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Berlim, Alemanha: Intersquat Block em dias de caos e discussão, 10.5-13.5.2018

Convidamos-vos a participar num Bloco InterOkupa nos dias de Caos e Discussão, em Maio, em Berlim. Queremos-vos oferecer o espaço para partilharmos as tácticas e técnicas, conversas e informação em dias de Caos e Discussão na Rigaerstrasse.

Não esperamos que este seja um substituto das reuniões Intersquat do passado, a não ser que queiram que seja. Consideramos que esta é uma boa oportunidade para relacionar as discussões gerais sobre o sentido e o futuro das lutas urbanas com questões que surgem ao considerar a ocupação como mais do que uma ferramenta para satisfazer necessidades básicas de habitação.
Desejamos uma discussão sobre a importância da ocupação para outras lutas libertadoras, as casas como ferramentas políticas, questões sobre o trabalho nos (e com) os bairros, entre outros aspectos.

Despejos, Repressão, Vigilância, Prisões, os vermes que usam e sustentam as estruturas opressivas estão por todo o lado. Juntemos-nos para nos apoiarmos mutuamente e disparar a bola não só para o campo deles, mas atravessando o seu coração.

Quem tiver interesse, individual ou colectivamente, em organizar oficinas, coisas para discutir, informação sobre eventos, ou qualquer outra ideia para o Intersquat Block ou para o fim-de-semana inteiro, escreva-nos para: rigaerstrasse [at] riseup [dot] net (PGP-Key-ID0x3971B260E4B15B69).

Podem encontrar mais informação sobre o fim-de-semana em:
gegenstadt.blackblogs.org.
Algumas informações são actualizadas primeiro em alemão e a seguir  traduzidas.

Para tratar de sítio para dormir, podes escrever para:
sleepingchaos [at] riseup [dot] net (PGP-Key-ID 0xA9DE538A73306A20)

Assembleia da Rigaerstraße

Sintam-se à vontade para enviar esta mensagem para grupos, pessoas e okupas que conheçam! E enviem-nos a vossa PGP-Key, se tiverem uma.

em inglês, francês, espanhol,

Berlim: Solidariedade com presxs anarquistas na Rússia – “Somos todxs terroristas”

A partir da rua Rigaer enviamos sinais de solidariedade e raiva a anarquistas presxs na Rússia, respondendo à chamada pelos Dias de Solidariedade Internacional com Prisioneirxs Políticxs Anarquistas na Federação Russa, feita a partir daquele território.

Nos últimos tempos soubemos das prisões de antifascistas e anarquistas na Rússia. Já antes, nos meses de Outubro e Novembro de 2017, na cidade de Penza, seis pessoas tinham sido presas e brutalmente torturadas pelo serviço secreto federal FSB. Já em 2018, em Janeiro, na cidade de São Petersburgo, seguiu-se uma segunda onda de prisões, primeiro com duas pessoas que foram sequestradas pelo  FSB num dia e a serem somente registadas oficialmente em prisão preventiva no dia seguinte. A ofensiva dos serviços secretos, liderada pelo regime de Putin, foi acompanhada por invasões policiais em casas particulares, em diferentes cidades do país. Para ter motivo para a repressão, o FSB engendrou a existência de um grupo terrorista anarquista, chamado “Net”- supostamente a planear uma série de ataques nas eleições presidenciais de Março de 2018 bem como na Copa do Mundo, em Junho / Julho de 2018 na Rússia, levando à insurreição armada – supostamente também a existir em diversas cidades da Rússia e Bielorrússia. Não há provas da existência real do grupo. As únicas evidências utilizadas são as declarações dxs presxs, que o FSB extorquiu dxs prisioneirxs usando tortura e sob ameaça de novos atos de tortura. Em Penza, o grupo foi forjado a partir das declarações da primeira pessoa detida.  A ligação entre xs “membros” do grupo está a ser “constituída” a partir dos jogos Airsoft jogadxs em conjunto. Com excepção da primeira pessoa, que foi libertada no começo do ano e posta em prisão domiciliária, todxs xs outrxs encontram-se ainda em prisão preventiva.

As experiências de intimidação e de violência física, a que xs prisioneirxs em prisão preventiva foram submetidxs, revelam a crueldade do aparelho estatal. Enquanto a democracia na Alemanha ainda está a tentar velar a brutalidade do poder estatal, as novidades da Rússia revelam que os cães de guarda do sistema – o miserável lixo do executivo – só são capazes de manter a autoridade através da ameaça e implementação da violência física.

A repressão pretende desencorajar-nos, derrotar os movimentos e estender-nos ao comprido individualmente ou até o sistema nos destruir. É tudo menos fácil não se sentir impotente, incapaz de se opor à sua massividade. Mas, se ouvimos as mensagens de raiva e de luta anarquista vindas exatamente desses lugares, as suas linhas e imagens encorajam-nos. Mostram-nos que em todos os lugares, onde haja um coração humano a bater ao ritmo da rebelião, momentos de resistência ocorrerão provavelmente. Não importando quão feroz a repressão possa ser, haverá sempre gente que não se renderá, que lutará pelas suas ideias. A ressonância da solidariedade é a nossa arma.

Dxs prisioneirxs do G20 em Hamburgo aos/às prisioneirxs em Penza ou de São Petersburgo até Berlim – quanto mais forte for a sua repressão, mais furiosa e apaixonada a nossa resistência.

Info sobre a situação atual: avtonom.org  e  abc-belarus

em inglês via Rigaer 94 l alemão

Berlim: Liberdade para Lisa, liberdade para todxs!

A 21.12.17 utilizámos à chamada do Dia Internacional de Solidariedade com a nossa companheira sequestrada em Colónia para visitar a Frauenknast em Neukölln  e usar a parede oposta para uma mensagem:

“Liberdade para todxs”
“Solidariedade com o assalto bancário”

Lutaremos até que todxs sejamos livres!
Nunca esqueceremos aquelxs que a repressão arranca das nossas vidas!
Rage, Love & Anarchy
[Raiva, Amor § Anarquia]

alemão

Berlim: Rigaer94. Apelo à resistência.

O estado policial faz uso de todas as armas ao seu alcance: segunda-feira, 18 de dezembro, foram publicados cerca de 100 rostos de pessoas que participaram nos eventos de Hamburgo. A campanha do estado finalmente abandonou a máscara dos procedimentos penais e lançou a engrenagem de degradação que deve dobrar toda a resistência. Façamos com que estes incidentes – este ataque generalizado sobre os últimos elementos sociais e resistentes que ainda persistem- não passem em silêncio. Queimar na fogueira esta sociedade de informantes e assassinos – e o fascismo – é um dever que continua por cumprir.

É evidente, para qualquer ser humano razoável, que o episódio de Hamburgo era absolutamente necessário. As mentiras e falsos debates – tanto das autoridades de repressão, do sistema pactuante como dos media de extrema-direita – não conseguiram reescrever a resistência bem sucedida contra o G20. Num dos regimes democráticos mais auto-confiantes do mundo inteiro – com um aparelho diferenciado de poder e a imagem de invencibilidade – dez mil pessoas atreveram a surpreendê-lo, assumindo grandes riscos e em particular sérias consequências para as suas próprias vidas. Uma miscelânia de ações ofensivas, de protesto e de resistência transformou a cimeira dos poderes dominantes num desastre. Um desastre para a marca de Hamburgo, Alemanha e para os mais poderosos dentre deles, cuja reunião mais importante agora tem um futuro imprevisível.

E a cimeira também foi desastrosa para a polícia. Esta instituição que tanto no Império Germânico como na Alemanha fascista e na democracia, nunca foi apenas o poder executivo mas acima de tudo o poder que legitima esta nação de assassinos e perdedores. Todos sabemos quão profundamente enraizada é a ideologia do estado policial na nossa sociedade. Uma sociedade que lançou uma Rosa Luxemburg já morta no canal de Landwehr, que perseguiu Anne Frank escondida na parte de trás de uma livraria e a enviou, juntamente com milhões de outrxs “subhumanxs” para os campos da morte; Esta sociedade que eventualmente declara as forças armadas germano-nacionais  (1) como “resistência” é fascista. O aparelho de segurança do BRD – formado pelos mesmos açougueiros que davam caça sem piedade a partisanxs e antifascistas para a nação alemã  – é fascista. Sociedade essa, no sentido mais amplo do termo, que se juntou aos poderes executivos na caçada aos comunistas, trazendo o mecanismo contra os grupos de guerrilha que, felizmente, dispararam contra o fascista alemão que encarnou Hans-Martin Schleyer a uma perfeição nunca antes vista, apenas alguns anos depois da “libertação”.

Os rostos da resistência eram estampados em cada esquina, nos folhetos de procurados – em cada cruzamento alguém poderia ser controlado por uma polícia fortemente armada – a reintrodução da pena de morte foi levada em consideração e é posta em prática graças ao trabalho da polícia. O discurso da sociedade – dirigido pelo pessoal da imprensa. políticos e polícia – estabeleceu as bases para inúmeros tiroteios fatais, tortura branca e leis especiais contra ampla parte da sociedade.  O estado policial – ainda a dar os primeiros passos no momento do assassinato de Benno Ohnesorg e sob a constante ameaça de uma revolta – desenvolveu-se ao longo dos anos até se tornar um estado dentro do estado. Com o fim da guerra urbana e dos novos movimentos sociais, estamos diante de uma sociedade incapaz de manter uma oposição real a este sistema. Nem mesmo quando as pessoas são cruelmente torturadas e assassinadas nos bunkers das estações de polícia – como Oury Jalloh em Dessau, queimado vivo por um esbirro fascista.

O único factor que parece ter atrasado o aperfeiçoamento do estado policial totalitário é a cautela com que os líderes estratégicos procederam – para não levantar muitas preocupações aos/às ativistas para os direitos civis. E agora temos cada vez menos meios e suporte – numa sociedade civil que decidiu que o estado não pode estar errado; aquela em que a imprensa diz o que está certo e em que a resistência é absurda.

O tempo dos protestos em ambiente seguro acabou, definitivamente. A este respeito pode até dizer-se que a sociedade alemã voltou a um ponto em que já não se encontrava há mais de 80 anos. Estas são as principais inovações e os desafios para a resistência:

– A simples participação numa manifestação pode significar uma condenação a longo prazo.
– A polícia pode definir a área em que vigora a sua lei.
– A polícia pode classificar qualquer pessoa como potencial ofensor (“Gefährder”) (2), para encarcerar as pessoas, sem decisões judiciais, vigiando-as completamente.

As medidas havia já sido tomadas – antes do G20 – contra a gente da resistência. A que foi classificada pela polícia como potencial criminoso/a, pelo que havia recebido a proibição de ir a Hamburgo. Foram enviadas obrigações signatárias à delegacia de polícia, impostas com ameaças de multas e prisões. Além disso, o reconhecimento visível foi realizado para fins de intimidação e foi posta em prática uma vigilância sob disfarce (secreta) de toda a zona. Não é preciso explicação pós-cimeira de que, durante a mesma, toda a cidade de Hamburgo foi posta sob controlo pela aplicação da lei, situação que levou tropas policiais fortemente armadas a um “ajustamento” dos direitos civis e à violência das massas.
As actividades policiais – antes e durante a cimeira – não mostraram uma nova qualidade. Todo o evento importante do passado foi acompanhado por ataques do aparelho de segurança em convenções societárias. Mas a massa de ataques e a implicação da forma com que foram exercidos contra o que se passou no passado, tornou evidente por si própria que as formas de protesto em Hamburgo foram notáveis.

O que começou após a cimeira é um salto quântico. Há aquelxs que afirmam que os tumultos foram iniciados pelo estado para esmagar as estruturas do sistema, numa campanha final. Essa linha de pensamento é uma estupidez, sabemos muito bem que, politicamente, todos queríamos o naufrágio do estado em Hamburgo. Para pôr fim às teorias da conspiração de uma vez por todas, assumimos a responsabilidade política por tudo o que aconteceu em Hamburgo: de protestos civis até a última pedra jogada para a polícia. Como parte das estruturas rebeldes organizamos uma manifestação em solidariedade com todxs aquelxs que tiveram que enfrentar a repressão imediatamente após a cimeira e da mesma forma no futuro não esqueceremos a responsabilidade para incentivar a revolta. Vê-se uma conspiração estatal, por trás de qualquer coisa, para neutralizar a resistência com todas as suas prerrogativas e que não tem legitimidade para falar em seu nome.

Agora, torna-se claro que o estado está a lutar para poder definir a seu belo prazer este evento, da mesma forma com que procura dominar em tudo. Nas nossas vidas e nas nossas estruturas sociais, natureza e técnica. Nesta batalha da ideia capitalista e nacionalista o estado sempre usará métodos fascistas. São sempre esses os seus métodos utilizados mais e mais vezes para denunciar a resistência como criminosa, não política e associal (3). Desta forma, o estado alemão pode contar com a sua polícia, a sua imprensa e seu povo como seus representantes. Difícil é dizer quem é que é mais repugnante entre essas criaturas. O chefe do grupo especial da pesquisa “Black Block” que daria caça x todx aquelx que lhe fosse apresentadx à frente das suas mandíbulas? O Brechmittel-Scholz (4),que representa a vulgar burguesia de Hamburgo com a sua limusine de luxo? Ou os jornalistas que se tornaram o poder executivo da propaganda policial. Ou quem colabora, entregando os seus filmes feitos com smartphones, milhares de pessoas nas mãos da repressão porque são dos covardes que temem assumir o controle da própria vida e gostariam de marchar atrás de cada Hitler.

Alguns/mas de nós ainda estavam a rir sobre a última onda de ataques, a que tinha sido lançada antes. Ou sobre o fato de Fabio, um rapaz simpático, se estar a tornar um problema para a estratégia da repressão. No entanto, a estratégia policial não deve ser subestimada. Uma parte importante da estratégia envolve uma propaganda de longo prazo para recuperar o poder da definição sobre os eventos de Hamburgo. Quem poderia acreditar que vários meses depois, o G20 ainda estaria na agenda diária graças a frequentes conferências de imprensa organizadas pela polícia? E quem poderia acreditar que a propaganda profissional com recursos quase infinitos falharia sem o nosso contributo?

É por isso que – neste ponto de uma grande caçada humana – renovamos a nossa confissão de luta contra o estado, organizações fascistas como a polícia, serviços secretos e organizações de direita, bem como contra colaboradores e informantes no seio da população e na imprensa. Fabio e todxs aquelxs que, mesmo em um tribunal, mantêm a cabeça alta são nossos modelos para desafiar o medo e enviar saudações de liberdade e solidariedade para aqueles que enfrentam a repressão e o mundo do G20.

Por ocasião desta caçada e por causa dos apelos para a denúncia de 100 pessoas, decidimos publicar fotos de 54 polícias que participaram no ano passado no despejo
da Rigaer94. Gostaríamos de receber algumas pistas dos seus endereços pessoais. Eles podem ser responsabilizados de despejo e violência das três semanas de ocupação.

E agora é importante pôr fim à nossa atitude de estar à espera e fortalecer a mobilização e a solidariedade das estruturas ativas. A manifestação após a onda de invasões policiais foi um ponto de partida (5). Mas para a perseguição seguinte, temos que ser mais numerosxs. Se não temos outro caminho, devemos pelo menos ir às ruas para assumir a responsabilidade pelxs nossxs amigxs perseguidxs pelo estado.

Todxs nas ruas! Determinadxs e furiosxs combatamos a ordem dominante e resistamos de face erguida contra a repressão!

(1) Stauffenberg era um general de alto escalão que tentou assassinar Hitler. Era parte da aristocracia, que basicamente criticava Hitler como mau estratega.

(2) “Gefährder” é um termo criado pela polícia alemã e amplamente utilizado nos debates públicos para estigmatizar e criminalizar a população muçulmana. É provável que o seu uso contra militantes da esquerda e anarquistas venha a ser adotado cada vez mais frequentemente.
(3) Originariamente “associal”, um meio termo entre anti-social e não civilizado.
(4) Brechmittel-Scholz: presidente da câmara de Hamburgo, famoso por ter autorizado o uso de um veneno (Brechmittel) pela polícia para provocar o vómito no preso para verificar se havia ingerido a droga.
(5)A 5 de dezembro, a polícia invadiu as casas de várias pessoas identificadas como participantes num bloqueio – que havia sido atacado pela polícia, em Rondenbargstrasse, enquanto tentavam bloquear a cimeira. Como reação, houve manifestações nas principais cidades alemãs.

em italiano

[Berlim] Chamam-lhe “Zona de Perigo” mas é só um bairro ingovernável

Saudações de Berlim para Atenas

Daqui, da Rigaer Strabe (Rua Rigaer), tanto a nível individual como em grupos, saudamos a iniciativa de se iniciar uma discussão sobre uma insurreição, preenchendo-a com experiências do passado, teorias atuais e possibilidades práticas. Foi assim que entendemos a chamada para o festival da insurreição em Atenas (insurrectionfestival.noblogs.org).

Descobrimos, no seu programa, vários aspectos em que nós, na zona norte de Friedrichshain, estamos envolvidos também. Não há movimento anarquista, anti-autoritário ou radical de esquerda em Berlim, há apenas uma cena.
O embotamento da maioria de uma sociedade fascista torna complicado ir em frente.  A fim de se destruir integralmente as estruturas de poder precisamos procurar o confronto, nas nossas comunidades locais. É necessária uma concentração de pessoas, ideias e estruturas a cooperar contra o estado, a fim de se proteger da agressão exterior e poder realmente se desenvolver.

Ao longo dos últimos anos, e tanto devido à intensidade de nossas ações como à repressão da bófia, foi na rua Rigaer que se iniciou esse processo. As nossas ações não se têm concentrado simplesmente na violência material, estão a tentar destruir as normas e valores sociais; nesse sentido, mudando o significado de propriedade, segurança e medo, bem como o de trabalho e a competição, por exemplo.

Em Berlim, é proibido organizar um mercado de pulgas ( feira da ladra) onde tudo pode ser dado sem ser de graça, é proibido tocar música em espaços públicos ou apenas concentrar-se na rua com muitas pessoas. Pode ser permitido se alguém solicitar uma permissão à polícia. Fizemos tudo isso sem ter uma permissão e, toda a vez que o fazíamos, a polícia aparecia e atacava-nos. Como resposta, muitas pedras foram jogadas à bófia e aos seus carros.

Talvez a ocupação policial em Exarchia seja mais violenta, mas em Friedrichshain estão mais perto – a força de ocupação está à espera na frente da sua porta.

Paralela à repressão, outra forma de contra-rebelião preventiva em Berlim é a integração. As administrações estão sempre a apresentar mesas redondas, usando vários políticos e “bons” polícias. A ideia é levar lá os habitantes de Friedrichshainer Nordkiez, junto com os representantes dos escritórios da administração, de modo a ser criada uma imagem na qual os políticos escutem as preocupações do público e todas as partes envolvidas encontrem uma solução. Deste modo, não há mais necessidade de resistência real, e a “paz social” pode ser restaurado. Devemos combater tanto a integração como a repressão.

A população, na nossa parte da cidade, está a ser substituída lentamente, devido à gentrificação. O aumento das rendas, se não se tiver o dinheiro, leva a não se poder pagar mais o aluguer e acabar por se mudar. É por isso que vários carros de luxo, assim como os novos investidores, estão a ser atacados nos nossos bairros.

Perguntas controversas dentro dos nossos círculos são, por exemplo, a do relacionamento com os vizinhos. Algumas pessoas são simpáticas connosco e odeiam os polícias. Mas, como interagimos com aqueles que não querem ter qualquer posição neste conflito ou com quem apenas quer manter-se a viver a sua vida capitalista sem quaisquer distúrbios?

Somos apenas alguns/mas nesta cidade, muito poucxs. Quando o estado nos ataca, como no ano passado – quando a bófia invadiu o Rigaer 94 duas vezes e ocupou uma vez a casa, durante mais de três semanas; ao destruir grandes partes dela, tornou-se possível mobilizar muitas pessoas de fora dos nossos círculos. Durante semanas, no verão de 2016, carros foram queimados em toda a cidade e, durante uma manifestação maior, muitas pessoas atacaram a polícia.

Mas uma insurreição não pode ser planeada, surge das tensões sociais onde as tendências radicais estão integradas, numa maior resistência social. Outra questão diversa seria se deveríamos procurar pessoas nesta individualizada e alienada sociedade ou se seria melhor colocar apenas uma utopia lá fora, que falasse por si mesma?

No dia 16 de Junho deste ano, um espectáculo de hip hop nas ruas transformou-se numa utopia. Como esperado, a bófia atacou logo a seguir e isso levou a tumultos – o que só valeria uma pequena nota em Atenas, mas que se tornou a história principal em Berlim. Os media  e políticos compararam a rua Rigaer com a guerra na Síria. Devemos escalar a situação ainda mais, apesar de sermos poucas pessoas?

O movimento autónomo foi alimentado nos anos 80pela difícil situação habitacional
e as muitas Okupas que existiam por toda a cidade. As experiências desde então mostram-nos que, logo que demos um passo atrás, o inimigo move-se logo um passo à frente, atrás de nós. Nos casos em que os okupantes negociaram com o estado perderam sempre. Nos casos em que não negociámos, também podemos ter perdido mas, lutando contra a ofensiva, ganhámos novos elementos para as nossas estruturas.

Através de uma escalada realista, estamos a tentar tornar impossível de controlar uma parte da cidade, um processo que deveria ser ampliado de forma cronologica e espacial. Talvez a bófia ataque os nossos espaços em Friedrichshain novamente, num futuro próximo. Então, pedir-te-emos ajuda, para atacar a autoridade, não importa onde tu estejas. Tal como em Berlim, em Atenas e noutros lugares estão a tentar reagir às operações organizadas pelo estado contra a resistência.

Companheiros/as e amigos/as da Okupa Rigaer 94 e da resistência em Friedrichshain

Notas:

A polícia usa o rótulo Dangerzone para um tipo de lei marcial que lhes permite deter e procurar pessoas sem razão, destroçar casas, sem autorização de busca, ou confiscar tudo.

em inglês

Berlim, Alemanha: Caminhão STRABAG queimado em solidariedade com presxs No-G20

Antes do Cimeira e após a Cimeira, solidariedade com xs prisioneirxs – ataque sobre a STRABAG

Obrigado, recebemos os insultos em todos os canais e de todos os lados, eles nos fortalecem e nos lembram do fato de que em Hamburgo agimos da maneira apropriada. Sim, somos Caóticxs e não só queremos pôr as suas noites em chamas mas também a sua vida quotidiana. Os seus arrotos contentes, à mesa do café da manhã  enquanto lê os relatórios da barbárie capitalista diária, nos repugnam.

Obrigado por se distanciar de nós, desse modo alguns traidores ficaram novamente expostos, por exemplo Andreas Beuth [1].

Os nossos inimigos estão a repetir os mesmos rituais de auto – purificação que no 1º de Maio de 1987 em Kreuzberg, nas rebeliões dos Banlieues em 2005 e em Londres, em 2011. Descobrimos outras afinidades, incluindo as pessoas que seguiram as chamadas para Hamburgo. Alguns/mas delxs não chegaram a casa e agora estão à espera de serem julgadxs pelo judiciário de Hamburgo. Estxs prisioneirxs devem ficar a saber – não nos distanciamos de coisa alguma.

Na noite de quarta-feira, 26 de Julho, iluminámos um caminhão STRABAG em Lichtenberg, Berlim. STRABAG é uma empresa apoiada pelo Grupo CG  – não só em Friedrichshain – na conversão de cidades em bairros para a elite e futuros distritos de miséria.

Para nós, este é um pequeno sinal de solidariedade que enviamos a todxs xs lutadorxs que foram presxs e perseguidxs no decurso dos protestos do G20. Podemos atacar quando e onde quer que queiramos, sempre e em toda a parte.

Anarquistas

Nota dxs tradutorxs:

[1] Advogado do centro social “Rote Flora” que, poucas horas depois da Contra-Cimeira do G20 em Hamburgo, condenou a violência dxs rebeldes nas páginas do jornal “Hamburger Abendblatt”.

em inglês via Insurrection News

[Politécnica de Atenas, 10 de Dezembro] Discussão com companheirxs de Berlim

plakat10-12Da luta na Rigaer Strasse (Berlim) às mobilizações contra o G20 (Hamburgo)

Este verão, Berlim foi o centro de um confronto entre a polícia e o que resta do que antes era um movimento de okupação. Por trás disto encontra-se a tentativa de despejo das zonas okupadas do projeto habitacional Rigaer94. Rigaer94 está localizado na parte norte de Friedrichshain com uma longa história de luta contra a influência do Estado. As três semanas de cerco ao 94 tornaram-se quase de seguida num ponto de cristalização para um contra-ataque conjunto de anarquistas, culminando numa chamada para um Julho Negro, expressando este as ideias da luta anarquista polimorfa em ação. Fortalecida pela batalha que levou a uma pequena vitória, defendendo com sucesso o Rigaer94 contra a expulsão, a ofensiva continua na próxima mobilização contra a cimeira do G20 em Hamburgo, em Julho de 2017. Já existem chamadas internacionais para ações descentralizadas afim de ser criada uma dinâmica que convide para Hamburgo todos os combatentes rebeldes em condições e dispostos a atacar.

Companheirxs de Berlim irão falar sobre a luta contra a gentrificação em Berlim, o o papel do Rigaer94 e ainda sobre os projectos de anarquistas em ação.

Sábado 10 de Dezembro, às 19:00, edifício Gini
Escola Politécnica de Atenas (entrada da rua Stournari), Exarchia

Companheirxs do Espaço Polimórfico de Ação de Anarquistas Zaimi 11
Okupa Themistokleous 58
& Contra Info rede de contra-informação e tradução

em inglês, italiano

Heraklion, Ilha de Creta: Solidariedade incendiária com as Okupas

burnurlocalchurchÀs primeiras horas de 1 de Agosto de 2016, foi colocado um dispositivo incendiário na igreja de Aghios Dimitrios na cidade de Heraklion, em Creta. Esta ação foi levada a cabo como resposta mínima às recentes operações da Igreja S.A. – em cooperação com  as forças da polícia e tribunais – na cidade de Tessalónica, onde várias okupas foram desalojadas e uma delas demolida a seguir.  Considere-se esta práxis como uma contribuição para a chamada por um Julho Negro, realizada por companheirxs da Rigaer94 na Alemanha.

Em 22 de Maio de 2009, Mauricio Morales acaba por morrer durante o transporte de uma bomba destinado à Escola de Guardas prisionais, no Chile. Maurício participou na Okupa – Biblioteca Sacco y Vanzetti – pondo em prática o encontro das ações  pública e ilegal. Um okupa e um atacante à bomba que nunca discriminou qualquer meio de ação nem tampouco se armadilhou em ilhotas de pseudo-liberdade. (Conspiração de Células de Fogo / FAI-FRI, Célula de Guerrilha Urbana).

Solidariedade com as okupas                             

Solidariedade com xs companheirxs encarceradxs por toda a terra

Contra tudo e qualquer que amachuque a liberdade                             Este mundo não é para ser derrubado mas sim destruído

PS. A Biblioteca Kaos, em Porto Alegre no Brasil, está ameaçada de despejo na quinta-feira, 4 de Agosto. Xs companheirxs não vão abandonar a okupa, pelo contrário irão defendê-la. Apoiamos-lxs sinceramente e desejamos-lhes força, enviando-lhes um abraço de fraternal camaradagem e cumplicidade.

Atenas: Carros incendiados no bairro de Kolonaki – por um Julho Negro

carburninApós toda a zona de Nordkiez ter estado meses sob declaração de “zona de perigo”- com controlos permanentes e presença policial constante – a 22 de Junho de 2016 os bastardos da polícia alemã voltaram a assaltar a Okupa Rigaer94, embora tal facto não tenha contido a conflitualidade nessa zona de Berlim.

Como anarquistas não podemos manter-nos de braços cruzados perante a investida do Poder contra as estruturas ou individualidades com as quais compartilhamos desejos comuns de revolta e destruição do existente, isto seja em Berlim, Atenas ou noutro sítio qualquer.

Todavia, é nossa opinião que o estalido da violência anárquica não se deve limitar a uma reação defensiva aos ataques do Poder (despejos, detenções, etc.). Temos de ser nós a passar à ofensiva, por todos os meios disponíveis, sem esperar por ataques para se reagir. Temos motivos de sobra para sermos sempre nós a atacar em primeiro lugar.

Embora em Nordkiez a conflitualidade seja uma constante o mesmo não se pode dizer de muitos outros casos em que a existência de okupas e outras estruturas do “movimento” tem servido como desculpa para se manter o estabelecido e se adiar o ataque. O melhor que pode acontecer a esses lugares é o seu “auto-desalojo”, se isso implicar a ruptura com a normalidade e a libertação do conflito dentro da cidade.

Na noite de 5 de Julho, como gesto de cumplicidade com Rigaer94 e no âmbito da chamada por um Julho Negro, fomos dar um passeio por Kolonaki [zona burguesa do centro de Atenas] e iniciamos um incêndio de carros de forma indiscriminada, esperando que o fogo, incontrolado, se estendesse ao maior número de veículos e porque há sempre um motivo para satisfazer os nossos apetites de destruição.

Para nós a queima indiscriminada de carros é uma das muitas formas de ataque direto à civilização e à sociedade de escravxs servis – onde a função das máquinas é de suma importância para a cadeia de produção e consumo, principalmente no transporte ao trabalho ou a lugares de consumo e “ócio” alienante, simbolizando o status social, o poder aquisitivo e o êxito pessoal na mentalidade das massas de cidadãos e cidadãs consumidorxs.

PELA DISSEMINAÇÃO DAS HOSTILIDADES CONTRA O PODER!
SOLIDARIEDADE SIGNIFICA ATAQUE!

Condutas caóticas em constante revolta – FAI / FLT

 em espanhol

Berlim: Conspiração Piromaníaca Informal incendeia um veículo pertencente à ThyssenKrupp

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Dezembro Negro arde na ThyssenKrupp, em Berlim

«Encontramos-nos num processo de atualização qualitativa da “guerra civilizada”, onde a felicidade de uns coexistem com o tormento de outros; . . . Neste contexto, a anarquia adquire uma possibilidade estratégica para se deitar fogo a todas as formas de representação política, para se tornar uma frente de guerra aberta, não ortodoxa contra a dominação, que transformará a diversidade e o pluralismo de pontos de vista no interior da comunidade anarquista numa vantagem e fará com que os oprimidos que decidam romper as cadeias confluam nos centros de luta que se criaram. . . Um mês de ações coordenadas, a fim de nos conhecermos, de sairmos para se quebrar as montras dos grandes negócios, ocupar escolas, universidades e sedes de município, distribuir textos que difundam a mensagem da rebelião, colocando dispositivos incendiários contra os fascistas e a patronal, colocando faixas nas pontes e avenidas principais, inundando as cidades com cartazes e folhetos, de fazer voar as casas dos políticos, jogar molotovs à bófia, pintar palavras de ordem nas paredes, de sabotar a circulação normal das mercadorias no Natal, de saquear as montras da abundância, de realizar atividades públicas e trocar experiências e pontos de vista sobre várias temáticas da luta. . . De nos encontrarmos nos becos da cidade e pintarmos com cinzas os prédios feios de bancos, as esquadras da polícia, as multinacionais, as bases militares, os estúdios de televisão, os tribunais, as igrejas, os grupos de caridade.
O  D e z e m b r o  N e g r o não procura ser só umas datas de motins, pelo contrário, o que queremos é que se crie a vários níveis, através da ação anarquista multiforme, uma plataforma informal de coordenação, na base da qual confluam as investidas subversivas. Uma primeira tentativa de coordenação informal da anarquia para além do quadro padrão, cuja ambição é criar esta experiência de luta para pôr em marcha propostas subversivas e estratégias de luta. . .»

escreveram Nikos Romanos e Panagiotis Argirou, há algumas semanas atrás. a partir das prisões onde estão a ser mantidos.

O balanço patrimonial de 2015 revela uma situação brilhante para as corporações de armamento, uma situação de só ganhar-ganhar foi implantada para a indústria, com a participação da Marinha Federal alemã na EUNAVFOR Med e a entrada na guerra, na Síria. Vão receber ganhos do desgaste dos bens militares, da detioração e consumo numa guerra civil e lucrar simultaneamente com os combates aos refugiados.

Para conter a expansão sem impedimentos a estes (armamentos) as corporações devem constituir um dos componentes estratégico de chamadas tais como o Dezembro Negro; foi por tudo isto que às primeiras horas de 29 de Dezembro destruímos pelo fogo um veículo ThyssenKrupp, no bairro de Friedrichshain, em Berlim.

Esta acção, enquadrada no contexto do Dezembro Negro, é dedicada aos combatentes da palavra – cujos textos podem contribuir para os fogos postos em todo o mundo – aos círculos de solidariedade que estão a lutar pela sobrevivência de prisioneirxs e refugiadxs – com quem vamos em conjunto afugentar com fumo os asseclas da União Europeia – no Mar Mediterrâneo, ao longo das cercas de Calais, nos enclaves espanhóis e nos seus escritórios com ar-condicionado nas metrópoles.

Conspiração Piromaníaca Informal

em inglês e grego

Berlim: Gesto de destruição – 6 de Dezembro

b-akt-der-zerstoerung-6.12Alexis, tu vives – 06/12/08

Começou na Grécia há sete anos, e ainda continua, uma revolta anarquista que teve repercussão internacional. Apesar dos numerosos esforços para torturarem e matarem xs nossxs companheirxs em todo o mundo, não nos deixamos intimidar, não importando quanta repressão semeiem pois sairemos sempre mais fortes dela.

No âmbito do Dezembro Negro incendiamos dois veículos de um concessionário automóvel da empresa Suzuki, na esperança de que as chamas iluminassem o edifício.

A Suzuki tem fornecido regularmente com veículos novos os executores gregos que por sua vez os usam para fins de contra-revolta ou para equipar as unidades policiais motorizadas DELTA, para que os seus lacaios as montem e alinhem contra a população.

Estamos cientes tanto da pura natureza simbólica da nossa acção quanto da dificuldade do alcance da mesma, por parte dos que partilham a mesma opinião, numa metrópole de milhões de pessoas mas esperamos que xs poucxs que tenham notado estes sinais de fumo tentem imitar-nxs e revelem as suas intenções destrutivas, destruindo as peças das unidades operacionais deste sistema.

Há razões suficientes para exibir a qualquer momento a intenção destrutiva e atacar instituições (não)estatais assim como aos seus subordinados e todos aqueles que nos odeiam.

Deveríamos ter usado a longa letargia deste ano para nos reagruparmos, ter
discutido ideias novas e sermos capazes de atacar diretamente.

Por um Dezembro Negro

Liberdade para xs presos das rebeliões de todo o mundo.

em alemão l inglês l italiano l grego traduzido pela Internacional Negra

Berlim: Gesto solidário com Evi Statiri, Mónica Caballero e Francisco Solar

berlinNa faixa pode ler-se: “Em solidariedade com todxs xs presxs anarquistas –  Saudações a Evi, Mónica e Francisco – Viva a anarquia”

A 13 de Outubro colocamos uma faixa na ponte de Oberbaum, em Berlim – mostrando o nosso apoio a Evi Statiri, após a sua saída da prisão sob duras medidas restritivas e também para mandar uma saudação a Mónica e Francisco a cumprir prisão preventiva no Estado espanhol desde 13 de Novembro de 2013.

Esté é apenas um pequeno gesto simbólico a saudar todxs xs rebeldes que sofrem o confinamento, todxs aquelxs que do seu confinamento continuam a apostar numa vida de confronto com este sistema democrata e podre.

Encontrar-nos-emos nas ruas, a luta continua.

Morte ao Estado, pela Anarquia!

Alguns e algumas anarquistas em Berlim

Alemanha: Ataque com tintas contra um centro de trabalho em Berlim

desempleadosVão à merda com a vossa austeridade!

Na noite de 15 para 16 de Setembro, o centro de trabalho (Jobcenter), no bairro de Mitte, foi atacado com garrafas cheias de tinta.

Trata-se de uma reação imediata ao facto da instituição da Jobcenter se negar continuamente a dar o benefício social Hartz IV a imigrantes europeus/eias. Ontem o Tribunal Europeu decidiu que esta merda será oficialmente “aceite” de agora em diante.

Esta decisão acumula-se às contínuas tentativas de separação dxs desempregadxs em alemães e não alemães, preguiçosxs e trabalhadorxs, potenciais beneficiárixs e puníveis.

Já basta o terror diário nos serviços de emprego. Organizemo-nos!

NEM FRONTEIRAS NEM NAÇÕES

Fomos nós, xs desempregadxs

fonte: linksunten via chronic | em grego, espanhol

A propósito dos carros incendiados nas últimas semanas em Berlim…

siemens wisag

Para Mónica Caballero, Nikos Romanos, Francisco Solar, Nikos Maziotis e todxs xs prisioneirxs revoltadxs, para aquelxs que incendeiam os veículos da empresa construtora de prisões Vinci nas ruas de Paris, comemorando o feriado do 14 de Julho à sua maneira, para os irredutíveis que nas ruas de Atenas mais uma vez lançaram μολότοφ [cocktails molotov] e pedras, não se deixando decepcionar com o Syriza… e para nós mesmxs.

Foi por isso que ateamos fogo a um veículo da Deutsche Telekom, empresa de vigilância no distrito de Wedding, em Berlim, a 11 de Junho de 2015; que queimamos uma carrinha da empresa de armas Siemens na península de Stralau, a 13 de Julho de 2015, e reduzimos a cinzas um veículo da empresa de segurança WISAG, na Paul-Junius-Straßele, a 17 de Julho de 2015.

A fortaleza Europa não entrará em colapso enquanto a tempestade que lança a fúria
até aos seus limites exteriores não se conectar com as subversões internas e locais,
e que estas lutas serão os corolários umas das outras.

alemão l grego l inglês l francês

Alemanha: Atacadas sucursais bancárias em Berlim

Transformemos a nossa crise na crise deles.

Nas noites de 14 de Maio e de 16 de Junho atacamos dois bancos na zona de Friedrichshain-Kreuzberg. Partimos os vidros de uma sucursal da Caixa Económica (Sparkasse) na Rua Boxhagener e outra da mesma entidade na Rua Heinrich-Heine. A nossa motivação foi a oposição à aceitação silenciosa da rotina capitalista. Somos pessoas que, como a maioria da gente, lutamos dia a dia, algumas vezes até para a nossa “sobrevivência”. Trata-se de algo que não queremos aceitar. Através das nossas ações deveríamos tornar visível, por pouco que fosse, a “interrupção” da monotonia silenciosa do capitalismo.

Esperamos que isto se reproduza. Pela anarquia, a luta continua.

Solidariedade com todxs aquelxs que lutam contra a repressão e a exploração… no Estado espanhol, na Grécia e em toda a parte.

Berlim: Ataque em memória de Lambros Foundas e em solidariedade com xs grevistas da fome na Grécia

Deixaram de ser humanos desde que optaram por seguir esta asquerosa profissão.

Vocês andam a matar por todo o globo para se manter a vossa ordem de merda. Super-equipados e armados até aos dentes andam a caçar imigrantes em lanchas insufláveis para xs enviar ao fundo do mar mediterrâneo, dando-lhes as boas vindas ao estilo da União Europeia. Se isto não fosse suficiente, ainda estão a desmembrar xs refugiadxs, repartindo-os nos contentores do lixo por toda a Atenas. As vossas características inerentemente fascistas tornam-se dia a dia mais visíveis. O facto de serem vistos em público junto a cabrões fascistas preocupa-os tão pouco quanto o assassinato de uma pessoa sem abrigo indefesa frente às câmaras. Nas eleições gregas mais de metade da bófia, no distrito de Attica, votou no partido nazi do Amanhecer Dourado, algo que não é surpreendente, tal como as inter-relações de todos os aparelhos repressivos da República Federal Alemã com os seus colegas da organização Clandestinidade Nacional Socialista (NSU).

O argumento de que se trata de casos isolados de ovelhas negras entre a maioria não nos convence. Por detrás disto encontra-se um sistema inteiro: a dominação das autoridades que farão tudo para manter o seu Poder e consequentemente nunca serão travadas.

Estamos fartxs de ler diariamente este tipo de notícias, onde se aplaude a bófia como heróis de uma sociedade que sofre de morte cerebral. Não participaremos nestas celebrações. Deixem-nos dizer-lhes uma coisa: Vamos a vós até que nos aprisionem ou até que nos matem.

Assumimos a responsabilidade pelo incêndio do veículo policial na estação ferroviária de Lichtenberg (10 de Março). Escolhemos esta data como gesto mínimo contra o esquecimento e em memória de Lambros Foundas, que caíu pelas balas da bófia a 10 de Março de 2010 em Atenas.

Solidarizamos-nos com as greves de fome nas prisões gregas, ainda que acreditemos que seja problemático pedir demandas ao Estado, visto isso lhes poder dar a ilusão do reconhecimento como parceiro de negociação.

Ps.: As nossas saudações aquelxs que queimaram um veículo da bófia em Exarchia a 6 de Fevereiro de 2015 e a todxs xs que quebraram o consenso das manifestações pacíficas de 26 de Fevereiro em Atenas lançando coktails molotov.

Abolição de todas as prisões!

Coragem e força para todxs xs grevistas de fome nas prisões gregas!

Pela Anarquia!

Berlim: Veículos de companhia de segurança calcinados

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berlin2Para um inferno de fogo sobre a terra

Os núcleos autónomos voltam a atacar. Esta noite levámos a cabo uma sabotagem em Berlim, em cumplicidade com todxs xs lutadorxs da nossa conspiração mundial. Incendiámos 2 veículos da empresa de segurança ‘Sicherheit Nord’, tornando-os completamente inúteis para os cães de guarda do sistema. Através deste ataque prometemos a nossa atenção e apoio aos/às perseguidxs e encarceradxs às mãos dos porcos.

Força a Tamara Sol Farías Vergara, Mónica Andrea Caballero e Francisco Javier Solar Domínguez.

Força aos presos da Luta Revolucionária (Epanastatikos Agonas) que estão encerrados na prisão de segurança máxima.

Os cães que nos perseguem poderão acabar a serem perseguidos por nós a qualquer momento. Além disso apreciámos a tentativa de fuga da prisão da Conspiração de Células de Fogo assim como o assassinato do carrasco chefe das prisões de tipo C de Domokos [1].

Encorajamos todxs aquelxs que forem capazes disso a realizem ataques contra o sistema carcerário numa base diária.

E quanto aos prisioneiros trabalhadores que cavam ainda mais a sua própria sepultura preparando donuts para a propaganda dos Jogos Olímpicos de 2024 [2], pensamos que seria melhor se envenenassem com arsénico alguns fans do desporto do Senado de Berlim.

… Por uma sociedade sem coerção e prisões! Pela Anarquia!

Liberdade para todxs xs prisioneirxs!

Notas de Tradução:
[1] Referência a Makis Galimanis, alto comandante das prisões de segurança máxima de Domokos, executado à porta de casa no sábado, 21/2/2015.
[2] Recentemente, na sequência da candidatura de Berlim para os Jogos Olímpicos de 2024, o senador da Justiça de Berlim Thomas Heilmann tentou dar de presente pastéis típicos de Berlim (Pfannkuchen) decorados com os anéis olímpicos que tinham sido preparados por internos na prisão de Tegel.

No final do vídeo pode ser lida a seguinte mensagem: “Vemo-nos a 18 de Março em Frankfurt – transformemos a inauguração da nova sede do Banco Central Europeu num autêntico desastre.”

inglês | gregoespanhol

Berlim: Indústria prisional alvo de ataque por Destroika

destroika_berlin_wisagNa noite entre 28 e 29 de Janeiro de 2015, o alvo para Destroika foi em Berlim, tendo dois veículos da indústria prisional sido transformados em sucata. Através destas alfinetadas iremos limitar a flexibilidade desse tipo de empresas. Uma carrinha da Wisag em Linchtenberg e outra da Sodexo em Moabit foram as atacadas.

A companhia WISAG fornece, além do explorativo sector de limpeza, pessoal para a segurança dos serviços de transporte – tal como a empresa de transporte de BVG em Berlim – sendo responsável por encher as prisões de Berlim de pessoal que anda à borla nos transportes, através de revisores identificados ou não.

A companhia Sodexo, actualmente gere cinco prisões no Reino Unido – sob sua única responsabilidade desde a privatização do sistema de justiça britânico. Além disso a Sodexo está na lista negra na Bélgica pelo seu envolvimento em prisões de deportação, além de proporcionar serviços de gestão de instalações em campos de deportação para refugiadxs na Alemanha. A companhia é propriedade do grupo Zehnacker, que é apresentado como se segue: “Como parceiro das forças armadas, acompanhamos-las nas suas áreas operacionais no país e no exterior. A nossa missão é tomar conta de ambas as tropas e do seu comando para uma melhor qualidade de vida. Sob a supervisão do Ministério da Justiça, Sodexo planeia e oferece soluções que contribuem para suavizar operações nas instituições correccionais. Em todas as nossas actividades, respeitamos os nossos valores e princípios éticos. O nosso trabalho neste domínio é mais uma prova do nosso forte compromisso com a sociedade.”

Liberdade para xs prisioneirxs da Operação Pandora e todxs xs outrxs!

Na altura do 18 de Março de 2015 todxs a Frankfurt – para reduzir o Banco Central Europeu a escombros e cinzas!

Grupo Autónomo “Muslim H.”

(H., muçulmano, procedente do Kosovo, tinha 28 anos quando foi morto por 8 agentes da justiça na prisão de Landshut em Maio de 2014, por vingança à sua resistência bem sucedida contra a sua deportação para a Hungria)

N.T: A 30 de Janeiro, xs restantes 7 prisioneirxs da Operação Pandora foram libertadxs, encontrando-se em liberdade vigiada, sob fiança.

Berlim: Balanço da manifestação solidária com xs anarquistas em Espanha

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O terrorismo, isso é o que nos está a condenar a uma vida de miséria, não lhe resistam!
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O Estado é o único terrorista! Solidariedade com xs anarquistas presxs em Espanha.

B9QqvJaIcAAhatRA 7 de Fevereiro de 2015, cerca de 250 pessoas manifestaram-se em Berlim, em solidariedade com xs anarquistas detidxs em Dezembro de 2014, em Barcelona e noutros locais, e sequestradxs pelo Estado durante a operação “Pandora” até há poucos dias.

Em Espanha, para lá desta situação, também as leis especiais como a Ley Mordaza e a das acusações de terrorismo – similar à lei antiterrorista 129 na República Federal da Alemanha – constituem oportunidades para os órgãos de repressão estatal criminalizarem a resistência contra a pauperização prescrita.

A manifestação ruidosa deambulou de Kreuzberg até à sede da LKA (polícia de investigações criminais) de Berlim, em Tempelhof.

francês

Berlim: Projeto Fénix #11

Projeto Fénix: Sinais de fumo a partir de Berlim

O fogo entra nas tuas cidades, nas tuas noites. Do nosso espírito, nele contido, esculpimos o seu caminho. Irá aquecer xs nossxs amigxs com solidariedade e incendiar o seu gosto pela ação. Transformará o nosso inimigo em cinzas. Imprime-nos bem na tua memória. Queremos o teu coração. Não importa quem és nem tampouco quem eu seja. Talvez a Conspiração vá transformar em cinzas tanto de nós e, ao mesmo tempo, encher-nos-à de vida. O que conta é o caminho em que estamos e que tomámos este caminho porque temos a liberdade de escolher. Esta liberdade evolui na mente, não é algo porque lutar. O que surge depois não é liberdade, mas o poder sobre a própria vida. O que fazemos não é falar disso; isso é o que pelo qual lutamos”. (CCF) [1]

Reivindicação de responsabilidade por alguns fogos postos em Berlim

A 8 de Abril de 2014 incendiámos um veículo da autoridade reguladora municipal e o carro de uma empresa de segurança, perto da principal estação ferroviária de Berlim.

As autoridades reguladoras municipais de Berlim receberam da bófia a tarefa de andar atrás das infracções administrativas e manter os olhos e os ouvidos bem abertos no dia a dia da cidade. Limitados, bisbilhoteiros,  equipados com rádio transmissor e spray de pimenta. Eles trabalham, assim como a bófia, em conjunto com as empresas de segurança privada. Na principal estação ferroviária, compartilham um estacionamento para funcionários com uma empresa de segurança, ao lado de uma esquadra de polícia.

Também assumimos a responsabilidade pelo incêndio dum veículo da embaixada pertencente a uma diplomata grega, em Berlim, a 24 de Abril no distrito de Dahlem, cheio de moradias.

Os representantes diplomáticos de um Estado são exatamente o endereço certo para correspondências ardentes. Desta forma belisca-se o seu sentimento de superioridade e invulnerabilidade, tal aconteceu recentemente com o embaixador alemão em Atenas, em que foram disparados tiros na sua casa. O Estado é em si o problema, algo que muitos lutadores em lutas seccionais não levam em consideração. Nazis são Estado; armamento e tecnologia nuclear são Estado; alterações climáticas e pobreza também são Estado.

Através da nossa acção negamos o monopólio do Estado sobre a violência.

A Alemanha assume uma posição que promove a repressão no que diz respeito à aplicação das políticas de imigração na Grécia. Não é suficiente para a política alemã que a maioria dxs refugiadxs que chegam à Grécia acabem em campos de concentração e que sejam caçados e mortos pelos nazis, com ou sem uniforme.

Os políticos alemães consideram uma ameaça ao seu rico mundo dos brancos xs poucxs queridxs que conseguem atravessar a fronteira grega vivxs. Assim, por exemplo, o ex-ministro do Interior alemão, Friedrich, exige controlos de fronteira mais fortes e medidas mais duras contra aquelxs que, por causa da exploração dos locais onde vivem pelas sociedades ocidentais, são forçadxs a fugir da guerra, da fome e da repressão. O apoio prático desse assassinato em massa  que ocorre nas fronteiras europeias  é visível a todxs quando detetives do Gabinete Federal de Polícia Investigativa Criminal da Alemanha (BKA) estão colocados em aeroportos gregos, a fim de passar o seu conhecimento da Discriminação Racial aos seus colegas gregos. O aparelho governamental alemão tem apoiado os assassinatos nas fronteiras europeias não apenas através do envio de pessoal como também através da pressão para acordos a nível europeu, como o Regulamento de Dublim II.

A 10 de Agosto de 2013, um motim eclodiu em Amygdaleza, um campo de concentração, localizado a 25 km ao norte de Atenas, onde os imigrantes são mantidos em cativeiro pelo Estado grego. Os prisioneiros deitaram fogo aos seus colchões e celas para protestar contra as condições do campo; os guardas foram atacados e muitos imigrantes tentaram sair da prisão – cerca de dez prisioneiros escaparam temporariamente.

Solidariedade aos e às prisioneirxs

Saudamos os prisioneiros Andreas-Dimitris Bourzoukos, Dimitris Politis, Yannis Michailidis, Nikos Romanos, que foram presos no dia 1 de Fevereiro de 2013, acusados de duplo assalto em Velventós, Kozani.

A nossa solidariedade vai também para Fivos Harisis, Argyris Ntalios, Yannis Naxakis e Grigoris Sarafoudis, que foram detidos pelo mesmo caso [2] em Nea Filadelfeia, Atenas.

Força e coragem para os nossos irmãos e irmã, Damiano Bolano, Haris Hadjimihelakis, Giorgos Polydoros, Panagiotis Argyrou, Theofilos Mavropoulos, Christos Tsakalos, Giorgos Nikolopoulos, Michalis Nikolopoulos e Olga Ekonomidou. [3]

Solidariedade a
Tasos Theofilou
Theofilos Mavropoulos
Mónica Caballero
Francisco Solar

Liberdade para todxs xs prisioneirxs!

Em memória de Sebastián Oversluij, que caiu na batalha contra o sistema capitalista. Liberdade para Hermes González e Alfonso Alvial. Liberdade para Tamara Sol!

Força, vigor e coragem para todas as pessoas que estão a lutar. Para todos os imigrantes que partem para romper a Fortaleza Europa. Para todxs aquelxs que têm caído. Todxs xs sem nome. Todxs aquelxs que lutam contra os porcos nas ruas de Atenas.

Contra a construção de fronteiras e nações. Contra prisões! Pela liberdade! Pela anarquia!

Células Autónomas “Christos Kassimis”

Christos Kassimis [membro de Luta Popular Revolucionária (ELA)] foi morto pela bófia emuma Atenas, durante uma tentativa de ataque à empresa AEG alemã no dia 20 de Outubro de 1977. A ação foi uma resposta ao assassinato de prisioneiros [três membros do RAF] em Stammheim.
_

Notas dxs tradutorxs: [1] traduzimos as palavras do Alemão da melhor maneira possível, no entanto a origem exata desta citação é desconhecida para nós; [2] para o caso de Velventós, Fivos Harisis e Argyris Ntalios (não para todos os quatro); [3] aparentemente, o nome do Gerasimos Tsakalos foi inadvertidamente omitido.

Berlim: Solidariedade transparente para Nikos Romanos

“Solidariedade com Nikos Romanos, em greve de fome desde 10 de Novembro. Os nossos sonhos tornar-se-ão os seus pesadelos”

6 de Dezembro de 2014

Neste momento são vários os milhares de pessoas nas ruas de toda a Grécia a manifestarem-se em memória de Alexis Grigoropoulos e em solidariedade com Nikos Romanos, apesar da proibição de manifestações.

Alexis foi assassinado a 6 de Dezembro de 2008 por polícias gregos. Ele foi baleado na frente do seu amigo Nikos e morreu nos seus braços. Nikos foi preso, após a “expropriação de uma agência bancária” em 2013 e condenado a 16 anos de prisão.

Ao fim de 27 dias de greve de fome ele luta pela sua vida, está a lutar por um mundo sem poder e exploração. A sua demanda inclui o direito para estudar numa universidade em Atenas. Em 2 de Dezembro, a justiça grega rejeitou essa demanda e em resposta ferozes batalhas de rua ocorreram em solidariedade com o companheiro.

Perante os protestos e ações de solidariedade na Grécia e no mundo, poderíamos apenas sentar-nos calmamente em frente do écran,  à espera que Nikos deteriore a sua saúde, na esperança de que este sistema de porcos cumpra a sua demanda.

Nós não somos, infelizmente, em número suficiente para conquistar as ruas de Berlim. Mas queríamos chamar a atenção para esta situação de merda e enviar a nossa solidariedade e muita força a Nikos e todos os outros anarquistas em greve de fome solidária com a sua luta.

fonte: linksunten

Basileia, Suíça: Carro da polícia federal alemã incendiado em solidariedade com xs refugiadxs

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Na madrugada de terça-feira, 7 de Outubro de 2014, um carro da polícia federal alemã foi incendiado na estação ferroviária de Badischer [operada pela companhia ferroviária alemã Deutsche Bahn] na cidade de Basileia.

O veículo ficou completamente calcinado. Esta acção foi levada a cabo em solidariedade com xs refugiadxs em luta em Berlim e em todo o lado!

Lá, como aqui na Suíça, as pessoas são relegadas a problemas para os quais se tem de encontrar uma solução. As soluções dos políticos, das autoridades e dos seus lacaios, a bófia, equivalem ao confinamento em campos de concentração, repressão, e correntemente à deportação dessas pessoas, ao seu país de origem ou aos chamados países terceiros seguros.

As lutas dos imigrantes que se opõem a esta opressão sistemática de uma forma auto-organizada, inspiram-nos e ao mesmo tempo mostram-nos a necessidade de contribuirmos com as nossas próprias sabotagens contra este dispositivo repressivo.

Esta acção é também uma resposta à operação policial iminente “Mos Maiorum”, em toda a União Europeia, de 13 e 26 de Outubro, em que 18.000 agentes da polícia, em cooperação com a Frontex, irão tentar controlar e deter o maior número de pessoas sem autorização de residência.

Solidariedade ativa com todxs xs imigrantes em luta, em Berlim e em todo o lado!

fonte: ch.indymedia via lechatnoiremeutier

Berlim: Gürtelstraße 39, atualização

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Na noite de domingo, 31 de Agosto, uma grande manif  partiu da rua Warschauer, em Friedrichshain e chegou à junção das ruas Gürtel e Scharnweber, num dos bloqueios da polícia em torno do antigo albergue sitiado, onde xs refugiadxs estão ameaçadxs de despejo e processo de deportação, desde a manhã do dia 26. A participação de pessoas em solidariedade na manif era suficientemente boa, mas muitxs manifestantes deixaram o local logo depois. Antes da chegada da manif, a bófia já havia tentado dispersar a concentração, próximo do albergue em Gürtelstraßealegando que o número de pessoas presentes não era suficiente para ser considerado um protesto legítimo. Noutras palavras, além das manif de solidariedade, o que é necessário é a presença mais constante e em massa de manifestantes nas barreiras.

Entrementes, ainda há refugiadxs no telhado do albergue. Já não há ligação em directo com elxs, pois as baterias dos seus telefones celulares estão descarregadas. Eles ficaram apenas com 6 litros de água desde quarta-feira, 27. No domingo, estava a chover, e xs refugiadxs conseguiram recolher um pouco de água. Enquanto estão famintxs, a bófia espalhou a mentira (também através dos media) de que xs nove refugiadxs estão em greve de fome.

Após a marcha de protesto ter chegado à rua Gürtel, refugiadxs na rua fizeram emocionados discursos. Alguns deles apontaram para o facto de que não tinham escolha senão migrar após o capitalismo e as guerras terem destruído as casas delxs. Houve também uma banda com instrumentos tocando música ao vivo. Em termos de solidariedade da vizinhança, há agora mais faixas penduradas nas varandas envolventes, mostrando apoio e exigindo o direito de ficar para todxs (de vez em quando, a bófia roubar as faixas de solidariedade nos passeios). Para além disso, dois grupos de moradores tentaram passar pelas barreiras policiais para dar alimentos aos refugiados que resistem no telhado do prédio, mas sem sucesso. O primeiro grupo foi bloqueado. Alguns deles tiveram de se identificar e foram escoltados pela bófia aos seus apartamentos, onde obtiveram de volta os seus bilhetes de identidade. Também tiveram que suportar comentários racistas da bófia (por exemplo, foram informados que, visto importarem-se tanto com estes “sujos”, devem levá-los para casa e alimentá-los lá). O outro grupo noticiou que tinha sido capaz de deixar os alimentos na entrada do edifício na Rua Gürtel, que foram levados pela bófia, mas que nunca foram entregues aos refugiados.

Um pacifista amante da bófia (não alguém dos refugiados), apelou pelo menos umas duas vezes à multidão para permanecer não violenta e para não jogar qualquer coisa sobre a bófia porque “eles também são seres humanos e têm filhos e famílias.” Uma parte da multidão expressou a sua desaprovação através de assobios e gritos: alguns manifestantes até deixaram a concentração após este repelente apelo. Verdade seja dita, é praticamente impossível levantar um violento choque contra as forças de repressão no local, principalmente porque não há uma massa crítica de pessoas para apoiar este caso. De fato, alguém que mostre apoio é logo assediadx, ainda há alguma desobediência civil de vizinhos contra o estado policial e as medidas dentro da zona militarizada.

A seguir algumas fotos da junção das ruas Scharnweber e Gürtel

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” terror da bófia, zona de acesso restrito; esta é a política de asilo alemã “; “direito de permanência para todxs!”

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“cada bandeira é uma fronteira … cada fronteira mata [pessoas]”
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“direito de asilo = direito humano”; “estamos aqui, não nos vamos afastar “

Enquanto as autoridades estatais tentam silenciar rigorosamente o protesto dos refugiados, ações diretas em solidariedade com os manifestantes refugiados ocorreram nos últimos dias: por exemplo, “grupos autónomos” realizaram um ataque incendiário no cabo do eixo Berlim S-Bahn entre o Parque Treptower e estações de Ostkreuz no dia 28, causando danos consideráveis e uma suspensão temporária de parte da rede de transportes, e o Centro de registo de estrangeiros de Berlim em Moabit foi simbolicamente atacado no dia 30.

Berlim: Notícias em primeira mão dos protestos dxs refugiadxs em Friedrichshain

No dia 28 de Agosto houve uma manif à noite a partir da estação do metro de Frankfurter Tor com cerca de 500 pessoas. A bófia tentou quebrá-la duas vezes. Espancaram pessoas e uma detenção foi confirmada. A manif estava a desmoronar-se após o grupo arab (grupo comunista anti-imperialista, que também organizou a “manif do 1º de Maio revolucionário”) anunciou que a bófia tentava invadir o telhado do albergue. Pessoas com bicicletas deixaram-na e correram para o cruzamento em Gürtelstraße. Isto causou alarme também no cruzamento, onde estavam os manifestantes, porque ninguém, além do grupo arab, tinha ouvido alguma coisa disso.

Por volta das 21:30, depois da manif chegar ao local de destino, como de costume discursos, palavras de ordem, grupos políticos marginalizados apresentando as suas faixas, etc, houve muita comida de graça, o que reteve as pessoas, mas logo a seguir começaram a ir-se embora novamente e por volta da meia-noite só algumas pessoas lá permaneciam. Um sinal de solidariedade foi expresso por um vizinho que fez uma espécie de espectáculo de laser, enfeixando o slogan “Nenhum ser humano é ilegal” na sua varanda. Mais tarde ele desceu quando viu que xs refugiadxs que tentavam dormir um pouco no cruzamento não tinham cobertores suficientes, atravessou as barreiras, dando-lhes dois dos mais grossos. Então, quando ele quis regressar através das barreiras, a bófia impediu-o e levou-o para mostrar a sua identificação, que ele não tinha. Eles fizeram uma grande confusão até que a sua esposa gritou: “Você podia deixar o meu marido entrar de novo…”, eles deixaram-no passar, mas foi forçado a ir a casa, obter o seu bilhete de identidade, descer novamente e mostrá-lo à bófia. Enquanto isso, xs refugiadxs no telhado começaram a bater continuamente (provavelmente em panelas), fizeram sinais de luz e também gritaram do telhado. Xs manifestantes responderam com palavras de ordem gritadas, apitando, e também com um megafone. Mas logo a seguir a bófia impediu isso.

Por outra parte, apareceram tambem alguns nazis por lá; companheirxs reconheceram pelo menos quatro. Três deles apareceram no meio da estrada na rua Scharnweber, pararam ali e gritaram um slogan nazi, enquanto um passava num carro, mas foram reconhecidxs demasiado tarde. Com certeza, foram muitxs mais xs nazis que não foram reconhecidxs (a concentração está situada directamente na fronteira do distrito Lichtenberg, onde os nazis são tradicionalmente fortes).

Durante 29 e 30 de Agosto, a situação manteve-se relativamente inalterada. As autoridades continuam a fazer passar fome os manifestantes refugiados no telhado do albergue em Gürtelstraße e o apoio de manifestantes ainda é pouco.

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