Arquivo de etiquetas: Nihilismo

Chile: Em memória de Renzo Novatore

Renzo Novatore – Iconoclasta, anti-dogmático, individualista, nihilista e, acima de tudo, anarquista

“O mundo é uma igreja petulante, gananciosa e lodosa, onde todos têm um ídolo para adorar qual fetiche, altar ao qual se sacrifica.”
R. Novatore, “O reino dos fantasmas”

O companheiro Renzo Novatore, pseudónimo de Abele Rizieri Ferrari, nasceu a 12 de Maio de 1890 em Arcola, localidade italiana situada na província de La Spezia. Representativo do “anarquismo iconoclasta”, lutou com ideias e armas contra o poder até ser abatido a tiros pelos carabinieri, num tiroteio ocorrido a 29 de Novembro de 1922.

Hoje, ao se ler e analisar as ideias e ações de Renzo Novatore, pode-se interpretá-lo sob várias perspectivas – embora numa óptica anarco – nihilista se possa reconhecer a sua grande contribuição ao ter dado contundência a toda a trama de discursos e práticas iconoclastas, individualistas, nihilistas, anarquistas.

Entre essas contribuições encontra-se principalmente a crítica à sociedade (qualquer que seja) como lugar de origem dos vícios da humanidade. Para além disto, a interpretação que o companheiro realiza nos seus escritos sobre a vida, em si mesma – como algo que há que amar, no seu conjunto de contradições – a prioridade do eu perante tudo, não como mero exercício de egocentrismo ou desprezo mas, bem melhor, a construção do Ego, construção essa que se poderia explicar de forma simples, como a ideia que hoje conhecemos como o “ser tu mesmx”, o amor pela natureza, o prazer pela destruição, o despojo de todos os valores morais, e o prazer, sim, o mais puro prazer que nos leva a lançarmos-nos ao nada.

Porque a relação entre dependência e individualidade é direta, quanto mais dependente se é menos indivíduo se torna e vice-versa. Desta maneira, o último reduto da liberdade está em cada um/a de nós, para além e acima de qualquer maioria ou acordo.

“Sob o falso esplendor da civilização democrática caíram quebrados em pedaços os mais altos valores espirituais. A força da vontade, a individualidade bárbara, a arte livre, o heroísmo, o génio, a poesia, foram objecto de burla, ridicularizados, caluniados. E não em nome do “eu” mas sim da “colectividade”. Não em nome do “único” mas da “sociedade”.
R. Novatore. “Até ao nada criador”

Estas são sem dúvida um conjunto de ideias que podemos reconhecer como grandes contribuições e influências ao caminho por onde alguns – sempre poucxs- transitamos.

Novatore não é só autor de diversos escritos teóricos e de agitação, também o é  de numerosas ações e expropriações na sua imparável luta contra toda a forma de autoridade. Assim, reconhecer Novatore como parte de uma história de luta na ofensiva contra o poder, é reconhecermos-nos como parte desta história. É fazer-nos participantes da guerra contra toda a autoridade e dominação, pela destruição de todos os valores morais e entender o indivíduo como parte fundamental do desenvolvimento das nossas vidas, como o início de todas as nossas negações e contradições.

Que o nada e o todo deixem de ser um jogo de palavras bonitas com os quais se enchem panfletos e palavras de ordem, pois tal como o panfleto e a palavra de ordem necessitam estar acompanhados da ação para serem coerentes, levemos as nossas ideias à prática.

De nada serve o nihilismo vazio e passivo, despedaça a tendência anárquica com as práticas nihilistas qual grande colisão de estrelas numa obscura noite que impulsiona caóticamente a conspiração.

Hoje, já são muitxs xs Bruno Filippi e Renzos Novatore que se arrojam ao tornar-se das tendências anti-sociais, do Chile à Grécia e por todos os recantos do mundo a guerra continua.

Até que todo o existente seja destruído.. pelo triunfo do eu e pela derrota do poder!
Renzo Novatore, presente!

N.T.
Abele Rizieri Ferrari (12 de maio de 1890 – 29 de novembro de 1922), mais conhecido por Renzo Novatore, foi um poeta da anarquia que viveu alguns dos anos mais turbulentos de uma Itália revolucionária e pré-fascista. Abele foi assassinado no mesmo ano em que Mussolini marchou sobre Roma (1922).
Em português, editado em 2013 pelos companheiros da Textos Subterrâneos, existe uma antologia de Abele Rizieri Ferrari: “Flores Silvestres”.

em espanhol

Oaxaca, México: Atentado explosivo-incendiário como comemoração dos 8 anos da caída em ação de Mauricio Morales


Comunicado recebido junto com a foto a 22/05/2017:

Oaxaca Ingovernável: 8 anos após a caída do Punky Mauri, a ofensiva continua. Colocação de dispositivo explosivo-incendiário em concessionário de automóveis de luxo.

Os nossxs mortxs são abono e semente negra de confontação, nutrem a atualidade da revolta e permanecem vigentes em cada gesto que transborde a autoridade. Contagiar e propagar a força das suas lutas e ideias é indispensável para nutrir o nosso presente, para não esquecer e potenciar uma prática permanente de insurreição.

A dominação, como ideologia e práxis do poder, devasta a vida em todos os seus âmbitos. A miséria do quotidiano não nos deixa indiferentes. E ainda que a resignação seja a saída de muitxs e a passividade o seu refúgio mais seguro, cada ato de negação, de hostilidade, de desobediência ao imposto, nos demonstra que continuam a existir pessoas vivas.

O nosso afazer diário, a nossa forma de nos relacionarmos, as nossas paixões e a nossa razão emanam de cada um/a de nós, da nossa individualidade. Ainda que apostemos pela construção de prazeres compartilhados e estejamos desejosxs de outros seres, a responsabilidade dos nossos atos é de cada um/a de nós.

Coletiva ou individualmente continuaremos a praticar o ataque. Optamos por subverter a normalidade de uma sociedade funesta que assume a sua progressiva auto-destruição.

Perante a apatia, o silêncio das massas, movimentos sociais que atraiçoam e negoceiam o sangue dos mortos. Perante a destruição e o despojo da região e a condenação a uma realidade de não-vida: luta nas ruas, fogo e transgressão da paz social.

Na madrugada do dia 22 de Maio de 2017, 8 anos depois da caída do punky Mauri, colocamos uns dispositivos explosivo incendiários numa concessionária de automóveis de luxo, inutilizando vários deles.

Viva a anarquia!

Individualidades Anárquicas Informais
FAI-FRI

[memória] Companheiro Maurício Morales, PRESENTE!

Arma-te e combate o terrorismo, queima, conspira, saboteia e sê violentx, formosamente violentx, naturalmente violentx, livremente violentx”
Companheiro Mauricio Morales, PRESENTE!

Há 8 anos morreu em ação no Chile o companheiro Mauricio Morales [Punky Mauri], a 22 de Maio de 2009. Homenageamos, através dele, a força e determinação na ação da luta anarquista que se opõe firmemente aos valores, símbolos e estruturas do sistema de dominação, este terrorismo quotidiano que nos impõem.
Como se sente na Quimera, poema musical, composto por Mauri.

[Prisões Chilenas] Comunicado do companheiro Joaquín García Chanks

Derrubar até ao último muro e matar o último carcereiro

Passados 5 meses de voltar a habitar as celas da Secção de Segurança Máxima do C.A.S. torna-se necessário referir-me tanto ao pessoal como ao cenário carcerário. As razões para não ter escrito antes são obviamente pessoais, mas antes de mais são devido à crença de que a plataforma virtual com o seu conjunto de comunicados se afasta muito do real, aproximando-se mais de uma ideia abstracta do dia a dia carcerário e individual– apesar de estar convicto de que partilhar experiências gera laços impagáveis. Irredutível? Sim, exista ou não um vaivém emocional nem a convicção nem a mente se vai abaixo, mas essa asquerosa ideia do mártir de aço atrás das barras tem de cair. Pelo suicídio da imagem e fetiche, pela real cumplicidade destruidora.

“O pessimismo é o ópio dos intelectuais, o optimismo pertence aos imbecis. Um realismo fanático e sonhador, a consciência de que não cabemos neste mundo, os valores que defenderemos a cada momento adicionados ao calor cúmplice daquelxs de quem gostamos e estimamos.”

Há 5 meses atrás, um pouco sobre a detenção:

A 7 de Setembro, aproximadamente às 5 da tarde – passados pouco mais de dois meses do levantamento da prisão domiciliária total, ditada pelo aparelho jurídico – detiveram-me quando estava a subir para um autocarro rural, em direcção a algum lado. Subo, cumprimento o condutor, avanço um metro e uma mão no meu peito: “desce”, “mãos atrás da cabeça “, para baixo, cara contra o chão, olho para a esquerda, o mar, a sua brisa, o cheiro a terra e vegetação, um momento fugaz mas com absoluta consciência do que o ia perder, agora substituído pelo cheiro a desodorizante de ambiente (poett) e cloro, as vestes amarelas e o subtil mas enjoativo cheiro a saliva do calabouço. Apesar do significado pessoal, a detenção não teve nada de espectacular e não escreveria sobre ela se não quisesse esclarecer um ponto: a ideia jornalística propagandista sobre um suposto “controlo preventivo”, como se de azar se trata-se! A obsessão doentia pela vigilância e o controlo têm que ser reafirmadas constantemente no cidadão paranóico, que melhor momento que a captura do “terrorista potencialmente em fuga”.

Valeu a pena? Impossível responder com um simples “sim”, às vezes tão seco, vazio e auto-complacente, há muitas mais coisas para pôr na balança. Mas é inegável que cada experiência em busca da liberdade vale a pena, tomar o controlo da sua existência com todas as suas vitórias, as suas derrotas, alegrias e tristezas, são aquelas experiências impagáveis que o submetido nunca poderá conhecer. Não se trata de se interrogar se valeu a pena tentar, pensar assim condenar-me-ia a ser um eterno perdedor; o primeiro passo de cada acção é que lhe dá valor – talvez mais espiritual que materialmente – será sempre um lucro.

“A pena e a pistola são feitos do mesmo metal, a nova guerrilha urbana depende muito menos dos meios operativos e muito mais da nossa decisão de atacar o poder.”.

Eco-extremismo e Anarquia

Partilho as palavras que, em dado momento, expressaram xs companheirxs da Célula Revolucionária Paulino Scarfó / FAI-FRI, o ataque tem moral e esta corresponde, obviamente, ao código de valores e objectivo a que se proponha cada célula revolucionária, os seus motivos e a contribuição no sentido do avanço das teorias e práticas antagonistas. Deste ponto de vista, acredito que a crítica a outras correntes não deva ser feita de forma comparativa – e refiro-me especificamente ao eco-extremismo – porque existe hoje uma tendência, talvez um pouco ciumenta, em relação a estes últimos. Como com quem traiu os seus princípios e superou o umbral do que “nós não faríamos”. A verdade é que pouco ou nada importa qual a raiz desta corrente e quem são xs indivíduxs que a compõem. É da maior importância preocupar-se pelo agora e assumir que existe uma diferença irreconciliável entre os distintos pensamentos (objectivo – motivos – valores). Quero deixar claro que não me estou a referir ao que cada indivíduo possa fazer com a sua vida ou o quanto possa este pupular entre ideias e objectivos práticos, não poderia falar sobre os inexistentes “deveres” de uma ideia inamovível. Se escrevo isto é sem tapumes, na generalidade. Enquanto exista uma crítica paternalista, existirá uma acusação, pelo purismo. Assumir disto que as críticas têm de ser eliminadas das nossas expressões é um erro, a crítica, como axioma essencial de todo o pensamento e acção revolucionários, deve ser severa e constante. Analiso, critico, posiciono-me e avanço, através da evolução da consciência individual e colectiva.

Entre parêntesis: Considero claro que quando se fala de moral e valores, a muitos lhes dói a watta (purificadora da água), sobretudo aos filhos da réplica, os mesmo que eliminam palavras do seu vocabulário para cumprir quem sabe qual requisito Negador e desta forma não perder pontos de niilismo. (1). Então para aclarar, reconhecer a existência de valores e moral não significa que estes estejam talhados na pedra, estão sujeitos a questionamento pela mesma conjuntura. E sim, se existem pilares no meu pensamento e no meu sentir é porque assim o escolhi.

Falando em conjuntura, aplaudo o ataque a Óscar Landerretche como alvo simbólico e prático. Admiro e saúdo (2) a energia de todos os que se responsabilizam pelos seus pensamentos e aniquilam a letargia da paz social. Os que reclamam uma iminente ofensiva estatal têm de questionar-se. Estratégias existem, é óbvio, mas esperar alguma espécie de compaixão por parte do Poder é não assumir os custos da sua confrontação. Detesto até ao rancor (3) o seu discurso eco-extremista, distancio-me completamente das suas razões, do seu misticismo, das suas apologias a personificações absurdas. Recusar as massas e os seus valores é lógico e consequente, mas assumir como próprios todos os valores contra-hegemónicos, apenas por o serem, é uma estupidez.

Posso distanciar-me muito dos ITS – Chile, mas é inevitável sentir raiva ao ler a merda da imprensa oficial, “alternativa”, e de “esquerda”. Sem querer cair bem às massas nem esperando a aprovação de ninguém: perante o sensacionalismo e a difamação, fogo.

“Quem não quer ver o grandioso num homem fixa a sua vista de um modo mais penetrante naquilo que nele é baixo e superficial – e com isso se denuncia”.
– Friedrich Nietzsche.

Viva a estranha conjugação anarco-nihilista!
Se a práxis nihilista tropeçar com a anarquia, bem vinda seja esta.

(1) ismo, sufixo proibido
(2) Tranquilos, sei que não lhes interessa
(3) veja-se (2)

Joaquín García Chanks
C.A.S – S.M.S
Fins de Janeiro de 2017

Argentina: Ataque a concessionária em Buenos Aires

tsitTentam-nos obrigar a uma existência submissa e cobarde em nome do progresso tecnológico, do controlo social e de uma maior inclusão no que se refere à pertença ao sistema. Mas nós não queremos nenhum progresso, atacamos o seu controlo e recusamos de maneira consciente a sua inclusão!

Escolhemos viver a vida por um fio, a do abismo e não pelos caminhos da turba mansa – a que se arrasta, mendigando ao Poder as próprias cadeias que os amarram.

As nossas motivações serão sempre, em primeira instância, a dignidade, a coerência entre o que dizemos e fazemos, esse gozo de nos comprovarmos coerentes com o que acreditamos. Também nos motiva a sede de vingança, uma vingança que sentimos que temos que cobrar desde crianças, quando nos encerraram nos seus centros de domesticação e a seguir, ao longo de toda a vida, encerradxs em fábricas, prisões, manicómios…bibliotecas “anarquistas”…

Desprezamos toda essa merda! Há outros caminhos, longe dessa porcaria monótona e anuladora do indivíduo!

Foi no decorrer deste percurso, principalmente solitário mas constante, que a 4 de Setembro passado colocámos um dispositivo incendiário numa concessionária de motos e quadriciclos – a situada na Avenida Entre Ríos, esquina com a Rondeau – embora lamentavelmente não tenha funcionado como esperávamos. Mas continuaremos, continuaremos sempre!

A nossa intenção é clara: fomentar e propagar o ataque a todos os símbolos (físicos e idealizados) que representam esse enredado difuso que constitui o inimigo.

Objetivos a atacar…abundam…depende da nossa vontade, da nossa decisão.

A gerar todo o caos possível frente à merda eleitoral que se avizinha e à competência dxs candidatxs para ver quem saca mais polícias nas ruas e quem vá gerir melhor a miséria.

Força a Sol Vergara, valente companheira encerrada nas prisões chilenas. Força a todxs xs demais companheirxs anarquistas, antiautoritárixs, nihilistas e subversivxs encerradxs pelo Estado no Chile, México, Grécia, Itália, Espanha…

Com xs nossxs mortxs na memória…

VIVA A INTERNACIONAL NEGRA!

Célula Nihilista do Ocaso de Fogo

em espanhol | grego

Atenas: Ataque com granada à sede do canal de televisão SKAI

Bastardos – Delatores – Jornalistas

“Os meios de comunicação de massas são para a democracia o mesmo que os tanques para a ditadura

Os “Núcleos de Nihilistas” assumem a responsabilidade pelo ataque com granada à sede central do canal de bufos SKAI, no sábado, 12 de Julho de 2014, de madrugada.

Na era do império dos mass merda escrevem-se muitas coisas para se só se dizer umas quantas e se esconder a maioria. Os jornalistas apresentam-se como os únicos proprietários da verdade. O que não aparece nas câmaras de televisão, simplemente não existe. Suprime-se… silencia-se… oculta-se…

Tal como se passou com a maior greve de fome (4500 presos) já realizada nas prisões gregas, contra o projecto de lei pela construção de prisões de máxima segurança. A notícia desta greve de fome sem precedentes foi escondida entre as publicidades de telemóveis, detergentes, máquinas eléctricas e os ritmos festivos da Copa do mundo, para que acabasse fragmentada, desfeita, e por fim completamente silenciada.

A luta dxs presxs para que não sejam enterradxs e esquecidxs como mortos-vivos dentro de toneladas de cimento e barras parece que não se encaixa na narração televisiva da vida. Lá, onde a mentira constrói os seus bastiões ideológicos, só o medo e o entontecimento da sociedade do espectáculo têm cabimento. As imagens de pessoas que procuram comida entre o lixo são alternadas com espectaculares desfiles de moda e galas de caridade, enquanto que a notícia do suicídio de milhares de neo-desesperados ex-pequeno-burgueses é esquecida sob a ressonância das fofocas do lifestyle, num infindável negócio televisivo de afasia social… E a vida continua fora da tela, a preto e branco. Uma maneira de pensar massiva e sentimentos com instruções de uso… esta é a fábrica social dos meios de comunicação de massas.

A SKAI com a sua equipa jornalística de lacaios e bufos está a exercer a propaganda do conservadorismo e do medo. Solteironas astutas (I. Mandrou), conselheiros submissos (A. Protosalte), agentes de serviços de informação (Papahelas), lambebotas asquerosos (G. Aftias), cobardes pretenciosos recém-chegados (T. Chatzis), banqueiros histéricos (M. Papadimitriou), todos sob a guia do contrabandista Alafouzos (proprietário do canal) elogiam e santificam as ordens do Poder, enviando à Inquisição qualquer um que se atreva a desafiá-lo.

Poderíamos gastar milhares de palavras para os tele-fiscais pagos. Mas nenhuma ovelha se salvou balindo. No combate contra o existente não vence quem fala “melhor”, mas sim quem transforma as suas palavras em práxis. Por isso não nos agradam os discursos decorados, as análises complexas, a retórica social e a aparentemente séria terminologia política para “justificar” as nossas ações ou para serem agradáveis às massas.

Estamos com a minoria daquelxs a quem não lhes importa as condições objetivas e as etapas intermédias da “revolução social”, e levamos a experiência direta da insurreição anarquista ao aqui e agora…

Do fio da navalha, onde buscamos a verdadeira experiência do ataque, enviamos as nossas saudações e expressamos a nossa cumplicidade com os compas do núcleo de prisão da Conspiração das Células de Fogo, com Andreas Tsavdaridis e Spyros Mandylas que se encontram no módulo A da prisão de Koridallos, com a compa Olga Economidou da CCF, e com todxs aquelxs amigxs dentro das prisões que não se ajoelham perante a tirania do Poder e do desgaste do tempo. Solidariedade e força ao sector na clandestinidade da Conspiração de Células de Fogo, axs compas na Alemanha, Itália, Indonésia, Inglaterra, que reforçam o “Projeto Fénix”, à rede internacional da FAI/FRI e ao guerrilheiro urbano Christodoulos Xiros, que está a ser procurado com uma recompensa pela sua cabeça.

Pensa revolucionariamente, actua ofensivamente.

Núcleos de Nihilistas

Ps (1) A presença de alguns transeuntes que por azar passavam no local e o perigo de se ferirem obrigou-nos a não ampliar o ataque como o tínhamos organizado e limitarmo-nos a atirar a granada… Por certo, na próxima vez não nos limitaremos a um mero simbolismo de amedrontamento…

Ps (2) Cada detenção provisória de guerrilheirxs urbanxs, como a de Nikos Maziotis, é uma razão mais para a agudização dos ataques. Força e cumplicidade com xs compas que assumem a responsabilidade política da luta armada.

Berlim: Ataque incendiário ao veículo de um diplomata grego

Brand-Diplomatenfahrzeug

Não exigimos nada menos que a destruição da besta que mantém o sistema a funcionar.

Os democratas governantes atacam com toda a sua crueldade. Durante a crise mostram a verdadeira cara. Uma cara que está plena de satisfação quando humilha, tortura, encarcera e assassina pessoas. Uma cara que sorri alegremente perante as câmaras do mundo, enquanto que na esquina ao lado milhares e milhares de polícias gaseiam e espancam toda a resistência.

No entanto, isto não é suficiente para elxs. Assim que xs cães de fila do sistema consigam quebrar a resistência nas ruas, a seguir procurarão acabar com a resistência que ainda possa existir dentro das prisões e isolar por completo xs presxs. O Poder está a usar o atual medo da maioria silenciada para se vingar daquelxs que, em Dezembro de 2008, incendiaram toda a Grécia. Os grupos de guerrilha que emergiram da revolta cortaram o alento aos excelentes senhores de Bruxelas. A sua resposta foi rápida e potente. Para além da Troika, enviaram também a Atenas a bandidagem dxs especialistas antiterroristas para vencer uma vez e para sempre o espírito guerrilheiro. Foi assim que as novas sessões de entretenimento para xs polícias deram um resultado imediato. Xs cães, que no princípio eram somente capazes de ir para a bola, pronta e abertamente adoptaram o quadro ideológico a que se chama fascismo. Uma co-existência harmoniosa, onde xs avarxs democratas famintxs de Poder se ajoelharam aos pés dxs valentões fascistas. A introdução das prisões de tipo C é somente um passo mais no processo da aniquilação total de todxs aquelxs que se cansaram de se ver oprimidxs.

Não queremos ser espetadorxs passivxs destes acontecimentos, como fazem muitxs que já deixaram de lutar. Portanto, decidimos fazer uma visita a um dos seus lacaios, no calmo distrito de Wilmersdorf, em Berlim.

Enviamos a nossa solidariedade a todxs os grevistas de fome nas prisões gregas.

Recordamos também o assassinato de Ilir Kareli, que foi executado pelos assassinos que se chamam guardiões da prisão.

Nesta guerra, perdido é quem vá para casa. Nenhum retrocesso, nenhum adiamento.”
Conspiração de Células de Fogo/Fração de Nihilistas (2009)

Subversivxs da praxis nihilista

Atenas, Grécia: Ataque à granada contra o carro de um guarda prisional

Na terça-feira, 8 de Abril, foi atacado com uma granada o carro (opel Vectra, prateado) do conhecido guarda G. Bardakis, no número 33 da rua Zaimi, em Egaleo. Este ataque é um acto mínimo de memória pelo assassinato do prisioneiro Ilir Kareli.

Kareli, depois de chegar ao limite, tendo sido espancado, electrocutado, atingido com bastões, ensopado em água gelada, torturado e humilhado pelos guardas prisionais, eventualmente “escapou” com a morte, às mãos dos seus torturadores.

Nós sabemos que a sua morte será esquecida em breve. Exatamente como aconteceu com dezenas de mortes esquecidas, e as que irão ser esquecidas no inferno das prisões, por doenças, drogas e desespero. 

Os guardas prisionais assassinos por muito que tentassem lavar o sangue da morte usando cloro, na cela de isolamento, não o conseguiram fazer. Ele permanece lá, uma mancha na parede, para lembrar…que o sangue só é lavado com sangue. 

Agora é a nossa vez…

A noite é nossa amiga e as trevas abraçam-nos. Pegamos nas nossas armas, montamos as motas e vamos à caça. Porque esta noite caçamos guardas prisionais.

Os nossos olhos e ouvidos estão em toda a parte.

Qualquer miserável que levante a mão contra umx prisioneirx, tê-lá-á cortada pela raíz. Quem rebaixe e humilhe prisioneirxs, conhecer-nos-à pessoalmente na sua casa, no ginásio onde vão ou no semáforo enquanto aguardam no seu carro.

Todxs aquelxs que fazem da violência a sua profissão contra xs que estão confinadxs, vão agora ser pagos na mesma moeda.

Enviamos força e saudações a todxs xs prisioneirxs que dentro das prisões apoiem a movimentação contra a legislação fascista para a construção de presídios de isolamento “tipo C”.

Respeito às guerrilhas urbanas da Federação Anarquista Informal. 

Solidariedade e cumplicidade com xs companheirxs anarquistas da práxis que, no domingo 6 de Abril, atacaram a polícia de intervenção, junto à prisão de Domokos.

Pensar revolucionarmente – Agir agressivamente  

Aviso:

Todos os guardas prisionais que tomaram parte na tortura/assassinato de Kareli são agora PROCURADOS.

Avisamos cada um dos guardas prisionais, que não foram detidos, que os seus nomes – que já são conhecidos através da acusação mas também nos círculos dos prisioneiros- já constam numa lista de “eliminação” permanente.

Por muito remota que seja a pequena aldeia onde se possam esconder, qualquer que seja a profissão para onde possam mudar, devem saber que os vamos encontrar e que irão cair na nossa emboscada. 

No que respeita aos guardas/torturadores detidos, eles devem saber que, qualquer que seja a prisão ou a ala prisional de proteção onde acabem por ficar, irão conhecer o seu destino. Todos os prisioneiros estão informados e nós temos amigos em todo o lado. Os seus dias estão contados… (e duros…)

Gangues nihilistas de Vingança

francês

Santiago, Chile: Sobre um carro e alguns polícias que ficaram queimados a 8 de Maio

Os confrontos no dia 8 de Maio de 2014, em Santiago, eclodiram quando a marcha delinquencial [manifestação de estudantes com distúrbios] havia atingido o Parque Almagro, enquanto os sociais democratas estavam ainda a realizar o seu ato do dia. De imediato as individualidades cobriram os rostos, as barricadas foram erguidas e começou-se a entrar em conflito com as forças especiais dos carabineiros (FFEE); sabíamos que o momento tinha chegado, por isso encapuzamos-nos completamente, para fazer parte da ruptura com a ordem vigente e normalidade imperantes.

Tendo o combustível e vendo que um carro estava estacionado fora do perímetro da polícia (temporariamente), junto à turba que apedrejava a polícia, decidimos queimá-lo, incrementando o caos contra a civilização e os seus transportes de escravxs modernxs. Com o carro em chamas, os filhos da puta da bófia vieram com força brutal dispersar xs encapuçadxs, foram momentaneamente retidos por vários objetos e,  nesse momento preciso, lançámos uma e a seguir duas bombas incendiárias diretas axs defensorxs da ordem, resultando deste ataque várixs lacaios queimadxs e um capitão com lesões graves.

Nem um passo atrás contra xs inimigxs nem contra tudo o que é imposto; não queremos subverter a ordem, queremos destruí-la e demolir as bases da civilização. Atacamos o conceito de cidadãx no qual nos tentaram converter e não queremos nenhum futuro com as suas asquerosas muralhas. Declaramo-nos inimigos da polícia, dxs empresárixs, da submissão, da cidade e de todo o ser civilizado que sustenha e/ou defenda esta asfixiante realidade imposta.

Pela destruição do existente
Guerra ao capital (A)

Liberdade a Sol, Adriano, Gianluca, Alfredo, Nicola e todxs xs presxs do mundo em guerra.

Fogo às grades da passividade que nos querem vender!

Na memória Angry e todxs xs animais (humanos ou não humanos) mortos pela asquerosa sociedade e seus e suas sustentadores.

Manada de choque anárquico-nihilista

L’Hospitalet, Catalunha: 5 bancos atacados em solidariedade com os 5 prisioneiros anarquistas de Sabadell (Barcelona)

Há cerca de um ano que estamos ativos como grupo, período em que vimos um ligeiro aumento no tipo de ações nas quais nos revemos e as quais reproduzimos tendo decidido tornar essas ações públicas através deste meio,incentivando à sua replicação. Para além de nós, recentemente só se registou uma tentativa de enquadrar as ações dentro de uma “campanha” ou linha de acção similar, depois disso a resposta foi o silêncio da grande maioria das linhas do anarquismo e do niilismo na Catalunha (ou pelo menos não comunicadas através da Internet).

Mantemo-nos firmes na nossa estratégia e linha política, olhamos as ações da Federação Anarquista Informal (FAI) e outras ações anónimas como pequenos faróis. Aproveitamos esta oportunidade para enviar um abraço de solidariedade a esses/as indivíduos que decidiram passar da teoria à prática, em relação à ação direta material.

Noutros comunicados temos feito chamadas para se integrar a estratégia da sabotagem e/ou a da guerrilha urbana nas vidas e nas palavras que identificam o pensamento como anti-estado, anti-capitalista, anti-autoritário e anti-dominação que é o que alguns de nós entendemos como anarquismo e outros como anarco-nihilismo.

Hoje fazemos uma chamada  à coerência em relação aos 5 prisioneiros relacionados com o Ateneu de Sabadell.

Atualmente não temos informação directa deles/as senão através de pessoas próximas e da família. Mas parece que muitos/as correram para se posicionar sobre os/as detidos/as. A falta de solidariedade ou de reação de Barcelona é preocupante.

Todos os olhares se dirigem para outros lugares embora os detidos/as se encontrem em regime de isolamento FIEs. Ao se ler a media corporativa e o Auto do processo as análises balançavam entre se eram “dealers” ou não, ou se tinham ou não chibado. Parece que ao entrar no sistema penal e/ou carcerário espanhol se põe causa o historial dos/as presos/as ou processados/as, no que se refere aos seus fundamentos políticos, morais, sentimentais ou estéticos.

Entretanto, o estado aprisiona cinco indivíduos que, aparentemente, se definem a si mesmos/as como anarquistas.
Isto não é apoiar cegamente ninguém(a partir do anarquismo) mas o facto de os terem detido atinge-nos. Parece que, às vezes, a coerência desaparece da igreja dos anarquistas, principalmente quando a realidade quebra as linhas em que nos enquadramos; é o caso da resposta ao ataque do estado sobre o anarquismo.

O Estado não só irá manter o controlo de como fazemos a nossa vida – isso é quase irrelevante – como irá atrás de nós quando menos esperarmos e onde os/as compas são mais visíveis, tentando gerar paranóia, com a esperança de nos paralisar.

Ultimamente, é cada vez mais comum a media corporativa apontar o dedo aos anarquistas, relacionando-os a grupos terroristas e a pessoas  assinaladas como estando na origem de “tumultos” nos movimentos de protesto “pacíficos” – como a Plataforma de Afetados pela Hipoteca (PAH), os “Indignados” 15M, etc; o poder está a separar as águas, preparando o terreno para nos atingir quando publicamente nos dividem em “bons” e “maus” manifestantes.

Esta estratégia não é nova, mas temos que estar vigilantes e dar uma resposta coerente com as nossas declarações:ignorar a situação não é uma resposta, o silêncio não é uma resposta.

A nossa resposta em relação aos/às detidos/as é o começo, a continuação da nossa solidariedade são os nossos ataques.
Solidariedade com os/as 5 detidos/as!!!
Frente ao ataque do estado a un ateneu e ao movimento anarquista destruímos 5 bancos na zona periférica de Hospitalet.

Saúde, anarquia e nihilismo revolucionário!!!

Lobos Negros

Grécia: Acerca de antifascismo

sheepA seguinte reflexão foi publicada por um anarquista-egoísta-niilista no Atenas Indymedia:

“Nem sequer pensava em dar-me ao trabalho de participar no debate, mas alguns dos comentários mais recentes de um “companheiro antifascista” causaram-me espécie.

Em primeiro lugar a fim de determinar, inegavelmente, as características de uma ação antifascista,  creio que deve determinar-se o conteúdo do conceito de fascismo.

O fascismo é, acima de tudo, um soco na cara do/a “revolucionário/a” que reconhece, nos fantasmas da sociedade e nas classes, nos rostos dos sujeitos revolucionários/as e que aspira a revoltas e revoluções. E a hipocrisia, de fato, é a situação pela qual mais uivam, em relação ao fascismo, a maioria dos anarquistas sociais.! Porque, na essência, a guerra não passa de uma perseguição contínua contra as sombras … não se dão conta, é claro, como são hipócritas, que as suas proclamações sobre o fascismo social, na realidade, são uma guerra contra o seu próprio conteúdo. Pois, qual é a causa geradora do fascismo senão a massa?

O fascismo não é uma praga anti-social, é um elemento intrínseco da sociedade. A massificação e a mentalidade da massa, a necessidade de “pertença” são carne e osso do fantasma que tem acorrentado milhões de vidas , e também é carne sua a ideia de superioridade. E como é que o/a “revolucionário/a”, na verdade, contribui nesta direção, o pobre que arde com a chama da insurreição social e as visões da justiça e da igualdade (cadeias que são insuportáveis mesmo para verdaderos/as “compas” ) e que ainda assim, enxerta consciência de classe e obreirismo às massas? É esta prática distinta da do Estado que vacina aos seus súbditos nacionalismo e pátria? Naturalmente, nenhum/a niilista consegue parar de rir às gargalhadas perante este absurdo horrível.

Os/as sociais consideram que o fascismo levou a sociedade para a cama enquanto esta se limita a  masturbar-se. E em lugar de atacar con fúria contra a sociedade, utilizam-na como a sua própria projeção, como uma identificação da sua “luta”.

E não são mesmo pelos sociais que anseiam as sociedades socialistas/ comunistas? Por mais que maldigam e façam a vista grossa, a verdade encontra-se perante os olhos deles/as. O fascismo e o comunismo (não os confundam, não estou a falar só dos do tipo autoritário) são iguais ao nível dos valores morais, salvo quando o primeiro propõe a força bruta e o segundo se rege pelo espírito servil do cristianismo. Enquanto o fascismo é a morte do espírito, o socialismo é a morte da força.

E a sociedade posiciona-se e essa é a razão pela qual é exatamente assim. Um fantasma, um corpo sem corpo, não é nada mais do que um bando de homens de palha. E esperam algum tipo de ajuda deste pântano social…embora exigam que a sociedade se levante contra o seu próprio ser! Contra a sua própria natureza, essa natureza profundamente fascista.

Consideram que uma mudança de mentalidade é possível? Mas então, o que é que procuram senão a manipulação do rebanho (nem sequer importa se se trata de uma orientação em termos sociais, morais ou de estratégia)? Procuram converter-se em pastores sociais.

E no que se refere aos “politofilakés” (guardas-cidadãos ou milícias), as coisas estão claras para mim. Não é possível organizar estes sistemas, já que a palavra em si mesma contém o terminus politis (cidadão ou civil, ou nacional), que chegou a ter consciência política e está diretamente ligado aos prestadores desta mesma consciência política, o Estado e a política. Pode realmente um cidadão ser antifascista? Por extensão, pode realmente um anarquista ser um cidadão?

Não podem ser ambas as coisas, responderão os/as sociais, os/as mesmos/as que convertem a anarquia no álcool social  em busca da superioridade numérica contra o fascismo, ou seja, os fascistas agressivos, já que cada cidadão é potencialmente um. Embora se esqueçam que a  plebe social carece de qualidade, pelo que os seus/suas guardiões/ãs cidadãos/ãs antifascistas não serão mais que uma manada invalidada e auto-destrutiva.

Citação: O fascismo é qualquer ato injusto, anti-democrático e violento, ideologia, emoção ou hábito em política, na sociedade, na família e relacionamentos.

Bem, então, muitos de nós são fascistas! Desde os grandes rebeldes F. Nietzsche e M. Stirner, o filósofo rebelde R. Novatore até aos niilistas de hoje, os/as companheiros/as sinceros/as que voltem os seus olhos para o aqui e agora, que abracem o fogo e dêem rédea solta aos seus ataques malditos contra o Estado, a sociedade, a pátria, a ordem, a moral, a ideologia e qualquer outra cadeia.

Quão fascista sou, então, a quantidade de um fascista é o Anticristo, que nasce do Fogo e da negação e se dirige para o altar pagão de Nihil? Assim, quão fascista é a Beleza e Força, ambos valores em si mesmos que os  feios e os fracos deixaram de lado e substituíram por fantasmas como a justiça, a igualdade e a solidariedade!

É acaso o antifascismo um problema para as massas? Quem pode concordar com estas, tendo também presente que o antifascismo é profundamente anti-Estado, anti-político e anti-social? Agora, tudo isto pode soar muito bobo para os/as sociais! A despolitização do autor: é ou não é um pré-requisito para o antifascismo, um antifascismo eficaz, não um estereótipo de um autista? Porque não é a política que educa os/as cidadãos/ãs? Supõe-se que sim. Para mim, todos os seres humanos imbuídos de consciência política deixam de ser indivíduos, seres com vontade individualista e egoísta, para se converterem em cidadãos no sentido da pessoa, do núcleo social. Será possível que um arlequim miserável, da casa, atue como um antifascista? Ao mesmo tempo que não é apenas um vetor, mas também uma fonte de fascismo …?

O mesmo se aplica tanto aos esquerdistas (como se fossem distintos/as se cidadãos/ãs também) como aos/às anarquistas sociais, como elitistas e devastadores, o que for que isso possa parecer. Porque quando o individualismo está ausente e, por conseguinte, o indivíduo é dominado pela necessidade de aceitação social,  da “pertença”, então esta também marca o nascimento de um outro ismo (no sentido do sistema, do pensamento ideologizado) e, por extensão, a essência do fascismo: o rebanho massificado.

Voltarei…”

Atenas: Ataque incendiário contra a casa de Giannos Papantoniou, ex-ministro da Economia e Defesa Nacional

papa

Assumimos a responsabilidade pelo ataque incendiário contra a casa de Giannos Papantoniou, ex-ministro da Economía e Defesa Nacional. Chegados à porta da sua mansão, na rua Olympias, bairro de Kifisia, incendiámos os dois carros que utilizam, ele e a sua “mulher” Roula Kourakou, para as suas inúteis deslocações. Os guarda-costas deste porco não foram capazes de garantir-lhe a segurança que anseia. Apesar do nosso pensamento namorar a imagem da sua mansão em chamas com ele próprio e sua “mulher” atemorizados procurando as saídas de emergência, excluímos desde o início tal perspectiva, dado que no interior da mansão se encontrava o seu pequeno, o qual não queríamos pôr em perigo.

Longe de uma retórica populista, reconhecemos na rosto de Giannos Papantoniou um executivo do Poder. Não nos interessa enumerar os seus golpes, ainda que tenham sido muitos. De qualquer forma, sejam corruptos ou incorruptíveis, os executivos do Estado são um objectivo permanente para as dignidades rebeldes, sem importar se mantêm ainda ou não o seu posto no aparato estatal. Realizámos o ataque na tarde do mesmo dia em que, há 4 anos, os porcos assassinaram o nosso companheiro Alexandros Grigoropoulos. Faz quatro anos que alguém se foi de repente, um brado mortal que detonou a revolta e os acontecimentos que todos conhecemos e quatro anos após esse dia um grande incêndio e várias explosões à porta da casa de um dos nossos inimigos declarados reacendem o nosso ódio e espalham o terror na direcção desejada.

Através de ataques personalizados queremos irromper nos perímetros seguros das suas vidas. Nas suas casas, nos seus carros, na sua vida de luxo.

Reflexões a partir do abismo, dedicadas do coração aqueles/as que se afundam no seu abismo de raiva…

Rostos velados, cujas características se ocultam atrás de um capuz, cujas entranhas ardem. Ardem de paixão por uma liberdade que se possa vivenciar, por uma morte que talvez se aproxime, por um acontecimento inesperado que mudou as suas vidas.

Durante um instante, todos/as se iluminam acima das fogueiras acesas nas barricadas e bens queimados na metrópole,com olhos brilhantes de esperança pelo impossível que se deve alcançar custe o que custar, pela contradição que se acaba de armar e ocupou o seu posto no carregador. E a arma aponta tanto ao inimigo como às nossas cabeças. Uma roleta russa que leva à loucura. E esta loucura, bela e perigosa, invade todos os músculos do nosso corpo, todas os neurónios do nosso cérebro, converte-se em pedra na cabeça da bófia, em bombas nas sedes centrais da ordem estabelecida, em balas nos corpos dos nossos torturadores. E voltando à base, a contradição armada dispara, converte-se em eterna questão, sussurrando e clamando dentro de nós, lágrima que emana pela mudança cada vez mais distante, grito que estilhaça em mil pedaços a noite de pedra dos escravos modernos para os informar da nossa chegada.

“Cabrões, vou-vos foder, a todos, hoje joguei o final como vocês jogam a vossa mulher ou homem, que processo tão padronizado para vós, é como tirar a comida do forno, que novidade para nós é cada sensação e experiência novas, um sentimento que ao nascer já está condenado a morrer ao nosso lado, nalgum lugar obscuro de reflexão, filhos da puta, cago no vosso deus, se pudesse traçar só uma linha e disparar para o ar como a pessoa que dá o sinal de partida, se soubesse correr como um louco através de rios, bosques e montanhas,na meta teria um letreiro de vencedor ou perdedor, cago-me no vosso deus.”

E uma vez posto o sol, levando consigo o seu desconhecido poso, significados e objectivos, desafios e declarações, estes rostos desconhecidos emergirão do mesmo ponto desconhecido de quem os buscava, de modo que estes se perderão num vagabundear transcendental, agora estão felizes, sorridentes, com um pouco da alegria vivenciada pela criação catastrófica que se preparam para propagar, convencidos de que desta vez tocarão o céu esticando as mãos até que lhes doam a ponta dos dedos.

Queremos mais um tempozinho, só para conseguir colocar os nossos caóticos pensamentos numa suposta ordem, afim de definir a variável das nossas asfixiadas vidas nos sujos sótãos da vida sem sentido do mundo moderno e sair à superfície a apanhar um bocado de ar. Só uma golfada que dure o suficiente para que corramos, nos enamoremos, choremos, que abracemos os/as nossos/as amigos/as e pais, nos ríamos com todas as nossas forças, amemos os nossos e odiemos os inimigos, para que olhemos o horizonte, o universo de possibilidades infinitas. E, no instante em que a asfixia nos domine, voltaremos a colocar o capuz e uma última vez, desta última vez a palavra vingança tomará as dimensões terroríficas que sempre sonhamos, queimaremos os portadores do desprezo humano e da opressão acumulada, bófia e juízes, funcionários do Estado e políticos,a tormenta autoritária que nos golpeia se converterá em cinzas. E nesse momento exacto no qual montaríamos um maravilhoso baile sobre os cadáveres de todos eles, damos-nos conta de que a alegria da vitória não tem nenhum sentido porque não temos tempo, tentas tomar outra golfada de ar, viver o mundo ao qual deste forma na cabeça durante tantos anos de luta com a plasticina da imaginação anarquista, começas a enjoar, uma golfada de ar, foda-se, só uma golfada, mas já tinhas fechado os teus acordos quando apertaste a mão com o ar que te havia sussurrado com uma triste queixa: só tens uma golfada, mano/a. Que lha forneçam, isso foi tudo, se o tempo fosse uma pessoa a sério, de certeza que a teria assassinado com gosto, com olhos bem abertos sorves as tuas últimas imagens e odores, pensas a ritmo desenfreado, sabes que segues a infinidade do nada por isso tens que pensar muito. Pouco a pouco, começas a perder a comunicação, após um pouco tudo se tinha apagado…

Procuramos o instante fatal…

Ou seja, o espaço temporal em que teremos abolido qualquer adiamento da reivindicação de posições absolutas, pensamentos, práticas, qualquer enfoque ético que te dissuada de movimentos destruidores, com o único objectivo de completar a experiência momentânea, os impulsos,os instintos mais violentos.

O instante em que o pensamento e a acção se enamorem loucamente, empreendendo um baile mágico e ilegal de paixão e risco debaixo da luz das estrelas.

O instante em que qualquer medo seja outra ocasião para romper as barreiras e viver fora delas.

Fora de qualquer lei que nos ordene, de qualquer sociedade que nos subordine, de qualquer compromisso que nos pisque o olho descaradamente.

Vivamos fora da sua realidade, construindo focos generalizados de caos e ilegalidade para qualquer pensamento ou acção criminal. Convidando todos/as os/as inadaptados/as deste mundo a profanar toda a ética,a todos/as os/as extremistas a sangrar toda a mediocridade, a todos/as os/as loucos/as a matar toda a lógica.

Impondo o demónio irracional que temos alimentado durante anos nas entranhas.

Executemos o poder da maioria!
Viva o nada criador! Viva a Anarquia!

Honra eterna a todos/as os/as caídos/as
da luta libertadora anarquista.

Minoria Combatente / Comando Alexandros Grigoropoulos

em grego / espanhol

Grécia: Cartaz em solidariedade com os/as membros presos/a da O.R. CCF (10º dia de greve de fome)

[…Cada um/a escolhe de sua livre e própria vontade,vontade essa composta dos obstáculos que derrubar ou dos compromissos que aceitar. Sem serem entravados por nenhum “contentor social”, a Conspiração de Células de Fogo interrompe e desestabiliza a existência da quietude reacionária. E o faz inclusivé no chamado movimento anarquista em todas as latitudes, compondo o caminho mas sem dar orientações porque “nada quer”… Este caminho, uma nova forma de guerrilha anti-social e niilista irrompe com aquilo que não aceita ser classificado de estereótipo de falso sentimento revolucionário por parte do pedante academicismo do anarquismo oficial e dos/as devotos/as do militantismo como se fosse um fim em si mesmo. A guerrilhaa que determina num contexto revolucionário a sua própria propulsão destrutiva já deixou para trás todo o conceito de social…]
Federico Buono

Respeito-Honra-Solidariedade com os/as combatentes revolucionários/as da nova guerrilha urbana, membrxs orgulhosos/as da Organização Anarquista Revolucionária Conspiração de Células de Fogo.

Solidariedade com os grevistas da fome Gerasimos Tsakalos, Panagiotis Argirou, Christos Tsakalos, que continuam com consistência e determinação a sua luta poliforma contra a civilização do poder e dos seus subordinados, apesar da sua situação de encarceração. Compas, sigam com força até à liberdade!

Catalunha, Espanha: Reivindicação de ataques contra a autoridade, o capital e pela propagação da revolta

A cidade das bombas voltará a arder

Reivindicação de ataques contra a autoridade, o capital e pela propagação da revolta

– Dia 28 de Novembro: Às 15h no município de Montcada i Reixac atacou-se a CCTV destruíndo com martelos e com cordas grossas várias câmaras de (in)segurança.

– Dia 6 de Dezembro: Às 7h30 da manhã um grupo de companheiros/as cortou a rua Tessàlia no precário bairro de La mina, seguidamente atacou-se uma sucursal bancária próxima em solidariedade com o companheiro Alexis Grigoropoulos “Gregory”.

– Dia 12 de Dezembro: Cortou-se a rua Mercé Rodoreda às 8 h, depois atirou-se tinta e  golpearam-se com pedras as vidraças de diversas lojas de cadeias de moda. Horas mais tarde, cerca das 21h30 depois do final da marcha em memória do companheiro Roger atacaram-se diversas sucursais bancárias em Vila de gràcia.

– Dia 19 de Dezembro: Foram atacados duas caixas multibanco da Caixa Catalunya na rua Mare de Déu de Lorda com dois cocktails Molotov às 2h30 da madrugada.

– Dia 20 de Dezembro: às 23h, aproximadamente, colocou-se uma simples bomba de ruído nas proximidades da esquadra da polícia do bairro de Glòries. Horas mais tarde e cerca da 1h32  atacaram-se diversas oficinas de seguros com martelos e varas de madeira.

Se desde pequenos/as nos oprime o capital, desde pequenos/as lutaremos contra o capital! Por uma insurreição autónoma e selvagem! Continuar a lerCatalunha, Espanha: Reivindicação de ataques contra a autoridade, o capital e pela propagação da revolta

Incontrolável: Contribuições para um Nihilismo Consciente

Athena: Faço unicamente aquilo que me é pedido. Peçam-me para que a cidade funcione em harmonia e unirei os escravos e engordarei os senhores. É desta forma que a harmonia se forja do caos. Todos aqueles que emigram e vivem fora da justa Athena aceitam este acordo, seja a sua ignorância sobre este acordo, sincera o falseada. Residir na minha cidade requere submissão. Tal como o boi que carrega água submete-se ao seu jugo, assim deve o cidadão da cidade submeter-se às leis da mesma. Mas caso se cansem desta situação, caso o vinho provoque doença e as uvas apodreçam na vinha, eu alegremente destruirei aquilo que me pediram para criar. Mas tenho ainda de ouvir qualquer de vós mortais, rebeldes ou reis, pedirem-me que leve a cabo esta tarefa final: deixar que o Caos reine sobre os campos de Athena. Falta-vos a coragem para ver arder tudo o que vos proporciona conforto e abrigo. Até os mais fortes de entre vós temem o poderoso Caos e o que ele fará, o qual deixarei que actue livremente. Mas lembrai-vos disto jovem alma: Faço unicamente aquilo que me é pedido. Pede-me que te construa uma cidade e farei com que funcione. Pede-me que acabe com a miséria da cidade, e só terei uma opção: destruí-la, totalmente.
—Euripides, ATHENA POLIAS (Athena da Cidade), das Peças Perdidas

Em dezembro de 2008, um grande número de jovens atenienses descobriu algo terrível. Muitos deles tinha entre 13 e 19 anos quando o jovem de 15 anos Alexis, foi alvejado no peito e morreu. Estes jovens que sabiam pouca coisa sobre assembleias anarquistas ou sobre os métodos aceitáveis de luta, rapidamente gravitaram na direcção das pessoas que eles viam queimar bancos, praticar pilhagens de lojas, rebentar bocados de mármore dos passeios das ruas, e atirar fogo contra a polícia. Durante aqueles dias ninguém tentou parar a sua raiva( a qual descobriram que tinham em excesso) excepto a polícia. Durante aqueles dias, eles sabiam quem era o inimigo: aqueles que os tentavam parar. Era evidente que a sua capacidade para destruir dependia da presença de outras pessoas, criando assim neles próprios um forte sentimento de colectividade e poder de grupo. Este poder foi utilizado contra tudo aquilo que os mantinha “em linha”, e este poder cresceu enquanto durou a insurreição. Quando esta acabou, quando regressou a normalidade, estes jovens mantiveram-se alerta e conscientes do seu poder. Agora esperam pela possibilidade de usá-lo novamente. Continuar a lerIncontrolável: Contribuições para um Nihilismo Consciente