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S. Paulo, Brasil: Semanas de agitação anti eleitoral

recebido a 24/10/18

SEMANAS DE AGITAÇÃO ANTI ELEITORAL

Dias antes das eleições se aproximarem, deu-se informalmente em São Paulo algumas iniciativas de difusão de ideias ácratas a respeito do não-voto. São três afiches espalhados pela cidade: “CUSPA AQUI”, contra o representante do fascismo Jair Bolsonaro, “NEM ESQUERDA, NEM DIREITA”(1), contra as instituições e “A DEMOCRACIA É APENAS UMA CONTINUAÇÃO DA DITADURA”, contra as formas de governo vigentes. A partir deste breve relato sobre as colagens e pixações, faz-se uma exposição mais além das palavras de ordem referidas.

O segundo turno se aproxima. No entanto, não há dúvidas de que o resultado não será determinado pela votação. Isto é, o fascismo vêm se expandindo desde muito tempo(2). O verdadeiro campo de batalha não está delimitado nas urnas, mas sim no campo delimitado por linhas imaginárias chamadas de fronteiras nacionais. O nacionalismo e o patriotismo sempre estiveram por aí. A bandeira do Estado de São Paulo, por exemplo, é ostentada em cada prédio público, ao lado da bandeira do Brasil, enquanto algumas datas marcadas no calendário rememoram episódios fundamentais para a ploriferação do autoritarismo.

A construção dessa fantasia não deveria incomodar igual? Existe liberdade dentro de um território controlado por um Estado? Não se trata exatamente do genocídio de pessoas marginalizadas e da produção de dissidências, a edificação das instituições?

A narrativa dos governos quaisquer que sejam sempre aponta um inimigo interno. Está pressuposto. Não haveria sequer possibilidade de nomear diretores para os presídios se não houvesse gente para ser presa. É disso que se trata tanto a democracia quanto a ditadura: uma necessidade constante de eliminar a vida. Desde que nascemos, uma realidade nos é imposta e devemos aceitá-la ou senão enfrentar as consequências mais cruéis para xs que recusamos ou subvertemos as regras do jogo(4).

A ditadura militar transformou-se numa democracia ao final dos anos oitenta, sem deixar de lado a guerra contínua instalada nos cantos deste território específico. Ao contrário, este conflito se revigora a cada ciclo desde a colonização. Isso se dá fundamentalmente através da generalização do medo. Não é muito curioso que a mídia corporativa estampe as manchetes das agressões antes ignoradas e, consequentemente, normalizadas, inclusive, pela própria população e demais que se calavam diante dos fatos? Qual a finalidade disto, senão espalhar medo entre as pessoas para enfim mante-las disciplinadas nos seus empregos, escolas etc?

Para quê outra coisa servem os regimes desde aquele período, senão para controlar de maneira violenta – e nunca suficiente, pois a repressão é a resposta principal de qualquer governo, invariavelmente, para aquilo que lhe é estranho – todos esses conflitos pela vida livre? Mais uma vez se apresenta, em forma de “crise”, uma fase para renovar as formas de poder, na medida em que o atrito sempre presente das difusas resistências deteriora a dominação. Porém…

A GUERRA PELA LIBERDADE NÃO CESSARÁ!

NEM DITADURA, NEM DEMOCRACIA!

NEM ESQUERDA, NEM DIREITA!

PELO CAOS E ANARQUIA!

Anarquistas.

1 Em 2011 antifascistas e anarquistas ocupamos o vão do MASP para barrar uma primeira manifestação de apoio a Jair Bolsonaro animada por nazistas da região de São Paulo. Na época, muitas pessoas se isentaram de tomar sua posição porque julgavam ser “apenas um confronto entre subculturas”:

2 Este é um afiche replicado aqui em São Paulo. Originalmente, o mesmo apareceu pela primeira vez nas ruas de Porto Alegre. Um salve para xs cumplices da luta informal!

[Portugal] “Ninguém que não deseje a tua libertação total pode ser considerado teu aliado”

NINGUÉM QUE NÃO DESEJE A TUA LIBERTAÇÃO TOTAL PODE SER CONSIDERADO TEU ALIADO

Se não se estender a crítica do fascismo à democracia, capitalismo, às prisões, às pátrias, ao patriarcado, à propriedade, ao especismo e a qualquer regime que envolva sermos governadxs: estamos a nos condenar a um emaranhado histórico único que só acabará para dar lugar a um planeta inabitável. Os social-democratas eleitoralistas estão confortáveis demais ao condenar as atrocidades da direita e ao esconder as suas próprias, querem é estar nas ruas e no governo ao mesmo tempo.

Os regimes autoritários ganham terreno, rápida e eficientemente, porque os objetivos que perseguem são medíocres: não há nenhuma complexidade em submeter os outros através das armas, impostos, mentiras e propaganda – 90% dos projetos políticos estão comprometidos é com isso (toda a infraestrutura necessária já está construída e a funcionar).

Na realidade, ninguém que te trate como massa doutrinável, ninguém que entenda a luta como um passatempo a fazer de vítima e alheio à tua capacidade criativa e ofensiva, ninguém que não deseje a tua libertação total pode ser considerado teu aliado.

Anarquistas

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em inglês l espanhol

[Brasil] Para além das eleições e das intervenções. Nosso total rechaço à democracia.

Para além das eleições e das intervenções. Nosso total rechaço à democracia.

Qual o motivo que faz as pessoas se submeterem a outras pessoas?
O que faz uma pessoa pensar que o patronato ou o governo são
indispensáveis?
O que faz pensar que as pessoas livres não podem se apoiar, se
autogerir?
(Carlos Coletivação/Brasília, O Inimigo do Rei, n° 20, Jul. 1987)


Trinta anos depois…
.

Tem passado três décadas desde o ovacionado “retorno” à democracia. Aos poucos, foram apresentando a democracia como o remédio a todos os males, como a única via de governo, de política, o fim da história, um direito humano! Apresentaram o “governo representativo” com um brilho incomum que permitiria às pessoas terem liberdade… de eleger qual seria “melhor capacitado” para mandar nelas.

No entanto, eleger quem governe parece não deixar todos contentes. Existe um  inconformismo cada vez mais crescente e não só desde as margens (onde nunca fomos parte do “sistema”) ou desde o antagonismo (onde nunca aceitamos ser governados). O inconformismo parece crescer gradualmente entre a mesma população que seria contemplada pelo regime democrático: A percentagem dos que não votaram nas eleições municipais de 2012 foi de 19,1%, e a dos votos brancos e nulos de 9,1%. Em 2016, nas eleições presidenciais, a abstenção foi de 21,5%, os votos brancos e nulos somaram 14,3% (segundo dados do Estadão dados), totalizando mais de 35% dos eleitores. Nenhum dos candidatos somou tantos votos. O que nos dizem essas estatísticas? É suficiente com não votar? Não votar desestabiliza de alguma forma à autoridade parlamentar?

Pareceria que a eleição está perdendo popularidade, mas enquanto uma parte do mecanismo eleitoral do governo perde adeptos, a democracia se impõe, e junto com ela se impõe a permanência de uns governando aos outros.

O Estado, suas engrenagens e suas articulações, estão sustentados pela exaltação da democracia como a forma mais hospitaleira da política. A propaganda pela democracia tem provocado a idéia de que ela é o ponto final do trabalho por uma política e organização social “perfeita”. Com essa jogada, a democracia possibilitou que o Estado mantenha o poder, e que as pessoas acreditem nele como o poder legítimo. Mas, até os cérebros da organização estatal: Hobbes e Maquiavel, defensores do “pacto social” (no qual as pessoas, supostamente, elegeriam o Estado voluntariamente), sabem que a máquina estatal senta-se na poltrona da submissão: Segundo eles, não pode existir unidade entre o povo e seu governo se não há submissão – voluntária ou involuntária, legítima ou ilegítima – e não há submissão sem terror, em algumas doses. (Christian Ferrer, em: El Lenguaje Libertário). Essa submissão, temos claro, se consolidou, e se consolida, mediante as forças armadas, que são a mão do terror, da tortura e da prisão estatal. A democracia se impôs graças a elas, que a usaram como amnistia geral para lavar, na política do está tudo bem, anos de tortura e desaparecimento.

A máquina estatal não existe sem os repressores.

Mas, a participação política dos militares e policiais tem profunda pisada na estruturação do estado e da civilização que o sustenta e não somente como a força armada que  impõe à força os ideais da política estatal e da democracia. Lembremos que foram militares o primeiro governo republicano de 1889 e os governos ditatoriais do período 1964-1985. Militares e policiais são elo central da maquina estatal, e estão, permanentemente, tentando controlar o Estado.

Os militares já governaram mediante o voto (Marechal Enrico Gaspar Dutra, 1946) e quando precisaram, eles governaram mediante imposição ou tomada violenta do mandato (nos períodos ditatoriais). Mas é agora, nestas eleições que o Estado e as forças armadas expõem sua estreita vinculação, com candidatos cada vez menos à paisana, e  é, mediante a amabilidade da pergunta e o acordo democrático que, eles tentam governar de novo. A manobra da imposição da democracia como uma tirania é perversa na sua consolidação, esta vez é a “sociedade” – historicamente surrada, torturada, punida pelas forças repressivas que existem para controlar e apagar toda dissidência e crítica – a que pode pôr no poder a face repressiva do sistema estatal.

Jair Bolsonaro (candidato à presidência pelo PSL), o General Mourão (candidato à vice-presidência pelo PRTB), o Cabo Daciolo (candidato à presidência pelo Patriota), o Delegado Ranolfo Vieira (candidato do PTB para vice-governador do estado de Rio Grande do Sul), são parte das forças armadas, e defendem como parte das suas campanhas, os valores dessas instituições. A possibilidade deles serem eleitos, de pessoas torcerem e desejarem que eles sejam os seus governantes, são um sinal apavorante do protagonismo das forças repressivas nas expectativas de eleição do governante.

Os pedidos de intervenção militar, a candidatura de militares e policiais, estão mostrando algo; o voto ciente, a eleição de serem governadas por pessoas e instituições que tem nos seus currículos inúmeras chacinas. Se pode se passar por alto que os militares e policiais quando mandaram o fizeram no fiel apego ao exercício da tirania, não se pode passar por alto que esses pedidos, que cada voto por estes personagens, significam um “amor” a ser mandado e um “amor” à obediência, pontos nevrálgicos do agir das forças armadas.

Esse “amor” submisso à obediência é muito parecido com aquilo que move milhares de pessoas a frequentarem igrejas entregando o futuro e o presente das suas vidas nas mãos de outros. Mas, esse “amor” não é mais que a negação da força individual, da capacidade de transformar as coisas, e de governar a própria vida. O Estado domina com as mesmas táticas que uma igreja: roubando às pessoas a confiança nelas mesmas, fazendo-as acreditar que sem essas instituições, não são nada. Tornam-las dependentes de algo que se construiu encima delas com o único objetivo de dominá-las.

A democracia pretende impor a fé em que a eleição de um novo tirano, é a única via possível, se espera-se uma vida melhor. Enquanto que suas forças armadas predicam os valores da obediência e submissão. O resultado é que terminamos assistindo  eleitores ansiosos por serem mandados por policiais e militares! o extremo do amor submisso.

Mas, vamos para o outro extremo, a possível “alternativa”: A esquerda, a qual amparada no medo à irmã malvada da democracia, a ditadura, tenta “abrir espaço” dentro do Estado para a inclusão de representantes da «diversidade»: povos não civilizados, negros, feministas, etc., quem talvez, sinceramente, acreditavam que se podia mudar as coisas desde dentro do sistema. Mas, o jogo do poder é sujo e perverso: ou se impõe o silêncio e se entrega a vida à quem tem mais poder, ou se, ainda sobra algo de dignidade, uma facção da máfia dos donos do poder, dão uma rajada e assassinam…O caso recente da vereadora do PSOL Marielle Franco é um claro exemplo disso…ela não foi assassinada só por ser mulher, negra, lésbica e sair da Maré, mas por não calar sua indignação frente às chacinas nas favelas do Rio de Janeiro. Se ela tivesse sido negra, lésbica, mulher e saído da Maré para ser vereadora que aplaudisse o sistema, o estado e as oportunidades sociais, as quais a ajudaram a ser bem-sucedida, outra seria sua história.

Entre essas “boas intenções”, e a opressão mais tradicional, não existe muita diferença, nenhuma pensa na máquina estatal como um problema. Ambas duas tem como objetivo, o controle das finanças, os “recursos” e a população,  e tem a repressão como estratégia.

E ainda mais, o rechaço de uns, e a eleição dos outros, pouco ou nada muda. A honestidade do discurso conservador, moralista, fascista e racista do Bolsonaro, pode provocar que outras opções como as do “centrão” aparentem ser melhores, quando no fundo são a mesma coisa com palavras mais concordantes com o politicamente correto do momento. De uma ou outra forma, a máquina estatal, articulada com os interesses financeiros de quem domina o mundo, acaba sempre tornando as pessoas cada vez mais dependentes da sua assistência, ou, eliminando-as se incomodam. A diferença entre as opções radica só no estilo da chibata e da chibatada.

Uma vez que a idéia de que a democracia é o ponto final, ela se consolida e começa a se acreditar que ela precisa só ser melhorada com mais leis ou emendas, e junto com ela, a dominação também se consolida. A máquina estatal, pensada e construída permanentemente com a finalidade de dominar e controlar a população e o território, tem como pilar a contenção da liberdade. A democracia e o voto são as ferramentas que o povo tem para manter-se sob o julgo do opressor. Um Estado  jamais poderá outorgar liberdade e autonomia. Como já foi dito milhares de vezes, se votar mudasse algo, seria proibido!

Diante disso, como vão as lutas radicais?

Em 2016 tivemos que presenciar “anarquistas” assumindo um cargo de governantes públicos, o posto de vereador, em Alto Paraíso (Goiás). Eles defenderam, seriamente, que terem se candidatado e assumido o posto de vereador, era uma prática anarquista por se tratar dum mandato coletivo e por estar baseada na proposta federalista de Proudhon.  Podemos aceitar que até os “anarquistas” tentem ser incluídos no Estado?

Pouco ajuda pretender que, mediante a indiferença, estes acontecimentos ficam fora do âmbito anti-autoritário, ou que pensando muito fortemente que esses não são anarquistas se evita o problema de fundo: uma perda de foco total sobre o que é a luta anarquista. Ainda mais, é necessário dizer que quem tolera este tipo de eventos vira, em parte, cúmplice das severas contradições que essa aberração traz. E como não queremos ser parte disso, achamos igualmente necessário retomar alguns pontos básicos: Os anarquistas propuseram como principio a autonomia e ausência de autoridade e desde essa afronta, não governar nem sermos governados. Sermos ingovernáveis não tem nada a ver com mandatos coletivos.

Justamente com estes exemplos, pareceria que já nada é uma força totalmente  alheia e irrecuperável pela instituição estatal, que tudo é constantemente incluído no Estado e que até a rebeldia é normatizada por ele. Pareceria estar tudo resolvido ao mesmo tempo em que  tudo está mais opressivo. Difunde-se a regra do vale tudo, do tudo é tolerado sempre que seja contido nos direitos.

Não podemos esquecer que muitos dos direitos atuais foram vitórias efetivas, provenientes de protestos, lutas sangrentas e urgentes. Mas, também não podemos esquecer que essas vitórias foram transformadas em formas úteis para a própria máquina estatal. Faz várias décadas, o racismo, o sexismo, a homofobia não faziam parte da agenda política estatal nem das ongs, eram lutas estabelecidas diante dos contextos normativos e genocidas, mas com o passar do tempo e sucessivas derrotas, a máquina estatal incluiu essas lutas, assim como muitas das lutas laborais vitoriosas, transformando-as em benefícios e direitos garantidos pelo Estado. Com essa inclusão elas foram engolidas pela dominação. Ao serem parte dos parâmetros estatais, cada vez que existisse um descontentamento ou um contexto opressivo a mais, essas causas, que já viraram demandas por reformas dos novos direitos, fazem com que os atos antes rebeldes virem parte da agenda estatal: o truque mais engenhoso do sistema segundo Teodore Kaczinsky. Também Alexandre Samis, historiador e anarcosindicalista desta região aponta estes mecanismos: “Os anarquistas antes lutavam por direitos, e hoje lutam para que estes direitos não continuem sendo retirados”, o que quer dizer que se antes se lutava por aquilo que não existia nas leis, por aquilo que era o impossível, pela liberdade e dignidade sempre alheios ao Estado, hoje se luta por maiores ou menores “privilégios”, outorgados pelo próprio Estado, o que termina referenciando até a rebeldia nos termos dele.

Sabemos que incluir a rebeldia na agenda de algum ministério ou ONG só a mata mediante golpes graduais, transformando-a em grito vazio. A revolta jamais pode ser contida nas regras da repressão.

Consequentemente, a procura duma vida livre e pronta para responder com braveza a toda a opressão, precisa ser mais vigente do que nunca.

Precisamos ter a sagacidade de perceber as engrenagens da dominação. E para isso, pode ser saudável desbancar algumas propostas como a luta pelos direitos, pelo empoderamento, ou pela democracia direta, que referenciam seus parâmetros de luta a partir de parâmetros instituídos pelo próprio Estado.

Entendemos que quando se defende estar lutando pelos direitos, se defende também o poder judiciário (cuja função é cuidar dos direitos mediante o controle, julgamento e punição), o poder legislativo (encarregado de fazer as leis e delimitar o que é crime), o poder executivo (que faz que isso tudo aconteça),  e a figura do cidadão (proprietário, ou em caminho de ser-lo, trabalhador, com vários juros a pagar, espiado com todos, sonhando com o novo aparelho para comprar), ou seja, se defende e validam os pilares da construção estatal.

Com o empoderamento acontece uma coisa similar aos direitos: Em 1977, o psicólogo norte-americano Julian Rappaport cunhou o termo “empowerment”n a partir da palavra “power” (“poder”) para defender que era preciso dar ferramentas a certos grupos oprimidos para que eles tivessem condições e autonomia de se desenvolver. O educador brasileiro Paulo Freire criou sua versão do termo para debater a proposta de Rappaport: para ele, eram os próprios grupos desfavorecidos que deveriam empoderar-se a si próprios, uma noção que se tornou popular entre educadores e sociólogos e em alguns movimentos. Atualmente a idéia do empoderamento é usada pela ONU (Organização das Nações Unidas), pelo Banco Mundial e o PNUD (Plano de Desenvolvimento das Nações Unidas) sobretudo para se referir aos avanços nos direitos e na inclusão das mulheres, assim como para orientar seus planos de ação. Não necessitamos sermos muito sagazes para ver que lutar pelo empoderamento virou ser uma parte da agenda governamental e das ongs internacionais.

A crítica à democracia, por sua vez, as vezes aponta na valorização da democracia direta como resposta contra formas distorcidas da democracia, ou contra a democracia burguesa. Cabe salientar, inicialmente, que a democracia direta refere só a uma forma de tomada de decisões, e não à escolha de líder. O antagonismo anárquico refere a uma expressão mais ampla da liberdade: formas de vida autônomas, expressões de luta contra a dominação, solidariedade, e mais. Já a riqueza das formas coletivas de tomada de decisões, para os inimigos da dominação, tem pelo menos duas fontes: por um lado os acordos livres, a tomada de decisões coletivas, às vezes simplesmente um acordo para determinada tarefa, e outras vezes com uma projeção maior como as sociedades e coletividades. Por outro lado, as formas de tomar decisões das múltiplas formas de vida não ocidentais, valorizam a confiança duns nos outros para realizarem planos coletivos e individuais, são grandes acordos para fazer algo baseados principalmente nas decisões coletivas, que não recorrem à votação para chegar num acordo.

O uso dos referentes legais e reconhecidos pela instituição estatal, para alguns, pode ser uma estratégia para se aproximar de outros movimentos de luta, com a intenção de serem mais fortes quantitativamente, mas esta estratégia provoca uma contradição profunda no coração das propostas anti autoritárias: tentar unir o poder e o direito, com a anarquia, e a difusão de uma idéia de anarquismo que, através desses parâmetros de luta, toleraria parte dos pilares essenciais do Estado: os direitos, a cidadania e a democracia.

É suficiente com não votar?

Não dizemos que exista uma via certa ou única de luta contra a dominação, o que questionamos é o caminho democrático como estratégia… uma estratégia condenada ao fracasso se o que se quer é viver sem mandar nem sermos mandados, pessoal e coletivamente. Temos a permanente necessidade de dar confronto à dominação, e não vai ser nos aproximando dela que consigamos erradicá-la. Precisamos perder o medo do novo, do estranho, do ilegal, e entender que para além da democracia e as eleições, está, não a ditadura e a escolha de militares, está a vida sem donos nem chibatas, e claro, está também o perigo, formoso, de sermos os únicos responsáveis do que nos aconteça.

Cabe nos perguntar, de novo então, se para essa vida é suficiente com nos afastar do sistema democrático parlamentar, é suficiente com não votar? Pode se deixar que mais um seja o «elegido»?

Historicamente, a resposta anarquista diante da política estatal, partidária, e em consequência democrática, foi a vivência de uma política baseada na camaradagem comunitária, e não no medo, nem na imposição duma maioria. Ao mesmo tempo, sabemos de povos inteiros que delegam nada, da sua vida, para ninguém. Estes exemplos de povos e pessoas que não responsabilizam o estado, o governo, nem a igreja de todo o que acontece na sua vida, pelo contrário, que lutam para não serem dependentes, são antecedentes da vida que  existe nas margens da máquina estatal. E isso, abre caminhos para nós.

Em consequência, a resposta anarquista para o sistema estatal, que controla e se baseia na submissão, complementou-se com a aniquilação das instituições, auto reprodutoras da hierarquia, para que elas jamais consigam se apropriar da luta pela  autonomia.

Por isso, não basta com não votar, é preciso sabotar e esculachar a democracia, e suas engrenagens.

Somos seres que ansiamos a liberdade e a enxergamos para além dos falsos abraços inclusivos do poder, não temos donos nem obedecemos aq poderoso nenhum. Ainda mais, não queremos mandar sobre ser nenhum. Nos encontrando, nesse afã, com o intuito de ser uma força capaz de desestabilizar à dominação, nos parece importante não serenar nosso total rechaço à autoridade. Não delegar nossa vida, com suas altas e baixas, a ninguém. Não poder culpar ninguém de nossas angustias e que ninguém  possa se apropriar de nossas vitórias. Caminhar de cabeça erguida, seguros das nossas decisões e ações pois elas vem de nosso mais profundo sentir, não de programas impostos pelos que querem dominar. E isso, nos situa não como defensoras dos direitos, mas como os inimigos dos governantes, do sistema eleitoral e de cada um dos partidos e cargos institucionais.

Essa procura pela liberdade, esse anseio de autonomia, de sermos ingovernáveis, com certeza traz problemas, problemas para os governantes e para os poderosos, que se esforçam por esmagar estas procuras há séculos e não tem sucesso. Os problemas que a procura pela absoluta liberdade traz aos governantes, não se iniciaram com a ditadura nem pararam com a democracia.

Primavera 2018. Porto Alegre.
Texto retirado da Crônica Subversiva n° 2.
em pdf aqui

Setúbal, Portugal: O Covil festeja 110º Aniversário do Regicídio na 5ª Feira, 1 de Fevereiro

recebido a 29.01.18

Mataram o Rei! Viva a Anarquia!
O Covil festeja o 110º aniversário quinta-feira, 1 de Fevereiro
15h-Kafeta
19h- Surpresa Regicida
20h -Janta Buíça
21h – Estruturas do Poder na monarquia e república

Convidamos todos a virem celebrar o assassinato do rei que pôs fim ao regime absoluto da monarquia

C.O.S.A Rua Latino Coelho nº2 Setúbal

[Espanha] Nenhum Estado nos fará livres – Contra o Nacionalismo

CONTRA O ESTADO E O CAPITAL O ÚNICO CAMINHO É A LUTA – A LUTA ESTÁ NAS RUAS – NEM NAÇÕES NEM FRONTEIRAS (A)

Cartazes, panfleto e volantes contra o nacionalismo – em todas as suas expressões – foram distribuídos por todo o Estado espanhol, a partir de 18 de Outubro de 2017. Na cidade de Madrid ficaram disponíveis, a maior parte deles, no Local Anarquista Motín.

No panfleto distribuído podia ler-se:

NENHUM ESTADO NOS FARÁ LIVRES

Nenhum Estado, espanhol ou catalão, nos dará qualquer tipo de liberdade. Isto porque a razão de ser de qualquer Estado é submeter xs exploradxs e garantir os privilégios das classes dirigentes. O Estado regulamenta a exploração mediante a Lei e assegura que xs oprimidxs nunca se levantarão contra uma ordem que os explora, humilha, expulsa, entristece, rouba e assassina, por todo o planeta.

Nenhuma polícia, Mossos, Guarda Civil ou Nacional nos protegerá. Pelo contrário, são a força de choque do Estado que protege a propriedade privada e que se encarrega de reprimir e perseguir todxs aquelxs que não se ajoelham e decidem lutar contra o seu podre mundo. Não há uma boa polícia ou má polícia, todos os corpos repressivos obedecem a uma lógica muito específica: manter a ordem. Não esqueçamos o desempenho de qualquer das forças policiais em greves gerais, manifestações, invasões em bairros, controlos racistas, vigilância de prisões, despejos e desokupações, e inclusive como força de ocupação estrangeira (lembre-se do número de corpos repressivos implantados em missões internacionais). Obedecem e servem aos seus mestres.

A Democracia, as instituições parlamentares e xs políticxs não cuidam dos nossos interesses mas, apenas, dos seus próprios interesses. Ninguém, para além de nós próprixs deveria velar pelos nossos interesses. Escolher xs nossxs amos, votar, submeter-nos a maiorias e / ou minorias, atuar nos quadros democráticos …torna-nos cúmplices da nossa própria dominação e instaura em nós o espírito de delegação em profissionais. Colocamos as nossas vidas nas suas mãos. Confiar em políticxs que só procuram (como todxs elxs, aliás) rentabilizar as nossas lutas e sentimentos – enquanto nos submetem ou aspiram a submeter-nos – faz com que nos convertamos numa massa servil disposta a se mobilizar ou desmobilizar, segundo os seus interesses eleitorais e lutas pelo poder.

Nenhum nacionalismo ou bandeira deveriam nos representar. Como oprimidxs e exploradxs, deveríamos entender que temos mais em comum com qualquer outrx exploradx ou oprimidx do que com um empresário ou político nascido no mesmo lugar que nós. Nacionalismo e patriotismo são ferramentas do Poder com as quais se infectam e manipulam os oprimidos, fazendo-os dançar ao ritmo dos opressores para se vincularem com os inimigos da nossa classe e seus projetos e necessidades, em constante mudança. O carinho à terra em que vivemos ou à nossa língua são-nos arrebatados para justificar a criação de novos estados. Impedindo, assim, que a cultura seja algo vivo, em constante evolução e livre desenvolvimento entre indivíduos e comunidade. O Estado é a morte de todo o desenvolvimento livre, construindo fronteiras e semeando as sementes do racismo e da xenofobia.

Sob o capitalismo, Estado ou qualquer forma de autoridade nunca seremos livres. Construamos um mundo novo sobre as ruínas da sociedade autoritária e estatal. Construamos e lutemos pela anarquia, como combate constante contra toda a forma de opressão e exploração, em solidariedade e apoio mútuo com xs nossxs iguais, venham donde venham.

NEM NAÇÕES NEM FRONTEIRAS!

em espanhol via ContraMadriz

Santiago, Chile: Reivindicação de ataque incendiário contra o SAG e a DGAC

Na noite de 30 de Junho – no âmbito do mês de agitação anárquica pela libertação da terra – decidimos organizar a nossa raiva e levar a cabo um ataque incendiário ao Serviço Agrícola Pecuário e à Direcção Geral de Aeronáutica Civil.

As motivações para levar a cabo esta ação directa são muitas e variadas; em primeiro lugar procuramos combatera modo de actuar especicista do SAG  –  já que propõe uma suposta salvação e preservação da natureza através da cdestrutiva intervenção da praga humana, pensando que esta espécie maldita tem autoridade para decidir como vive um animal, onde vive e por quanto tempo ele vive…nunca fomos nem seremos salvadores da terra, pelo contrário, hoje em dia somos os seus maiores destruidores. Para evitar este fatal destino existem dois caminhos – ou nos eliminamos como espécie ou fazemos o esforço de voltar às nossas origens, essas mesmas que temos esquecido graças ao falso progresso do capitalismo e do antropocentrismo.

Outro motivo para a nossa ação é a morte recente dos weichafes [lutadores mapuche] Patricio Gonzáles e Luis Marileo, que morreram a lutar em nome da terra, essa mesma que nos dá a vida e que nós apunhalamos pelas costas. Com esta ação queremos afirmar que o espírito guerreiro destes dois combatentes está mais presente que nunca, tanto nas lamas empapadas de raiva, amor e rebeldia que calcinam o sujo cimento como na natureza viva e indomável que resiste firmemente frente às garras do sujo capitalismo – para o qual a natureza não é mais do que um recurso.

A terceira motivação prende-se com o facto de nos encontrarmos nas vésperas do início de um novo processo de eleições – para de novo ser entregue de bandeja a nossa autonomia e a deixarmos sucumbir às decisões de um ser humano investido com o mito da autoridade – e não acreditamos na democracia, pois não existe um ser capaz de representar outro, não acreditamos nem nas eleições, nem em partidos nem na suja política, nem tampouco nos partidos políticos que tanto têm êxito entre os cidadãos – já que não se procura um melhor futuro para o mundo mas replicar atitudes que não fazem outra coisa  que fortalecer o pior cataclismo que a humanidade já viveu, o capital. Perante isto apelamos a NÃO SE VOTAR, mas sim a se organizar e a se fortalecer os laços de solidariedade e de afinidade, já que  relacionarmos-nos de forma horizontal e pelo simples desejo de o fazer é como uma comunidade surge.

EXIGIMOS A COMPLETA PARALIZAÇÃO DOS DIVERSOS PROJETOS QUE COMPÕEM A IIRSA JÁ QUE ESTES NADA MAIS FAZEM DO QUE CONTINUAR A ASSASSINAR A JÁ MUITO FERIDA NATUREZA, PARA ALÉM DE SE CONTINUAR A EXPANDIR O NOJENTO IMPERIALISMO

EXIGIMOS A LIBERDADE IMEDIATA DXS PRESXS POLÍTICXS MAPUCHES QUE COM FORÇA E CORAGEM LEVANTARAM UMA GREVE DE FOME, ALÉM DA LIBERDADE DE TODXS XS PRESXS EM COMBATE, JÁ QUE ENFRENTAR DE FORMA SUBVERSIVA ESTE SISTEMA NÃO É TERRORISMO, APENAS SOBREVIVÊNCIA

A todo o ser que leia este texto, fazemos uma chamada para que enfrente de forma direta os abusos e injustiças próprias do sistema neoliberal e do poder, esperando que esta pequena ação seja como una chispa que incendeie as mentes e os corações de todxs xs animais que acreditam na liberdade e num mundo novo.

LUIS MARILEO E PATRICIO GONZALES, SEMPRE PRESENTES EM TODA A AÇÃO COMBATIVA!

PELA LIBERTAÇÃO TOTAL DA TERRA, LEVANTAMOS-NOS EM PÉ DE GUERRA!

NESTE CONTEXTO A ÚNICA SAÍDA É LUTAR, NÃO TE SERVE DE NADA IR VOTAR!

ABAIXO TODAS AS JAULAS DESTA SOCIEDADE!

Buenos Aires, Argentina: Incendiado carro de um fantoche do poder

A todos xs companheirxs que dão batalha nesta guerra contra a autoridade do estado, do capital e à sociedade, em todo o lado.

Sigamos o nosso caminho, que é único e o melhor que podemos fazer perante a imundice de vida que nos apresenta as pessoas que nos marginalizam e se marginalizam também, quer dizer, que formam a margem que separam as pessoas que têm algo que perder das que não o têm.

Na terça- feira, 14/02/2017, à 1 da madrugada, incendiámos o luxuoso carro de um fantoche do poder do poder, na via Echeverria 5400, Villa Urquiza, Buenos Aires.

Liberdade ou Morte

em espanhol l grego

Portugal: ” Reflexão sobre esta merda toda, num 25 de Abril qualquer”

Comunicado recebido a 25 de Abril de 2017
[Reflexão sobre esta merda toda, num 25 de Abril qualquer]

Nem democracia nem ditadura! Nem esquerdas nem direitas ou centros, tampouco!
Em todo o mundo, na democracia só há é mais hipocrisia!

Hipocrisia, quando se utiliza a máscara mais fantástica de todas, a repressão legal.

Quando se financiam os bancos que financiam as empresas de armamento. O florescimento do negócio de armamento não só beneficia as empresas de armas mas também os bancos e as seguradoras. O financiamento dos bancos é feito com o nosso suor e sangue e destina-se ao ataque terrorista dos povos, em todo o mundo.

Quando, em nome do “povo” se cometem as maiores barbaridades, roubando-nos um a um todos os direitos, liberdades e garantias conquistados com sangue, suor e lágrimas mas também com as armas dos oprimidos e oprimidas.

Quando as “esquerdas” e as “direitas e centros” apenas nos pretendem ludibriar – apresentando de forma mais ou menos folclórica o seu dito patriotismo à causa da gerência das “crises” – num ataque final do capitalismo, no seu tão desejado regresso às trevas da escravatura mais diabólica, porque mascarada neste mundo do espectáculo.

Porque todos os seus poderes são militaristas, porque todos os seus rituais são uma lição subliminar de violência, instilação de medo e de subserviência! Trata-se da invenção mais perigosa de todas – apenas nos pretendem amansar – porque nos tolhem os movimentos e petrificam os cérebros.
 
Porque, em súmula, se trata da traição maior de todas, feita com o consentimento e com o selo das populações oprimidas, com o seu voto!

Recuperemos a memória, reflectindo sobre o passado e sobre o presente, aqui e agora. Tomemos as ruas da nossa revolta e conquistemos a auto-organização, a entre – ajuda e o apoio-mútuo. Sem partidos nem manipulações.

Portugal, 25 de Abril de 2017,
Alguns e algumas anarquistas

em pdf, clica aqui

Tessalónica: Intervenção anarquista no Greenwave Festival

A sua civilização presta-se ao confinamento. Guerra contra o Estado e o capitalismo // Parem a perseguição aos anarquistas Andrea e Errol
A sua civilização presta-se ao confinamento. Guerra contra o Estado e o capitalismo // Parem a perseguição aos anarquistas Andrea e Errol
Luta pela terra e pela liberdade, contra o Estado e a indústria // Anulação imediata da ordem de deportação contra os anarquistas Andrea e Errol
Luta pela terra e pela liberdade, contra o Estado e a indústria // Anulação imediata da ordem de deportação contra os anarquistas Andrea e Errol
Parem a perseguição a ambos os anarquistas, Andrea y Errol. Contra o saque da natureza
Parem a perseguição a ambos os anarquistas, Andrea y Errol. Contra o saque da natureza
Libertação imediata de Evi Statiri, em greve de fome desde 14/9
Libertação imediata de Evi Statiri, em greve de fome desde 14/9
Abstenção às urnas, ataque contra todo o Poder
Abstenção às urnas, ataque contra todo o Poder

No sábado, 19 de Setembro, foi levada a cabo uma intervenção no Greenwave Festival de Tessalónica. Colocaram-se faixas, repartiram-se textos acerca do caso dos dois compas anarquistas Andrea e Errol (detidos numa manifestação contra as minas de ouro em Skouries, na península de Calcídica, no domingo de 23 de Agosto, ameaçando-se agora com a sua deportação por não serem cidadãos gregos), contra as eleições e acerca do caso de Evi Statiri que se encontra em greve de fome desde 14 de Setembro.

Parem a perseguição aos anarquistas Andrea e Errol.

Libertação imediata de Evi Statiri.

Abstenção às eleições, ataque contra todo o Poder.

espanhol

Grécia: Sobre a ocupação do Instituto Tecnológico de Atenas

Desde domingo, 13 de Setembro de 2015, os espaços do Instituto Tecnológico de Atenas (TEI), situado no bairro de Egaleo, encontram-se ocupados por companheirxs anarquistas. O quadro político em que se insere a tomada do TEI é o seguinte:

– Concessão imediata de saídas educacionais da prisão ao anarquista Nikos Romanos (Nikos é estudante de TEI).

– Libertação imediata de Evi Statiri, presa em greve de fome desde 14 de Setembro.

– Levantamento imediato das medidas restritivas contra Athena Tsakalou.

– Apoio aos/às refugiadxs e imigrantes que chegam aos territórios controlados pelo Estado grego e lutam contra os aparelhos democráticos e fascistas.

– Combate ao processo eleitoral.

O objetivo da ocupação é sabotar o funcionamento normal do Instituto, mantendo o espaço ocupado durante o período dos exames e, assim, fazer pressão aos ministérios da educação e da justiça para que concedam a Nikos Romanos as saídas educacionais pelas quais ele travou uma dura greve de fome, no ano passado. Ao mesmo tempo procura-se que seja um centro de apoio às lutas anarquistas que se desenvolvem atualmente na Grécia.

Durante a semana passada foram realizados uma série de atividades nos espaços tomados: evento contrainformativo para o companheiro Nikos Romanos, com uma intervenção telefónica deste a partir da prisão de Korydallos, projeções, evento infosolidário para os imigrantes e refugiadxs compas, com atualizações de compas da partir das ilhas de Mitilene e Kos, além de assembleias diárias abertas onde se decidem os passos seguintes.

Entretanto o Estado não ficou indiferente à tomada do TEI. O cerco repressivo tornou-se mais evidente nos últimos dias quando polícias à paisana que circulam nos arredores tentaram em vão capturar um compa que saía da ocupação. Quando os demais compas se aperceberam da situação saíram à rua e perseguiram os polícias à paisana até chegarem forças motorizadas de DIAS.

Para amanhã, 21 de Setembro, estão convocadas atividades de apoio financeiro para as despesas legais dxs detidxs do 17 de Setembro.

Às 16:00 há festival de grafiti e microfone aberto e a partir das 20:30 concerto de rap político.

Como chegar:

Autocarros A15 e B15 a partir da estação de comboios de Larisis.
Autocarro B16 e Γ16 da praça Koumoundourou.
Linha azul do metro, paragem final de Aghia Marina e depois a andar a pé são 10 minutos.

espanhol

Atenas: Ação anti-eleitoral no bairro de Petralona

Durante as madrugadas de sábado e de domingo, 24 e 25 de Janeiro, um pequeno grupo de compas realizou as siguintes ações na zona de Petralona (decorada com material de propaganda eleitoral):

Cerca de sete faixas de partidos políticos foram retiradas ou vandalizadas com spray.

Foram realizadas pintadas em várias ruas, no quiosque eleitoral do SYRIZA e num centro de votação.

Foi colocada uma faixa contra as eleições.

Sabotagem ao processo eleitoral. Morte aos salvadores. Declaramos guerra contra a democracia. Tomemos as rédeas das nossas vidas.

Viva a anarquia.

Simpraxis anarquista

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A faixa do SYRIZA, que antes dizia “Chega a esperança, Grécia avança e a Europa muda. Vota no SYRIZA”, agora diz “ Chega a esperança, queimar-se-à a Grécia e a  Europa se queimará. Morte ao SYRIZA”.

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A pintada e o stencil dizem: “Abstenção às urnas. Insurreição e desobediência. Fogo às celas escolares”.

[Livro] Apresentação & Introdução de “Contra a Democracia”

Apresenta-se abaixo a tradução que fizemos da Apresentação & Introdução do livro “Contra la Democracia”. O livro tem 92 páginas e foi editado pelos Grupos Anarquistas Coordinados [G.A.C.: Grupos Anarquistas Coordenados]. Trata-se de uma análise da democracia – tanto a parlamentar como a alternativa – como expressão do sistema de domínio. Pode ser lido e descarregado o pdf aqui

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Contra a Democracia

Apresentação

A pilha de folhas encadernadas que tens entre as mãos é suposto ser uma pequena contribuição dos Grupos Anarquistas Coordenados [G.A.C.: Grupos Anarquistas Coordenados] no combate à democracia – a atual e mais generalizada forma de domínio político (como a principal articulação de Estado e a mais aperfeiçoada), de mentalidade autoritária, delegativa e submissa, além de quadro jurídico ideal para o desenvolvimento da economia capitalista, fonte de exploração e miséria.

Há já um par de anos que levamos a cabo uma campanha contra esta monstruosidade dominadora e domesticadora que é suposto ser a democracia, seja pelos motivos expostos ou perante a sua alarmante procura  por parte de muitos sectores  – que nos últimos tempos têm começado a protestar e a desobedecer cada vez mais por uma mais e melhor democracia –  procura essa que quase sempre leva acoplada uma fagocitose* das lutas reais e radicais.

Estes textos, todos eles de elaboração nossa, são parte dessa campanha. Esperamos contribuir através deles, de forma modesta que seja, à gigantesca tarefa que implica combater o Estado, o capitalismo e qualquer forma de Autoridade em prole do alcance de um mundo novo sem dominadores nem dominados, em prole da Anarquia.

Uma saudação rebelde e esperamos que possas aproveitar a nossa pequena contribuição.

Grupos Anarquistas Coordinados
Primavera de 2013

*fagocitose é um processo micro-fisiológico em que as células engolfam e ingerem partículas

Introdução

Atacar a democracia porquê?

A democracia é justificada por princípios que não é pelo facto de se repetirem mil vezes que se convertem em verdades – essa justificação está tão interiorizada que até mesmo os seus adversários acreditam em tais princípios. Tanto a ideia inculcada no pensamento da população, acerca da bondade deste regime, como a imobilidade dessa mesma população, situam-nos perante a impossibilidade de mudança: ninguém planta hoje outras formas de organização ou até mesmo outras formas de viver.

A nós, filhxs da democracia, disseram-nos que este é o melhor dos regimes, xs nossos pais e avós viveram sob um sistema onde a coerção e a repressão eram mais directas e agora, que suavizaram as formas, somos obrigadxs a aceitá-lo, desde o nascimento.  Porque é que vamos ser uma geração mais empobrecida do que a geração anterior, sem uma guerra sequer pelo meio? Porque o futuro irremediável imposto pelo seu sistema nos conduziu a esta situação. A associação livre em que se diz fundamentada não é tal, já que a partir do nascimento somos obrigadxs a pertencer a este regime, sem possibilidade de escolher uma outra forma de vida – não nos associamos livremente com instituições de ensino, uma vez que não é legal aprender de outra maneira, não nos associamos livremente ao trabalho porque não controlamos o que produzimos nem o horário é por consenso, nem temos capacidade para nos organizarmos com xs companheirxs.

O sufrágio universal – conceito que ao longo dos tempos tem vindo a ser cada vez mais popularizado e exaltado como vitória – é uma contradição em si próprio, sempre afirmaram que o voto é livre quando na realidade é uma eleição condicionada, visto a consciência não ser livre, está dependente da propaganda do regime imperante e da cultura defendida pelos grupos de poder. Também nega a liberdade, na medida em que se reduz a dizer sim ou não ou a qual o partido que nos vai governar, negando-se a desenvolver outras propostas de coexistência. E porque é que é o voto é anónimo? não há liberdade de expressão?

Numa democracia, abandonamos os nossos interesses, a satisfação das nossas necessidades e a organização das relações humanas e da vida nas mãos de outrxs. Presume-se que escolhemos aqueles que podem representar melhor os nossos interesses através do voto, mas aqui colide-se com a realidade: Os partidos políticos defendem os seus próprios interesses, de acordo com as normas estabelecidas por eles mesmos, procurando acumular cotas de poder político e económico, de forma a manter o seu domínio e influência sobre o resto da sociedade.

A crítica aos políticos é quase já universal, não existe confiança na sua justiça e a utilização desta é mais uma prova da incapacidade pessoal e colectiva de resolver os conflitos que apresenta, da sua incapacidade de convencer. As leis têm claramente intenções económicas, com o seu afã de cobrador- como é o caso das multas, a reforma laboral ou  a própria organização económica da sociedade – ao mesmo tempo que exercem um trabalho repressivo, um corte nas liberdades que alegadamente dizem defender (de associação, de imprensa, de reunião…) enquanto cada vez mais se amplia a ameaça de prisão (último código de circulação…).

Desta forma somos convertidxs de seres humanos em cidadãos/ãs (ou consumidorxs, ou usuárixs, ou clientes…segundo o âmbito da vida em que nos encontremos), impõem-nos direitos e obrigações de acordo com a dita denominação e, portanto, relegam-nos a uma mera mercadoria política.

O fundamentalismo democrático não se impõe somente dentro dos territórios que domina, pois o capitalismo tem necessidade de se expandir para perdurar tentando chegar a todos os cantos do planeta, impondo a democracia  que é o melhor caldo de cultura para o seu desenvolvimento. Não hesita em empreender campanhas bélicas contra territórios onde o capitalismo não se encontre enraizado, diabolizando os seus costumes e cultura, com vista à aprovação pela população do país atacante. Impõe pela força um modelo de vida, tanto dentro como fora das suas fronteiras, enquanto vende uma falsa ideia de liberdade. Nunca antes houve tantos meios repressivos e de controlo social, ao alcance de qualquer regime.

As políticas são feitas com base nas necessidades do mercado, em democracia a nossa escolha através do voto tem como objectivo claro apoiar um tipo de medidas políticas que xs nossxs governantes têm de levar a cabo, sejam elxs de direita ou de esquerda.

No momento histórico em que nos encontramos xs dirigentes políticxs não têm interesses opostos – independentemente da sua especificidade – já que todxs têm de favorecer a estrutura do estado na qual o capitalismo se desenvolve, e aplicar políticas segundo as necessidades do mercado, em vez das necessidades das pessoas, e mais ainda, em muitas ocasiões os políticos são beneficiários directos, quando pertencem eles próprios à classe empresarial.

Temos sido todxs testemunhas silenciosas de como o governo injectou milhões de euros na banca, enquanto a maioria das pessoas não tem trabalho ou está a sofrer um despejo. Também estamos acostumadxs a ouvir como os esquemas de corrupção relacionam directamente economia e política.

Sem papas na língua, e com pouco receio de esconder a realidade à população, Emilio Botín afirma que: “a partir de determinados níveis a relação entre empresa e política é directa, muito mais do que se suspeita, uma chamada directa de telefone, de telemóvel para telemóvel, sem secretarias pelo meio”. A democracia não se baseia no interesse comum mas sim no favorecimento de interesses de empresa, na hora de legislar.

Pelo exposto concluímos que a democracia não é o governo do povo mas sim o baile de máscaras atrás do qual se esconde a ditadura do capital.

SE ACREDITARMOS QUE A DEMOCRACIA É LIBERDADE, NUNCA DEIXAREMOS DE SER ESCRAVXS

DESMASCAREMOS ESTA GRANDE MENTIRA!

CONSTRUAMOS A ANARQUIA!

inglês

1°de Maio de dois mil e picos em algum recanto do planeta…

Trabalhadores, desempregados, estudantes, cidadãos, e autómatos em geral. 

Confiamos plenamente nos nossos políticos e nos nossos sindicalistas. Os nossos problemas são os seus. As nossas preocupações, os nossos medos são os mesmos que os dos ricos. Por isso num dia como hoje, 1º de Maio, dia da harmonia mundial e eterna entre as classes sociais, lhes manifestamos o nosso apoio, todo o nosso alento.

Trabalharemos mais duro para sair da crise, sacrificar-nos-emos, ainda mais. Aceitamos as reformas laborais que sejam necessárias… e seja o que for, dizem os economistas que é necessário e eles são os especialistas. Nunca mais voltaremos a desconfiar do exército que impõe a ordem e salva vidas no Haiti e não sabemos onde mais.

Viva o ministério público e os juízes que condenam à prisão trabalhadores, manifestantes e insubmissos porque sem eles, isto seria uma anarquia!

Canalizaremos as nossas reivindicações, sempre excessivas, através dos companheiros profissionais do sindicalismo. E se não há trabalho aqui, emigraremos para onde nos digam.

Renunciaremos ao nosso subsídio familiar(se o tivermos), porque não o merecemos e é melhor que se gaste num porta-aviões que assuste os ingleses e nos festejos patrióticos.

Amaremos o nosso trabalho como a nós mesmos. Jamais voltaremos a atacar um polícia e pediremos aos militares que venham impôr a ordem. 

Amaremos Deus e aos ricos acima de todas as coisas. 

Obrigado pela vossa atenção. Voltem aos vossos lugares. 

[Isto é uma mensagem do Partido Democrata por uma Democracia Democrática]

fonte: grupo anarcocomunista (Maio de 2013)

Creta, Grécia: Distribuição de “cédulas” anarquistas em Chania

Se votando alterasse alguma coisa isso seria ilegal 

No sábado, 17 de Maio, no centro da cidade e em vários bairros de Chania, puseram-se folhetos anti-eleitorais nas caixas de correio, assinados com o círculo-A, dentro de pastas idênticas às das cédulas de papel. Também ficou cheio de panfletos todo o edifício onde está inserido o escritório local do Amanhecer Dourado (como sempre os nazis não se encontravam à vista).

Sem participação na festa eleitoral
Contra a lógica da delegação

Fogo às urnas

Grécia: Ação antifascista e anti-eleitoral em Kavala

vigilant

10 de Maio de 2014

Um grupo de companheirxs estávamos a levar a cabo uma intervenção antifascista e anti-eleitoral num mercado ao ar livre de Kavala quando nos demos conta de que membros do Amanhecer Dourado haviam tornado público o seu aparecimento. Cerca de 20 de nós acercámo-nos delxs, com vaias, gritando palavras de ordem antifascistas e dando aos fachos algumas bofetadas. Os amanhecerdouradistas, literalmente, correram a esconder-se na esquadra policial (que está situada a uns 50 metros do lugar da confrontação), onde foram albergados pela bófia. A seguir os fachos tentaram retornar aos escritórios escoltados por forças policiais, mas xs companheirxs bloquearam-nos de novo no caminho, obrigando-os a voltar outra vez à esquadra da polícia, junto com xs seus votantes de uniforme.

Grupos de compas continuaram alerta nos bairros de Kavala, por causa das moscas.

Nem em Kavala, nem em qualquer lugar.
Esmagar xs fascistas em todos os bairros.

Tessalónica, Grécia: Ataque com Molotov a escritórios do estalinista KKE

A partir da esquerda, comissário de defesa Voroshilov no primeiro passeio Molotov ao longo do grande projeto de trabalho escravo, o Canal Moscovo-Volga, com Stalin e o chefe da polícia secreta soviética (NKVD) Yezhov, que foi preso em 1939, executado, e, consequentemente, desaparecido da imagem.

A 3 de Maio de 2014, às 6:20 da manhã, lançamos um ataque com cocktails Molotov aos escritórios do KKE  (“Partido Comunista da Grécia”), situados na rua Socratous, no centro de Tessalónica, e que servem principalmente como gabinetes do eleitorado. O ataque específico foi descrito, por membros do KKE, como de algum cobarde.

Cobardes são xs que acreditam que um estado operário controlado por elxs, que gostam de chamar a si mesmxs de “liderança revolucionária”, vai eliminar a exploração dx humanx pelx humanx. Quando chamam a KNAT[i] para intervir e suprimir as lutas que eles não conseguem conduzir ou controlar (porque, infelizmente para eles, em algumas ocasiões, a massa deixa de ser uma massa) quem age cobardemente então?

Exemplos como o levantamento da Politécnica em 1973, a ocupação da Escola de Químicas de Atenas em 1979, a comemoração do levantamento da Politécnica em 1998, a revolta de Dezembro de 2008 ou a salvaguarda do edifício do parlamento em 2011[ii] demonstram não só o seu caráter divisório mas principalmente o medo de que descubram quão apodrecido está o que apoiam.

Para além destes fatos, na nossa vida cotidiana enfrentamos o seu sexismo, homofobia, o poder que eles tentam exercer na mente das crianças, o seu sindicalismo burocrático, até mesmo incidentes de violência em situações intrafamiliares, quando algumx familiar próximx ou afastadx não é afiliadx ao KKE, à ala jovem KNE, ao sindicato PAME, à organização estudantil MAS, ou a qualquer outra coisa que possam possuir.

Mesmo assim, insistem em que devemos votar neles. Para nós votar significa submissão. Abstenção das urnas e todos os dias e TODAS AS NOITES nas ruas;  e tenham cuidado, estalinistas.

E em relação ao termo “cobardes” como também em relação a muitos outros termos que ocasionalmente tentam fixar ao espaço anarquista, não se preocupe, chegará o momento em que vamos jogar fora as capuchas e, nesse momento, iremos ter como garantido de que deixem de existir, tão simples como isso.

KNAT = MAT
KKE = Kabrões Kanalhas Excerebrados[iii]

Pelo Caos e pela Anarquia!
_

Notas dxs tradutorxs: [i] ‘KNAT’ é um jogo de palavras muito difundido – vem da junção da sigla da juventude do KKE, a KNE, com a sigla da polícia antidistúrbios grega, a MAT. [ii] Informação relacionada, em inglês, aqui. [iii] Tradução improvisada de um jogo de palavras com as siglas do partido no comunicado original em grego, que significa “KKE = Partido de Miseráveis Imbecis”.

Grécia: Neo-nazis do Amanhecer Dourado acedem ao Parlamento grego graças a votantes fascistas

Neste vídeo dos meios burgueses, podemos ver como os porcos do Amanhecer Dourado obrigam os/as jornalistas (abutres dos media de massa que estavam à espera da conferência de imprensa do lider do partido neo-nazi) a porem-se de pé quando Michaloliakos entra no local, mediante gritos e  ameaças para que mostrassem respeito ao seu Führer.

Acções contra as eleições

Hoje, domingo 7 de Novembro, tiveram lugar na Grécia as eleições municipais e regionais. Várias acções contra estas tiveram lugar em diferentes cidades gregas.

Na cidade de Serres, no dia 4 de Novembro, teve lugar um evento duplo nas instalações da universidade e na praça central da cidade, organizado pelo ‘espaço residencial auto-gerido’ do ITP (Instituto técnico-profissional). Entre as actividades destacam-se intervenções através de um sound-system e distribuição de flyers; mais info e fotos emastserron.blogspot.com.

Na cidade de Kozani, também no dia 4 de Novembro, milhares de flyers foram atirados para as ruas da cidade e no dia seguinte uma intervenção através de sound-system
foi organizada por companheiros na praça central apelando às pessoas para recusarem o sistema eleitoral. Continuar a lerAcções contra as eleições