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Atenas, Grécia: Três prisioneirxs da Luta Revolucionária em greve de fome e sede – Lambros-Viktoras Maziotis Roupas raptado

Na madrugada de 5 de Janeiro de 2017, duas membras da Luta Revolucionária, a companheira fugitiva Pola Roupa e a anarquista Konstantina Athanasopoulou, foram capturadas num dos subúrbios da zona sul de Atenas. A bófia da seção anti-terrorismo tomou de assalto um esconderijo onde se encontrava Pola e o seu filho de seis anos, enquanto Konstantina era presa noutra casa próxima.

Separado da sua mãe à força, Lambros-Viktoras Maziotis Roupas –  o filhinho dos membros da Luta Revolucionária Nikos Maziotis e Pola Roupa – é mantido em cativeiro num hospital pediátrico e vigiado pela polícia (!), sem direito a ver os parentes mais próximos ou até mesmo o representante legal dos pais.

As autoridades gregas, e em particular a representante do ministério público para menores, Sra Nikolou, continuam a recusar-se a confiar a criança aos parentes em primeiro grau de Pola Roupa.

Em resposta a isso, a 5 de Janeiro, três membros da Luta Revolucionária – o prisioneiro anarquista Nikos Maziotis, a recapturada companheira Pola Roupa e a recém- presa Konstantina Athanasopoulou – deram início a uma greve de fome e sede, exigindo que a criança de seis anos seja imediatamente confiada à tia e à avó (do lado da mãe).

Numa carta aberta, Nikos Maziotis declara, entre outras coisas, que: “O nosso filho é filho de dois revolucionárixs e está orgulhoso dos seus pais. Não sucumbiremos a qualquer chantagem. Defendemos as nossas escolhas com a nossa própria vida“.

A 6 de Janeiro, durante a transferência das duas mulheres ao tribunal Evelpidon, Pola gritou: “Os vermes levaram o meu filho prisioneiro para Paidon (Hospital Infantil de Atenas), vigiado por polícias armados; aos seis anos é um prisioneiro de guerra” e “Viva a Revolução! “. Pola acrescentou ainda: “Sou uma revolucionária e nada tenho a desculpar-me“.

Indica-se a seguir a declaração de Konstantina:

Sou uma anarquista, membro da organização revolucionária armada Luta Revolucionária (Epanastatikos Agonas). Os únicos terroristas são o Estado e o Capital. Recuso-me a comer e beber seja o que for até que o filho dos meus companheiros Pola Roupa e Nikos Maziotis seja entregue aos parentes deles.
Konstantina Athanasopoulou
“.

Lá dentro, prisioneirxs anarquistas e outrxs reclusxs de diferentes alas das prisões de Koridallos, para mulheres e para homens, montaram um protesto conjunto – recusando-se a entrarem nas celas – reivindicando o fim imediato do cativeiro de Lambros-Viktoras, em solidariedade com xs prisioneirxs da Luta Revolucionária atualmente em greve de fome e de sede.

Cá fora, companheirxs de várias cidades ao longo de toda a Grécia realizaram diversas ações em apoio imediato aos/às revolucionárixs anarquistas, exigindo que seja concedida aos parentes em primeiro grau da Pola Roupa a visita imediata e a custódia do seu filho menor de idade.

Força a Konstantina Athanasopoulou, Pola Roupa e Nikos Maziotis, membroxs orgulhosxs da Luta Revolucionária.

A Luta Revolucionária não irá depôr as armas nem se renderá aos inimigos da liberdade.

 em inglês, alemão, italiano

Sacco e Vanzetti: Uma viagem através do tempo – Texto de membros da CCF para um evento organizado pela Biblioteca Anárquica Kaos

//pt-contrainfo.espiv.net/files/2016/09/carta-de-elementos-CCF-para-evento-Biblioteca-Kaos.pdfTexto em pdf

Apresenta-se abaixo um texto escrito em Atenas, na Grécia – por vários membros presos da Conspiração de Células de Fogo – para um evento da Okupa Biblioteca Anárquica Kaos, no Brasil.

A todxs xs companheirxs, a todxs xs nossxs irmãos e irmãs anarquistas presentes neste evento organizado pela biblioteca Anárquica Kaos. Deixem que os nossos pensamentos irrompam e viajem para o Brasil de forma a serem enviadas estas breves palavras, com a esperança de que possam sentir um pouco a nossa presença ao vosso lado.

Em resposta ao tema do evento a ter lugar durante a Semana Internacional de Solidariedade aos/às presxs anarquistas gostaríamos de lançar a nossa contribuição pessoal e histórica em relação ao caso de Nicola Sacco e Bartholemeo Vanzetti. A Conspiração de Células de Fogo foi desde o início um grupo anarquista de ação direta que aspirava a um recrudescimento da presença agressiva anarquista na Grécia. Assim, a CCF não hesitou em criticar muitas vezes aquilo que se acreditava estar a ser impeditivo da generalização dessa intensificação. Mas quando a opressão finalmente chegou à nossa porta, aí entendemos completamente que se não estivéssemos ao nível dos nossos padrões ter-nos-íamos recusado a defender a nossa identidade, os nossos pontos de vista políticos e a nossa própria substância. Além do mais, poderíamos ter acabado por estar em completo contraste com as nossas críticas contra outrxs no passado. Deste modo, sete anos após o dia em que a repressão se abateu sobre nós, continuamos na vanguarda da dignidade anarquista, pelo menos de modo que a percepcionamos. Recusamos-nos a nos desonrar de qualquer forma e defendemos o que acreditávamos que tínhamos de defender, pagando o preço da nossa atitude intransigente.

Voltando ao passado, numa época em que dois companheiros – os anarquistas da práxis forjados no fogo da revolta Nicola Sacco e Bartholomeo Vanzetti – foram presos com acusações de expropriação armada e assassinato, enfrentámos desafios que não são de modo algum inéditos. Um fato que beneficia de ampla evidência é que tanto Sacco como Vanzetti participaram em redes militantes informais de afinidade anarquista, todas elas foram afiliadas a publicações como o jornal anarquista Cronaca Sovversiva, em cuja publicação eles próprios ajudaram, publicação essa que apoiava a necessidade de propaganda pela práxis. Sabe-se também que estas redes militantes informais foram responsáveis por uma série de ataques que sacudiram os Estados Unidos de 1914 em diante, ataques esses que estavam a ser financiados por expropriações armadas. Finalmente, é um facto que alguns dos companheiros de Sacco e Vanzetti confidenciaram, após o assassinato dos dois companheiros, que eles eram dois dos cinco ladrões da fábrica de calçados em Braintree, Massachusetts. Um dos companheiros de Sacco e Vanzetti, Mario Buda, por exemplo, durante uma entrevista, quando lhe perguntaram sobre o financiamento do seu grupo, respondeu: “Nós geralmente íamos aos sítios onde poderíamos encontrá-lo (o dinheiro) e levávamo-lo“, ou seja, aos bancos e fábricas. Muitos anos depois, em 1955, ele recebeu a visita do anarquista Charles Poggi, que estava a investigar historicamente o caso de Sacco e Vanzetti. Na discussão entre eles, Buda admitiu, pelo menos, a participação de Sacco no roubo em Braintree com a frase “Sacco estava lá” (“Sacco c ‘era“). Poggi ficou também com a impressão de que Buda foi um dos assaltantes, mas devido à discrição daquele, não levantou a questão.

Os dois companheiros foram presos após uma perseguição e apesar de se encontrarem armados não havia elementos de prova de incriminação contra eles – sem a técnica de investigação de balística que não tinha sido aperfeiçoada ainda naquela época e uma vez as testemunhas não podiam testemunhar nada que fosse confiável. Assim, ambos os companheiros escolheram defender-se declarando que estavam inocentes do roubo, ainda que culpados como anarquistas – num tempo em que, por tão pouco que isto representasse, poderia ser prova suficiente para alguém ser processado, torturado, preso ou mesmo deportado – na medida em que a onda de ataques anarquistas que abalaram os EUA tinha levado o Estado a tomar medidas de emergência contra anarquistas e imigrantes anarquistas, através de uma série de leis.

No pico da histeria anti anarquista, a que puseram o nome de Red Scare [Medo Vermelho], os dois companheiros tentaram equilibrar-se sem rede de modo a evitarem a pena de morte e a manterem a dignidade – uma vez que teimosamente se recusavam a perder a sua identidade, embora isso pudesse revelar-se suficientemente condenatório também.

Infelizmente, o caso de Sacco e Vanzetti é lembrado hoje exclusivamente como um exemplo de montagem do governo. A narrativa histórica que tem prevalecido está a tentar lançar um véu no contexto histórico mais amplo da era em que se deu o julgamento de dois companheiros referidos, induzindo deliberadamente em erro – retratando-os como meros sindicalistas organizados quando na verdade Sacco e Vanzetti e quase todxs xs companheirxs em torno da Cronaca Sovversiva tinham sentimentos profundamente anti – formalistas, distanciando-se das organizações oficiais anarquistas.

Em última análise, o caso dos dois companheiros foi sendo degradado tornando-o numa história onde se eleva o valor da vítima, em vez de ser um exemplo atemporal de uma orgulhosa insurreição anarquista. Tal tema é quase desconhecido até hoje. Naturalmente que cada companheirx mantém sempre o direito de não dar sequer um pingo de si mesmx para o inimigo, especialmente quando têm evidências insuficientes – se as houver até – para o/a condenar.

No entanto, isso é uma coisa outra coisa é o fetichismo político da vítima que omite deliberadamente e totalmente aquelxs que optam pessoalmente por defender o seu compromisso militante à anarquia. E se alguém tem dúvidas, deixem-nos saber os motivos porque é que os nomes dxs companheirxs de Sacco e Vanzetti continuam a ser lançados no esquecimento. Quantos ainda se lembram ou sabem sequer alguma coisa da “dinamite-girl”, a velha companheira de 19 anos de idade Gabriella Antollini, que reivindicou a responsabilidade do transporte de armas e explosivos? Quantos se lembram de Nicola Recci que perdeu quase toda a mão durante a fabricação de dispositivos explosivos? Com que frequência é Carlo Valdinoci mencionado, ele que morreu pela explosão de uma bomba que estava a planear colocar na casa do ministro da Justiça Palmer; ou Andrea Salsedo, que foi atirado de uma janela pela polícia, durante um interrogatório acerca de uma reivindicação de responsabilidade que foi descoberta na sua loja de impressão? Todxs estxs e muitxs mais, estavam destinadxs a ser deixados de fora dos livros de história, porque como realmente é o caso não eram “inocentes”.

Neste ponto, apesar do stress e de se declararem inocentes das acusações, nunca Sacco e Vanzetti denunciaram o seu património insurrecionário. Um fato comprovado pelo número das ações ofensivas em todo o mundo feito em nome da solidariedade aos dois companheiros. Desde o bombardeio, usando um carro com fios, de Wall Street até ao pacote-bomba enviado para o embaixador dos EUA em Paris, bem como dezenas de atentados de embaixadas americanas em diversos países. Os companheiros muitas vezes exortaram eles mesmos o movimento a fazer retaliações contra o Estado e juízes. Em Junho de 1926, numa edição da Protesta Umana, Vanzetti escreveu entre outras coisas: ”Tentarei ver Thayer morto antes do anúncio da nossa sentença” e pediu aos/às companheirxs “Vingança, vingança em nosso nome e em nome do nosso modo de vida e mortxs “. O artigo conclui com  “Health Is In You” [A saúde está em você] que foi o título de um manual sobre dispositivos explosivos publicado pela Cronaca Sovversiva (alguns dizem que traduzido por Emma Goldman a si mesma).

A rica contribuição da anarquia insurrecional no movimento de solidariedade com Sacco e Vanzetti está a ser, em grande parte, negligenciada até hoje. Na ocasião da chamada para a Semana de Acção Internacional pelxs anarquistas encarceradxs, vale a pena ser definitivamente lembrado em toda a sua perspetiva o legado de tal solidariedade militante. Quem acredita que a dissociação com atos militantes de solidariedade é nova ou tem falta de raízes, está profundamente enganadx.

Um fato notável é que, enquanto certos círculos anarquistas na Argentina caluniavam Severino Di Giovanni, acusando-o mesmo de ser um fascista, a viúva de Sacco – numa correspondência, alguns dias após a execução de ambos os companheiros – expressava a sua gratidão pelo apoio daquele ao caso. Na mesma carta, indicava que o diretor de uma determinada empresa de cigarros com o nome “Combinador” se tinha oferecido para dar a um tipo particular de cigarros da marca o nome “Sacco e Vanzetti”, tentando obter descaradamente lucro da notoriedade do caso. Em 26 de Novembro de 1927, uma bomba colocada por Di Giovanni e companheirxs explodiu numa filial da referida empresa em Buenos Aires. Fazia parte desse mesmo grupo o companheiro de Sacco e Vanzetti Ferrecio Coacci, o qual tinha sido deportado dos EUA. Coacci também era suspeito no roubo pelo qual Sacco e Vanzetti foram condenados, tendo a sua casa sido a primeira a ser invadida na investigação do caso.

Esperamos que consigamos nestas poucas palavras incentivar o interesse dos/as participantes do evento, definindo as bases para um autêntica discussão de companheirismo sobre todas as questões acima mencionadas – uma vez que, infelizmente, estamos condenadxs a nada aprender da nossa história, condenando-nos assim ao mesmo erro, uma e outra vez.

Do coração, enviamos a todos vós as nossas mais calorosas saudações.

Por fim, devemos lembrar-nos da frase do anarquista Luigi Galleani, companheiro de Sacco e Vanzetti e um dos editores de Cronaca Sovversiva: “Nenhum ato de rebelião é inútil; nenhum ato de rebelião é prejudicial.

Os membros da Conspiração de Células de Fogo

Michalis Nikolopoulos
Giorgos Nikolopoulos
Haris Hatzimihelakis
Panagiotis Argirou
Theofilos Mavropoulos
Damiano Bolano

Grécia: Atualização da situação dos companheiros Kostas Sakkas e Marios Seisidis, recentemente presos

“Força para os companheiros Sakkas e Seisidis – Nada acabou – A luta pela revolução e Anarquia prossegue” (faixa em papel da Okupa Terra Incognita em Tessalónica, Grécia)
“Força para os companheiros Sakkas e Seisidis – Nada acabou – A luta pela revolução e Anarquia prossegue” (faixa em papel da Okupa Terra Incognita em Tessalónica, Grécia)

A 17 de Agosto de 2016, Kostas Sakkas e Marios Seisidis enfrentaram em Atenas um julgamento – relativo às circunstâncias da sua detenção em Esparta (4 de Agosto).

Durante o julgamento que durou várias horas, com presença constante de companheirxs em solidariedade, Marios Seisidis e Kostas Sakkas declararam em tribunal que eram anarquistas, explicando as razões para a partir da lei se manterem fugitivxs. Ambos negaram as acusações assim como expuseram as mentiras das testemunhas de acusação (três da bófia). O acusador declarou que havia evidência suficiente – baseado somente nas crenças dos dois acusados – de que tinham cometido um ato punível.

Marios Seisidis foi condenado a 32 meses de prisão por utilização de bilhete de identidade falso assim como chapa de matrícula de veículo forjada, roubo de carro e resistência à autoridade; Kostas Sakkas foi condenado a 33 meses de prisão pelas mesmas acusações, além de uma multa de 200 euros por infração de trânsito.

Kostas Sakkas é agora mantido na prisão Korydallos (Atenas) e Marios Seisidis está actualmente encarcerado na prisão Malandrino (Phocis).

                                                                                                                                     inglês

Prisões de Korydallos: Nikos Maziotis, membro da Luta Revolucionária, na tentativa de escape e sentença de prisão perpétua

prison-breakTexto do anarquista Nikos Maziotis acerca da operação de escape das prisões de korydallos e da sentença de prisão perpétua proferida no âmbito do 2º julgamento da Luta Revolucionária

A tentativa de escape da prisão de Korydallos de helicóptero, a 21 de Fevereiro de 2016 – uma operação levada a cabo pela companheira Pola Roupa, membro da Luta Revolucionária – foi um ato revolucionário, uma ação de guerrilha para a libertação de prisioneirxs políticxs. Era um meio de continuar a actividade da Luta Revolucionária, uma resposta a operações repressivas do Estado contra a nossa organização e outrxs presxs políticxs, companheirxs que estão na prisão por atividade armada, além do mais. Foi, por conseguinte, um ato de solidariedade exemplar, de grande e única importância. A operação de escape da prisão foi um passo no sentido de continuar a atividade revolucionária armada; promovendo a luta pelo derrube do Estado e Capital; deitando abaixo a política do estabelecimento de programas de resgate impostos pela troika dos mandantes supranacionais do país, a CE, BCE e FMI, ao qual o ESM foi adicionado – através da promulgação e implementação do terceiro programa do memorando pelo governo liderado pelo SYRIZA. A luta armada nas circunstâncias actuais é mais oportuna e necessária do que nunca. O fracasso desta operação não nos irá dobrar. Lutaremos enquanto vivermos e respirarmos.

A Luta Revolucionária provou que tem permanecido de pé ao longo dos anos, não obstante os sucessivos golpes repressivos e sacrifícios; o sangue do companheiro Lambros Foundas, que foi morto em 10 de Março de 2010, num tiroteio com a polícia no distrito de Dafni, Atenas, durante uma acção preparatória da organização; as nossas prisões um mês depois, a 10 de Abril de 2010, na véspera da assinatura do primeiro memorando da Grécia; a minha prisão em 16 de Julho de 2014, em Monastiraki, Atenas, onde fui ferido na sequência de uma perseguição e tiroteio com a polícia. A Luta Revolucionária permaneceu de pé porque assumimos a responsabilidade política pela nossa participação na organização – na Grécia, fomos a primeira organização revolucionária e anarquista armada a fazê-lo – e porque defendemos a nossa história, as ações da organização e o nosso companheiro Lambros Foundas, que deu a sua vida para que o memorando não passasse; para transformar a crise numa oportunidade para a revolução social. Permanecemos de pé, como uma organização, porque não nos importava pagar o custo e o preço, porque não nos transformarmos em traidorxs ou desertorxs, porque nenhum/a de nós tentou salvar a própria pele no momento da repressão. É precisamente porque reivindicamos a responsabilidade política que ficamos vivos como organização, na prisão em 2010-11. Demos uma batalha política contra o inimigo no 1º tribunal especial. Uma vez libertadxs da prisão, após 18 meses em prisão preventiva, optamos por não nos render à prisão iminente e, em vez disso, passamos à  clandestinidade no intuito de continuar a luta armada e a atividade da organização.

O ataque da Luta Revolucionária – Comando Lambros Foundas, em 10 de Abril de 2014 contra o Banco da Grécia – uma sucursal do BCE, uma das organizações mais popularmente odiadas que compõem o quarteto de mandantes supranacionais – também o foi contra um edifício que abrigava o escritório do representante permanente do FMI na Grécia, anulou a operação repressiva de 2010 e continuou a estratégia da organização, lançada em 2009, com os ataques à sede do Citibank e a uma das suas filiais, uma filial do Eurobank e à Bolsa de Atenas. Durante anos a Luta Revolucionária viu-se confrontada com a ponta de lança da repressão do estado – uma vez que lidar com a organização e a atividade revolucionária geralmente armada é uma prioridade importante para a sobrevivência do sistema – visando eliminar o inimigo interno para a suave execução e implementação da lista de programas de resgate, que constituem as políticas de genocídio social e limpeza de partes da população.

Em 2007, o Departamento de Estado dos EUA e o Estado grego colocaram recompensas de 1 milhão de dólares e 800 mil euros, respectivamente, após o ataque da organização com um anti-tanque RPG à Embaixada dos EUA em Atenas. Em 2010, o governo Papandreou celebrou as nossas detenções e um funcionário do governo afirmou que tinham impedido um golpe que acabaria com a economia, na véspera da assinatura do primeiro memorando e no meio do medo de colapso da economia grega. Em 2014, depois de termos passado à clandestinidade e de termos sido condenadxs a 50 anos de prisão pelo 1º tribunal especial, o governo Samaras colocou uma recompensa de 2 milhões de euros pelas nossas cabeças – um milhão pela companheira Roupa e outro milhão por mim. A minha prisão, três meses após o ataque da Luta Revolucionária contra o Banco da Grécia, foi comemorada pelas autoridades gregas. Os funcionários dos EUA felicitaram-nos pela minha recaptura e fizeram declarações sobre a estabilidade política. Medidas especiais foram implementadas depois da minha prisão e, em Dezembro de 2014, fui transferido para a recém-inaugurada prisão de segurança máxima tipo C, sendo esta a primeira transferência de um prisioneiro político, já pré-anunciada desde a minha recaptura. Em Abril de 2015 estava incluído na lista de “terroristas internacionais”, designados pelo Departamento de Estado dos EUA, embora estivesse na prisão. As autoridades desencadearam uma caça ao homem para prender a companheira Roupa. Tudo isto demonstra que combater a Luta Revolucionária tem um grande significado para o sistema. Ou seja, a repressão contra a Luta Revolucionária e a aplicação de memorandos, juntamente com a estabilidade política do sistema, vão de mãos dadas.

O último elo na cadeia da repressão do sistema é a decisão do 2º processo contra a organização Luta Revolucionária, poucos dias após a tentativa de escape da prisão. Fui condenado a prisão perpétua pelo ataque à bomba contra o Banco da Grécia, mais 129 anos por duas expropriações de agências bancárias e por ter disparado sobre os polícias que me perseguiram em Monastiraki. A imposição da mais severa sentença que lhes foi possível, em relação ao ataque da organização contra os chefes do país, é uma decisão política consciente e não apenas um exagero processual. Como já foi dito, esta decisão não visa aterrorizarem-me a mim – porque sabem que não me arrependi e permanecerei sem arrependimento – mas sim aquelxs que queiram optar pela luta armada, companheirxs anarquistas / meio anti-autoritário e outrxs lutadorxs no seio da sociedade. Esta decisão política – aplicada pela primeira vez na Grécia no que diz respeito a um ataque com explosivos que ocorreu após um aviso telefónico, com danos materiais e sem feridos – destina-se a várixs destinatárixs e envia uma mensagem de intimidação, a de que xs lutadorxs que optem pela atividade revolucionária armada serão tratadxs com a máxima severidade.

Esta decisão demonstra o endurecimento cada vez maior do sistema contra o seu inimigo número um – a Luta Revolucionária, combatentes armadxs. Não é difícil entender por que é que é cada vez mais duro, mais duro até que os anteriores – num momento em que o governo liderado pelo SYRIZA tem já votado o terceiro memorando. A disparidade do tratamento penal nos 1º e 2º julgamentos pode dar origem a interpretações erradas; Por isso, gostaria de salientar o seguinte: Desde a promulgação de leis anti-terrorismo em 2001 e 2004 que esta legislação especial constitui uma opção política do Poder, a fim de lidar da forma mais efectiva possível, com a guerrilha urbana na Grécia, como se esta fosse a maior ameaça para o sistema; A disposição na legislação anti-terrorismo permite prisão perpétua – não por homicídio mas por explosão, como resultado de que havia perigo para os seres humanos ou de que uma lesão ocorresse. Eu fui condenado a prisão perpétua ao abrigo desta disposição. As decisões de tribunais especiais em julgamentos contra combatentes armados são decisões eminentemente políticas; os elementos no dossier de acusação são frequentemente de importância secundária. Por exemplo – como ficou demonstrado durante as audiências judiciais do 2º julgamento contra Luta Revolucionária em relação ao ataque da organização contra o Banco da Grécia – embora tivesse havido um telefonema de aviso antes da explosão, dando 50 minutos, os agentes de segurança permaneceram no interior do edifício sobre as instruções do supervisor de segurança do banco da Grécia. O próprio supervisor de segurança admitiu que há um regulamento padrão que obriga o pessoal de segurança a ficar no interior do edifício, apesar da ameaça de explosão. O mesmo aconteceu na sede do banco Piraeus, localizado em frente ao Banco da Grécia, onde os oficiais de segurança permanecem no interior do edifício, sob as instruções do cabecilha de segurança do banco. Como demonstrado no 1º julgamento contra a organização, o mesmo também tinha ocorrido em 2 de Setembro de 2009 no ataque da Luta Revolucionária ao edifício da Bolsa de Atenas, onde o pessoal de segurança permaneceu lá dentro, conforme ordenado pelo chefe de segurança.

Ficou assim demonstrado que aqueles que são responsáveis ​​por causar perigo aos seres humanos são os executivos do poder económico e os mecanismos e estruturas centrais do sistema, tais como bancos e bolsas de valores – os que consideram que as pessoas e populações inteiras possam ser desgastáveis; até mesmo os agentes de segurança das suas instalações. Porque, para eles, os seus lucros estão acima de tudo; os seus lucros, banhados no sangue e miséria, substituem a própria vida humana. Estes são os mecanismos que o povo grego considera responsáveis pela política implementada ao longo dos últimos seis anos, o que resultou em milhares de mortes e milhões de pobres, destituídos e pessoas com fome. Estes são os mecanismos cujos executivos (banqueiros, os principais acionistas, grandes empresários) ao lado de seus subordinados (políticos de governos gregos) o povo grego considera responsáveis pela desvalorização da vida de milhões de pessoas, pelos suicídios e pauperização; não os combatentes da Luta Revolucionária. Os ataques da Luta Revolucionária contra tais mecanismos e estruturas são, em grande medida, popular e socialmente aceites.

Tenho sido coerente no confronto com o inimigo nos tribunais especiais, tanto no 1º como no 2º julgamentos contra a organização. Isto implica assumir a responsabilidade política, a defesa política da atividade da Luta Revolucionária, da luta armada e da Revolução para o derrube do Estado e Capital, sem importar nem o custo nem o preço. Este é o dever de cada lutador, de todo o anarquista, de todo o revolucionário que se depara com juízes e órgãos do inimigo. A sentença a 50 anos de prisão, no 1º julgamento, foi baseada na assunção de responsabilidade política. É por isso que fomos condenadxs como cúmplices em 16 ações da organização, pelo teorema de responsabilidade coletiva, ao invés de sermos condenadxs como perpetradorxs reais. A resposta do Estado ao fato de eu manter a coerência na minha trajetória como lutador e continuar a defender a Luta Revolucionária, e, por extensão, a luta armada e a perspectiva de Revolução e derrube do sistema, foi o resultado do 2º julgamento, onde fui condenado a prisão perpétua por uma ação, o ataque à bomba contra o Banco da Grécia. Toda a minha trajetória após as prisões iniciais em 2010, o fato da Luta Revolucionária permanecer viva durante a detenção pré-julgamento em 2010-11, o fato da companheira Roupa e eu tivessemos defendido a atividade da organização na 1ª tribunal especial, a nossa escolha de não nos entregarmos à prisão, de ir para a clandestinidade e continuar a luta armada e a atividade da organização, com o ataque contra o Banco da Grécia, toda essa trajetória e todas estas escolhas são baseadas na assunção da responsabilidade política para a nossa participação na Luta Revolucionária, após ter sido capturado em 2010. Isto é o que o Estado tentou atingir através da decisão do 2º julgamento contra a organização.

A minha sentença de prisão perpétua foi uma mensagem aos/às lutadorxs que assumem a responsabilidade política e não repudiam a sua actividade e participação na sua organização.

As coisas estão a tornar-se cada vez mais claras para os combatentes que querem resistir e para xs presxs políticxs. O dilema “rejeição ou prisão perpétua” (nos velhos tempos era execução por fuzilamento) entra em vigor; um dilema colocado pelo Poder, um dilema que nos velhos tempos era “rejeição ou morte”.

Ao longo dos anos, para se suprimir qualquer perspectiva revolucionária, o Estado não se limitou apenas à predominância militar sobre os seus rivais – tenta a sua derrota política, forçando-os ao repúdio político. No caso da guerrilha urbana na europa ocidental, nos anos 70 e 80, especialmente em Itália, o alvo de repúdio político não era as suas convicções ou identidade política, antes a luta armada como sendo um dos meios de luta e de organizações da guerrilha urbana. Na Grécia, o dilema colocado pelo Poder uma vez foi este: ou repúdio ao comunismo, ou prisão e, noutras circunstâncias, a execução por fuzilamento. Hoje em dia, mais indirectamente, o dilema é este: ou a escolha de luta revolucionária armada com custos e consequências pesadas, ou a renúncia à luta revolucionária armada como sendo um dos meios de luta. Ou a assunção da responsabilidade política pela participação de alguém numa organização armada e na defesa da sua actividade, ou a aceitação da perseguição do Estado, do repúdio a uma organização armada e a pertença de alguém a ela e , por extensão, da luta armada, em face do medo de ir para a prisão.

Noutros períodos, mais difíceis, como a ocupação e a guerra civil, o preço a pagar para a luta era o pelotão de fuzilamento; e não apenas para a luta armada. Muitxs lutadorxs confrontadxs com o “repúdio ou morte” preferiram o pelotão de fuzilamento; claro que não queriam se tornar mártires, mas porque acreditavam que o repúdio é uma vergonha e desgraça; como tal, consideravam-no pior do que a morte. Havia militantes armadxs e guerrilhas do ELAS (Exército de Libertação do Povo Grego) e DSE (Exército Democrático da Grécia), mas também lutadorxs que não travam a luta armada, que permaneceram impenitentes e foram enviadxs aos milhares para o pelotão de fuzilamento durante a Ocupação e a guerra civil; foram executadxs em Goudi, no  campo de tiro Kessariani, nos campos de Chaidari e Pavlou Mela, em Makronissos e Corfu, em Yedi Kule. Da mesma forma, na Espanha, após a vitória de Franco, milhares de anarquistas armadxs que lutaram pela revolução em 1936-1939, e travaram a guerra de guerrilha até 1975, foram enviadxs para pelotões de fuzilamento em Campo de la Bota, Montjuïc, Carabanchel, ou estrangulados pelo método do garrote – usado como meio de execução para hereges durante a Inquisição.

A luta pela derrube do Estado e Capital é uma atividade que exige convicções inabaláveis, responsabilidade, coerência, comprometimento, envolvimento político, vontade de ferro e conhecimento político e teórico de princípios e experiências da tradição revolucionária histórica. Como podemos sequer falar de luta, da libertação social, revolução, anarquia, pedir aos outros para participar numa luta subversiva com todos os custos e as consequências que isso implica, se nós mesmxs não formos capazes de assumir a responsabilidade pelas nossas escolhas políticas?

Pela primeira vez em décadas – desde a era do Estado do pós-guerra, quando as guerrilhas do ELAS que foram excluídxs pelo Tratado de Varkiza de 1945, que não reconhecia a sua actividade como sendo política, bem como os do DSE que permaneceram na prisão durante pelo menos 15 anos – há uma perspectiva de que xs presxs políticxs condenados a 25 anos ou prisão perpétua para a ação revolucionária armada permanecerão muitos anos nas prisões do Estado marioneta grego contemporâneo da elite económica supranacional. Estamos a passar por um período em que o poder está, mesmo que indirectamente, a tentar arranjar dilemas para apresentar as suas credenciais, mais uma vez como no passado, para nos quebrar com o espectro do encarceramento a longo prazo.

A luta pela Revolução Social, para derrubar o Estado e o Capital, deve continuar apesar das dificuldades, os custos e consequências. Nunca entregaremos as armas da nossa luta.

SEM PAZ, SEM TRÉGUA COM O ESTADO E O CAPITAL

LUTA ARMADA PELA REVOLUÇÃO SOCIAL

HONRA PARA SEMPRE AO COMPANHEIRO LAMBROS FOUNDAS, MEMBRO DA LUTA REVOLUCIONÁRIA

Nikos Maziotis, membro da Luta Revolucionária

em inglês l turco via isyandan.org

[Grécia] Carta aberta de Pola Roupa sobre a sua tentativa de fazer evadir Nikos Maziotis da prisão de Koridallos

chile

A seguir apresenta-se a tradução da primeira parte da longa carta da companheira; publicada originalmente em grego em Atenas IMC (8 de Março de 2016).

Noutras circunstâncias este texto seria escrito em nome da Luta Revolucionária. Todavia, o resultado da tentativa de libertar o companheiro Nikos Maziotis da prisão de Korydallos obriga-me a falar em nome pessoal.

A 21 de Fevereiro [de 2016], num helicóptero, tentei libertar o membro da Luta Revolucionária Nikos Maziotis. A operação foi planeada de forma a que outros presos políticos pudessem se juntar a nós, aqueles que desejassem abrir o seu caminho para a liberdade. Os detalhes do plano – assim como o modo como consegui contornar as medidas de segurança,  abordando armada o helicóptero – não têm nenhum significado especial e a eles não me irei referir; apesar de ter havido muita desinformação relacionada com esses detalhes.

Por uma questão de clareza mencionarei, apenas, que o plano não se baseou em qualquer das fugas anteriores da prisão em helicóptero nem tampouco está associado a quaisquer planos que ainda não tenham sido postos em prática, além de eu não ter qualquer relação com a outra pessoa fugitiva – apesar dos meios de comunicação dizerem o contrário. Além disso, esta tentativa não foi precedida por qualquer plano de fuga que “tenha abortado”, como relatado por alguns meios de comunicação.

Passado um quarto do tempo da viagem – após a descolagem de Thermisia em Argolida – peguei na minha arma e pedi ao piloto para mudar de rumo.  Não entendeu quem eu era, mas ainda assim percebeu que se tratava de uma tentativa de evasão da prisão. Entrou em pânico. Atacou-me, puxando de uma arma – um fato por ele “omitido”. Porque provavelmente vão tentar refutar o facto dele se  encontrar armado, recordo que existem relatórios disponíveis publicamente onde se indica que durante a revista ao helicóptero foram encontradas duas armas. Uma delas era minha, a outra não era. A outra era a sua própria arma, a que lhe caiu das mãos durante a luta em voo. E, quanto a mim, é claro que tinha uma segunda arma. Iria eu, para tal operação, armada apenas com uma?

Perdeu o controle do helicóptero e entrou em pânico gritando “vamos acabar por nos matar”. A descrição que foi apresentada – a de um helicóptero substancialmente incontrolável –  é verdadeira. Mas essas imagens não foram fruto das minhas ações mas sim das suas. O helicóptero foi perdendo altitude e rodopiava no ar. Voamos a poucos metros sobre fios elétricos. Gritei-lhe que puxasse para cima o helicóptero, que fizesse o que lhe pedisse, de forma a que ninguém fosse ferido.

Num instante estávamos em terra.  Em relação aqueles que falam de uma reação desapaixonada do piloto, aparentemente e a julgar pelo resultado, não sei do que possam estar a falar.

Em vez de fazer o que lhe disse para fazer, preferiu correr o risco de sofrermos uma colisão, o que só não aconteceu por acaso. Escusado será dizer que ao entrar no helicóptero – para tentar obter o controle do mesmo e o pôr no rumo das prisões – tinha já tomado a minha decisão. Se ele se recusasse a fazer o que eu dissesse, teria naturalmente de reagir. Aqueles que afirmam que fui a responsável pela descida descontrolada do helicóptero, a 5.000 pés do chão, o que esperavam? Que tivesse dito “se não quiser vir para as prisões, não importa”? Disparei a minha arma e estivemos envolvidos, ambos armados, numa luta corpo a corpo durante o voo.

Preferiu arriscar a chocarmos na montanha, em vez de obedecer. Quando finalmente pousou no chão com velocidade, mesmo sabendo que a operação estava perdida, tive todas as oportunidades de o executar. Conscientemente, decidi não o fazer. Sabendo embora que estava a pôr em perigo a vida ou a liberdade, não o executei – apesar da chance de o fazer. Ele próprio sabe muito bem disso. O único fator que me deteve foi a consciência política. E tomei esta decisão arriscando a minha própria vida e a possibilidade de fugir.

Olhando a operação de fuga da prisão no seu todo, é óbvio que foram tomadas todas as possíveis medidas de segurança para a salvaguardar dos guardas armados que estivessem a patrulhar o perímetro da prisão – levava ainda um colete à prova de balas para o piloto. O objectivo era assegurar que o choque na prisão fosse o de menor risco possível para o helicóptero, companheiros e, é claro, o piloto. Agi com o mesmo pensamento quando desembarcados no terreno; apesar do facto da operação ter falhado por causa do piloto; apesar do fato dele ter estado armado. E, essencialmente, colocar a sua vida acima da minha própria vida e segurança. Mas estou a reconsiderar essa escolha específica.

Organizar para fazer evadir Nikos Maziotis foi uma decisão política, tanto quanto o foi  libertar outros prisioneiros políticos. Não foi uma escolha pessoal. Se quisesse libertar apenas o companheiro Nikos Maziotis não teria fretado um grande helicóptero – um fato que tornou a organização da operação mais complexa. O objetivo da operação era a libertação de outros prisioneiros políticos, também; aqueles que, juntamente connosco, realmente queriam abrir o seu caminho para a liberdade.

Esta ação, portanto, apesar das dimensões pessoais que lhe são conhecidas, não foi uma escolha pessoal, mas uma decisão política. Foi um etapa do caminho da Revolução. O mesmo vale para cada ação que já levei a cabo e para cada ação que farei no futuro. Estes são elos de uma cadeia de planeamento revolucionário destinada a criar condições políticas e sociais mais favoráveis, ampliar e fortalecer a luta revolucionária. A seguir, referir-me-ei à base política desta escolha; mas primeiro tenho que falar sobre fatos e da forma como tenho operado, até agora,em relação a alguns desses fatos.

Como já foi mencionado anteriormente, cada ação que realizo diz respeito a um ato relacionado com a planificação política. No mesmo contexto, expropriei uma filial do banco Piraeus, nas instalações do Hospital Sotiria, em Atenas, em Junho passado [2015]. Com este dinheiro, além da minha sobrevivência na “clandestinidade”, assegurei a organização da minha ação e o financiamento da operação para a libertação de Nikos Maziotis, e de outros presos políticos, das prisões de mulheres de Korydallos. A razão pela qual me refiro a esta expropriação (e não me poderia importar menos com as consequências penais desta admissão) é porque, neste momento, considero que é absolutamente necessário divulgar como operei tendo em conta a segurança dos civis – aqueles que, em determinadas circunstâncias, aconteceu estarem presentes nas ações revolucionárias em que estive envolvida – assim como a minha perspectiva sobre este assunto, sempre mutatis mutandis, na ocasião da tentativa de fuga da prisão.

No caso da expropriação da filial do banco Piraeus, o que mencionei aos funcionários do banco era que não deviam pressionar o botão de alarme, porque isso colocaria em risco a sua própria segurança, já que não estava disposta a deixar o banco sem o dinheiro.  Eu não os ameacei, nem estiveram em perigo por minha causa. Só estariam em perigo por causa da polícia, se os polícias chegassem ao local e, posteriormente, tivesse com eles um confronto armado. E a polícia só chegaria se quaisquer funcionários pressionassem o alarme do banco. Esse era um dos desenvolvimentos que eles mesmos queriam evitar. Porque as pessoas que possam estar presentes em cada ação destas não têm medo daqueles que tentam expropriar, antes sim da polícia intervir. Além disso, é muito estúpido qualquer um tentar defender dinheiro pertencente aos banqueiros. E para que conste, quando um funcionário do sexo feminino me disse “nós mesmos também somos pessoas pobres” sugeri-lhe que passasse por cima de um ponto “cego”, onde as câmaras não nos podem ver, para lhe dar 5.000 euros, o que ela não aceitou, aparentemente por medo. Se ela tivesse aceite o dinheiro, podia ter a certeza de que eu não iria falar publicamente do assunto. E um detalhe: o que estava a segurar era um avental de médico para esconder a minha arma enquanto esperava fora do banco; não foi uma toalha (!), conforme mencionado várias vezes.

Em cada período de tempo, na luta pela Revolução – como também no caso de todas as guerras – às vezes xs revolucionárixs são obrigadxs a procurar a ajuda de civis, na sua luta. Os exemplos históricos são muitos – uma tentativa de documentá-los iria encher um livro inteiro e este não é o momento para expandir sobre o assunto – tanto na Grécia como em movimentos armados e organizações noutros países. Nesses casos, no entanto, o que essencialmente lhes pedimos é para tomarem partido numa guerra. Uma vez que alguém se recusa a ajudar, a sua posição não é apenas sobre a prática em particular, mas uma postura hostil, em geral, contra a luta. Põem em perigo ou anulam compromissos, colocam as vidas dxs combatentes em risco, jogam obstáculos no caminho de um processo revolucionário. Tomam uma posição contra a guerra social e de classe.

Nem na filial do banco Piraeus ou durante a tentativa de fuga de helicóptero tornei a minha identidade conhecida. Portanto, nenhum dos envolvidos nestes casos sabia que aquelas eram ações políticas. Mas, depois da tentativa de fuga ter falhado, e dado que – como já mencionei – tive a oportunidade de matar o piloto mas não o fiz, arriscando a minha própria vida, tenho que tornar o seguinte público: a partir de agora – sempre que precisar da assistência de civis novamente e se o considerar necessário – vou tornar a minha identidade conhecida desde o início. Dado que a minha missão, em qualquer caso, diz respeito à promoção da luta pela derrocada do sistema criminal, que todos saibam que qualquer eventual recusa de cooperação ou esforço para obstruir a ação serão tratados em conformidade.

Estou, naturalmente, ciente dos detalhes pessoais do piloto, mas não vou ameaçar a sua família. Nunca iria ameaçar as famílias e crianças.

Este é o meu balanço após a tentativa de fuga e que devia ser tornado público.

A OPERAÇÃO DE ESCAPE DA PRISÃO FOI UMA ESCOLHA REVOLUCIONÁRIA

[…]

O ESCAPE DA PRISÃO FOI TENTADO PELA REVOLUÇÃO SOCIAL

LUTEI TODA A VIDA PELA REVOLUÇÃO SOCIAL

VOU CONTINUAR A LUTAR PELA REVOLUÇÃO SOCIAL

Pola Roupa
membro da Luta Revolucionária

em inglês | alemão | francês | italiano via Croce Negra Anarchica

Atenas: Passagem do Ano Novo junto às prisões de Korydallos

2015 está a acabar e juntamente com ele termina a data do Dezembro Negro. No entanto, continua em aberto a aposta da insurreição anarquista permanente e a coordenação informal e internacional entre xs que contra-atacam o mundo do Poder.

Enquanto os relógios da sociedade carcerária contam – ao ritmo esmagador de uma rotina miserável – nós conspiramos, perturbando a pacificada normalidade e quebrando  o silêncio ensurdecedor da passividade e esquecimento. Enquanto o poder e as suas instituições se protegem com um equipamento técnico e material cada vez maior – com cada vez mais palhaços e servos a aplaudi-los a toda a hora – pomos nós em marcha os planos ilegalistas insubmissos ácratas pela destruição do existente.

Nesta passagem de Ano — tal como de resto já tem acontecido inúmeras vezes no passado, em paralelo com outros compas, noutras prisões gregas e também no resto do mundo – por todo o lado gritamos o nosso ódio contra toda a forma de cativeiro.  Apoiamos iniciativas semelhantes (chamada internacional pelos familiares-amigxs de presxs e lutadorxs perseguidxs, convocatória da Cruz Negra Anarquista de Londres etc.) para além das manifestações ruidosas junto a centros de detenção e prisões.

O Dezembro Negro ainda agora começou…

Quinta-feira, 31/12/2015, às 23:30 horas, nas prisões de Korydallos.

Anarquistas dentro e fora dos muros de Korydallos blackNo cartaz pode ler-se:

A porta da prisão abre-se e agora já sabe o que tem que fazer – manter a memória viva e não deixar espaço para o esquecimento: não esquecer xs companheirxs que ficaram para trás, retomar os fios da insurreição onde foram cortados, verter o veneno da insubordinação nas redes de reprodução da sociedade capitalista.

Pela insurreição anarquista permanente!
Nenhuma trégua ao Poder e aos seus fantoches!
Por um Dezembro Negro!

Véspera de Ano Novo nas prisões de Korydallos
Quinta-feira, 31.12.2015, às 23:00 horas
Anarquistas dentro e fora das paredes de Korydallos

panoNa faixa pode ler-se: “Véspera de Ano Novo, junto com xs nossxs irmãos/ãs presxs. Concentração junto às prisões de Korydallos. Dezembro Negro”.

em espanhol

Prisões gregas: Comunicado de Kostas Gournas em solidariedade com a grevista de fome Evi Statiri

Faixa solidária, colocada na Biblioteca Municipal de Agrinio pelxs compas da okupa Apertus: “Liberdade para Evi Statiri, em greve de fome desde 14 de Setembro”.
Faixa solidária, colocada na Biblioteca Municipal de Agrinio pelxs compas da okupa Apertus: “Liberdade para Evi Statiri, em greve de fome desde 14 de Setembro”.

Comunicado do compa Kostas Gournas, membro condenado da Luta Revolucionária, em solidariedade com a luta de Evi Statiri, emitido das prisões de Koridallos a 15 de Setembro de 2015.

Trata-se de uma velha e infame tática do Estado – e em particular do aparelho policial-judicial – a de utilizar acusações fabricadas contra familiares, afim de xs manter como reféns e exercer pressão sobre xs combatentes e presxs políticxs. Passou-se isso em 2002 [contra Angeliki Sotiropoulou, esposa do preso da 17N Dimitris Koufontinas], passou-se em 2010 [contra Marie Beraha, esposa do preso da Luta Revolucionária Kostas Gournas], e passou-se de novo em Março de 2015 [contra Evi Statiri, esposa do preso da CCF Gerasimos Tsakalos, assim como contra Athena Tsakalou, mãe dos irmãos Tsakalos]. Isto deve-se à política repressiva aplicada contra xs membros das organizações armadas que estão na prisão, é um processo contínuo do seu extermínio político por qualquer meio.

O governo do Syriza que se confrontou, após a capitulação de 20 de Fevereiro, com a primeira confrontação classista – a greve de fome dxs presxs políticxs durante a primavera – acabou por se ver obrigado a votar favoravelmente, entre outros, uma emenda que, teóricamente, abriu o caminho para a libertação das familiares dos membros da CCF. Atualmente, depois da sua libertação ter sido negada em seis ocasiões distintas pelos conselhos judiciais, Evi Statiri, companheira de vida de um membro preso da CCF, encontra-se todavia na prisão. O seu caso á a prova mais evidente não só da aceitação de um estado de emergência que rodeia o memorando do governo da esquerda, mas também da aplicação estrita de um estado de excepção para xs presxs políticxs.

Para todos os sectores sociais que tinham a clareza e determinação para abordar o “NÃO” no referendo a partir de uma perspectiva de classe e para se opôr a todos os memorandos, mas sem serem capazes de dar o passo seguinte, a questão de uma via alternativa que não seja a da delegação ou resignação, a que todas as forças parlamentares burguesas estão a traçar, é mais urgente que nunca. O caminho da luta e solidariedade. O caminho de Evi…

Solidariedade com Evi Statiri, em greve de fome desde 14 de Setembro de 2015.

espanhol, inglês

Ação solidária com Evi Statiri a partir das prisões de Koridallos

A VOSSA JUSTIÇA CHEIRA A FASCISMO!
A VOSSA JUSTIÇA CHEIRA A FASCISMO!
EVI STATIRI NA RUA JÁ! GREVE DE FOME DESDE 14/9 CONTRA O MEDO E A INJUSTIÇA
EVI STATIRI NA RUA JÁ! GREVE DE FOME DESDE 14/9 CONTRA O MEDO E A INJUSTIÇA

310Os prisioneiros encerrados na ala A das prisões para homens de Koridallos gritaram palavras de ordem e realizaram pintadas de solidariedade com a greve de fome de Evi Statiri no pátio da prisão.
[youtube width=”541″ height=”344″]http://www.youtube.com/watch?v=LMoUhiZ6MIk O slogan ouvido é: polícias, porcos, assassinos!
[youtube width=”541″ height=”344″]http://www.youtube.com/watch?v=q6d4hH7OOxc O slogan ouvido é: a paixão pela liberdade é mais forte que todas as celas!

                              espanhol

Prisões gregas: Informação médica sobre a grevista de fome Evi Statiri

Segundo informação dxs médicxs que examinaram Evi Statiri hoje, 27 de Setembro, em greve de fome desde 14 de Setembro, o seu estado de saúde piorou muito e necessita ser transferida a um hospital exterior. Evi perdeu já 11% do seu peso no início da greve e apresenta, entre outras coisas, palidez intensa, hipotensão ortostática, debilidade e cansaço, para além de ter sofrido já dois incidentes de hipoglicémia durante os últimos 3 dias, sendo o segundo destes suficientemente grave para que a transferissem ao hospital das prisões de Koridallos na madrugada de 27 de Setembro.

Na tarde de hoje, 27 de Novembro,  Evi Statiri foi transferida para o hospital Geniko Kratiko, no bairro de Nikaia. Encontra-se na II Clínica Patológica.

Atualizações à medida que cheguem

espanhol

Prisões gregas: Evi Statiri anuncia uma greve de fome a partir de 14 de Setembro

Nota de Contra Info: A 7 de Setembro de 2015 fez-se pública a recusa do conselho judicial, datada de 3 de Setembro, em relação à última solicitação de libertação apresentada por Evi Statiri – esposa do prisioneiro anarquista Gerasimos Tsakalos, membro da Conspiração de Células de Fogo – que se encontra há seis meses sob prisão preventiva, acusada absurdamente por participação na CCF.

Recordamos que xs compas presxs da CCF, assim como a anarquista presa Angeliki Spyropoulou, levaram a cabo uma dura greve de fome, de 2 de Março a 4 de Abril de 2015, com vista a se conseguir o levantamento da medida de prisão preventiva tanto para Evi Statiri como para Athena Tsakalou (mãe dos irmãos Tsakalos), detidas após o plano de fuga frustrado da CCF das prisões de Koridallos.

Segue-se a tradução em português do comunicado de greve de fome de Evi Statiri, emitido a 7/9/2015, a partir das prisões de mulheres de Koridallos:

Seis meses já se passaram desde o dia em que fui forçada a olhar o céu através do arame farpado e a contar o tempo entre fechos da porta da minha cela. A recusa de re-exame da situação – com vista à minha libertação – por parte do conselho judicial só veio confirmar o que sabia já desde os primeiros dias em que permaneci nas masmorras dos serviços antiterroristas. A minha prisão não é meramente um caso pessoal – trata-se, acima de tudo, de um reflexo de toda uma estratégia de repressão, visando a dominação do medo e a satisfação do ódio vingativo das autoridades persecutórias contra xs presxs políticxs e todxs aquelxs que não se alienam com os valores da cultura do Poder.

Permaneço na prisão, tendo como única prova “incriminatória” o fato de estar casada com Gerasimos Tsakalos, preso político e membro da CCF.

Continuo na prisão porque não assinei um “certificado de crenças sociais” e não renunciei tanto ao meu companheiro como à nossa relação.

Sei que a rejeição fascista do conselho judicial – de me devolver a liberdade que me tinha tirado – é resultado tanto das ordens do Poder como dos processos policiais – judiciais essas que claramente visam transmitir uma mensagem de intimidação.

Quem se posicionar ao lado dxs presxs políticxs corre o risco de se vir a encontrar um dia na cela vizinha… Quem não se curvar, quem for frontal, quem não amordaçar a sua voz contra os ídolos do Poder, pode acabar a arrastar-se acorrentadx nos calabouços, nas sedes do Ministério Público, nas salas dos tribunais …

Mas os gestos de solidariedade da semana passada vieram-me demonstrar que o medo pode governar mas não reina nas mentes e corações das pessoas livres.

Um grande agradecimento para todxs aquelxs que através das suas ações fazem desaparecer a ditadura da mentira e a hipocrisia da justiça que insiste em me manter encerrada nas suas celas. Agora uma nova batalha está a começar…

Perante o ultimato da negação judicial não me resta outra opção senão responder com o último refúgio de uma pessoa em cativeiro, a greve de fome pela minha libertação.

Era intenção minha começar a greve de fome a 8 de Setembro, tal como tinha mencionado na carta anterior, no caso da decisão ser negativa. No entanto, nos dias a seguir ao anúncio da minha decisão, muitxs companheirxs, em especial da periferia, pediram-me para atrasar essa data, de forma a que mais compas pudessem voltar às suas cidades e se fosse melhor organizada a luta solidária. Compreendendo as dificuldades que existem, inclusive com o período pré-eleitoral e dado entender a solidariedade como o repartir de anseios, desejos e lutas comuns, e não como uma ferramenta a usar – respeitando e concordando com a perspectiva dos compas, de forma a se multiplicarem as possibilidades de solidariedade – optei por adiar o início da greve de fome para a próxima semana.

Na segunda-feira, 14 de Setembro de 2015, começarei uma greve de fome contra o medo e a injustiça.

É uma decisão cujo peso me pode esmagar, mas não me restam mais opções … Recuso-me a aceitar o golpe de estado da mentira e da hipocrisia de uma justiça que, em nome do Poder, executa contratos de extermínio da liberdade.

Esta greve de fome, além de luta pela minha libertação, é também uma homenagem a todxs aquelxs que antes de mim lutaram contra a fealdade do Poder e também uma barricada de resistência para xs que o sistema tentará capturar depois de mim – porque se atreveram a posicionar-se ao lado dxs presxs políticxs, a gritar pelo justo e a viver livres e não como escravos.

LUTA ATÉ À LIBERTAÇÃO
A SOLIDARIEDADE É A NOSSA ARMA

Evi Statiri
Prisões de Koridallos
7 de Sertembro de 2015

Pireo: Argyris Ntalios, em greve de fome desde 2/3, presentemente hospitalizado

Solidariedade com xs prisioneirxs políticxs./ Fogo aos bancos

A 27 de Março, o prisioneiro anarquista em greve de fome Argyris Ntalios – participante na Rede de Lutadores Presos (DAK) – foi transferido com urgência da prisão de Koridallos para o Hospital Geral do Estado de Nikaia, devido às suas condições de saúde terem piorado.

Grécia: Comunicado de presas a partir das prisões para mulheres de Koridallos

bourloto-kai-fwtia-se-ola-ta-keliaA 16 de Janeiro de 2015 foi realizada uma incursão da unidade anti-terrorista da EKAM nas prisões masculinas de Koridallos, mantendo a prisão fechada a partir do meio-dia até a manhã seguinte, privando os presos do seu direito ao pátio e à sua movimentação em geral.

Uns dias antes, a 31/12/2014, na véspera do ano novo, ordenaram-se as transferências de presos às prisões de Domokos para que comecem a funcionar as prisões tipo C, ou seja, a Guantanámo contemporânea. Nos dias seguintes realizaram-se mais transferências a Domokos, enquanto dois membros da Conspiração das Células de Fogo eram levados às celas brancas de isolamento nas prisões para mulheres de Koridallos.

Dentro deste jogo pré-eleitoral que é montado às costas dxs internxs, as mulheres presas são tratadas há algum tempo como sacos de batatas que se apertam e se apinham em armazéns de almas sem que a ninguém lhes interesse. Embora as prisões femininas tenham três módulos com capacidade para 150 pessoas cada um, existem actualmente 120 mulheres que estão apertadas num andar de um único módulo, já que o resto dos espaços têm sido utilizados para outros usos ou permanecem vazios. Não vamos analisar mais os dados, uma vez que ainda há pouco tempo entramos em mobilizações para denunciar todos os problemas que enfrentamos hoje em dia, nem passou muito tempo das promessas que nos fizeram directamente os representantes do ministério e que nunca foram cumpridas.

Porque não vamos tolerar viver mais como animais – que esteja claro que nenhum animal merece viver como nós – porque as prisões do tipo C são hoje para presos do sexo masculino, mas amanhã vão construir outra também por nós e porque não deixaremos os jogos políticos serem jogados nas nossas costas: a partir de hoje, 18 de Janeiro até 21 de Janeiro, recusamos-nos a entrar nas nossas celas durante o encerramento do meio dia, como mostra de apoio às exigências dos presos do sexo masculino nas prisões de Koridallos.

Prisões femininas de Koridallos

Grécia: Comunicado de presos a partir das prisões de Koridallos

koridalosA 16 de Janeiro de 2015, polícias da unidade antiterrorista EKAM e doutras forças repressivas invadiram as prisões de Koridallos e realizaram registros em celas de vários presos. Devido a isso proibiram-nos de sair ao pátio ao meio dia e permanecemos encerrados todo o dia. Há uns dias atrás, ao meio dia da véspera de Ano Novo, foi ordenada a transferência repentina de presos, inaugurando deste modo a Guantánamo grega das prisões de máxima segurança de Domokos (normalmente não se fazem transferências na véspera de Ano Novo) fazendo o seu sujo jogo pré-eleitoral às nossas costas.

No sábado, 3 de Janeiro de 2015, após outra invasão policial e registro pela EKAM, foram sequestradxs e levadxs ao isolamento, no sótão das prisões femininas das prisões para mulheres de Koridallos, xs nossxs companheirxs de prisão e membros da Conspiração de Células de Fogo, Christos Tsakalos e Gerasimos Tsakalos. Perante estes factos decidimos mobilizarmo-nos: até sábado, 24 de Janeiro de 2015, negamos-nos a voltar às celas após o pátio do meio dia. Esta é uma primeira reação e, se for necessário, nos próximos dias intensificaremos as nossas ações.

Exigimos:

1) A abolição das prisões de tipo C.

2) Que os presos que se encontram agora nas prisões de tipo C de Domokos  sejam transferidos de volta às prisões onde se encontravam antes tal como os nossos companheiros de prisão Christos Tsakalos e Gerasimos Tsakalos que estão atualmente na secção especial de isolamento nas prisões femininas de Koridallos.

3) Durante a nossa mobilização não aceitaremos transferências de presos às prisões de máxima segurança de Domokos. Qualquer intenção de transferência será considerada como um ato de vingança contra a nossa luta e responderemos como se merece.

Até quando permitirão este tipo de ilegalidades a diretora das prisões de Koridallos,  Hara Koutsomihali e xs procuradorxs Nikolaos Poimenidis e Victoria Marsioni? Talvez sejam indiferentes à tortura dos presos ou será esse o seu objetivo? Que cada um/a assuma as suas responsabilidades.

Os presos nos módulos A, B, C, D, E das prisões masculinas de Koridallos e do módulo de isolamento das prisões femininas de Koridallos.

Atenas, Grécia: Spyros Mandylas e Andreas Tsavdaridis foram libertados da prisão!

LaunchingSpyros Mandylas e Andreas Tsavdaridis foram libertados da prisão em 12 de Janeiro de 2015,  após terem atingido o prazo máximo de 18 meses de prisão preventiva.

Os dois anarquistas foram detidos em 11 de Julho de 2013 em Tessalónica, e, em seguida, enviados para a prisão de Koridallos,  em Atenas, em prisão preventiva e sob acusações de terrorismo.

Tsavdaridis assumiu a responsabilidade pelo envio de um pacote – bomba (como célula FAI-FRI sob o nome de Comando Mauricio Morales) a Dimitris Chorianopoulos, ex-comandante da unidade da polícia anti-terrorista, enquanto Mandylas (participante da Nadir, ex-okupa em Tessalónica) negou todas as acusações contra ele.

Os dois companheiros enfrentam julgamento no tribunal especial da prisão de mulheres de Korydallos, ao lado dxs dez membros presxs da Conspiração das Células de Fogo, desde 4 de Junho de 2014. Andreas Tsavdaridis e Spyros Mandylas são acusados de suposta participação na CCF, tentativa de homicídio do ex-comandante da força anti-terrorista, e tentativa de explosão e posse de explosivos (em conexão com o mesmo pacote postal incendiário, ação reivindicada, na Grécia, como parte do “Projeto Fénix”).

Prisões gregas: Vídeos das concentrações anticarcerárias, na Véspera de Ano Novo

Prisões de Larisa, ouvem-se as seguintes palavras de ordem: A paixão pela liberdade é mais forte de que todas as celas// Li-li-liberdade para xs que estão nas celas // Todos os valores desta sociedade são prisões de máxima segurança // E para não esquecer qual é o seu trabalho: os cães protegem os patrões.

Prisões de Diavata, em Tessalónica. Segue-se a tradução do texto que aparece no vídeo:

Contra o isolamento dxs presxs em luta – sob um regime especial de detenção – e a destruição das relações e estruturas que se tinha criado projectamos a solidariedade como parte inseparável da nossa ação, através da oposição quotidiana a todas as formas de reclusão, vigilância e controlo. Até à destruição de todas as prisões.  Até à destruição do mundo da dominação. Luta sem trégua pela revolução social. Tessalónica, Dezembro de 2014. Okupa Terra Incógnita.

Prisões de Koridallos, em Atenas. Para uma crónica breve dos acontecimentos clica aqui.

Atenas: Crónica da concentração junto às prisões de Koridallos, na noite de fim de ano

korydallos2014_2015Na noite de 31/12/2014, algumas centenas de solidárixs reuniram-se no parque Grigoriou Lambraki – junto às prisões de Koridallos – para passar a Passagem do Ano junto aos/às que se encontram presxs nas celas da democracia grega.

Xs solidárixs tinham-se concentrado sob o alpendre do novo edifício da Câmara Municipal de Koridallos, donde se poderia ter contacto visual com as prisões de homens. Dois esquadrões de MAT tinham-se posicionado de maneira  provocadora a uns 10 metros de nós, na esquina entre o edifício municipal e os campos de futebol existentes atrás. Desde o início que se tinha percebido que a bófia tinha ordens de tolerância zero com a concentração e, de facto, quando rebentaram uns petardos entre as suas filas começaram a atirar granadas atordoantes e gás lacrimogéneo, com o objetivo de dispersarem-nos o mais rapido possível. Quando os esquadrões dos anti-motim se moveram em direção ao alpendre as pessoas começaram a correr até à Avenida Grigoriou Lambraki, para escapar, visto a maioria estar desarmada.

Uma vez nas ruas as coisas acalmaram-se e xs tentamos ver se nos poderíamos reagrupar novamente, com vista a nova aproximação às prisões. Entretanto esperavámos a chegada de uma ambulância que levou ao hospital as pessoas que receberam golpes dos bastões de choque durante o ataque da bófia (um tinha sofrido lesões na cabeça). A seguir tivemos também conhecimento de que pelo menos um compa mais tinha sofrido lesões, devido aos fragmentos de uma granada atordoante.

Como resposta à violência que tínhamos recebido, atirámos algumas pedras contra os esquadrões, assim como contra um carro patrulha que passou à nossa frente. Por fim, ao verificarmos que não havia nada a fazer, dispersamos enquanto outros esquadrões subiam a rua até ao edifício municipal. Por sua vez, enquanto partíamos em direção ao centro de Atenas, outro grupo de compas estava a colocar numa ponte pedonal uma faixa gigante, em solidariedade com xs compas presxs.

Um punho levantado para xs que continuam a lutar dentro e fora dos muros contra a sociedade carcerária.

AS PRISÔES DE MÁXIMA SEGURANÇA SERÃO A TUMBA DO PODER!

Atenas: Comunicado do compa Nikos Romanos a partir do hospital (3/12)

thessaloniki
Solidariedade com o anarquista N.Romanos, em greve de fome desde 10/11

A dançar com a morte há 24 dias.

Tento capturar num bocado de papel os últimos resquícios de pensamento estruturado, após os recentes desenvolvimentos e a nova rejeição das saídas educativas da prisão.

Desde os primeiros dias de greve que disse, na minha intervenção na assembleia solidária que teve lugar na Escola Politécnica, que a resposta negativa de Nikopoulos, que há muito afirmava não ser competente para decidir sobre tal, nada mais é do que uma estratégia do Estado cujo objectivo último é a minha exterminação. Esta análise politica foi absolutamente confirmada.

Primeiro, com o mandato para a minha alimentação forçada, da procuradora da prisão de Koridallos, Evangelia Marsioni – um acto que constitui uma verdadeira violação e que levou à morte de Holger Meins, na Alemanha, e de membros do GRAPO, em Espanha. Os médicos do hospital tiveram a dignidade de atirar ao lixo essa ordem do tribunal, negando-se a executar tal crime de Estado.

Em seguida quando o meu apelo foi rejeitado – tendo como fundamento o facto de terem de respeitar a decisão de Nikopoulos que é exatamente a mesma decisão contra a qual eu apresentei o apelo – num conselho judicial fora da prisão (um movimento legal que muitxs prisioneirxs escolhem, quando o conselho da prisão rejeita os seus pedidos).

Para todos aqueles com um mínimo de percepção politica, a intervenção do Ministério da Justiça. um dia antes da realização do conselho, foi uma ordem clara para a rejeição do apelo, tal como passarei a explicar:

O anúncio publicado pelo Ministério da Justiça menciona, ainda que de forma indirecta, que Athanasiou, Ministro da Justiça, não é competente para decidir a respeito, podendo ainda ler-se depois, no mesmo documento, que: “As saídas educativas são providenciadas exclusivamente pelo conselho da prisão, presidido pelo procurador, enquanto que para os imputados é necessária a aprovação do órgão judicial que ordenou a sua detenção temporária”.

Ou seja, a validade do meu apelo, nesse tribunal, foi anulada pelo Ministro, é tão simples quanto isto. Tudo isso mascarado com a proposta vazia de cursos de ensino à distância, por vídeo-conferência, em vez de saídas educativas, coisa que não é razoável, já que a presença física em certas aulas é obrigatória. Também levará à abolição total das saídas educativas, já que a solução da videoconferência será imposta a todos os presos.

Seguindo a mesma lógica, em breve, por motivos de segurança, só poderemos ver os nossos familiares através de ecrãs, nas horas de visita, o mesmo se passará nos tribunais. A tecnologia ao serviço da “correcção” e da justiça. Progresso humano ou processo de fascistização da sociedade… a História julgará.

Aqui, convém também mencionar o papel do juiz especial Eftichis Nikopoulos, que desde o meu primeiro dia em greve de fome assumiu claramente as ordens dos seus superiores políticos no Ministério da Justiça, o que explica o porquê de todos lhe atirarem as culpas. Como compensação por essa tarefa ele irá, mais cedo ou mais tarde, ser promovido ao tribunal supremo de Areios Pagos, exactamente o que aconteceu com Dimitris Mokas, que tinha liderado dezenas de campanhas repressivas anti-anarquistas. Ele goza agora o salário volumoso das élites judiciais de Areios Pagos. Casualidade? Não acredito.

Pela minha parte continuo, ultrapassando qualquer possibilidade de dar um passo atrás e responderei com LUTA ATÉ À VITÓRIA, OU LUTA ATÉ À MORTE.

Em todo o caso, se o Estado me assassinar com a sua atitude, o senhor Athanasiou e os seus amigos ficarão para sempre na história como um gang de assassinos, instigadores morais da tortura e assassinato de um preso politico. Esperemos apenas que existam aqueles espíritos livres que ajusticem à sua maneira o justo da sua justiça.

Concluindo, quero enviar a minha cumplicidade e amizade a todxs aquelxs que se têm posto do meu lado, de todas as formas e com todos os meios possíveis.

Por fim, algumas palavras para os meus irmãos: Yannis, que também está hospitalizado, Andreas, Dimitris e muitos outros. A luta também tem perdas, já que, no caminho de uma vida digna, temos de ir de mão dada com a morte, pondo tudo em xeque para tudo ganhar. A luta continua, com o punho contra a faca, uma e outra vez.

Tudo por tudo!

Enquanto vivamos e respiremos que viva a anarquia!

A 6 de Dezembro o nosso encontro é nas ruas da raiva!

Os meus pensamentos vaguearão pelas ruas de sempre.

Porque vale a pena viver por um sonho, mesmo que o seu fogo te queime.

E como nós costumamos dizer, força!

Nikos Romanos

Ps. Obviamente, não posso controlar os automatismos sociais que se produzirão. No entanto, aos membros do Syriza e aos demais comerciantes da esperança que aqui vieram, pu-los fora, SEM DIÁLOGO, e sublinho que já afirmei oficialmente a minha negação de receber qualquer tipo de soro.

tradução recolhida do pt.indymedia e revisada a partir do grego

Prisões gregas: Compa Nikos Romanos no seu 11º dia de greve de fome (20/11)

Chania, Creta:  “Nunca mais escravxs, nunca mais de olhos baixos, nunca mais sozinhxs; sempre na margem oposta do rio, para sempre sublevadxs e profanxs, para sempre na via dos seres humanos livres; para sempre, está-me a ouvir?” [pensamentos de Nikos Romanos, escritos em Novembro de 2013] – Força para o anarquista N. Romanos, em greve de fome desde 10/11.

Na manhã de 20 de Novembro, décimo primeiro dia de greve de fome, o companheiro Nikos Romanos foi transferido ao “hospital” das prisões de Koridallos, após a recomendação do médico responsável.

O óbvio agravamento do seu estado de saúde tornou necessário a transferência ao hospital, onde lhe fizeram novos exames antes de o devolverem à sua cela.

Força e solidariedade a Nikos Romanos.

Que ninguém fique sózinho nas mãos do Estado.

Prisões gregas: Atualização sobre a greve de fome de Nikos Romanos (18/11)

anatolika-salonica
Faixa em Tessalónica: Solidariedade com o preso anarquista Nikos Romanos, em greve de fome desde 10/11

Segundo informa a médica que examinou Nikos Romanos hoje de manhã, 18 de Novembro, ao nono dia da sua greve de fome o compa (de 21 anos) tem já 6 kg a menos de peso, além da debilidade e cansaço terem aumentado desde a última observação médica. Nikos disse que o seu consumo de líquidos continua limitado, e que desde ontem não tem adicionado nenhum açúcar aos líquidos tomados (o nível de glucose no seu sangue foi medido a 58). Apresenta também tonturas, leve dificuldade respiratória e desidratação moderada a grave.

A médica recomenda que o companheiro seja examinado a cada dois dias, se não se apresentar algo grave entretanto.

Atualizações à medida que cheguem.

Prisões gregas: Saudação de Nikos Romanos para o evento solidário de 16/11 em Bilbau

birdiesTexto lido durante a actividade contra-informativa sobre xs anarquistas presxs na Grécia:

Companheirxs, os quilómetros separam-nos, mas os nossos  corações aproximam-nos uns dxs outrxs.

Actividades como esta que Contra Info organiza hoje, no Ateneu Izar Beltz em Bilbau, têm para mim uma grande importância não só como pontos e instâncias de contra-informação e lugares de encontro e comunicação entre compas anarquistas mas também como comunicação e interacção entre xs que lutam, dentro e fora dos muros das prisões.

Das prisões que constituem a essência odiosa concentrada da Dominação, independentemente do nome que lhe dêem segundo o período, na sua forma mais crua. Das prisões que procuram intimidar e dar o exemplo, castigar e exterminar. Que pretendem santificar as culpas de uma sociedade que grita quando se lhe permite, mas que cerra a sua boca quando há que gritar…

A nível pessoal, estou já no sétimo dia de greve de fome, tentando conseguir uns sopros de liberdade desta condição asfixiante das masmorras democráticas. Não quero cansá-lxs ao falar sobre o meu caso, o texto da minha greve de fome foi traduzido já e estará no evento.

Quero transmitir as minhas saudações a todxs xs que se encontram presentes  nesta actividade, a minha solidariedade aos  e às anarquistas presxs em todo o mundo e a minha paixão incessante pela liberdade a todxs xs que lutam com dignidade e de modo agressivo, causando as brechas que demolirão não só os muros das prisões onde nos têm presxs, mas a de toda a sociedade carcerária
toda la sociedad carcelaria.

Força…

Nikos Romanos
Dikastiki Filaki Koridallou, Ε Pteryga, 18110 Koridallos, Atenas, Grécia

espanhol

[Prisões gregas] Comunicado de 5 anarquistas presos, em solidariedade com a greve de fome de Nikos Romanos

horse“E aí está a necessidade de que sigamos em frente, derrubando todos os Vazios, inclusive se nos auto-destruirmos retirando força do que aconteça… Cada época tem a sua inquisição sagrada. O ‘vazio’ só existe enquanto não caíres lá dentr

Uma lufada de liberdade longe do betão da prisão

Algumas horas para que o olhar possa viajar sem chocar contra as grades.
Céu sem arame farpado. Passos que não necessitas contar. Movimentos harmonizados de maneira um pouco diferente.

A 10 de Novembro, o amigo e companheiro Nikos Romanos iniciou uma greve de fome exigindo um sopro de liberdade. Depois de ter entrado numa faculdade do Instituto de Educação Tecnológica de Atenas, apresentando-se a exames dentro da prisão, está a lutar para obter algo a que tem direito, segundo as suas próprias leis: as permissões educativas.

Pela nossa parte, posicionamos junto a Nikos e à sua luta, junto a cada acto que queira e que deva acompanhar o seu combate, junto a cada expressão da solidariedade ofensiva… Porque as estrellas que olhas saltando o vazio são as que transportam os nossos sonhos, os nossos desejos raivosos, os nossos sorrisos carregados de significado… Porque não mudamos por nada deste mundo uma vida ao limite…

Cumprimento imediato da exigência do compa Nikos Romanos pela concessão das permissões educativas.

Fivos Harisis
Argyris Ntalios
Andreas-Dimitris Bourzoukos
Yannis Michailidis
Dimitris Politis

Módulo D das prisões de Koridallos
13 de Novembro de 2014

[Prisões gregas] Atualização sobre a greve de fome de Nikos Romanos

Viewty
Faixa colocada na cidade de Kozani, em solidariedade com o anarquista preso Nikos Romanos, em greve da fome desde 10/11/2014

A nível da saúde, segundo informa a médica que examinou o compa, na manhã de 13 de Novembro, no seu quarto dia de greve de fome,  Nikos Romanos perdeu já 3,2 kg do seu peso corporal (de 74 kg baixou para 70,8 kg), além de sentir debilidade e cansaço, inclusivé para as tarefas mais simples (caminhar da su cela até à enfermaria da prisão de Koridallos). A última defecação foi de há dois dias atrás, enquanto que que o consumo de líquidos é limitado (4-5 copos por dia).

Nos termos do procedimento sobre as saídas educativas da prisão a que o compa tem direito desde Setembro de 2014 e que não lhe foram concedidas, compas da assembleia em solidariedade que se formou para o caso, informam que o juíz especial de instrução Eftichis Nikopoulos recusou a solicitação do compa. O cabrão do Nikopoulos é o mesmo funcionário do Estado que até agora afirmava não ser competente para decidir a respeito.

Atualizações conforme cheguem.