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[França] A propósito do 2º processo do caso “Máquina de expulsar”


[7 companheirxs de afinidade começarão a ser julgadxs a 31 de Janeiro, no Tribunal Distrital de Paris, na 16ª câmara do tribunal correccional]

Solidariedade com xs acusadxs da luta contra a máquina de expulsar.

Em 2010, duas vagas de buscas e múltiplos procedimentos relacionados com diversos ataques (incendiários ou não), umas vezes relacionados e outras não, no contexto de uma instrução tentacular, vêm reprimir a fase ofensiva de luta contra a máquina de confinar e expulsar os sem-papéis que aumentou de intensidade após o incêndio do centro de retenção de Vincennes pelxs próprixs detidxs a 22 de Junho de 2008. Após o abandono por parte do ministério público das acusações mais pesadas e de anos de procedimentos plenos de inconsistências manifestamente feitas para justificar os meios de vigilância, controlo judicial e encarceramento preventivo, dez companheirxs de afinidade encontram-se no entanto convocadxs perante a justiça. Um primeiro processo que envolveu quatro pessoas, três das quais foram presas em 2011, teve lugar em Junho de 2017. Uma delas foi considerada não culpada, três outras sofrem 4 meses de pena suspensa e 500 euros de multa por desfiguração colectiva de edifício (tags) e recusa em fornecer ADN. Uma das pessoas apelou desta decisão e deve ser re-julgada brevemente.

A 31 de Janeiro serão sete as pessoas que estarão presentes a tribunal (uma delas já tinha sido ouvida no julgamento de Junho). A lógica é a mesma: depois de um deboche de meios policiais e judiciais, quatro pessoas serão responsabilizadas apenas pela sua recusa de fornecer ADN e pela sinalética, enquanto xs outrxs três são acusadxs, além destes factos, da degradação em ocupações selvagens das instalações das empresas que participam na detenção e expulsão de imigrantes indocumentadxs (neste caso Air France, SNCF e Bouygues Telecom).

Através desta repressão – na qual os processos em curso constituem o epílogo fraudulento – foram as dinâmicas de lutas autónomas e auto-organizadas que foram visadas, procurando-se quebrar as ligações que foram então construídas entre as lutas no exterior e no interior dos Centros de Retenção Administrativa. Mais amplamente, tratava-se de acabar com as formas de luta auto-organizadas e ofensivas que a partir de 1996, no seio do movimento dito dxs “imigrantes indocumentadxs”, se opuseram aos partidos, aos sindicatos, às lógicas de gestão humanitárias, para defender a liberdade para todxs, com ou sem papéis. Embora a recusa da política de triagem de imigrantes e a luta contra os meios repressivos que a acompanha tenha tomado várias formas – colectivas e de “afinidade”, privilegiando, de acordo com diferentes momentos ou em simultâneo, a agitação pública e o ataque difuso – é a perspectiva de oposição concreta à máquina de prender e expulsar que fará a ligação entre as diferentes fases deste período de luta.  Atacar aquelxs que participam e lucram do confinamento e da expulsão de imigrantes sem documentos, através de mobilizações descentralizadas (contra a Air France, Accor, Bouygues, Carlson Wagonlit, Cruz Vermelha …) ou, de forma mais pontual e difusa, contestar as expulsões, organizar-se contra ataques, e evitar a construção de novos lugares nos centros de detenção – seja por ataques, ocupações, manifestações ou visitas hostis de dia e de noite – é ainda lutar pela liberdade de todos e todas.

Hoje esta questão é mais actual do que nunca. Agora que um novo projeto de lei planeia aumentar ainda mais o período de retenção para mais de três meses, para classificar xs imigrantes às portas da União Europeia – quando estxs são cada vez mais numerosxs – colocando em crise a gestão desses dispositivos, ainda mais urgente é criar os meios para impedir a implementação concreta dos dispositivos de confinamento, repressão e expulsão.

No entanto – neste período extremo de agitação e de crise internacional da gestão migratória – nenhuma intervenção subversiva esteve à altura dos desafios nestes últimos anos de modo a ser pressionada realmente a gestão das migrações e a sua co-gestão humanitária.  As práticas e a elaboração ofensiva destas lutas – de formas variadas e vivas – assim como as análises que fizeram da criatividade destas lutas estão esclerosadas, a sua vitalidade perdeu-se. Na falta de perspectivas revolucionárias, o desencorajamento faz o seu caminho e as lógicas “pragmáticas” e “realistas”, quer dizer humanitárias, triunfam. Ouve-se falar de “apoio aos/às refugiadxs”, quando as lutas tinham imposto a recusa destas denominações de Estado (ou de co-gestores) que validem a triagem de imigrantes – a regularização pela normalidade, pelo trabalho, família ou o amor à pátria  assim como desta posição de “apoio” que condena à impotência e ao paternalismo, e na qual se instalam doravante aquelas e aqueles que queriam ao invés acabar com as fronteiras e com o encarceramento sob todas as suas formas. Uma época de pacificação e de confusão cuja página deve ser rapidamente virada, com a memória do que estas lutas poderiam ser, do que elas poderiam ter de verdadeiramente ofensivo, e a vontade de voltar a percorrer os caminhos da subversão do existente, dos seus defensores e dos seus falsos críticos.

Em vez dos betumes políticos e identitários, das crispações egotistas e dos modos de afirmação política que não podem senão aprofundar-se na separação e no isolamento – envernizando a vaidade de radicalidade e as derivas nas quais se atola o monótono filme que vivemos – precisamos de encontrar novos espaços de luta desinteressados e comuns, sem deuses e sem chefes, nos quais não esteja em causa situar-se, ou ser situado, seja num plano político, de afinidade ou de identidade.

Mais do que reconstruir o passado para estabelecer uma mito-poiesis por despeito de um presente decomposto, e de delimitar lugares predefinidos – em despeito de um passado no qual as divergências se pudessem exprimir, dialogar, confrontar-se na construção comum de perspectivas revolucionárias – é urgente desenhar na memória lutas multiformes, vivas e abundantes que alimentem a nossa recusa deste mundo, do Estado e das suas fronteiras.

Estes dois processos – tal como todos os outros impostos àquelas e àqueles que lutam – são golpes – entre tantos outros – levados a cabo pelo Estado na guerra social desde sempre em curso. Cabe-nos assim retomar a iniciativa e a ofensiva, mais do que continuar a sofrer.

Não nos deixemos julgar em silêncio.
Liberdade para todos e todas, com ou sem papéis.
Fogo a todas as prisões!

pafledab@canaglie.net

original em pdf aqui

em francês

Atenas: Presença na marcha antifascista de 18 de Fevereiro em Aspropyrgos

Morte aos racistas (A)
Alerta Antipatriota /A)
Acabar com os patriotas

Em 18 de Fevereiro de 2017, um grupo internacional de compas organizado pela Okupa Themistokleous 58, participou na manifestação antifascista de Aspropyrgos, realizada por iniciativa do grupo anarquista Non Serviam para marcar mais um ataque assassino contra um imigrante do Paquistão, no início de Fevereiro. Nas faixas em urdu e grego podia ser lido: “Morte aos racistas (A)“, e durante o percurso escreveram-se nas paredes as palavras de ordem,”Alerta Antipatriota” e “Acabar com os patriotas“, voaram folhetos e gritou-se nas ruas conservadoras desta cidade que nenhum ataque por motivos racistas / fascistas irá ficar sem resposta .

Nem nativxs nem estrangeirxs
Apátridas insurgentes!

Okupa Themistokleous 58

Nem nativxs nem estrangeirxs
Apátridas insurgentes!
Nem nativxs nem estrangeirxs
Apátridas insurgentes!

em grego

Modena, Itália: Explode dispositivo no posto de Correios, contra a deportação de migrantes

Segue-se o texto da reivindicação:

1 de Abril: Modena. Destruído o posto automático dos Correios através de um dispositivo. Fizeram-se saltar duas bombonas de gás contra os Correios de Itália pelo seu papel ativo na deportação dxs migrantes. Ação direta contra quem colabora com os CPR. Liberdade para os companheiros e companheiras de Florença e para todxs xs rebeldes sequestradxs nos Lager do Estado.

fonte: informa-azione l espanhol

Atenas: Crónica da manifestação em Exarchia (14/01)

RESISTÊNCIA – REVOLTA- LIBERDADE
Não esquecemos Shahzad Luqman – Esmaga os fascistas
(flyer da manif) “Alerta antipatriota / Não esquecemos Shahzad Luqman / A única linguagem que aprendi bem: lutar com raiva pela liberdade / Nem nativxs nem estrangeirxs; apátridas & rebeldes “

Na noite de sábado, 14 de Janeiro de 2017, cerca de cinquenta pessoas ocorreram à chamada da Okupa anarquista Themistokleous 58 – na comemoração de um ano do projeto – tendo participado na manifestação realizada pelas ruas de Exarchia,

A faixa à cabeça da manif dizia: “Resistência, Revolta, Liberdade” em inglês e persa, tendo outra faixa ficado depois afixada na Okupa, em memória de Shahzad Luqman – assassinado por nazis em Janeiro de 2013, em Ano Petralona – onde se podia ler: “Não esquecemos Shahzad Luqman – Esmaga os fascistas”.

Durante a ação foram distribuídos folhetos, em grego e inglês. Foram lançados panfletos e foram entoadas muitas palavras de ordem em farsi (persa), árabe, inglês, francês e grego.

Agradecemos a todxs xs que participaram na manifestação em Exarchia. Também enviamos saudações de solidariedade a individualidades, grupos e comunidades dentro e fora de muros e fronteiras que continuam a lutar contra o Poder, por todos os meios disponíveis. Lembramos que no sábado à noite, 21 de Janeiro, teremos uma festa de solidariedade na 58, de modo a apoiar financeiramente o projeto. Os recursos irão cobrir as necessidades operacionais da Okupa, assim como as de ações futuras.

Okupa Themistokleous 58 Continuar a lerAtenas: Crónica da manifestação em Exarchia (14/01)

Atenas: Um ano de funcionamento da Okupa Themistokleous 58

No dia 10 de Janeiro de 2017 a Okupa Themistokleous 58, situada no bairro de Exarchia, completou um ano de atividade. Nesse espaço de tempo, a nossa okupa levou a cabo uma série de iniciativas, no sentido da agudização da guerra social, e participou em inúmeras ações de apoio a projetos e indivíduxs atingidxs pela repressão de todo o tipo de Poder.

Projetámos e queremos dar continuação à solidariedade anarquista internacionalista entre xs rebeldes – considerando-se que esta possa ser uma relação recíproca que vise a construção de afinidades e cumplicidades contra o Estado, o Capital e a dominação – rompendo na prática com as falsas discriminações com base na origem, idioma, género, orientação sexual e historial religioso ou irreligioso de qualquer pessoa que pudesse estar associada de alguma forma ao nosso projeto.

Fizemos frente tanto ao patriotismo difuso como ao racismo (declarado ou encoberto) e recusamos-nos a discriminar com base no estatuto que é atribuído pelas autoridades a todxs aquelxs que migram (refugiadxs ou não). Temos procurado entrelaçar a luta contra o controle e a repressão da migração com uma crítica completa e prática do complexo de dominação – que divide e isola toda a tentativa libertadora, tentando desta forma debilitá-la e sufocá-la com mais facilidade.

Protegemos o carácter anti-institucional de nosso projeto por todos os meios ao nosso alcance, mantendo a okupa e as suas atividades livres da presença e influência das ONGs, mass merda ou de qualquer intermediário. Defendemos a nossa autonomia política sem alterar as características fundamentais de nossa comunidade combativa. Ao mesmo tempo, optamos por reunir-nos com outrxs nos caminhos dos confrontos multiraciais, cooperando quando e sempre que considerássemos que o respectivo quadro político e organizacional correspondia aos nossos objetivos.

A okupa Themistokleous 58 é tanto um projeto político anárquico quanto um espaço habitacional para pessoas com ou sem papéis. É um laboratório subversivo de teoria e práxis para além de espaço de coexistência entre indivíduxs que vivem e lutam juntxs, na base da auto-organização, igual participação, horizontalidade, apoio-mútuo e a ação direta. Hoje, após um ano de funcionamento do projeto, as experiências adquiridas durante o experimento da 58 (tanto positivas como negativas) constituem para nós um legado valioso para as próximas batalhas.

Convidamos todxs para se juntarem a nós no sábado, 14 de Janeiro, às 21:00, junto à 58, para uma manifestação pelas ruas de Exarchia. Não esquecemos Shahzad Luqman, um imigrante do Paquistão que foi assassinado pela escória neo-nazi no bairro de Ano Petralona, em Atenas, em Janeiro de 2013. Não esquecemos os milhares de imigrantes que foram espancadxs, presxs, deportadxs ou assassinadxs pelo mundo dos Estados e das suas fronteiras.

Para apoiar financeiramente o projeto, lançamos para sábado 21 de Janeiro, a partir das 21:00, uma festa de solidariedade junto à 58; Música ao vivo por REZA ASKI (voz / guitarra, do Irão) e SIMO (rap, de Marrocos), dj set, comida e bebidas.

FOGO E EXPLOSÕES ÀS FRONTEIRAS E A TODAS AS PRISÕES

NEM NATIVXS NEM ESTRANGEIRXS: APÁTRIDAS E AMOTINADXS

Okupa Themistokleous 58
th58@riseup.net

pdf em grego & inglês | em espanhol

Madrid: Amotinação no C.I.E. de Aluche

motin-alucheNa noite passada, de 18 para 19 de Outubro de 2016, vários dos imigrantes que se  encontravam presos no C.I.E. de Aluche [Centro de Internamento de Estrangeiros] amotinaram-se no telhado para protestar ao grito de “liberdade”.

Algumas pessoas solidárias acercaram-se de forma expontânea a mostrar-lhes o seu apoio, devolvendo os gritos de coragem e lançando petardos para que os presos se dessem conta de que não estavam sózinhos.

Segundo fontes jornalísticas e policiais o motim terminou após 11 horas, sem feridos.

Na zona encontravam-se alguns carros da polícia, furgonetas de anti-motins e um helicóptero un helicóptero vigiando, acompanhados do vereador de segurança e emergências de Ahora Madrid, Javier Barbero, do de economia e fazenda Carlos Sanchez Mato e ainda os vereadores  do distrito de La Latina, Esther Gómez e Guillermo Zapata. Estes novos magnatas da “política de mudança” continuam a representar a defesa das fronteiras, a repressão contra os imigrantes e todo o dissidente político e a mais que dá e sobra presença policial nos bairros de Madrid. Eles igualmente são os responsáveis das políticas migratórias atuais e continuarão a trabalhar ombro a ombro com o poder de qualquer país que lhes exija tomarem medidas estritas quanto às pessoas imigrantes. A sua aparente preocupação e solidariedade é só “dar-se ares” político. Não necessitamos da sua compaixão, não queremos ser parte da sua campanha eleitoral, não caíremos nas suas mentiras.

Não é a primeira vez que ocorre algo assim no C.I.E. de Aluche, um centro de internamento que se encontra no meio do bairro de Aluche e a sua assimilação tem feito com que a presença desta aberração se tenha convertido em algo normal.

Esperamos que continuem a suceder este tipo de ações de rebeldia por parte dos presos assim como esperamos quebrar a maldita calma e normalidade que este edifício representa. Que corra a voz entre os solidários em ocasiões como esta, faz com que não se isolem as vozes dos amotinados no meio da noite, num bairro como Aluche ou onde quer que seja.

SOLIDARIEDADE COM OS PRESOS AMOTINADOS NO C.I.E. DE ALUCHE QUE AGUENTARAM 11 HORAS SOB CHUVA NO TELHADO DA PRISÃO.

ABAIXO AS FRONTEIRAS, AS NAÇÕES E QUEM AS  VIGIAM

ATÉ QUE SE DERRUBE A ÚLTIMA DAS PRISÕES

em grego

Grécia: Okupas de habitação de imigrantes despejadas em Tessalónica

“Solidariedade com as Okupas – Okupa o mundo” – slogan pintado na ilha da Cefalónia, Grécia, 28/07/2016.

A 27 de Julho de 2016, ao romper da aurora, as forças policiais gregas invadiram e simultaneamente desalojaram três okupas de habitação de imigrantes na cidade de Tessalónica: A okupa de habitação de imigrantes Orfanotrofio (propriedade da Igreja), a comunidade Hurriya na rua Karolou Diehl (edifício de propriedade privada) e um outro edifício localizado na Avenida Nikis (propriedade da Universidade).

Várias dezenas de pessoas que ali viviam foram detidas. Provavelmente todxs aquelxs que se encontravam sem documentos foram enviados para campos de detenção, enquanto um grande número de ativistas era notificado para julgamento. Mais tarde, naquele mesmo dia, o edifício Orfanotrofio seria completamente demolido pelas autoridades.

A partir de então, várias ações foram realizadas em resposta a esta operação repressiva.

A 28 de Julho, alguns detidxs do edifício Nikis receberam quatro meses de pena suspensa. Xs detidxs da Orfanotrofio e Hurriya vão ter julgamentos separados, nos dias 3 e 5 de Agosto, respectivamente. Todxs xs ativistas presxs foram entretanto libertadxs.

A seguir indica-se um comunicado da okupa Orfanotrofio após o despejo e demolição da casa:

A 27 de Julho de 2016, às 05:45, a okupa Orfanotrofio de habitação de imigrantes em Tessalónica foi desalojada sob o pretexto de uma queixa apresentada pela Igreja S.A. Pouco tempo depois deu-se início à demolição completa do edifício.

Duas outras okupas que abrigavam imigrantes foram simultaneamente desalojadas (Avenida Nikis e comunidade K.Diehl-Hurriya).

Como resultado disto um total de 74 prisões foram realizadas nas três okupas.

O que se torna evidente é a criminalização de solidariedade e, é claro, a escolha política do Estado para atingir as estruturas auto-organizadas de solidariedade e comunidades de luta. Que estas estruturas estão a ser alvo de ataque tornou-se também evidente algumas horas após as três expulsões em Tessalónica – quando o prefeito de Atenas Giorgos Kaminis anunciou que vai apresentar um relatório queixa relativa o fato de existirem imigrantes a viver em edifícios de propriedade do município ocupados, declarando que aquelxs estão a “degradar a cidade” de Atenas.

Nós, por sua vez, acreditamos que as okupas habitacionais de imigrantes não degradam as nossas cidades, pelo contrário tornam-nas mais vivas.

É por isso que vamos continuar a criar estruturas de solidariedade e de luta; vamos continuar a viver e lutar em conjunto com xs migrantes. Porque não ampliamos a solidariedade dirigida aos/às imigrantes; praticamos a solidariedade em conjunto com xs migrantes. Porque não nos vemos como sendo privilegiadxs em relação aos/às imigrantes; antes como a manutenção de uma posição comum com elxs contra os patrões e os estados. Juntxs compartilhamos o que temos e lutamos por aquilo que devemos ter.

Porque queremos xs migrantes nos tecidos da nossa cidade, não em guetos. Queremos-los nas nossas escolas e bairros. …

NADA ESTÁ TERMINADO
TUDO CONTINUA

Assembleia da okupa de habitação de imigrantes Orfanotrofio

em inglês

Lesvos, Grécia: Chamada incendiária à ação contra Frontex e todas as engrenagens europeias de deportação

arder

04-04-2016

Hoje, na ilha de Lesvos, Grécia, onde o clima está no seu melhor dia desde que começou 2016, a máquina de deportação para mandar refugiadxs de volta à Turquia foi ativada. Esta manhã uma balsa partiu para a Turquia com duzentos refugiadxs a bordo, esta tarde ocorrerá o mesmo, e isto vai-se repetir de agora em diante.
Frontex começou a enviar xs nossxs compas de volta ao inferno…

OS NOSSOS CORAÇÕES ESTÃO A ARDER!

Pedimos ao movimento anarquista em todo o mundo que procurem vingança!  Comecemos a queimar a Frontex, a polícia, os militares e todxs aquelxs que estão no Poder!

Queimemos a engrenagem de deportação!

Alguns e algumas anarquistas

Lesbos, Grécia: Actualização sobre a No Border Kitchen

noborder
NEM FRONTEIRAS NEM NAÇÕES

Recebido a 30 de Março:

Os idiotas fascistas não tiveram a coragem de se mostrar ou os rumores (dos quais existem muitos, muitos deles circulando à volta da ilha) de que teríamos uma batida policial eram falsos. De qualquer modo e a propósito:

Hoje, 2 apoiantes da NBK [No Border Kitchen], juntamente com o nosso advogado, foram à câmara municipal explicar ao prefeito de Mytilene quais as nossas exigências. O prefeito começou pela afirmação de que se considera de esquerda no que toca a política e que nos queria mostrar uma face amigável. Depois de lhe explicarmos as exigências dxs refugiadxs na NBK, informou-nos que não tem poder politico para cumprir as nossas exigências. Disse-nos que tínhamos de deixar a praia de Tsambika no mesmo dia (hoje, 30-03-2016) ao que respondemos que era claramente impossível. Depois de se “negociar um acordo” a cozinha será retirada num período de 7 dias, a 06-04-2016. Informámos claramente que só iríamos remover a cozinha, deixando xs refugidxs decidirem por elxs o que farão, que iríamos respeitar as suas decisões e apoiar totalmente as suas decisões, continuando a apoiá-lxs de qualquer maneira possível.
O prefeito pôs a branco e preto no papel, assinado e carimbado com algum selo oficial, que não iria despejar a NBK, mandar qualquer polícia, Frontex ou autocarros para Moria antes de 7 de Abril.

Queremos fazer uma declaração clara de que nós (pessoas da NBK que apoiam xs refugiadxs) somos anarquistas. Queremos deixar claro que nunca pensámos que a conversa com o prefeito pudesse ter levado a um resultado mais positivo do que a situação actual dxs refugiadxs na NBK, Lesbos ou em qualquer parte. Não acreditamos nas mentiras de polícias, políticos e daqueles que estejam no poder, independentemente de se afirmarem de esquerda ou de direita, tentamos manter a nossa comunicação com os nossos inimigos ao mínimo possível. Queremos deixar claro também que no momento presente estamos a tentar evitar despejos, detenções e transportes para Moria e a deportação dxs nossxs companheirxs de toda a maneira possível. Infelizmente sentimos que estamos contra a parede, forçadxs a comunicar com aqueles que tornam a vida dxs nossxs companheirxs um inferno. Queremos deixar claro que esta comunicação não foi nem nunca vai ser a nossa decisão, não daremos o nosso consentimento e nunca iremos dar o primeiro passo para comunicar com os nossos inimigos.

No momento não nos é possível partilhar com o mundo quais serão os nossos próximos passos mas uma actualização sairá em breve.

Por um mundo sem fronteiras!!!

NBK Lesvos

e-mail: noborderkitchen(at)riseup.net
Infotel. (greek): 0030 698 340 69 78
Infotel. (ger.) : 0049 160 95 10 27 51

em alemão

Grécia: No Border Kitchen de Lesbos sob ameaça de intervenção policial e despejo

noborderkitchen

Na ilha de Lesbos, onde a máquina de deportação está a trabalhar a toda a velocidade, todos os campos para refugiados são removidos e o centro de registo “moria” mostrou o seu verdadeiro propósito e está agora a funcionar como um centro de deportação, a NBK ainda aguenta firme forte e a operar a toda a velocidade.

Atualmente hospedamos duas centenas de refugiadxs, xs que foram caçadxs na ilha pela FRONTEX e pela polícia e não têm outro lugar para ir. A cozinha está instalada e a funcionar dia e noite para ajudar quem precisa de comida, abrigo, assistência médica e um (semi) lugar seguro para descansar, onde xs refugiadxs trabalham lado a lado com as pessoas em solidariedade a nível igual.

Já se estavam a espalhar rumores que a NBK seria despejada em breve – por ser um campo “ilegal” e o último campo na ilha onde se encontram refugiadxs e também pelos desafortunadxs que foram detidxs e movidxs para o centro de deportação de Moria (que ainda é chamado de centro de registo pelos agentes). Há dias em que temos polícia a aparecer em pequenos grupos – às vezes verificando os passaportes das pessoas em solidariedade, outras vezes revistando as pessoas em busca de drogas junto à NBK, às vezes contando o número de refugidxs na fila da comida e tirando fotografias. Também começaram a deter refugiadxs na estrada da NBK para a cidade de Mytilini, o que é um problema enorme por a NBK por ser numa rua sem saída e só ter um sentido para andar.

A situação actual é que o presidente da câmara fascista de Mytilini veio hoje (29-03-2016) com a exigência que abandonemos a praia que okupamos, por haver um contrato assinado que a vai transformar num “parque de diversões aquático” – a maneira mais fácil de conseguir que sejamos despejadxs, simplesmente. Estamos todos cientes do facto disto ser uma treta, porque claramente a praia não é suficientemente grande para este “parque de diversões aquático”. O presidente informou-nos que em dois dias no máximo virão autocarros à NBK para transportarem xs refugiadxs  para o campo de Karatepe, onde terão liberdade de movimento e não serão detidxs. Karatepe é um antigo campo da UNHCR que hospedava refugiadxs da Síria, mas todxs xs sírixs foram transferidxs para o continente. A UNHCR deixou o campo e este é agora operado pelo exército e pela polícia (FRONTEX). Antes dxs refugiadxs poderem ir para Karatepe vão ter que se reinscrever no centro de registo de Moria – assim está à vista o que lhes vai acontecer. Assim que entrem, os portões vão-se fechar e elxs serão detidxs, esperando o transporte para os centros de detenção na Grécia continental.

O presidente da câmara também nos informou que os autocarros para Moria serão escoltados pela polícia anti-motim, para obrigar à força todxs xs refugiadxs que não queiram entrar por si mesmxs no autocarro. Ele convidou-“a nós” (pessoas em solidariedade com xs refugiadxs) para ir para o edifício do município de Lesbos amanhã (30-03-2016) ao meio dia para lhes dizer quantxs refugiadxs hospedamos no campo, quantxs vão entrar no autocarro para Moria – esperando que a seguir arrumemos a cozinha e nos vamos embora.

Iremos ao município, mas por razões diferentes. Vamos dizer-lhe que xs refugiadxs têm exigências antes de irem e que se as suas exigências não forem cumpridas elxs não vão cooperar e vão lutar pela sua liberdade, uma vez que estão presxs nesta ilha e não têm nada a perder.

As exigências são:

– Que a NBK tenha a possibilidade de ser realocada, se realmente é apenas uma questão da localização sofrer alteração no futuro.

– Xs refugiadxs sairão da NBK para Moria somente se forem representadxs por umx advogadx individualmente ou em pequenos grupos.

– Querem tradutorxs.

– Não vão ser detidxs em Moria ou Karatepe.

– Elxs terão o direito de se aplicar diretamente o asilo assim que entrem no “centro de registo” de Moria.

Também, recebemos informação previlegiada de que amanhã de manhã (30-03-2016) a polícia vai fazer uma rusga na NBK entre as 5 e as 9 da manhã, para procurar drogas e provas de que fazemos documentos falsos para refugiadxs, para que possam entrar nas balsas para o continente (apenas são deixadxs entrar nos ferries para o continente xs de nacionalidade Síria, Iraquiana ou Afegã, xs do resto das nacionalidades são detidxs à entrada).

É claramente treta que tanto drogas como aparelhos para produzir papéis falsos irão ser encontrados na NBK. Desejamos que os montes de polícias se divirtam muito a procurar em cada canto e em todas as tendas para as encontrar na praia de Tsamakia!!!

Ao contrário de outros campos como “melhores dias para Moria” e outros NÓS NÃO VAMOS aconselhar os refugiadxs a entregarem-se à frontex/polícia em Moria. Nós só iremos providenciar-lhes a informação sobre a corrente situação, deixando a decisão sobre o que fazer para elxs , e apoiando-xs na sua decisão.

LIVRE CIRCULAÇÃO PARA TODXS!!!
POR UM MUNDO SEM FRONTEIRAS!!!
PELA SOLIDARIEDADE, AJUDA MÚTUA E RESPEITO!!!

E para aquelxs que ainda estão à espera do inferno de uma viagem da Turquia para a Grécia talvez o mais importante, BALSAS NÃO FRONTEX!!!

Indicamos em seguida o manifesto da NBK, para se ter um melhor entendimento de como tudo começou e quais as nossas visões políticas:

NO BORDER KITCHEN LESBOS [Cantina sem fronteiras de Lesbos]

Somos um grupo auto-organizado, não hierárquico/horizontal de activistas cozinheirxs de todo o mundo que partilham o objectivo de apoiar as pessoas na sua viagem até à Europa. A No Border Kitchen (NBK) começou em Setembro de 2015 no longo verão da migração da “rota das Balcãs” com alguns activistas. Cozinhámos em diferentes lugares ao longo da rota das Balcãs, como um colectivo independente e auto-organizado, durante o longo verão de migração. Mas desde que a rota balcânica se tornou no “Corredor Balcânico”, controlado por uma entidade governamental, a repressão contra as pessoas que procuram abrigo e quem xs apoia pelo caminho aumentou. A governação da UE tenta dividir as pessoas, deixando alguns/algumas passar, apenas algumas se podem registar e outrxs ficam completamente apeados. As pessoas estão presas nas ilhas gregas, na terra de ninguém das fronteiras, em prisões e centros de detenção ou sendo obrigadas a utilizarem métodos ainda mais arriscados de viagem, vivendo uma vida marginalizada sob medo constante de detenção e deportação. Simultaneamente os governos, através de mecanismos repressivos – controlos de identidade, procedimentos de registro, acusações e detenções – estão a tentar controlar o acesso de activistas independentes e por fim destruir as estruturas de solidariedade. Estamos contra este sistema controlador e recusamos-nos a ser parte destas políticas desumanas.

Foi nesse momento que decidimos ir para a ilha de Lesbos, Grécia, que é um local de trânsito para a maioria das pessoas ultrapassando o regime fronteiriço europeu. Desde 14 de Novembro que estamos a cozinhar na praia de Tsamakia, que é perto do porto de Mytilene. Foi ocupada por pessoas à procura de refúgio, um local para se abrigarem durante algumas noites e apoiadxs pela No Border Kitchen em termos de comida e infraestrutura. Foi assim que a NBK evolui para um campo auto-organizado onde apoiamos as pessoas que buscam refúgio, independentemente da sua situação anterior e adaptando-se às situações actuais.

A equipa NBK é uma estrutura aberta: quem quiser é bem vindx desde que concorde com as nossas posições de base anti-autoritária e forma de organização anti- hierárquica. Nós, enquanto indivíduxs com diferentes experiências, temos como abrangentes aos termos de Antifascismo, Anti-racismo e Anti-sexismo. Somos uma cozinha vegan, reconhecendo a conexão entre exploração e opressão de todos os seres vivos na lógica do sistema anti-capitalista. Criámos este espaço juntxs e convidamos todas as pessoas presentes a criá-lo connosco. Somos indivíduxs e grupos de afinidade que usam doações privadas para nos apoiarmos uns/umas aos/âs outrxs. Não há nenhuma organização por detrás de nós. Os nossos recursos são limitados, mas tentamos o nosso melhor para apoiar as diferentes necessidades que temos.

A NBK não é apenas sobre providenciar comida para pessoas que procuram refúgio , mas crucialmente sobre respeitar xs outrxs como indivíduxs. Cada viajante tem as suas aspirações únicas, desejos e conjuntos de circunstâncias que xs levaram a empreender a viagem. No nosso campo auto-organizado, todas as pessoas independentemente de género, nação ou religião são bem-vindas Fazemos assembleias gerais regularmente, traduzidas em diferentes línguas, onde explicamos a ideia geral da No Border Kitchen e como o espaço funciona, e também informações de viagem independentemente das fronteiras, para ajudar as pessoas nas suas viagens.

Esperamos que através das relações aqui formadas possamos oferecer-nos mutuamente a força mental para aguentar as tormentas e desafios do que está rapidamente a emergir como uma época histórica distintamente brutal, com dignidade e coragem. Acreditamos na nossa capacidade de resistir ao regime de devastação que está a minar precisamente aqueles aspectos das nossas vidas que mais apreciamos: a liberdade para se mover, para compartilhar e criar relações de respeito e curiosidade.

A NBK é um projecto político que rejeita o regime da fronteira imposta pelos governos da União Europeia. Estamos em Lesbos porque acreditamos que a Fortaleza Europa e as suas fronteiras devem ser destruídas. Não estamos aqui para ajudar os governos da Europa na gestão do “fluxo de refugiadxs” e é por isso que não trabalhamos juntxs com organizações não-governamentais e humanitárias e não estamos oficialmente registados numa delas junto das autoridades. Cooperamos a um nível informal com algumas ONGs na ilha quando se trata da segurança da chegada de barcos ou necessidades médicas. Toda a gente pode participar nas actividades da NBK, desde que o faça enquanto indivídux e não como representante de uma ONG ou outra organização. Rejeitamos a mobilização que está a ocorrer de recursos massivos com o propósito de controlar e restringir a maneira como as pessoas estão a procurar refúgio, a crescente militarização das nossas sociedades, a construção de novos muros, a continuação da guerra e do sistema político e económico que necessita da guerra de modo a auto-reproduzir-se. Queremos combater as distinções do estado e dos media entre “bons” e “maus” imigrantes baseadas em se são “refugiadxs” ou “imigrantes económicos”, “vítimas inocentes” ou “criminosxs”.

Não estamos aqui como “voluntárixs” para cumprir o papel da caridade humanitária, nem para “cuidar” de alguém de forma paternalista a supostamente refugiadxs passivxs. As pessoas que encontramos no campo e pelo caminho são capazes de tomar conta de si mesmas, e têm as suas próprias estruturas de solidariedade e ajuda-mútua, as capacidades para aguentar as mais terríveis circunstâncias, pelo que podemos apenas aprender e ser elxs sermos inspiradxs. Sentimo-nos com sorte em sermos capazes de partilhar e criar um espaço social com elxs, ouvirmos as suas histórias e aprender sobre as experiências e perspectivas daquelxs cuja opressão estrutural neste mundo é bem maior que a nossa.

Estamos cientes que muitxs de nós que estamos em solidariedade temos um status seguro e não temos a mesma experiência de racismo e ilegalização como as pessoas que conhecemos, nem sabemos o que é ser forçadxs a viver vidas onde se está constantemente a “brincar com a morte” (palavras de um jovem afegão que conhecemos), mas acreditamos que partilhamos alguns desejos comuns: a liberdade de movimento para todxs e o fim do regime fronteiriço europeu de morte. O nosso combate  visa a luta contra as instituições que mantêm de pé a ordem actual: os estados europeus com os seus aparelhos repressivos.

Nós, equipa da No Border Kitchen, entendemos que o que estamos a fazer é uma pequena tentativa em face da enormidade das forças destrutivas que trabalham no mundo hoje. Mas é um compromisso real de indivíduos reais, é um esforço concreto entre muitos, é uma peça do puzzle de outro mundo possível. Acreditamos que todos estes esforços fazem a diferença e que devem ser desenvolvidos e expandidos ainda mais.

O nosso desejo mais abrangente é construir relações de solidariedade e formar novos colectivos em luta. Por isso também nos relacionamos com estruturas de activistas locais com quem partilhamos lutas comuns e esperanças e a quem apoiamos. Acreditamos que através do estabelecimento de redes na nossa luta comum, podemos lutar poderosamente como um movimento unido e levantarmos-nos contra a fortaleza Europa.

Unidxs venceremos, divididxs vamos abaixo.

LUTA CONTRA A FORTALEZA EUROPA! NEM FRONTEIRAS, NEM NAÇÕES!
PELA LIBERDADE DE MOVIMENTO PARA TODA A GENTE E EM TODO O LADO

e-mail: noborderkitchen@riseup.net
Infotel. (greek): 0030 698 340 69 78
Infotel. (ger.) : 0049 160 95 10 27 51

Atualização em breve.

em inglês l alemão

Marselha, França: Surpresa a meio da noite no Consulado de Espanha

spanishconsulate1A 6 de Fevereiro de 2014, várias dezenas de migrantes – que a nadar tinham procurado entrar em Espanha – foram assassinados pela guarda civil. Por ocasião deste triste aniversário e dado o apelo à solidariedade a partir de Rabat [capital do Marrocos], várixs companheirxs ficaram motivadxs para expressar o seu desacordo com a “fortaleza europa” assim como a sua raiva contra toda a violência produzida por entidades assassinas como sejam os estados-nação.

Assim, o consulado foi etiquetado com “06/02/2014 ESPANHA MATANÇA DE MIGRANTES” e “ASSASSINO”. A fachada e a porta da frente também foram atingidas com bombas de tinta.

Solidariedade sem limites!
Contra as fronteiras e mundo que as produz!

spanishconsulate2 spanishconsulate3 spanishconsulate4em inglês

Exarchia, Atenas: Balanço do 1º mês – operacionalização da Okupa Themistokleous 58

K-TH-58(É possível ler o primeiro comunicado da okupa, aqui)

No mês passado, a okupa Themistokleous 58 participou numa série de acções/ protestos:

A 16 de Janeiro de 2016, tomámos as ruas pela primeira vez – um bloco distinto de cerca de 30 indivíduxs – na parte de trás de uma manifestação em memória de Shahzad Luqman, no bairro ateniense de Petralona. Foram gritadas e pintadas palavras de ordem, em várias línguas, e uma caixa multibanco foi vandalizada pelo caminho. Após a manif ter acabado, foi desmantelado o sinal por cima da entrada do escritório local do partido governante Syriza, em Ano Petralona.

A 23 de Janeiro, participámos numa manifestação de solidariedade com a imigrante detida Sanaa Taleb, iniciada na Praça da Vitória, na baixa de Atenas. Entre outras palavras de ordem, foram entoadas as seguintes: Lutas comuns imigrantes – locais; Expropriemos a riqueza da burguesia// Estruturas de solidariedade, núcleos de motins, guerra contra a guerra dos detentores do Poder// Alerta, alerta, antipatriota // Oiçam bem seus patriotas miseráveis: vamos pegar fogo às fronteiras nacionais // Cozinhas colectivas, carros da bófia queimados, lutas polimórficas pela liberdade // Os descontos de Janeiro não são suficientes, expropriemos em massa // A bandeira (nacional) tem bom aspecto depois de queimada // Liberdade para aquelxs que estão nas celas da prisão //A unidade nacional é uma armadilha; nós, xs excluídxs, não temos pátria // Sanaa, aguenta-te firme até à liberdade, etc.

A 30 de Janeiro, participámos com um bloco de cerca de 40 indivíduxs (okupas e pessoas em solidariedade) na defesa do canto esquerdo da Praça da Vitória, para garantir que o local permaneceria intocável para os esfaqueadores do Amanhecer Dourado. Permanecemos na praça das 18:00 às 23:30. Saímos, então, de forma coordenada, em conjunto com o resto das formações/colectivos que participaram na defesa da praça e com a maioria dxs imigrantes que estavam presentes, voltando juntxs para Exarchia. Reconhecendo a nossa co-responsabilidade em se mover um grupo de cerca de 50 indivíduxs da Praça da Vitória para Exarchia, uma iniciativa de indivíduxs da okupa entrou no recinto da Escola Politécnica de Atenas para que as pessoas pudessem passar a noite sem risco de serem ameaçadxs pelos bastardos uniformizados da polícia grega ou por grupos de Nazis que estivessem em caçada. Na manhã seguinte xs cerca de 50 imigrantes deixaram a Politécnica e regressaram à Praça da Vitória.

A 4 de Fevereiro, fizemos parte dum grupo de defesa do bloco negro anarquista que participava na manifestação da greve geral, no centro de Atenas. Como em todas as situações anteriores, o grupo de okupas e de pessoas em solidariedade que tomaram as ruas era internacional e multirracial.

A 10 de Fevereiro, pusemos faixas na okupa, em solidariedade com o centro social autónomo Klinika em Praga- recentemente atacado por fascistas.

A 11 de Fevereiro, um pequeno grupo nosso participou na manifestação em solidariedade com a okupa Apartman de Vancouver com uma faixa em que se podia ler: “ As okupas são uma luta pela vida”.

Complementarmente à actividades mencionada acima, declarámos a nossa solidariedade com as estruturas auto-organizadas e projectos que têm vindo a ser ameaçados com repressão ou atingidos pelo Estado e/ou por fascistas neste período.

No que toca à operacionalização do edifício em si, os espaços comuns da okupa (sala de assembleia e cozinha no piso inferior) abrem às 08:30 diariamente (excepto Domingos, em que abrem às 10:00), e as portas da okupa fecham estritamente à meia-noite. A casa está cheia de momento e estamos a estabelecer uma efetiva vida comunal auto-organizada. O uso de drogas e álcool bem como o tabagismo não é permitido dentro dos espaços da okupa. O acordo específico entre todxs xs participantes da okupa corresponde à nossa necessidade de estar hospedadxs num ambiente residencial livre de brigas e seguro para todas as pessoas envolvidas no projecto, independentemente da idade. Sublinhamos o facto da okupa não ter capacidade para hospedar pessoas com deficiências motoras sérias, problemas mentais ou dependência de substâncias. A “loja livre” no piso inferior (espaço de dar e receber para troca de roupa e outros objectos) está aberta das 12:00 às 20:00, diariamente. A assembleia aberta da okupa acontece no piso inferior todas as segundas-feiras às 20:00, onde as pessoas em solidariedade podem discutir vários tópicos relacionados com a okupa, participando em diferentes grupos de trabalho, sugerindo ideias para o melhoramento do projecto em funcionamento.

O que se segue é uma lista das necessidades que temos de momento:

Materiais técnicos/reparações: Tintas, paletes/produtos de madeira, doações para a canalização.

Cozinhas: mini frigoríficos, mini fornos, botijas de gás para cozinhar, garfos/colheres/facas, pratos, taças/ copos.

Comida: Azeite (necessidade prioritária), mercearias (arroz, massa, legumes), leite, vegetais e fruta.

Produtos de Limpeza: Detergentes, sabões, papel higiénico.

Materiais de Jardinagem: Solo, sementes, vasos e pires.

Necessidades Gerais: Aquecedores, materiais artesanais/ de papelaria, máquina de costura.

Para terminar gostaríamos de agradecer a todxs xs que apoiaram fatualmente o projecto até este momento. A luta continua, até a destruição total dos Estados e das suas fronteiras.

Okupa Themistokleous 58
th58[at]riseup.net

em grego l inglês

Atenas: Nova Okupa no 58 da rua Themistokleous, em Exarchia

OKUPAÇÃO INTERNACIONAL –  MORTE AOS PATRIOTAS  – PARA REFUGIADXS

Na noite de domingo, 10 de Janeiro de 2016, ocupámos o prédio vazio na rua Themistokleous nº 58, em Exarchia, Atenas. A intenção é abrir um lugar onde xs imigrantes – bloqueadxs aqui na Grécia, devido às políticas europeias de imigração- possam viver e se auto-organizar, livres do controle do Estado. Somos um grupo de indivíduos de diferentes lugares e contextos, conectado através da luta contra o Estado, nações, fronteiras, campos de concentração para imigrantes, prisões, capitalismo; eventualmente contra todas as partes deste sistema podre de dominação que nos oprime. Estamos abertos a qualquer um/a que concorde com os nossos princípios básicos e que, sem qualquer agenda política oculta, queira participar no projeto.

Esta Okupa não se destina a ser um serviço público. Não somos “voluntários” e não vemos os imigrantes como vítimas. Um dos desafios deste projecto será o de superar, na prática, a separação que nos foi imposta por fronteiras e cidadania. Esta casa almeja tornar-se num lugar onde as pessoas se organizem e que mutuamente aprendam umas com as outras, independentemente das suas origens.

Este é um ato contra o sistema e as políticas de imigração. Não é nossa intenção dar assistência à ajuda humanitária concedida pelo Estado. A ajuda humanitária não-crítica, integrada e / ou assimilada, está na verdade a ajudar o Estado a se concentrar nas medidas repressivas, de modo a perseguir e controlar as migrações. Recusamos-nos fortemente a cooperar não só com o Estado e partidos políticos mas também com as ONGs e outras organizações ou formações que o façam (oficialmente ou não). Todos esses vermes tiram proveito da situação dos imigrantes, quer seja para o lucro, para proteger os seus interesses, conquistar o poder político ou para construir um perfil social.

O controle da imigração é uma ferramenta nas mãos de quem está no poder. Neste momento, o Estado grego usa a situação dos imigrantes retidos aqui para colocar pressão nas negociações por melhores condições que permitam a implementação do terceiro memorando. Simultaneamente, os Estados Europeus regulam os fluxos migratórios de acordo com a sua necessidade de força de trabalho barata e o resto dxs imigrantes são assassinadxs (nas fronteiras terrestres e marítimas e nas ruas de cidades europeias), encarceradxs ou deportadxs. A União Europeia reavalia e negocia as suas políticas repressivas nas fronteiras e lida com os Estados no interior e exterior das fronteiras europeias para se prosseguir e intensificar a guerra contra a migração através dos meios mais eficazes. Os que estão no poder desejam assegurar os seus bens e privilégios a partir daquelxs que estão a ser exploradxs pelo sistema capitalista e a sofrer as suas guerras. As corporações privadas e públicas tentam tirar o máximo de lucro possível desta situação. As ONGs representam os interesses dos seus empregadores, principalmente do Estado e são bem pagas pelo seu trabalho.

Por causa dos direitos de propriedade, as pessoas estão a dormir nas ruas, enquanto milhares de casas permanecem vazias. Há bens suficientes para todxs. Só temos de tomar o que precisamos para nós mesmxs.

Declaramos a nossa solidariedade e apoio a todas as formas de ação que atacam as fronteiras, nações, prisões, a infra-estrutura crítica que reproduz o existente e a todos aqueles que, direta ou indiretamente, defendem o status quo!

Não ao racismo
Não ao sexismo
Não à homofobia
Não à descriminação
Não à exploração
Não à opressão
Não à hierarquia
Não à autoridade
Não ao patriotismo

NÃO são bem vindos:
Jornalistas/media
Políticos
Bófia
Todas as organizações que cooperam com o Estado

Congratulamos-nos com pessoas dispostas a auto-organizar-se, independentemente se têm documentos ou não, se têm estatuto de refugiado ou não. A prioridade em habitação é dada aquelxs que não têm possibilidade de ficar noutro lugar.

Em grego l inglês l alemão

1ª atualizaçãoApelamos às pessoas em solidariedade para apoiar a okupação, no exterior do edifício. Em breve vamos anunciar a data e hora da assembleia administrativa do projecto.

2ª atualizaçãoPor volta das 22:00 do dia 10 de Janeiro de 2016, algumas horas depois de ocuparmos o prédio vazio na rua Themistokleous 58, em Exarchia, um tipo apareceu no exterior das instalações afirmando representar a  ‘ANASKEVI M EPE ” dizendo que o edifício pertence a esta empresa do setor imobiliário. O que ele praticamente disse é que, se nós não sairmos do edifício até amanhã, vai chamar a polícia. Deixámos claro que não reconhecemos a propriedade privada e que não temos nenhuma intenção de deixar a Okupa. Fazemos um apelo para a continuidade da presença de pessoas em solidariedade, dentro e fora do edifício, para se defender o projeto por todos os meios disponíveis.

Okupa Themistokleous 58

Paris: E um, e dois, e três …

Megaphone-WomanNa noite de domingo, de 30 para 31 de Agosto, as janelas do centro Emmaús-Solidarité, no número 47 de rua Raymond-Losserand, no XIV bairro de Paris, foram redecoradas com a pintada “Emmaüs colaborador”. Colaboradores da polícia, porque após a ocupação do centro na quarta-feira, 11 de Agosto – por parte de imigrantes que exigiam melhores condições de vida – o pessoal da Emmaüs chamou a polícia, resultando isso na detenção de 4 pessoas que se vêm confrontadas com um julgamento nos princípios de Outubro, acusadas de sequestro.

Dois passos mais além, uma sucursal do banco LCL acabou com a sua fachada e caixa eletrónico copiosamente destroçados, enquanto na parede ao lado no dia seguinte os transeuntes podiam ler a seguinte mensagem: “O capitalismo mata – Abaixo todas as fronteiras.

Para além disso, as montras da sede do Partido Socialista, no número 2 da rua Ernest Lefévre, no XX bairro de París, foram feitas em fanicos e na parede ao lado apareceu a pintada “Abaixo todas as fronteiras”.

É uma boa hora sempre para se rebelar.

Abaixo o Estado, o capitalismo e os administradores humanitários.

Liberdade para todxs.

fonte: Indymedia Nantes via attaque

espanhol

Alemanha: Ataque com tintas contra um centro de trabalho em Berlim

desempleadosVão à merda com a vossa austeridade!

Na noite de 15 para 16 de Setembro, o centro de trabalho (Jobcenter), no bairro de Mitte, foi atacado com garrafas cheias de tinta.

Trata-se de uma reação imediata ao facto da instituição da Jobcenter se negar continuamente a dar o benefício social Hartz IV a imigrantes europeus/eias. Ontem o Tribunal Europeu decidiu que esta merda será oficialmente “aceite” de agora em diante.

Esta decisão acumula-se às contínuas tentativas de separação dxs desempregadxs em alemães e não alemães, preguiçosxs e trabalhadorxs, potenciais beneficiárixs e puníveis.

Já basta o terror diário nos serviços de emprego. Organizemo-nos!

NEM FRONTEIRAS NEM NAÇÕES

Fomos nós, xs desempregadxs

fonte: linksunten via chronic | em grego, espanhol

Europa: Operação policial em larga escala contra imigrantes

Queimar os Centros de Detenção – Deportar o Governo – Acolher xs Refugiadxs

Atenção!!!

Uma operação policial estabelecida pela União Europeia, denominada “Mos Maiorum”, terá lugar de 13 de Outubro de 2014, segunda-feira, a 26 de Outubro de 2014, domingo. Durante essas duas semanas, 18.000 polícias andarão à caça das pessoas sem papéis. Querem saber os caminhos e as rotas de imigração além de deter a maior quantidade de pessoas possível.

Advirtam todxs xs sem papéis! Os controlos terão lugar nos trens, estações, auto-estradas, aeroportos e nas fronteiras internas europeias.

Contra a fortaleza Europa!
Ninguém é ilegal!

Menidi, Atenas: Sobre o duplo assassinato racista de 29 de abril

Contentores para migrantes no campo de concentração Amygdaleza

A seguir a tradução da descrição postada no Indymedia de Atenas na noite de domingo, 29 de abril de 2012, sobre o ataque racista que aconteceu naquela manhã. O massacre de Menidi também circulou em vários meios de comunicação do Regime, além de que hoje foi noticiada a inauguração do campo de concentração de imigrantes na área de Amygdaleza.

Hoje ficamos sabendo do duplo assassinato na região de Menidi, e acreditamos que os acontecimentos devem ser mencionados como nos foram comunicado pelo filho de uma das vítimas.

Em 29 de abril pela manhã, na esquina da rua Thrakomakedonon com Mola (cerca de um quilômetro de distância de Amygdaleza), um grupo de imigrantes esperava de um lado da rua para encontrar um emprego, como acontece todos os dias e é costume naquele lugar.

De repente, um cara que dirigia um carro tipo Kadett e estava acompanhado por sua namorada se aproximou em alta velocidade e atropelou um imigrante albanês. Ele gritou: “Eu vou foder todos”, e coisas parecidas, e fugiu em grande velocidade. Os outros imigrantes correram para ajudar o ferido, chamaram a polícia e, ademais, uns foram até a delegacia para denunciar o incidente.

Concretamente, os policiais na delegacia nem responderam e não fizeram nada, e logo após, o imigrante que tinha ido registrar o ataque voltou à cena dos fatos. Um tempo depois, o motorista que tinha atropelado o imigrante albanês voltou com o carro e começou a atirar à distância com uma arma, ferindo os pés de um imigrante paquistanês que corria para se esconder com os outros imigrantes, entre eles um imigrante albanês de 58 anos, que foi ferido na perna. O cara parou o carro, deixou-o e atirou na cabeça do albanês a sangue frio, matando-o. Ainda outro imigrante paquistanês, que o assassino perseguia, parou um caminhão de bombeiros, e conseguiu entrar para escapar do tipo, que seguiu o caminhão de bombeiros por um tempo, antes de desaparecer.

Nos interamos que a primeira pessoa que foi atropelada pelo carro morreu. O autor do ataque é filho de um policial que ainda está sendo procurado, pelo menos até esta tarde quando fomos perguntar na delegacia. Ademais, os policiais o conheciam, porque quando eles chegaram após o assassinato, ao ouvir a descrição de uma testemunha ocular e um imigrante paquistanês dizendo o nome Kostas, os policiais disseram “ah, sim… o conhecemos…”

Temos que acrescentar o diálogo que tivemos fora da delegacia de Menidi:

Guarda: “Você vem de Menidi?”
Nós: “Sim.”
Guarda: “E daí? Não te parece estranho o que aconteceu?”
E a intervenção de um policial a paisana que estava presente:
“Ok, o homem foi à loucura…”

A questão é que este ataque claramente racista ocorreu em um lugar que fica a menos de um quilômetro de distância do campo de concentração para imigrantes em Amygdaleza, e no mesmo dia em que mudaram para lá os primeiros imigrantes. Este ataque ocorre num período em que foi criado um clima antimigração em Menidi e em outros lugares, e no mesmo período, os fascistas do Laos [partido de extrema direita] falam em favor de portar armas e… por aí vão as coisas.

E, como já vimos, os escrotos meios de comunicação apresentaram tudo como lhe quisessem, por isso gostaríamos de compartilhar essa informação e assinalar que não se trata apenas de um incidente infeliz…

Expressamos nossas condolências e apelamos para não deixar que esses assassinatos fiquem como “algo raro”.

Nossa pátria, a terra.

traduzido por agência de notícias anarquistas-ana

Atenas/Grécia: ALERTA ANTIFASCISTA

No centro da cidade: espancamentos diários, torturas, roubos a imigrantes.
fonte athens.indymedia

Bófia, fascistas, polícia à paisana, funcionários públicos racistas, um emaranhado impenetrável de bandidos transformam num inferno a “vida” diária dos imigrantes que se deslocam no centro de Atenas.

Aqui estão alguns dos fatos que, aparentemente, os/as imigrantes sofrem todos os dias, descritos por apoiantes:

– Na  estação de metro de Attiki, ao fim da tarde por volta das 6, diariamente, a bófia em uniforme, ou sem ele, assistida pelos controladores de passagem, buscam os imigrantes que saem do metro. Não pedem os seus documentos, imobilizam-nos, revistam-nos, espancam-nos e roubam-lhes o que encontram nos bolsos. O mesmo aconteceu na estação de metro de Victoria.

– Em Larissis (ou Larissa), na estação ferroviária central de Atenas, polícias, juntamente com fascistas espancam qualquer imigrante que consigam isolar.

– A tortura continua, mais metódica, na Direcção de Polícia para Estrangeiros na rua Petrou Ralli,  para onde são enviados os imigrantes – mesmo aqueles que têm papéis – após serem detidos nos bairros da Praça Vitória e da Praça de Attiki e nas redondezas da rua Acharnon e retidos nos calabouços  do famoso departamento de polícia de Aghios Panteleimonas. No Petrou Ralli, a bófia tranca-os a todos juntos numa sala de detenção onde produtos químicos em spray são lançados diretamente sobre os detidos, causando-lhes asfixia e, ao mesmo tempo, captando a sua tortura, com câmaras de telemóvel. Além disso, mantêm as pessoas lá durante um dia inteiro sem lhes darem comida, ou o direito de ir à casa de banho, insultando-os ou ameaçando-os de morte.

Estes são testemunhos dispersos
  – dos poucos que são divulgados – sobre o fascismo que dia a dia é reforçado pela polícia, fascistas, ministros, os principais meios de comunicação e presidentes de câmaras, bem como por grande parte da sociedade adormecida que assiste a esta violência com indiferença.

DO QUE É QUE ESTAMOS À ESPERA?

Em Zografou: Neo-nazis irrompem na Universidade de Atenas, ferindo estudantes
fonte occupied london

Na quinta-feira, 29 de março de 2012, por volta das 13h 30 (GMT +2), um grupo de cerca de 20 neonazis – segundo as informações recebidas até agora, alinhados com “Chrissi Avgi / Amanhecer Dourado” e/ou com o grupo fascista grego-cipriota “DRASIS-KES” – entrou na faculdade de Matemática e Física no campus principal da Universidade de Atenas no bairro de Zografou (Alguns dos comentários no Indymedia de Atenas referem que esta escória  está ligada apenas ao ‘DRASIS-KES”).

Os bandidos feriram, pelo menos, três alunos. Segundo testemunhas, tinham paus, capacetes e, possivelmente, machados. Os estudantes conseguiram agrupar-se rapidamente e realizar uma manifestação antifascista com algumas centenas de pessoas, entretanto os autores do ataque já haviam desaparecido de cena.

Os autores parecem estar alinhados com os ‘Neoi Orizontes / Novos Horizontes’, um grupo de estudantes neonazis ligados aos ‘DRASIS-KES’ e ao antigo partido de Antonis Samaras, que é hoje o líder do partido de direita Nea Dimokratia que faz parte da coligaçãqo de governo de unidade nacional …O pequeno espaço que abriga  os “Novos Horizontes” na universidade foi destruído a seguir.

Numa reviravolta notável da realidade (mesmo para o seu habitual baixo nível) muitos media convencionais afirmam que a autoria deste ataque neonazi foi de “jovens encapuçados” ( kukulofori ), numa referência indireta, ou mesmo direta, aos anarquistas.

Por sua vez, 30 novos centros de detenção estão a ser construídos, na Grécia. Preparando-se para as eleições, há vários meses que a retórica xenófoba governamental culpa, mais ou menos encapotadamente, os imigrantes pela crise económica. Centenas de polícias realizam “operações de limpeza” como lhes chamam, diariamente, invadindo sem aviso, cada bairro urbano, bloqueando blocos inteiros no centro da cidade, detendo todos os de “pele escura”.

Os escritórios de 'DRASI-KES' ficaram com as vidraças quebradas após a manifestação espontânea de cerca de 500 estudantes, entre eles esquerdistas, antifascistas e anarquistas, através dos campus e das ruas de Zografou e Ilissia, que protestavam contra o ataque fascista orquestrado nas iinstalações da universidade. Os estudantes feridos estão alegadamente melhor agora.

Patras, Grécia: Fascistas de uniforme policial incendeiam um acampamento de imigrantes

Na quinta-feira, 5 de Janeiro de 2012, às 7h00 da manhã,, a polícia invadiu a antiga fábrica de Peiraiki-Patraiki na cidade de Patras, onde se abrigavam dezenas de imigrantes e refugiadxs. Os porcos de uniforme bateram nas pessoas que dormiam sob as ruínas, arrancaram-lhes e queimaram os documentos de alguns e prenderam, provavelmente, mais de 50 pessoas (número exato ainda não confirmado).

Com a cumplicidade de funcionários da Organização do porto de Patras (o dito edifício pertence a esta organização) e, provavelmente, com autoridades municipais, os polícias reuniram todas as roupas, cobertores, colchões, sapatos e o resto dos  objetos dos imigrantes em pilhas e deitaram-lhes fogo. As chamas  espalharam-se a várias divisões e a outros edifícios próximos, deixando alguns completamente queimados. Os bombeiros chegaram ao local 6h depois(!), às 13h. Como relataram alguns imigrantes, havia dois autocarros cheios de pessoas sequestradas, algumas das quais foram transladadas, de acordo com outras informações, em Atenas.

Às 18h, realizou-se uma concentração e marcha em solidariedade com os imigrantes e refugiados reféns do estado nas ruas centrais de Patras. Neste momento, necessita-se urgentemente de roupas, cobertores, sapatos, utensílios de cozinha e alimentos.

A partir das 17 h de hoje, 6 de Janeiro, as portas do espaço okupado Parartima, no cruzamento de ruas Korinthou e Aratou estarão abertas para receber estes artigos de primeira necessidade.

De referir que a 22 de Dezembro de 2011, cerca de 400 pessoas, na maioria imigrantes, tomaram as ruas da cidade numa manifestação de repúdio à operação policial de 20 de Dezembro, na zona do Rio, durante a qual um jovem afegão de 16 anos ficou gravemente ferido.

Vídeo em inglês, onde os imigrantes e os refugiados relatam que durante o ataque fascista os polícias queimaram também a mezquita informal onde rezavam, deitando o Corão para o lixo.

fonte e mais fotos aqui

Kesariani, Atenas: “A outra escola”

Pelo quinto ano consecutivo, o grupo voluntário “A outra escola”, está a dar cursos grátis de grego para imigrantes e refugiados. Trata-se de uma iniciativa voluntária e aberta de trabalhadores do sector educativo e outras pessoas, que tem como objetivo oferecer ensino gratuito do idioma grego aos imigrantes e refugiados adultos.

Como em anos anteriores, as aulas terão lugar nas salas da 1a e 2a na escola secundária de Kesariani, situada na rua Iros Konstantopoulou 13B. Duram 2 horas e realizam-se todos as segundas e quarta-feiras às 19 horas.

Para maior informação e inscrições: allosxoleio@gmail.com

Ou contactar pelos seguintes números: (0030) 210 7526200, (0030) 210 7233872

Fontes: 1, 2 / Em espanhol

Nicósia, Chipre: Convite à solidariedade com os imigrantes em greve da fome

Desde segunda-feira, 24 de Outubro, 52 pessoas (de um total de 65 no seu bloco), todos eles imigrantes detidos, começaram uma greve de fome no bloco 10 da prisão central. O seu crime: residência ilegal em Chipre. A sua demanda: deixarem de ser privados dos seus direitos básicos que estão a ser postos em causa pelo Estado.

Essas pessoas estão a ser detidas, a fim de serem deportadas, não cometeram crimes pelos quais fossem condenados. Pelo contrário, o criminoso, neste caso, não é outro senão o Estado que, em muitos casos os mantém na prisão por períodos de tempo muito maiores do que os 6 meses que estão definidos como o período máximo da directiva 115/2008 (já que não existe lei nacional para definir as exceções a essa directiva no artigo n º 15 6). Além disso, em muitos casos, as garantias processuais não são observadas e sua detenção é ordenada sem sequer uma ordem de detenção.

Na quinta-feira, 20 de Outubro, em frente da câmara do bloco 10, um argelino de 46 anos de idade, fez uma tentativa de suicídio com navalhas. O vídeo da tentativa de suicídio está nas mãos da polícia. Este homem é casado e tem dois filhos, ele pediu várias vezes para retornar ao seu país, mas não o vão deixar. Durante mais de duas semanas, ele declarou que se recusava a aceitar comida, e no seu desespero pediu ao resto do seus companheiros de cela para iniciarem uma greve de fome também.

Na sexta-feira, 28 de Outubro, mais uma pessoa tentou o suicídio, fazendo um laço a partir de folhas e foi salvo no último minuto. Este homem, um sírio, foi detido há mais de um ano e também quer voltar para o seu país, mas não o vão deportar. Trata-se de um homem que foi detido há mais de um ano, contra todas as leis pertinentes, e nem o vão deportar nem o vão libertar.

O facto é que esta situação repugnante recebe atenção praticamente zero da media corporativa e reflete o quadro geral da nossa sociedade, que, conscientemente, permite que a questão dos residentes ilegais possa ser escondida debaixo do tapete. O Estado que se está a preparar para a presidência europeia oprime os direitos humanos, com toda a brutalidade, e os cidadãos europeizados assobiam indiferentemente perante à total humilhação da dignidade humana, enquanto defendem a sua imagem como humanistas.

Estamos em solidariedade com os grevistas da fome e também com todas as pessoas cujos direitos humanos estão a ser oprimidos pelos governos. Apelamos a quem ainda tem alguma humanidade a participar numa assembleia para decisão de ações a serem tomadas, na terça-feira (1/11) pelas 6h da tarde, na escada da Faneromeni School, em Nicósia.

Pessoas em solidariedade com os grevistas da fome

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ATUALIZAÇÃO

Os prisioneiros migrantes decidiram parar a greve da fome, depois das “promessas” do Director-Geral do Ministério do Interior de Chipre …

A sua declaração aqui:

“Olá a todos

Esta carta representa todos os detidos que entraram em greve de fome, no bloco 10 da prisão central de Nicosia, a 24/10/11 até 3/11/11, que durou 12 dias. Temos a informação de quem falou com o diretor-geral do ministério do interior, Sr. Andreas Assiotis,de que que o Sr. Director Geral irá fazer o necessário para resolver os nossos problemas dentro de 7 dias.

Acreditamos que o governo e o Ministério do Interior de Chipre compreenderam a nossa situação real e este ato pacífico. A fim de mostrar a nossa boa vontade e confiança para com o Sr. Diretor-Geral e o governo de Chipre, decidimos interromper a greve de fome.

Esperamos ter algum bom resultado, para não ter de voltar a fazê-lo no futuro. Estivemos em greve da fome para chamar a atenção e obter assistência, não para atingir qualquer pessoa, instituição ou a nós mesmos.

Gostaríamos de expressar os nossos sinceros agradecimentos a todos aqueles que nos apoiaram, por sua vez, através do seu esforço e dos seus cuidados, todo esse tempo.

obrigado”

Fonte

Okupa Patission 61 & Skaramaga: Apelo aos imigrantes, contra os pogrons fascistas em Atenas

Folheto produzido pela Okupa patission 61 & skaramanga – contra os pogrons fascistas efetuados em Atenas nos últimos meses – contendo apelo aos imigrantes para que se organizem e resistam, criando coletivos de luta, em conjunto com os anarquistas – em Persa (farsi),  Paquistanês (urdu), Árabe, Grego, Inglês, Francês.

Contra os pogrons dos fascistas

É inadmissível ser forçado a deixar o seu país para acabar por perseguido aos tiros nas fronteiras com racismo, ser forçado a viver em caves miseráveis para ter os piores postos de trabalho por salários humilhantes e ser obrigado a ficar longas horas em filas para obter, por fim, um cartão de residência, de ser aprisionado em centros de “acolhimento” ou em campos de concentração.

E como se tudo isto não bastasse, um assassinato brutal é usado como pretexto para grupos racistas (como o Chrisi Avgi), que com a ajuda inegável da polícia, te perseguem nas ruas com navalhas, te obrigam a sair dos autocarros, invadem a tua loja ou a tua casa, te batem e te apunhalam até à morte. Só porque alguns assassinos poderiam falar a mesma língua que tu. Basta!

Os imigrantes desta cidade não estão sozinhos. Estamos aqui também e sabemos bem que a guerra que está a ser levada à prática pelos racistas e pela polícia nesta zona, é o reverso dessa guerra financeira e militar que já viveste no teu país. Estamos aqui também e sabemos bem que o racismo, que suportas diariamente, se tem desenvolvido porque desejam que sejas apenas uma mão de obra barata, por isso pretendem que sejas encarado como uma ameaça permanente à coesão social e que sejas separado e afastado de todos nós.

Todos nós acreditamos que, enquanto as fronteiras, as nações, os sexos e as religiões nos separarem, continuaremos impotentes e a ser um alvo fácil para quem decidir nos atacar e nos expulsar. Podemos trabalhar juntos para criar as nossas comunidades de luta por uma vida melhor, para resistir e nos defendermos dos racistas e da polícia. Combatamos contra o medo e a brutalidade com gentileza e solidariedade, antes que os poderes do capital, do ódio e do racismo nos devorem a todos e a cada  um.

Solidariedade entre os oprimidos

fonte: squat patission 61 & skaramaga


N.T. A palavra “Pogrons”, de origem russa, começou por ser usada para denominar atos em massa de violência espontânea, ou premeditada, contra diversas minorias étnicas da Europa. Atualmente, o termo tem vindo a ser generalizado a qualquer país e em relação a qualquer minoria, sendo aplicável aqui em relação a perseguições racistas e xenófobas, por parte de bandos nazis, sobre pessoas oriundas do Afeganistão, Bangladesh e de outros países limítrofes, imigrantes em geral, na Grécia – onde, por vezes, também se verifics a existência de pogrons contra os anarquistas, por parte da polícia, sendo então chamado de pogrom. Se for em relação a imigrantes, por parte da extrema-direita, chamam-se pogrons fascistas.

Corfú, Grécia: Invasão policial na okupação de Elea

Na segunda-feira, 19 de setembro, forças policiais de Corfú, com um mandado judicial, invadiram a Okupa de Elea, localizada nos arredores da capital da ilha, não se encontrando lá nenhum dos seus ocupantes. Os polícias arrombaram a porta do espaço e vasculharam todos os cantos, presumivelmente atrás de drogas e “imigrantes ilegais”. Após algum tempo retiraram-se, deixando o local numa desordem total. Levaram as atas das reuniões da okupa e… um fogão! Os companheiros já se encontram de novo na Okupa.

Não é a primeira vez que a okupação de Elea recebe uma agressão. A invasão foi precedida, no passado, por uma irrupção por parte de um corpo especial da polícia, um ataque a um imigrante, nas proximidades do espaço, e um incêndio.
Também, há poucos dias,ocorreram ataques incendiários na okupação Kouvelou em Atenas e um ato de intimidação em Tessalônica, na okupação Libertatia. Trata-se, sem dúvida, de um ataque concertado. O poder teme que a revolta social transborde dentro em pouco e tenta travar essa possibilidade mediante a ativação dos seus reflexos fascistas.

SOLIDARIEDADE É A NOSSA ARMA!
MANTENHAM BEM LONGE DAS OKUPAS AS VOSSAS PATAS!

fontes a, b, c

Ioannina, noroeste da Grécia: APOIO AOS IMIGRANTES (cartaz colectivo)

poster assinado por diversos colectivosOs  emigrantes de ontem são os imigrantes de hoje

Em 9 de Junho de 2011, a polícia evacuou violentamente e destruíu o local de residência  dos imigrantes em Igoumenitsa. Dezenas deles foram presos tendo muitos deles sido forçados a fugir para o continente.  Alguns vieram parar à nossa cidade [Ioannina, no noroeste da Grécia].

Imigrantes —a parte mais subestimada e explorada da classe trabalhadora— não devem ser perseguidos nunca mais!

Não se pode  permitir que os imigrantes sejam vítimas dos apetites da bófia, dos juízes, dos racistas e de pacíficos cidadãos. Toda a solidariedade e ajuda mútua para a defesa dos habitantes locais e idos migrantes e para o ataque aqueles que os exploram e oprimem. Não se pode aceitar que o direito de  livre circulação e de residência deixe de se aplicar a todxs.

Para eliminar a linha divisória formada por fronteiras e territórios.

FACTUALMENTE – MATERIALMENTE – POLITICAMENTE
APOIO AOS IMIGRANTES

Compas | antifa [ i ] | Tapi & psychremi [pobretes & alegretes] | ESE Ioanninon [União Sindical Libertária de Ioannina] | katalispi Antiviosi [Okupa Antivosi]

Fonte: Rádio Autónoma de Ioannina

Ataque fascista no centro de Atenas

Segundo o Comité dos Refugiados Afegãos, ocorreu mais um ataque fascista contra um imigrante, na noite de terça feira, 16 de Agosto, perto da praça Attiki (centro de Atenas). Um gangue de sete neonazis atacou um imigrante de 25 anos que ficou gravemente ferido sendo hospitalizado. No dia seguinte, as pessoas que foram à delegacia da policia em Aghios Panteleimonas para denunciar o ataque fascista receberam a resposta por parte da polícia de que eles não iriam fazer nada, incitando-os a formar o seu próprio gangue e devolver a agressão…

fonte: athens.indymedia.org