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Avis de tempêtes #3 – jornal anarquista para a guerra social acaba de sair

https://pt-contrainfo.espiv.net/files/2018/04/Avisdetempetes3.pdf
Clica na imagem para descarregar o pdf (francês)

O GRANDE DESAFIO

Para ler, imprimir e difundir este pequeno jornal à sua volta (em formato A5 e são 20 páginas), pode encontrar cada novo número a cada 15 dias, assim como os anteriores, no blog:

avisdetempetes.noblogs.org

“Nada parece escapar à reprodução social, nada parece ser capaz de se opôr ao eterno retorno ao mais mortal dos hábitos: o poder. As greves selvagens que param após a concessão de algumas migalhas, os protestos populares a que só falta a satisfação de sua reivindicação serena para se tornar consenso de massas, a abstenção política que se precipita nas urnas ao apelo de novxs políticxs, revoluções sociais triunfantes quando recebem uma mudança de custódia … “Foi  preciso a rotina contrair dentes longos para nós aparecermos por aí!” costumava dizer um velho surrealista.

em francês

Avis de Tempêtes [Aviso de Tempestades] – boletim anarquista para a guerra social nº2 acaba de sair

Para ler, imprimir e difundir este pequeno boletim (em formato A5, com 16 páginas), é possível encontrar cada novo número todos os dias 15 de cada mês, bem como os precedentes, no blog: avisdetempetes

“Aos olhos do poder, parece que sermos espiadxs o tempo todo pelas suas altas esferas ou que ser flashadxs por cidadãos-delatores não é suficiente: além das 10 000 câmaras de vigilância anunciadas até 2019 (operação «Vá, enche a câmara!»), os 110 000 tablets e smartphones NEO da polícia e da guarda implantados até 2020 arriscam acabar por obstruir completamente o nosso campo de visão.

A menos que possamos fazer algo para o remediar, já que quando o controlo neo-policial se torna tão simples como clicar no botão de uma máquina fotográfica ou das aplicações de um smartphone, com ligação directa a bancos de dados, é na interacção entre o real e o virtual que reside a principal fragilidade da sua arquitectura.”

original em pdf aqui

 

em francês

Bure, França: Ponto de situação a 27/02 – programa do fim-de-semana de 3/4 de março

NÃO AO DESERTO NUCLEAR
ESTADO NUCLEAR ESTADO POLICIAL

 *Ponto da situação a 27/02*

Desde 22 de fevereiro, após a expulsão largamente mediatizada do bosque Lejuc, várias pessoas continuaram a ocupar as árvores altas, a sulcar e a percorrer a floresta para vigiar oa polícia móvel, a observar se os trabalhos começavam, a abastecer-se e a apoiar as corujas empoleiradas nas alturas. Outrxs concentraram-se no monitoramento antirep de todxs xs que passaram pela verificação de identidade, sob custódia policial, e pelas duas pessoas actualmente em prisão preventiva. Outrxs asseguram o acolhimento das pessoas que chegam à Casa da Resistência ou nos diferentes locais em que habitamos, à volta. E, sobretudo, cuidam uns/mas dxs outrxs depois desta prova.

Entretanto, a autarquia não desmilitariza a zona e dá ordens alucinantes para interditar toda a circulação em redor do bosque Lejuc…
Segunda-feira, 26 de Fevereiro, vimos camiões e retro-escavadoras a trabalhar na floresta. Isso continuará provavelmente durante a semana. Tentaremos manter-vos ao corrente de todas as novidades através de actualizações regulares em vmc.camp. A situação é extremamente instável, por isso mantenham-se actualizadxs!

*Manutenção do intercomité do fim-de-semana*

No meio de tudo isto, as datas 3-4 de março mantêm-se como uma rocha no meio da torrente! Todos os dias nos organizamos para preparar o acolhimento das centenas de pessoas que chegarão no fim-de-semana. A logística das dormidas está em curso, tal como as cantinas colectivas. Há em tudo isto uma boa dose de imprevisto e de improvisação, e todas as energias da auto-gestão são e serão bem-vindas para nos permitir organizar este fim-de-semana e os dias seguintes, e fazer face à violência do Estado e das suas milícias, na sequência da expulsão e do assédio policial permanente…

No dia 22 de Fevereiro não houve apenas uma expulsão: houve também uma corrente de solidariedade incrível com mais de 70 concentrações em França e na Europa. 300 pessoas em Paris, 200 pessoas em manifestação selvagem em Nantes e Rennes, 20 pessoas a bloquear eléctricos durante meia hora em Estrasburgo, vitrinas do EDF estilhaçadas em Toulouse, panfletos nas praças em Lons-le-Saunier, fotografias de solidariedade em Gorleben e Leipzig na Alemanha, e em Skouries na Grécia, e tantos outros momentos… Novos comités de apoio criados em Viena, na Finisterra, em Metz, etc. O governo comunicou a expulsão de uma «quinzena» de ocupantes do bosque Lejuc mas são milhares as pessoas que saíram às ruas por todo o lado…
Isso eles não poderão nunca expulsar.

No fim-de-semana de 3 § 4 de Março gostaríamos que estes comités, existentes ou em vias de criação, e que todas as pessoas que queiram lutar com Bure, onde quer que estejam, possam, da maneira que quiserem e se o desejarem, manifestar-se e mostrar que lutam com Bure a partir de numerosos lugares, tornando tangível esta corrente de solidariedade…

Sugere-se aqui pistas que são para entender apenas como convites: por exemplo, preparar faixas criativas simbolizando as cidades dos comités e das lutas que organizam (ou as faixas utilizadas nas concentrações de 22 de Fevereiro), ou quaisquer outros objectos e símbolos para o efeito, etc. Ou ainda trazer combinações brancas, pinturas, belas máscaras personalizadas de corujas, etc. Apelamos também às pessoas que vierem para, tanto quanto possível, trazerem tendas, roupa quente, botas, lanternas de cabeça, alimentos, etc, para serem o mais autónomxs possível…
Tentaremos ter alojamento para todxs mas é melhor que toda a gente assegure o máximo para o caso de sermos demasiados…
Há também uma primeira lista logística das necessidades materiais urgentes que será finalizada em breve.

*Nota sobre a gravação de imagens e som nos dias 3-4 de Março*

Ao vir para aqui, é preciso ter em conta que acabámos de viver um episódio repressivo muito forte, em que a polícia procura identificar as corujas para melhor as engaiolar. Pedimos por isso a vossa compreensão quando exigimos que não se grave imagens nem mesmo som. Caso essa seja mesmo a vossa actividade, contactar a equipa auto-media quando chegarem para a ela se juntarem. A nossa tolerância será nula, por necessidade, a qualquer imagem ou a qualquer registo realizado fora do contexto da auto-media. Caso tenham bons aparelhos que queiram deixar à disposição, isso poderá interessar-nos.

*Programa geral do fim-de-semana*

O desenrolar do fim-de-semana ainda está em vias de ser discutido.Tínhamos dito antes da expulsão que queríamos ocupar tempo suficiente dos encontros e das discussões para reforçar a luta em França e na Europa, e contamos ter esse tempo entre todas as outras coisas.

Neste momento, os primeiros elementos do programa:

Sexta-feira 2, à noite: acolhimento permanente na cozinha da Casa da resistência em Bure (BZL) para ajudar na repartição das dormidas, na inclusão das tarefas de auto-gestão, etc. Às 18h30, um primeiro momento de recepção e de informação será proposto antes de jantar!
Sábado 3, de manhã (em Mandres-en-Barrois): encontros e discussões entre os diferentes comités de luta e as diferentes pessoas desejosas de apoiar a luta em Bure. O programa detalhado chegará muito brevemente.
Sábado 3, à tarde: construção de uma vigia nos arredores da floresta.
Domingo 4: continuação das actividades de sábado!
Paralelamente ao programa haverá certamente várias coisas não anunciadas, algum caos feliz, muita improvisação. De qualquer forma, teremos (e encorajamos-vos a ter) uma grande atenção para que toda a gente possa, o mais possível, encontrar um lugar e sentir-se bem.

Esperamos-vos em grande número no fim-de-semana de 3-4 de Março (ou antes, ou depois)!

Nunca nos atomizarão!
Algumas corujas de Bure.

informações em alemão, italiano, francês

[Expulsão do bosque Lejuc, França] Comunicado “Bure por todo o lado, nuclear em lado algum”

O bosque Lejuc de novo ameaçado pela Andra e seus cães de fila? Habitemo-lo. Defendamo-lo. SE ELES OCUPAM, EXPULSAM-SE!    Apelo à mobilização imediata, em caso de ataque policial.

Está em curso a expulsão do bosque Lejuc, em Bure, desde as 6h30 desta manhã [22 de fevereiro]! Este bosque foi ocupado em 2016 – para atrasar a construção estaleiro CIGEO de l’ANDRA – por pessoas que lutam contra o lixo nuclear. Este é o ponto nevrálgico do projecto que deve acolher os poços de ventilação dos 265 km de galerias e onde serão acumulados 85000 metros cúbicos de resíduos radioactivos. Os militares auto-transportados chegaram e as pessoas estão a bordo. A escalada de repressão sofrida pelas pessoas que lutam em Bure chega ao seu ponto máximo.
A página vmc.camp foi bloqueada! Siga as infos em manif-est.info.

O Estado escolheu claramente enviar um sinal pela força… Num momento em que a treva invernal ainda não terminou. Num momento em que a Andra não poderá começar nenhum trabalho no bosque por causa do período de nidificação que começa a 15 de março. Num momento em que um saco de nós de recursos jurídicos e administrativos prende ainda o homem do lixo ao átomo: recurso administrativo contra a propriedade da Andra que se seguiu à troca municipal do bosque a 18 de maio de 2017; necessidade de uma avaliação ambiental prescrita pela Autoridade Ambiental em outubro de 2017, etc, a Agência não pode começar os seus trabalhos preparatórios.
O Estado responde através de uma operação de expulsão surpresa, com um grande dispositivo (500 polícias) e uma propaganda mediática sábia e bem oleada desde cedo, em todas as frentes.

Como em 2012 em Notre-Dame-des-Landes, os bulldozers seguem-se imediatamente às tropas, arrasa-se rapidamente os locais de residência sem deixar tempo para recuperar haveres pessoais. Seguindo-se a uma primeira expulsão do bosque em julho de 2016, as máquinas da Andra destruiram ilegalmente uma parte da árvores antes que a oposição pudesse reinvestir e reocupar a floresta em meados de agosto de 2016.

A 20 de setembro último, aquando de um mandato de busca sobre os diferentes locais de residência em Bure, dezenas de concentrações floriram por toda a França, e criaram-se  rapidamente comités de luta. Devemos agora continuar a organizar-nos em cada lugar e por toda a França. Mais do que nunca, Bure deve estar por todo o lado, fazer parte de nós; devemos ser milhares a levantarmos-nos agora contra o horror nuclear e a atomização que se prepara, e reagir.

Além destas considerações, resta a questão da fundamentação deste projecto levado a cabo por este governo, sem nenhum diálogo, na mais completa opacidade! Trata-se de não perder de vista que esta decisão de enterrar resíduos altamente radioactivos é uma solução para
nucleocrátas, essencial para a continuação do nuclear!

A SITUAÇÃO DE BURE NÃO É UM PROBLEMA  DOS NATIVOS, A OCUPAÇÃO DO BOSQUE LEJUC É UMA BARRICADA NO CORAÇÃO DA CADEIA DE PRODUÇÃO NUCLEAR E SEU MUNDO EM GERAL.

1) Chamada para apoio no Bosque Lejuc: precisamos de gente aqui!

2) Concentrar-se frente à câmara, hoje, é denunciar estas formas expeditas de acção contra um movimento que se opõe a uma lixeira nuclear e o seu funesto mundo (de merda)!

Siga-nos em vmc.camp (de momento em baixo) / burestop.eu / e sobretudo aqui

Nunca nos atomizarão! Que Bure viva por todo o lado!
Para nos contactar: burepartoutnnp@riseup.net

em francês

 

[França] A propósito do 2º processo do caso “Máquina de expulsar”


[7 companheirxs de afinidade começarão a ser julgadxs a 31 de Janeiro, no Tribunal Distrital de Paris, na 16ª câmara do tribunal correccional]

Solidariedade com xs acusadxs da luta contra a máquina de expulsar.

Em 2010, duas vagas de buscas e múltiplos procedimentos relacionados com diversos ataques (incendiários ou não), umas vezes relacionados e outras não, no contexto de uma instrução tentacular, vêm reprimir a fase ofensiva de luta contra a máquina de confinar e expulsar os sem-papéis que aumentou de intensidade após o incêndio do centro de retenção de Vincennes pelxs próprixs detidxs a 22 de Junho de 2008. Após o abandono por parte do ministério público das acusações mais pesadas e de anos de procedimentos plenos de inconsistências manifestamente feitas para justificar os meios de vigilância, controlo judicial e encarceramento preventivo, dez companheirxs de afinidade encontram-se no entanto convocadxs perante a justiça. Um primeiro processo que envolveu quatro pessoas, três das quais foram presas em 2011, teve lugar em Junho de 2017. Uma delas foi considerada não culpada, três outras sofrem 4 meses de pena suspensa e 500 euros de multa por desfiguração colectiva de edifício (tags) e recusa em fornecer ADN. Uma das pessoas apelou desta decisão e deve ser re-julgada brevemente.

A 31 de Janeiro serão sete as pessoas que estarão presentes a tribunal (uma delas já tinha sido ouvida no julgamento de Junho). A lógica é a mesma: depois de um deboche de meios policiais e judiciais, quatro pessoas serão responsabilizadas apenas pela sua recusa de fornecer ADN e pela sinalética, enquanto xs outrxs três são acusadxs, além destes factos, da degradação em ocupações selvagens das instalações das empresas que participam na detenção e expulsão de imigrantes indocumentadxs (neste caso Air France, SNCF e Bouygues Telecom).

Através desta repressão – na qual os processos em curso constituem o epílogo fraudulento – foram as dinâmicas de lutas autónomas e auto-organizadas que foram visadas, procurando-se quebrar as ligações que foram então construídas entre as lutas no exterior e no interior dos Centros de Retenção Administrativa. Mais amplamente, tratava-se de acabar com as formas de luta auto-organizadas e ofensivas que a partir de 1996, no seio do movimento dito dxs “imigrantes indocumentadxs”, se opuseram aos partidos, aos sindicatos, às lógicas de gestão humanitárias, para defender a liberdade para todxs, com ou sem papéis. Embora a recusa da política de triagem de imigrantes e a luta contra os meios repressivos que a acompanha tenha tomado várias formas – colectivas e de “afinidade”, privilegiando, de acordo com diferentes momentos ou em simultâneo, a agitação pública e o ataque difuso – é a perspectiva de oposição concreta à máquina de prender e expulsar que fará a ligação entre as diferentes fases deste período de luta.  Atacar aquelxs que participam e lucram do confinamento e da expulsão de imigrantes sem documentos, através de mobilizações descentralizadas (contra a Air France, Accor, Bouygues, Carlson Wagonlit, Cruz Vermelha …) ou, de forma mais pontual e difusa, contestar as expulsões, organizar-se contra ataques, e evitar a construção de novos lugares nos centros de detenção – seja por ataques, ocupações, manifestações ou visitas hostis de dia e de noite – é ainda lutar pela liberdade de todos e todas.

Hoje esta questão é mais actual do que nunca. Agora que um novo projeto de lei planeia aumentar ainda mais o período de retenção para mais de três meses, para classificar xs imigrantes às portas da União Europeia – quando estxs são cada vez mais numerosxs – colocando em crise a gestão desses dispositivos, ainda mais urgente é criar os meios para impedir a implementação concreta dos dispositivos de confinamento, repressão e expulsão.

No entanto – neste período extremo de agitação e de crise internacional da gestão migratória – nenhuma intervenção subversiva esteve à altura dos desafios nestes últimos anos de modo a ser pressionada realmente a gestão das migrações e a sua co-gestão humanitária.  As práticas e a elaboração ofensiva destas lutas – de formas variadas e vivas – assim como as análises que fizeram da criatividade destas lutas estão esclerosadas, a sua vitalidade perdeu-se. Na falta de perspectivas revolucionárias, o desencorajamento faz o seu caminho e as lógicas “pragmáticas” e “realistas”, quer dizer humanitárias, triunfam. Ouve-se falar de “apoio aos/às refugiadxs”, quando as lutas tinham imposto a recusa destas denominações de Estado (ou de co-gestores) que validem a triagem de imigrantes – a regularização pela normalidade, pelo trabalho, família ou o amor à pátria  assim como desta posição de “apoio” que condena à impotência e ao paternalismo, e na qual se instalam doravante aquelas e aqueles que queriam ao invés acabar com as fronteiras e com o encarceramento sob todas as suas formas. Uma época de pacificação e de confusão cuja página deve ser rapidamente virada, com a memória do que estas lutas poderiam ser, do que elas poderiam ter de verdadeiramente ofensivo, e a vontade de voltar a percorrer os caminhos da subversão do existente, dos seus defensores e dos seus falsos críticos.

Em vez dos betumes políticos e identitários, das crispações egotistas e dos modos de afirmação política que não podem senão aprofundar-se na separação e no isolamento – envernizando a vaidade de radicalidade e as derivas nas quais se atola o monótono filme que vivemos – precisamos de encontrar novos espaços de luta desinteressados e comuns, sem deuses e sem chefes, nos quais não esteja em causa situar-se, ou ser situado, seja num plano político, de afinidade ou de identidade.

Mais do que reconstruir o passado para estabelecer uma mito-poiesis por despeito de um presente decomposto, e de delimitar lugares predefinidos – em despeito de um passado no qual as divergências se pudessem exprimir, dialogar, confrontar-se na construção comum de perspectivas revolucionárias – é urgente desenhar na memória lutas multiformes, vivas e abundantes que alimentem a nossa recusa deste mundo, do Estado e das suas fronteiras.

Estes dois processos – tal como todos os outros impostos àquelas e àqueles que lutam – são golpes – entre tantos outros – levados a cabo pelo Estado na guerra social desde sempre em curso. Cabe-nos assim retomar a iniciativa e a ofensiva, mais do que continuar a sofrer.

Não nos deixemos julgar em silêncio.
Liberdade para todos e todas, com ou sem papéis.
Fogo a todas as prisões!

pafledab@canaglie.net

original em pdf aqui

em francês

[França] : Surge uma nova publicação – Avis de tempêtes

Acaba de sair uma nova publicação: Avis de tempêtes [Tormentas à vista] boletim anarquista para a guerra social.

Para ler, imprimir e distribuir à sua volta este pequeno boletim (em formato A5, tem 12 páginas) – pode ser encontrado um novo número a 15 de cada mês, bem como os anteriores, no blog: avisdetempetes.noblogs.org.

“Recomeçar, sempre. Esta é a sorte (que pode parecer um pouco trágica) de todxs aquelxs que se encontram em guerra contra este mundo de horrores infinitos. Ao longo do caminho alguns e algumas tombam, outros e outras não resistem às sirenes que apelam à resignação e a entrar nos eixos, a virar completamente a casaca. Outrxs, aquelxs que persistem em lutar entre altos e baixos, têm de encontrar sempre a força e determinação para recomeçar.

No entanto, vendo bem, a tragédia não é começar de novo, começar do zero, mas sim desistir e trair-se. A consciência, sempre individual, pode transformar-se num pesado fardo e ser cruel quando a traímos sem dispôr de quantidade suficiente de anestésicos.

Porque este mundo não se esquece delxs e destila-os até. Uma pequena carreira alternativa à sua própria custa, domingos para se ir maravilhar num parque natural, um projecto humanitário ou cultural, de facto drogas, francamente mais duras: telas de todos os tipos, realidades e sociabilidades virtuais, embrutecimento total.

Não, uma tal sorte assusta-nos muito mais do que todo o sofrimento, que todas as penas relacionadas com a falha na destruição da autoridade …

Clica aqui para descarregares o boletim nº 1

em francês

Grenoble, França: Solidariedade incendiária

“Três da manhã na quinta-feira, 21 de Setembro, segundo dia do processo do carro de patrulha queimado. Entramos no quartel da gendarmeria Vigny-Musset. Queimamos seis carrinhas de intervenção e dois camiões de logística. A garagem e o armazém foram destruídos numa superfície de mais de 1500 metros quadrados.

Esta ação inscreve-se numa onda de ataques em solidariedade com as pessoas que passam em processo nos dias de hoje. Um forte abraço a Kara e Krem. Um pensamento para Damien, recentemente espancado pela bófia. Seja qual for o resultado do processo,
continuaremos a buscá-lo na polícia e a justiça. A nossa hostilidade é um fogo que se espalha.

Os noturnos”


Fonte Indymedia Grenoble

N.T. O poste original tem estado cancelado no seguimento da intervenção do Ministro da Administração Interna francês por “provocação para se cometer atos de terrorismo ou apologia de tais atos” ⟨artigo 421-2-5 do código penal francês).

em inglês via insurrectionnews italiano

Paris, França: O jornal mural anarquista “Blasphegme” encontra-se a hibernar

‘Blasphegme’ é um boletim de rua anarquista que aparece nas paredes de Paris, em França. Foram produzidas quatro edições. O objetivo do boletim é a agitação, difundindo ideias anarquistas, propagando sementes de subversão numa vida quotidiana tão encapsulada como o papel gráfico.

Como alguns/mas poderão ter reparado, o jornal Blasphegme fez uma pausa. A razão é que sou eu sózinha a fazê-lo e decidi voar para longe da gaiola cinzenta em que me encontrava. partindo a vagabundear, procurando por um pouco de beleza, de alegria, de cumplicidade, calma, aventura e reconforto.

Talvez um dia eu escreva um texto sobre as violências que me empurraram para o espaço aberto de Paris, sobre o desgosto e o desapontamento que sinto em relação a um meio anarquista que protege e dá razão aos agressores, sobre o quão duro é existir num ambiente que reconhece apenas os grandes discursos, o carisma, e que destila as hipocrisias, as manipulações autoritárias; sobre o quão difícil é existir enquanto anarquista no feminino, num ambiente que tem dificuldade em aceitar que uma companheira é capaz de pensar e agir por conta própria, sem que de nenhum homem dependa.

Fazer este jornal era uma blasfémia contra estes autoritários que acreditam ter uma qualquer influência sobre o meio, era para lhes mostrar que há indivíduxs que funcionam sem a sua benção (e sem se ajoelhar perante eles), sem pertencer a um clã ou outro,
sem defender as suas capelinhas e ideologias esclerosadas. Também estava a tentar fazer
algo apesar de tudo, em pequena escala, contribuindo para espalhar ideias que me são caras enquanto ser individual. Porque não somos todos iguais na “afinidade”, que depende principalmente da capacidade de socialização uns dos outros mas também de sermos gregários e do amiguismo. Aqueles que não se sentem em seu lugar nesta sociedade, por várias razões, também são encontrados nas margens desses pequenos ambientes que afirmam funcionar de forma diferente da sociedade, considerando que este não é o caso. E este artigo deveria mostrar que mesmo em situações de isolamento (desejado ou não), sempre se pode fazer algo … um jornal, mas muitas outras coisas mais interessantes de acordo com os meios de cada um, desejos, energia, etc.

Agradeço aos raros companheiros que me ajudaram a colocar Blasphegme na rua, que me encorajaram, que fizeram revisão. Vocês deram-me energia quando eu não a tinha e permitiram que não desistisse nos momentos difíceis em que eram os únicos ao meu lado.

Pode ser que Blasphegme reapareça nas paredes, talvez mude de língua, de formato, etc. Quem sabe… neste momento Blasphegme está a hibernar.

via insurrection news l francês

Paris, França: Julgamento pelo incêndio do carro da polícia da rua Valmy

De 19 a 22 de Setembro, 9 pessoas serão julgadas, acusadas do ataque a um carro da polícia ocorrido na rua Valmy, em Paris, no dia 18 de Maio de 2016. Duas dessas pessoas estão em prisão preventiva à espera de julgamento – uma delas há mais de um ano – enquanto que outras seis encontram-se sujeitas a medidas cautelares e uma última está a ser procurada.

Naquele dia, em pleno movimento contra a “lei do trabalho”, alguns polícias foram-se concentrando na praça de la République para se queixar do “ódio anti-bófia”. Uma verdadeira provocação, após dois meses de manifestações reprimidas à base de lacrimogéneos, granadas, matracas, detenções. Uma contra-manifestação foi convocada e proíbida, no entanto lançam-se pelas ruas de Paris e dada altura cruzam-se com uma patrulha com dois bófias a bordo, o carro é atacado e a seguir incendiado.
Para muitxs esse gesto deu alento. Como deu alento quando tudo rebentou em Beaumont após o assassinato de Adama Traoré, em Aulnay, ou após a violação a Théo, ou ainda quando um carro policial é incendiado por sua vez em frente da delegacia do distrito 19, na noite do assassinato de Shaoyo Liu, ou por fim quando as ruas de Hamburgo se incendiaram durante o G20. Da mesma forma, acontece isso quando se devolve à bófia um pouco da humilhação e das brutalidades que eles infligem quotidianamente.

A justiça atinge com força sempre que os seus sequazes de azul são atacados. É que a justiça e polícia encontram-se ambas ao serviço do Estado e dos poderosos deste mundo, para perpetuar a ordem das coisas, baseados na exploração, racismo, sexismo, homofobia e que não deveria dar a impressão de poder mudar as coisas. Então faz falta pôr sob controlo, com a ameaça de prisão a todxs aquelxs  que,  por escolha ou por necessidade, saem dos caminhos pautados do trabalho, consumo, da submissão ao poder. Os meios à sua disposição são cada vez mais numerosos. Seja através do anúncio da construção de dezenas de novas prisões – para encerrar cada vez mais pessoas – da legalização a partir do estado de emergência permanente, ou inclusivamente a partir da nova lei sobre a legítima defesa da bófia. Tudo isto à base de “é para a sua segurança”, no meio da aceitação geral ou quase geral.

É neste contexto que o julgamento vai ter lugar, sem dúvida alguma sob uma forte pressão mediática para que seja feito um julgamento exemplar, contra a lei geral do trabalho e de forma mais geral contra a hostilidade difusa à polícia, particularmente palpável nos últimos tempos. Perante isto compete-nos não nos deixarmos amoradaçar. Expressemos a nossa nuestra solidariedade com aquelxs que sofrem a repressão devido a actos de revolta nos quais nos reconhecemos. Não deixemos a sala de tribunal aos jornalistas e à parte civil, entre os quais a Alliance, sindicato de polícia que apelou à manifestação do 18 de Maio de 2016, sempre prontos para se mostrar nos media, em campanhas racistas e apelando à segurança. Façamos viver a nossa solidariedade da mesma forma nas ruas. Aqui ou em outros locais, não deixemos que a justiça vá condenar na indiferença, sabotemos a cadeia do controlo e do confinamento, recusemos o “policiamento” das nossas vidas e as diversas medidas que têm como objectivo torná-la total e permanente.

Liberdade para xs acusadxs do incêndio do carro policial, queimado a 18 de Maio de 2016!
Liberdade para todxs!

Julgamento todos os dias às 13.30h de 19 a 22 de Setembro, sala 14 do TGI de Paris, metro Cité.

Atentxs às próximas convocatórias para discussõess e outras iniciativas solidárias!

em pdf (francês) aqui
cartaz  aqui

Para escrever à companheira (inglês e francês):

Kara (David Brault) 428682
MAH de Fleury Mérogis
7 avenue des peupliers
91705
Fleury, France – França

em francês via cettesemaine.info , espanhol

Besançon, França: Ação de solidariedade com xs insurretxs em Hamburgo no âmbito da Cimeira do G20

Alguns/mas em Besançon, durante a Cimeira do G20, em Hamburgo, grafitaram vários slogans. Já outros slogans que foram graffitados a spray, tais como: “Welcome to Hell G20” [Bem-vindo ao Inferno, G20], “Contre le G20 et son monde” [Contra a Cimeira do G20 e o seu mundo] ou “Sauvez la nature, détruisez la civilisation” [Perseva a natureza, destrói a civilização] (A) infelizmente já não poderiam ser fotografados, porque rapidamente foram removidos pelos Serviços de limpeza municipais.

ESMAGA G20

HAMBURGO ESTÁ A QUEIMAR (A)
ABAIXO O CAPITAL! NO G20 (A)
SOLIDARIEDADE COM A REVOLTA EM HAMBURGO – NO G20
“Hamburgo incontrolável! Nog20” (graffiti deixado na fachada dos escritórios da SDF – a companhia de segurança que instala entre outros, o sistema de alarme e vigilância em supermercados).
NEM LEI NEM PATRÃO
NEM LEI NEM MACRON SOLIDARIEDADE COM XS IMIGRANTES
ABAIXO A DITADURA DO CAPITAL
HABITAÇÃO PARA TODXS, PROPRIEDADE DE NINGUÉM (A)

em alemão

Paris, França: Solidariedade é o ataque!

Na noite de 28 para 29 de Maio, na Rua Romainville (Les Lilas), foi deixado em chamas um utilitário da Direcção Interdepartamental das estradas de l’île de france, uma das muitas peças periféricas da engrenagem que garante o funcionamento do Estado.

Queremos enviar solidariedade aos anarquistas que foram a julgamento no dia 29 de Maio, após a operação Scripta Manent em Itália.

Solidariedade também com Damien. A sua atitude combativa na prisão dá-nos a motivação. Pensamos que a solidariedade é uma relação de reconhecimento mútuo na base da conflitualidade contra o existente. Não somos solidárixs da desgraça mas sim da revolta.

Um pensamento também para Kara e Krem.

Por um mês de Junho perigoso.

Solidariedade é ataque.

em francês

[França] «Sans Attendre Demain» um novo site anarquista

«Sans Attendre Demain» [Sem esperar por amanhã] é um site anarquista que surge não só para a retransmissão das lutas em França e por todo o mundo mas também como ferramenta de disseminação das lutas anarquistas, sem dogmatismo ou ideologia. Não se procura, de qualquer forma, substituir a agitação nas ruas. O objetivo deste site é reunir não apenas traços de revolta contra toda a autoridade – quer seja religiosa, estatal ou capitalista – mas também compartilhar a análise e crítica anti-autoritária – do meio revolucionário do Hexágono – que pareçam interessantes. Um espaço também dedicado à publicação de folhetos, brochuras e cartazes anarquistas.

Para a insurreição! Para a anarquia!

Pode-se sempre contribuir, enviando textos ou comunicados para o e-mail sansattendre[at]riseup.net.

sansattendre.noblogs.org

[França] Jornal mural anarquista “Blasfémia” nº 4: Mão de ferro ou luva de veludo?

«A mais formidável das tiranias não é a que faz de árbitro mas sim a que se existe sob a máscara da legalidade»
– Albert Libertad

A polícia, o braço armado do estado, viola, mutila e mata. As tragédias formam uma cadeia, uma após outra, e em seguida responde-se às solicitações feitas ao “Estado de Direito” contra esses maus elementos que se encontrariam nas fileiras da polícia (desde desarmar a polícia, a justiça julgar e punir os polícias assassinos, a polícia dos polícias punir os seus maus elementos, que já não existem “mortos para nada”) … como se fosse um problema individual, um punhado de pessoas que agiriam mal e empeçonhariam esta instituição do Estado.O polícia quando bate, estupra ou mata alguém, no decurso do seu trabalho, continua a cumprir a sua tarefa. Não é por terem nascido sádicas, se bem que o poder que têm e que sobe à sua cabeça contribua para um certo sadismo. Esta é mesmo a função da polícia que pode, em determinadas situações, necessitar que sejam violentos e sádicos. Se às pessoas não à permitido a humilhação diária (controlos de identidade, insultos, etc.) deve ser por esses funcionários realizarem o seu trabalho sujo. E sem dúvida estes querem-se vingar quando se sentem humilhados por sua vez – porque não era necessariamente o seu sonho de infância o tornarem-se um fantoche do Estado, mas para serem capazes de se olhar no espelho no qual devem pensar que são todo-poderosos.

Os tribunais e as polícias são meros baluartes da loucura para garantir que ninguém coloca areia nas rodas da máquina do Estado e, quando isso acontece de qualquer maneira, a polícia está lá para acertar as coisas, para proteger o Estado a todo o custo, evitar que o controle sobre a sociedade seja perdido, mesmo que momentaneamente. Porque o maior perigo para o Estado é que esses pequenos gestos de rebelião sejam reproduzidos socialmente – por isso devem ser cortados pela raiz, às vezes de forma radical, se bem que inventem histórias assim que o método repressivo ultrapasse os limites das leis que criam.

Uma polícia gentil, não-violenta, não é uma utopia é perfeitamente realizável. Mas tal situação só poderia acontecer numa sociedade totalmente pacífica, onde a menor explosão de cólera não existe, onde as paixões estariam extintas, onde a estabilidade da sociedade seria o valor supremo, a comunidade tornando-se tudo e o indivíduo nada.

Para se ter uma polícia gentil tornar-se-ia necessário sacrificar as nossas individualidade ao  bem comum e a um mundo de valores que não deixa espaço às paixões; uma sociedade baseada na mediação, pacificação, sacrifício, acomodação e compromisso. No melhor dos mundos a maior punição seria o banimento e a cada cidadão caberia a responsabilidade da defesa da ordem existente. E que papel caberia à polícia? Esta teria sempre o mesmo papel, o de velar para que a sociedade funcionasse bem, para expulsar os refractários e impedi-los de incentivar outros a não respeitar as regras do jogo. Claro que para cumprir o seu papel teria sempre toda uma gama de métodos, se bem que às vezes alguns sejam mais eficazes que a violência física…

Não queremos nem esta sociedade que engendraria uma polícia não violenta nem aquela que produz instantaneamente a bófia violenta, incluíndo-a até na nossa cabeça. Se existe bófia é para proteger o sistema capitalista, este mundo de exploração e miséria, e para nos impedir de alcançar nosso pleno potencial enquanto indivíduos.

Pouco importa que a cerca à nossa volta tenha ou não arame farpado, seja electrificada ou mais ou menos alta. O problema é que estamos presxs e não como estamos presxs. Polícias gentis, mestres gentis, continuarão a ser uma autoridade acima de nossas cabeças, normas sociais que ditam as nossas vidas, que as atrofiam; permanecerá um Estado que controla cada parcela da nossa existência. Assim, os nossos sonhos são grandes demais para os estreitos limites de qualquer Estado e a resignação não constitui uma opção.

Não queremos nem o punho de ferro nem a luva de veludo. Preferimos cortar esta mão do estado, qualquer que seja ela, que só pode servir para nos estrangular.

PORQUE QUEREMOS DESTRUIR O PODER, AQUELES QUE O DETÊM E AQUELES QUE O DEFENDEM!

                                   mais em blasphegme.noblogs.org      

França: Calcinados 4 veículos da autoridade metropolitana de Toulouse

Na noite de 21 para 22 de Janeiro de 2017 explodiram em chamas quatro carros da autoridade metropolitana de Toulouse.

Após nos termos introduzido discretamente na área de estacionamento privativa desta empresa, deitámos fogo aos veículos de caixa aberta que se encontravam estacionados. Uma pequena contribuição à crítica da metrópole e da maneira como ela apodrece as nossas vidas.

Solidariedade com Damien, preso em Fleury.

fonte: iaata.info

grego

Paris: Um companheiro em prisão preventiva no contexto da mobilização contra a lei do trabalho

jaguar-paris-15-4-2016-2O companheiro anarquista detido na quarta-feira no dia 7 de Dezembro, na Bretanha, foi presente ao juiz no dia seguinte, na secção 23 do Palácio da Justiça de Paris, ficando em prisão preventiva.

Acusado de causar danos tanto num Centro de Emprego como numa estrutura da Câmara de Comércio e Indústria, para além dum supermercado Franprix e ainda dum concessionário da Jaguar – durante uma manifestação espontânea contra as reformas laborais, ocorrida na noite de 14 de Abril entre o décimo e o décimo nono distritos de Paris – a bófia identificou-o só no verão tendo tido problemas para o encontrar, embora aquele não se estivesse a esconder de nada.

Um mandado de prisão emitido em Agosto exigiu uma pesquisa no arquivo de contas bancárias (Ficoba) que lista todas as contas bancárias em França (por exemplo, para localizar as últimas retiradas) bem como a investigação sobre a demarcação de seu telefone. O companheiro recusou-se a ser julgado em “julgamento imediato” e o procurador aceitou esse pedido, encontrando-se actualmente na prisão de Fleury-Merogis [NT: na região de Paris].

Para além disto, este tribunal demonstrou, como se fosse necessário alguma vez, o rosto de Justiça. Todos os réus que eram pobres e / ou com dependência de várias substâncias foram sistematicamente considerados pelo Procurador e pelos juízes como provas contra ele. Mesmo algumas tentativas de pôr-se ao nível não obtiveram clemência.

O companheiro estava na forma e manteve uma atitude digna contra esses lacaios do poder, afirmando que falará em breve. Um pequena pérola do discurso do Procurador a propósito do companheiro: “O sr. diz-se anarquista, todos têm o direito de ter uma opinião, as ideias anarquistas são o que são mas elas não justificam em nada os factos que lhe são imputados”.

O julgamento realizar-se-á a 19 de Janeiro às 13:30, na secção 23 do Palácio da Justiça.

Éramos muitos nas ruas durante as manifestações na Primavera deste ano. A quebra destas janelas (incluindo os do Jaguar!) entreteve-nos durante vários dias, como um pequeno raio de sol na escuridão. Cada dia de detenção de nosso companheiro ou de qualquer outro prisioneiro traz consigo os actos de revolta contra este mundo.

A solidariedade é o ataque!

Alguns e algumas anarquistas

em italiano

França: Um veículo da Engie incendiado em Paris

fogoSCRIPTA MANENT ? ACTA NON VERBA !
“As palavras escritas permanecem”? Ações, não as palavras!

Face à repressão que atinge companheirxs anarquistas em Itália (Operação Scripta Manent), face aos nossos inimigos que são o Estado e o capital, acreditamos ainda e sempre que a melhor solidariedade é o ataque. Elxs pagam por atos que pertencem a todxs xs anarquistas do mundo inteiro. Queremos enviar-lhes um sinal da nossa proximidade com os factos. Ao contrário de outrxs daqui e doutros lugares que se contentam com um pouco de retórica nos seus sites na internet.

Na noite de 3 para 4 de Outubro, no prolongamento da rua Candale, na área de Pantin, deitamos fogo a um veículo pertencente à Engie, empresa que colabora com o Estado no encarceramento (administração de prisões e centros de detenção).

Fogo às prisões !
Solidariedade é ataque!

De alguns/mas outrxs anarquistas solidárixs de Paris

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Toulouse, França: “Estávamos fartos” – Delegacia da polícia atacada com cocktails Molotov

molotov
Na madrugada de terça-feira, 26 de Abril, atacamos uma delegacia de polícia com cocktails Molotov.

Não nos iludamos por mais tempo. Estávamos fartos.
Fartos que nos impinjam que “as coisas serão melhor amanhã.”
Fartos de esperar pelo movimento social.
Fartos dos “até à próxima semana” monótonos e tristes.
Fartos do espectáculo da contestação onde o medo invade o estômago e a renúncia a cabeça.
Fartos de procurar na Internet “lá onde expluda” ou de se masturbar perante os confrontos gravados e publicados no YouTube.
Fartos de fazer 600 kilómetros para um distúrbio.
Parece-se com um novo desporto. O pior. Uma nova profissão.
Amotinadorxs profesionais dos movimentos sociais.
É impressionante no CV militante.
Fartos de virar os caixotes do lixo ou de pôr uma carrada de lixo na estrada e conseguir que sermos gaseadxs passe por uma vitória.
Fartos de pretender ser felizes quando nada acontece.
Fartos de fingir que estamos de acordo.
Fartos de fingir que nos importamos com a ley de El-Khomri.
Não temos esperado pelos indignados 2.0 para passar as noites de pé.
Há que dizer o que se passa.
Estamos impacientes.
Não entendemos porque é que devemos agendar uma consulta ao Poder para o desafiar, cercados por cada vez mais uniformes e de bófia-pacifistas.

Isto foi feito por prazer.
Foi feito para assinalar uma ruptura.
Porque estamos agoniados e felizes ao mesmo tempo.
Não queremos estar mais ali, onde contam que estejamos.

Gostaríamos de enviar um duplo abraço combativo.
Primeiro para Mónica e Francisco, em Espanha.
A seguir para xs companheirxs de Bruxelas a sofrer também a repressão por acusações de terrorismo.
A nossa solidariedade é o ataque, o nosso crime a liberdade.

Até já.

em inglês l espanhol

Marselha, França: Breve reportagem da manifestação selvagem noturna de 16 de Abril

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Fotos da Action Française [Ação Francesa] na rua Navarin.

 Depois de muitas horas sentadxs no Noite de pé [Nuit Debout] (?!), algumas pessoas tomaram a palavra para apelar a uma partida em manif selvagem. Grande parte da assembleia levantou-se para uma caminhada pela cidade …

Cerca das 23:30 duas centenas de pessoas descem a rua Estelle aos gritos de: ” greve, bloqueio, manifs selvagens”, “Marselha, de pé, levanta-te”, “lei, trabalho, retirada dos dois”. A manif dirigiu-se para o local do PS, que se encontra recoberto de palavrinhas, e cujas janelas se encontram altamente blindadas. Quase sem pausa, partiu-se para o pequeno local da frente nacional, bem escondido, perto da praça Castellane. Estores fechados e alguns transeuntes incentivando a manif, aproximando-se e até a acompanhando num pequeno trajecto.

Renicia-se em direção à baixa, desta vez pela rua Navarin. E desta vez os fachos da Ação Francesa não têm a polícia anti-motim para proteger a sua sede. Sede na qual as janelas não são blindadas e onde a porta foi rapidamente destruída aos gritos de “Chega de fachos nos nossos bairros, chega de bairro para xs fachos”  e com os sorrisos dxs habitantes do bairro – que vêem tudo o que se está a desenrolar – a acompanhar-nos.

Ainda a gritar palavras de ordem contra a lei El-Khomri, trabalho e polícia, a manif rapidamente atingiu a baixa, depois Cours Julien, onde o Noite de pé seguiu o seu curso.

em francês via Marseille Autonomous Info  l  inglês

Nantes, França: Relato da manifestação de 31 de Março

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Hoje, 31 de Março, ocorreu um nova jornada de mobilização contra as reformas laborais. Por toda a parte, em França, as Faculdades foram bloqueadas, as escolas estavam em greve e várias manifestações terminaram em conflito contra a bófia, como no caso de Toulouse, Marselha, Rennes, Nantes e Paris.

Em Nantes, a manifestação reuniu mais de 30.000 pessoas e, ao longo de todo o desfile, os bancos foram sendo atacados com martelos e extintores, até a Câmara Municipal foi atingida, uma agência da Vinci (os construtores do aeroporto na ZAD de Notre-Dame-des-Landes) foi redesenhada tal como o escritório do Partido Socialista. O hotel de luxo Le Radisson, localizado no interior das muralhas do antigo tribunal penal, é um dos símbolos do estilo de gentrificação em Nantes: a prisão, que foi fundada atrás, foi totalmente esvaziada para deixar espaço limpo para os ricos. Nesta ocasião foi repintada com lotes de extintores, uma piscadela de olho para Georges Courtois, que tomou o tribunal como refém durante o seu julgamento em 1985, juntamente com Abdelkarim Khalki e Patrick Thiolet.

Foram erguidas barricadas em vários locais, estradas foram despavimentadas e todo o dia choveram granadas de gás lacrimogéneo. Vários tiros de LBD 40 (Flashball) foram disparados.

Desemprego, Numerário e Motins!

ACAB!nantes2nantes4nantes3

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Marsellha, França: Oficina de escrita de cartas a presxs em solidariedade com Rebecca Rubin do ELF/ALF e Gaël em Nantes

Oficina da escrita de cartas a presxs - Domingo, 10 de Abril de 2016, das 2 às 6 da tarde. Em apoio à presa Rebecca Rubin, do ELF-ALF e de Gaël, na prisão por 6 meses a seguir à manifestação de Nantes contra a Lei El Khomri [ministro do Trabalho]
Oficina da escrita de cartas a presxs – domingo, 10 de Abril de 2016, das 2 às 6 da tarde. Em apoio à presa Rebecca Rubin, do ELF-ALF e de Gaël, na prisão por 6 meses
a seguir à manifestação de Nantes contra a Lei El Khomri [ministro do Trabalho]

Desde Janeiro que oficinas de escrita a presxs têm vindo a ser realizadas no Le Kiosque [Marselha],  a primeira por ocasião do dia de solidariedade com xs prisioneirxs trans, a seguir em suporte de Osman Evcan, na prisão desde os trintas anos de idade e a começar a sua quarta greve de fome para receber refeições vegan, ele e todxs xs presxs que o desejarem.

Desta vez é especialmente em solidariedade com Rebecca Rubin, a cumprir uma pena de prisão de 5 anos por incêndios, tentativa de incêndio e conspiração para cometer incêndios nos estados de Colorado, Oregon e Califórnia em nome do ELF e ALF entre 1996 e 2001 [também participou na libertação de cavalos selvagens na Califórnia e Oregon]. Um dos incêndios em 1998 provocou um prejuízo de 12 milhões de dólares
numa estação de esqui. Rebecca sempre se recusou a fornecer os nomes dxs outrxs participantes nesses incêndios.

Em 2006, Rebecca soube que estava a ser procurada pelos incêndios enquanto os meios de comunicação não hesitavam em a comparar a Osama bin Laden. Recusou-se a se entregar, sendo presa pelo FBI em 2012.

Solidariedade também com Gaël: Em Nantes, durante uma das manifestações contra a lei do trabalho, sete pessoas foram colocadas sob custódia. Duas foram libertadas com citações ao passo que Gaël continuou trancado até ao seu julgamento na segunda-feira, 21 de Março, onde foi condenado a 6 meses de prisão.

Encontro na tarde de domingo, 10 de Abril, das 2 às 6 da tarde, no Le Kiosque (no 38 da rua Clovis Hugues, Belle de Mai):

Oficina de escrita de cartas
Emissões de rádio anti- carcerárias
Música
InfoKiosque
🙂

A solidariedade é uma arma

Agora, tal como a partir de Maio de 2014, Rebecca encontra-se no Instituição Correcional Federal de Dublin [FCI Dublin], na Califórnia:

Rebecca Rubin
#98290-011
FCI Dublin
5701 8th Street – Camp Parks
Dublin, California 94568
USA

Marselha, França: Semana de ação em solidariedade com a resistência em Calais

Na sequência dos recentes despejos em Calais, uma semana de acções em solidariedade com a resistência da « Jungle » teve lugar em Marselha. Numerosas indivídualidades e grupos contribuíram de forma anónima para as diversas ações contidas neste comunicado. Todos os alvos escolhidos colaboram na repressão, subjugação e deportação de imigrantes e/ou pessoas sem papéis em Calais e noutros lugares.

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Abaixo segue a lista das acções tal como foram comunicadas pelos responsáveis:

500 autocolantes distribuídos pela cidade

i“Não aos despejos/deportações(*) – Solidariedade com a resistência em Calais”, “Imigrantes bem vindxs – tragam a malta”, “Colaboração – Solidariedade com xs sem papéis em Calais”, bem como vários outros, em francês e inglês.

No domingo, 6 de Março, tiveram lugar diversas pequenas ações

Foram destruídos cartazes da Frente Nacional (FN) tendo sido pintados slogans pró-migração numa parede das proximidades; Furados pneus de um veículo pertencente à Orange Telecom (ligada ao estado); Pintado com spray“Colaborador em deportações/despejos” em três marcos do correio da La Poste.
Um multibanco e uma câmara de segurança foram sabotados com tinta num banco BNP Paribas, na Avenue de la Corderie – “collabo” foi escrito junto à caixa multibanco.
O edifício da La Poste também foi pintado com spray: “Colaborador em despejos/deportações”.

200 cartazes colados à volta de Noailles, Belle de Mai e National (1º e 3º concelhos)

4 tipos de cartazes: “Solidariedade com xs sem papéis em Calais”, “Solidariedade com a resistência em Calais “ e “Solidariedade com as greves de fome em Calais “ (o último em francês e inglês).

Na 4ª feira, 9 de Março, de madrugada

Colocação de uma faixa em que se podia ler “Solidariedade com a resistência em Calais – ninguém é ilegal”; Slogans pintados com spray: “nem documentos, nem deportações/despejos”, “fogo às fronteiras, fogo ao estado”, “ sem fronteiras – sem estado – sem problemas”, “Vinci colabora em despejos/deportações” e “Não às deportações/despejos”.

Na 5ª feira, 10 de Março

– Ás 4:30 da manhã: Vidraças quebradas com pedras e fechaduras sabotadas. Contra os colaboradores ‘humanitários’ e as suas tentativas de adoçar a violência das fronteiras. Não há despejos pacíficos. Edifício da Cruz Vermelha, Rua Baille, 5º concelho.

–  Duas caixas multibanco da colaboradora LCL postos fora de serviço. Uma viatura metropolitana sabotada e pintada com “calais” no tejadilho.

–  Pintadas contra o Grupo SOS, em 6 edifícios seus no 1º, 3º e 7º concelhos: no 200 e 357 do blvd National, no 3 do blvd Grigou, no 2 da rua Grigan (fechaduras igualmente partidas), no 24a da rua Fort Notre-Dame, no 1 do blvd Charles Livron . Também foram feitas pintadas em duas estações de correios:  no 184 do blvd National e na praça Bernard de Cabinet:“Colaborador em despejos/deportações”, “Solidariedade com xs sem papéis em Calais” e “Solidariedade com a resistência em Calais”.

–  Noite de 5ª feira: Pintadas e bombas de tinta contra 3 edifícios da Cruz Vermelha à volta do blvd Chave no 5º concelho (uma loja de caridade e escritórios). Mensagens pintadas: “Solidariedade com Calais e “Colaborador em despejos”.

Na 6ª feira, 11 de Março

Um grupo de nós decidiu fazer uma faixa em que se podia ler:
Abaixo todas as fronteiras – Solidariedade com a resistência aos despejos em Calais” em francês, árabe e inglês. Tirámos uma foto com alguns/mas companheirxs segurando a faixa, num pequeno gesto para com todxs aquelxs que lutam em Calais.

Nota dxs tradutorxs: a palavra “expulsions” em francês pode significar mutuamente deportação e/ou despejo. Por esse motivo – onde a palavra “expulsions” foi usada no original em francês – decidimos traduzir sempre em ambas as formas, uma vez que não sabemos qual a intenção dxs contribuidorxs. Onde a especificidade foi implícita, ou declarada abertamente, foi usada a tradução directa.

em inglês l alemão

Colaborador em despejos/deportações
Colaborador em despejos/deportações

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Grupo SOS colabora nos despejos/deportações em Calais
Grupo SOS colabora nos despejos/deportações em Calais
Solidariedade com a resistência em Calais - Colaborador nos despejos/deportações
Solidariedade com a resistência em Calais – Colaborador nos despejos/deportações
Cruz Vermelha Francesa
Cruz Vermelha Francesa
Colaborador nos despejos - Solidariedade com Calais
Colaborador nos despejos – Solidariedade com Calais
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Abaixo todas as fronteiras – Solidariedade com a resistência  aos despejos em Calais

França: Solidariedade com Gaël

A 17 de Março, após uma manifestação em Nantes contra a Lei do Trabalho, diversas pessoas foram presas. Gaël passou 48 horas detido numa esquadra antes de se colocado sob custódia. Segunda-feira 21, presente a um juíz, foi imediatamente condenado a 6 meses de prisão efectiva.

A 24 de Março, após uma nova jornada de manifestações, uma faixa foi colocada numa ponte, em solidariedade com Gaël.

Liberdade para Gaël. Fode a bófia!
Liberdade para Gaël. Fode a bófia!

Também a 30 de Março, em Paris, algumas pintadas foram realizadas na zona de Sacré Coeur, exigindo a sua liberdade.

Liberdade para Gaël
Liberdade para Gaël
Liberdade 1871
Liberdade 1871
Gaël liberdade
Gaël liberdade
Viva a comuna de 1871
Viva a comuna de 1871
1871 – Gaël liberdade – 1871
1871 – Gaël liberdade – 1871
Anti-capitalismo – Liberdade para Gaël
Anti-capitalismo – Liberdade para Gaël

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Besançon, França: Solidariedade com Mónica e Francisco

Abaixo a ordem moral!
Abaixo a ordem moral!
Solidariedade com Mónica e Francisco
Solidariedade com Mónica e Francisco

Durante o fim de semana de 5 e 6 de Março de 2016, a Igreja da Madeleine em Besancon, localizada no bairro Battant, foi etiquetada em solidariedade com xs anarquistas Mónica e Francisco, que se encontram nas mãos do Estado espanhol e que já passaram demasiados anos longos atrás das grades.

Força e coragem para xs companheirxs!

em inglês

Montreuil, Paris: Ataque, dedicado a Mónica e Francisco, contra um arquitecto da dominação

prison-imageNa noite de 8 para 9 de Março de 2016 ateámos fogo à fachada das instalações da empresa de arquitectura Archi 5 – com recipientes do lixo e produtos inflamáveis – na rua Voltaire, centro da cidade de Montreuil-sous-Bois (redondezas de Paris).

No seu website, a Archi 5 gaba-se de ter concebido – ou de estar em vias disso – a seguinte lista de projetos macabros, ao lado de outras construções insignificantes:

Os centros penitenciários de Bourg en Bresse, Draguignan, Mont de Marsan e Rennes, as cadeias de Condé-sur-Sarthe e Vendin le Veil, o Polo da Policia Juduciária de Cergy-Pontoise, o comissariado de Clichy-sous-Bois, o Tribunal de Grande Instância de Chartres e o Centro de Detenção da Polinésia Francesa em Tahiti.

Dedicamos esta ação a todxs aquelxs que lutam pela liberdade e contra toda a autoridade, em especial aos companheirxs anarquistas Mónica Caballero e Francisco Solar que se encontram nas garras do Estado espanhol e que, embora incorrendo em penas de prisão muito pesadas, não renegam uma palavra que seja do que pensam ou do que são.

Fogo às prisões.

Fogo aqueles que as constroem.

em inglês l italiano

Paris, França: Atacadas sedes do Partido Socialista, contra o estado de emergência

roto[18/2/2016]

Cinco sedes do partido governante, Partido Socialista (PS), ficaram sem vidraças nas janelas.

Nos últimos dias foram destruídas as vidraças de cinco sedes do PS, em París e no subúrbio de Seine Saint Denis:no terceiro distrito (rua Charlot, 40), no décimo quinto distrito (rua Mathurin Régnier, 36), no quinto distrito (rua St. Jaques, 328), em Lilas (rua 14 Juilliet) e em Pré Saint Gervais (rua Gabriel Péri, 33).

Opôr-se ao estado de emergência significa opôr-se ao Estado em si e ao partido no Poder, ou seja, o Partido Socialista.

Isto não é feito a dar-se um passeio com os partidos políticos, os sindicatos e os obscurantistas fanáticos, nem tampouco com banquetes com religiosos, ou só queixando-se da violência policial.

Viva a ação direta!

Eles enviam-nos a bófia para rebentar com as nossas portas, nós rebentaremos as suas montras (ou qualquer outra coisa)!

Contra o Estado!

fonte: Indymedia Nantes via Le Chat Noir Emeutier 
em espanhol