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Brasil: Faixa em um viaduto de Porto Alegre

Foto recibida junto com o texto e as notas em português e espanhol a 16/11/2018:

Na guerra social nenhum guerreirx está só. Faixa em um viaduto de Porto Alegre em cumplicidade com:
Anahí * Hugo * Nicolas * Kevin * Misha. Ke viva a anarkia.

– Segue em curso a guerra …
– Mas que guerra? Rapaz!
– Ora essa guerra latente e cotidiana, velada e explícita dos estados, suas leis, empresas, seus tribunais e forças repressivas, telejornais, mineradoras, agronegócios, proprietários, seu modo de vida imposto, toda sua rede de dominação.

Sempre houveram, sempre haverão aqueles que não baixam a cabeça e respondem frente a guerra que é imposta com toda energia, amor pela liberdade e inflamado ódio contra quem a toma de nós.

Mikhail Vasilievich Zhlobitsky, Misha, respondeu aos ataques das forças repressivas russas, a FSB (Serviço Federal de Segurança), inimiga por natureza dos anarquistas. Que ataques? Com a celebração da copa do mundo o estado russo botou em marcha uma tormenta repressiva contra anarquistas e antifascistas, prendendo, torturando inúmeros anarquistas de distintas regiões da Rússia. A FSB forjou a existência de uma organização terrorista anarquista fantasma obrigando anarquistas a assumir participação através de espancamentos e simulações de execução. Diante de uma tormenta que não passou com a copa do mundo e sua farra, Misha, foi visitar a sede da FSB em Arkhangelsk, norte da Rússia, no dia 31 de outubro, acompanhado de um artefato explosivo com acionamento imediato. No saguão de entrada se despediu da vida ferindo junto três agentes da FSB.

Kevin Garrido foi assassinado dentro da penitenciária Santiago 1, no dia 2 de novembro. Segundo a Gendarmeria (policia militar chilena) foi esfaqueado por outros presos. Kevin foi um sujeito indômito, hostil a dominação, foi perseguido pela polícia, acusado de responder a guerra imposta com guerra, foi preso, fugiu, foi recapturado, julgado, condenado, e em cativeiro, novamente, é assassinado sob custódia do estado chileno, ainda no seu funeral a policia apareceu para tentar agredir quem lhe dava uma última despedida.

Anahí Esperanza Salcedo não esqueceu que há 119 anos Ramón Falcón, chefe da policia argentina, organizou uma chacina contra um protesto do 1° de maio em 1909 em Buenos Aires, fato pelo qual foi morto por Simón Radowitzky, com 17 anos, jogou uma bomba na carruagem onde o tirano estava. Antes de ontem, 14 de novembro de 2018, perto das 17 horas, Anahí levou um explosivo até a monumental tumba desse tirano, para que a memória do assassino não fique na paz do sistema. Mas, o artefato detonou antes do tempo, e ela está ferida, hospitalizada e detida.

Hugo Alberto Rodriguez estava junto com Anahí na tumba de Falcón, naquela tarde. Com a coragem e o afeto daqueles que arriscam a vida e a liberdade agredindo o que agride, permaneceu com ela depois da detonação, ainda com as previsíveis conseqüências de ser detido.

Marcos Nicolás Viola foi detido, também no 14 de novembro de 2018, já pela noite, após ter jogado uma mochila com um artefato explosivo na casa do Juiz Claudio Bonadio. Esta “autoridade” é a encarregada do processo contra os 33 detidos pelos protestos no Congresso contra as reformas da previdência, em dezembro de 2017. Entre os detidos, estavam Pablo Giusto [1] e Diego Parodi [2], os quais receberam companhia e comida de Marcos Nicolás, quando estiveram seqüestrados. Marcos Nicolás, indignou-se contra aquele que, assinando um papel, engaiola a vida das pessoas que não se calam diante das agressões democráticas e reformistas.

– Segue em curso a guerra …
E existem aqueles que respondem à guerra com guerra!

No território controlado pelo estado argentino, os presidentes e líderes econômicos vão se reunir para tomar decisões sobre o mundo. Há quem diga que os dois ataques explosivos tem relação com o G20, reunião macabra que orientará as linhas da dominação, que ostenta segurança e consumismo, mas que saberá, também,  que pelo menos existem uns loucos que não permaneceram indiferentes à dominação e atacaram.

Que a fera não consiga quebrar a gaiola, que não consiga deter o carro, que morra no combate, ou que não ataque conforme às idéias dos “especialistas”, não pode desvalorizar o instinto fundamental de rosnar – não! e bater contra tudo o que oprime. A apatia frente esta guerra em curso é um caminho quase seguro à submissão. Quando a morte, a tortura, os abusos, não provoquem nada nos corações, saberemos que esses corações estão mortos. Quando os ataques contra a grande máquina da dominação não provoquem pelo menos um sorriso em nossos próximos, saberemos que estão perdendo a cumplicidade da rebeldia. Não manter-se conformado é um sinal saudável de disposição de defender a vida contra a dominação, seus tentáculos, valores, conceitos e imposições… E estamos tão vivos!!!!

É certo que “Na guerra social nenhum guerreirx está só”, nós inimigos de toda autoridade, amantes da liberdade, brotamos de toda terra, não obedecemos as fronteiras criadas pelas guerras dos estados, suas leis, empresas …  estamos tão vivos que não podemos fazer outra coisa que nos dispor a mandar um aceno para todos os que mostram uma genuína hostilidade contra a dominação.

[1] No protesto contra as reformas da previdência, que teve como característica principal a chuva de pedras contra os agentes da ordem, ele foi identificado, detido e acusado de ter jogado pedras contra os policiais, e de ter jogado uma bicicleta e mostrado uma faca quando o identificaram para detê-lo. Foi solto no 28 de março do 2018.

[2] No mesmo protestos, ele foi identificado, detido e acusado de ter jogado uma bomba molotov contra um policial e obstaculizado a sessão do Congresso, ficou seqüestrado até  setembro de 2018.

Finlândia: Acções de solidariedade com anarquistas e antifascistas da Rússia em Fevereiro e Março

recebido a 04.04.18

Concerto de apoio em Helsínquia a 4.03.2018.  Faixa onde se pode ler em finlandês “Liberdade para antifascistas na Rússia”.

A seguir um resumo das recentes acções de apoio a compas reprimidxs na Rússia:

No dia 4 de Fevereiro, a Cruz Negra Anarquista de Helsínquia organizou o “Amazing Vegan Sunday Soli Lunch” [Incrível, Domingo Comida Vegan Solidária] em Lymy. O evento foi um sucesso. Em Tampere, um concerto solidário foi organizado no dia 2 de Março.
Participaram quatro bandas e vendeu-se comida vegan. Varis Tampere, que organizou o evento e ainda a TAL (União Anarquista de Tampere) vendendo t-shirts e livros sobre anti-fascismo. Também em Helsínquia, Varis organizou um concerto solidário no dia 4 de Março com duas bandas de hardcore, um sorteio, hambúrgers de tofú e informação sobre a situação na Rússia. Os fundos recolhidos foram enviados para a Rússia para serem usados nas despesas de defesa e noutras formas de apoio aos/às anti-fascistas e anarquistas reprimidxs em S.Petersburgo, Penza,Tšeljabinsk e noutros locais da Rússia.

Turku 18.3.2018
Turku 18.3.2018

No dia das eleições presidenciais na Rússia, houve manifestações em Turku e Helsínquia contra a tortura praticada pelo FSB e, mais genericamente, contra o regime de Putin. Em Turku, um grupo de anarquistas e antifascistas reuniu-se em frente do consulado russo ostentando uma faixa com o texto “Libertem xs anarquistas na Rússia! Fim à tortura pelo FSB!”. A faixa foi depois estendida sobre a auto-estrada. Em Helsínquia, cerca de 50 pessoas concentraram-se à porta da embaixada russa gritando palavras de ordem e mostrando faixas contra o FSB e Putin, e pela libertação dxs prisioneirxs anti-fascistas. As pessoas, ao ir votar, não puderam evitar reparar na manifestação organizada pelo grupo anarquista local A-ryhmä, pela CNA de Helsínquia e a Varis.

Manifestação na embaixada russa em Helsínquia a 18.3.2018.
FSB é o principal terrorista

Como balanço geral, chamou-se a atenção para a situação na Rússia nos últimos meses e as pessoas foram motivadas a agir em conjunto contra a repressão e pelos nossos objectivos comuns. Continuaremos a apoiar xs companheirxs na Rússia.

fonte:  varisverkosto.com

em inglês l alemão

[Brasil] Jamais poderão nos parar. Do Brasil à Rússia, que viva a anarquia

Vivemos na antiga e bela contradição de arriscar a liberdade lutando por ela…
E jamais poderão nos parar.
Do Brasil a Rússia. Que viva a anarquia.

Sabemos que na imensidão dos mares e continentes, nas montanhas e selvas, guerreiros e guerreiras afrontam, há tempos imemoriáveis, lutas contra quem quer destruir e devastar para escravizar, dominar e vender.
Não fechamos os olhos diante disso, ainda mais, somos parte dessas lutas também, mas hoje, ao calor de certas arremetidas, queremos mandar este salve, este abraço cúmplice para nós, anarquistas.Prenderam-nos na Espanha, França, México, Chile, Grécia, Argentina, Alemanha, Itália, Rússia, em todos os Estados. Perseguiram-nos de um continente ao outro. Mataram-nos no garrote vil, nas cadeiras eléctricas, na guilhotina, atirando contra nós. Nos desapareceram no Rio de La Plata e no Chubut, apareceram-nos de novo para limpar suas mãos. Nos mandaram para todo tipo de presídios, até ilhas das quais não pudéssemos sair.Deram-nos o banho da purificação na Indonésia. Nos condenaram por séculos a permanecer nas gaiolas na Grécia. Nos mataram a porradas de cassetete na Colômbia em um 1º de maio.  Nos lançaram de uma janela no terceiro andar. Estamos com fome nas ruas da Venezuela. Nos chamaram terroristas e condenaram nossas tentativas de fuga. Prenderam-nos na Rússia e torturaram-nos para nos obrigar a dizer que somos parte de uma organização fictícia. Nos bombardeiam na Síria.

Dentro da disposição dos poderosos por nos atacar na guerra que eles têm declarado contra tudo o que é livre, querem nos paralisar, nos enquadrar nas suas regras, querem nos tornar cidadãos ordeiros e trabalhadores disciplinados agradecidos com suas migalhas. Querem que recuemos e nos digamos democratas, que neguemos o que somos e cedamos, aos poucos, nossas ânsias de viver como queremos: sem governar e sem ser governados.

Querem que percamos a disposição de afrontar seus massacres, sua devastação, sua dominação. Querem nos neutralizar de todas as maneiras, pela paralisação, pela prisão ou pela morte. Não economizam esforços por nos tirar fora do jogo. Querem, dito claramente, nos banir.
Mas, este mundo não é deles e nós vivemos na antiga e bela contradição de arriscar a liberdade lutando por ela e jamais poderão nos parar.

Somos inspiração mútua entre nós, somos rios se juntando para fazer a torrente crescer e poder ser correnteza violenta de vida e revelia.
Somos pirotecnia fugaz e imprevisível que no entanto brilha e ascende.
Somos Ilya Romanov inquebrantável guerreiro que resiste as torturas e luta. Somos Mario e Tortuga feridos e interrogados sob medicação nos mostrando o que é coragem.
Somos  Panagiotis Argyrou, Michalis Nikolopoulos, Giorgos Nikolopoulos, Haris Hatzimichelakis, Theofilos Mavropoulos, Damianos Bolano, Christos Tsakalos, Gerasimos Tsakalos, Giorgos Poludoros, Olga Okonomidou, Aggeliki Spyropoulou,  Spyros Mandylas conspirando liberdade em cada minuto e nos inspirando a gritar que nosso dia chegará!
Somos Konstantinos Giagtozglou.
Somos Kevin e Joaquín na espera do julgamento e sem perder oportunidade para bater nos tiranos e escapar da prisão.
Somos Tamara, lembrança de que a vingança é um ato de amor por nossos companheirxs e afins.
Somos as fugitivas de sempre.
Somos Mummia Abu Jamal guerreiro que sobrevive contra toda adversidade. Somos Juan, condenado pela nefasta lei antiterrorista. Somos Lisa, inimiga dos bancos.
Somos Alfredo Cospito, ousado tendo um gesto solidário e combativo, quebrando as vidraças da prisão que tentam o conter.
Somos Nicola Gai e os compas acusados pela Scripta Manent e as recentes operações repressivas em Turim.
Somos Diego e os detidos na  Argentina.
Somos Tato, com o sorriso presente.
Somos Fredy, Marcelo e Juan, inclaudicáveis sem importar os tipos de governantes.
Somos Santiago Maldonado viajando e lutando.
Somos Mauricio Morales e o Pelao Angry pelejando até a vida estalar.

Somos aquelxs que incomodam porque não damos trégua à guerra, porque agimos sem quartéis e sem comandos, porque reavivamos aos embates da destruição. Somos aquelxs que escrevemos nossa história como as sementes que brotam no meio do concreto: sem permissão e contra toda expectativa.

E quando nos perseguem e vemos nossas façanhas, nossos atos, marcar uma diferença no entorno da pretendida pacificação social, vemos que somos uma força real e incontrolável.
Somos aquelxs que quando dão um passo decidido mudam o mundo ao redor.

Vivemos numa guerra que nos foi imposta, e na qual não conseguimos nem podemos ficar indiferentes. Num contexto de guerra particular, onde a militarização nas ruas cresce e até é aplaudida pela sociedade, onde povos não civilizados ainda são exterminados, onde se se é negra, lésbica e saída da favela, ainda que jogando segundo as regras do “sistema dominador” pode ser assassinada sem disfarces nem vergonhas no meio das ruas. Nessa guerra nos lembram que se eles querem, podem matar até aqueles que usam “as armas legais” se eles fossem gritar contra a dominação, como fizeram com Anastasia Baburova nas ruas de Moscou.

Desde um contexto de guerra em que ainda se sentem os estragos dos jogos olímpicos e da copa do mundo, fazemos menção aos compas da Rússia porque nas prévias dos mega-eventos desportivos procuram castigar aqueles que por si só são um incómodo: mendigos, não brancos, não ocidentais, não civilizados, anti-sociais e claro… aquelxs que lutam, como nós, contra a diversão dos poderosos e que sempre pesa sobre as costas de todos os demais.

Se hoje na Rússia na sala de espera dos jogos prendem e torturam com choques eléctricos, ontem militarizaram e despejaram favelas e incontáveis pessoas, encarcerando todo aquele que podia incomodar seu entretenimento no Brasil: copa do mundo e jogos olímpicos. Na Grécia, no 2004, os supra gastos foram a ante-sala para a “crise” econômica e os consequentes protestos. No México em 1968, se gritava “não queremos jogos olímpicos, queremos revolução” no meio de um clima de protestos, esse grito teve como resposta o conhecido massacre de Tlatelolco, dez dias antes da inauguração dos jogos olímpicos, onde um número desconhecido de pessoas foram assassinados por franco-atiradores em um protesto no centro da Cidade do México na praça de Tlatelolco.

Penduramos uma faixa – em um viaduto de um movimentado vai e vem urbano – na qual uivamos anarquia para esta gente e para todxs compas anarquistas.
Tomar um tempo no meio dessa guerra para construir um gesto de afeto para os que lutam e afrontam tormentas sem medo dos ventos e relâmpagos, é parte de nosso feroz rechaço à uma vida esvaziada de decisões. Com cada vegetação, com cada terra de neves, de florestas ou montanhas fazemos possíveis encontros indecifráveis de liberdade. Porque para nós é abraço cálido, é força no coração receber os acenos por estas vias, nos permitem nos sentir juntos, nos seguir inspirando uns aos outros, nos sentir vivos. Daí que queremos que este aceno, “simples mas, acreditamos, importante” ecoe nos corações de nossos afins, que provoque neles um sorriso por saber que nós vivendo no meio da guerra diária nos demos um tempo na batalha para fazer algo pensando só em nossos irmãos e irmãs, companheirxs, cúmplices, queremos chegar até elxs.

Passeamos pelas ruas, visitamos pessoas de ideias próximas e sabemos que a quantidade de gestos que acontecem por vários lugares: Ações, adesivos, cartazes, faixas, atividades, pixações e troca de ideias acontecem espontaneamente sem ser comunicadas nem compartilhadas na grande rede. Assim, os gestos de solidariedade são insondáveis. Porém, chamamos a compartilhar esse mundo insondável, cientes do sorriso que nos provoca saber que lá estamos uns pelos outros contra toda probabilidade e com absoluta decisão por lutar pela liberdade.

Com o grito de viva a anarquia e o abraço cúmplice.
Anarquistas.

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Chamada urgente para se continuar a campanha de solidariedade com xs anarquistas reprimidxs na Rússia- Ações realizadas de 5 a 12 de fevereiro

Mais detenções e prisões: Na Crimeia, os serviços especiais detiveram o anarquista e activista social Yevgeny Karakashev (02/02). Em Moscovo, a anarquista Elena Gorban foi presa (13/02). No mesmo dia, o anarquista Alexei Kobaidze foi detido e preso. Apelamos a toda a gente para continuar a campanha de solidariedade!

Liberdade para xs anarquistas na Rússia (EUA).
Rússia.
Toronto (Canadá). FSB é o terrorista real.

De 5-12 de fevereiro, teve lugar uma semana internacional de solidariedade com xs anarquistas da Rússia. A 21 acções contra a repressão juntaram-se 21 cidades russas e um grande número de companheirxs estrangeirxs, da Bielorússia aos Estados Unidos e ao Canadá.

Foram distribuídos materiais informativos, panfletos, grafittis e stencils foram distribuídos, e foram afixadas faixas com informação sobre a repressão contra anarquistas. Organizaram-se acções em Kaliningrad, Altai, Kursk, Novosibirsk, Samara, Kemerovo, Astrakhan, Volgograd, Rostov-on-Don, Izhevsk, Penza, S. Petersburgo, Moscovo, Nakhodka, Chelyabinsk e Vorkuta.

Em Yekaterinburg, Kandalaksha, Tomsk, Sochi, Moscow, S. Petersburgo e Saratov organizaram-se piquetes informativos sobre o terrorismo do FSB (Serviços Federais de Segurança) contra anarquistas.

Em Samara organizou-se uma noite de solidariedade. Xs visitantes foram informadxs acerca da repressão contra xs anarquistas e acerca das regras básicas da conspiração. Depois mostrou-se o filme “Sacco and Vanzetti”, cuja história demonstra bem a desumanidade e a inutilidade dos sistemas estatais e dos métodos usados, até hoje, para suprimir quaisquer protestos.

Em Moscovo houve uma marcha não autorizada de anarquistas contra a ilegalidade do FSB. Várias dúzias de pessoas bloquearam Myasnitskaya – uma das ruas centrais, adjacente a Lubyanka, onde o departamento principal do FSB está localizado. A marcha passou com a faixa “FSB é o principal terrorista”.

Houve também acções de solidariedade noutros países. Na Bielorússia, anarquistas distribuíram informação acerca da repressão exercida sobre anarquistas na Rússia.
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Em Lutsk, na Ucrânia, fez-se também grafittis em solidariedade com xs anarquistas russxs.

Acções de solidariedade aconteceram em Varsóvia, Gdansk (Polónia) e Praga (República Checa).

Em Praga fez-se um concerto em apoio dxs anarquistas russxs reprimidxs. No concerto distribuiu-se informação acerca da repressão na Rússia e angariou-se fundos para a Cruz Negra Anarquista, que oferece apoio a prisioneirxs políticxs. Outras acções de recolha de fundos aconteceram na Estónia, em concertos com as bandas Ognemöt, Adrestia e Prophets V, em Tallinn e Tartu.

Organizou-se, também, um evento para ser dada informação sobre a repressão na Rússia e recolha de fundos em Budapeste, na Hungria.

Em França fez-se um jantar de solidariedade, tendo os fundos recolhidos sido enviados directamente para apoiar xs anarquistas russxs.

Houve também muitos outros eventos solidários nos Estados Unidos. Em Minneapolis fez-se uma noite de solidariedade e. em Brooklin, uma projecção de filmes. Um sítio on-line antifascista de Portland espalhou informação e recolheu dinheiro para apoiar xs anarquistas reprimidxs. No Kansas, uma manifestação de rua em apoio dxs anarquistas teve lugar. Em Nova Iorque, organizou-se um piquete junto ao consulado russo. Também representantes do Movimento Revolucionário Abolicionista de Nova Iorque expressaram solidariedade.

Acções de solidariedade aconteceram em Toronto, no Canadá. Anarquistas organizaram um piquete na mais movimentada praça da cidade, informando quem passava acerca da repressão na Rússia.

Durante meses, xs detidxs foram torturadxs e espancadxs até que concordassem em se caluniar. Foram penduradxs de cabeça para baixo, espancadxs, torturadxs com choques eléctricos. Em janeiro de 2018, várixs anarquistas foram raptadxs em S. Petersburgo. Dois suspeitxs e uma testemunha foram presxs, todxs foram torturadxs. Com esse propósito, um dxs detidxs foi levadx para a floresta, perto da cidade. Outrx foi torturadx durante mais de um dia. Mas, oficialmente, o interrogatório durou um dia – das três da manhã às três da manhã do dia seguinte. Apesar de um dxs acusadxs e uma testemunha terem feito uma declaração acerca da tortura, esta não tida em consideração pelas autoridades estatais.

O FSB está a anunciar planos de mais prisões no caso fabricado de um grupo terrorista de duas dúzias de anarquistas em Moscovo, S. Petersburgo,Penza e Bielorússia.

Também na Crimeia, os serviços especiais detiveram o anarquista e activista social Yevgeny Karakashev. A razão para a sua detenção é a participação activa de Eugene na luta social dxs habitantes desta península. No dia da detenção, o autarca de Evpatoria encontrou-se com xs manifestantes contra a construção da ponte e fez uma insinuação acerca de possíveis prisões. A razão para a prisão foi a correspondência de Yevgeny num chat de grupo numa rede social.

Imediatamente após o fim da semana de acções de apoio aos/às anarquistas russxs, a repressão teve continuidade em Moscovo. A 13 de fevereiro, de manhã cedo, a anarquista Elena Gorban foi presa. Em violação de todas as normas, Elena não teve contacto com o advogado durante várias horas, até que concordasse em admitir-se como culpada no pogrom do gabinete do partido no governo russo, “Rússia Unida”. No mesmo dia, o anarquista Alexei Kobaidze foi detido e preso, sob a mesma acusação. A razão evocada para as prisões seria uma manifestação não autorizada em Moscovo contra o terrorismo do FSB. De manhã cedo – antes do surgimento de informação nos media e na internet acerca das detenções dos anarquistas – os canais pró-governo publicaram um vídeo de uma detenção e a mensagem de que xs anarquistas que participaram na manifestação tinham sido presxs em Moscovo. Os investigadores que questionaram Elena também lhe perguntaram sobre a manifestação apesar dxs detidxs terem sido acusadxs do pogrom da “Rússia Unida”, e não de participar na manifestação.

Depois da prisão, as acções de solidariedade continuaram na Rússia. Em Chelyabinsk, anarquistas hastearam uma faixa perto do edifício do FSB e atiraram uma bomba de fumo para o seu território. Nos subúrbios de Moscovo, organizou-se uma invasão de mobilização em solidariedade com xs anarquistas reprimidxs.

Apelamos a todxs para se continuar a campanha de solidariedade!

Mais fotos e vídeos: naroborona.info (em russo e inglês)

em alemão l inglês

Rússia: Apoie prisioneirxs anarquistas e antifascistas em S. Petersburgo e Penza!

Começou a angariação de fundos para os advogados a trabalhar nos casos dos assaltos policiais e das prisões de anarquistas e antifascistas em S. Petersburgo e Penza, na Rússia. Neste momento ( 31/01) estão presas duas pessoas em S. Petersburgo e cinco em Penza, e outras estão ligadas ao caso como testemunhas. É provável que os assaltos policiais e prisões continuem. Xs presxs são acusadxs com a parte 2 do artigo 205.4 do código criminal russo (participação em organização terrorista), por ordem do tribunal de Penza.

A 23 de Janeiro, a caminho do aeroporto de Pulkovo, os Serviços de Segurança Federal (FSB) detiveram Victor Filinkov. Para se conseguir o seu testemunho, foi espancado e torturado com choques eléctricos na floresta. Os sinais de tortura foram confirmados pelo advogado de Filinkov e pelos membros da Comissão Pública de Monitorização (ONK) que o visitaram no centro de detenção, antes do julgamento. Filinkov está preso há dois meses.

A 25 de Janeiro o FSB fez um assalto inesperado ao apartamento de Igor Shishkin. Depois do assalto, nem o seu advogado nem os membros da Comissão Pública de Monitorização conseguiram localizar Igor, durante mais de um dia. A 27 de Janeiro Igor foi presente a tribunal com sinais de tortura, e foi preso no Centro de Detenção Pré-julgamento por dois meses. Xs jornalistas foram impedidxs de assistir ao julgamento, tendo ainda dois/duas sido presxs.

Também as testemunhas foram torturadas. Ilya Kapustin foi espancado e torturado com choques eléctricos enquanto a polícia lhe exigia que testemunhasse que alguns/mas dxs seus/suas conhecidxs estariam a planear “algo perigoso”. Numerosas marcas das armas de choques eléctricos foram registadas pelos serviços de saúde.

Em Penza, as prisões começaram em Outubro de 2017. O FSB local prendeu seis jovens, cinco dxs quais estão neste momento em detenção pré-julgamento. Todxs xs presxs foram brutalmente torturadxs. Pode ler-se em detalhe acerca dos eventos de Penza neste artigo. A ajuda legal é necessária para xs prisioneirxs (cujo número pode aumentar) e testemunhas. Ainda é cedo para mencionar valores exactos, mas serão necessários pelo menos 200 mil rublos para o trabalho de advogadxs nos próximos meses.
Cruz Negra Anarquista S. Petersburgo

DETALHES PARA TRANSAÇÕES EM APOIO DXS PRESXS
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Caso queiras apoiar um/a presx específicx, adiciona uma nota mencionando isso. Caso queiras contribuir para o caso de S. Petersburgo e Penza, escreve uma nota para “St. Petersburg and Penza”. Recomendamos o envio em euros ou dólares, já que as outras moedas são automaticamente convertidas de acordo com as taxas PayPal.

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Caso prefiras outra opção para a transferência de dinheiro, por favor contacta a Cruz Negra Anarquista de Moscovo:
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Todo o material sobre o caso pode ser encontrado nesta secção:
Caso dos anti-fascistas de S. Petersburgo e Penza.

em inglês

Berlim: Solidariedade com presxs anarquistas na Rússia – “Somos todxs terroristas”

A partir da rua Rigaer enviamos sinais de solidariedade e raiva a anarquistas presxs na Rússia, respondendo à chamada pelos Dias de Solidariedade Internacional com Prisioneirxs Políticxs Anarquistas na Federação Russa, feita a partir daquele território.

Nos últimos tempos soubemos das prisões de antifascistas e anarquistas na Rússia. Já antes, nos meses de Outubro e Novembro de 2017, na cidade de Penza, seis pessoas tinham sido presas e brutalmente torturadas pelo serviço secreto federal FSB. Já em 2018, em Janeiro, na cidade de São Petersburgo, seguiu-se uma segunda onda de prisões, primeiro com duas pessoas que foram sequestradas pelo  FSB num dia e a serem somente registadas oficialmente em prisão preventiva no dia seguinte. A ofensiva dos serviços secretos, liderada pelo regime de Putin, foi acompanhada por invasões policiais em casas particulares, em diferentes cidades do país. Para ter motivo para a repressão, o FSB engendrou a existência de um grupo terrorista anarquista, chamado “Net”- supostamente a planear uma série de ataques nas eleições presidenciais de Março de 2018 bem como na Copa do Mundo, em Junho / Julho de 2018 na Rússia, levando à insurreição armada – supostamente também a existir em diversas cidades da Rússia e Bielorrússia. Não há provas da existência real do grupo. As únicas evidências utilizadas são as declarações dxs presxs, que o FSB extorquiu dxs prisioneirxs usando tortura e sob ameaça de novos atos de tortura. Em Penza, o grupo foi forjado a partir das declarações da primeira pessoa detida.  A ligação entre xs “membros” do grupo está a ser “constituída” a partir dos jogos Airsoft jogadxs em conjunto. Com excepção da primeira pessoa, que foi libertada no começo do ano e posta em prisão domiciliária, todxs xs outrxs encontram-se ainda em prisão preventiva.

As experiências de intimidação e de violência física, a que xs prisioneirxs em prisão preventiva foram submetidxs, revelam a crueldade do aparelho estatal. Enquanto a democracia na Alemanha ainda está a tentar velar a brutalidade do poder estatal, as novidades da Rússia revelam que os cães de guarda do sistema – o miserável lixo do executivo – só são capazes de manter a autoridade através da ameaça e implementação da violência física.

A repressão pretende desencorajar-nos, derrotar os movimentos e estender-nos ao comprido individualmente ou até o sistema nos destruir. É tudo menos fácil não se sentir impotente, incapaz de se opor à sua massividade. Mas, se ouvimos as mensagens de raiva e de luta anarquista vindas exatamente desses lugares, as suas linhas e imagens encorajam-nos. Mostram-nos que em todos os lugares, onde haja um coração humano a bater ao ritmo da rebelião, momentos de resistência ocorrerão provavelmente. Não importando quão feroz a repressão possa ser, haverá sempre gente que não se renderá, que lutará pelas suas ideias. A ressonância da solidariedade é a nossa arma.

Dxs prisioneirxs do G20 em Hamburgo aos/às prisioneirxs em Penza ou de São Petersburgo até Berlim – quanto mais forte for a sua repressão, mais furiosa e apaixonada a nossa resistência.

Info sobre a situação atual: avtonom.org  e  abc-belarus

em inglês via Rigaer 94 l alemão

Rússia: Chamada para solidariedade com o compa anarquista Ilya Romanov

Solidariedade com Ilya Romanov. Recolha de fundos para despesas legais, médicas e familiares.

Depois de termos ouvido falar da iniciativa em solidariedade com Ilya Romanov, organizada pelos compas do centro social Vox em Atenas, decidimos responder à chamada para angariação de fundos de apoio ao companheiro preso e sua família. Como muitxs companheirxs já estão envolvidxs numa série de atividades, sugerimos que os grupos e indivíduos façam doações de dinheiro através de “recolha”, a menos que consigam organizar iniciativas de apoio a Ilya.

Distintas realidades doaram já dinheiro, de acordo com a sua capacidade, pedimos um esforço semelhante. Gostaríamos que saísse de Itália, também, um sinal de solidariedade internacional com o compa, na luta há mais de vinte anos.

A solidariedade é para ser realizada com as práticas mais diversificadas, continuando a luta contra o sistema, mas, também, para angariar fundos para um compa ferido em ação.

Se quiser escrever para Ilya, em Inglês, enviar a carta para o seguinte endereço (compas irão traduzir para russo): abc-msk@riseup.net.

Agradecemos antecipadamente axs companheirxs que apoiarem esta causa.

Liberdade para o anarquista Ilya Romanov

Anarquistas de Trento e Rovereto

As doações são feitas via Postepay, código 4023-6005-5882-3706, nome da conta Luigia Cecchin

Petrozavodsk, Rússia: Anarquistas raptados e gravemente feridos após posição pública contra a guerra na Ucrânia

Anarquistas, organizadores da manifestação “Contra a Guerra na Ucrânia” em Petrozavodsk, Rússia, foram raptados e gravemente feridos por desconhecidos usando máscaras.

No dia 9 de Março, em simultâneo com a habitual acção “Food Not Bombs” [Comida, Não Bombas], era suposto acontecer a manifestação “Contra a Guerra na Ucrânia” em Petrozavodsk, com vista a uma resolução pacífica da situação tensa e prevenir a continuação do derramamento de sangue.

Na noite de 8 de Março, dois organizadores da manif e um amigo foram atacados. Apareceram dois carros e uma dúzia de homens corpulentos com máscaras, começando imediatamente a lutar. Gritavam: “Vocês querem dar a nossa Crimeia ao pessoal do Bandera?”, “ Vocês vão aprender a manifestar-se” e por aí. Depois de uma rápida mas eficiente execução, os atacantes voltaram de seguida aos carros e arrancaram.

Na manhã seguinte, meia hora antes da manif, enquanto saíam de casa depois de cozinhar para a “Food Not Bombs”, quatro  organizadores da acção e da manif foram outra vez atacados por homens não identificados com máscaras. Espancados, metidos em 2 carros e levados. Como foi divulgado mais tarde, eles foram levados para uma floresta a 40-45 km da cidade. No caminho, os agressores foram-lhes dizendo que eles iriam cavar as suas sepulturas e durante todo o caminho foram agredidos e injuriados. Após a chegada, as vítimas foram tiradas dos carros, uma por uma, em sítios diferentes (cada uma foi seguida por 3-4 mascarados e depois disto o carro afastou-se alguma distância). Foram novamente espancados e injuriados. Foram usados cassetetes da polícia e correntes enroladas em polietileno. Os agressores ameaçavam incapacitar ou matar.

Entretanto, alguns desconhecidos chegavam à manifestação com sinais de provocação, irrelevantes para o tópico da mesma, tiraram uma fotografia e fugiram, pelo que o colapso da manif foi claramente planeado. Participantes no evento, bem como outros activistas sociais, têm razão em temer pela sua segurança e pela dos seus.

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[Atenas] Novidades sobre o anarquista Ilya Romanov da Rússia que perdeu a mão após explosão repentina de um engenho explosivo artesanal

Segue-se o texto compartilhado durante o evento sobre Ilya Eduardovich Romanov, realizado no Centro Social Okupado VOX, a 15 de Novembro de 2013, em Exarchia, Atenas:

Liberdade para o anarquista Ilya Romanov

Na madrugada de domingo, 27 de Outubro de 2013, explodiu repentinamente um dispositivo caseiro em frente ao edifício dos escritórios de recrutamento da cidade russa de Nizhni Novgorod cortando a mão esquerda pelo pulso a Ilya Romanov, compa que tentou realizar a ação. A sangrar, este dirigiu-se sózinho ao hospital mais próximo, onde pouco depois a  polícia o deteve.

De seguida, a polícia invadiu a sua casa onde foram apreendidos vários livros, dispositivos electrónicos e todas as suas cartas, da época em que esteve preso, para além de “resíduos de produtos químicos desconhecidos”. Os ferimentos sofridos pelo compa, na cara e no olho esquerdo, foram leves, felizmente, mas apesar dos esforços dos médicos foi impossível salvar pelo menos um dedo e, no final, teve de se lhe cortar todo o pulso. Dias depois saíu dos cuidados intensivos e voltou para a mesma clínica, sob custódia policial, até hoje. Neste momento, ao que parece, enfrenta apenas a acusação de “fornecimento, tráfico e posse ilegal de armas ou explosivos”, atualizada depois para “fabricação de dispositivos explosivos.”

Este é o caso do anarquista Ilya Romanov, de 46 anos, que  se para os jornalistas parece “uma figura trágica saída de Dostoiévski” e, para as autoridades, nada mais é do que um “suspeito do costume”, para nós, anarquistas, é um companheiro. A nossa história é escrita com o suor frio da ação e muitas vezes com sangue, mas nunca com o cheiro a mofo do adiamento eterno. E uma vez que nada vem do nada e que as nossas vidas se desenrolam a partir de escolhas concretas e específicas, com base nas circunstâncias, não podemos omitir uma breve crónica do companheiro.

Ilya Romanov começou a participar no espaço anarquista no final dos anos 80, organizando os primeiros círculos e grupos anarquistas (dos últimos tempos), na sua cidade (que nesse tempo se chamava Gori), tendo também sido muito ativo no movimento okupa. Em 1998 fez-se membro da Confederação dos anarco-sindicalistas, deu conferências sobre o anarquismo, fundou uma revista e participou ativamente nos protestos contra centrais nucleares. Entre 1991 e 1992, fez parte da campanha de solidariedade com dois anarquistas, presos por terem atacado polícias da secreta em serviço e, em seguida, em outras iniciativas solidárias com presos políticos. Ao mesmo tempo, estava envolvido na propaganda das ideias anarquistas em Moscovo e foi também delegado do sindicato de base dos/as jovens desempregados/as. Em dezembro de 1998, detiveram-no sob a acusação de “posse de drogas” e de acordo com os conhecidos métodos utilizados – contra os seus e as suas adversários/as políticos/as – da (não tão antiga assim) era soviética, enviaram-no para uma clínica psiquiátrica e, daí, diagnosticado como “louco” para a prisão, onde passou dois anos e meio.

Em julho de 2002, foi detido de novo em Moscovo, tendo sido enviado para Penza, onde seria acusado de “posse e transporte de explosivos”, fatos acontecidos em 1997, segundo a bófia. Cabe esclarecer que, no início de 2000, a companheira de Ilya, Larisa, com quem tem duas filhas, foi presa juntamente com outras pessoas, passando cinco anos e meio na prisão, acusada de participar em Nova Alternativa Revolucionária uma organização esquerdista libertária; entre 1996 e 1999, realizaram-se vários ataques à bomba, entre eles a explosão do muro da sede do FSB (Serviço Federal de Segurança da Federação Russa, ex-KGB), a ação principal. Ilya Romanov negou as acusações e recusou-se a depôr, cortou os pulsos e a polícia local soltou-o. Uma vez de volta, em Moscovo, é reeditado um mandado de prisão contra ele, desta vez em vão, porque Ilya conseguiu ir para a Ucrânia.

Em 7 de dezembro de 2002, numa pequena cidade no sul da Ucrânia, foi preso transportando uma arma, um cartucho de dinamite com detonador eléctrico e algumas balas. Depois seguiu-se uma série de torturas e espancamentos na delegacia de polícia local e prisão. No início, foi acusado de uma explosão que ocorreu na sede dos serviços secretos de Kiev, dois meses antes. A ação tinha sido reivindicada pelo Exército Popular de Vingadores, uma organização de esquerdas, que decidiu “começar uma luta de guerrilha contra o sistema capitalista vigente na Ucrânia”. Simultaneamente, detiveram 10 outras pessoas, a maioria das quais tinha pertencido às juventudes do partido comunista da Ucrânia. Às 11 foram feitas acusações, não só pela explosão como também por uma série de roubos à mão armada em joalharias e possessão de um grande número de armas. Todos sofreram torturas metódicas, durante o interrogatório uma delas morreu. O próprio Romanov declarou que, a metade dos seus co-acusados, não os conhecia de lado nenhum, mas recusou-se rotundamente a cooperar com as autoridades; participou com outras pessoas em greve da fome, entrou em conflito com os guardas prisionais, do qual resultou ser enviado muitas vezes para o isolamento.

Quando em Julho de 2004, finalmente, começou o julgamento, cortou os pulsos no meio da sala de audiências, não para cometer suicídio mas sim como uma tentativa de protesto. Além disso, revelou que todas as suas declarações, realizadas durante os interrogatórios, eram falsas, já que foram feitas sob tortura e o uso forçado de substâncias psicotrópicas. Romanov foi condenado a 10 anos de prisão, cheios de batalhas, mantendo sempre uma atitude íntegra, cumprindo a pena até ao seu último dia. Foi solto a 7 de Dezembro de 2012 e retornou à sua cidade, onde era trabalhador numa fábrica de pastelaria.

Solidarizamo-nos com o companheiro Ilya, que deu vida à projetualidade da luta polimorfa participando em distintas atividades políticas. Desde os sindicatos de base à publicação de material, passando por assembleias de solidariedade com os/as presos/as políticos/as, até ataques incendiários e explosivos. Utilizando todos os meios para um objetivo: a REVOLUÇÃO.

“Se na história da humanidade, a gente tivesse guardado silêncio, continuaríamos vivendo num sistema feudal, trabalhando para os donos das terras e inclusive fazendo-lhes reverências. É bonito que haja pessoas que não queiram viver caladas”
(de antigos escritos do companheiro)

Quem quiser apoiar economicamente o companheiro, pode fazê-lo através de “pay pal” ao seguinte e-mail abc-msk[arroba]riseup.net – também existe uma caixa de ajuda financeira para o mesmo caso no CSO VOX (Arachovis com Themistokleous, praça de Exarchia, Atenas).

[Irlanda] Porque é que me tornei anarquista

Tal como para a maioria dos meus/minhas companheiros/as, eu não acordei, de repente, a descobrir que sou anarquista. Foi antes um processo gradual, iniciado com a determinação de combater o racismo, desafiar o patriarcado e duvidar da existência de algum velho onipresente com barba branca.

Nasci em 1987, na Sibéria, de mãe russa e pai georgiano, durante os últimos anos da URSS; Passei a maior parte da minha infância a viajar, entre a Rússia e a Geórgia, mudando frequentemente de cidades e escolas, conhecendo pessoas que estavam ansiosas de me provar o quanto a Geórgia era melhor como nação do que a Rússia e vice-versa. O que mais afetou a minha ideologia foi a decisão da minha família de se mudar para a Grécia, onde conheci muitas pessoas interessantes e onde – durante os últimos anos da escola junto com amigos – comecei a ler livros sobre ateísmo, feminismo e anarquia.

A razão pela qual me considero anarquista tem base na minha crença de que todo o ser humano, indepententemente da etnia, gênero, cor, religião, etc., deve usufruir de direitos iguais, em qualquer parte do mundo; por vezes isso não acontece, no presente, tal como no futuro nunca irá acontecer, se nada for feito para o alterar. A razão porque não considero o comunismo estatal um sistema político pelo qual valha a pena lutar deve-se a que, na sociedade comunista na qual os meus pais viviam – embora tendo ambos as mesmas responsabilidades, nas horas de trabalho e respetivas condições – o meu pai desfrutava muito mais de liberdade, no dia a dia, do que a minha mãe; também, considero inaceitável qualquer forma de hierarquia (especialmente a que não dá qualquer hipótese de expressar diferentes tipo de pensamento que desafiem o modo de funcionar da sociedade).

Além disso, como imigrante na Grécia, um país com muitos imigrantes e ainda mais problemas, tive que aprender a me acostumar a ser a outra, a qual constitue um alvo fácil de acusar de qualquer coisa pelo Estado – através de um partido de esquerda ou de direita – assim como pelos media corporativos, que sempre tentarão o que puderem para enfatizar que a nacionalidade de um ladrão não é a grega. Nessa sociedade, tive muita sorte por ter conhecido pessoas para quem categorizar seres humanos era inaceitável, seja pelas sua etnia ou outra coisa. Enquanto ajudávamos imigrantes a aprender grego – na nossa escola de línguas para imigrantes com o nome simbólico “Odisseu” – estávamos também a aprender, com os/as nossos/as estudantes e entre nós, quão sem sentido e superficial essas categorizações podem ser.

Durante os últimos dois anos tenho vivido na Irlanda, onde para além do racismo e das questões de classe, para muitas pessoas a vida de uma mulher tem menos valor do que a de um feto. Algo que, junto com todas as outras questões mais ou menos importantes que diariamente testemunho, reforça a minha convição de que a única maneira das pessoas viverem num mundo mais justo é através da solidariedade de uns/umas com os/as outros/as e lutar pelos direitos de todos/as, quer isso nos afete ou não.

Nephele
Outono 2013

Samara, Rússia: Assassinaram o jovem anarquista antifascista Nikita Kalin

Por volta das 6h30 da manhã de 9 de fevereiro, um zelador encontrou na área em torno do instituto FIAN o cadáver de Nikita Kalin, nascido em 1991. A polícia chegou ao lugar às 8h e às 11h informou a mãe do assassinato do jovem companheiro. Nikita foi esfaqueado 61 vezes, além de que suas costelas apresentavam múltiplas fraturas e vários ferimentos na cabeça. Os assassinos não roubaram nada. Até agora, a polícia prendeu um suspeito, cuja roupa estava manchada com o sangue de Nikita.

Tudo indica que Nikita foi atacado por um grupo; a polícia informou a sua mãe, não oficialmente, que o suspeito preso é um neo-nazista e que ele se recusa a dar informações sobre os outros suspeitos. Apesar da natureza brutal do assassinato, a polícia ainda não interrogou a mãe de Nikita e um amigo que foi a última pessoa a vêlo. Assim, suspeitamos que as autoridades tentem cobrir o caso, como muitas vezes acontece na Rússia. Por outro lado, o suspeito já contratou um advogado.

Teme-se que a investigação policial esteja se desenvolvendo em favor dos interesses do preso neo-nazista, deste modo será necessária toda a ajuda possível. Atualmente, uma organização de direitos humanos apresentou apoio jurídico oferecendo um advogado, mas ainda é necessário dinheiro para as despesas do funeral e apoio à família do falecido.

Nikita vinha de uma simples família de trabalhadores, e nunca escondeu suas ideias anarquistas e antifascistas. Se você quiser ajudar a família de Nikita arrecadando dinheiro, esse apoio pode ser feito através da Cruz Negra Anarquista Moscou aqui.

fonte: avtonom —agência de notícias anarquistas-ana

Grécia: Cartaz sobre a FAI/IRF

“NÃO DIGAM QUE SOMOS POUCOS”
[Excerto destacado por Lee Kwang Su, a partir da declaração da]
Federação Anarquista Informal italiana

Se os atos são as balas exteriores que dilaceram o cerne do mundo capitalista, então os fundamentos teóricos, pensamentos e emoções são as armas automáticas. Atos que não sejam acompanhadas pelos significados que os inspiram são momentos inconsistentes desprovidos da possibilidade de difusão e da apropriação, enquanto que os pensamentos e os atos não aplicadas na prática resultam em discussões tediosas de café e degeneram noutra farsa ideológica.

Sobre estas bases, os grupos e individualidades rebeldes comunicam os seus ataques formando a Federação Anarquista Informal/Frente Revolucionária Internacional (FAI/FRI). Esta é uma rede antiautoritária informal de grupos insurgentes e de individualidades autónomas que aplicam a ação direta e a sabotagem contra o Estado e o Capital, mas também a oposição conciente a qualquer relação de Poder que é inculcada em todos os sentidos na base da pirâmide social e traduzida na competição pequeno-burguesa e no desejo de posse. A FAI conecta os ataques e destruição na Itália, Grã-Bretanha, Rússia, Bélgica, Finlândia, Holanda, Chile, México, Argentina, Peru, Bolívia, Indonésia e Grécia, orquestrando a polifonia das explosões noturnas Revolucionárias da luta pela liberdade, com vista à unidade das aspirações revolucionárias COMUNS e da luta COMUM pela liberdade criando assim um oceano de dialéticas e de comunicação nas fileiras dos anarquistas de ação.

VIDA LONGA AO FAI/IRF, VIVA A ANARQUIA!

Moscovo, Rússia: Ação directa em solidariedade com os compas da Indonésia

Em 15 de Dezembro de 2011 um grupo de punks anónimos de Moscovo decidimos atuar ao receber a notícia da brutal repressão estatal contra o movimento punk na Indonésia. Consideramo-nos anarcopunks e estas notícias nos insultaram profundamente. Não iremos tolerar que nenhuma religião domine a liberdade dos seres viventes, e sobretudo a nossa subcultura. Assim, na mesma tarde, reunimo-nos para expressar a nossa raiva. Elegemos como fundo a embaixada da Indonésia.

A religião é fascismo

Para nós a solidariedade começa ao nível subcultural. Sentimos que os modernos anarquistas na Rússia prestam muito pouca atenção às subculturas de resistência. Esperamos que a notícia da nossa ação chegue aos compas na Indonésia. Esperamos que o seu ânimo se levante depois de saberem que num país tão longínquo existem pessoas que se sentem solidárias com a sua luta.

Punk não é um delito. A religião é fascismo. Luta pela tua aparência.

Não queríamos gravar nenhum vídeo, mas concordou-se, depois de uma larga discussão, que até as ações mais pacíficas se devem documentar em vídeo. Assim aqui vai:

http://www.youtube.com/watch?v=f9cXpVqjsCw

Fonte: 325 / Comunicado em russo / Também aqui