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Berlim, Alemanha: Intersquat Block em dias de caos e discussão, 10.5-13.5.2018

Convidamos-vos a participar num Bloco InterOkupa nos dias de Caos e Discussão, em Maio, em Berlim. Queremos-vos oferecer o espaço para partilharmos as tácticas e técnicas, conversas e informação em dias de Caos e Discussão na Rigaerstrasse.

Não esperamos que este seja um substituto das reuniões Intersquat do passado, a não ser que queiram que seja. Consideramos que esta é uma boa oportunidade para relacionar as discussões gerais sobre o sentido e o futuro das lutas urbanas com questões que surgem ao considerar a ocupação como mais do que uma ferramenta para satisfazer necessidades básicas de habitação.
Desejamos uma discussão sobre a importância da ocupação para outras lutas libertadoras, as casas como ferramentas políticas, questões sobre o trabalho nos (e com) os bairros, entre outros aspectos.

Despejos, Repressão, Vigilância, Prisões, os vermes que usam e sustentam as estruturas opressivas estão por todo o lado. Juntemos-nos para nos apoiarmos mutuamente e disparar a bola não só para o campo deles, mas atravessando o seu coração.

Quem tiver interesse, individual ou colectivamente, em organizar oficinas, coisas para discutir, informação sobre eventos, ou qualquer outra ideia para o Intersquat Block ou para o fim-de-semana inteiro, escreva-nos para: rigaerstrasse [at] riseup [dot] net (PGP-Key-ID0x3971B260E4B15B69).

Podem encontrar mais informação sobre o fim-de-semana em:
gegenstadt.blackblogs.org.
Algumas informações são actualizadas primeiro em alemão e a seguir  traduzidas.

Para tratar de sítio para dormir, podes escrever para:
sleepingchaos [at] riseup [dot] net (PGP-Key-ID 0xA9DE538A73306A20)

Assembleia da Rigaerstraße

Sintam-se à vontade para enviar esta mensagem para grupos, pessoas e okupas que conheçam! E enviem-nos a vossa PGP-Key, se tiverem uma.

em inglês, francês, espanhol,

Berlim: Solidariedade com presxs anarquistas na Rússia – “Somos todxs terroristas”

A partir da rua Rigaer enviamos sinais de solidariedade e raiva a anarquistas presxs na Rússia, respondendo à chamada pelos Dias de Solidariedade Internacional com Prisioneirxs Políticxs Anarquistas na Federação Russa, feita a partir daquele território.

Nos últimos tempos soubemos das prisões de antifascistas e anarquistas na Rússia. Já antes, nos meses de Outubro e Novembro de 2017, na cidade de Penza, seis pessoas tinham sido presas e brutalmente torturadas pelo serviço secreto federal FSB. Já em 2018, em Janeiro, na cidade de São Petersburgo, seguiu-se uma segunda onda de prisões, primeiro com duas pessoas que foram sequestradas pelo  FSB num dia e a serem somente registadas oficialmente em prisão preventiva no dia seguinte. A ofensiva dos serviços secretos, liderada pelo regime de Putin, foi acompanhada por invasões policiais em casas particulares, em diferentes cidades do país. Para ter motivo para a repressão, o FSB engendrou a existência de um grupo terrorista anarquista, chamado “Net”- supostamente a planear uma série de ataques nas eleições presidenciais de Março de 2018 bem como na Copa do Mundo, em Junho / Julho de 2018 na Rússia, levando à insurreição armada – supostamente também a existir em diversas cidades da Rússia e Bielorrússia. Não há provas da existência real do grupo. As únicas evidências utilizadas são as declarações dxs presxs, que o FSB extorquiu dxs prisioneirxs usando tortura e sob ameaça de novos atos de tortura. Em Penza, o grupo foi forjado a partir das declarações da primeira pessoa detida.  A ligação entre xs “membros” do grupo está a ser “constituída” a partir dos jogos Airsoft jogadxs em conjunto. Com excepção da primeira pessoa, que foi libertada no começo do ano e posta em prisão domiciliária, todxs xs outrxs encontram-se ainda em prisão preventiva.

As experiências de intimidação e de violência física, a que xs prisioneirxs em prisão preventiva foram submetidxs, revelam a crueldade do aparelho estatal. Enquanto a democracia na Alemanha ainda está a tentar velar a brutalidade do poder estatal, as novidades da Rússia revelam que os cães de guarda do sistema – o miserável lixo do executivo – só são capazes de manter a autoridade através da ameaça e implementação da violência física.

A repressão pretende desencorajar-nos, derrotar os movimentos e estender-nos ao comprido individualmente ou até o sistema nos destruir. É tudo menos fácil não se sentir impotente, incapaz de se opor à sua massividade. Mas, se ouvimos as mensagens de raiva e de luta anarquista vindas exatamente desses lugares, as suas linhas e imagens encorajam-nos. Mostram-nos que em todos os lugares, onde haja um coração humano a bater ao ritmo da rebelião, momentos de resistência ocorrerão provavelmente. Não importando quão feroz a repressão possa ser, haverá sempre gente que não se renderá, que lutará pelas suas ideias. A ressonância da solidariedade é a nossa arma.

Dxs prisioneirxs do G20 em Hamburgo aos/às prisioneirxs em Penza ou de São Petersburgo até Berlim – quanto mais forte for a sua repressão, mais furiosa e apaixonada a nossa resistência.

Info sobre a situação atual: avtonom.org  e  abc-belarus

em inglês via Rigaer 94 l alemão

Berlim: Rigaer94. Apelo à resistência.

O estado policial faz uso de todas as armas ao seu alcance: segunda-feira, 18 de dezembro, foram publicados cerca de 100 rostos de pessoas que participaram nos eventos de Hamburgo. A campanha do estado finalmente abandonou a máscara dos procedimentos penais e lançou a engrenagem de degradação que deve dobrar toda a resistência. Façamos com que estes incidentes – este ataque generalizado sobre os últimos elementos sociais e resistentes que ainda persistem- não passem em silêncio. Queimar na fogueira esta sociedade de informantes e assassinos – e o fascismo – é um dever que continua por cumprir.

É evidente, para qualquer ser humano razoável, que o episódio de Hamburgo era absolutamente necessário. As mentiras e falsos debates – tanto das autoridades de repressão, do sistema pactuante como dos media de extrema-direita – não conseguiram reescrever a resistência bem sucedida contra o G20. Num dos regimes democráticos mais auto-confiantes do mundo inteiro – com um aparelho diferenciado de poder e a imagem de invencibilidade – dez mil pessoas atreveram a surpreendê-lo, assumindo grandes riscos e em particular sérias consequências para as suas próprias vidas. Uma miscelânia de ações ofensivas, de protesto e de resistência transformou a cimeira dos poderes dominantes num desastre. Um desastre para a marca de Hamburgo, Alemanha e para os mais poderosos dentre deles, cuja reunião mais importante agora tem um futuro imprevisível.

E a cimeira também foi desastrosa para a polícia. Esta instituição que tanto no Império Germânico como na Alemanha fascista e na democracia, nunca foi apenas o poder executivo mas acima de tudo o poder que legitima esta nação de assassinos e perdedores. Todos sabemos quão profundamente enraizada é a ideologia do estado policial na nossa sociedade. Uma sociedade que lançou uma Rosa Luxemburg já morta no canal de Landwehr, que perseguiu Anne Frank escondida na parte de trás de uma livraria e a enviou, juntamente com milhões de outrxs “subhumanxs” para os campos da morte; Esta sociedade que eventualmente declara as forças armadas germano-nacionais  (1) como “resistência” é fascista. O aparelho de segurança do BRD – formado pelos mesmos açougueiros que davam caça sem piedade a partisanxs e antifascistas para a nação alemã  – é fascista. Sociedade essa, no sentido mais amplo do termo, que se juntou aos poderes executivos na caçada aos comunistas, trazendo o mecanismo contra os grupos de guerrilha que, felizmente, dispararam contra o fascista alemão que encarnou Hans-Martin Schleyer a uma perfeição nunca antes vista, apenas alguns anos depois da “libertação”.

Os rostos da resistência eram estampados em cada esquina, nos folhetos de procurados – em cada cruzamento alguém poderia ser controlado por uma polícia fortemente armada – a reintrodução da pena de morte foi levada em consideração e é posta em prática graças ao trabalho da polícia. O discurso da sociedade – dirigido pelo pessoal da imprensa. políticos e polícia – estabeleceu as bases para inúmeros tiroteios fatais, tortura branca e leis especiais contra ampla parte da sociedade.  O estado policial – ainda a dar os primeiros passos no momento do assassinato de Benno Ohnesorg e sob a constante ameaça de uma revolta – desenvolveu-se ao longo dos anos até se tornar um estado dentro do estado. Com o fim da guerra urbana e dos novos movimentos sociais, estamos diante de uma sociedade incapaz de manter uma oposição real a este sistema. Nem mesmo quando as pessoas são cruelmente torturadas e assassinadas nos bunkers das estações de polícia – como Oury Jalloh em Dessau, queimado vivo por um esbirro fascista.

O único factor que parece ter atrasado o aperfeiçoamento do estado policial totalitário é a cautela com que os líderes estratégicos procederam – para não levantar muitas preocupações aos/às ativistas para os direitos civis. E agora temos cada vez menos meios e suporte – numa sociedade civil que decidiu que o estado não pode estar errado; aquela em que a imprensa diz o que está certo e em que a resistência é absurda.

O tempo dos protestos em ambiente seguro acabou, definitivamente. A este respeito pode até dizer-se que a sociedade alemã voltou a um ponto em que já não se encontrava há mais de 80 anos. Estas são as principais inovações e os desafios para a resistência:

– A simples participação numa manifestação pode significar uma condenação a longo prazo.
– A polícia pode definir a área em que vigora a sua lei.
– A polícia pode classificar qualquer pessoa como potencial ofensor (“Gefährder”) (2), para encarcerar as pessoas, sem decisões judiciais, vigiando-as completamente.

As medidas havia já sido tomadas – antes do G20 – contra a gente da resistência. A que foi classificada pela polícia como potencial criminoso/a, pelo que havia recebido a proibição de ir a Hamburgo. Foram enviadas obrigações signatárias à delegacia de polícia, impostas com ameaças de multas e prisões. Além disso, o reconhecimento visível foi realizado para fins de intimidação e foi posta em prática uma vigilância sob disfarce (secreta) de toda a zona. Não é preciso explicação pós-cimeira de que, durante a mesma, toda a cidade de Hamburgo foi posta sob controlo pela aplicação da lei, situação que levou tropas policiais fortemente armadas a um “ajustamento” dos direitos civis e à violência das massas.
As actividades policiais – antes e durante a cimeira – não mostraram uma nova qualidade. Todo o evento importante do passado foi acompanhado por ataques do aparelho de segurança em convenções societárias. Mas a massa de ataques e a implicação da forma com que foram exercidos contra o que se passou no passado, tornou evidente por si própria que as formas de protesto em Hamburgo foram notáveis.

O que começou após a cimeira é um salto quântico. Há aquelxs que afirmam que os tumultos foram iniciados pelo estado para esmagar as estruturas do sistema, numa campanha final. Essa linha de pensamento é uma estupidez, sabemos muito bem que, politicamente, todos queríamos o naufrágio do estado em Hamburgo. Para pôr fim às teorias da conspiração de uma vez por todas, assumimos a responsabilidade política por tudo o que aconteceu em Hamburgo: de protestos civis até a última pedra jogada para a polícia. Como parte das estruturas rebeldes organizamos uma manifestação em solidariedade com todxs aquelxs que tiveram que enfrentar a repressão imediatamente após a cimeira e da mesma forma no futuro não esqueceremos a responsabilidade para incentivar a revolta. Vê-se uma conspiração estatal, por trás de qualquer coisa, para neutralizar a resistência com todas as suas prerrogativas e que não tem legitimidade para falar em seu nome.

Agora, torna-se claro que o estado está a lutar para poder definir a seu belo prazer este evento, da mesma forma com que procura dominar em tudo. Nas nossas vidas e nas nossas estruturas sociais, natureza e técnica. Nesta batalha da ideia capitalista e nacionalista o estado sempre usará métodos fascistas. São sempre esses os seus métodos utilizados mais e mais vezes para denunciar a resistência como criminosa, não política e associal (3). Desta forma, o estado alemão pode contar com a sua polícia, a sua imprensa e seu povo como seus representantes. Difícil é dizer quem é que é mais repugnante entre essas criaturas. O chefe do grupo especial da pesquisa “Black Block” que daria caça x todx aquelx que lhe fosse apresentadx à frente das suas mandíbulas? O Brechmittel-Scholz (4),que representa a vulgar burguesia de Hamburgo com a sua limusine de luxo? Ou os jornalistas que se tornaram o poder executivo da propaganda policial. Ou quem colabora, entregando os seus filmes feitos com smartphones, milhares de pessoas nas mãos da repressão porque são dos covardes que temem assumir o controle da própria vida e gostariam de marchar atrás de cada Hitler.

Alguns/mas de nós ainda estavam a rir sobre a última onda de ataques, a que tinha sido lançada antes. Ou sobre o fato de Fabio, um rapaz simpático, se estar a tornar um problema para a estratégia da repressão. No entanto, a estratégia policial não deve ser subestimada. Uma parte importante da estratégia envolve uma propaganda de longo prazo para recuperar o poder da definição sobre os eventos de Hamburgo. Quem poderia acreditar que vários meses depois, o G20 ainda estaria na agenda diária graças a frequentes conferências de imprensa organizadas pela polícia? E quem poderia acreditar que a propaganda profissional com recursos quase infinitos falharia sem o nosso contributo?

É por isso que – neste ponto de uma grande caçada humana – renovamos a nossa confissão de luta contra o estado, organizações fascistas como a polícia, serviços secretos e organizações de direita, bem como contra colaboradores e informantes no seio da população e na imprensa. Fabio e todxs aquelxs que, mesmo em um tribunal, mantêm a cabeça alta são nossos modelos para desafiar o medo e enviar saudações de liberdade e solidariedade para aqueles que enfrentam a repressão e o mundo do G20.

Por ocasião desta caçada e por causa dos apelos para a denúncia de 100 pessoas, decidimos publicar fotos de 54 polícias que participaram no ano passado no despejo
da Rigaer94. Gostaríamos de receber algumas pistas dos seus endereços pessoais. Eles podem ser responsabilizados de despejo e violência das três semanas de ocupação.

E agora é importante pôr fim à nossa atitude de estar à espera e fortalecer a mobilização e a solidariedade das estruturas ativas. A manifestação após a onda de invasões policiais foi um ponto de partida (5). Mas para a perseguição seguinte, temos que ser mais numerosxs. Se não temos outro caminho, devemos pelo menos ir às ruas para assumir a responsabilidade pelxs nossxs amigxs perseguidxs pelo estado.

Todxs nas ruas! Determinadxs e furiosxs combatamos a ordem dominante e resistamos de face erguida contra a repressão!

(1) Stauffenberg era um general de alto escalão que tentou assassinar Hitler. Era parte da aristocracia, que basicamente criticava Hitler como mau estratega.

(2) “Gefährder” é um termo criado pela polícia alemã e amplamente utilizado nos debates públicos para estigmatizar e criminalizar a população muçulmana. É provável que o seu uso contra militantes da esquerda e anarquistas venha a ser adotado cada vez mais frequentemente.
(3) Originariamente “associal”, um meio termo entre anti-social e não civilizado.
(4) Brechmittel-Scholz: presidente da câmara de Hamburgo, famoso por ter autorizado o uso de um veneno (Brechmittel) pela polícia para provocar o vómito no preso para verificar se havia ingerido a droga.
(5)A 5 de dezembro, a polícia invadiu as casas de várias pessoas identificadas como participantes num bloqueio – que havia sido atacado pela polícia, em Rondenbargstrasse, enquanto tentavam bloquear a cimeira. Como reação, houve manifestações nas principais cidades alemãs.

em italiano

[Berlim] Chamam-lhe “Zona de Perigo” mas é só um bairro ingovernável

Saudações de Berlim para Atenas

Daqui, da Rigaer Strabe (Rua Rigaer), tanto a nível individual como em grupos, saudamos a iniciativa de se iniciar uma discussão sobre uma insurreição, preenchendo-a com experiências do passado, teorias atuais e possibilidades práticas. Foi assim que entendemos a chamada para o festival da insurreição em Atenas (insurrectionfestival.noblogs.org).

Descobrimos, no seu programa, vários aspectos em que nós, na zona norte de Friedrichshain, estamos envolvidos também. Não há movimento anarquista, anti-autoritário ou radical de esquerda em Berlim, há apenas uma cena.
O embotamento da maioria de uma sociedade fascista torna complicado ir em frente.  A fim de se destruir integralmente as estruturas de poder precisamos procurar o confronto, nas nossas comunidades locais. É necessária uma concentração de pessoas, ideias e estruturas a cooperar contra o estado, a fim de se proteger da agressão exterior e poder realmente se desenvolver.

Ao longo dos últimos anos, e tanto devido à intensidade de nossas ações como à repressão da bófia, foi na rua Rigaer que se iniciou esse processo. As nossas ações não se têm concentrado simplesmente na violência material, estão a tentar destruir as normas e valores sociais; nesse sentido, mudando o significado de propriedade, segurança e medo, bem como o de trabalho e a competição, por exemplo.

Em Berlim, é proibido organizar um mercado de pulgas ( feira da ladra) onde tudo pode ser dado sem ser de graça, é proibido tocar música em espaços públicos ou apenas concentrar-se na rua com muitas pessoas. Pode ser permitido se alguém solicitar uma permissão à polícia. Fizemos tudo isso sem ter uma permissão e, toda a vez que o fazíamos, a polícia aparecia e atacava-nos. Como resposta, muitas pedras foram jogadas à bófia e aos seus carros.

Talvez a ocupação policial em Exarchia seja mais violenta, mas em Friedrichshain estão mais perto – a força de ocupação está à espera na frente da sua porta.

Paralela à repressão, outra forma de contra-rebelião preventiva em Berlim é a integração. As administrações estão sempre a apresentar mesas redondas, usando vários políticos e “bons” polícias. A ideia é levar lá os habitantes de Friedrichshainer Nordkiez, junto com os representantes dos escritórios da administração, de modo a ser criada uma imagem na qual os políticos escutem as preocupações do público e todas as partes envolvidas encontrem uma solução. Deste modo, não há mais necessidade de resistência real, e a “paz social” pode ser restaurado. Devemos combater tanto a integração como a repressão.

A população, na nossa parte da cidade, está a ser substituída lentamente, devido à gentrificação. O aumento das rendas, se não se tiver o dinheiro, leva a não se poder pagar mais o aluguer e acabar por se mudar. É por isso que vários carros de luxo, assim como os novos investidores, estão a ser atacados nos nossos bairros.

Perguntas controversas dentro dos nossos círculos são, por exemplo, a do relacionamento com os vizinhos. Algumas pessoas são simpáticas connosco e odeiam os polícias. Mas, como interagimos com aqueles que não querem ter qualquer posição neste conflito ou com quem apenas quer manter-se a viver a sua vida capitalista sem quaisquer distúrbios?

Somos apenas alguns/mas nesta cidade, muito poucxs. Quando o estado nos ataca, como no ano passado – quando a bófia invadiu o Rigaer 94 duas vezes e ocupou uma vez a casa, durante mais de três semanas; ao destruir grandes partes dela, tornou-se possível mobilizar muitas pessoas de fora dos nossos círculos. Durante semanas, no verão de 2016, carros foram queimados em toda a cidade e, durante uma manifestação maior, muitas pessoas atacaram a polícia.

Mas uma insurreição não pode ser planeada, surge das tensões sociais onde as tendências radicais estão integradas, numa maior resistência social. Outra questão diversa seria se deveríamos procurar pessoas nesta individualizada e alienada sociedade ou se seria melhor colocar apenas uma utopia lá fora, que falasse por si mesma?

No dia 16 de Junho deste ano, um espectáculo de hip hop nas ruas transformou-se numa utopia. Como esperado, a bófia atacou logo a seguir e isso levou a tumultos – o que só valeria uma pequena nota em Atenas, mas que se tornou a história principal em Berlim. Os media  e políticos compararam a rua Rigaer com a guerra na Síria. Devemos escalar a situação ainda mais, apesar de sermos poucas pessoas?

O movimento autónomo foi alimentado nos anos 80pela difícil situação habitacional
e as muitas Okupas que existiam por toda a cidade. As experiências desde então mostram-nos que, logo que demos um passo atrás, o inimigo move-se logo um passo à frente, atrás de nós. Nos casos em que os okupantes negociaram com o estado perderam sempre. Nos casos em que não negociámos, também podemos ter perdido mas, lutando contra a ofensiva, ganhámos novos elementos para as nossas estruturas.

Através de uma escalada realista, estamos a tentar tornar impossível de controlar uma parte da cidade, um processo que deveria ser ampliado de forma cronologica e espacial. Talvez a bófia ataque os nossos espaços em Friedrichshain novamente, num futuro próximo. Então, pedir-te-emos ajuda, para atacar a autoridade, não importa onde tu estejas. Tal como em Berlim, em Atenas e noutros lugares estão a tentar reagir às operações organizadas pelo estado contra a resistência.

Companheiros/as e amigos/as da Okupa Rigaer 94 e da resistência em Friedrichshain

Notas:

A polícia usa o rótulo Dangerzone para um tipo de lei marcial que lhes permite deter e procurar pessoas sem razão, destroçar casas, sem autorização de busca, ou confiscar tudo.

em inglês

[Politécnica de Atenas, 10 de Dezembro] Discussão com companheirxs de Berlim

plakat10-12Da luta na Rigaer Strasse (Berlim) às mobilizações contra o G20 (Hamburgo)

Este verão, Berlim foi o centro de um confronto entre a polícia e o que resta do que antes era um movimento de okupação. Por trás disto encontra-se a tentativa de despejo das zonas okupadas do projeto habitacional Rigaer94. Rigaer94 está localizado na parte norte de Friedrichshain com uma longa história de luta contra a influência do Estado. As três semanas de cerco ao 94 tornaram-se quase de seguida num ponto de cristalização para um contra-ataque conjunto de anarquistas, culminando numa chamada para um Julho Negro, expressando este as ideias da luta anarquista polimorfa em ação. Fortalecida pela batalha que levou a uma pequena vitória, defendendo com sucesso o Rigaer94 contra a expulsão, a ofensiva continua na próxima mobilização contra a cimeira do G20 em Hamburgo, em Julho de 2017. Já existem chamadas internacionais para ações descentralizadas afim de ser criada uma dinâmica que convide para Hamburgo todos os combatentes rebeldes em condições e dispostos a atacar.

Companheirxs de Berlim irão falar sobre a luta contra a gentrificação em Berlim, o o papel do Rigaer94 e ainda sobre os projectos de anarquistas em ação.

Sábado 10 de Dezembro, às 19:00, edifício Gini
Escola Politécnica de Atenas (entrada da rua Stournari), Exarchia

Companheirxs do Espaço Polimórfico de Ação de Anarquistas Zaimi 11
Okupa Themistokleous 58
& Contra Info rede de contra-informação e tradução

em inglês, italiano

Atenas: Carros incendiados no bairro de Kolonaki – por um Julho Negro

carburninApós toda a zona de Nordkiez ter estado meses sob declaração de “zona de perigo”- com controlos permanentes e presença policial constante – a 22 de Junho de 2016 os bastardos da polícia alemã voltaram a assaltar a Okupa Rigaer94, embora tal facto não tenha contido a conflitualidade nessa zona de Berlim.

Como anarquistas não podemos manter-nos de braços cruzados perante a investida do Poder contra as estruturas ou individualidades com as quais compartilhamos desejos comuns de revolta e destruição do existente, isto seja em Berlim, Atenas ou noutro sítio qualquer.

Todavia, é nossa opinião que o estalido da violência anárquica não se deve limitar a uma reação defensiva aos ataques do Poder (despejos, detenções, etc.). Temos de ser nós a passar à ofensiva, por todos os meios disponíveis, sem esperar por ataques para se reagir. Temos motivos de sobra para sermos sempre nós a atacar em primeiro lugar.

Embora em Nordkiez a conflitualidade seja uma constante o mesmo não se pode dizer de muitos outros casos em que a existência de okupas e outras estruturas do “movimento” tem servido como desculpa para se manter o estabelecido e se adiar o ataque. O melhor que pode acontecer a esses lugares é o seu “auto-desalojo”, se isso implicar a ruptura com a normalidade e a libertação do conflito dentro da cidade.

Na noite de 5 de Julho, como gesto de cumplicidade com Rigaer94 e no âmbito da chamada por um Julho Negro, fomos dar um passeio por Kolonaki [zona burguesa do centro de Atenas] e iniciamos um incêndio de carros de forma indiscriminada, esperando que o fogo, incontrolado, se estendesse ao maior número de veículos e porque há sempre um motivo para satisfazer os nossos apetites de destruição.

Para nós a queima indiscriminada de carros é uma das muitas formas de ataque direto à civilização e à sociedade de escravxs servis – onde a função das máquinas é de suma importância para a cadeia de produção e consumo, principalmente no transporte ao trabalho ou a lugares de consumo e “ócio” alienante, simbolizando o status social, o poder aquisitivo e o êxito pessoal na mentalidade das massas de cidadãos e cidadãs consumidorxs.

PELA DISSEMINAÇÃO DAS HOSTILIDADES CONTRA O PODER!
SOLIDARIEDADE SIGNIFICA ATAQUE!

Condutas caóticas em constante revolta – FAI / FLT

 em espanhol

Berlim: Polícia ataca Rigaer94 e Kadterschmiede

Um ano após o desalojo da casa-projeto Liebig14, a polícia atacou no sábado à noite passado nosso projeto Rigaer94 e o bar okupado Kadterschmiede.

Em 28 de janeiro houve uma manifestação contra o “Congresso da polícia” e a “Conferência de operações urbanas”. À noite houve uma festa de solidariedade em relação à mani em Kadterschmiede, bar localizado no porão de Rigaer94. Mesmo antes de começar a festa, nos arredores se percebia uma grande presença policial. Logo começam os usuais conflitos nas portas da casa com a polícia. Como de costume, tentaram ter acesso ao nosso pátio para causar problemas. No início, foram contidos no exterior, enquanto algumas pessoas mantiveram as portas principais bloqueadas. Mas desta vez decidiram buscar métodos mais eficazes para entrar, como pulando os muros da casa ao lado ou através do porão que se conecta a outra casa. Ao chegar às entradas do bar e da casa, arrebentaram as duas portas, mas não puderam passar porque ali estavam reforçadas com barricadas que os impediu novamente. Enquanto isso, seguiam atacando através das janelas com gás lacrimogêneo e de pimenta, assim como esvaziando alguns extintores nas escadas em frente ao bar.

Algumas pessoas chegaram perto de sufocar, de modo que várias janelas tiveram de ser quebradas para se poder respirar. Continuar a lerBerlim: Polícia ataca Rigaer94 e Kadterschmiede