Arquivo da Categoria: Comunicados

Madrid, Espanha: Queima de multibanco em solidariedade com Lisa

Queima de caixa multibanco em solidariedade com a companheira anarquista condenada na Alemanha por expropriar um banco

Fez dois anos a 13 de abril que detiveram Lisa, durante uma operação policial coordenada pela polícia da Catalunha (mossos d’esquadra) e pela polícia alemã. Desde então, a companheira tem-se encontrado presa em diversos presídios espanhóis e alemães (onde se encontra agora). Recentemente a companheira foi condenada por um tribunal alemão a 7 anos de prisão (acusada ​​de expropriar uma surcursal bancária em Aachen, Alemanha).

Na madrugada de 11 de Abril deitamos fogo a um ATM Bankia em Vallekas (Madrid) – na rua Carlos Martin Alvarez – assim como se realizaram pintadas em solidariedade com a companheira.

O ataque é justificado por si só: os bancos são um dos principais motores da sociedade do Estado e do capitalismo. Investimentos em prisões, centros juvenis ou indústrias de armas; concessão de crédito a empresas e estados; desalojar e especular com a habitação, cumplicidade com os processos de gentrificação entre muitas outras responsabilidades nas engrenagens do capitalismo, dão uma boa prova disso …. O sistema bancário – em toda a sua estrutura –  sempre foi um dos  maiores inimigos dos exploradxs e, portanto, dxs anarquistas, como o provam bem as expropriações e sabotagens que sempre têm acompanhado a luta anarquista ao longo de toda a sua história.

Confrontando o submisso panorama esquerdista (que atinge os meios libertários) – que se juntam aos protestos acriticamente controlados, cívicos e cidadãos , que clamam pela liberdade de polícias e políticos corruptos, em plena catarse do nacionalismo cidadão e entre tantxs outrxs que nadam na auto-complacência da vitimização, nas redes sociais – muitxs de nós não renunciam ao ataque.

Que sirva este pequeno sinal de solidariedade, como expressão de carinho e alento para Lisa e para o resto dxs companheirxs anarquistas represaliadxs pelo Estado, em Itália, Grécia, França, Alemanha, Turquia, Chile, México, Rússia e em todo o mundo.

Solidariedade é ataque!
Força para Lisa!
Viva a anarquia!

Anarquistas

em espanhol

Setúbal, Portugal: Solidariedade com a C.O.S.A. (1-3 Junho)

Casa Okupada de Setúbal Autogestionada (C.O.S.A) a resistir à 17 anos!

2 de Junho (16h) – Concentração Solidariedade com a C.O.S.A.!

Passado 1 ano da última audiência prévia voltamos a juntar companheires, amigues e todas que estão solidárias com a COSA, para continuar a resistir. Vamos passar uns dias em grande descobrindo novas e reforçando velhas afinidades. Vão haver actividades, belo pitéu, acções, exercício, música e tudo mais que desejarmos. Aparece sem medos e divulga!

Mantendo a chama acesa!!!

Saúde & Anarquia

COSA – R. Latino Coelho nº2, Setúbal

Indonésia: O companheiro anarquista Brian Valentino precisa do nosso apoio!

recebido em inglês a 17.05.18

O nosso companheiro, Brian Valentino, está detido na prisão de Polda em Yogyakarta, a principal sede de polícia de Yogyakarta (região feudal especial no território de Java Central).

Desde o dia da sua prisão – do 1º de Maio a 16 de Maio de 2018 – que ao nosso companheiro, entretanto espancado e torturado, foi negado os seus direitos de apoio jurídico legal ou jurista. A polícia ou a assistência judiciária não nos deram uma razão clara sobre isso, portanto não temos certeza se é a polícia ou o advogado legal que se recusa a ajudá-lo.

Para ser claro, recebemos informações do pai de Brian Valentino, que acabou de o visitar, após uma semana de intervalo, tendo-se certificado de que Brian era o único dos presos que não recebeu nenhuma ajuda legal ainda, 15 dias depois de ter sido detido.

Portanto, pedimos aos/às companheirxs, na Indonésia ou internacionais, para se fortalecer a solidariedade com Brian Valentino, nosso querido amigo anarquista, a quem foram recusados os seus direitos de assistência judiciária. Não estamos a limitar a solidariedade, pode ser legal ou qualquer outra coisa. Mas para doação à família e réus:

Doação: BRI 5175-01-001-257-503 (Ilona)
Email: palanghitam@riseup.net

Ou comunique isso à embaixada local da Indonésia. Por qualquer meio necessário.

– Cruz Negra Anarquista / Solidariedade Anti-Autoritária de Yogyakarta, Indonésia

em inglês l alemão

Yogyakarta, Indonésia: Repressão anti-anarquista após Marcha contra o Feudalismo (1º de Maio)

– Ontem, 44 dxs nossxs companheirxs foram presxs, acusadxs de destruição de propriedade, provocação e confrontos com a polícia. A equipa jurídica noturna tentou vê-los, mas ainda não o poude fazer pois foram isoladxs (02.05.18)
– Um dxs assessorxs jurídicos foi preso e espancado.
– Até agora xs nossxs 12 companheirxs ainda estão presxs e a polícia continua a caça às bruxas (03.05.18)

Solidariedade internacional – por todos os meios necessários – com xs companheirxs detidxs!

Mais informações

https://agitasi.noblogs.org/

Atualização (recebida a 03.05.18)

COMUNICADO

Embora este seja um comunicado exclusivo em relação a Yogyakarta ou à Indonésia em geral, apelamos à pressão internacional e solidariedade contra este sistema feudal podre que ainda existe neste século!

Saudações ao amado povo de Yogyakarta, aqueles que vilipendiam a nossa manifestação (intencionalmente destinada a censurar a instituição de Kraton, em Yogyakarta).

Acreditem-nos quando dizemos que já sabíamos – mesmo antes de termos realizado a manifestação – que haveria uma antipatia do público em relação à nossa demonstração. É muito compreensível.  O Feudalismo cria essa crença de que os reis e a realeza são seres meio divinos; a sua autoridade é sagrada e auto-justificada. Somene tornou-se um governante num sistema feudal por ter nascido na família certa: a família real. Todo o território feudal é propriedade do rei e da família real, as pessoas são apenas ocupantes que podem ser despejados a qualquer momento por vontade do rei. O sistema é perpetuado por essa crença irracional relativa ao domínio feudal, entre outras coisas. Em Yogyakarta, o feudalismo é o que faz Yogyakarta “especial”. Politicamente, esse status especial significa que Yogyakarta não é governada por um governador eleito tal como outras províncias na Indonésia.
Em vez disso, a região é governada por um governador que também é um Sultão. Socioculturalmente, esse status especial tem outro significado; isto dá uma falsa sensação de orgulho ao povo de Yogyakarta. Yogyakarta é especial porque é governado por um sultão, as pessoas orgulham-se disto.
Como é que ser governado através de um poder não verificado pode ser alguma coisa de que se possa orgulhar? O que há de tão orgulhoso assim em ser-se subordinado de outro ser humano, unicamente porque aquele nasceu na família real?
A nossa manifestação não foi feita para atrair simpatia. Se atrair simpatia fosse o nosso objetivo, não teríamos feito uma demonstração que perturbasse a reprodução de valores sociais como a que fizemos. Não, a nossa demonstração não se destinava a isso. Não somos um partido político, uma organização “esquerdista”, uma ONG, ou os proponentes do incumbente governante ou das suas oposições que precisassem do apoio das pessoas e da sua simpatia.

NÓS TAMBÉM NÃO FAZEMOS PARTE DO PMII; FAIZI ZAIN E SEUS COMPARSAS QUE ESPERARAM POR UM MOTIM PARA ELEVAR A SUA AGENDA DE DEITAR ABAIXO JOKOWI PARA BENEFÍCIO DOS SEUS MESTRES POLÍTICOS!
ELES SÃO CORRETORES DE PODER! NÓS NÃO SOMOS!

A nossa manifestação foi feita para perturbar a circulação do capital em Yogyakarta. Intencionalmente queremos criar uma situação não propícia ao investimento de capital, seja nacional ou estrangeiro – que intensificará o desenvolvimento e a gentrificação, retirando estes ao ambiente e às pessoas da classe baixa em Yogyakarta qualquer direito.

Nós tínhamos já conjecturado que o público ficaria enfurecido pelo nosso vandalismo e apelos provocativos.

A destruição de um posto policial e a chamada para “assassinar o sultão!” irritaram enormemente o povo de Yogyakarta. A raiva está ausente quando a polícia repetidamente, com violência, se encontra na linha de frente dos conflitos entre os interesses das pessoas e dos governantes, do lado do governantes, é claro, como o de Temon, Kulonprogo, onde há um processo em curso de apropriação de terras pelo Sultão – através da legitimação do Sultan Ground / Pakualaman Ground, um sistema de propriedade fundiária feudal, em nome da expansão do capital da indústria do turismo. A raiva também está ausente quando os habitantes dos kampungs urbanos (assentamentos informais, favelas) têm que lidar com a escassez de água, causada pelo uso da água subterrânea por hotéis e apartamentos, cuja construção está a ser intensificada sob a bênção do sultão, é claro.

Esse apelo para “assassinar o sultão!” que irritou algumas pessoas em Yogyakarta – tendo nós escrito ou não esse apelo ou sendo o apelo literal ou simbólico – teve a sua própria importância na ruidosa contestação à autoridade do Sultão em Yogyakarta, aparentemente sagrada e inquestionável; um poder sem mecanismo de controle porque é protegido pela “fé” em relação à autoridade auto-justificada do sultão. Esta “Fé” é responsável pela privação dos direitos das pessoas. Mais cedo ou mais tarde, xs que estão a ler isto, provavelmente serão excluídxs pelo “desenvolvimento” em Yogyakarta também. Um “desenvolvimento” para os interesses do sultão e dos seus comparsas; corporações locais e nacionais; investidores nacionais ou estrangeiros.

Sim, o sultão é um dos principais orquestradores de muitos problemas em Yogyakarta; despejo, apropriação de terras, gentrificação e desenvolvimento que excluem e retiram direitos às pessoas de classe média e baixa. O Sultão e a sua família real, e também os seus comparsas, são os que dominam todos os aspectos económicos em Yogyakarta.

Yogyakarta é uma das províncias mais desiguais, em termos económicos, na Indonésia. O desenvolvimento em Yogyakarta não é realizado para os interesses do povo, mas para os interesses da classe dominante: os capitalistas e feudais. Em Yogyakarta, os dois sistemas preversos estão a ter um caso, esmagando as pessoas; aqueles que não são membros da realeza e são da classe média e baixa.

Mães, vocês não estão cansadas de ter de visitar xs vossxs filhxs nas prisões,duas vezes por semana, aquelxs  que provavelmente tiveram que roubar ou roubar pessoas apenas para sobreviver?

E a razão pela qual elxs estão nessas prisões superpovoadas em Yogyarta é a pobreza profundamente enraizada que prevalece em Yogyakarta. Acha que o Sultão se preocupa com isso?

E então, vamos continuar a nos enganar, pensando nas novidades, e que tudo está bem? Ou ainda, que é “especial”? Não temos interesse em ser admiradxs. Nós não somos um partido político que precise dos votos das pessoas nas eleições.

Somos apenas pessoas que estão doentes. Cansadas de tudo o que está a acontecer à nossa volta e de como as pessoas são embaladas por essa falsa consciência, dizendo-lhes que está tudo bem.

Estamos a apelar às pessoas da classe média e baixa, intelectuais, artistas, académicxs, aquelxs que afirmam ser liberais e moderadxs, e outrxs que escolhem ser “neutrxs”. Lembra-se do evento histórico que deu origem ao conceito de estado-nação moderno? O período que dá pelo nome de período das luzes, onde os reis, rainhas e a realeza foram guilhotinadxs na Praça de la Révolution. Não criou ele o que se chama de democracia? Não queremos repetir ou glorificar a história. A democracia que vocês defendem, mantêm e vendem não está a levar a outro lugar senão à pobreza, degradação ecológica e retirada de direitos.

Nós somos xs libertárixs.
Nós somos o que vocês chamam de anarquistas. Sonhamos um mundo onde as pessoas cooperam umas com as outras, trabalham juntas, governem a si mesmxs, de forma horizontal, sem governantes, sem realeza, sem contrato político, social ou dos capitalistas. Queremos uma vida na sua forma mais verdadeira, onde os desejos naturais do ser humano estão em sintonia com a natureza; uma vida sem classes, racial, étnica, religiosa e outras falsas divisões.

Somos o que vocês chamam de utopistas.

Queremos uma sociedade livre sem opressores. Queremos uma sociedade onde as pessoas possam ter crenças, orientações sexuais ou qualquer coisa sem temer a perseguição.
Total liberdade!

Anarquistas

em alemão l inglês

11 de Junho, 2018: Um dia contra o olvido

11 de Junho é um dia internacional de solidariedade com Marius Mason e todxs xs prisioneirxs anarquistas a longo prazo. Uma centelha na eterna noite da repressão estatal. Um dia dedicado a honrar todxs aquelxs que nos foram roubadxs. Neste dia, compartilhamos canções, eventos e acções para celebrar xs nossxs companheirxs capturadxs. Em anos anteriores, as celebrações do 11 de Junho têm sido internacionais e abrangentes – de festas com amigos até diversos ataques inspiradores; de recolhas de fundos e noites de escrita de cartas a presxs até todas as formas incalculáveis e desconhecidas para manter a chama viva.

Fruto do esforço acumulado para este dia, todos os anos alguns de nós se juntam para discutir e reflectir acerca das lições dos anos anteriores e para renovar esta chamada à solidariedade contínua. Este ano, convidamos-vos a explorar e ponderar connosco o modo como a manutenção do apoio a prisioneirxs a longo prazo depende directamente da manutenção de movimentos e lutas de que todxs continuamos a fazer parte. Como poderemos esperar continuar décadas de apoio  enquanto os movimentos, grupos e pessoas vêm e vão, e são reduzidos a cinzas ou apanhadas nos esgotantes fluxos e refluxos da luta? Indo mais fundo, o que podemos aprender com xs prisioneirxs a longo prazo e os seus legados de solidariedade? Como podemos sustentar e melhorar a saúde dos nossos movimentos, e por sua vez fortalecer esse apoio?

Em vários dos últimos anos floresceram as críticas ao encarceramento, o que frequentemente resultou numa miríade de projectos e esforços de apoio a prisioneirxs. Encorporando estabilidade, compromisso e longevidade, são prisioneirxs da Libertação Negra, da Nova Esquerda, dos movimentos indígenas, e aquelxs que incessantemente os apoiaram durante décadas. Além destes esforços, houve um ressurgimento da organização contra o próprio encarceramento massivo. Apesar de terem sido grupos mais pequenos a dar voz a estes sentimentos há muitos anos atrás, é encorajador ver mais pessoas a tomar este trabalho em mãos. Houve também um aumento de esforços para apoiar presxs rebeldes que se têm envolvido em tudo desde greves ao trabalho até incendiar e destruir unidades inteiras na prisão. Ao mesmo tempo, há cada vez mais projectos a criticar o estado em si mesmo – constatando que este é sustentado pelos pilares das prisões e pela polícia. Finalmente, há muitos esforços dirigidos para as necessidades de prisioneirxs queer e trans, sobreviventes criminalizadxs de abuso doméstico e sexual, e pessoas com problemas de saúde mental, para dar apenas alguns exemplos.

O espírito do dia 11 de Junho, que convida toda a gente a participar de acordo com os seus desejos, afinidades pessoais e preferências tácticas, encoraja-nos a ver difundida uma tal actividade. Em particular, uma coisa que nos anima ver é quão difundida se tornou a escrita de cartas, blogs, livros e zines por prisioneirxs. Após anos de discussão sobre o amplificar das vozes dxs prisioneirxs, estamos a ver os resultados e valorizamos as incontáveis horas dedicadas por prisioneirxs e apoiantes para lançar e sustentar estas publicações. A complementar estes esforços estão aquelxs que expandiram a solidariedade internacional ao traduzir e passar a palavra dxs nossxs companheirxs, tal como xs que empreenderam belos gestos e mensagens de solidariedade com acção corajosa e de ataque.

Entre estes muitos projectos de apoio a presxs, vemos uma variedade de orientações, de tácticas, de estratégias e práticas. Com a expansão das iniciativas, surgiram intermináveis emergências e chamadas urgentes à acção para apoiar prisioneirxs, além de todas as outras crises constantes neste mundo de pesadelo. Com tanta coisa para fazer, somos forçadxs a fazer escolhas. O activismo tradicional, que exige que tanta da nossa energia seja dirigida para acções imediatas e frequentemente simbólicas – à custa de intenções e estratégias de longo prazo – não vai funcionar, simplesmente. Precisamos de agir com a preocupação de sustentar os nossos movimentos e projectos, de forma a que possamos continuar capazes de apoiar companheirxs a cumprir décadas na prisão. Isto exige uma abordagem holística à luta e à vida solidária.

Gestos isolados são importantes, e por vezes o melhor que conseguimos fazer. Mas o que significa fazê-lo a longo prazo?

Ainda que 11 de Junho seja apenas um dia, é uma manifestação da força e da fortaleza diárias de companheirxs presxs, e do trabalho incansável e de bastidores daquelxs que xs apoiam. Muitas vezes visitando; escrevendo; levantando dinheiro; divulgando informação; partilhando arte, poemas e escritos. Sentimo-nxs inspiradxs pelos grupos de apoio a Jeremy Hammond e Marius Mason, que trabalham consistentemente para os manter ligados ao resto do mundo. Vemos o exemplo de Sacramento Prisoner Support [Apoio a Prisioneirxs de Sacramento], lutando há anos para libertar Eric McDavid. Sentimo-nos impressionadxs por todxs xs que ajudaram prisioneirxs a longo prazo como Zolo Azania, Russell Maroon Shoatz, David Gilbert, Sean Swain, Mumia Abu-Jamal, Jalil Muntaqim, Leonard Peltier, e tantxs outrxs, para publicarem livros escritos nas suas celas.

Visões & Possibilidades

Face à perspectiva de longo prazo de ajudar companheirxs ao longo de décadas nas prisões, e o trabalho de curto prazo que esta solidariedade implica, arriscamos-nos a perdermos-nos nas correntes alternadas do desespero e mania que não deixam espaço para a reflexão. É difícil saber por onde ir quando nos confrontamos com a esmagadora tarefa de melhorar a privação e a miséria que xs nossxs companheirxs enfrentam, e ao mesmo tempo permanecer críticxs do reformismo. Queremos xs nossxs companheirxs livres agora e a demolição imediata de todas as prisões, mas não temos ideia de como o fazer. Apesar das décadas de acção combinada em solidariedade com prisioneirxs anarquistas, não temos um diagrama, apenas visões.

Ao descartar as dicotomias fracturantes e os seus fetiches tácticos (luta de massas vs acção directa), podemos chegar a uma nova métrica para avaliar o nosso trabalho: pode esta acção sustentar-me e às/aos minhas/meus companheirxs ao longo dos próximos anos? Parece improvável que um movimento vibrante de solidariedade com prisioneirxs possa florescer se as nossas preocupações forem apenas ideológicas, tácticas ou estratégicas. A alegria e a dificuldade das relações humanas, a tristeza gerada pelo cimento e pelo arame farpado, a luta contra ideias e comportamentos opressivos e a correspondente necessidade de formas transformadoras para lidar com o conflito, o entusiasmo e o medo que vêm com a libertação de um/a companheirx, e a frustração e exaustão associadas a este trabalho, tudo isto devia integrar o modo como entendemos a solidariedade.

Parece-nos que ao abordar directamente estas considerações, podemos começar a pensar para além das crises imediatas: leituras controladas, cartas desaparecidas, limitações na solidariedade, lutando por fundos do comissariado. Ao nos ancorarmos nas relações com os indivíduos na prisão – vendo-os não como celebridades, líderes ou “pessoas oprimidas” abstratas – abrimos espaço para sonhar com o que uma vida em comum, compartilhada em comum com xs nossxs companheirxs presxs poderia significar. Com isso, saímos do reino do puramente político e entramos no reino do humano. Não se pode sobreviver de dever e ideologia, mas as relações humanas podem nos nutrir e sustentar. E devemos lutar continuamente para manter os caminhos claros – para alcançar xs nossxs companheiros dessa maneira, à medida que o estado continua a desumanizá-lxs e isolá-lxs, restringindo cada vez mais as visitas àquelxs por trás do vidro ou, pior ainda, aquelxs numa tela, se estamos a poucos metros ou centenas de quilómetros de distância. Visitas presenciais e de contato, de valor inestimável para a construção de conexões humanas reais, são muitas vezes altas na lista de demandas de prisioneirxs e daquelxs que as apoiam no exterior. Recentemente, nos inspiramos na campanha da Fight Toxic Prisons para manter as visitas de contato no Departamento de Correções da Flórida.

Temos que nos esforçar por entrelaçar as nossas vidas com as vidas dxs nossxs amigxs e companheirxs na prisão. E na realidade, de muitas formas, as nossas vidas entrelaçam-se. A repressão a grupos de apoio a prisioneirxs pela Operação Scripta Manent (a tentativa do estado italiano para reprimir actividades anarquistas ao acusar indivíduxs de ataques incendiários e com explosivos) recorda-os de que há frequentemente uma linha fina a separar aquelxs que estão presxs daquelxs que estão cá fora a apoiá-lxs de todas as formas que possam.

Atualizações de prisioneirxs

Ao longo do último ano, xs nossxs companheirxs presxs enfrentaram os olhos frios e a mão violenta do estado com a sua integridade intacta. No Chile, Tamara Sol tentou escapar da prisão, foi seriamente ferida no processo, e foi desde então transferida: primeiro para uma prisão de máxima segurança em Santiago, e depois para a prisão especialmente brutal  de Llancahue, em Valdivia. A embrulhada “Bombs Case 2”, com Juan Flores acusado de múltiplos bombardeamentos em Sa ntiago e sentenciado a 23 anos na prisão. Na Alemanha, Lisa foi condenada a mais de 7 anos de prisão depois de ter sido considerada culpada de assaltar um banco em Aachen. Ela foi transferida para JVA Willich II em Fevereiro. Nos Estados Unidos, Walter Bond entrou em greve de fome por seis dias, exigindo refeições veganas, o fim da manipulação do correio e uma transferência para Nova Yorque, onde ele tenciona viver quando for libertado. Como retaliação, foi transferido para a Communications Management Unit em Terre Haute, no Indiana. Na Grécia, Pola Roupa e Nikos Maziotis entraram em greve de fome por quase 40 dias exigindo melhores condições e mais tempo de visitas, bem como a abolição daultra-repressiva prisão tipo-C em que Nikos tem estado detido. Dinos Yagtzoglou foi preso e enfrenta acusações relacionadas com uma carta armadilhada que feriu o anterior primeiro ministro Grego. A sua resistência atrás das grades despoletou a insurreição em três prisões gregas, garantindo a sua exigência de ser transferido para a prisão de Korydallos.

Nos Estados Unidos, o prisioneiro anarquista trans e de eco/libertação animalMarius Mason precisa de mais correio! Ele  gosta de receber artigos sobre os direitos dos animais, activismo ambiental, Resistence to alt-right, Black Lives Matter, e outras lutas penitenciárias. O Carswell Federal Medical Center, onde Marius tem estado detido nos últimos anos, é uma prisão notoriamente restritiva e cruel. Neste momento estão a negar-lhe os prometidos cuidados médicos relacionados com a sua transição, tal como opções veganas adequadas.

11 de Junho é uma ideia, e não apenas um dia. 11 de Junho é a cada dia. E as ideias são à prova de bala. Vamos dar vida ao resto do ano e renovar a celebração das vidas dxs prisineirxs anarquistas ao continuar as suas lutas ao seu lado.

Em suma: é uma chamada, por isso estamos a chamar-te! Dia 11 de Junho é o que fizeres dele. Segue o teu coração e enche o mundo de gestos belos. Não há acção que seja demasiado pequena ou demasiado grande.

June 11

Santiago, Chile: Faixa em memória do companheiro Javier Recabarren

Javier Recabarren presente na Juventude Combatente – 29 de Março e todos os dias…para as ruas! (A)

29.03.2018. Durante o “Dia do Jovem Combatente” fizemos uma faixa em memória do anarquista Javier Recabarren que morreu há já três anos, atropelado por um autocarro da Transantiago.

O modo de ação do compa, em relação aos combates de rua e chamadas anti-especismo ou anti-cárcere – em suma, a sua participação na ampla luta anti-autoritária – continua presente na nossa memória. Ele era um companheiro, um irmão afim que trazemos para a rua, por meio deste gesto mínimo de propaganda, de algum lugar em Santiago.

em espanhol l inglês

[Federação Russa] Apoio ao prisioneiro político anarquista Evgeny Karakashev

recebido a 05.04.18

Apelamos à solidariedade e apoio ao anarquista Evgeny Karakashev, da Crimeia. Teve início a recolha de fundos para cobrir as despesas com a defesa.

Evgeny nasceu a 21 de Agosto de 1978. Vive em Yevpatoria, na Crimeia. Trata-se de um activista com convicções anarquistas. No dia 1 de Fevereiro de 2018 Karakashev foi detido, no dia 2 foi preso por suspeição de ter cometido crimes contemplados na Parte 1 do Art. 282 (incitamento ao ódio e inimizade) e na Parte 2 do Art. 205.2 (apelo público ao terrorismo) do Código Criminal da Federação Russa. Encontra-se em prisão preventiva desde 2 de Fevereiro de 2018.

Descrição do caso

No dia 1 de Fevereiro de 2018, Evgeny Karakashev foi detido por agentes da polícia em Yevpatoriya. A jornalista Alyona Savchuk escreveu nas redes sociais que procuraram Karakashev no dia da detenção. “Levaram-no violentamente: alguns homens à paisana forçaram a entrada, não se identificaram, atiraram-no imediatamente para o chão, agarraram-no, algemaram-no com as mãos atrás das costas. Evgeny afirma que foi algemado até às instalações de detenção temporária. Tem uma grande escoriação no lado direito da testa. Só à noite é que Karakashev conseguiu telefonar a um amigo e pedir-lhe para encontrar um advogado” – diz Savchuk – “O investigador Abushayev disse que não se recorda durante quanto tempo Karakashev esteve algemado, 5 minutos ou 3 horas, e que Karakashev «se ofereceu» para ir a esquadra voluntariamente”.

No dia 2 de Fevereiro de 2018, o Tribunal da cidade de Evpatoria prendeu Evgeny por 2 meses por suspeição de «incitamento ao ódio e à inimizade» e «apelos públicos ao terrorismo».

Resulta do despacho relativo à instauração do processo penal que, de acordo com a investigação, Karakashev publicou um vídeo numa das suas páginas na rede social «VKontakte», no final de 2014, que alegadamente apela ao terrorismo. Além disso, de acordo com o relatório, em Janeiro de 2017 Karakashev postou de uma outra conta, num chat com 35 pessoas, um texto que contém sinais de “propaganda de ideologia violenta” e “apelos a actividades terroristas”. Não se especifica exactamente o que terá Karakashev publicado, no entanto o documento afirma que os peritos investigaram um «teletexto, que começa com as palavras “usar granada contra” e termina com as palavras “nas janelas das autoridades, boa sorte”».

É óbvio que a razão para iniciar um caso criminal foi o vídeo “Chamada Vídeo dos Guerrilheiros de Primorsky”, publicado na rede social “VKontakte”, no qual os guerrilheiros explicam os motivos das suas acções. Este vídeo é entendido na Rússia como sendo extremista, por “incitar ao ódio contra um grupo social específico” [a polícia].

De acordo como o advogado Alexei Ladin, o próprio Evgeny Karakashev acredita que o início do caso criminal contra si e sua subsequente prisão se relacionam com o seu activismo: ele opôs-se a uma construção numa zona de lazer em Yevpatoriya, perto de um lago. Evgeny é um anarquista e antifascista. Karakashev tomou sempre uma posição civil activa, participou, por exemplo, num protesto junto ao edifício do FSB em Simferopol, e em Novembro de 2016 tencionou organizar uma acção “contra a brutalidade policial na Crimeia”, junto ao edifício do Ministério do Interior de Evpatoria. Esta acção foi interdita pelas autoridades locais. Depois deste incidente, Evgeny foi chamado pelo staff dos ditos órgãos policiais e convidado a dar explicações, Evgeny recusou dar qualquer testemunho.

Sinais de motivação política para a sua perseguição

É muito provável que o caso criminal contra Evgeny Karakashev tenha sido despoletado no contexto das suas actividades públicas de oposição política como participante das acções de protesto na Crimeia. No contexto da perseguição de activistas de extrema esquerda e antifascistas desde Janeiro de 2018, o caso de Karakashev parece ter uma motivação claramente política.
Deste modo, as circunstâncias da acusação levam-nos a acreditar que a detenção de Evgeny Karakashev foi um meio para acabar com as suas actividades públicas.

Ao mesmo tempo, a detenção foi aplicada em violação do direito a um julgamento justo, e a outros direitos e liberdades garantidos pela Constituição da Federação Russa, pelo Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos e pela Convenção Europeia para a Protecção dos Direitos do Homem e das Liberdades Fundamentais, baseando-se-se na adulteração de provas do alegado crime na ausência de elementos de delito de ofensa.

Como se pode ajudar: Pode-se transferir dinheiro pelo sistema Paypal: o nosso endereço é abc-msk@ riseup.net  Por favor mencionar “para Evgeny Karakashev”

Endereço prisional de Evgeni:
Karakashev Evgeni Vitalevich, bul. Lenina 4, 295006 Simferopol,
Respublika Krym, Russia.

Nota que na prisão apenas se aceitam cartas em Russo.

Cruz Negra Anarquista de Moscovo

fonte: avtonom.org

em inglês

[Brasil] Jamais poderão nos parar. Do Brasil à Rússia, que viva a anarquia

Vivemos na antiga e bela contradição de arriscar a liberdade lutando por ela…
E jamais poderão nos parar.
Do Brasil a Rússia. Que viva a anarquia.

Sabemos que na imensidão dos mares e continentes, nas montanhas e selvas, guerreiros e guerreiras afrontam, há tempos imemoriáveis, lutas contra quem quer destruir e devastar para escravizar, dominar e vender.
Não fechamos os olhos diante disso, ainda mais, somos parte dessas lutas também, mas hoje, ao calor de certas arremetidas, queremos mandar este salve, este abraço cúmplice para nós, anarquistas.Prenderam-nos na Espanha, França, México, Chile, Grécia, Argentina, Alemanha, Itália, Rússia, em todos os Estados. Perseguiram-nos de um continente ao outro. Mataram-nos no garrote vil, nas cadeiras eléctricas, na guilhotina, atirando contra nós. Nos desapareceram no Rio de La Plata e no Chubut, apareceram-nos de novo para limpar suas mãos. Nos mandaram para todo tipo de presídios, até ilhas das quais não pudéssemos sair.Deram-nos o banho da purificação na Indonésia. Nos condenaram por séculos a permanecer nas gaiolas na Grécia. Nos mataram a porradas de cassetete na Colômbia em um 1º de maio.  Nos lançaram de uma janela no terceiro andar. Estamos com fome nas ruas da Venezuela. Nos chamaram terroristas e condenaram nossas tentativas de fuga. Prenderam-nos na Rússia e torturaram-nos para nos obrigar a dizer que somos parte de uma organização fictícia. Nos bombardeiam na Síria.

Dentro da disposição dos poderosos por nos atacar na guerra que eles têm declarado contra tudo o que é livre, querem nos paralisar, nos enquadrar nas suas regras, querem nos tornar cidadãos ordeiros e trabalhadores disciplinados agradecidos com suas migalhas. Querem que recuemos e nos digamos democratas, que neguemos o que somos e cedamos, aos poucos, nossas ânsias de viver como queremos: sem governar e sem ser governados.

Querem que percamos a disposição de afrontar seus massacres, sua devastação, sua dominação. Querem nos neutralizar de todas as maneiras, pela paralisação, pela prisão ou pela morte. Não economizam esforços por nos tirar fora do jogo. Querem, dito claramente, nos banir.
Mas, este mundo não é deles e nós vivemos na antiga e bela contradição de arriscar a liberdade lutando por ela e jamais poderão nos parar.

Somos inspiração mútua entre nós, somos rios se juntando para fazer a torrente crescer e poder ser correnteza violenta de vida e revelia.
Somos pirotecnia fugaz e imprevisível que no entanto brilha e ascende.
Somos Ilya Romanov inquebrantável guerreiro que resiste as torturas e luta. Somos Mario e Tortuga feridos e interrogados sob medicação nos mostrando o que é coragem.
Somos  Panagiotis Argyrou, Michalis Nikolopoulos, Giorgos Nikolopoulos, Haris Hatzimichelakis, Theofilos Mavropoulos, Damianos Bolano, Christos Tsakalos, Gerasimos Tsakalos, Giorgos Poludoros, Olga Okonomidou, Aggeliki Spyropoulou,  Spyros Mandylas conspirando liberdade em cada minuto e nos inspirando a gritar que nosso dia chegará!
Somos Konstantinos Giagtozglou.
Somos Kevin e Joaquín na espera do julgamento e sem perder oportunidade para bater nos tiranos e escapar da prisão.
Somos Tamara, lembrança de que a vingança é um ato de amor por nossos companheirxs e afins.
Somos as fugitivas de sempre.
Somos Mummia Abu Jamal guerreiro que sobrevive contra toda adversidade. Somos Juan, condenado pela nefasta lei antiterrorista. Somos Lisa, inimiga dos bancos.
Somos Alfredo Cospito, ousado tendo um gesto solidário e combativo, quebrando as vidraças da prisão que tentam o conter.
Somos Nicola Gai e os compas acusados pela Scripta Manent e as recentes operações repressivas em Turim.
Somos Diego e os detidos na  Argentina.
Somos Tato, com o sorriso presente.
Somos Fredy, Marcelo e Juan, inclaudicáveis sem importar os tipos de governantes.
Somos Santiago Maldonado viajando e lutando.
Somos Mauricio Morales e o Pelao Angry pelejando até a vida estalar.

Somos aquelxs que incomodam porque não damos trégua à guerra, porque agimos sem quartéis e sem comandos, porque reavivamos aos embates da destruição. Somos aquelxs que escrevemos nossa história como as sementes que brotam no meio do concreto: sem permissão e contra toda expectativa.

E quando nos perseguem e vemos nossas façanhas, nossos atos, marcar uma diferença no entorno da pretendida pacificação social, vemos que somos uma força real e incontrolável.
Somos aquelxs que quando dão um passo decidido mudam o mundo ao redor.

Vivemos numa guerra que nos foi imposta, e na qual não conseguimos nem podemos ficar indiferentes. Num contexto de guerra particular, onde a militarização nas ruas cresce e até é aplaudida pela sociedade, onde povos não civilizados ainda são exterminados, onde se se é negra, lésbica e saída da favela, ainda que jogando segundo as regras do “sistema dominador” pode ser assassinada sem disfarces nem vergonhas no meio das ruas. Nessa guerra nos lembram que se eles querem, podem matar até aqueles que usam “as armas legais” se eles fossem gritar contra a dominação, como fizeram com Anastasia Baburova nas ruas de Moscou.

Desde um contexto de guerra em que ainda se sentem os estragos dos jogos olímpicos e da copa do mundo, fazemos menção aos compas da Rússia porque nas prévias dos mega-eventos desportivos procuram castigar aqueles que por si só são um incómodo: mendigos, não brancos, não ocidentais, não civilizados, anti-sociais e claro… aquelxs que lutam, como nós, contra a diversão dos poderosos e que sempre pesa sobre as costas de todos os demais.

Se hoje na Rússia na sala de espera dos jogos prendem e torturam com choques eléctricos, ontem militarizaram e despejaram favelas e incontáveis pessoas, encarcerando todo aquele que podia incomodar seu entretenimento no Brasil: copa do mundo e jogos olímpicos. Na Grécia, no 2004, os supra gastos foram a ante-sala para a “crise” econômica e os consequentes protestos. No México em 1968, se gritava “não queremos jogos olímpicos, queremos revolução” no meio de um clima de protestos, esse grito teve como resposta o conhecido massacre de Tlatelolco, dez dias antes da inauguração dos jogos olímpicos, onde um número desconhecido de pessoas foram assassinados por franco-atiradores em um protesto no centro da Cidade do México na praça de Tlatelolco.

Penduramos uma faixa – em um viaduto de um movimentado vai e vem urbano – na qual uivamos anarquia para esta gente e para todxs compas anarquistas.
Tomar um tempo no meio dessa guerra para construir um gesto de afeto para os que lutam e afrontam tormentas sem medo dos ventos e relâmpagos, é parte de nosso feroz rechaço à uma vida esvaziada de decisões. Com cada vegetação, com cada terra de neves, de florestas ou montanhas fazemos possíveis encontros indecifráveis de liberdade. Porque para nós é abraço cálido, é força no coração receber os acenos por estas vias, nos permitem nos sentir juntos, nos seguir inspirando uns aos outros, nos sentir vivos. Daí que queremos que este aceno, “simples mas, acreditamos, importante” ecoe nos corações de nossos afins, que provoque neles um sorriso por saber que nós vivendo no meio da guerra diária nos demos um tempo na batalha para fazer algo pensando só em nossos irmãos e irmãs, companheirxs, cúmplices, queremos chegar até elxs.

Passeamos pelas ruas, visitamos pessoas de ideias próximas e sabemos que a quantidade de gestos que acontecem por vários lugares: Ações, adesivos, cartazes, faixas, atividades, pixações e troca de ideias acontecem espontaneamente sem ser comunicadas nem compartilhadas na grande rede. Assim, os gestos de solidariedade são insondáveis. Porém, chamamos a compartilhar esse mundo insondável, cientes do sorriso que nos provoca saber que lá estamos uns pelos outros contra toda probabilidade e com absoluta decisão por lutar pela liberdade.

Com o grito de viva a anarquia e o abraço cúmplice.
Anarquistas.

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Hamburgo: Vidros estilhaçados e ácido butírico no Eurocommand

18 de Fevereiro de 2018

Vocês roubam-nos o ar para agir, nós roubamos-lhes o ar para respirar!

Na noite de 17 para 18 de Fevereiro de 2018, quebramos as janelas e atiramos o ácido butírico nas instalações do Eurocommand s.r.l., Gärtnerstraße 92b em 25469 Halstenbek.

A ser utilizada plenamente e ao máximo a partir das Cimeiras da OSCE e do G20, um novo software de vigilância operacional em tempo real é a aposta da polícia de Hamburgo. O acordo foi concedido à empresa Eurocommand com o seu software CommandX. Assim, 696 polícias tiveram 368 horas de treino operacional para o uso do sistema de gerenciamento de força e a ilustração da situação real. Os bombeiros e o centro de comando de resgate também foram equipados com o CommandX. A conexão com os bancos de dados nos carros e com os sistemas de controle operacional garante uma troca de dados de amplitude preocupante.

Durante o G20, todos os dados geográficos convergiram para Alsterdorf, num grande painel de vídeo, onde foram apresentados como um mapa do estado atual. Em tempo real, imagens aéreas de helicópteros e vídeos do Bodycam ou vigilância de rua também estavam disponíveis.
Nesta base, durante a cimeira poderiam coordenar imediatamente as unidades operacionais. Que na maioria dos casos chegou tarde demais. Segundo as informações do Senado, o software CommandX teria fornecido bons resultados: “Sem défice comprovado”.

É de salientar que até mesmo representantes da proteção do estado, da polícia federal e do exército teriam estado diante das telas do centro operacional.
Não está provado que os tão utilizados drones também foram usados ​​e equipados com câmaras de vídeo Eurocommand, durante o G20. Pelo menos, o CommandX é certamente capaz de incorporar essas informações.

O Eurocommand não se declarou como objetivo de alvo de ataque apenas para comercialização de seu sistema de vigilância CommandX: Sascha Pomp é o diretor do Eurocommand. Sua maneira de pensar é muito clara após as suas bem conhecidas considerações sobre aquelxs que protestaram contra o G20, que ele chamou de “doente e asocial” e “um cavalheiro que não merece qualquer respeito ou piedade”. Outras vezes fica irritado com o seu próprio delírio violento: “Mas é simples: fechar a ala direita e deixar terroristas num clube para uma troca íntima de opinião e esperar …” Como AfD, no twitter, comentou sobre as ações da polícia e conseguiu e solicitou a notícia da bófia durante os dias da cimeira.

O nosso ataque é um ataque contra aqueles que querem monitorizar e controlar, tal como o é contra aqueles que fornecem as habilidades para isso.

Foda-se o Eurocommand!

Comando-X

Fonte: Indymedia

em italiano

Santiago, Chile: Ação em memória de Javier Recabarren

No âmbito da semana em memória de Javier Recabarren, saímos à rua na quarta-feira, 14 de Março, para propagar um pouco o ruído insurgente contra a exploração animal; assim, reivindicamos a deflagração de uma bomba de ruído em Santiago, colocada em frente a um açougue.

Não temos dúvidas algumas dos horrores pelos quais os animais passam antes de chegarem a esses lugares, perante a complacência da grande maioria da sociedade. Mesmo assim, não permanecemos indiferentes e continuamos a propagação do anti-especismo por várias maneiras – para que mais cúmplices se juntem à luta e cresça o número daquelxs  que lutem contra tudo o que cheira a dominação – exploração.

Javier Recabarren, afim à anarquia, antiespecista e combatente encapuçado, continuas mais que presente na memória e nos passos insurretos.

Frente de Libertação Animal

em espanhol

Santiago, Chile: Sabotagem a produtos de carne em memória de Javier Recabarren

Porque ninguém está esquecido: Javier Recabarren presente

O Bando Anónimo da sabotagem aqui se encontra a responder à convocatória em memória do jovem combativo Javier Recabarren. Entramos em ação, começando por nos introduzir em três supermercados na Estação Central a 12.03. Destruímos embalagens de carnes de animais mortos com a ajuda de pregos de estofadores.

Para xs membrxs em ação, pela libertação total, é muito importante continuar a alimentar com fogo o fogo da memória, tal como o companheiro fazia nas ruas confrontando a bófia. Nesta ocasião, como foi mencionado no primeiro parágrafo, queríamos contribuir para esta convocatória usando a sabotagem em pequena escala contra produtos de carne distribuídos em diferentes cadeias de supermercados. Em breve as formas de ação contra esses negócios serão outras e variadas.

Sabemos que esses produtos ao serem rasgados, perfurados e abertos se decompõem com o passar das horas; também temos conhecimento de que se um cliente descobre o produto de carne danificado isso não será comprado e será descartado pela empresa, o que provocará uma perda económica.

Sem dúvida que é difícil ver como é o termo dos nossos irmãos animais, é difícil ver como essas grandes empresas continuam a beneficiar com a sua morte. Mas isso é a realidade. Sózinhxs, continuaremos, por menor que seja o dano contra a exploração e os negócios que realizamos, continuaremos.

Que se multipliquem as sabotagens pela libertação total!
Irmão e companheiro Javier Recabarren presente!
Nem um passo atrás perante os matadouros e as empresas de carne!

Bando Anónimo pela Sabotagem
Frente de Libertação Animal / Frente de Libertação da Terra

em espanhol

Viena: Manifestação raivosa espontânea por Afrin a 24 de Março

recebido 28.03.18
Cerca das 22h reuniram-se cerca de 100 pessoas, em Viena, para uma manifestação espontânea, furiosa e selvagem que durou 30 minutos, no dia de solidariedade internacional com Afrin. A manifestação foi uma expressão da raiva e da ira contra a ocupação de Afrin pela NATO, pelo exército turco, pelos fascistas do ISIS e outros aliados. A faixa que seguia à frente dizia: `Fight4Afrin`(Luta por Afrin). Entoaram-se palavras de ordem pelas ruas, tais como: `Biji Berxwedane Efrine`(Longa vida à resistência de Efrin), `Ueberall Efrin, Ueberall Widerstand` (Afrin em todo o lado, resistência em todo o lado), `Solidaritaet heisst Widerstand, Kampf dem Faschismus in jedem Land` (Solidariedade significa resistência, lutar contra o fascismo em todo o lado), ou `Alerta, Alerta Antifascista`. Foi usada uma grande variedade de material pirotécnico.

A manifestação atraiu muita atenção e deixou as suas marcas no bairro, uma área conhecida por ter fascistas organizados e nacionalistas de diversas origens, não só austríacos mas também muitos grupos fascistas turcos. Durante a manifestação bloqueram-se várias ruas, e atacaram-se símbolos da repressão e do capitalismo – quebraram-se-se montras de lojas e vidros de carros da polícia. Xs manifestantes desapareceram antes da polícia chegar e tanto quanto se sabe nenhuma pessoa foi presa.

A manifestação teve lugar numa parte de Viena em que o MHP e o AKP são particularmente fortes entre os habitantes, detendo e apoiando uma grande parte da infra-estrutura. Por isso esta foi uma importante acção anti-fascista e mostrou que a  solidariedade activa é um passo poderoso para associar a luta local contra o fascismo na Áustria às lutas internacionais pela liberdade em Rojava e noutros lugares.

Resistir significa quebrar a apatia!
Testemunhar todos os dias a queda de companheiros na luta contra grupos fascistas islâmicos força-nos a agir e a manifestar a nossa solidariedade com os povos no norte da Síria.

Continuaremos a lutar juntxs contra o fascismo na Turquia, no norte da Síria e na Austria!
Afrin em todo o lado, Resistência em todo o lado!

em inglês l alemão

Reykjavík, Islândia: Memorial da NATO coberto de alcatrão e penas

recebido a 26.03.18

Reykjavík, Islândia
25 de Março de 2018

Ontem, 24 de Março, dia de acção internacional por Afrin, um memorial da cooperação entre a NATO e a Rússia foi coberto de alcatrão e penas em Reykjavík, Islândia. Desde 2012 que o memorial tem vindo a manchar o rosto da cidade — uma recordação constante da humilhante submissão da Islândia a super-potências e alianças militares. Com o silencioso aval da Rússia e da NATO, a Turquia procura agora esmagar a revolução de Rojava com a sua força bruta — matando e expulsando homens, mulheres e crianças. Sem surpresas, as objecções por parte de alguns estados ocidentais têm sido fracas e vazias, já que estes se preocupam mais em manter relações amigáveis com o fascista Erdogan do que com a sociedade justa e igualitária que este procura destruir. A sua cobardia e falta de carácter é uma fonte de infinita vergonha para todxs. Um memorial por uma cooperação que permite que Erdogan invada e assassine não deve ter um lugar seguro — nem aqui nem em lado algum.
Anarquistas iconoclastas, companheiros de Haukur Hilmarsson (Sahin Hosseini)

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Chile: Solidariedade insurreta com os compas Joaquín e Kevin perante a preparação do seu julgamento – adiado para o início de Abril

Se bem que a solidariedade resulte sempre importante – em todos os aspectos – não podemos ficar amarradxs a muitas das ações que se levantam em apoio aos/às nossxs afins, ainda que sejam sempre necessárias. Acreditamos que uma parte importante para nos reconhecermos como revolucionárix, é estar disposto – como o estão elxs – a atacar o aparelho estatal e o capital. Assim, a solidariedade deve trascender as palavras, forjar-se no ataque e assim se transformar em ação constante contra a da ordem. Porque o reconhecimento da afinidade vai acompanhado de cumplicidades e vivências, criando um laço inquebrantável entre anónimxs.
-Conspiração Internacional pela vingança/Célula deflagrante Gerasimos Tsakalos-

A 6 de Março de 2018 [a audiência foi adiada para os primeiros dias de abril por petição da defesa] o companheiro Joaquín García Chanks e Kevin Garrido enfrentarão a preparação do julgamento num processo teatral que se iniciou em Novembro de 2015 quando ambos foram detidos.

Nesta instância judicial se definirão as provas que o ministério público utilizará no futuro julgamento onde se desatará o seu frenesim de repressão e castigo, desta vez utilizando a lei  de controlo de armas.

O companheiro Joaquín, por sua vez, enfrenta um pedido de:

*15 anos de prisão pela colocação do dispositivo explosivo contra a 12ª esquadra de polícia (Ação reivindicada pela Conspiração Internacional pela vingança/Célula deflagrante Gerasimos Tsakalos).

*4 anos e 6 meses por porte ilegal de armas (após quebrar a detenção domiciliária a que o companheiro pode aceder, em Junho de 2016, Joaquín é detido por pessoal da BIPE em setembro do mesmo ano, transportando um revólver).

*800 dias por porte de munições (munições encontradas ao ser capturado).

Kevin, por sua vez, é acusado pelo atentado à Escola de gendarmes de San Bernardo (onde foi detido), para além de posse de material explosivo, porte ilegal de arma branca, atentado à empresa Chilectra (reivindicado pela Célula Karr-Kai) e na mesma situação de Joaquín pelo atentado frustrado contra a 12ª esquadra de polícia. A acusação solicita contra ele mais de trinta anos de prisão.

O orgulho e convicção de nos posicionarnos como entidades revolucionárias forja em nós uma dignidade inquebrantável e que não fraqueja, não são elementos que se desenvolvam para serem utilizados como armas, formam parte de uma práxis constante no nosso modo de atuar”-Joaquin Garcia

Pela demolição das engrenagens da inquisição democrática!
Solidariedade Insurreta e anti-autoriária!

Ferrara, Itália: Reivindicação de sabotagem de duas lojas Benetton

Somos inimigxs do poder e da dominação. Queremos o fim de todas as formas de exploração. Aspiramos à destruição absoluta da autoridade e do sistema capitalista. Os símbolos e as conseqüências do capitalismo e da exploração estão por todo o lado. Portanto, não precisamos mais do que tomar uma posição clara, escolhendo permanecer ao lado dxs oprimidos e atacando o sistema e seus cúmplices: ação direta pela autodeterminação e pela libertação total! Não importa quão pequena a ação seja quando comparada com os gigantes monstros que estamos a combater: são fatos e não promessas em época de eleições, são a prova do fato da luta não ter acabado ainda.

Na segunda-feira, 29 de janeiro, numa posição anarquista, antiespecista, anti-autoritária e anti-capitalista, sabotámos duas lojas da Benetton localizadas em Ferrara, bloqueando as fechaduras com cola.

Em solidariedade com o povo mapuche que, na Patagônia, há décadas que resiste à opressão da multinacional unida de cores que, desde 1991, retirou (criando vários problemas ambientais e sociais) quase um milhão de hectares de terra ao povo mapuche que viveu séculos naqueles lugares em harmonia com a Pachamama (Mãe Terra).

Pelos animais escravizados e explorados para produzir lã (para criar roupas) e carne (o negócio do Grupo Benetton não se limita apenas ao setor de vestuário).

Pelxs trabalhadorxs, crianças e adultxs, exploradxs nas fábricas e chantageadxs através do sistema de abastecimento.

Em memória das vítimas do colapso do Rana Plaza, em Bangladesh; e de Santiago Maldonado, Rafael Nahuel e todxs xs ativistas que perderam a vida por causa da brutal repressão implementada pelos Estados da Argentina e do Chile.

E também para não esquecer a participação da Benetton no transporte de material bélico britânico no Iraque  e a hipocrisia das campanhas publicitárias escondidas por trás do falso compromisso social feito por Oliviero Toscani, na tentativa de mostrar uma imagem limpa da multinacional.

“O poder é constantemente camuflado e o grande desafio é reconhecer as suas cores”

PELA LIBERTAÇÃO DE HUMANXS, ANIMAIS E TERRA

Célula anarquista – Sebastián Oversluij Seguel

fonte:croce nera anarchica

Belgrado: Ações de solidariedade em suporte da luta pela liberdade e autonomia em Afrin

https://vimeo.com/260965926

Recentemente realizaram-se várias ações de solidariedade em Belgrado, em apoio da luta pela liberdade e autonomia em Afrin, parte da Federação Democrática do Norte da Síria (Rojava).

Cartazes e escritos nas paredes apareceram em vários pontos focais da cidade, como o centro cultural turco, para denunciar o lucro não falado que a indústria de armas balcânica está a ter com o recente conflito em Rojava e a submissão política do governo de Vučić. e outros políticos na região dos Balcãs ao AKP ( partido no poder, na Turquia). Além disso, na segunda-feira passada uma faixa foi colocada num edifício na Trg Republike (a praça principal de Belgrado) onde se podia ler: “Parem a invasão em Afrin! Vamos defender a auto-organização contra os estados e o capital!!”

Essas ações destinam-se a apoiar a resistência do povo de Rojava, a defender a sua revolução social que representa uma ameaça ao fascismo expansionista do AKP.
A cumplicidade silenciosa da UE e da ONU na invasão também é mencionada, pois é bem conhecido como várias potências se beneficiam, não apenas financeiramente mas também politicamente, do ataque a Afrin.

Em Belgrado,  como de resto por todo o mundo, a solidariedade revela o lado sujo de uma guerra imperialista perpetuada por esta coligação de forças contra o povo de Afrin e toda a região. Esses atos de dissidência antecipam o dia oficial de ação internacional por Afrin, convocado pelos compas de Rojava para o dia 24 de março.

em inglês l servo-croata-bosniano

Sydney, Austrália: Solidariedade com anarquistas presxs

Liberdade para xs anarquistas russxs
Antifascista

Em resposta ao apelo de solidariedade vindo dxs companheirxs na Rússia, no dia 18 de Março, dia das eleições russas,  um grupo de anarquistas em Sydney concentrou-se junto ao consulado da Rússia. Distribuímos panfletos sobre a situação dos anarquistas e antifascistas presxs na Rússia  e entoaram-se palavras de ordem contra a polícia, prisões e regime de Putin.

em inglês

 

Portugal: Salvé Javier Recabarren, anarquista!

[memória negra e insurreta] Salvé Javier Recabarren, anarquista!

Percorria as ruas de Santiago do Chile com a convicção plena do que sentia, contra a polícia terrorista, contra uma sociedade que maltrata e tortura os animais e os seres humanos. A sua profunda revolta contra as grades das gaiolas e das prisões vinha directamente do seu coração. Selvagem e livre, percorreu como um cometa brilhante de amor e rebeldia a sua tão curta vida de anarquista. O companheiro Javier Recabarren morre atropelado por uma máquina assassina na mesma rua onde tantas vezes lutou (18 de Março de 2015). Indomável, corria-lhe nas veias essa sabedoria acrata, num jovem corpo de 11 anos de idade!

Salvé Javier! Honra à tua memória.
Vives em nós, vivemos contigo ao nosso lado. Com a memória negra e insurreta de todxs que se perfilam e nos animam, como tu Javier Recabarren!

Venceremos!!! (A)

em espanhol l francês l inglês

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Lisboa, Portugal: Crónica da concentração realizada junto à embaixada de Espanha a 13 de Março de 2018


recebido a 15.03.18

[Concentração contra a Repressão no Estado Espanhol realizada a 13 de Março de 2018, Lisboa]

No dia 13 de Março concentraram-se junto à Embaixada de Espanha, em Lisboa, cerca de 3 dezenas de pessoas em protesto contra a repressão que se tem feito sentir no Estado Espanhol e em solidariedade com todas as pessoas presas e perseguidas por exercerem o seu direito à liberdade de expressão. A faixa afixada de frente para a Embaixada ostentava a frase “Contra a vossa repressão, contra a vossa democracia, somos ingovernáveis”. Um megafone fez soar música combativa e palavras de ordem anti-autoritárias, e distribuíram-se flyers informativos com o texto que se segue:

Contra a repressão, solidariedade e insurreição!

Nas últimas semanas o Estado Espanhol voltou a evidenciar o seu carácter fundamentalmente repressor e fascista, tendo diversos músicos sido condenados a penas de prisão e multas, por insultos à monarquia e exaltação do terrorismo, outras pessoas acusadas e sentenciadas porfrases escritas em algumas redes sociais e a censura de uma exposição sobre presxs políticxs na maior feira de arte de Madrid.

Desde a aprovação da Ley Mordaza em 2013, o Estado Espanhol tem vivido um estado de excepção não-declarado, onde a mera expressão de opinião crítica ao regime tem como consequência graves penas, tendo assim o intuito de estender um clima de medo numa sociedade onde os movimentos sociais e a organização de base têm experimentado uma forte adesão nos últimos anos. Foi até criada uma rede por parte da Polícia Nacional Espanhola chamada “Stop Radicalismos”, renovada recentemente, que incentiva a denúncia aleatória de qualquer pessoa por motivos ideológicos ao melhor estilo de um regime totalitário.

Desde a instauração da  democracia este estado de excepção era já uma situação quotidiana em regiões como o País Basco onde, devido ao contexto de conflito histórico, a transição democrática nunca escondeu a continuação de um projeto de Estado centralizado, imperialista e fortemente repressivo.

Esta tendência de aumento e normalização da repressão não é exclusiva ao Estado Espanhol, sendo que em França o estado de emergência justificado pelos atentados de 2015 tornou-se permanente com a nova lei antiterrorista do governo de Macron.

A perseguição que habitualmente era aplicada a grupos minoritários de dissidência política, tais como anarquistas, independentistas, ou qualquer outro tipo de militante ou ativista social, generaliza-se como algo quotidiano que afeta todos e todas e aqueles e aquelas que se atrevem a tornar público um pensamento que põe em causa as bases do sistema capitalista, denuncia as suas estruturas opressivas e se arrisca a propôr novas formas de organização social.

Estas situações demonstram que esta democracia (que enche a boca a tantos defensores da liberdade de expressão) e ditadura são as duas face de uma mesma moeda, que se alternam de maneira a perpetuar um sistema de domínio, o capitalismo, cujo único objectivo é a reprodução de si mesmo.

Contra toda a vossa polícia, os vossos juízes, os vossos media, seremos sempre ingovernáveis!

Chile: Semana de Agitação pela memória de Javier Recabarren (11-18 Março)

A rotina apela à conservação de hábitos nefastos – cujo papel é a manutenção de uma vida fugaz – onde o fluxo constante de tarefas implica o esquecimento que enraíza  a vida actual.

A conservação da memória de todxs aquelxs que viveram resistindo ao esquecimento – lutando ao seu modo, de mão dada com as suas convicções e a atitude de incendiar a perspicácia que abre as portas do questionamento e à energia de ir a contra-corrente – é e será sempre parte do caminho de quem valoriza os passos dxs companheirxs que não estando já ao nosso lado continuam a acompanhar as nossas ideias e ações.

Desta forma e com base nas ideias anteriores, voltamos a convidar todxs a juntarem-se com  gestos concretos a uma nova semana de agitação em recordação do anarquista Javier Recabarren, passados que são 3 anos da sua morte.

Nota: Para saber mais sobre o companheiro, incentivamos a leitura de duas publicações (compilações) que realizamos no âmbito de duas chamadas antigas em sua memória: I e II.

em espanhol  l alemão

Colômbia: Saudações solidárias a Erin Coskun, presa anarquista (trans) na Turquia

Mensagem da CNA- a partir de dentro da prisão, recebida em espanhol a 02.03.18

Via Cruz Negra Anarquista de Bogotá

Saudação solidária a Erin Coskun, presa anarquista (trans) na Turquia

Olá querida, Diren:

Espero que estejas bem, pese as circunstâncias tão difíceis em que nos encontramos. Sou a Queen Violeta, Queer de Colômbia, e digo “nos encontramos”, porque eu também estou na prisão.

Enteirei-me do que se está a passar através de um amigo. A nossa luta talvez não seja para que nós triunfemos, mas para que vá abrir uma via para que as que venham depois tenham a possibilidade de disfrutá-la.

As mulheres trans têm a responsabilidade de fazer visível a nossa luta para se conseguir uma vida em condições mais justas e dignas. A nossa bandeira é a liberdade, de quem ninguém nos pode privar e ainda menos quando se trata de procurar a nossa felicidade.

Diren, acompanho-te à distância e envio-te toda a minha boa energia para que te sustentes na defesa e consecução dos teus objetivos, que se tornarão nos objetivos de outras que desejem continuar a nossa luta.

És admirável e um exemplo a seguir.

Mil abraços e beijos.

Tua companheira de luta:

Queen Violeta Queer, CNA- a partir de dentro da prisão

Nota de Contra Info: A prisioneira anarquista Diren Coskun, encontra-se em luta na Prisão Nº 2 de Tekirdağ, tipo F, na Turquia. Diren Coskun (mulher trans) começou uma greve de fome  a 25 de Janeiro. A Identidade de género é uma parte integral da existência humana. As reivindicações de Diren Coskun à administração prisional pelo direito à sua saúde também estão relacionadas com a proteção de sua integridade pessoal e respeito ao direito a personalidade própria.

em alemão

[Expulsão do bosque Lejuc, França] Comunicado “Bure por todo o lado, nuclear em lado algum”

O bosque Lejuc de novo ameaçado pela Andra e seus cães de fila? Habitemo-lo. Defendamo-lo. SE ELES OCUPAM, EXPULSAM-SE!    Apelo à mobilização imediata, em caso de ataque policial.

Está em curso a expulsão do bosque Lejuc, em Bure, desde as 6h30 desta manhã [22 de fevereiro]! Este bosque foi ocupado em 2016 – para atrasar a construção estaleiro CIGEO de l’ANDRA – por pessoas que lutam contra o lixo nuclear. Este é o ponto nevrálgico do projecto que deve acolher os poços de ventilação dos 265 km de galerias e onde serão acumulados 85000 metros cúbicos de resíduos radioactivos. Os militares auto-transportados chegaram e as pessoas estão a bordo. A escalada de repressão sofrida pelas pessoas que lutam em Bure chega ao seu ponto máximo.
A página vmc.camp foi bloqueada! Siga as infos em manif-est.info.

O Estado escolheu claramente enviar um sinal pela força… Num momento em que a treva invernal ainda não terminou. Num momento em que a Andra não poderá começar nenhum trabalho no bosque por causa do período de nidificação que começa a 15 de março. Num momento em que um saco de nós de recursos jurídicos e administrativos prende ainda o homem do lixo ao átomo: recurso administrativo contra a propriedade da Andra que se seguiu à troca municipal do bosque a 18 de maio de 2017; necessidade de uma avaliação ambiental prescrita pela Autoridade Ambiental em outubro de 2017, etc, a Agência não pode começar os seus trabalhos preparatórios.
O Estado responde através de uma operação de expulsão surpresa, com um grande dispositivo (500 polícias) e uma propaganda mediática sábia e bem oleada desde cedo, em todas as frentes.

Como em 2012 em Notre-Dame-des-Landes, os bulldozers seguem-se imediatamente às tropas, arrasa-se rapidamente os locais de residência sem deixar tempo para recuperar haveres pessoais. Seguindo-se a uma primeira expulsão do bosque em julho de 2016, as máquinas da Andra destruiram ilegalmente uma parte da árvores antes que a oposição pudesse reinvestir e reocupar a floresta em meados de agosto de 2016.

A 20 de setembro último, aquando de um mandato de busca sobre os diferentes locais de residência em Bure, dezenas de concentrações floriram por toda a França, e criaram-se  rapidamente comités de luta. Devemos agora continuar a organizar-nos em cada lugar e por toda a França. Mais do que nunca, Bure deve estar por todo o lado, fazer parte de nós; devemos ser milhares a levantarmos-nos agora contra o horror nuclear e a atomização que se prepara, e reagir.

Além destas considerações, resta a questão da fundamentação deste projecto levado a cabo por este governo, sem nenhum diálogo, na mais completa opacidade! Trata-se de não perder de vista que esta decisão de enterrar resíduos altamente radioactivos é uma solução para
nucleocrátas, essencial para a continuação do nuclear!

A SITUAÇÃO DE BURE NÃO É UM PROBLEMA  DOS NATIVOS, A OCUPAÇÃO DO BOSQUE LEJUC É UMA BARRICADA NO CORAÇÃO DA CADEIA DE PRODUÇÃO NUCLEAR E SEU MUNDO EM GERAL.

1) Chamada para apoio no Bosque Lejuc: precisamos de gente aqui!

2) Concentrar-se frente à câmara, hoje, é denunciar estas formas expeditas de acção contra um movimento que se opõe a uma lixeira nuclear e o seu funesto mundo (de merda)!

Siga-nos em vmc.camp (de momento em baixo) / burestop.eu / e sobretudo aqui

Nunca nos atomizarão! Que Bure viva por todo o lado!
Para nos contactar: burepartoutnnp@riseup.net

em francês

 

[França] A propósito do 2º processo do caso “Máquina de expulsar”


[7 companheirxs de afinidade começarão a ser julgadxs a 31 de Janeiro, no Tribunal Distrital de Paris, na 16ª câmara do tribunal correccional]

Solidariedade com xs acusadxs da luta contra a máquina de expulsar.

Em 2010, duas vagas de buscas e múltiplos procedimentos relacionados com diversos ataques (incendiários ou não), umas vezes relacionados e outras não, no contexto de uma instrução tentacular, vêm reprimir a fase ofensiva de luta contra a máquina de confinar e expulsar os sem-papéis que aumentou de intensidade após o incêndio do centro de retenção de Vincennes pelxs próprixs detidxs a 22 de Junho de 2008. Após o abandono por parte do ministério público das acusações mais pesadas e de anos de procedimentos plenos de inconsistências manifestamente feitas para justificar os meios de vigilância, controlo judicial e encarceramento preventivo, dez companheirxs de afinidade encontram-se no entanto convocadxs perante a justiça. Um primeiro processo que envolveu quatro pessoas, três das quais foram presas em 2011, teve lugar em Junho de 2017. Uma delas foi considerada não culpada, três outras sofrem 4 meses de pena suspensa e 500 euros de multa por desfiguração colectiva de edifício (tags) e recusa em fornecer ADN. Uma das pessoas apelou desta decisão e deve ser re-julgada brevemente.

A 31 de Janeiro serão sete as pessoas que estarão presentes a tribunal (uma delas já tinha sido ouvida no julgamento de Junho). A lógica é a mesma: depois de um deboche de meios policiais e judiciais, quatro pessoas serão responsabilizadas apenas pela sua recusa de fornecer ADN e pela sinalética, enquanto xs outrxs três são acusadxs, além destes factos, da degradação em ocupações selvagens das instalações das empresas que participam na detenção e expulsão de imigrantes indocumentadxs (neste caso Air France, SNCF e Bouygues Telecom).

Através desta repressão – na qual os processos em curso constituem o epílogo fraudulento – foram as dinâmicas de lutas autónomas e auto-organizadas que foram visadas, procurando-se quebrar as ligações que foram então construídas entre as lutas no exterior e no interior dos Centros de Retenção Administrativa. Mais amplamente, tratava-se de acabar com as formas de luta auto-organizadas e ofensivas que a partir de 1996, no seio do movimento dito dxs “imigrantes indocumentadxs”, se opuseram aos partidos, aos sindicatos, às lógicas de gestão humanitárias, para defender a liberdade para todxs, com ou sem papéis. Embora a recusa da política de triagem de imigrantes e a luta contra os meios repressivos que a acompanha tenha tomado várias formas – colectivas e de “afinidade”, privilegiando, de acordo com diferentes momentos ou em simultâneo, a agitação pública e o ataque difuso – é a perspectiva de oposição concreta à máquina de prender e expulsar que fará a ligação entre as diferentes fases deste período de luta.  Atacar aquelxs que participam e lucram do confinamento e da expulsão de imigrantes sem documentos, através de mobilizações descentralizadas (contra a Air France, Accor, Bouygues, Carlson Wagonlit, Cruz Vermelha …) ou, de forma mais pontual e difusa, contestar as expulsões, organizar-se contra ataques, e evitar a construção de novos lugares nos centros de detenção – seja por ataques, ocupações, manifestações ou visitas hostis de dia e de noite – é ainda lutar pela liberdade de todos e todas.

Hoje esta questão é mais actual do que nunca. Agora que um novo projeto de lei planeia aumentar ainda mais o período de retenção para mais de três meses, para classificar xs imigrantes às portas da União Europeia – quando estxs são cada vez mais numerosxs – colocando em crise a gestão desses dispositivos, ainda mais urgente é criar os meios para impedir a implementação concreta dos dispositivos de confinamento, repressão e expulsão.

No entanto – neste período extremo de agitação e de crise internacional da gestão migratória – nenhuma intervenção subversiva esteve à altura dos desafios nestes últimos anos de modo a ser pressionada realmente a gestão das migrações e a sua co-gestão humanitária.  As práticas e a elaboração ofensiva destas lutas – de formas variadas e vivas – assim como as análises que fizeram da criatividade destas lutas estão esclerosadas, a sua vitalidade perdeu-se. Na falta de perspectivas revolucionárias, o desencorajamento faz o seu caminho e as lógicas “pragmáticas” e “realistas”, quer dizer humanitárias, triunfam. Ouve-se falar de “apoio aos/às refugiadxs”, quando as lutas tinham imposto a recusa destas denominações de Estado (ou de co-gestores) que validem a triagem de imigrantes – a regularização pela normalidade, pelo trabalho, família ou o amor à pátria  assim como desta posição de “apoio” que condena à impotência e ao paternalismo, e na qual se instalam doravante aquelas e aqueles que queriam ao invés acabar com as fronteiras e com o encarceramento sob todas as suas formas. Uma época de pacificação e de confusão cuja página deve ser rapidamente virada, com a memória do que estas lutas poderiam ser, do que elas poderiam ter de verdadeiramente ofensivo, e a vontade de voltar a percorrer os caminhos da subversão do existente, dos seus defensores e dos seus falsos críticos.

Em vez dos betumes políticos e identitários, das crispações egotistas e dos modos de afirmação política que não podem senão aprofundar-se na separação e no isolamento – envernizando a vaidade de radicalidade e as derivas nas quais se atola o monótono filme que vivemos – precisamos de encontrar novos espaços de luta desinteressados e comuns, sem deuses e sem chefes, nos quais não esteja em causa situar-se, ou ser situado, seja num plano político, de afinidade ou de identidade.

Mais do que reconstruir o passado para estabelecer uma mito-poiesis por despeito de um presente decomposto, e de delimitar lugares predefinidos – em despeito de um passado no qual as divergências se pudessem exprimir, dialogar, confrontar-se na construção comum de perspectivas revolucionárias – é urgente desenhar na memória lutas multiformes, vivas e abundantes que alimentem a nossa recusa deste mundo, do Estado e das suas fronteiras.

Estes dois processos – tal como todos os outros impostos àquelas e àqueles que lutam – são golpes – entre tantos outros – levados a cabo pelo Estado na guerra social desde sempre em curso. Cabe-nos assim retomar a iniciativa e a ofensiva, mais do que continuar a sofrer.

Não nos deixemos julgar em silêncio.
Liberdade para todos e todas, com ou sem papéis.
Fogo a todas as prisões!

pafledab@canaglie.net

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