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[Santiago do Chile] Assassinam na prisão o companheiro Kevin Garrido – semana de agitação em sua memória de 5 a 12/11

SEMANA DE AGITAÇÃO E PROPAGANDA EM MEMÓRIA DE KEVIN GARRIDO

Na manhã de 2 de novembro de 2018 foi assassinado, no interior da prisão concessionada Santiago 1, o companheiro Kevin Garrido. A primeira informação fala de uma possível luta, no entanto qualquer morte no interior das prisões constitui um assassinato cúmplice com as engrenagens carcerárias e as estatais.

DE 5 A 12 DE NOVEMBRO

PELA DESTRUIÇÃO DE TODAS AS PRISÕES

KEVIN GARRIDO PRESENTE!!!

N.T. O companheiro Kevin Garrido Fernández tinha sido acusado do ataque `à bomba frustrado contra as 12° comissariado da polícia (29/10/2015) e do atentado explosivo contra a Escola da Gendarmeria (19/11/2015) em Santiago. Além de posse de pólvora negra e arma branca.  Após 3 anos em prisão preventiva, a 5 de setembro (2018) foi condenado a um total de 17 anos de prisão. Encontra-se na Prisão Santiago 1 em Santiago, no momento do seu assassinato, no dia 1 de novembro.

FOGO E EXPLOSÕES EM TODAS AS PRISÕES!

[São Paulo, Bra$il] Roda de conversa em solidariedade com Marcelo Villarroel Sepúlveda

recebido a 18.07.18

Na próxima segunda-feira, 23 de julho, acontecerá um encontro em solidariedade ao preso libertário Marcelo Villarroel Sepúlveda, que se encontra encarcerado no presídio de segurança máxima de Santiago, território controlado pelo estado chileno, juntamente a Juan Aliste Vega.

Durante o encontro haverá leitura e escrita de cartas, atualizações sobre o “caso security” que se prolonga desde 2007 e uma conversa informal.

O encontro acontecerá no “espaço tia Estela”, situado na okupa do viaduto no Brás, em São Paulo.

Para enviar qualquer mensagem, sugestões ou contribuições escreva para: atentadoautonomo@espiv.net

“Enquanto houver miséria haverá rebelião”

[Chile] Urgente: Sobre a situação de saúde do companheiro Juan Aliste Vega

SOBRE A SITUAÇÂO URGENTE EM RELAÇÃO À SAÚDE DO NOSSO KOMPANHEIRO, O PRESO SUBVERSIVO AUTÓNOMO JUAN ALISTE VEGA.

FAZENDO UM FERVENTE APELO À SOLIDARIEDADE.

Queremos compartilhar o relato a seguir, o qual contém, no essencial, os detalhes do seu atual estado de saúde:

“No dia 16 de dezembro de 2017, de forma fortuita tive uma convulsão, colapsando-me no chão com perda de consciência e como resultado fui encaminhado ao Hospital Penitenciário, onde exames de sangue, urina e coração foram realizados. Nesse mesmo dia, a ordem médica é dada para ser tratado por um neurologista especialista num hospital ou clínica externos.

Após quase 80 dias, fui atendido no Hospital San Borja Arriarán, a 6 de março 2018, por um neurologista o qual. em vez de ordenar os exames de electro-encéfalograma, electrocardiograma  e scanner cerebral, concluiu com o diagnóstico de Epilepsia Secundária, gerada por malformação artério venosa, produto de golpes recebidos, sin poder precisar a antiguidade destes. Indicou um tratamento primário de um anti-convulsivo chamado Levetirasetam e, em conjunto, a um neuroradiólogo e neurocirurgião definiram a forma de realizar uma intervenção intra-vascular como primeiro passo para evitar o crescimento desta malformação para a seguir intervir, com micro-neurocirurgia, na zona do lado direito do cérebro onde está localizada a malformação artériovenosa.

Os prazos para estas intervenções são estimados entre 1 e 2 meses, isto porque são indicados como urgentes pelo alto risco à minha vida e saúde, ainda mais nas condições de refém do estado em que estou há 8 anos.

No momento, tenho absoluta proibição de praticar desportos e qualquer movimento súbito que gere risco de bater na cabeça. Tenho que manter o descanso, embora seja evidente que, nas circunstâncias do confinamento, isso é impossível.

É uma luta contra o tempo”.

* * *

Hoje confrontamos-nos com um combate pela vida e saúde do  nosso compa. As sequelas de uma vida em guerra são evidentes.Os diversos períodos em que esteve na prisão – de 1991-2001, 2002-2003, 2010 – até ao presente, vão deixando marcas indeléveis no corpo  de Juan que hoje as tem num momento crucial para o qual, inevitavelmente, necessitamos da solidaridad concreta de todxs aquelxs que, de qualquer parte do mundo, podem contribuir nesta “URGENTE CAMPANHA PELA VIDA E SAÚDE DE JUAN ALISTE”.

São momentos que exigem a disposição e entrega sincera de todxs aquelxs que transitam pelo mesmo caminho de luta pela Libertação Total que o nosso irmão.

Fazemos um fervente apelo a fazer-se presente. Resolver os altíssimos custos das operações que se devem realizar é a nossa urgência imediata,  pois os prazos são apertados e não há tempo a perder. No mesmo sentido fazemos um apelo a se multiplicar as instâncias multiformes e nsurretas de apoio e solidariedade, de forma autónoma com o companheiro, a permanecer atentos à sua situação e aos possíveis obstáculos que se avizinhem. Cada um/a pode contribuir com o que seja necessário mas sem dúvida alguma de estar, sem desculpas nem ambiguidades: Pela vida do nosso irmão.

PELA VIDA E SAÚDE DE JUAN: FRATERNIDADE, CUMPLICIDADE, SOLIDARIEDADE!!!!

*Familares, amigxs e companheirxs de Freddy, Marcelo e Juan.

Deixamos aqui as indicações para fazer contribuições em dinheiro:
Depósito bancário em dólares:
Conta corrente 013-01-00747-3
Banco BICE, Marianela Leontina Salinas Aravena, RUT 8.719.216-4. Com o Código swift: BICE CL RM.
Código SBIF: 028
(Cada transferência tem uma cobrança de 30 U$, resguardar os baucher de envío e mandar imagem ao correio: c.verdugo.sa@gmail.com )
Para facer envio de dinheiro por Western Union escrever ao correio c.verdugo.sa@gmail.com, para receber os dados de ccmo e a quem transferir. Este tipo de transação tem um custo que é proporcional à quantia enviada.
Qualquer outra dúvida consultar o correio em questão.

em espanhol

Prisões chilenas: Acerca da situação jurídica do nosso companheiro Marcelo Villaroel – Solidariedade revolucionária como resposta à vingança do Estado!

Acerca da situação jurídica do nosso companheiro Marcelo Villarroel… ou de como a vingança do estado se perpetua em silêncio

Em Setembro passado, foi notificada na 4ª Procuradoria Militar de Santiago a resposta negativa à petição feita para prescrição das sentenças, solicitação essa realizada pelo nosso companheiro Marcelo, há vários meses.

Imediatamente, Marcelo apelou dessa recusa, ficando a resolução do recurso nas mãos do Tribunal Marcial, reafirmando este a recusa, nos primeiros dias de Outubro.

Estas condenações correspondem a causas originadas por ações enquadradas na antiga militância no Mapu-lautaro, organização na qual o nosso compa foi ativo desde muito jovem e da qual foi expulso por “desvios anarquistas”, quando já se encontrava na prisão, em 1995.

Marcelo purgou ininterruptamente 11 anos, dois meses e quinze dias – de 13 de Outubro de 1992 até 28 de Dezembro de 2003 – ficando depois, em prisão noturna, até Março de 2005, altura em que lhe é concedida a chamada “liberdade condicional”, que o obriga a assinar semanalmente até cumprir 20 anos de controle penitenciário.

Marcelo é indiciado como participante no assalto ao Bank Segurity, aos primeiros dias de Novembro de 2007, assim como outros compas –  expropriação essa na qual morreu um polícia e que causou uma resposta do Estado sem precedentes. Marcelo decide passar à clandestinidade e, em Fevereiro de 2008, na sua ausência a “liberdade condicional” é-lhe revogada.

É detido na Argentina em Março de 2008 e, em Setembro de 2014, é condenado a 14 anos efetivos por 2 assaltos bancários.

Foram, entretanto, reactualizadas as penas relativas às causas antigas (emanadas da sempre sinistra “Justiça Militar” ), ficando da seguinte maneira:

– Associação ilícita terrorista: 10 anos e 1 dia.

– Danos a um veículo fiscal, com lesões graves a carabineiros (bófia): 3 anos + 541 dias.

– Co-autoria de homicídio qualificado como terrorista: 15 anos e 1 dia.

– Roubo com intimidação, lei 18.314: 10 anos e 1 dia.

– Atentado explosivo contra embaixada da Espanha: 8 anos.

No total, essas condenações antigas totalizam 46 anos, estabelecendo como data de término o mês de Fevereiro de 2056.

Há uma série de irregularidades nos cálculos e, embora a questão legal nunca tenha sido nem virá a ser o nosso ponto de concentração único, acreditamos que se torna urgente e necessário enfrentar essa situação que, à luz de qualquer ponto de vista, representa uma clara vingança contra um companheiro que mantém em alta as suas convicções subversivas – de corte autónomo e libertário – nunca tendo abandonado o confronto direto pela libertação total, nem nunca renunciado à sua história de combate, deixando-a como mercadoria para livros ou galardões para traficantes de histórias – prestadas onde se refugiam centenas de renegadxs que perambulam por diferentes espaços de índole pseudo-radical.

A nossa chamada é para se deixar tanto a verborreia como os falsos gestos de solidariedade – para que se enfrente esta e cada uma das vinganças que provêm do Estado, como política constante contra todxs aquelxs que não renegam os seus vínculos e convicções.

É hora de agir, de tornar realidade aquilo de nenhum compa estar sózinho na orisão.

PELA DESTRUIÇÃO DE TODAS AS PRISÕES!!!
ENQUANTO EXISTIR MISÉRIA, HAVERÁ REBELIÃO!!!

Pessoas próximas a Marcelo
Santiago-Valparaíso
Outubro de 2017

Prisões chilenas: Carta do companheiro Marcelo Villarroel Sepúlveda respeitante ao caso de Santiago Maldonado

LUTA CONSTANTE CONTRA TODAS AS JAULAS, A AMNÉSIA E A PASSIVIDADE COBARDE!!!

Estas palavras nascem e tornam-se necessárias quando é preciso abraçar todxs aquelxs que se entregam desmedidamente ao buscado encontro da Libertação Total.

Pela ampliação da Revolta, pela ineludível confrontação com o poder, pela disseminação das práticas autónomas de negação da dominação e tudo o que a torna possível.

Enquanto escrevo, o Ódio e a Raiva guiam-me… Enquanto cada um segue a sua vida há um queridx compa que nos falta…

SANTIAGO MALDONADO, o Lechu, o Brujo, desapareceu.
E não posso guardar silêncio nem evitar a sua física ausência.

Desde a altura em que experienciamos a prisão na região dominada pelo Estado da Argentina que os nossos passos se cruzaram. Nós encarceradxs na província de Newken e Santiago agitando na cidade de La Plata, junto a um universo de ativxs companheirxs, solidárixs e cúmplices.

Mais de nove anos depois do momento em que os nossos passos se cruzaram no contínuo caminho da irmandade, caminho esse que nos situa no mesmo lado da trincheira.

Porque tem de ser dito claramente: Estamos em Guerra contra a opressão e a miséria!!!
Contra todas as polícias, Estados, pátrias e xs cobardes que acomodam os seus discursos e vidas para torná-las inofensivas e integradas.

Não há que esquecer nunca que aquelxs de nós que decidiram passar à ofensiva também assumiram o risco permanente. Não somos vítimas passivas das circunstâncias nem merxs espectadorxs.

Tal como aconteceu com Santiago que em completa coerência com o seu sentir anárquico foi feito desaparecer a 1 de Agosto pela Gendarmeria (força intermédia entre a Polícia e o exército) enquanto se solidarizava ativamente com a luta Mapuche em Cushamen, província de Chubut, ao sul da Argentina e próxima da fronteira com o Chile.

Já passou um mês e o Lechuga não aparece. E ainda que Santiago esteja entre todxs xs de nós que não esquecemos nem abandonamos a luta diária a sua presença física faz-nos falta.

Trazê-lo-emos de volta devolvendo golpe por golpe, multiplicando os seus gestos e actos em todo o planeta, contra xs miseráveis responsáveis de que hoje não o possamos abraçar.

Aqui da prisão, hoje a minha chamada é para se aprofundar o ataque contra a amnésia e o medo. Porque quem diz crer na Anarquia deve entrar em ação em concordância com a dita convicção.

Centenas de prisioneirxs revolucionárixs em todo o mundo, unidxs por convicções similares, somos a expressão viva de uma luta sem pátrias nem fronteiras que busca a destruição total de todas as cadeias, jaulas e cárceres nas quais vivem grande parte da população do planeta.

São tempos de combate, não podemos ocultar o evidente.

O fogo rebelde e ancestral vai incinerando as máquinas do capital depredador, o sangue insurreto dxs nossxs caídxs acompanha os nossos rituais de guerra, as nossas silenciosas conspirações buscam a única justiça possível: A Vingança faz-se urgente e necessária.

POR SANTIAGO E TODXS XS NOSSXS CAÍDXS: NEM UM MINUTO DE SILÊNCIO E TODA UMA VIDA DE COMBATE!!!

SOLIDARIEDADE E FRATERNIDADE INTERNACIONAL PELA DEMOLIÇÂO DE TODAS AS PRISÔES!!!

ATÉ À DESTRUIÇÃO DO ÙLTIMO BASTIÃO DA SOCIEDADE CARCERÁRIA!!!

ENQUANTO EXISTIR MISÉRIA HAVERÁ REBELIÃO!!!

Marcelo Villarroel Sepúlveda
Prisioneiro Libertário
Prisão de Alta Segurança
Stgo. Chile
30 Agosto 2017.

em espanhol l inglês

Chile: Compilado de textos do companheiro preso Marcelo Villarroel Sepúlveda


•   Palavras iniciais

“Não sou cidadão, não creio na democracia, não acredito no Estado, não creio em nenhuma das regulações impostas para se poder viver livres”.
– Palavras do compa, no final do julgamento pelo “caso security”. Junho de 2014.

Esta nova edição, tem o objectivo de multiplicar algumas palavras de resistência  – emitidas a partir da prisão de alta segurança neste território – do libertário Marcelo Villarroel Sepúlveda.

O compa Marcelo é um preso subversivo – atualmente a cumprir uma condenação de catorze anos pela expropriação de dois bancos, numa das quais foi abatido um polícia. Este caso mediático foi nomeado “caso security”. Além disso, cumpre uma condenação anterior, à volta de quarenta anos, por várias ações guerrilheiras – quando no passado combateu a ditadura militar e posterior transição à democracia, formando parte do então grupo armado Mapu-Láutaro.

Sem dúvida que a história de guerra do companheiro é digna de ser resgatada – já que aqui se manifesta uma clara experiência na base de valores, ideias e práticas contra esta sociedade indolente e a autoridade em todas as suas expressões, o poder político, o capitalismo, o Estado no seu conjunto. Sendo o amor, a solidariedade, o apoio mútuo e a ação direta, entre outros, os cimentos primordiais de uma práxis subversiva autónoma e libertária que resiste e continua, contra ventos e marés.

Para finalizar, desafiamos todas as mentes conscientes a tomar uma posição protagonista na solidariedade com xs companheirxs na prisão. Retro-alimentamos-nos entre afins, difundamos os seus textos, conheçamos as suas experiências de vida, recordações de combate, acertos e erros – já que estes são uma contribuição mais no conflito e luta contra tudo o que cheire a capital, poder e autoridade.

Ps: Esta 1ª publicação é a continuidade do antigo projecto editorial do Colectivo Luta Revolucionária (finalizado em Dezembro de 2016); hoje voltamos a sacar novos exemplares através da Feira Anarquista Lambros Foundas.

Xs editores.
Maio, Santiago 2017.

•   Breve cronologia

14 de Abril de 1973: Nasce o compa, em Santiago do Chile.

Novembro de 1987: É detido aos 14 anos, a seguir a uma propaganda armada do Mapu-Láutaro num liceu. Foi libertado 1 semana depois e esteve com liberdade vigiada até Outubro de 1989, momento em que voltou à prisão, por ações subversivas. Esteve 9 meses recolhido, sendo nessa altura o preso com menor idade do continente, segundo informações do Comité Internacional da Cruz Vermelha.

13 de Outubro de 1992: É detido quando tinha 19 anos, num operativo da inteligência policial realizado em Lo Prado – o compa opôs-se via confronto armado junto a dois compas mais, um deles faleceu algum tempo depois. Marcelo recebeu 3 balas e foi transferido, ferido, à Brigada de Homicídios de Investigações, onde foi torturado com electricidade e sofrendo vários golpes durante 15 dias.

Dezembro de 2003: O compa acede a benefícios intra-penitenciários, saindo da prisão. A condenação era até ao ano 2043 – acusado de ataque à embaixada de Espanha – por associação ilícita, expropriações, repartições de alimento em povoados, confronto armado com a escolta do intendente Luis Pareto e ataques armados a furgões policiais, em Cerro Navia e Conchalí.

18 de Outubro de 2007: É expropriado o Banco Security em Santiago Centro, durante a retirada os assaltantes abatem o polícia Luís Moyano. Depois destes factos, a imprensa e a polícia apontam-no como um dos assaltantes; o compa decide passar à clandestinidade. Desta maneira quebra o benefício intra-penitenciário.

15 de Março de 2008: O compa é detido, em San Martín de Los Andes, Argentina. Sendo acusado de porte de armas de guerra foi condenado a 3 anos e 6 meses de prisão. Quando já tinha cumprido metade da pena, é expulso a 16 de Dezembro de 2009  e é levado para a Prisão de Alta Segurança, em Santiago do Chile.

Julho de 2014: Após 4 anos de prisão preventiva, em diversos sectores da Prisão de Alta Segurança, após um longo julgamento, Marcelo é por fim condenado a 14 anos de prisão, pela expropriação de 2 bancos e para além disso deverá cumprir a condenação anterior, até ao ano 2043, pelas diversas acções, descritas anteriormente.

Clica aqui para leres/descarregares a publicação.