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[Santiago do Chile] Assassinam na prisão o companheiro Kevin Garrido – semana de agitação em sua memória de 5 a 12/11

SEMANA DE AGITAÇÃO E PROPAGANDA EM MEMÓRIA DE KEVIN GARRIDO

Na manhã de 2 de novembro de 2018 foi assassinado, no interior da prisão concessionada Santiago 1, o companheiro Kevin Garrido. A primeira informação fala de uma possível luta, no entanto qualquer morte no interior das prisões constitui um assassinato cúmplice com as engrenagens carcerárias e as estatais.

DE 5 A 12 DE NOVEMBRO

PELA DESTRUIÇÃO DE TODAS AS PRISÕES

KEVIN GARRIDO PRESENTE!!!

N.T. O companheiro Kevin Garrido Fernández tinha sido acusado do ataque `à bomba frustrado contra as 12° comissariado da polícia (29/10/2015) e do atentado explosivo contra a Escola da Gendarmeria (19/11/2015) em Santiago. Além de posse de pólvora negra e arma branca.  Após 3 anos em prisão preventiva, a 5 de setembro (2018) foi condenado a um total de 17 anos de prisão. Encontra-se na Prisão Santiago 1 em Santiago, no momento do seu assassinato, no dia 1 de novembro.

FOGO E EXPLOSÕES EM TODAS AS PRISÕES!

Argentina: Morte aos Estados assassinos, Santiago presente!

ESTADO/ TERRORISTA E ASSASSINO/ SANTIAGO PRESENTE!

AGORA JÁ FAZES PARTE DA TERRA QUE TANTO AMAVAS

Tristes são as horas que estamos a viver. Ontem, 20 de Outubro, Sérgio Maldonado confirmou o que tanto temíamos. O corpo plantado pela Gendarmeria no rio Chubut é o companheiro Santiago Maldonado.

A gendarmeria é responsável. O Estado é responsável. Porque foram eles que o levaram do território rebelde de Cushamen, a 1 de Agosto.

Santiago Maldonado já não é um desaparecido, agora é um assassinado. Mas não podemos nos esquecer nunca do mais importante. Santiago Maldonado foi morto por lutar, por ser solidário, por enfrentar a Gendarmeria ao lado dos weichafes (guerreiros) do MAP, o Movimento Mapuche Autónomo do Puel Mapu, exigindo a liberdade de Facundo Jones Huala.

Santiago Maldonado foi morto pela propriedade privada. Não satisfeitos com o terem-lo feito desaparecer e matado, quiseram e e continuam a distorcer a sua figura. E até muitxs dos que dizem honrar a sua memória, também.

Há que tê-lo sempre nos nossos corações como um lutador – alguém que tentou, ao lado de outrxs, mudar esta sociedade de merda onde a mercadoria prevalece sobre a vida.

A nossa melhor homenagem será continuar a lutar, continuar a desafiar o Estado e o Capital como ele o fazia. Santiago Maldonado esse que pelejou nas barricadas de Chiloé defendendo o mar. Santiago Maldonado esse que lutou pela imensa terra do sul.

Cada vez que sopre o forte vento da Patagónia, ele lá estará. De cada vez que os rebeldes do mundo tentarem tomar o céu por assalto, ele lá estará.

Descansa companheiro, o mar, a terra e as florestas pelas quais deste a vida estão à tua espera, para te abrigar.

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Pensilvânia, EUA: “Solidariedade com xs professorxs e residentes de Oaxaca! Mantenha-se vivo o fogo!”

DoylestownPennsylvaniaColocamos uma faixa sobre uma estrada à entrada de Doylestown, na Pensilvânia, onde se pode ler: “Solidariedade com xs professorxs e residentes de Oaxaca! Mantenha-se vivo o fogo!”

Hoje, 15 de Julho de 2016, cumprem-se dois meses desde que a Coordenadora Nacional de Trabalhadores da Educação (CNTE) iniciou uma paragem de trabalho a 15 de Maio. Xs professorxs e residentes de Oaxaca continuam a lutar contra a reforma educativa neoliberal implementada por Enrique Peña Nieto. Desde então a comunidade de Oaxaca viu-se confrontada com a repressão fatal do Estado e a discriminação.  Solidarizamos-nos com xs nossxs companheirxs que continuam a lutar nas barricadas. Estendemos o nosso amor e comemoração aos que perdemos. Onde quer que estejam estamos convosco.

it’s going down via philly anti-capitali

Argentina: A vingança não só é necessária como urgente!

Toda a polícia é assassina- Perante a sua repressão ORGANIZAÇÃO E AÇÂO - Que todas as balas lhes sejam devolvidas e que o medo o tenham eles
Toda a polícia é assassina- Perante a sua repressão ORGANIZAÇÃO E AÇÂO – Que todas as balas lhes sejam devolvidas e que o medo o tenham eles – Chavalxs Anti-Bófia em conflito constante contra a Autoridade

A vingança não só é necessária como urgente! Sobre a situação repressiva na região controlada pelo estado argentino.

O Estado policial, de vigilância, castigo, subjugação e morte não se deterá seja numa ditadura ou na democracia. Prova disso são os mais de 4.600 casos de pessoas torturadas, desaparecidas e assassinadas desde 1983 (fim da ditadura nesta região) por guardas prisionais, polícias e diversas forças armadas.

Hoje, enquanto continua o circo eleitoral para se ver qual o amo que dominará os escravos voluntários nos próximos anos, os candidatos presidenciais Daniel Scioli e Mauricio Macri ameaçam com mão dura e mais prisão para os marginais, também para os que se revoltem ou ataquem a propriedade dos ricos, continuarem a inundar com câmaras de vigilância cada canto e aperfeiçoarem os sistemas de identificação biométrica – usando o orçamento acumulado após anos de pilhagem para o investimento em tecnologia militar da última geração – os miseráveis ameaçam pôr nas ruas o mesmíssimo exército, prometem tolerância zero … prometem e cumprem.

Como no caso do jovem assassinado por um disparo dentro de um carro-patrulha na cidade de La Plata, em Agosto passado; na repressão, coordenada pelo intendente nazi Carlos Arroyo, ao encontro nacional de mulheres em Mar del Plata (secundado pelos skinheads ao serviço de Carlos Pampillon) a 11 de Outubro; no ataque a antifascistas nos dias seguintes a estes últimos factos na mesma cidade, e recentemente os disparos contra Lucas Cabello apenas há uns dias, no bairro de La Boca, jovem que hoje agoniza após ser baleado diante da sua filha de 2 anos.

Sobre este último caso, María Eugenia Vidal, vice chefa do governo e inflamada governadora da província de Buenos Aires, emitiu declarações que justificavam a ação policial. Segundo aquela a origem seria uma suposta denúncia por violência de género, algo desmentido drasticamente pela própria mulher do casal.

Pode observar-se como deste modo o sistema recupera lutas que certos sectores impulsionam, utilizando-as como desculpa para fortalecer e perdurar a dominação que desenvolve. Entretanto o ministro da segurança, Guillermo Montenegro, simula estúpidas investigações que se sabe que não levarão a lado nenhum. Justificações absurdas, repetidas pelos meios de comunicação ao serviço dos merdas do poder, justificações como as que emitiu o atual chefe de gabinete Aníbal Fernández, há anos, na altura da morte de Ángel Verón, durante uma manif de protesto no Chaco, dizendo que tinha falecido devido a uma infecção – tratando de omitir que aquele previamente tinha sido espancado pelos mercenários ao serviço do poder. Este mesmo Aníbal Fernández declarou que “terá ido a casa da tia” quando Julio López foi feito desaparecer – pelos grupos de tareia que continuam a operar no pós-ditadura, a seguir às declarações de Julio López em tribunal contra genocidas.

Assim nos iludem. Desta maneira continuam a provocar-nos, cuspindo na nossa cara, assassinando xs chavalxs que se neguem a chegar a acordo e fazer vista grossa tal como se passou com Luciano Arruga, como se passa com tantxs outrxs.

Hoje, Lucas Cabello encontra-se internado num hospital, com impactos de bala no queixo, no braço e num testículo; a sua medula está destruída e nunca mais vai poder caminhar ou utilizar as mãos. Mas a polícia metropolitana continua a guardar as ruas da cidade de Buenos Aires, a mesma metropolitana que reprime e desaloja hospitais, escolas, hortas comunitárias, casas ocupadas…

Como continuam a actuar os vigilantes da Federal, da Bonaerense, da Prefeitura e da Gendarmeria [Corpo policial formado pelos gendarmes] – que com o seu projecto se encarregaram de investigar e infiltrar centenas de organizações sociais refractárias ao modelo imperante – reprimindo em conjunto, tal como no ano de 2002 na batalha da Ponte Pueyrredón, onde caíram em combate os companheiros Darío Santillán e Maximiliano Kosteki. Para cúmulo juntaram-se aos imbecis da polícia municipal, nova força da bófia em que muitos jovens das camadas populares vêm uma oportunidade de saída profissional, talvez se prostituindo no melhor que possamos vir a ter… na nossa dignidade.

Para se entender a realidade com que nos defrontamos, xs que lutamos nesta região, referiremos apenas o que uma informação sobre repressão do período 1983-2014 revela: um total de 4278 mortes por acção policial e torturas seguidas de morte nas prisões e esquadras policiais. Juntam-se um total de 210 pessoas desaparecidas  e 69 assassinatos no âmbito de protestos e manifestações.

Outro dato relevante é que 51 por cento do total dos casos corresponde a jovens rapazes dos 15 aos 25 anos, demonstrando uma não casual decisão de apontar para os sectores mais jovens. 90 por cento delxs estão situados abaixo do limiar da pobreza, pelo que são os chavalos de maior vulnerabilidade social aqueles que mais intervenções sofrem nas diversas instâncias de conflito. De igual gravidade+e o caso das mulheres – além de serem vítimas das redes de tráfico e exploração sexual sofrem a cumplicidade de todo um sistema patriarcal que as desampara.

Os responsáveis desta situação são vários e estamos a nomeá-los. Não falamos em abstracto ou com teorias do politicamente correcto. Não acreditamos que haja casos de “gatilho fácil”, renegamos essa expressão adoptada pela esquerda vernácula, como se houvesse um gatilho fácil e  outro “responsável”; sabemos é que há gatilhos do inimigo a serem-nos apontados diariamente – sabemos do caso do infeliz miliciano de Sergio Berni dirigindo a emboscada para desalojar o Parque Indo-americano, onde mataram duas pessoas; sabemos dos ponteiros políticos inundando os nossos bairros; sabemos de Andrés Núñez que foi sequestrado, no seu domicílio, na madrugada de 28 de Setembro de 1990 por pessoal da Brigada de Investigações de La Plata, levado a essa sede onde o torturaram até à morte; sabemos de Walter Bulacio assassinado pela Polícia Federal em 1991, após assistir a um recital de rock; sabemos de Miguel Brú detido e torturado na esquadra 9º de La Plata e que durante a investigação houve testemunhas ameaçadas e inclusive assassinadas. A um deles, sequestraram-no e não voltou a aparecer. Sabemos de Iván Torres que a 2 de Outubro de 2003 saiu de sua casa em Comodoro Rivadavia, Chubut e indo para uma praça, para jogar futebol com amigos. Nessa tarde dois carros patrulha circulavam pela zona. À meia noite subiram-no para o móvel nº 469, e desde então nunca mais foi visto. Não nos esquecemos de Mariano Ferreyra, manifestante caído em 2010 pelas balas de um gangue do sindicato União Ferroviária, enquanto a polícia deixava a zona “libertada”. Não perdoamos o desaparecimento  do menino César Monsalve, de treze anos, sequestrado a partir da sua casa na cidade patagónica de Trelew, na segunda-feira de 27 de Maio de 2013. Era sobrinho de Bruno Rodríguez Monsalve, uma testemunha-chave no caso onde um jovem de dezasseis anos denunciou que havia sido abusado dentro de uma das celas da esquadra Segunda de Trelew, a 18 de Janeiro de 2012, e assassinado no ano passado.

Sabemos, claro que sabemos, do merdoso ministro da segurança da província de Buenos Aires, Alejandro Granados, que a seguir a ter protagonizado um tiroteio contra quem tentou assaltá-lo, declarou à imprensa: “Estamos em guerra com os delinquentes, e a guerra tem de ser expandida. É matar ou morrer” e afirmou categórico: “Em casa alguma deve faltar uma arma”.

E nós estamos de acordo! Há uma guerra declarada e negá-la não só é estúpido mas também suicida! Que a nenhuma pessoa consequente com o seu desejo de liberdade lhe faltem armas com que defender a sua própria vida destes lacaios do Estado.

Assim estão as coisas companheirxs, está na altura de se redobrar as nossas próprias medidas de segurança, de se preparar e acondicionar o corpo, temperar a mente e o coração, atacar a polícia em toda a parte, com propaganda, com sabotagem, com pedras, com fogo, com balas, com todo o que tenhamos à mão e o que a nossa criatividade seja capaz de nos proporcionar.

Eles continuarão as suas investigações, os seus seguimentos, tomando fotos, fazendo habilidades aos telefones, sequestrando, torturando, assassinando…frente a tais manobras não chega ser solidário ou uma mera conversa informativa, é hora de se ser contundente antes de que seja demasiado tarde.

Não ignoramos nem somos indiferentes à dor dos familiares e dos seres mais próximos dos mortos e desaparecidos, e não é em todos os casos que nos toca “de longe”, e como falamos com “conhecimento de causa” não vamos deixar de afirmar que a prisão e os patéticos pedidos de castigo à mesma justiça – a mesma que se encarrega de nos condenar a anos de agonia entre arame farpado e muros de betão – não conduzem a lado nenhum a não ser a resignação e a posterior aceitação do que nós claramente procuramos destruir.

Em cada um dos nomes dos mortos e desaparecidos que aqui colocamos há bidas, sonhos, projectos, desejos, eram pessoas de carne e osso e foram perfuradas pelas balas da democracia ou fundeados em qualquer riacho, …os responsáveis de tanto massacre também são de carne e osso e está na hora do medo mudar de lugar.

A organizarem-se nos bairros, nas vilas, em cada recanto, no campo ou nas cidades!

A atacá-los com as suas mesmas armas!

Morte a políticos, empresários, juízes, polícias e jornalistas ao serviço do poder!

A vingança não só é necessária como urgente!

TODA A POLÍCIA É ASSASSINA
TODA A POLÍCIA É ASSASSINA

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Montevideu: Mural em memória de Nelson Tourelles, assassinado pela polícia

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  Passados 4 anos da morte de Nelson às mãos da polícia na esquadra 15  – NÂO CALAMOS NEM ESQUEMOS POLÍCIA ASSASSINA

A 20 de Dezembro de 2009  Nelson Tourelles foi assassinado na esquadra 15. Tinha 34 anos, um filho de 9 anos e uma filha de 14. A polícia tentou encobrir-se com todos os enganos possíveis, dizendo que morreu no hospital, mas Nelson tinha morrido na esquadra por causa da pancada recebida. Sofria ataques de pânico e tinha sido detido por pedir ajuda. Ainda que alguns vizinhos tenham tentado explicar a situação aos polícias enquanto o algemavam, estes não se importaram com isso.

Não são necessários mais detalhes e qualquer pessoa pode imaginar as mentiras e os encobrimentos. Quiseram calar todxs com a desculpa de que foi um acidente ou um erro mas o único erro é a sua existência, a existência de pessoas para defender a ordem – baseada na exploração de uns sobre outros – sendo-lhes dada uma arma e mandando-as para a rua.

Fonte: periódico anarquía

Da Grécia ao Paquistão, luta em memória de Shehzad Luqma

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SHEHZAD LUKMAN PRESENTE: NOS NOSSOS CORAÇÕES, NAS NOSSAS RUAS, NAS NOSSAS ARMAS. NEM ESQUECIDO NEM PERDOADO

“Quem disparou não o fez sozinho,
tinha com ele outros carrascos ocultos
tinha com ele os virtuosos
tinha com ele os honrosos
tinha com ele os morais
tinha com ele os justos
tinha com ele os apaziguadores”

No sábado, 17 de Janeiro de 2015, cerca do meio dia, realizou-se no bairro ateniense de Petralona uma manifestação com vista à comemoração dos 2 anos do assassinato racista de Shehzad Luqman, trabalhador imigrante vindo do Paquistão que foi apunhalado até à morte por dois bandidos do Amanhecer Dourado, na rua Trion Ierarhon, quando se dirigia para o trabalho. Cerca de 400 pessoas manifestaram-se de forma dinâmica, a partir da Praça Merkouri, passando pelas ruas estreitas do Ano Petralona e Thissio, para em seguida fazerem uma paragem no local do assassinato, antes de voltar à mesma praça.

Companheirxs dos arredores, nos encontramos outra vez nas ruas, para participar na mobilização convocada com um bloco distinto no final da marcha. Como indivíduos anarquistas – embora cada um/a de nós tenha pontos de partida diferentes – compartilhamos uma convicção comum: Não temos ilusões democráticas nem esperamos que nenhuma justiça burguesa, ou algum sistema eleitoral, solucionem os problemas dxs oprimidxs.  As instituições dos Estados e do Capital são os primeiros responsáveis pelos assassinatos em massa de imigrantes e refugiadxs nas fronteiras continentais e marítimas, pelos pogroms estatais e para-estatais e deportações, pelos campos de concentração, pela difusão da xenofobia e racismo, pela produção e reprodução dos nacionalismos e, no fim de contas, pela fascistização total dos nossos bairros e das nossas sociedades.

A luta em memória de Shehzad Luqman e de cada imigrante morto às mãos dos nazis (com o sem uniforme), é para nós uma luta contra as fronteiras e as pátrias. É uma luta quotidiana, internacional e insurrecionária, até que tornemos ingovernável esta merda.

A DEMOCRACIA É A PATRONA DO FASCISMO
A ÚNICA JUSTIÇA SÃO AS ARMAS DO POVO

Anarquistas

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Combate e memória para xs imigrantes mortxs // Nem um grão de terra para os fascistas // Nós xs amotinadxs não temos pátria // Da Grécia até França, esmaguemos o racismo e a xenofobia
trikloukmanB
Demolamos os campos de concentração para imigrantes // Fogo às fronteiras // Shehzad Lukman presente // Bófia – TV – neonazis, todos os cabrões trabalham juntos

Espanha: Doze mortos

guardia-civil-inmigrante_560x280Doze mortos. De pessoas a corpos enquanto tal, sem vida, são só alguns minutos. Sabemos que nas guerras morrem muitíssimas mais pessoas em muito menos tempo, por exemplo através de uma bomba lançada de um avião, de gases letais, de minas antipessoais. Mas não estamos em guerra. Estamos numa democracia. O mundo livre sonhado. A imagem que o mundo anseia: a grande Europa, a civilização exemplar.

Doze mortos assassinados a tiro por umas personagens que estão em guerra, elxs sim, que estão treinadxs para matar, elxs sim.

Não os confundam. Não se trata da imagem – explorada em todos os sentidos – da morte de alguns cartoonistas e outros membros de uma revista satírica de Paris, há alguns dias, mas da recordação dos 12 corpos dos imigrantes subsarianos crivados de balas e afogados em poucos minutos pela Guarda Civil em Ceuta – há quase um ano, a 6 de Fevereiro de 2014, quando esta polícia militar os obrigava a retroceder, de volta ao mar. Foram mais os assassinados,mas só se encontraram 12 corpos. Os restantes foram tragados pelo mar.

Não houve grandes marchas ou repúdio  e ninguém pensou na palavra de ordem  “Todxs são imigrantes a morrer às portas da Europa “. Claro, não eram brancos ou proveniente de países ricos, mas ainda assim foram mortos de uma maneira cruel e terrível. Não em defesa de qualquer religião ou fundamentalismo, aparentemente, mas em defesa da fronteira sagrada e do Estado. Para marcar, a sangue e fogo, mais uma vez a sua fronteira.

Não se queriam matar os imigrantes que se atreveram a entrar em território espanhol, garante o ministro do Interior e da Guarda Civil, Jorge Fernandez mas “desenhar uma fronteira aquática com buracos de balas na água “. Não há espaço para a chalaça. Eles dizem-no a sério.

Somente no Mar Mediterrânico – fronteira marítima da Europa – em 2014 já bateu o seu próprio “record” (como os media dizem): mais de 3.200 imigrantes que tentavam entrar no continente morreram afogados em menos de 12 meses, sem contar com todos os mortos nas diferentes fronteiras, nos desertos onde são deixados sem água e comida pelas diferentes polícias fronteiriças ou às mãos de criminosos fascistas e forças da ordem, nem tampouco os mortos no momento da chegada ao paraíso europeu em Centros de Detenção   para Estrangeiros ou nas ruas às mãos da polícia, já que, uma vez dentro do território europeu, as boas-vindas não são muito distintas do tratamento que recebem às suas portas de entrada

O assédio policial contra populações inteiras (principalmente os que levam marcados na pele a sua origem), a crescente xenofobia, o racismo promovida pelos meios de comunicação e os políticos, as campanhas contra o que não seja identificável com “o europeu”.

Charlie é europeu e por isso nem todxs somos ele. Há valores, costumes, inclusivé brincadeiras ( algumas um tanto pesadas) que são muito identificáveis com este ente abstrato que se quer fazer chamar ” o europeu”. Mas o certo é que há muitíssima gente, principalmente aqueles que não se podem identificar com os valores dominantes – esses que definem o que “é” e o que “não é” europeu, que não se podem identificar com Charlie nem com os seus valores – e muito menos com o seu sentido de humor.

Esse “Eu sou Charlie” é quem tenta definir uma linha muito precisa: quem não está connosco está contra nós.  Sob esse lema marcharam milhares de pessoas em Paris. à cita nem faltou Rajoy – que é também um daqueles que aterrorizam os imigrantes nas fronteiras e calabouços espanhóis, entre muitos mais dotados – nem tampouco faltou Netanyahu, cujo exército criva de balas centenas de palestinianos na sua Terrae Sanctae,  que encerra a toda a hora todos aqueles que se negam a participar na sua particular forma de aterrorizar e, como seria de esperar, também não faltou o presidente turco Erdogan que semeia o terror contra o povo curdo.  Nem faltaram os chefes das principais potências capitalistas. Todos os chefes de Estado, guardiões do império e da civilização, marcharam contra a barbárie. Junto a estes, milhares de fascistas de todo o continente aproveitaram o impulso de Charlie para saírem a semear no terreno mais que fertil da sua merda – que em breve começará a dar os mais ácidos frutos.

E as ruas de Paris e Barcelona, entre muitíssimas outras, tornam-se ainda mais militarizadas em defesa desses valores. Com fuzis e metralhadoras, os mercenários do Estado preparados para marcar a tiros, como fizeram nas águas de Ceuta, uma fronteira: com balas demarcaram-se os limites que separam o dentro e o fora,  o que é  e o que não é Charlie.

O que afirma Charlie desse terrorismo? Também faz caricaturas graciosas e divertidas com ele? Porque a nós pouca graça achamos a este mundo de merda. Isso significa apoiar o fundamentalismo? De modo algum. Não queremos que nenhum fundamentalismo nos assuste e nos oprima, mas é igual que no seu subtítulo se leia  “Estado Islâmico”, “Estado Laico”, “Estado Charlie” ou “Estado”.

Falaram-nos de liberdade de expressão, como sempre.  Mas quem conheça a ” liberdade de expressão” do Estado sabe a relação que este guarda com o terror: a sua existência baseia-se no medo. A “liberdade” de que o Estado fala é a expressão do monopólio da violência.

Por isso, uma vez mais, estes acontecimentos demonstram-nos que todo o Estado é terrorista.

Alguns e algumas anarquistas
Barcelona, 14 de Janeiro de 2015

francês

Atenas: Intervenção anarquista no Instituto Francês pelo assassinato de Rémi Fraisse

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RÉMI FRAISSE: ESTADO E CAPITAL MATAM – LUTA COMUM CONTRA A EXPLORAÇÃO E REPRESSÃO

remi_athenes-1024x697No sábado, 15 de Novembro de 2014, cerca 20 compas bloquearam a entrada do Instituto Francês de Atenas, situado no bairro de Exarchia, realizando uma intervenção de contra-informação sobre o assassinato de Rémi Fraisse – no pátio e nas aulas – utilizando um megafone portátil,  repartindo textos, arremessando flyers e gritando palavras de ordem. O acto começou às 11:40 e durou cerca de uma hora.

A direção do Instituto, pertencente à embaixada de França, encarregou a segurança  da empresa privada G4, que vigia o espaço, para tratar do assunto. Por sua vez esta chamou a polícia grega. Os aspirantes a vigilantes do Instituto começaram por tentar, sem êxito, fechar as portas dos edifícios para apanhar xs compas no pátio e isolá-los, em caso de operação repressiva. De seguida activaram o sistema de alarme, causando pânico a estudantes e pais, e por fim reuniram xs jovens que acudiam às suas aulas e encerraram-nos numa das salas de aulas. Entretanto chegou a bófia – forças anti-motim MAT e motorizados DELTA – que se posicionaram nas esquinas da rua.

Xs compas finalizaram a intervenção e à sua saída, ao passarem pelos esquadrões  gritaram: “A solidariedade é a arma dos povos, guerra à guerra dos patrões” e “Contra o Estado e o saque, luta pela terra e liberdade”.

A luta contra a exploração da terra e dispositivos armados do Estado francês continua diariamente, em França e noutros lados.

A assembleia de solidariedade com xs amotinadxs em França tem nova reunião na quarta-feira, 19 de Novembro, às 16:00 horas, na Escola Politécnica, em Exarchia,

crónica completa em grego

Chipre: Manifestação em memória de Pavlos Fyssas

http://www.youtube.com/watch?v=8vGyVJvsxrQ

Vídeo da manifestação antifascista que se realizou na quinta-feira, 18 de Setembro de 2014, no centro da cidade de Nicosia, em memória de Pavlos Fyssas (Killah P), que foi assassinado há um ano pelos cobardes dp Amanhecer Dourado no bairro de Keratsini, em Atenas.

Na faixa do grupo estudantil anti autoritário Skapoula pode ler-se: “Ira e Raiva por Pavlos Fyssas – R.I.P Killah P”.

Atualizações das prisões gregas

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Faixa em Tessalónica, Grécia (27/3/2014): “Todos os valores da democracia são prisões de máxima segurança”

Atualmente, o governo grego está a preparar um novo projeto de lei sobre as prisões, para além da construção de novas prisões de máxima segurança e o endurecimento das normas carcerárias.

Nesta situação – enquanto as prisões gregas estão a ferver – na 5ª feira, 27 de Março de 2014, os guardas prisionais assassinaram o preso Ilia Kareli, de origem albanesa.

Ilia Kareli, que esteve encarcerado durante 16 anos, tinha executado dois dias antes um guarda nas prisões de Malandrino, tirando-lhe a sua miserável vida com uma faca. Este carcereiro, que os mass merda pretendem apresentar como santo, não era mais do que um torturador sádico, que  fustigava presos com cabos elétricos. Ilia Kareli faleceu após a sua transferência para as prisões de Nigrita (Serres), por hemorragia interna causada pelos brutais espancamentos dos guardas.

Extraímos e traduzimos do texto informativo – divulgado a 24 de Março por alguns presos – os pontos desse projeto de lei já tornados públicos:

1. Categorização especial dxs presxs em três tipos (A, B, e C). Na categoria especial tipo C entrarão todxs xs presxs acusadxs por roubo ou extorsão no contexto da sua participação em organização ilícita, xs presxs políticxs, xs que se consideram perigosxs e que tenham sido  condenadxs a penas de prisão que vão dos 10 anos até à prisão perpétua, assim como xs que participem em motins dentro da prisão.

2. Xs que forem categorizadxs como presxs de tipo C serão privadxs do direito a saídas da prisão e ser-lhes-ão limitadas as visitas dos seus familiares e os contactos telefónicos com elxs. Anuncia-se a construção de novas celas tipo C, tanto na prisão de Domokos como em outras, com o objetivo de isolar xs presxs.

4. A polícia adquire um papel de presença permanente dentro das prisões (registos nas celas, transferências dxs presxs no interior da prisão etc.), con jurisdições e poderes secretos que nem sequer são mencionados no Diário Oficial do Governo.

Em resposta a esta monstruosidade que o Poder prepara para xs que estão encarceradxs nas masmorras democráticas, como também em repúdio ao assassinato do Ilia Kareli, xs presxs em várias penitenciárias levam a cabo mobilizações e protestos massivos, em alguns casos com abstenção de comida da prisão ou negando-se a entrar nas celas.

Fazemos uma chamada para se fazer circular esta notícia, assim como uma chamada à solidariedade ardente para lá das fronteiras.

Na Grécia, como em todas as partes, a solução é só uma:

Fogo às prisões, com os carcereiros dentro!

Santiago, Chile: Faixa em memória de Lambros Foundas (10 de Março de 2014)

Contra toda a autoridade! (A)utogestão e guerra social. Lambros Foundas e todxs xs caídxs na memória –CLR
Contra toda a autoridade!
(A)utogestão e guerra social.
Lambros Foundas e todxs xs caídxs na memória –CLR

A Luta Revolucionária (Epanastatikós Agónas) é uma organização de guerrilha urbana anarquista na Grécia, que assume a luta armada como algo contínuo no tempo e de grande importância para a destruição do Estado e do Capital, para a revolução social e a criação de uma sociedade em anarquía, livre e sem Poder. Durante a sua ação foram realizados diferentes ataques a objetivos políticos e económicos cada um desses objetivos tinha participado na situação de crise que afeta a sociedade e são responsáveis do regime de terror a que as pessoas são submetidas.

No dia 10 de Março de 2010, é assassinado pela polícia o companheiro Lambros Foundas num confronto armado quando este tentava roubar um automóvel que seria utilizado para uma operação da organização. Um mês depois, após serem detidas seis pessoas sob a acusação de pertencerem a grupo catalogado como terrorista pelo Estado grego três delxs reconhecem a sua participação, reivindicam as ações e a caída em combate do seu companheiro através da “carta política à sociedade”.

“Assumimos a responsabilidade política pela nossa participação na L.R. Declaramos que o companheiro Lambros Foundas que caíu morto em Dafni a 10 de Março de 2010, após uma batalha com polícias, participou também nela. Esta batalha fazia parte do projeto subversivo decidido coletivamente pela L.R. Foi uma batalha pela revolução e pela liberdade.”

Durante os primeiros meses de encarceramento, nasceu Victor Lambros, filho de dois dxs companheirxs detidxs e que assumiram a sua partipação na organização. Atualmente, aproveitando o termo da prisão preventiva, a família encontra-se em fuga, sem deixar rasto até agora.

Através deste pequeno resumo, tentamos disseminar a informação sobre a organização Luta Revolucionária, esperando que seja um pequeno contributo para todxs. Com a faixa recordamos o companheiro caído e mandamos o nosso carinho e apoio axs companheirxs em fuga, deixando claro que a memória e a solidariedade não reconhecem idiomas, nem fronteiras.

Lambros Foundas Presente.
Contra toda a autoridade, autogestão e guerra social.

Coletivo Luta Revolucionária (CLR)
lucharevolucionaria@riseup.net

França: Comunicado do GADI – Chamada para as contra-manifestações antifa a 5.4.2014

Em Paris, no passado dia 26 de Janeiro, os fascistas organizadores da manifestação “dia de cólera” reuniram aí muitos dos seus militantes.

Eles desfilaram com slogans claramente antisemitas e saudações nazis. Grupos neonazis (caso das juventudes petainistas) estavam ao lado de responsáveis políticos da Frente Nacional bem como de numerosos representantes de movimentos claramente fascistas: monárquicos, extremistas religiosos, negacionistas [desmentem o holocausto pelos nazis], antisemitas, homofóbicos…

Quase todos os ativistas antifa foram apanhados de surpresa por esse evento, visto os organizadores não terem revelado, antes do dia D, os seus verdadeiros rostos.

Estes mesmos fascistas renovam agora a sua chamada, organizando manifestações para 5 de Abril próximo, em todas as grandes cidades de França.

Perante isto, chamamos claramente para se organizarem contra-protestos, no mesmo dia, a fim de bloquear o fascismo.

Os grupos fascistas estão armados, organizados e são extremamente violentos – já provaram isso em inúmeras ocasiões – o exemplo recente mais conhecido, em França, é o assassinato do companheiro Clément Méric, que infelizmente não foi a única vítima.

Em relação aos últimos anos, eis a lista dos companheiros antifa assassinados:

Silvio Meier: Novembro de 1992, Alemanha

Lin Newborn / Daniel Shersty: Julho 1998, EUA

Carlo Giuliani: Julho de 2001, Itália

Davide Cesare: Março de 2003, Itália

Nikolai Girenko: Junho de 2004, Rússia

Timur Kacharava: Novembro de 2005, Rússia

Alexander Ryukhin: Abril de 2006, Rússia

Ian Kucira: Janeiro de 2007, Polónia

Ilya Bondarenko: Julho de 2007, Rússia

Carlos Palomino: Novembro de 2007, Espanha

Jan Kucera: Janeiro de 2008, República Checa

Aleksey Krylov: Março de 2008, Rússia

Fyodor Filatov: Outubro de 2008, Rússia

Ivan Khutorskoi: Novembro 2009, Rússia

Ilya Dzhaparidze: Junho de 2009, Rússia

Kostja Lunkin: Maio de 2010, Rússia

Clément Méric: Junho de 2013, França

Pavlos Fyssas: Setembro de 2013, Grécia

Além disso, os grupos fascistas têm ligações com a polícia e os serviços militares e apoio evidente a partir deles. Na maioria dos casos, quando algumas prisões ocorrem, estas não são mais do que uma cena de teatro para diversão das pessoas bem intencionadas, através dos meios de comunicação de massa. A realidade é bem diferente: enquanto os nossos companheiros anarquistas são submetidos a extrema repressão nas mãos dos Estados capitalistas, os fascistas são rapidamente libertados sem preocupações. Por exemplo, o neonazi Martial Roudier, presidente do CEPE (comité de apoio para Esteban Morillo, assassino de Clément Méric), foi condenado a 4 anos de prisão por esfaquear o companheiro Thomas, na cidade de Nîmes, em 2008. Será que são estes os mesmos padrões que ameaçam aplicar aos companheiros Mónica e Francisco?

Escusado será dizer que o fascismo é uma extensão degenerativa do capitalismo, que está sempre inclinado a proteger os seus melhores amigos.

Esta degeneração fascista na França, assim como em toda a Europa, começou há muito tempo. Em França, enquanto a direita liberal da União por um Movimento Popular (UMP) manifesta claramente opiniões extremistas de direita e forja alianças, mais ou menos encobertas, com o partido de extrema-direita Frente Nacional, a esquerda liberal do Partido Socialista (PS) no poder, que já não tem nada de socialista, combate a Frente Nacional com palavras por si só, na medida em que os incentiva, com lamentáveis ações para fins eleitorais.

Sob estas condições, e por todas estas razões, afirmamos que uma luta pacifista contra grupos fascistas não só seria fadada ao fracasso, como também seria completamente improdutiva , pois é politicamente recuperável pelos partidos no poder.

Acrescentemos a isso que Marine Le Pen, presidente da Frente Nacional, pediu ao ministro do interior francês, Manuel Valls, para dissolver os grupos antifascistas. Isso reforça a nossa crença de que grupos de ação direta só podem realmente assustar fascistas, e que representam a única, possível e credível, resistência.

A história dos anos 30 já nos mostrou que o pacifismo não é senão um sinal de fraqueza, e que a propaganda eleitoral leva ao pior. É tempo de respondemos de forma organizada e radical ao fascismo.

Mais do que nunca, a voz de Durruti deve fazer-se ouvir:
Existem apenas dois caminhos, a liberdade para a classe trabalhadora ou a vitória dos fascistas, o que significa tirania. Ambos os combatentes sabem o que espera o perdedor. Estamos prontos para acabar com o fascismo de uma vez por todas, mesmo apesar do governo republicano.

GADI. Grupo Ação Direta Internacional.

(12 de Fevereiro 2014)

“Eu sou apenas um militante anarquista que entrou em resistência. …
Não sou inocente nem vítima ou culpado”
– Anarquista Damien Camelio, condenado a dois anos nas prisões francesas por ataques incendiários do GADI em Tarbes e Pau.
Solidariedade com Damien! Liberdade para todos os reféns da guerra social!

Santiago, Chile: O companheiro anarquista Sebastián Oversluij é morto durante expropriação a banco

No cartaz lê-se:

Alfonso Alvial e Hermes González para a rua! Solidariedade ativa com os companheiros.

Sebastián Oversluij presente! Nenhuma agressão sem resposta!

Na 4ª feira de manhã, 11 de Dezembro de 2013, o anarquista, de 26 anos de idade, Sebastián Oversluij Seguel foi abatido a tiro por um guarda de segurança quando junto com outras individualidades tentaram roubar uma agência do banco estatal chileno BancoEstado, localizada na Avenida Estrella, na comuna Pudahuel de Santiago. O assassino mercenário do Estado/Capital disparou pelo menos seis balas no companheiro.

Pouco tempo depois, Alfonso Alvial, de 27 anos e Hermes González, de 25 anos, foram presos por polícias na rua, enquanto outros companheiros conseguiram escapar. A polícia fala de dois profugos.

Na quarta-feira, à noite, várias casas foram invadidas, incluíndo a casa dos pais de Sebastián.

Os dois prisioneiros passaram pelo ministério público em 12 de Dezembro sob a acusação de posse ilegal de arma e tentativa de roubo, estando atualmente na prisão de máxima segurança CAS, em Santiago.

Por fim, queríamos deixar aqui uma pequena homenagem a Sebastian, juntando uma das suas músicas, em que se aborda a propaganda insurrecional, através de hip hop:

Respeito e memória insurrecional anarquista para com Sebastián Oversluij!

Força, amor e solidariedade para com os seus companheiros e entes queridos!

Vamos vingar o nosso companheiro morto!

$antiago, $hile: Numa noite negra como a pólvora reivindicamos os/as caídos/as!

O dia que escolhemos para atacar não foi de modo algum acidental. A acção insere-se na eterna vingança – iniciada há vinte e cinco anos – depois dos bastardos militares terem detonado os corpos de Araceli Romo e Pablo Vergara (5 de Novembro de 1988) nas faldas do Cerro de las Marriposas, na atual cidade-prisão de Temuko, na região $hilena.

Não se trata de uma simples chamada à memória. Também se destina a instigar todos/as aqueles e aquelas que, através de cada cumplicidade e de cada recusa, demonstram que não só estão a resistir como também a passar à acção – decidindo sair da tribuna de espectador e contribuir para a tensão social, a quebra da ordem burguesa e a sua destruição.

Naquela noite, e como de costume, os meios de intoxicação de massas não tardaram em vomitar: falam de roubo, balas e estrepes, mas nada disso sucedeu. Foi tudo mais simples: alinham-se as bombas e afia-se o punhal; e enquanto as bestas quadradas da 18ª esquadra policial enchiam as suas asquerosas tripas na área de serviços mais próxima, nós, vazios de vida, enchemos de deflagrante ódio as ATMs (noite de terça, 5 de  Novembro) da sucursal do Banco do Estado, situado na esquina da rua Larrain com a Paula Jaraquemada, comuna La Reina. Rebentámos o confinamento às 23.10 hrs.

Embora o dano causado não fosse o esperado, o golpe permitiu dar conta da vulnerabilidade existente, quebrando, em questões de segundos, o controlo omnipresente do sistema de dominação.

Ontem foi uma sucursal, mas recordamos-lhes que a pontaria vai-se afinando com a prática, que a cidade é grande e incerta, e que a noite é negra como a pólvora.

Com esta ação saudamos, com cumplicidade, a quem lhes dá gozo a destruição das instituições que sustentam a miséria, e a quebra do esquecimento.

A Luisa Toledo e Manuel Vergara; que os sonhos de Rafael, Eduardo, Pablo e Aracely  transcendam gerações e que vivam na práxis anarquista.

Comemoramos com chumbo e pólvora cada um e cada uma dos nossos/as irmãs/ãos. Ninguém está esquecido/a!

Recordamos Ariel Antonioletti, assassinado logo após ter sido resgatado da prisão. 23 anos depois da sua morte continua presente. Recordamos também Alex Lemún que a 7 de Novembro de 2002 foi abatido pela arma do  bófia-bastardo Marcos Traver, agonizando até 12 de Novembro. Maldito lambe-botas, saudamos-te com ódio e recordamos-te que a vingança será eterna…

Também recordamos aos/as malditos/as funcionários/as do ministério público, da gendarmeria e da polícia que estão sentenciados/as – pois a vida é ação e consequência e, pela nossa  existência, armamo-nos. Há balas com os seus nomes.

Com ardente solidariedade, carinho e força para ti, irmão Hans Neimeyer, tudo continua…

A Freddy, Marcelo e Juan, José Miguel Sánchez, Alfredo Cóspito e Nicola Gai (na Itália), os quais, sem temor e com a fronte erguida, com regojizo e sem remorsos, atacaram o asqueroso empresário nuclear Adinolfi, responsável de devastação do planeta.

Enviamos muita força ao xamã Celestino Córdova, a enfrentar um duro processo judicial pelo assassinato dos asquerosos latifundiários Lushinguer e Mackay.

A nossa luta continua!
Por um verão ardente…voltaremos.

Célula Dinamiteira Alex Lemún Weichafe

Spoleto, Itália: Sobre a morte do companheiro Damiano Corrias

Através destas poucas linhas damo-vos a notícia da horrível morte, aos 31 anos, de Damiano Corrias, a 26 de Setembro. Damiano era um dos 5 jovens de Spoleto detidos a 23 de Outubro de 2007, acusado de terrorismo na chamada “Operação Brushwood”.

Não é o momento de cair em complots ou, pior ainda, em esoterismos (é o segundo que morre, depois de Fabrizio Real*, dos 5 jovens detidos).

Amanhã à noite, depois da autópsia, saberemos mais. Damiano sofria de epilepsia. O funeral será realizado segunda-feira na catedral de Spoleto.

Mas por ser o dia da sua morte e, na verdade, um momento selvagem, queremos elevar ao céu a nossa maldição contra os seus perseguidores.

Contra os carabineiros da ROS, conduzidos pelo generalíssimo Giampaolo Ganzer, que vendia metralhadoras e drogas.

Contra a ex-presidenta da Umbria, Maria Rita Lorenzetti, que tinha estado sob prisão domiciliária por corrupção durante umas semanas.

Contra o capacho de Perugia, a promotora que assina tudo o que os ROS lhe ordenam, erros tipográficos incluídos como: a doutora Comodi. A besta de Perugia, que solicitou 6 anos de prisão contra Damiano por pintadas numa parede!

Este, ainda assim, não se curvou.

Era o dj de todas as festas na montanha, organizadas pelos/as anarquistas de Spoleto. E de muitos outras, mais ou menos políticas.

A última vez que esteve nas ruas foi a 23 de Junho de 2012, na concentração de solidariedade com os/as anarquistas ditidos/as pela Operação Ousadia, pintando nessa noite belíssimas palavras de ordem nas paredes. Na cara de Comodi. Estamos seguros/as de que, na tumba, estã-lhe a levantar o dedo médio.

Adeus Daschia.

ADEUS DASCHIA. PAGARÃO POR TUDO.

Damiano e Fabrizio assassinados, em que sentido

Claro que não temos, ainda, as provas de um assassinato no sentido em que o entendem os mandantes da repressão e os seus técnicos especialistas, mas evidentemente temos a vontade homicida dos que destroiem uma vida só porque ousou contestar com tinta um representante do regime. Queremos tornar nossas as belíssimas palavras do irmão de Damiano no funeral: “Quero pensar que o teu coração parou por toda a alegria e não por toda a dor que viveste nesta vida”. Mas sem esquecer “as mentiras de uma justiça forte com os/as débeis e débil com os fortes”. A mesma justiça que, isto o afirmamos nós, no dia do funeral de Damiano libertava a Lorenzetti após poucas semanas de detenção domiciliária. Eres uma corrupta = uns días de domiciliária, escreves numa parede contra estes políticos corruptos = 6 anos de prisão. Esta é a vossa justiça!

Por isso e querendo pensar que o seu coração parou por toda a alegria e não por toda a dor, não podemos deixar de considerar assassinos os esbirros que detêm só porque contestaste com pintura o poder constituído. Os de Damiano e Fabrizio foram assassinatos políticos no sentido mais amplo  da palabra “política”. No sentido de que Comodi há anos que punha em prática contínua a intenção de destruir o movimento anarquista inteiro, de matá-lo.

Ficamos por aqui, por agora. Deixamos a inteligência dos leitores/as evaliar se Manuela Comodi combate só os “delitos” e se, na realidade, “ama” também alguns dos aspectos da filosofía anarquista*, como se viu, ou se é uma máquina de guerra que quer destruir a todo/a aquel/a que se rebela contra o Estado maléfico, ainda que seja só com um aerosol.

De todas as formas…
que Comodi deixe em paz os mortos

Os amigos de Damiano e Fabrizio

* Três semanas depois da detenção, Fabrizio foi libertado. Comodi não tinha nenhuma prova para solicitar o envio a julgamento. Ainda assim, não o arquivou e, durante anos os/as advogados/as pediram a formalização do arquivo, para poder solicitar aos cabrões da promotoria de Perugia o desenvolvimento, mas não obteve resultados. No final, Fabrizio morreu a 23 de Junho de 2010. Amava o alcool e, aos 40 anos, levou-o uma complicação intestinal.

fontes: 1 e 2

Brasil: O que matou Samuel Eggers?

Reflexões sobre o assassinato de um anarquista

No dia 13 de setembro de 2013, aos 24 anos, Samuel Eggers foi assassinado na cidade de Caxias do Sul. Desde então a mídia e a polícia vem inventando histórias fantasiosas sobre sua morte, buscando enquadrá-la em um latrocínio qualquer com mentiras. Muitas são as evidencias de que são histórias falsas. Tudo nos leva a crer que Samuel morreu pelas mãos da brigada militar do estado do Rio Grande do Sul, ou por algum assassino vinculado à elite local, simpatizante de ideias fascistas, protegido e salvaguardado por esta instituição.

Tudo leva a crer que Samuel morreu por se declarar abertamente anarquista, mesmo em um ambiente acadêmico, durante um congresso científico de psicologia. Envolvido no movimento estudantil desde sua graduação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Samuel foi pouco a pouco se identificando com causas ambientais e sociais, tendo cada vez mais como norte os ideais de liberdade, mutualidade, igualdade e autonomia próprios da filosofia libertária.

Há cinco meses atrás, mais de trinta manifestantes que protegiam centenas de árvores na orla do Guaíba, junto a usina, foram violentamente abordados no meio da noite pela tropa de choque, sequestrados e humilhados, com autorização do governador e do prefeito, para que arrancassem as árvores com enormes retroescavadeiras. Samuel estava entre estas pessoas que protegiam as árvores, este é seu “antecedente” para essa mídia porca e suas mentiras. Ele tinha como costume compartilhar com amigos e leitores, suas várias reflexões e leituras através de vários blogs, entre eles, o Tempo de Rebeldia. Foi por meio deste blog que denunciou os abusos de autoridade e a reconheceu a verdadeira função da violência policial.

“É possível que alguém que tenha tomado um “atraque” da polícia militar, daqueles que apontam uma espingarda calibre 12 na sua cara, e ainda acredite que tal ato foi fruto do despreparo de um policial individual. Que foi um erro num sistema que, de maneira geral, funciona bem. Mas, quando se tem o privilégio de ser atacado por uma operação deste porte, passa-se a ver a polícia com outros olhos: como um sistema cruel que corrompe boas pessoas. Em última análise, a função da polícia não é manter a população segura, mas mantê-la com medo e obediente. Por isso nós, baderneiros acusados de desacato à autoridade, fomos tão humilhados – em uma sociedade baseada em obediência e silêncio, não existe crime maior do que falar a própria opinião e defendê-la de forma minimamente efetiva.” em Notas sobre o Terror do Estado (parte 2) – 10 de junho.

Com a repressão vivenciada em decorrência do corte das árvores, e mais tarde, diante da reação da polícia frente às manifestações de junho em Porto Alegre, a compreensão de Samuel sobre o estado em uma sociedade autoritária, bem como o funcionamento do aparato repressor se consolidou.

“Não, não é por acaso, equívoco ou erro tático: essa é, e sempre foi, a estratégia da Brigada Militar. O objetivo dessa corporação não é proteger a população, mas mantê-la assustada e dócil, com os indivíduos isolados entre si e fáceis de capturar quando se tornam ameaçadores demais. A polícia militar não é a guardiã do nosso sono tranquilo, mas o exército que ocupa nossas cidades, e patrulha nossas ruas em busca de rebeldes. Seus soldados são doutrinados a acreditar que o que fazem é pelo bem de todos, para livrar nossa sociedade desses vagabundos que ficam fumando crack por aí, roubando quem trabalha. Aqueles policiais que desceram o cacete, que jogaram bombas e prenderam inocentes provavelmente acreditam, do fundo da sua alma, que o que estavam fazendo ali era o melhor – a coisa certa. Na massa que se movia entre cartazes, bandeiras e gritos, os homens e mulheres de farda não viam nada além de vagabundos que mereciam apanhar por não se comportarem direito. Por isso foram tão eficientes em seu trabalho, e tão determinados em varrer o centro de Porto Alegre daquela corja.” em Quando Porto Alegre anoiteceu laranja – 25 de junho.

Podemos não saber quem exatamente matou Samuel, mas sabemos o que matou. Foi morto pelo fato de ter ideias, ideais e práticas libertárias de contestação. Samuel, que abertamente se autodeclarava anarquista, morreu graças à irresponsável campanha midiática antianarquista do Grupo RBS através de seu jornal, a Zero Hora, que a todo custo buscou criar uma imagem distorcida do anarquismo e dos anarquistas. Também sua memória foi vítima desta mídia. Depois de seu cruel assassinato, ele que era uma das pessoas mais tranquilas segundo quem o conhecia, é descrito por reportagens como alguém “violento” por lutar kung-fu, um “portador de antecedentes criminais”. Para saber mais sobre seu crime, bastam suas palavras.

“Entrei para o grupo de pessoas que foram presas porque ousaram desafiar a tirania e combater a injustiça. Finalmente, sinto-me um igual, não apenas diante de homens e mulheres como Gandhi, Emma Goldman e Thoreau, mas também daqueles camaradas que há muito tempo gritavam para que eu me somasse à luta. Se queriam me assustar com ameaças, e fazer com que eu me recolhesse para dentro do meu mundo, fracassaram, pois hoje descobri que não quero viver numa “democracia” em que eu tenha que me calar e seguir as ordens dos meus superiores. Jurei que farei tudo que estiver ao meu alcance para tornar o mundo um lugar onde eu quero que meus filhos cresçam. Guardarei um lugar aqui pra ti, no dia em que perceberes o mesmo, e seguirei lutando enquanto você não acorda.” em Notas sobre o Terror do Estado (Parte 1) – 29 de maio.

O que matou Samuel, alguns meses depois, foi seguir firme com esta intenção: desafiar a tirania e combater a injustiça. Está cada vez mais claro que este tipo de intenção é considerada inaceitável para sádicos e sociopatas, para os adoradores da ordem que escondem suas perversões atrás de distintivos, verdades rasas e propaganda institucional.

Mataram-no e buscaram esconder esta morte nos índices de latrocínio aceitaveis, na indiferença das estatísticas que ocultam os crimes e o terrorismo dos criminosos que se escondem atrás do poder. Para iludir os vivos criaram uma história tao incoerente que constrange qualquer pessoa minimamente antenada. As incoerências nas informações contidas reportagens sobre a investigação da morte de Samuel sao evidentes. Os acontecimentos nao batem, um ladrao que com uma arma no carro sai para assaltar de mao limpa, uma suposta reaçao violenta de Samuel nao condiz com sua personalidade, um latrocínio em que nada é levado. Dois jovens sao apontados como suspeitos. Teriam eles recebido para matá-lo? Ou estariam sendo ameaçados empurrados de forma a assumir um crime que nao cometeram? Policiais civis e militares colaboram para esta farsa, e a mídia se esforça para torná-la lícita.

O mal que abateu Samuel poderia ter se lançado contra muitas outras pessoas, todxs aquelxs que defendem e se identificam publicamente com os ideais libertários. O que matou Samuel poderia nos ter matado a qualquer um. Entre nós paira uma certa ingenuidade, a quem prefira acreditar que não se morre por ser anarquista, a quem prefira acreditar em “liberdade de expressão”, “democracia representativa”, “estado de direito” e em outros contos de fada.

Nos dias de hoje, como muitas vezes antes, pessoas são mortas por se colocarem contra a tirania, jovens são mortos por abraçarem estes ideais. O mal que matou Samuel, é o mesmo que matou tantos outros antes dele. Este mal fardado e engravatado, está no autoritarismo e na violência institucionalizada, na ignorância premiada, no exército de sádicos recrutados e amestrados para “proteger e servir” os interesses dos parasitas sociais a que chamamos de “elites”, como se fossem seus.

E se nos matam nas ruas o que devemos fazer? Devemos permanecer pacíficos e deixar que nos martirizem? Nao é a autodefesa um princípio anarquista? Devemos nos esconder da tirania dos cleptocratas, esperando que por qualquer descuido nos encontrem, que se abatam sobre nós e sobre as pessoas que amamos? Enquanto isso seguem aumentando seu exército de sádicos, estao pelas ruas com armas em punhos, apoiados pelos pacifistas espectadores, caguetas e infiltrados infestam todos os atos públicos e manifestações organizadas, generais de dez estrelas fantasiam conspirações.

Como escreveu o poeta Maiakóvski

Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Antianarquismo é o nome deste mal que precisa ser a todo custo combatido. O que aconteceu com Samuel Eggers é algo a ser contado, recontado e conhecido. É hora de gritar, é hora de lutar, é hora de não nos deixarmos tomar pelo medo. Sempre que um dos nossos é morto lembrem-se das palavras de Émile Henry em seu julgamento, aos 22 anos em 1894, rotulado de terrorista e guilhotinado por lutar contra a tirania, pelo estado frances:

“Enforcados em Chicago, decapitados na Alemanha, estrangulados em Xerez, fuzilados em Barcelona, guilhotinados em Montbrison e em Paris, nossos mortos são muitos; mas vocês não foram capazes de destruir a Anarquia. Suas raízes são profundas; brotam do íntimo de uma sociedade podre que está caindo aos pedaços; esta é uma oposição violenta contra a ordem estabelecida; e uma defensa das aspirações por igualdade e liberdade daqueles que se ergueram contra o autoritarismo vigente. Ela está em todos os lugares. Isso é que a faz indomável, e por fim ela irá derrotá-los e assassiná-los.”

Cartazes em PDF: 1, 2

Setúbal, Portugal: Crónica do 1º Maio

Cerca de 120 pessoas participaram na manifestação anti-autoritária e anti-capitalista, na cidade de Setúbal. Este foi o quarto ano consecutivo em que companheiros de várias tendências libertárias marcharam nas ruas de Setúbal, a fim de reivindicar o 1º de Maio e promover a luta contra o Estado/Capital.

Em 2011, os companheiros resistiram activamente à detenção de um manifestante, o que desencadeou uma ação repressiva. Bandidos fardados enlouqueceram e começaram a atirar nas pessoas, com balas de borracha, após o final da manif. Os polícias também usaram as suas armas de fogo e dispararam balas para o ar. As pessoas continuaram a resistir, mesmo após o tiroteio da polícia.

A manifestação de 2012 foi focada na demonstração de que os anarquistas não têm medo de avançar e reivindicar as suas opiniões em público, independentemente da repressão policial. Foi também a primeira vez que os nazis do PNR fizeram uma chamada para uma manifestação na cidade. É por isso que a auto-defesa era uma questão prioritária naquele ano. Os companheiros estavam prontos para a luta, bem equipados com capacetes, bastões-bandeiras e escudos improvisados, bem como muitos manifestantes chegavam de outras cidades portuguesas para participarem de demonstração, a fim de se solidarizar com o meio anarquista em Setúbal.

Este ano, as coisas eram um pouco diferentes. O espírito combativo estava definitivamente presente, mas a organização de grupos de auto-defesa estava sem dúvida em falta. Cerca de 25 companheiros levavam paus-bandeiras, de modo que não era suficiente força para defender a marcha de protesto, no caso dos polícias atacarem, ou para se ir ao ataque em primer lugar contra os porcos e os símbolos do poder.

Recorde-se que em 16 de Março 2013 Rúben Marques foi assassinado pela polícia na vizinhança da Bela Vista, em Setúbal, depois de uma perseguição de moto em violação à regulação do trânsito. Os polícias que dispararam no jovem de dezoito anos de idade com balas de borracha disem que ele não estava a usar capacete. Os confrontos eclodiram após este assassinato policial.

Continuar a lerSetúbal, Portugal: Crónica do 1º Maio

Chile: Cláudia López, estudante de dança e anarquista, foi assassinada com uma bala nas costas há 14 anos pela polícia


Cláudia López Benaiges, jovem anarquista, estudante do curso de dança na Universidade, há 14 anos, durante um protesto pelo 25º aniversário do golpe fascista de Pinochet, foi assassinada com uma bala nas costas, disparada pelos Carabineros (Policia) na povoação de La Pincoya em Santiago (Chile).

Cláudia López tornou-se, entretanto, num símbolo para todo o movimento estudantil chileno, para os jovens das organizações sociais, e ainda para o emergente movimento anarquista chileno. A sua morte demonstra que o actual regime chileno continua a ser dominado na sombra pelas sinistras figuras militares que foram responsáveis pelo golpe de estado de 1973 e todo o cortejo de horrores, perseguições e mortes da história recente do Chile.

Hoje, 14 anos passados do seu assassinato, não há responsáveis nem culpados, o que só mostra que no Chile ainda subsiste a insidiosa impunidade dos repressores de sempre.

A tua dança rebelde perdurará nos nossos corações

NÂO ESQUECIDO! NÂO PERDOADO!

Poemas da compa Claudia López.

Documental Cláudia no coração

Video de um espectáculo de dança de Claudia López

Outro video dedicado à compa:

Montreal, Canadá: Manifestação em resposta a outro assassinato policial

No sábado, 25 de Fevereiro, um grupo de cerca de 40 pessoas saíu às ruas no bairro de Hochelaga para manifestar o seu repúdio ao assassinato de Jean-François Nadreu, em 16 de Fevereiro, pela polícia de Montreal (SVPM). Este crime soma-se á larga lista de pessoas que foram assassinadas pelo lixo humanóide que patrulha as nossas ruas.

A manifestação, que durou perto de uma hora, começou na praça Valois, com as pessoas  a gritar palavras de ordem contra as prisões e a polícia, e dirigiu-se até à esquadra da polícia 23, base do assassino de Jean-François Nadreu.

Depois de uma pequena paragem lá dirigimo-nos ao mercado Maisonneuvre Market, distribuíndo panfletos  até que regressámos à praça Valois, através da rua Ontario.

Durante a marcha ouviram-se palavras de ordem como: “Polícia de Montreal, milícia capitalista”, “Policias, porcos, assassinos”, “A polícia está ao serviço dos ricos e dos fascistas!”… A  vizinhança do bairro respondeu aplaudindo e partilhando a sua raiva connosco, manifestando também o seu ódio contra a bófia.

Nem esquecer, nem perdoar!
Tiremos a bófia das nossa ruas,
das nossas mentes e das nossas vidas!
A solidariedade é a nossa arma!

fuente: sabotagemedia.anarkhia.org

Samara, Rússia: Assassinaram o jovem anarquista antifascista Nikita Kalin

Por volta das 6h30 da manhã de 9 de fevereiro, um zelador encontrou na área em torno do instituto FIAN o cadáver de Nikita Kalin, nascido em 1991. A polícia chegou ao lugar às 8h e às 11h informou a mãe do assassinato do jovem companheiro. Nikita foi esfaqueado 61 vezes, além de que suas costelas apresentavam múltiplas fraturas e vários ferimentos na cabeça. Os assassinos não roubaram nada. Até agora, a polícia prendeu um suspeito, cuja roupa estava manchada com o sangue de Nikita.

Tudo indica que Nikita foi atacado por um grupo; a polícia informou a sua mãe, não oficialmente, que o suspeito preso é um neo-nazista e que ele se recusa a dar informações sobre os outros suspeitos. Apesar da natureza brutal do assassinato, a polícia ainda não interrogou a mãe de Nikita e um amigo que foi a última pessoa a vêlo. Assim, suspeitamos que as autoridades tentem cobrir o caso, como muitas vezes acontece na Rússia. Por outro lado, o suspeito já contratou um advogado.

Teme-se que a investigação policial esteja se desenvolvendo em favor dos interesses do preso neo-nazista, deste modo será necessária toda a ajuda possível. Atualmente, uma organização de direitos humanos apresentou apoio jurídico oferecendo um advogado, mas ainda é necessário dinheiro para as despesas do funeral e apoio à família do falecido.

Nikita vinha de uma simples família de trabalhadores, e nunca escondeu suas ideias anarquistas e antifascistas. Se você quiser ajudar a família de Nikita arrecadando dinheiro, esse apoio pode ser feito através da Cruz Negra Anarquista Moscou aqui.

fonte: avtonom —agência de notícias anarquistas-ana

Casaquistão: Chamada de solidariedade urgente contra a repressão brutal dos grevistas do sector petrolífero

A 16 de Dezembro, as autoridades do Casaquistão dispararam sobre a manifestação dos trabalhadores dum centro petrolífero que se encontravam em greve e que se estavam a manifestar nas ruas de uma pequena cidade do Cazaquistão, Zhanaozen. A greve, cujo objetivo era  reivindicar maiores salários e melhores condições de trabalho, começou em maio de 2011 e envolveu cerca de 1500 trabalhadores mas foi proíbida. Os campos petrolíferos de Karazhanbas, onde o conflito começou, são explorados pela companhia “China Internacional Trust” que faz parte de um consórcio chinês « Investment Company» e a empresa de  Kazakh « KazMunayGaz ».

A vaga de repressão foi implacável: durante o conflito, uma centena de trabalhadores foi demitida; um militante ativo, Zhaksalyk Turbayev, foi morto por um desconhecido; foi deitado fogo à casa de um outro ativista, Aslambek Aydarbayev e a advogada do sindicato, Natalia Sokolova, foi condenada a seis anos de prisão por “incitação à revolta social”. Akzhanat Aminov, Kuanysh Sisenbayev e mais de 30 outros trabalhadores sindicalizados foram presos e condenados.

O regime do presidente Nazarbayev é amplamente conhecido pela repressão brutal dos movimentos dos trabalhadores e pelo seu autoritarismo. Ele afirmou que as teorias de “Eurasianism” têm sido a ideologia oficial do Cazaquistão (atualmente promovidas ativamente pelo russo da “Nova Direita”  ( extrema direita russa), o etnógrafo Lev Gumilev).

Hoje, durante a repressão das manifestações, vários trabalhadores foram mortos: 11 pessoas segundo o ponto de vista “oficial” e 70 de acordo com outras vias. Os trabalhadores assinalam que várias centenas de pessoas ficaram feridas. A cidade está agora em estado de alerta e o recolher obrigatório foi declarado. O regime fez intervir o exército na cidade mantendo-a isolada do resto do mundo.

Nas cidades vizinhas têm sido feitas manifestações e ações de solidariedade com os trabalhadores de Zhanaozen. As autoridades abriram  novamente fogo e há novas vítimas.

Apelamos ao protesto imediato para fazer parar o massacre de trabalhadores no Cazaquistão.

Enviar cartas de protesto para as embaixada do Cazaquistão e para a empresa CITIC, não hesite em fazer manifestações e comícios na frente delas!

Apelamos também ao boicote aos produtos provenientes do Cazaquistão.

Secretariado Internacional de SolFed
Secretariado internacional da KRAS, secção russa da AIT

Alemanha: Os piratas de Edelweiss

À medida que a guerra progredia também assim acontecia com a seriedade das atividades em que participavam os Piratas de Edelweiss. Os Piratas de Colônia “ofereciam apoio aos desertores do exército alemão, aos prisioneiros dos campos de concentração e aos evadidos dos campos de trabalho forçado”, diz Rogrow, enquanto que outros “faziam incursões armadas a depósitos militares e faziam sabotagem de propósito à produção de guerra”. Havia outros que pregavam partidas aos nazis. Julich se lembra de como ele e seus amigos estavam jogando tijolos para dentro das fábricas de munições e de como derramavam água com açúcar nos tanques de gasolina dos carros dos nazis. Outros Piratas enchiam os muros da cidade com frases pintadas a spray como “Abaixo Hitler” ou “Abaixo a brutalidade nazi”. Algumas roubavam, saqueando alimentos e mercadoria dos negócios ou dos trens de carga, ou descarrilavam vagões de trem cheio de munições e abasteciam de explosivos grupos de adultos da resistência. Piratas dos diferentes povos “se encontravam no campo, para troca de informações, escutadas ilegalmente ao ouvir a BBC World Service, ou planejar a distribuição de folhetos nas aldeias de cada um, de modo a que a polícia local não os reconhecesse”, afirma Hannah Cleaver do Daily Telegraph de Londres. Os folhetos continham propaganda ou incentivavam os soldados alemães para pararem de lutar e voltarem para junto das suas famílias.

Eles também foram feitos prisioneiros e enviados para reformatórios, hospitais psiquiátricos, ou campos de trabalho forçado, de reabilitação ou de concentração. Outros foram simplesmente torturados e mortos.

Os piratas de Edelweiss: os filhos dos comunistas e anarcosindicalistas assassinados em muito dos casos

“A nossa música está cheia de liberdade, amor e vida. Nós somos os piratas de Edelweiss”

Nos anos que antecederam a Segunda Guerra Mundial, os membros do regime nazi, fomentaram na juventude alemã o sentido de lealdade e de primogenitura (direito inato). Os nazis pensavam que se esperassem até eles serem adultos já seria tarde demais, a mentalidade nazi deveria ser registrada em crianças se se quisesse que aquela se apoderasse das suas mentes e crescesse neles o sentimento de apoio à causa. A Juventude Hitlerista foi fundada com essa intenção. Mesmo quando foi aberta a meninas também (as meninas podiam se inscrever na banda Deutsche Madel), o principal interesse da Juventude Hitlerista era o de conseguir o controle dos jovens homens da Alemanha. Os meninos que tivessem entre 10 e 14 anos, juntavam-se aos Deutsches Jungvolk (Gente Jovem Alemã) e aqueles com idade entre 14 e 18 anos inscreviam-se na Hitler Jugend (Juventude Hitleriana).

Durante seu auge, os membros do grupo constituíam 90% da juventude elegível do país e foram a maior organização da juventude do mundo, à época.

A explicação para a existência de uma percentagem tão grande de envolvidos é clara, se se pensar que o Reich não só considerava ilegal todas as outras organizações juvenis como também decretaram obrigatória a inscrição na Juventude Hitleriana; foi ainda mais longe, ao ameaçar os pais, dizendo-lhes que seus filhos iriam ser colocados em orfanatos, se recusassem que se alistassem. Quando os nazis terminaram as imposições, qualquer grupo juvenill fora da Juventude Hitleriana era considerado fora da lei.

No início, a Juventude Hitleriana funcionava de forma muito semelhante à de qualquer outra organização de jovens homens. Praticavam esportes e jogos, faziam caminhadas e iam acampar, enquanto desfrutavam da sua pequena parcela de independência longe de suas famílias. No entanto, ao longo do tempo, a Juventude Hitleriana tornou-se uma organização que utilizava um treinamento militar nas suas atividades (método militarista); muitos membros estavam entediados pela falta de liberdade (eram supervisionados por membros mais velhos, que foram divididos em esquadrões tipo polícia) e insatisfeitos com suas atividades que no passado consistiam em jogos de atletismo, mas agora incluíam marchas, exercícios sobre a correta utilização das baionetas, granadas e pistolas, e manobras em abrigos, trincheiras e arame farpado. As atividades também incluíam roubo, vandalismo, luta e intimidação – devido a uma regra que proibia a polícia de prender os membros do Serviço de Patrulha da Juventude Hitleriana pelas suas atividades criminosas, tudo ocorria- sem receio das conseqüências. Estas mudanças na organização permitiram às pessoas tomar consciência das verdadeiras razões que estavam por trás da formação da Juventude Hitleriana.

Insatisfeitos com as intenções, cada vez mais transparentes, da Juventude Hitleriana e na ausência da liberdade ou diversão anunciadas pelos membros, no início, um incontável número de meninos e meninas começaram a procurar uma maneira de se separarem completamente do grupo. Alguns o fizeram deixando a escola, o que era permitido (era o normal entre os jovens de famílias da classe trabalhadora) com a idade de 14 anos, ou abandonando a Juventude Hitleriana que, devemos lembrar, era obrigatória. Se os encontrassem seriam confrontados com graves conseqüências. No entanto, durante o período anterior à Segunda Guerra Mundial, pequenos grupos (entre 10 a 15 membros), compreendendo principalmente homens entre 14 e 18 anos, começaram a procurar mútua companhia, fora da Juventude Hitleriana. Continuar a lerAlemanha: Os piratas de Edelweiss