. Impedindo, assim, que a cultura seja algo vivo, em constante evolução e livre desenvolvimento entre indivíduos e comunidade. O Estado é a morte de todo o desenvolvimento livre, construindo fronteiras e semeando as sementes do racismo e da xenofobia.

Sob o capitalismo, Estado ou qualquer forma de autoridade nunca seremos livres. Construamos um mundo novo sobre as ruínas da sociedade autoritária e estatal. Construamos e lutemos pela anarquia, como combate constante contra toda a forma de opressão e exploração, em solidariedade e apoio mútuo com xs nossxs iguais, venham donde venham.

NEM NAÇÕES NEM FRONTEIRAS!

em espanhol via ContraMadriz

Madrid: Nem Nações, Nem Estado, Nem Capitalismo

Esta é a nossa independência; Nem nações, nem Estado, nem capitalismo.

[Sabotagem ao Baixa Bank em Vallekas e um apelo]

Na madrugada de 12 de Outubro – noite anterior à festa colonialista e militarista preferida pelo nacionalismo espanhol – foi destroçada uma caixa ATM do Caixa Bank, no bairro de Vallekas tal como realizada uma pintada na qual se podia ler: “Esta é a nossa independência: nem nações, nem Estado, nem capitalismo”.

A mensagem é simples, enquanto os nacionalismos catalão e espanhol são reativados e se cobrem com a bandeira da democracia, alguns/mas decidimos agir e atacar aquilo que realmente nos oprime, explora e rouba a nossa independência. Estamos cansadxs de esperar, cansadxs de contemplar como a Democracia, o Estado e os corpos repressivos dos dois lados se vêm cheios de legitimidade, através dos nacionalismos.

Atacamos aquilo que nos oprime: fronteiras, nações, bancos, patrões, fascistas, estado, capitalismo, patriarcado… através deste pequeno gesto, fazemos uma chamada para que se ampliem os ataques contra o capitalismo, estados e os seus interesses. Não vamos esperar por nenhum processo para continuar a lutar pela anarquia, a única forma de independência que reconhecemos.

Nem nações, nem Estado, nem capitalismo!
Pela Anarquia!

Alguns/mas anarquistas contra o patriotismo

via contramadriz

Porto Alegre, Brasil: Nosso País É o Mundo

recebido a 8/10/17

A piada de mau gosto que é o movimento “O Sul é Meu País” realizou mais uma suposta “consulta popular” (da qual na verdade só participam os próprios separatistas) em algumas cidades dos estados que compõem seu sonho de novo país.

Hoje esticamos uma faixa em uma movimentada avenida de Porto Alegre com os dizeres “O Mundo é Meu País!”. Queremos lembrar a todas as pessoas que nenhum país, novo ou antigo, será a solução de nossos problemas ou nos dará a liberdade que queremos!  Pelo contrário, mais fronteiras restringem ainda mais a liberdade das pessoas. Principalmente em um país fundado com base em noções bairristas e eurocêntricas.

Os separatistas argumentam que não é possível identificar o que de fato une culturalmente as pessoas nascidas no Brasil. Não podemos deixar de concordar. Mas isso porque todas as nações são abstrações! As fronteiras nada mais são do que separações arbitrárias, baseadas em semelhanças superficiais ou inventadas e que ignoram os povos originários, como o povo Guarani que habita a região dos três estados, mas também outras partes do Brasil e também do Paraguai e Argentina. Nações nascem motivadas por migrações forçadas, genocídios e limpeza étnica. Uma nação, por menor que seja, é uma abstração que não nos serve de nada. E neste caso, ainda pior, pois é racista ao se basear em uma ancestralidade europeia.

Essas fronteiras recém inventadas permitem pintar como inimigo quem está do lado de lá da linha, e assim controlar a todxs nós ainda mais (e nos mandar para guerras infundadas). No caso do movimento “O Sul é Meu Pais” cria-se esse inimigo ao colocar os estados do sul como explorados pelos estados mais ao norte. Chegam ao ponto de dizer que os estados do sul são como uma colônia do resto do país. Essa visão míope gera um bode expiatório e ofusca os reais responsáveis pela escassez e crise.

Capitalizando na crescente repulsa à política partidária, o movimento se equilibra numa corda bamba ao se declarar apartidário, buscando parecer neutro. Apesar disso, suas lideranças não conseguem esconder suas tendências neoliberais e de direita, beirando fascismo. De fato, a independência do sul é inclusive uma pauta de movimentos neonazistas.

Defensores da separação dos três estados do sul afirmam que “Brasília não nos representa”, mas querem substituí-la por outro governo que, como todo governo, é uma ferramenta para controlar e oprimir a população.
Sim, Brasília não nos representa, mas o Piratini [capital deste novo país] também não nos representa. Ninguém nos representa. Somos ingovernáveis!

Nenhum país mais! Pelo fim de TODAS as fronteiras!

em inglês, espanhol

Madrid, Espanha: Debate no Local Anarquista Motín acerca do referendo da Catalunha

UMA PERSPETIVA ANARQUISTA SOBRE O REFERENDO DA CATALUNHA /DEBATE

Quinta-feira, 28 de Setembro, às 19:00

Os nacionalismos catalão e espanhol encontram-se em pé de guerra. Mais uma vez. Entre ambos as tensões estão a atingir um pico: o referendo para o próximo 1-0 que foi convocado pelas forças independentistas provocou já uma onda de repressão institucional e, pouco a pouco, nas ruas da Catalunha o policiamento do espaço público atinge-se o limite.

Perante isto… Que pontos e nexos em comum terão todos os nacionalismos? Porque é que nas cartilhas de ambosbencaramos com duas burguesias com modelos de Estados diferentes? A língua, a cultura, a tradição são construções sociais e justificativas de uma série de interesses ou pelo contrário motivos autênticos pelos quais lutar? Que propomos nós enquanto anarquistas na defesa da liberdade individual e coletiva contra o imperialismo e todos os tipos de imposição cultural? O estado, a nação e o país são conceitos intrinsecamente vinculados? Será o referendo um novo passo na busca da legitimação da democracia? Por que a luta deve partir do direito de voto, contornando o facto do voto implicar que se delegue e se desactive a iniciativa revolucionária? Em que é que se diferenciam os independências de esquerdas e de direitas? Como poderemos intervir como anarquistas entre duas posturas se não nos convencem nenhuma delas? Que vai suceder se tomarmos posição nas ruas da Catalunha? Ficamos em casa? Procuramos gerar a ruptura total com políticos, defensores do Estado e democracia, enquanto apostamos pela total liberdade do indivíduo a desenvolver a cultura que mais estime? Que possibilidades e potencialidades a conjuntura actual  oferecerá a um processo revolucionário ou insurrecional?

Tudo isto e muito mais é o que pretendemos debater com todxs aquelxs que estejam interessadxs em tentar abordar o próximo referendo do 1-0 na Catalunha numa perspectiva anti-autoritária: Com vista a isso propomos como ponto de partida a leitura dos seguintes textos:

-“Toda a negação é determinação. Algumas ideias soltas sobre a independência na Catalunha”. Publicação Aversión nº6
-”A Cultura como forma de opressão: Contra o “anarco-independentismo”. Germinal Libertario. Suplemento nº4 sobre nacionalismo
-“Nação e nacionalismo: o atractivo do manjar envenenado”,
Contragolpes nº2.
-Extratos do livro “O persistente atrativo do nacionalismo”,
Fredy Perlman

Textos disponíveis em: //contramadriz.espivblogs.net/

Quinta-feira, 28 de Setembro, às 7:00 da tarde, no Local Anarquista Motín, Rua Matilde Hernández 47 (Metro Oporto/Vista Alegre) Madrid

Contacto: localanarquistamotin@riseup.net

Para mais informações: localanarquistamotin

cartaz em pdf aqui

em espanhol l alemão

Hamburgo: Atentado incendiário à frota de veículos da “Deutsche See”

A respeito do atentado incendiário realizado – a 28 de Abril de 2017 – no parque de estacionamento da frota da “Deutsche See”, em Hamburgo.

– Atacar o G20 significa atacar também quem beneficia da destruição da fauna marítima a nível mundial

– Em Hamburgo diz-se “Tschüß zur Deutschen See” [Tchau ao Mar Alemão]

“O nosso peixe é incluído no welcome to Europe, mas nós…tchh, é preferível ficarmos ao largo”
(declaração de um pescador senegalês)

Já nos anos 80 a Europa apostava na pescaria dos fundos marítimos dos mares do Sul, as fábricas flutuantes de pescado pouco ou nada deixavam aos pescadores locais. Nas costas da África Oriental, por exemplo na Somália, muitos dos pescadores deixados sem peixe pelas frotas europeias mudaram de trabalho e tornaram-se piratas.

Em 2012, um quarto da pesca europeia foi capturada em águas internacionais mas nos territórios de países da África Ocidental – como a Guiné, Mauritânia e Senegal – após o governo senegalês retirar temporariamente as licenças aos arrastões da UE mudaram o seu pavilhão ou criaram joint ventures [empreendimentos conjuntos]. Um grande número de refugiadxs do Senegal trabalham agora nas plantações em Almería (Espanha), na colheita tomates – para supermercados nos quais está disponível, nos seus congeladores, peixe vindo do seu mar.

Várias centenas de milhões de pessoas dependem do peixe como alimento. O estudo do WWF “Sobrepesca e desnutrição” é o prognóstico de que num futuro próximo cerca de um milhão de pessoas – no Senegal e Indonésia – não poderão contar com o peixe como alimento de base.
De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura das Nações Unidas, apenas 13% do montante global de peixe é grande o suficiente para ser capaz de até mesmo se regenerar. A causa da estagnação dos lucros da pesca marítima não se devem às restrições mais severas dos anos 90 mas sim ao esvaziamento dos oceanos.

A aquicultura convencional difere pouco da reprodução de animais intensiva, como por exemplo o praticado na produção de fábrica de aves. As colónias intensivas de produção de camarão – veja-se o caso da costas da Tailândia ou do Vietnam – destruíram os habitats em áreas ribeirinhas de florestas de mangue.

A Deutsche See, com sede central na Bremerhafen, é a líder nacional da indústria do processamento de pescado. Apenas 20% do peixe consumido na Alemanha provém do Mar do Norte ou do Báltico. Quanto ao restante peixe esse é levado pela empresa doutros mares do mundo; a Bremerhafen gere a “indústria de pescado mais moderna” da Europa. 60.000 toneladas de peixes são “processadas” anualmente, com um volume de negócios de 400 milhões de euros. O peixe custa caro. Os índices – como o do Oslo Sefood Index – apresentam um novo record. De 20 locais, os caminhões frigorífico Bremerhafen são enviados até à Baviera, de modo a satisfazer o desejo ilimitado dos alemães por peixe fresco.

Em Hamburgo, a poucos metros do “Deutsche See”, situa-se o restaurante do porto de pesca onde os ministros das Relações Exteriores da Rússia e norte-americanos jantaram, durante a cimeira da OSCE – na cimeira do G20 servirão aqui os delegados.

– Escarrar na sopa de peixe do G20
– nenhum muro à volta da Europa, refugees welcome

Fonte: Linksunten

em italiano

Atenas: Gesto de solidariedade com xs okupas do Vancouver Apartman

athens-polytechnic
“SOLIDARIEDADE COM A OKUPA VANCOUVER – MERDA NA NAÇÃO”

Ao final da noite de 13 de Março de 2016, o edifício da Vancouver Apartman, okupado há pouco mais de uma década, foi atacado por um incêndio criminoso, quando um cocktail Molotov pousou na frente de uma das portas, na rua Mavromateon.

Numa altura em que a Okupa anarquista no Vancouver Apartman está ameaçada de despejo – não só devido aos planos de reconstrução por parte da Universidade de Atenas de Economia mas também e acima de tudo por NEGÓCIOS – surge sem qualquer surpresa a ajuda apressada da escória nacionalista à repressão institucional.

A Okupa Vancouver Apartman – que combina uma infra-estrutura habitacional e um espaço auto-gerido onde as atividades públicas têm lugar – é uma parte integrante da nossa luta contínua pela libertação individual e coletiva, e vamos defendê-la por todos os meios.

Solidariedade com xs okupas da Vancouver Apartman!

CONTRA O ESTADO E CAPITAL
MORTE AO NACIONALISMO

em inglês