Arquivo de etiquetas: Pola Roupa

[prisões gregas] Pola Roupa, companheira da Luta Revolucionária, sentenciada a prisão perpétua mais 25 anos

[A sentença refere-se a um ataque explosivo ocorrido 10 de Abril de 2014 contra a sede do Banco da Grécia, em Atenas]

O Tribunal impôs uma sentença de prisão perpétua mais 25 anos à companheira Pola Roupa, adotando a proposta de sentença do acusador do ministério público Drako. A sentença de prisão perpétua a que o companheiro Nikos Maziotis foi condenado, em 2016, pelo mesmo ataque não é apenas uma vingança radical contra os dois rebeldes não arrependidos e coerentes que não foram entregues à prisão em 2013 no final do primeiro julgamento da Luta Revolucionária – entraram na clandestinidade a fim de continuar as ações da Organização. Isso prova, de acordo com os argumentos do acusador Drako, a periculosidade das ações da Luta Revolucionária como um meio de minar e derrubar a economia e o Estado.

Recordemos que o acusador Drako afirmou no seu discurso que o ataque ao Banco da Grécia poderia causar o colapso do prédio e que, se o prédio tivesse entrado em colapso, o sistema financeiro e a economia do país entrariam em colapso.

A sentença de prisão perpétua para Roupa, tal como para Maziotis, confirma do lado do inimigo, isto é, do Estado, a correção da estratégia da Luta Revolucionária, que considerava que os principais golpes em estruturas-chave de um sistema já enfraquecido em crise poderiam causar o seu colapso.

Solidariedade à Luta Revolucionária

em inglês via 325nostate l italiano

Atenas, Grécia: Hospitalização involuntária de Nikos Maziotis e Pola Roupa

Os membros da Luta Revolucionária Nikos Maziotis e Pola Roupa encontram-se em greve de fome desde 11 de Novembro de 2017.

Xs dois companheirxs presxs estão a lutar contra medidas de isolamento; contra disposições específicas do novo código correcional destinadas a reprimi-lxs como prisioneirxs de alta segurança; contra a proposta de detenção de prisioneirxs de alta segurança nas esquadras de polícia; contra a pretendida reintegração do regime prisional do tipo C. Elxs também exigem o fim imediato do isolamento imposto sobre Nikos Maziotis (desde Julho, o companheiro é mantido isolado de outrxs presxs por uma decisão do ministério da justiça); uma extensão das horas de visita com base na frequência das visitas que um prisioneiro tem; salas apropriadas de visita para xs pais presxs se encontrarem com seus filhos.

Deixaram claro desde o início que apenas receberiam água. Repetidamente pediram para receber uma comunicação telefónica sem obstáculos com o seu filho de seis anos, antes de serem transferidxs das prisões de Koridallos para qualquer hospital.

Em 2 de Dezembro, Nikos Maziotis e Pola Roupa foram transferidxs para um hospital fora das prisões, devido à deterioração de seu estado de saúde. No entanto, no próprio dia, ambos xs companheirxs pediram que fossem enviadxs de volta para as prisões, porque, eventualmente, não era permitida a comunicação telefónica sem obstáculos com o seu filho.

Em 4 de Dezembro, Nikos Maziotis queimou e destruiu a seção de isolamento B na cave da prisão feminina de Koridallos, onde foi mantido em prisão solitária durante 5 meses. Foi então transferido para a enfermaria da prisão, por causa dos fumos, e ameaçado com maior isolamento – desta vez numa unidade disciplinar das prisões de Koridallos.

Às primeiras horas do dia 5 de Dezembro os grevistas da fome Nikos Maziotis e Pola Roupa foram transferidxs à força para fora das prisões de Koridallos.

O procurador da prisão ordenou a sua hospitalização involuntária. Estão a ser mantidxs no Hospital Geral do Estado de Nikaia, ambxs ameaçadxs de alimentação forçada. Até ao momento, os médicos do hospital não cederam ao pedido do promotor.

Nikos Maziotis e Pola Roupa continuam a sua greve de fome. Declararam que não aceitarão soro e irão agir contra o tratamento involuntário e a alimentação forçada (tortura) de todas as formas possíveis.

(todas as postagens relacionadas em grego)

em inglês, alemão

Hamburgo, Alemanha: Ataque à frota da Sicherheit Nord e chamada à luta anarquista

Sabotagem é isso: meios adequados, fachada da autoridade arrebatada. Quando e onde as agências da Segurança se guardam a si próprias – movimentando-se nesse sentido e, em seguida, se encontram perante os escombros das ferramentas que a mantêm de pé – o seu poder torna-se visivelmente questionado e mais e mais infracções da lei serão encorajadas.

Como no caso da Suíça, a empresa de construção Implenia tem visto a sua participação  em projetos penitenciários ser paga com máquinas de construção em chamas. Como no caso da Vinci, SPIE ou Eiffage, em França, devido a conexões semelhantes com a repressão.

No dia 13 de Novembro em Hamburgo, Barmbeck, a frota da Sicherheit Nord foi destroçada, incendiámos vários veículos. A Sicherheit Nord tem acordos de cooperação com a bófia em dez estados federais, protegendo a base da NATO em Lüneburg e as embaixadas, estabelecendo o aprovisionamento de refugiados e lojas em bairros que pareçam inseguros para os que dominam.

Esta acção e este texto são para nós. Para xs milhares que tornaram o levante de Hamburgo possível. Para xs prisioneirxs. Para as pessoas afectadas pela Operação “Scripta Manent”em Itália. Um fogo em solidariedade com Nikos Maziotis e Pola Roupa, em greve de fome, e uma saudação para Konstantinos G., em prisão preventiva, acusado de envio de carta-bomba e de pertença às CCF. Liberdade para Lisa, acusada no processo de assalto a bancos de Aachen!

Estamos comprometidos com uma luta contra o Estado, a todos os níveis. A repressão não nos poderá deter.

Para a anarquia – Grupos Autónomos

P.S. O mais difícil de ser captado…
É provável que o prejuízo resultante para a Sicherheit Nord seja manejável. Atualmente, pode até nem ser possível medir o sucesso das lutas através dos danos materiais ao Estado e aos seus servos.

Conforme se demonstrou – através dos grandes tumultos ocorridos em Julho e também nos ataques militantes, no período anterior ao G20 – o propósito de uma estratégia ofensiva de atacar e de lidar com a polícia, como a forma mais visível e não interpretável, é fortalecer as posições antagónicas. Observou-se com que facilidade o estado forneceu 40 milhões de euros para mitigar os danos perceptíveis à burguesia de Hamburgo; pouco antes os enlutados pela série de 9 assassinatos nas estruturas nazis com o conspiratório nome soando NSU confortaram-se com os 900 mil euros que foram jogados fora.

As campanhas com o objetivo duma quantidade predeterminada de danos à propriedade têm, na melhor das hipóteses, um aspecto desportivo. O carácter de uma cena que não é política, perseguindo objectivos mas esperando-os do evento, também. Evento para saltar e que a miúdo, no seu consumismo, expira. A campanha do ano passado pela Rigaer 94 não deveria fazer isso, mais comentários é nocivo. Mas destacam-se a série de ataques contra a Cimeiro do G20, sem problemas, nesta fase muito ativa de grupos pequenos, embora a continuidade do conteúdo tivesse ficado atrás da prática contínua.

Depois dos tumultos ficou à vista que existem poucas estruturas anti-estatais que sejam pela violência. O compromisso com a abordagem ofensiva (foi escolhido a das estruturas militantes) – e tal como em relação a grupos  que tinham pretenciosamente prometido o inferno – sofreu ameaças governamentais e a perseguição dos media. Porque estes factos não são compreensíveis: suporta-nos a história de um movimento radical de esquerda com experiência na estratégia governamental contra a revolta e esmagamento das estruturas de oposição. Nela podemos apreender, se lhe quisermos dchamadaatenção, a traição que esse distanciamento público constitui. Uma ausência de ação, depois desta Cimeira de resistência é, no máximo, impróprio. Incompreensível é também a preocupação com as consequências graves que virão se se trabalhar visivelmente com as estruturas.  A proibição do Linksunten.indymedia.org é o único caso que o estado assim como assim poderia dar-se ao luxo de ter uma ação populista para bloquear uma estrutura que, de todos os modos, no nosso entendimento, no seu papel central era defeituosa. Vale a pena assinalar que o Linksunten já não tinha sido antes porque  a ligação desligada foi tomada – e este meio pode voltar a ser usado a qualquer momento, se necessário, para voltar a estar operacional. E se olharmos para o caso da França, vemos um exemplo de como se pode ultrapassar a censura dos sítios da internet: O Indymedia anunciou que continuará a ser acessível no endereço Onion.

Não existe nada significativo neste momento. As consequências são de esperar, ser militante é um termo mais amplo que se envolver em atividades de impacto e pequenas escaramuças. Necessitamos de mais pessoas que se sintam vinculadas a posições antagónicas nas suas batalhas locais para as dar a conhecer e propagar. Necessitamos de estruturas alternativas outra vez, a luta anti-estatal a sentir-se conetada, auto-organizada e com grupos de ajuda-mútua, grupos de vizinhos, individuais e coletivos, lidando com o nosso bloco negro e os nossos pequenos grupos “noturnos”, a comunicarem-se olhos nos olhos. Sobre os objetivos, as estratégias e os meios.

Na Cimeira do G20 mostramos que somos capazes de atuar, en interação com algumas estruturas de ação aberta, a organização do acampamento, a rede de apoio sanitário, o comité de investigação, algo semelhante precisamos ter. Tal interação deve desenvolver continuidade. Neste momento, onde todxs temos um considerável êxito na nossa tufarada podemos escrever a nossa memória coletiva ainda fresca e que já não está aleatória. A vida quotidiana da cena entre Soliparty e os plenários, perdidos estão.

de.indymedia (alemão)

Tessalónica, Grécia: Lambros Foundas através das nossas chamas (ataques a casas de polícias)

Lambros Foundas vive através das nossas chamas

Declaração de responsabilidade pelos ataques às casas dos polícias Efthimis Efthimiadis e Ilias Hajis.

Em 10 de Março de 2010, um anarquista e membro da Luta Revolucionária, Lambros Foundas, é executado em Dafni durante a expropriação de um veículo que iria ser usado num ato de violência revolucionária da organização.

O incêndio das residências dos polícias Efthimis Efthimiadis (no nº 20 da rua Kiprou, em Agios Pavlos) e Ilias Hajis (na rua Papanastasiou em Sikies, Tessalónica), às primeiras horas de 9 de Março, é a nossa homenagem mínima à memória de um companheiro que foi morto pelos tiros do exército metropolitano de ocupação da democracia, lutando pela Revolução.

Combatentes mortos são a razão e a causa da continuação da nossa luta revolucionária.

Na quinta-feira de 5 de Janeiro, são detidos xs membros da Luta Revolucionária Pola Roupa e Kostandina Athanasopoulou. Durante a prisão da companheira Pola, os polícias encapuçados da força antiterrorista sequestraram o seu filho de 6 anos e, sob a ordem do Procurador de Menores Nikolou, transferem-no para a ala psiquiátrica do hospital Pedon, sob guarda.

Os três membros da Luta Revolucionária, Pola Roupa, Kostandina Athanasopoulou e Nikos Maziotis, a partir do momento da detenção de Pola e Kostandina, iniciam uma greve de fome, exigindo a libertação imediata da criança de 6 anos e a sua entrega à custódia dos familiares.

A mensagem é clara: contra a teimosia dos revolucionários, a repressão desenrola a mais suja e anti-ética das armas. Porém esta tentativa desprezível  dos mecanismos, para extorquir e se vingar dxs presxs, encontrou pela frente a determinação dxs 3 membrxs da Luta Revolucionária, assim como uma dinâmica de luta multiforme – através de uma série de acções de apoio político e de solidariedade agressiva – levantando uma barreira temporária à vulgaridade  da repressão.

Toda a acção da Luta Revolucionária pode ser convocada na aplicação de uma estratégia revolucionária desestabilizadora do regime. As 3 greves repressivas contra a organização, após a execução do companheiro Lambros Foundas, e a segmentação de um círculo mais amplo de indivíduos – baseado no contato e nas relações que tinham com membros da organização, a recompensa de 1 milhão de euros por dois membros, a lesão durante a prisão do companheiro Nikos Maziotis em Monastiraki, o sequestro de uma criança de 6 anos, as recentes ameaças contra a companheira Pola (plano para a assassinar e a tentativa de suborno do membro do parlamento europeu pelo Syriza, Kostandina Kouneva) e a recusa de conceder licenças ao companheiro Kostas Gournas, ilustram o medo das autoridades à estratégia da luta armada.

No verão de 2002, as autoridades tentaram, através das prisões dos membros da organização 17 de Novembro, impor o medo da resistência e a futilidade da propaganda armada. O estrondo da explosão da bomba da Luta Revolucionária nos tribunais de Evelpidon, na madrugada de 5 de Setembro de 2003, foi o fim dessa tranquilidade, ordem e segurança; 14 anos depois, há tentativas das autoridades para impor a mesma futilidade. A história nos chama para provar, uma vez mais, que eles estão errados. Vamos organizar a nossa auto-defesa colectiva, da qual surgirão formações agressivas de violência revolucionária.

Violência à violência expressa pelos mecanismos repressivos em nome da ordem e da segurança contra as partes combatentes.

Sangue ao sangue dxs revolucionárixs mortxs, assassinadxs pela repressão internacionalizada.

Ataque por todos os meios às transportadoras e representantes da repressão.

Ataque através das lutas e manifestações, ataque aos centros de tomada de decisão e esquadras de polícia, ataque às suas casas.

Solidariedade aos combatentes e rebeldes presxs por todo o mundo, de Standing Rock, no Dacota, até aos subúrbios franceses flamejantes.

Quanto a Tsoutsouvis, Kassimis, Foundas, Morales e todos os mortos revolucionários, a luta continua.

Organização de Ação Anarquista

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México: Atentado explosivo contra a petroleira EXXON, em solidariedade com xs anarquistas do caso Aachen

Comunicado recebido juntamente com as fotos a 17/04/2017

Depois da meia noite…

Atendendo à chamada de ação em solidariedade com xs anarquistas do caso Aachen – a 16 de Abril de 2017, aproximadamente à 1:30 horas – colocámos um dispositivo explosivo que detonou nas instalações da petroleira EXXON, na Cidade do México, situada na via norte 59, colónia Industrial Vallejo.

EXXON é uma corporação petroleira e química com sede no Texas, EUA, que conforma em si mesma um historial criminal completo – assassina, genocida e ecocida. O seu larguíssimo currículo de devastação não tem poupado no derramamento de sangre, morte, tortura e exploração, onde quer que cheguem os seus tentáculos. E a seguir, quando se calam os gritos dos massacres que provoca, cava ela mesma as tumbas das suas vítimas – fazendo exatamente o mesmo do que faz com as mesmas máquinas – quando suga o suor da terra e dos seres humanos.

Mas agora foi a vez dela. Toma aí a nossa oferta de ódio e raiva! … porque nada é intocável. Porque não nos intimida o pesado silêncio que impuseste – com base no me do e com violência – sobre os teus crimes, nem tampouco nos intimida a estreia do teu secretário de Estado…

Estás a festejar agora os teus três contratos de licenciamento de gigantescos blocos de hidrocarbonetos no leito marinho do Golfo do México? Nós festejaremos a sabotagem! Que cresça a ira! Não há ações pequenas! Viva o ataque frontal e o caos!

I. E continua a dar…

Por aqui vive-se um clima de angústia pela difusão do medo perante o facto de “o novo governo Trumpista «tinha começado» um pacote de medidas agressivas, racistas, violentas contra «o povo mexicano». Ah! Co-me-ça-do? Como se alguma vez tivesse existido a situação contrária! Há muito, mas muito tempo, que o que temos cá é um sistema de domínio colonial dos grandes mercadores e dos donos financeiros e militares do que chamam América do Norte às nossas costas!

Mas a manipulação mais importante  – a que está na base desta nova versão de difusão de temor- é o retorno ideológico aos nacionalismos que se encontra no seio das necessidades de reconfiguração atual do capital. Uma verdadeira representação teatral camaleónica fascista!

Mas a que chamam de ‘o povo do México’? Se o que há aqui é um prisma de diferentes faces brigando por território e poder, oprimindo-se entre si, em constante luta! Tiremos-lhes de uma vez o véu dos fetiches nacionais! A crença na nação só perpetua o racismo! Tiremos-lhes a cadeia idealógica da crença no “povo”! A crença no “povo” só limita o livre desenvolvimento e autoafirmação da vontade humana! Não são mais que fantasmas a cegar-nos!

Já não acreditamos em fantasmas …olhamos para os seres humanos reais e para os seus apetites.

II. Sobre o muro chamado estados criminosos

Vão colocar um muro? Agora é apresentado como uma novidade a tragédia da construção de um muro entre México e EUA. Mas se há tanto tempo que esse muro foi posto! Fisicamente numa terça parte da fronteira, mas historicamente pelas vias das intervenções militares, políticas e económicas que assassinam os migrantes na sua passagem pelo México, através de ambas as fronteiras, tanto a norte como a sul. Tudo isso em conjunto com os hipócritas funcionários do Estado mexicano. E aos olhos de todos…

E que o despojo sistemático que provocou um deslocamento forçado das populações? Aquele que o patrão exportador extrativo impõe na América Latina, para benefício das grandes corporações internacionais e de 1% da classe parasitária no poder (que administram violentamente os estados latinoamericanos mediante as leis e grupos paramilitares)? Esse deslocamento das populações despojadas de tudo em busca dos meios necessários para sobreviver? Mas que a cada passo só encontram racismo, violência, escravatura, morte?
Milhares de desaparecidos. Onde estão?

E que existirão deportações em massa? Obama  bateu recordes de deportações também! Pensamos que a constante ameaça de deportação tem o efeito de manter o clima de medo necessário para se aceitar um recrudescimento da exploração, para manutenção da taxa de acumulação de capital. De modo que pensamos que esta política da deportação não passa de uma estratégia mais para a intensificação da fase de sobre-exploração laboral e de destruição da natureza de um lado e outro da fronteira. Destruamos os muros! Destruamos as mercadorias! Destruamos o trabalho!

Solidariedade com xs anarquistas do caso Aachen! Força companheirxs!
Solidariedade com xs companheirxs sequestradxs em Koridallos e com a companheira Pola Roupa! Força companheira!

Pela célula de difusão do Comando Feminista Informal de Ação Anti-autoritária
(COFIAA)

Atenas: Atacada sede do SYRIZA em solidariedade com a Luta Revolucionária

Na madrugada de sábado, 7 de Janeiro de 2017, rebentámos a fachada da sede do SYRIZA, no bairro ateniense de Kato Petralona. Esta ação é uma pequena resposta anarquista às detenções de Konstantina Athanasopoulou e de Pola Roupa, membras da Luta Revolucionária assim como ao cativeiro do filho de Pola Roupa.

Solidariedade com xs guerrilheirxs urbanxs.
Força a todxs xs anarquistas presxs.
Luta por todos os meios.

Anarquistas

Atenas: Colocada faixa na Okupa Themistokleous 58 em solidariedade com a Luta Revolucionária

Viva a Luta Revolucionária!

A 5 de Janeiro de 2017, os asquerosos da unidade anti-terrorista detiveram as combatentes anarquistas e membros da Luta Revolucionária Pola Roupa e Konstantina Athanasopoulou. Ao mesmo tempo foi capturado o filho de seis anos de Pola Roupa e Nikos Maziotis, metendo-o dentro de uma clínica psiquiátrica. Como resposta às tentativas de separar o filho dos seus revolucionários pais, xs três membrxs da Luta Revolucionária realizaram uma greve de fome e sede, obrigando as autoridades a entregar o pequeno à avó, embora esteja pendente uma decisão final acerca da sua custódia.

No domingo passado, 22 de Janeiro, colocámos na okupa uma faixa onde se pode ler em persa, inglês e grego “Viva a Luta Revolucionária”. Com este pequeno gesto internacionalista enviamos forças aos/às membrxs não arrependidxs da Luta Revolucionária e declaramos que estamos ao lado daquelxs que se armam para atingir as pessoas e estruturas que compõem o Estado/Capital e a dominação.

DE ATENAS ATÉ TEERÃO
MORTE A TODOS OS SERVOS DO ESTADO

Okupa Themistokleous 58

em grego,espanhol

[Grécia] 21 de Janeiro de 2017: Jornada de Acção em solidariedade com a Luta Revolucionária

No cartaz pode ler-se:

“Sou uma revolucionária e nada tenho a desculpar-me.
Terroristas, criminosos, ladrões são aqueles que compõem a vida económica e política; as instituições e os governos que, por intermédio dos memorandos, travam o ataque mais violento e hediondo contra a base social em nome de uma “forma de sair da crise”. Terrorista, criminoso, ladrão é o Estado e o Capital; aqueles contra quem a minha luta com toda a minha alma se tem dirigido, na luta armada, na Luta Revolucionária; aqueles a quem a minha organização tem tido como alvo em todos estes anos da nossa atividade.

(…) Quando o sistema económico e político ataca a maioria social da maneira mais impiedosa possível, a luta armada pela revolução social é um dever e uma obrigação; porque é aí que a esperança reside, em nenhum outro lugar.
A única esperança para uma saída definitiva da crise sistémica que estamos a viver neste período histórico ou uma saída definitiva de cada crise. É a única esperança para derrubar o capitalismo, o sistema que dá origem a crises; a única esperança para derrubar o Estado e o Capital.

É a única esperança para um contra-ataque armado da base social contra um sistema que os esmaga.

É a única esperança para derrubar o Estado e o Capital; para a revolução social.

Por uma sociedade de igualdade económica e liberdade política para todos ”

“Eu sou uma anarquista, membra da organização revolucionária armada Luta Revolucionária. Os únicos terroristas são o Estado e o Capital.”


Manifestação em solidariedade com xs membrxs da Luta Revolucionária

Sábado, 21 de Janeiro de 2017, às 12:00 em Monastiraki (centro de Atenas)

SOLIDARIEDADE COM XS MEMBRXS DA LUTA REVOLUCIONÁRIA

NENHUM STATUS DE EXCEPÇÃO PARA PRESXS POLÍTICXS

LUTA CONTRA O ESTADO E O CAPITAL POR QUALQUER MEIO

– Assembleia de Solidariedade (Atenas)

Texto completo do texto em grego; inglês

Grécia: Lambros-Viktoras Maziotis Roupas confiado a parentes

Faixa pendurada na Okupa anarquista Utopia A.D, em Komotini, norte da Grécia: “Seis anos de idade cativa; O ódio está a crescer; Bófia-juízes-
media corporativa imunda, assassinos “

Hoje, domingo 8 de Janeiro de 2017 – após uma nova ordem do representante do ministério público – a custódia temporária de Lambros-Viktoras Maziotis Roupas foi dada à avó do lado de sua mãe, tendo finalmente terminado, então, o seu cativeiro na unidade psiquiátrica do hospital infantil em Atenas. A criança de seis anos deixou o hospital, escoltado pelos seus parentes em primeiro grau.

Enquanto isso, houve protestos de prisioneirxs em prisões de homens e de mulheres de Koridallos, prisão de mulheres de Elaionas em Tebas e na prisão de Trikala.

Os membros da Luta Revolucionária Nikos Maziotis, Pola Roupa e Kostantina Athanasopoulou interromperam a sua greve de fome e sede.

Um tribunal decidirá sobre a custódia final da criança, dentro de seis meses.

em inglês, italiano

Atenas, Grécia: Três prisioneirxs da Luta Revolucionária em greve de fome e sede – Lambros-Viktoras Maziotis Roupas raptado

Na madrugada de 5 de Janeiro de 2017, duas membras da Luta Revolucionária, a companheira fugitiva Pola Roupa e a anarquista Konstantina Athanasopoulou, foram capturadas num dos subúrbios da zona sul de Atenas. A bófia da seção anti-terrorismo tomou de assalto um esconderijo onde se encontrava Pola e o seu filho de seis anos, enquanto Konstantina era presa noutra casa próxima.

Separado da sua mãe à força, Lambros-Viktoras Maziotis Roupas –  o filhinho dos membros da Luta Revolucionária Nikos Maziotis e Pola Roupa – é mantido em cativeiro num hospital pediátrico e vigiado pela polícia (!), sem direito a ver os parentes mais próximos ou até mesmo o representante legal dos pais.

As autoridades gregas, e em particular a representante do ministério público para menores, Sra Nikolou, continuam a recusar-se a confiar a criança aos parentes em primeiro grau de Pola Roupa.

Em resposta a isso, a 5 de Janeiro, três membros da Luta Revolucionária – o prisioneiro anarquista Nikos Maziotis, a recapturada companheira Pola Roupa e a recém- presa Konstantina Athanasopoulou – deram início a uma greve de fome e sede, exigindo que a criança de seis anos seja imediatamente confiada à tia e à avó (do lado da mãe).

Numa carta aberta, Nikos Maziotis declara, entre outras coisas, que: “O nosso filho é filho de dois revolucionárixs e está orgulhoso dos seus pais. Não sucumbiremos a qualquer chantagem. Defendemos as nossas escolhas com a nossa própria vida“.

A 6 de Janeiro, durante a transferência das duas mulheres ao tribunal Evelpidon, Pola gritou: “Os vermes levaram o meu filho prisioneiro para Paidon (Hospital Infantil de Atenas), vigiado por polícias armados; aos seis anos é um prisioneiro de guerra” e “Viva a Revolução! “. Pola acrescentou ainda: “Sou uma revolucionária e nada tenho a desculpar-me“.

Indica-se a seguir a declaração de Konstantina:

Sou uma anarquista, membro da organização revolucionária armada Luta Revolucionária (Epanastatikos Agonas). Os únicos terroristas são o Estado e o Capital. Recuso-me a comer e beber seja o que for até que o filho dos meus companheiros Pola Roupa e Nikos Maziotis seja entregue aos parentes deles.
Konstantina Athanasopoulou
“.

Lá dentro, prisioneirxs anarquistas e outrxs reclusxs de diferentes alas das prisões de Koridallos, para mulheres e para homens, montaram um protesto conjunto – recusando-se a entrarem nas celas – reivindicando o fim imediato do cativeiro de Lambros-Viktoras, em solidariedade com xs prisioneirxs da Luta Revolucionária atualmente em greve de fome e de sede.

Cá fora, companheirxs de várias cidades ao longo de toda a Grécia realizaram diversas ações em apoio imediato aos/às revolucionárixs anarquistas, exigindo que seja concedida aos parentes em primeiro grau da Pola Roupa a visita imediata e a custódia do seu filho menor de idade.

Força a Konstantina Athanasopoulou, Pola Roupa e Nikos Maziotis, membroxs orgulhosxs da Luta Revolucionária.

A Luta Revolucionária não irá depôr as armas nem se renderá aos inimigos da liberdade.

 em inglês, alemão, italiano

Prisões de Korydallos: Nikos Maziotis, membro da Luta Revolucionária, na tentativa de escape e sentença de prisão perpétua

prison-breakTexto do anarquista Nikos Maziotis acerca da operação de escape das prisões de korydallos e da sentença de prisão perpétua proferida no âmbito do 2º julgamento da Luta Revolucionária

A tentativa de escape da prisão de Korydallos de helicóptero, a 21 de Fevereiro de 2016 – uma operação levada a cabo pela companheira Pola Roupa, membro da Luta Revolucionária – foi um ato revolucionário, uma ação de guerrilha para a libertação de prisioneirxs políticxs. Era um meio de continuar a actividade da Luta Revolucionária, uma resposta a operações repressivas do Estado contra a nossa organização e outrxs presxs políticxs, companheirxs que estão na prisão por atividade armada, além do mais. Foi, por conseguinte, um ato de solidariedade exemplar, de grande e única importância. A operação de escape da prisão foi um passo no sentido de continuar a atividade revolucionária armada; promovendo a luta pelo derrube do Estado e Capital; deitando abaixo a política do estabelecimento de programas de resgate impostos pela troika dos mandantes supranacionais do país, a CE, BCE e FMI, ao qual o ESM foi adicionado – através da promulgação e implementação do terceiro programa do memorando pelo governo liderado pelo SYRIZA. A luta armada nas circunstâncias actuais é mais oportuna e necessária do que nunca. O fracasso desta operação não nos irá dobrar. Lutaremos enquanto vivermos e respirarmos.

A Luta Revolucionária provou que tem permanecido de pé ao longo dos anos, não obstante os sucessivos golpes repressivos e sacrifícios; o sangue do companheiro Lambros Foundas, que foi morto em 10 de Março de 2010, num tiroteio com a polícia no distrito de Dafni, Atenas, durante uma acção preparatória da organização; as nossas prisões um mês depois, a 10 de Abril de 2010, na véspera da assinatura do primeiro memorando da Grécia; a minha prisão em 16 de Julho de 2014, em Monastiraki, Atenas, onde fui ferido na sequência de uma perseguição e tiroteio com a polícia. A Luta Revolucionária permaneceu de pé porque assumimos a responsabilidade política pela nossa participação na organização – na Grécia, fomos a primeira organização revolucionária e anarquista armada a fazê-lo – e porque defendemos a nossa história, as ações da organização e o nosso companheiro Lambros Foundas, que deu a sua vida para que o memorando não passasse; para transformar a crise numa oportunidade para a revolução social. Permanecemos de pé, como uma organização, porque não nos importava pagar o custo e o preço, porque não nos transformarmos em traidorxs ou desertorxs, porque nenhum/a de nós tentou salvar a própria pele no momento da repressão. É precisamente porque reivindicamos a responsabilidade política que ficamos vivos como organização, na prisão em 2010-11. Demos uma batalha política contra o inimigo no 1º tribunal especial. Uma vez libertadxs da prisão, após 18 meses em prisão preventiva, optamos por não nos render à prisão iminente e, em vez disso, passamos à  clandestinidade no intuito de continuar a luta armada e a atividade da organização.

O ataque da Luta Revolucionária – Comando Lambros Foundas, em 10 de Abril de 2014 contra o Banco da Grécia – uma sucursal do BCE, uma das organizações mais popularmente odiadas que compõem o quarteto de mandantes supranacionais – também o foi contra um edifício que abrigava o escritório do representante permanente do FMI na Grécia, anulou a operação repressiva de 2010 e continuou a estratégia da organização, lançada em 2009, com os ataques à sede do Citibank e a uma das suas filiais, uma filial do Eurobank e à Bolsa de Atenas. Durante anos a Luta Revolucionária viu-se confrontada com a ponta de lança da repressão do estado – uma vez que lidar com a organização e a atividade revolucionária geralmente armada é uma prioridade importante para a sobrevivência do sistema – visando eliminar o inimigo interno para a suave execução e implementação da lista de programas de resgate, que constituem as políticas de genocídio social e limpeza de partes da população.

Em 2007, o Departamento de Estado dos EUA e o Estado grego colocaram recompensas de 1 milhão de dólares e 800 mil euros, respectivamente, após o ataque da organização com um anti-tanque RPG à Embaixada dos EUA em Atenas. Em 2010, o governo Papandreou celebrou as nossas detenções e um funcionário do governo afirmou que tinham impedido um golpe que acabaria com a economia, na véspera da assinatura do primeiro memorando e no meio do medo de colapso da economia grega. Em 2014, depois de termos passado à clandestinidade e de termos sido condenadxs a 50 anos de prisão pelo 1º tribunal especial, o governo Samaras colocou uma recompensa de 2 milhões de euros pelas nossas cabeças – um milhão pela companheira Roupa e outro milhão por mim. A minha prisão, três meses após o ataque da Luta Revolucionária contra o Banco da Grécia, foi comemorada pelas autoridades gregas. Os funcionários dos EUA felicitaram-nos pela minha recaptura e fizeram declarações sobre a estabilidade política. Medidas especiais foram implementadas depois da minha prisão e, em Dezembro de 2014, fui transferido para a recém-inaugurada prisão de segurança máxima tipo C, sendo esta a primeira transferência de um prisioneiro político, já pré-anunciada desde a minha recaptura. Em Abril de 2015 estava incluído na lista de “terroristas internacionais”, designados pelo Departamento de Estado dos EUA, embora estivesse na prisão. As autoridades desencadearam uma caça ao homem para prender a companheira Roupa. Tudo isto demonstra que combater a Luta Revolucionária tem um grande significado para o sistema. Ou seja, a repressão contra a Luta Revolucionária e a aplicação de memorandos, juntamente com a estabilidade política do sistema, vão de mãos dadas.

O último elo na cadeia da repressão do sistema é a decisão do 2º processo contra a organização Luta Revolucionária, poucos dias após a tentativa de escape da prisão. Fui condenado a prisão perpétua pelo ataque à bomba contra o Banco da Grécia, mais 129 anos por duas expropriações de agências bancárias e por ter disparado sobre os polícias que me perseguiram em Monastiraki. A imposição da mais severa sentença que lhes foi possível, em relação ao ataque da organização contra os chefes do país, é uma decisão política consciente e não apenas um exagero processual. Como já foi dito, esta decisão não visa aterrorizarem-me a mim – porque sabem que não me arrependi e permanecerei sem arrependimento – mas sim aquelxs que queiram optar pela luta armada, companheirxs anarquistas / meio anti-autoritário e outrxs lutadorxs no seio da sociedade. Esta decisão política – aplicada pela primeira vez na Grécia no que diz respeito a um ataque com explosivos que ocorreu após um aviso telefónico, com danos materiais e sem feridos – destina-se a várixs destinatárixs e envia uma mensagem de intimidação, a de que xs lutadorxs que optem pela atividade revolucionária armada serão tratadxs com a máxima severidade.

Esta decisão demonstra o endurecimento cada vez maior do sistema contra o seu inimigo número um – a Luta Revolucionária, combatentes armadxs. Não é difícil entender por que é que é cada vez mais duro, mais duro até que os anteriores – num momento em que o governo liderado pelo SYRIZA tem já votado o terceiro memorando. A disparidade do tratamento penal nos 1º e 2º julgamentos pode dar origem a interpretações erradas; Por isso, gostaria de salientar o seguinte: Desde a promulgação de leis anti-terrorismo em 2001 e 2004 que esta legislação especial constitui uma opção política do Poder, a fim de lidar da forma mais efectiva possível, com a guerrilha urbana na Grécia, como se esta fosse a maior ameaça para o sistema; A disposição na legislação anti-terrorismo permite prisão perpétua – não por homicídio mas por explosão, como resultado de que havia perigo para os seres humanos ou de que uma lesão ocorresse. Eu fui condenado a prisão perpétua ao abrigo desta disposição. As decisões de tribunais especiais em julgamentos contra combatentes armados são decisões eminentemente políticas; os elementos no dossier de acusação são frequentemente de importância secundária. Por exemplo – como ficou demonstrado durante as audiências judiciais do 2º julgamento contra Luta Revolucionária em relação ao ataque da organização contra o Banco da Grécia – embora tivesse havido um telefonema de aviso antes da explosão, dando 50 minutos, os agentes de segurança permaneceram no interior do edifício sobre as instruções do supervisor de segurança do banco da Grécia. O próprio supervisor de segurança admitiu que há um regulamento padrão que obriga o pessoal de segurança a ficar no interior do edifício, apesar da ameaça de explosão. O mesmo aconteceu na sede do banco Piraeus, localizado em frente ao Banco da Grécia, onde os oficiais de segurança permanecem no interior do edifício, sob as instruções do cabecilha de segurança do banco. Como demonstrado no 1º julgamento contra a organização, o mesmo também tinha ocorrido em 2 de Setembro de 2009 no ataque da Luta Revolucionária ao edifício da Bolsa de Atenas, onde o pessoal de segurança permaneceu lá dentro, conforme ordenado pelo chefe de segurança.

Ficou assim demonstrado que aqueles que são responsáveis ​​por causar perigo aos seres humanos são os executivos do poder económico e os mecanismos e estruturas centrais do sistema, tais como bancos e bolsas de valores – os que consideram que as pessoas e populações inteiras possam ser desgastáveis; até mesmo os agentes de segurança das suas instalações. Porque, para eles, os seus lucros estão acima de tudo; os seus lucros, banhados no sangue e miséria, substituem a própria vida humana. Estes são os mecanismos que o povo grego considera responsáveis pela política implementada ao longo dos últimos seis anos, o que resultou em milhares de mortes e milhões de pobres, destituídos e pessoas com fome. Estes são os mecanismos cujos executivos (banqueiros, os principais acionistas, grandes empresários) ao lado de seus subordinados (políticos de governos gregos) o povo grego considera responsáveis pela desvalorização da vida de milhões de pessoas, pelos suicídios e pauperização; não os combatentes da Luta Revolucionária. Os ataques da Luta Revolucionária contra tais mecanismos e estruturas são, em grande medida, popular e socialmente aceites.

Tenho sido coerente no confronto com o inimigo nos tribunais especiais, tanto no 1º como no 2º julgamentos contra a organização. Isto implica assumir a responsabilidade política, a defesa política da atividade da Luta Revolucionária, da luta armada e da Revolução para o derrube do Estado e Capital, sem importar nem o custo nem o preço. Este é o dever de cada lutador, de todo o anarquista, de todo o revolucionário que se depara com juízes e órgãos do inimigo. A sentença a 50 anos de prisão, no 1º julgamento, foi baseada na assunção de responsabilidade política. É por isso que fomos condenadxs como cúmplices em 16 ações da organização, pelo teorema de responsabilidade coletiva, ao invés de sermos condenadxs como perpetradorxs reais. A resposta do Estado ao fato de eu manter a coerência na minha trajetória como lutador e continuar a defender a Luta Revolucionária, e, por extensão, a luta armada e a perspectiva de Revolução e derrube do sistema, foi o resultado do 2º julgamento, onde fui condenado a prisão perpétua por uma ação, o ataque à bomba contra o Banco da Grécia. Toda a minha trajetória após as prisões iniciais em 2010, o fato da Luta Revolucionária permanecer viva durante a detenção pré-julgamento em 2010-11, o fato da companheira Roupa e eu tivessemos defendido a atividade da organização na 1ª tribunal especial, a nossa escolha de não nos entregarmos à prisão, de ir para a clandestinidade e continuar a luta armada e a atividade da organização, com o ataque contra o Banco da Grécia, toda essa trajetória e todas estas escolhas são baseadas na assunção da responsabilidade política para a nossa participação na Luta Revolucionária, após ter sido capturado em 2010. Isto é o que o Estado tentou atingir através da decisão do 2º julgamento contra a organização.

A minha sentença de prisão perpétua foi uma mensagem aos/às lutadorxs que assumem a responsabilidade política e não repudiam a sua actividade e participação na sua organização.

As coisas estão a tornar-se cada vez mais claras para os combatentes que querem resistir e para xs presxs políticxs. O dilema “rejeição ou prisão perpétua” (nos velhos tempos era execução por fuzilamento) entra em vigor; um dilema colocado pelo Poder, um dilema que nos velhos tempos era “rejeição ou morte”.

Ao longo dos anos, para se suprimir qualquer perspectiva revolucionária, o Estado não se limitou apenas à predominância militar sobre os seus rivais – tenta a sua derrota política, forçando-os ao repúdio político. No caso da guerrilha urbana na europa ocidental, nos anos 70 e 80, especialmente em Itália, o alvo de repúdio político não era as suas convicções ou identidade política, antes a luta armada como sendo um dos meios de luta e de organizações da guerrilha urbana. Na Grécia, o dilema colocado pelo Poder uma vez foi este: ou repúdio ao comunismo, ou prisão e, noutras circunstâncias, a execução por fuzilamento. Hoje em dia, mais indirectamente, o dilema é este: ou a escolha de luta revolucionária armada com custos e consequências pesadas, ou a renúncia à luta revolucionária armada como sendo um dos meios de luta. Ou a assunção da responsabilidade política pela participação de alguém numa organização armada e na defesa da sua actividade, ou a aceitação da perseguição do Estado, do repúdio a uma organização armada e a pertença de alguém a ela e , por extensão, da luta armada, em face do medo de ir para a prisão.

Noutros períodos, mais difíceis, como a ocupação e a guerra civil, o preço a pagar para a luta era o pelotão de fuzilamento; e não apenas para a luta armada. Muitxs lutadorxs confrontadxs com o “repúdio ou morte” preferiram o pelotão de fuzilamento; claro que não queriam se tornar mártires, mas porque acreditavam que o repúdio é uma vergonha e desgraça; como tal, consideravam-no pior do que a morte. Havia militantes armadxs e guerrilhas do ELAS (Exército de Libertação do Povo Grego) e DSE (Exército Democrático da Grécia), mas também lutadorxs que não travam a luta armada, que permaneceram impenitentes e foram enviadxs aos milhares para o pelotão de fuzilamento durante a Ocupação e a guerra civil; foram executadxs em Goudi, no  campo de tiro Kessariani, nos campos de Chaidari e Pavlou Mela, em Makronissos e Corfu, em Yedi Kule. Da mesma forma, na Espanha, após a vitória de Franco, milhares de anarquistas armadxs que lutaram pela revolução em 1936-1939, e travaram a guerra de guerrilha até 1975, foram enviadxs para pelotões de fuzilamento em Campo de la Bota, Montjuïc, Carabanchel, ou estrangulados pelo método do garrote – usado como meio de execução para hereges durante a Inquisição.

A luta pela derrube do Estado e Capital é uma atividade que exige convicções inabaláveis, responsabilidade, coerência, comprometimento, envolvimento político, vontade de ferro e conhecimento político e teórico de princípios e experiências da tradição revolucionária histórica. Como podemos sequer falar de luta, da libertação social, revolução, anarquia, pedir aos outros para participar numa luta subversiva com todos os custos e as consequências que isso implica, se nós mesmxs não formos capazes de assumir a responsabilidade pelas nossas escolhas políticas?

Pela primeira vez em décadas – desde a era do Estado do pós-guerra, quando as guerrilhas do ELAS que foram excluídxs pelo Tratado de Varkiza de 1945, que não reconhecia a sua actividade como sendo política, bem como os do DSE que permaneceram na prisão durante pelo menos 15 anos – há uma perspectiva de que xs presxs políticxs condenados a 25 anos ou prisão perpétua para a ação revolucionária armada permanecerão muitos anos nas prisões do Estado marioneta grego contemporâneo da elite económica supranacional. Estamos a passar por um período em que o poder está, mesmo que indirectamente, a tentar arranjar dilemas para apresentar as suas credenciais, mais uma vez como no passado, para nos quebrar com o espectro do encarceramento a longo prazo.

A luta pela Revolução Social, para derrubar o Estado e o Capital, deve continuar apesar das dificuldades, os custos e consequências. Nunca entregaremos as armas da nossa luta.

SEM PAZ, SEM TRÉGUA COM O ESTADO E O CAPITAL

LUTA ARMADA PELA REVOLUÇÃO SOCIAL

HONRA PARA SEMPRE AO COMPANHEIRO LAMBROS FOUNDAS, MEMBRO DA LUTA REVOLUCIONÁRIA

Nikos Maziotis, membro da Luta Revolucionária

em inglês l turco via isyandan.org

[Grécia] Carta aberta de Pola Roupa sobre a sua tentativa de fazer evadir Nikos Maziotis da prisão de Koridallos

chile

A seguir apresenta-se a tradução da primeira parte da longa carta da companheira; publicada originalmente em grego em Atenas IMC (8 de Março de 2016).

Noutras circunstâncias este texto seria escrito em nome da Luta Revolucionária. Todavia, o resultado da tentativa de libertar o companheiro Nikos Maziotis da prisão de Korydallos obriga-me a falar em nome pessoal.

A 21 de Fevereiro [de 2016], num helicóptero, tentei libertar o membro da Luta Revolucionária Nikos Maziotis. A operação foi planeada de forma a que outros presos políticos pudessem se juntar a nós, aqueles que desejassem abrir o seu caminho para a liberdade. Os detalhes do plano – assim como o modo como consegui contornar as medidas de segurança,  abordando armada o helicóptero – não têm nenhum significado especial e a eles não me irei referir; apesar de ter havido muita desinformação relacionada com esses detalhes.

Por uma questão de clareza mencionarei, apenas, que o plano não se baseou em qualquer das fugas anteriores da prisão em helicóptero nem tampouco está associado a quaisquer planos que ainda não tenham sido postos em prática, além de eu não ter qualquer relação com a outra pessoa fugitiva – apesar dos meios de comunicação dizerem o contrário. Além disso, esta tentativa não foi precedida por qualquer plano de fuga que “tenha abortado”, como relatado por alguns meios de comunicação.

Passado um quarto do tempo da viagem – após a descolagem de Thermisia em Argolida – peguei na minha arma e pedi ao piloto para mudar de rumo.  Não entendeu quem eu era, mas ainda assim percebeu que se tratava de uma tentativa de evasão da prisão. Entrou em pânico. Atacou-me, puxando de uma arma – um fato por ele “omitido”. Porque provavelmente vão tentar refutar o facto dele se  encontrar armado, recordo que existem relatórios disponíveis publicamente onde se indica que durante a revista ao helicóptero foram encontradas duas armas. Uma delas era minha, a outra não era. A outra era a sua própria arma, a que lhe caiu das mãos durante a luta em voo. E, quanto a mim, é claro que tinha uma segunda arma. Iria eu, para tal operação, armada apenas com uma?

Perdeu o controle do helicóptero e entrou em pânico gritando “vamos acabar por nos matar”. A descrição que foi apresentada – a de um helicóptero substancialmente incontrolável –  é verdadeira. Mas essas imagens não foram fruto das minhas ações mas sim das suas. O helicóptero foi perdendo altitude e rodopiava no ar. Voamos a poucos metros sobre fios elétricos. Gritei-lhe que puxasse para cima o helicóptero, que fizesse o que lhe pedisse, de forma a que ninguém fosse ferido.

Num instante estávamos em terra.  Em relação aqueles que falam de uma reação desapaixonada do piloto, aparentemente e a julgar pelo resultado, não sei do que possam estar a falar.

Em vez de fazer o que lhe disse para fazer, preferiu correr o risco de sofrermos uma colisão, o que só não aconteceu por acaso. Escusado será dizer que ao entrar no helicóptero – para tentar obter o controle do mesmo e o pôr no rumo das prisões – tinha já tomado a minha decisão. Se ele se recusasse a fazer o que eu dissesse, teria naturalmente de reagir. Aqueles que afirmam que fui a responsável pela descida descontrolada do helicóptero, a 5.000 pés do chão, o que esperavam? Que tivesse dito “se não quiser vir para as prisões, não importa”? Disparei a minha arma e estivemos envolvidos, ambos armados, numa luta corpo a corpo durante o voo.

Preferiu arriscar a chocarmos na montanha, em vez de obedecer. Quando finalmente pousou no chão com velocidade, mesmo sabendo que a operação estava perdida, tive todas as oportunidades de o executar. Conscientemente, decidi não o fazer. Sabendo embora que estava a pôr em perigo a vida ou a liberdade, não o executei – apesar da chance de o fazer. Ele próprio sabe muito bem disso. O único fator que me deteve foi a consciência política. E tomei esta decisão arriscando a minha própria vida e a possibilidade de fugir.

Olhando a operação de fuga da prisão no seu todo, é óbvio que foram tomadas todas as possíveis medidas de segurança para a salvaguardar dos guardas armados que estivessem a patrulhar o perímetro da prisão – levava ainda um colete à prova de balas para o piloto. O objectivo era assegurar que o choque na prisão fosse o de menor risco possível para o helicóptero, companheiros e, é claro, o piloto. Agi com o mesmo pensamento quando desembarcados no terreno; apesar do facto da operação ter falhado por causa do piloto; apesar do fato dele ter estado armado. E, essencialmente, colocar a sua vida acima da minha própria vida e segurança. Mas estou a reconsiderar essa escolha específica.

Organizar para fazer evadir Nikos Maziotis foi uma decisão política, tanto quanto o foi  libertar outros prisioneiros políticos. Não foi uma escolha pessoal. Se quisesse libertar apenas o companheiro Nikos Maziotis não teria fretado um grande helicóptero – um fato que tornou a organização da operação mais complexa. O objetivo da operação era a libertação de outros prisioneiros políticos, também; aqueles que, juntamente connosco, realmente queriam abrir o seu caminho para a liberdade.

Esta ação, portanto, apesar das dimensões pessoais que lhe são conhecidas, não foi uma escolha pessoal, mas uma decisão política. Foi um etapa do caminho da Revolução. O mesmo vale para cada ação que já levei a cabo e para cada ação que farei no futuro. Estes são elos de uma cadeia de planeamento revolucionário destinada a criar condições políticas e sociais mais favoráveis, ampliar e fortalecer a luta revolucionária. A seguir, referir-me-ei à base política desta escolha; mas primeiro tenho que falar sobre fatos e da forma como tenho operado, até agora,em relação a alguns desses fatos.

Como já foi mencionado anteriormente, cada ação que realizo diz respeito a um ato relacionado com a planificação política. No mesmo contexto, expropriei uma filial do banco Piraeus, nas instalações do Hospital Sotiria, em Atenas, em Junho passado [2015]. Com este dinheiro, além da minha sobrevivência na “clandestinidade”, assegurei a organização da minha ação e o financiamento da operação para a libertação de Nikos Maziotis, e de outros presos políticos, das prisões de mulheres de Korydallos. A razão pela qual me refiro a esta expropriação (e não me poderia importar menos com as consequências penais desta admissão) é porque, neste momento, considero que é absolutamente necessário divulgar como operei tendo em conta a segurança dos civis – aqueles que, em determinadas circunstâncias, aconteceu estarem presentes nas ações revolucionárias em que estive envolvida – assim como a minha perspectiva sobre este assunto, sempre mutatis mutandis, na ocasião da tentativa de fuga da prisão.

No caso da expropriação da filial do banco Piraeus, o que mencionei aos funcionários do banco era que não deviam pressionar o botão de alarme, porque isso colocaria em risco a sua própria segurança, já que não estava disposta a deixar o banco sem o dinheiro.  Eu não os ameacei, nem estiveram em perigo por minha causa. Só estariam em perigo por causa da polícia, se os polícias chegassem ao local e, posteriormente, tivesse com eles um confronto armado. E a polícia só chegaria se quaisquer funcionários pressionassem o alarme do banco. Esse era um dos desenvolvimentos que eles mesmos queriam evitar. Porque as pessoas que possam estar presentes em cada ação destas não têm medo daqueles que tentam expropriar, antes sim da polícia intervir. Além disso, é muito estúpido qualquer um tentar defender dinheiro pertencente aos banqueiros. E para que conste, quando um funcionário do sexo feminino me disse “nós mesmos também somos pessoas pobres” sugeri-lhe que passasse por cima de um ponto “cego”, onde as câmaras não nos podem ver, para lhe dar 5.000 euros, o que ela não aceitou, aparentemente por medo. Se ela tivesse aceite o dinheiro, podia ter a certeza de que eu não iria falar publicamente do assunto. E um detalhe: o que estava a segurar era um avental de médico para esconder a minha arma enquanto esperava fora do banco; não foi uma toalha (!), conforme mencionado várias vezes.

Em cada período de tempo, na luta pela Revolução – como também no caso de todas as guerras – às vezes xs revolucionárixs são obrigadxs a procurar a ajuda de civis, na sua luta. Os exemplos históricos são muitos – uma tentativa de documentá-los iria encher um livro inteiro e este não é o momento para expandir sobre o assunto – tanto na Grécia como em movimentos armados e organizações noutros países. Nesses casos, no entanto, o que essencialmente lhes pedimos é para tomarem partido numa guerra. Uma vez que alguém se recusa a ajudar, a sua posição não é apenas sobre a prática em particular, mas uma postura hostil, em geral, contra a luta. Põem em perigo ou anulam compromissos, colocam as vidas dxs combatentes em risco, jogam obstáculos no caminho de um processo revolucionário. Tomam uma posição contra a guerra social e de classe.

Nem na filial do banco Piraeus ou durante a tentativa de fuga de helicóptero tornei a minha identidade conhecida. Portanto, nenhum dos envolvidos nestes casos sabia que aquelas eram ações políticas. Mas, depois da tentativa de fuga ter falhado, e dado que – como já mencionei – tive a oportunidade de matar o piloto mas não o fiz, arriscando a minha própria vida, tenho que tornar o seguinte público: a partir de agora – sempre que precisar da assistência de civis novamente e se o considerar necessário – vou tornar a minha identidade conhecida desde o início. Dado que a minha missão, em qualquer caso, diz respeito à promoção da luta pela derrocada do sistema criminal, que todos saibam que qualquer eventual recusa de cooperação ou esforço para obstruir a ação serão tratados em conformidade.

Estou, naturalmente, ciente dos detalhes pessoais do piloto, mas não vou ameaçar a sua família. Nunca iria ameaçar as famílias e crianças.

Este é o meu balanço após a tentativa de fuga e que devia ser tornado público.

A OPERAÇÃO DE ESCAPE DA PRISÃO FOI UMA ESCOLHA REVOLUCIONÁRIA

[…]

O ESCAPE DA PRISÃO FOI TENTADO PELA REVOLUÇÃO SOCIAL

LUTEI TODA A VIDA PELA REVOLUÇÃO SOCIAL

VOU CONTINUAR A LUTAR PELA REVOLUÇÃO SOCIAL

Pola Roupa
membro da Luta Revolucionária

em inglês | alemão | francês | italiano via Croce Negra Anarchica

Atenas: Sentenças de prisão no segundo julgamento contra a Luta Revolucionária

solidarity-with-revolutionary-struggleA 3 de Março de 2016, no tribunal da prisão de Koridallos, no segundo julgamento contra a Luta Revolucionária, todos os co-acusados foram sentenciados no respeitante ao ataque contra a Supervisão Directiva do Banco da Grécia no centro de Atenas a 10 de Abril de 2014; ao carro bomba contendo 75 kg de explosivos ; ao tiroteio em Monastiraki a 16 de Julho 2014 (quando o companheiro Nikos Maziotis foi ferido e recapturado pela polícia) e ainda por expropriações de sucursais bancárias.

O membro da Luta Revolucionária Nikos Maziotis foi condenado a prisão perpétua acrescida de 129 anos e a multa de 20,000 euros.

A membro da Luta Revolucionária (fugitiva) Pola Roupa foi condenada a 11 anos de prisão por acusação de contravenções (se for detida, ela irá a tribunal por acusações de delitos graves, também).

Antonis Stamboulos foi condenado a 13 anos de prisão.

Giorgos Petrakakos foi condenado a 36 anos de prisão e ainda a uma multa de 9000 euros.

em inglês l italiano

Atenas: Concentração solidária no segundo julgamento da Luta Revolucionária

Afisa_B_diki_EAConvocamos uma concentração solidária junto ao tribunal especial das prisões de Koridallos, na sexta-feira, 16 de Outubro, às 12:00 horas. Através da nossa presença solidarizamos-nos com xs compas que serão julgadxs pelo caso da Luta Revolucionária.

Este novo julgamento contra a Luta Revolucionária é a continuação do ataque repressivo iniciado em Abril de 2010 com as detenções de lutadorxs que participavam ou foram acusadxs de participar na organização.

A Luta Revolucionária, através das suas ações e discurso, apontava e continua a apontar contra aqueles que levaram a cabo o mais brutal dos ataques contra a sociedade.

A 16 de Julho de 2014, após um confronto armado com a bófia em Monastiraki, Nikos Maziotis é ferido e detido (até aí procuravam-no).

A 1 de Outubro de 2014, durante uma operação dos serviços antiterroristas, foi detido o anarquista  Antonis Stamboulos, em prisão preventiva a partir daí pois foi acusado de participar nessa organização.

A 16 de Outubro de 2015, no tribunal terrorista começará o julgamento contra xs companheirxs Nikos Maziotis e Pola Roupa, membros da organização, contra o companheiro anarquista Antonis Stamboulos e  contra Giorgos Petrakakos.

Tal como no primeiro julgamento para o caso da Luta Revolucionária, neste também se dará uma batalha política contra o inimigo social e de classe, o Estado e o capitalismo.

Solidariedade com Nikos Maziotis e Pola Roupa, membros da Luta Revolucionária, com o anarquista Antonis Stamboulos e com Giorgos Petrakakos.

Força à companheira Pola Roupa, procurada, com a cabeça a prémio.cabeza.

Honra para sempre ao companheiro anarquista e membro da Luta Revolucionária Lambros Foundas.

Assembleia de solidariedade com xs presxs políticxs e com xs lutadorxs encarceradxs e processadxs

Tessalónica, Grécia: Cartaz solidário tendo em vista o segundo julgamento da Luta Revolucionária

“A luta revolucionária é um assunto de profunda e irredutível crença na destruição do Estado e do capitalismo”
–Pola Roupa, 8/8/2014

10 de Abril de 2014: A organização Luta Revolucionária ataca com um carro-bomba a Direção de Supervisão do Banco da Grécia, na rua Amerikis, em Atenas, no mesmo edifício onde se aloja o representante permanente do Fundo Monetário Internacional na Grecia, W. McGrew.

16 de Julho de 2014: É detido o anarquista Nikos Maziotis, que se encontrava na clandestinidade, membro da Luta Revolucionária – após um confronto armado com a bófia, do qual resulta ferido.

1 de Outubro de 2014: Durante uma operação dos serviços antiterroristas é detido o anarquista Antonis Stamboulos o qual ingressa em prisão preventiva sob a acusação de participante na organização.

16 de Outubro de 2015: O Estado e o Capital tentam julgar, pela segunda vez, a Luta Revolucionária. No tribunal especial das prisões de Koridallos conduzir-se-á um julgamento contra xs membrxs da organização Nikos Maziotis e Pola Roupa (procurada), contra o companheiro Antonis Stamboulos e contra Giorgos Petrakakos [ilegalista detido a 24 de Setembro de 2015 na cidade de Volos, após uma operação da polícia grega].

O que se maquina, na realidade, é outro terror-julgamento de emergência para condenar a necessidade do confronto armado com o Estado e o capitalismo. A necessidade da luta para uma ofensiva contra o monopólio estatal da violência legal. A crença na necessidade da luta pela Revolução Social e Anarquia – valores pelos quais deu a vida o companheiro e membro da organização Lambros Foundas.

Enquanto existirem os Estados e o Capital existirá também a luta pela destruição. Pela construção da sociedade anarquista revolucionária de igualdade, solidariedade e liberdade.

Solidariedade com xs membrxs da organização Luta Revolucionária e com todxs xs processadxs no mesmo caso.

Okupa Terra Incognita
terraincognita.squat.gr

em grego | espanhol

Grécia: Ataque explosivo a sucursal do Banco do Pireu em Tessalónica

bombonaQuando o inimigo parece ser forte, utilizando todos os meios para esmagar qualquer oposição, então o ataque contra ele, contra os seus símbolos e infraestruturas é o único caminho a seguir. Para onde quer que nos voltemos, distinguimos diferentes formas de Poder, desde o bófia ao juíz, passando pela escola, o banco, a igreja, a prisão. Trata-se de instituições de um sistema podre que nos fazem recordar a toda a hora que não somos livres. O seu verdadeiro valor será mostrado através da sua destruição e a sua beleza será revelada através das suas cinzas e ruínas. No aqui e agora não cabem mais concessões, que a determinação e a luta permanente tomem o seu lugar.

Na guerra não declarada que se está a levar a cabo, onde não se faz uso directo das armas, empregam-se outros meio para ferir a mente e a alma dxs revolucionárixs irredutíveis. As novas prisões, de segurança máxima, têm exactamente este objetivo, a sua aniquilação. Por sua vez, o ministério público e os juízes impõem, como vingança, condenações de larga duração. Este papel foi confirmado por Olga Smyrli, do ministério público, no julgamento pelo assalto ao banco ATE (actualmente Banco do Pireu) na localidade de Pyrgetos, próximo de Larisa, oferecendo generosamente 16 anos de encerramento a Giannis Naxakis e Grigoris Sarafoudis, sendo a sua identidade política a única prova.

Tenham participado, ou não, os dois compas no assalto, estamos com eles e dedicamos-lhe o ataque à sucursal do Banco do Pireu, que se realizou na madrugada de quarta-feira, 10 de Setembro de 2014, na zona de Sykies, em Tessalónica. Esta ação é uma pequena mostra de solidariedade e um sinal de que tudo continua…

Que cada um ou uma lute à sua maneira, com a dinâmica e os meios que possua, até ao final, até à libertação total.

Força a Nikos Maziotis e Pola Roupa.
Um punho levantado para todxs xs revolucionárixs.

fonte: asirmatista

Istambul, Turquia: FAI/FRI Milícia Putas Furiosas ataca em Bağcılar

A mais profunda escuridão da noite também se torna cúmplice de algumas putas furiosas que querem destruir esta merda antes do amanhecer, embora aquela seja pensada para esconder todas as infâmias deste sistema. Mesmo que as luzes da rua, as luzes da loja, as câmaras de vigilância e a MOBESEs de certeza – os olhos e os ouvidos do Estado – nos traiam, dando a sensação de estarmos sob a vigilância de um violador, isso não irá impedir-nos de nos colarmos às sombras da noite e transformar em ação a raiva que temos contra este sistema podre.

Aqui, em Istambul/Bağcılar, agora numa das suas noites, vamos atacar uma besta amarela, que tem apenas a tarefa de escavar betão, desenterrando a terra, tendo um papel activo no corte pronunciado das florestas e na urbanização dos últimos lugares remanescentes sem betão, cortando o fluxo sanguíneo, impedindo a ligação entre os seus órgãos.

Esta ação foi levada a cabo como contributo para xs “prisioneirxs anarquistas da Semana Global de Solidariedade (23-30 Agosto)”. Em primeiro lugar, dedicamos esta ação à companheira anarquista Tamara Sol Farías Vergara, que está agora na prisão sob acusação de atirar sobre um guarda de um banco ferindo-o; em seguida a Nikos Maziotis que está agora na prisão depois de ter sido preso num conflito armado, alegando a tradição de não se render, e à sua parceira Pola Roupa que se encontra em fuga, neste momento. Também dedicamos esta ação a todxs xs presxs anarquistas e anti-autoritárixs que à volta do mundo estão a lutar contra as instituições de dominação.

“Ficámos acordadxs a noite passada, ao alvorecer algo de errado estava a acontecer em algum lugar.”

FAI/FRI Milícia Putas Furiosas

Grécia: Carta aberta de Pola Roupa, membro da Luta Revolucionária, a partir da clandestinidade

A 16 de Julho de 2014, após furiosa perseguição pelos cães armados do regime, o companheiro Nikos Maziotis, membro da Luta Revolucionária é atingido pela bala de um polícia e cai coberto de sangue. O companheiro tinha dado batalha à bófia que o perseguia. Todo o aparelho do Estado festeja a detenção do “procurado mais perigoso” do país. O mesmo acontece com o criminoso e real cabecilha terrorista Samaras, cujo governo tomou as rédeas depois dos governos pró-memorando, numa campanha para o maior genocídio social que ocorreu no país em tempos de “paz”. Samaras usa a detenção de Maziotis como um meio para a estabilização do seu governo titubeante e para sustentar um regime político e económico com fundações podres, há muito desacreditado na consciência social.

A detenção de um revolucionário com o calibre político de Nikos Maziotis constitui um “sucesso significativo” para o regime político e económico não só da Grécia, mas também a nível internacional, como afirmado pelos Estados Unidos. Isso porque a prisão do companheiro é percebida pelos nossos inimigos como um golpe na luta pelo derrube do regime, um golpe na libertação do jugo do capitalismo e do Estado, um golpe na luta pela revolução social. O tamanho da ameaça que Maziotis representa para o regime reflete-se no tom alto do nauseante regozijo demonstrado por parte do Poder político interno e externo. Porque o companheiro e a Luta Revolucionária, a organização à qual ele pertence, estão intrinsecamente ligados à desestabilização política minando um regime podre; ligados à guerra consistente contra a dominação e a barbárie contemporânea; ligados à luta pela derrube do Estado e do capitalismo, à própria revolução social. O compa Nikos Maziotis esteve e continua a estar dedicado à Revolução. É para isso que ele tem combatido, é isso pelo qual ainda luta; é por isso que o apresentam como o maior perigo para o regime. Assim, a gravidade política deste caso deve ser o parâmetro principal a considerar na solidariedade com o companheiro.

Atualmente, Maziotis é um preso da guerra social e de classe. Não é justo que esteja na prisão. O justo seria estar livre, a lutar pela revolução social. Só seria justo se, em vez dele, fossem algemados e julgados em tribunais populares aqueles que são responsáveis pelo sofrimento do povo grego, que votaram e implementam os memorandos; a elite económica, os ricos que sugam o sangue dos proletários, a elite política e os seus servos. O justo seria estarem agrilhoados com correntes Samaras, Venizelos, Papandreou, Papademos e as suas organizações criminosas; os Troikanos e os líderes da União Europeia; os patrões gregos e estrangeiros pois, em nome dos seus interesses económicos, o país e as pessoas que nele vivem estão a ser devastadas. Estes são os verdadeiros terroristas e salteadores. São estes os criminosos impiedosos e assassinos brutais.

Os festejos pela detenção foram acompanhados pelos ataques já esperados da propaganda estatal, reproduzida e em grande medida criada pelos porta-vozes do Poder, os media de massas. Ataques que tentaram manchar o carácter revolucionário do companheiro e em que usaram como bandeira o tiroteio na área de Monastiraki – em que o companheiro é retratado como “pistoleiro sem escrúpulos”, que abre fogo indiscriminadamente, enquanto a bófia ” esforça-se para o neutralizar” sem o uso de armas. Supostamente a bófia disparou um único tiro, sendo este apenas para neutralizar o companheiro. Como são mentirosos e hipócritas nauseantes tanto os mecanismos de Estado como os que se ajoelham e curvam ao regime nos noticiários! “Ele estava a disparar no meio das pessoas”. Quem escolheu o lugar para este confronto? Quem começou a perseguição? Ou será que Maziotis deveria ter abandonado a arma e render-se sem luta?

A bófia optou, conscientemente, por realizar um confronto armado num local cheio de gente. O companheiro viu-se obrigado a se defender. Depois de terem feito desaparecer rapidamente das notícias a declaração de um dos turistas – onde afirma que foi baleado por um polícia – passaram a declarar constantemente nos media que dispararam só um tiro, enquanto que o companheiro disparou oito. Mas estavam dispostos a disparar, inclusive com armas automáticas, para que não escapasse, embora só com a suspeita de que a pessoa que perseguiam fosse Maziotis. Porque o que estava em jogo era de grande importância política para eles, não lhes interessando nada que a operação fosse realizada entre dezenas de pessoas ou se algum circunstante pudesse morrer. Ainda por cima culpariam o companheiro. Quem os poderia refutar?

E quanto às afirmações ridículas de que supostamente o tinham localizado há uns dias, essas foram feitas no contexto da propaganda estatal, não admitindo que o incidente foi puramente aleatório. E isso é algo que também se nota nos seus relatos contraditórios. Por um lado afirmam que o companheiro foi reconhecido por uma mulher da polícia secreta pouco antes do confronto, em seguida dizem ter sido outro polícia da secreta que, nos dias anteriores, o tinha reconhecido numa estação de metro. Se fosse verdade que o tinham localizado alguns dias antes, já nos tinham detido. Uma delatora e um infortúnio deram lugar à perseguição. Mas claro, não podiam admitir que a perseguição começou aleatoriamente. Toda a propaganda, sobre a sua suposta localização de antemão, foi gerada para publicamente poderem afirmar que os mecanismos repressivos e, em especial, as forças “anti-terroristas”, são produtivas e eficazes. Mas isso está muito longe da realidade. Em todo o período precedente, estávamos continuamente entre eles. Movíamos-nos por toda a parte. Passávamos por eles. Observávamos-los mas eles não nos viam.

Passei a ser a “procurada mais perigosa”. Eu e o meu filho – sobre o qual os espantalhos do regime, nos media de massas, “informam”, com vulgaridade excessiva, revelando um monte dos seus dados pessoais, enquanto que, com uma hipocrisia repugnante, felicitam os mecanismos de perseguição pela sua “sensibilidade” ao não divulgar a fotografia da criança ao público. Daqui em diante, a bófia vai varrer o país para encontrar a criança, com base nas pistas que possam ter. Fora isso, o meu filho não é procurado pelas autoridades … E, como uma vergonhosa jornalista, ao serviço da polícia, afirmou no passado, através da criança esperavam capturar-nos. Agora, através da criança, eles querem-me capturar.

Têm o meu companheiro nas suas mãos, gravemente ferido. A sua vingança era algo esperado. Para eles não é suficiente que Maziotis tenha um braço esmagado por uma bala e se encontre em estado de saúde grave. Assim, apesar da necessidade de supervisão médica e de mais operações ter vindo a público, obrigaram-no a uma transferência vingativa para uma prisão conhecida por não ter médicos, nem mesmo para as necessidades médicas mais básicas dos presos. Não há dúvida de que, só por causa desta transferência, o seu estado piorou. Conheço em primeira mão o tipo de transferências de prisão que são impostas aos lutadorxs armadxs. Quando me obrigaram a uma transferência para outra prisão, enquanto estava grávida, acabei no hospital com hemorragias e fui forçada a ficar acamada, para evitar ter um aborto espontâneo. É óbvio que estão com medo. Eles têm nas suas mãos o companheiro, com o braço destroçado, e mesmo assim continuam com medo.

E no que a mim diz respeito: esperavam realmente, ou ainda esperam, que eu me vá entregar? Não lhes vou fazer esse favor. Que me venham deter. Na realidade, os meus perseguidores não acreditam que eu fizesse uma coisa dessas. É por isso que invadiram e revistaram a casa da minha família, interrogaram a minha mãe e irmã, em busca de alguma pista, mas em vão. As suas declarações nos media de massas, segundo as quais me encontro numa posição difícil e que é possível que me entregue às autoridades, não são nada mais do que um esforço final para me pressionar. Os meus perseguidores conhecem-me. Conheceram-me no dia 10 de Abril de 2010, quando estava grávida nas suas mãos e, apesar das suas tentativas ridículas para me aterrorizar, nem sequer lhes dizia o meu nome; tudo o que receberam de mim foi cuspir-lhes em cima. Eles estão cientes da minha posição política durante a prisão, sabem a postura política que mantive durante todo o processo de julgamento. Fui, sou e serei membro da Luta Revolucionária. Se pensam que podem me dobrar, estão grosseiramente equivocados.

A detenção do nosso companheiro foi um golpe. O nosso companheiro Lambros Foundas derramou o seu sangue nos becos de Dafni, e Nikos Maziotis em Monastiraki. A Luta Revolucionária deu o seu sangue pela causa da revolução social. Mas os nossos inimigos não terão a última palavra.

O campo de ação está aberto para a Luta Revolucionária. O campo social é o campo que é nosso, não deles. Para os nossos inimigos é uma campo hostil, selvagem, que só podem controlar através da violência. Todos os dias, o Estado e o Capital pilham, aterrorizam, assassinam e exterminam, na sua tentativa de salvar o regime. Em nome de “arrancar toda a podridão do sistema” estão a massacrar milhões de pessoas que são consideradas supérfluas para a reprodução do capitalismo. Ao mesmo tempo, bombardeiam a sociedade com histórias estúpidas de “recuperação económica” e “saída do país do túnel da crise”; contos que dão vontade de rir mas, também, provocam indignação aos pobres, aos esfomeados, aos desamparados deste país.

No dia 16 de Julho, um combate teve lugar em Monastiraki. Um combate desigual entre um revolucionário e dezenas de cães armados do Estado. Um combate tão desigual quanto o é, neste período histórico, a luta pela Revolução. A luta entre alguns revolucionários e um aparelho, armado até aos dentes. Só que esta luta, a luta revolucionária, não é uma questão numérica. É uma questão de alma. É uma questão de acreditar na justeza revolucionária. É uma questão de se acreditar na revolução. De combater um sistema assassino, criminoso na sua própria natureza, reproduzido através da exploração, da opressão, e até mesmo do extermínio físico de pessoas. Um sistema reproduzido pela violência. A violência da política económica, a violência exercida pela elite económica e política, para manter vivo o sistema capitalista apodrecido, para garantir os seus interesses e para continuar a dominar. Cada um de nós já experimentou, ao longo dos últimos quatro anos, os resultados desta violência que afundou o país nos vórtices da crise, com milhões de desempregados e trabalhadores ocasionais, com salários de miséria, com a transformação de trabalho no tráfico de escravos, com as piores condições de escravidão assalariada já experimentado por pessoas neste país. Vimos e continuamos a ver os resultados desta violência assassina nos esfaimados, nas crianças desnutridas, nos que morrem de fome, nos que acabam por adoecer, nos que perdem a vida, nos suicídios que aumentam continuamente. Vemos estes resultados nos contentores do lixo onde os seres humanos-ratos, com a sua dignidade espezinhada, buscam uma crosta de pão. Esta violência “escondida” do sistema, no meio de uma crise sistémica, tornou-se numa arma de destruição em massa.

É absolutamente justo lutar-se contra a injustiça. Combater-se um sistema que para consolidar a ordem, através da violência crua e dura dos seus mecanismos repressivos, está a encarcerar, agredir, assassinar humanos de 2ª classe, sejam estes resistentes, grevistas e manifestantes ou imigrantes empobrecidos. Esse sistema está a construir masmorras de “segurança máxima” com o objectivo de aniquilar politicamente, moralmente, psicologicamente, e até mesmo fisicamente, os lutadorxs armadxs, de esmagar a vontade de travar a luta revolucionária armada. Um sistema servido por uma justiça que requer a legitimação de todos os tipos de violência do Estado (por exemplo, o caso do naufrágio em Farmakonisi, onde os oficiais da Guarda Costeira foram responsáveis ​​pelo afogamento de imigrantes, está arquivado), mas também a violência racista contra os trabalhadores empobrecidos (por exemplo, produtores de morango e os seus capatazes foram absolvidos pelo ataque assassino, com fusis, sobre os trabalhadores agrícolas imigrantes, em Manolada). Além disso, a nível internacional, em nome da consolidação da Nova Ordem Mundial através das guerras contra o “terrorismo”, legitima-se o massacre de um povo inteiro, na Palestina.

A luta revolucionária é uma questão de crença na necessidade de combater os opressores; para que se devolva, assim, aos verdadeiros criminosos, aos verdadeiros terroristas e assassinos que compõem o sistema, uma percentagem da violência que exercem. Porque só com a ação revolucionária armada podem entender que não vão ficar imunes para sempre.

Acima de tudo, a luta revolucionária é uma questão de crença profunda e inabalável na justiça revolucionária, na justiça da abolição de todas as formas de exploração e repressão, na destruição do Estado e do capitalismo. A justiça de uma sociedade de igualdade económica, sem ricos e pobres, sem senhores e escravos. A justiça de uma sociedade de pessoas verdadeiramente livres.

A Luta Revolucionária, no período em que esteve activa, desde 2003 até à data, tem travado uma luta armada dinâmica, contra todas as formas de violência do regime antes mencionadas. Ministérios, tribunais, forças policiais, bancos, o edifício da bolsa de valores, a embaixada americana, o Banco da Grécia, foram alvo da organização. Actuando de forma consistente, a Luta Revolucionária tem dado respostas significativas à violência do Estado, à violência da elite económica e política, à violência da justiça do regime, e tem escrito páginas importantes na história revolucionária desta terra e também a nível internacional.

A Luta Revolucionária agia e falava em relação à crise económica, nos momentos em que o silêncio se estendia sobre a fraude da “eterna estabilidade do sistema” e da “florescente economia grega”. Mais tarde, com o início da crise, a organização refutou todas as vozes dominantes que falavam de “economia grega fortificada e inatacável”, mas também das percepções superficiais, impregnadas pela propaganda dominante, que eram incapazes de compreender a magnitude da tormenta que se acercava.

A Luta Revolucionária falou e actuou pela revolução e pela organização social revolucionária, em tempos em que estas questões foram enterradas sob o mofo do bem-estar social fraudulento. Manteve e continua a manter viva a chama da revolução social,a chama da liberdade. Marcou, determinou, inspirou muitas pessoas, formou e continua a formar consciências.

Por tudo isto, foi, é, e será uma ameaça política séria para o regime. Por tudo isto, lutou, luta e continuará a lutar a Luta Revolucionária. Por tudo isto, continuarei a lutar eu também.

LIBERDADE PARA O COMPANHEIRO NIKOS MAZIOTIS
HONRA PARA SEMPRE AO COMPANHEIRO LAMBROS FOUNDAS 
VIVA A REVOLUÇÂO SOCIAL

Pola Roupa
8 de Agosto de 2014

Santiago, Chile: Reivindicação e esclarecimento dos últimos ataques incendiários/explosivos

21 de Julho de 2014

Célula Revolucionária Felice Orsini
FAI/FRI

É importante sublinhar que a intensificação da ação autónoma e violenta das minorias guerrilheiras é impelida pelo objetivo de expandir as situações conscientemente insurrecionais e não para isolar gradualmente xs anarquistas guerrilheirxs urbanxs, em nome de uma pureza revolucionária ou de um exercício de auto-afirmação
-Conspiração Células de Fogo

A imprensa, o Governo de turno, os procuradores, os polícias e as personagens mediáticas que renascem do silêncio em busca das câmaras a que juntam declarações ameaçadoras. Todos elxs apontam dardos equívocos, assegurando que um dispositivo incendiário/explosivo caseiro foi instalado insanamente, entre dois jardins de infância ou à porta da casa de um membro da CEPAL numa ruela qualquer.

Assumimos a completa responsabilidade política do dispositivo instalado nas portas da Igreja de Santa Ana, assim como assumimos a fabricação do dispositivo encontrado na Rua Almirante Hurtado, mas absolutamente negamos que ele tenha sido instalado de forma premeditada e planeada nesse lugar. O dispositivo foi colocado a mais de cinco quarteirões, às portas de outro símbolo do princípio da autoridade; lamentavelmente, por problemas no sistema de relojoaria, não foi ativado e desconhecemos que estúpido curioso mudou o saco com o dispositivo para o local onde foi desativado.

Por convicção, somos fiéis aos nossos valores. Valores que reconhecem o inimigo armado, preparado e pronto para atacar; esse inimigo apresenta-se-nos no caminho não por azar nem do nada, apresenta-se-nos para proteger esta ordem, os ricos, os exploradores, os seus símbolos, instituições e espectáculos.

É um inimigo que escolhemos atacar, despistar e deixar impávido, sob a determinação de seguir um combate que historicamente nos situa cara a cara, quando a radicalização das nossas ações atinge o seu orgulho e escapa das suas mãos. Os nossos valores nunca pretenderam atacar civis, nem ferir, nem causar dano a cidadãos. Os nossos valores não são o terrorismo. Quem arvora o terrorismo são o Estado e o Capital, através dos seus braços armados.

Como Célula Revolucionária, é para nós bastante claro quem é o inimigo, quem o molda e projeta nas suas avançadas. O inimigo entende os gestos de Guerra. Avança, projeta-se e visualiza-se sobre as nossas cabeças. Perante as ameaças do Inimigo, as nossas respostas não se podem fazer esperar.

Ministros e Procuradores vociferam aos quatro ventos a necessidade de reforçar a segurança, as patrulhas e a colaboração entre os Carabineiros, a Polícia de Investigação e a Agência Nacional de Informação… O Estado Policial está agora a olear os seus fusis táticos, a preparar invasões, processos e monitoramentos… os Carcereiros já estão a preparar celas onde encerrar aquelxs que são insubmissxs.

Como combatentes insurretxs, e com um sincero compromisso à memória anárquica, devemos estar à altura das circunstâncias sem arredar pé na luta contra o Poder. Dando o enfoque às nossas abordagens e apontando de maneira beligerante as nossas armas, deixando claro que a inimizade é a morte.

Os motivos da ação ficaram claros no mesmo momento. A ação é o nosso gesto solidário com xs companheirxs Francisco Solar e Mónica Caballero, sequestradxs pelo Estado Espanhol. Por sua vez, sentimos a urgência de enviar a nossa força ao companheiro Nikos Maziotis, que foi capturado pela polícía grega, após dois anos de clandestinidade junto à combatente e companheira Pola Roupa. Sabemos que o companheiro dentro da prisão manterá uma irredutível posição de luta e combate – Fora ou dentro das prisões a luta para nós é uma questão de honra e dignidade, que irá continuar.

Nada nem ninguém deterá o avanço da guerra social.

O violento e vertiginoso avanço da Guerra Social não amainará perante nenhuma ameaça nem exercício repressivo do Estado-Capital. Os nossos actos constroiem o insurreto caminhoo até à Libertação Total.

Até à destrução do último bastião da sociedade carcerária!

em espanhol

Grécia: Texto da anarquista Stella Antoniou após a sua detenção em Tessalónica

Os Estados são os únicos terroristas – Solidariedade – Ataque – Dignidade

A 14 de Julho, viajei para Tessalónica vinda de Atenas, para ficar lá até ao dia 16 de Julho, dia que tinha planeado regressar a Atenas; quando tive as condições da fiança, não estava impedida de sair de Attica.

Lá, fui hospedada por um casal de companheiros. Thanos Chatziaggelou, um dos compas que me hospedaram em sua casa por uma noite, tinha um mandado de prisão contra si por se recusar a fazer o serviço militar e revelou-me isso.

Na dia seguinte, especificamente às duas horas da tarde, quando estávamos a sair de sua casa, 20 homens encapuçados da força anti-terrorista atiraram-se a nós, após terem bloqueado as ruas circundantes com veículos e encenado outro infame operação de super-sucesso de público para nos prender.

Durante a busca domiciliária que se seguiu, os polícias apreenderam um computador portátil, um PC e artigos pessoais de ambos xs companheirxs bem como meus.

Durante a prisão espancaram o compa Chatziaggelou, algemaram-nos e transportaram-nos para um quarto localizado numa cave, onde ficamos assim durante cinco horas, com a presença constante da bófia anti-terrorista dentro do quarto. Durante todo esse tempo, não tinha absolutamente nenhuma ideia por que é que estava presa.

Finalmente, às sete da tarde, fui informada de que estava a ser acusada de quebrar a condição de fiança em relação à minha residência permanente.

Fomos levadxs para a secção de detenção, onde estavam à volta de 80 prisioneirxs, alguns dos quais já lá estavam há seis meses. Tinham que pagar por comida e água; não havia televisores ou rádios no seu entorno, embora estas celas se tenham tornado uma prisão normal para elxs uma vez que estão detidxs nessa secção há meses; estavam privadxs de horas num pátio, todo esse tempo.

Quanto à acusação interposta contra mim, é a mesma acusação que foi interposta “por etapas” contra o compa Kostas Sakkas, que foi falsamente acusado de ter violado a condição relativa à residência permanente, porque passou a noite na casa de um dos seus amigos.

Mais tarde, é claro que ele foi absolvido no julgamento, porque o termo de residência obrigou-o a registar uma casa fixa e permanente e não o baniu de se hospedar durante a noite noutra casa.

Agora que o processo judicial, em Atenas, contra mim e os meus camaradas Mitroussias, Karagiannidis, Sakkas chega ao fim, não é por acaso que há uma tentativa de criar tal frenesim, com novas acusações e audiências impostas contra mim.

A mais evidente de todas é a do esforço do Estado para desencadear uma demonstração de força, bem como a crescente repressão contra xs lutadorxs, de que a criação de prisões de segurança máxima é uma das partes.

Na quarta-feira de manhã, 16 de Julho, fomos levadxs a tribunal por acusações adicionais, a de desdenhosa resistência às autoridades, porque nos recusamos a fornecer impressões digitais. Companheirxs fizeram uma chamada para uma concentração de solidariedade e estiveram presentes na sala de audiências, nessa manhã.

A audição no tribunal de Tessalónica foi adiada para 28 de Julho.

Estávamos ainda em tribunal, tendo sido o julgamento adiado, quando fui informada sobre o tiroteio entre o companheiro Nikos Maziotis e a polícia, o seu ferimento e a prisão. Eu estou em solidariedade com o compa Nikos Maziotis, que lutou pela sua vida e liberdade.

Solidariedade com os lutadorxs armadxs Nikos Maziotis e Pola Roupa, membrxs da Luta Revolucionária. Xs nossxs companheirxs não estão sózinhxs!

Stella Antoniou
18 de Julho de 2014
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Nota dxs tradutorxs:
Stella Antoniou e Thanos Chatziaggelou foram ambos libertadxs no dia 16 de Julho e serão julgadxs na segunda-feira 28 de Julho. Chatziaggelou também aguarda tribunal marcial.
Kostas Sakkas ainda está fugitivo.
Depois de Nikos Maziotis ter sido recapturado, agentes do Estado desencadearam uma caçada histérica para rastrear Pola Roupa, que atualmente está em fuga.

Atenas: Concentração solidária com o membro da Luta Revolucionária Nikos Maziotis

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O Estado e o Capital são os únicos terroristas

Imediatamente após o confronto armado de 16 de Julho, em Monastiraki – que terminou com Nikos Maziotis, lutador anarquista e membro da Luta Revolucionária, ferido e capturado – o aparelho de propaganda deste regime de estado de emergência permanente desencadeou uma guerra mediática. O curso da ação de longa data do companheiro, mas também as posições e a trajectória da organização Luta Revolucionária falam por si e revelam os valores e objectivos que representam na luta contra o Capital e o Estado, pela revolução social.

Solidariedade com xs lutadorxs de guerrilha urbana                               Nikos Maziotis e Pola Roupa

Abaixo os bufos, adiante compas!

Concentração no sábado, 19 de Julho, às 12:00, no Parque de Evangelismos (oposto ao hospital onde está internado o compa).

Anarquistas

Atenas, caso da Luta Revolucionária: 5 anarquistas condenados/as em primeira instância

rageA 3 de abril de 2013, a sentença em relação ao caso da Luta Revolucionária constituíu uma pequena melhoria, comparando com a proposta do Ministério Público. A decisão do tribunal sobre o caso da Luta Revolucionária foi:

Acusados/as que negaram qualquer tipo de participação na organização

– Absolvição de todas as acusações de Marie Beraha, Sarantos Nikitopoulos e Kostas Katsenos (In dubio pro reo: frase latina que expressa o princípio legal de que, em caso de dúvida, por exemplo, por insuficiência de provas,  favorecer-se-à o/a acusado/a).
– Condenação de Vaggelis Stathopoulos e Christoforos Kortesis por suposta participação na organização.

Membros que assumiram a sua participação na Luta Revolucionária

– Absolvição da acusação de “direção de uma organização terrorista”para Nikos Maziotis, Pola Roupa e Kostas Gournas.
– Condenação de Nikos Maziotis, Pola Roupa e Kostas Gournas por “cooperação simples” nas ações de Luta Revolucionária (sem provas em relação à sua implicação nas ações específicas, mas aplicando o princípio nazi da responsabilidade conjunta).

Em resumo, o membro da Luta Revolucionária, Nikos Maziotis, em relação ao qual se pedia 86 anos de prisão, foi sentenciado em 50 anos. Os/as membros de Luta Revolucionária, Pola Roupa e Kostas Gournas, em relação aos quais o Ministério Público pedia 87 anos de prisão, foram sentenciados/as ambos a 50 anos e 6 meses. Para os/as três, o período máximo em prisão é de 25 anos (que geralmente se aplica como condenação íntegral ou como beneficio por dias de trabalho na prisão, ou ainda após o cumprimento de 3/5, quando o/a preso/a pode sair em liberdade condicional sob condições específicas).

– Vaggelis Stathopoulos e Christoforos Kortesis, em relação aos quais se  solicitavam 8 e 7 anos de prisão, respetivamente. A sentença contra Vaggelis Stathopoulos acabou por ser de  7 anos e 6 meses.

Para além disso, e em relação aos 5 anarquistas sentenciados/aa, a decisão dos juízes estipulou a privação de direitos políticos (5 anos para os/as três membros da Luta Revolucionária e 3 anos para os outros dois anarquistas), assim como foi recusado o efeito suspensivo do recurso de apelação.

Enquanto que Nikos Maziotis e Pola Roupa se encontram prófugos/as, Kostas Gournas, Vaggelis Stathopoulos e Christoforos Kortesis foram, imediatamente, transferidos para a prisão. As palavras de ordem militantes dos/as presentes e os punhos cerrados dos três combatentes anarquistas foram os últimos momentos do julgamento.

Para escrever aos compas encarcerados:
Kostas Gournas
Vaggelis Stathopoulos
Christoforos Kortesis
Dikastiki Filaki Koridallou, Parartima Gynaikeion Filakon Koridallou (Π.Γ.Φ.Κ.), Solomou 3-5, 18110 Koridallos, Atenas, Grécia

Solidariedade com todos/as os/as anarquistas presos/as ou imputados/as pelo Estado grego!
A batalha pela liberdade está longe de terminar.
Viva a Luta Revolucionária!

Atenas, caso Luta Revolucionária: sessão final do julgamento a 3 de Abril

solidarity-to-revolutionary-struggleÚltimas informações sobre o processo judicial divulgadas pelo Socorro Vermelho  Internacional:

O Ministério Público propôs a condenação dos/as três admitidos membros da Luta Revolucionária, Pola Roupa, Nikos Maziotis e Kostas Gournas, embora nenhuma prova tenha sido apresentada no tribunal que fundamentasse  tal envolvimento nas ações específicas de que são acusados/as.. (Lembramos que Pola Roupa e Maziotis Nikos estão atualmente em parte incerta).  Além disso, e sem qualquer evidência conclusiva, o promotor sugeriu a condenação de Sarantos Nikitopoulos, Vaggelis Stathopoulos, Christoforos  Kortesis e Kostas Katsenos, que negam a sua participação na organização. Por fim, o Ministério Publico admitiu que nunca houve provas contra Marie Beraha ,(esposa de Kostas Gournas) e disse que aquela deveria ser absolvida de todas as acusações.

O julgamento chega ao fim na quarta-feira 3 de Abril, às 9h, quando o tribunal emitir a decisão final sobre o caso Luta Revolucionária. Os juízes vão anunciar as decisões finais para Nikos Maziotis, Pola Roupa e Kostas Gournas , que assumiram a responsabilidade política pel sua participação na organização,  para Vaggelis Stathopoulos, Sarantos Nikitopoulos,  Christoforos Kortesis e Kostas Katsenos, os outros anarquistas acusados no caso , assim como para Marie Beracha (companheira de Kostas Gournas), que também é acusada no mesmo caso.

Vamos todos assistir a esta sessão de julgamento e fazer da nossa solidariedade um punho contra o Estado
A paixão pela liberdade é mais forte do que todas as prisões!

Assembleia para o caso Luta Revolucionária
Contato mail: RScase[em]espiv[ponto]net

Inglês

[Grécia] Chamada internacional de solidariedade com o caso da Luta Revolucionária para os dias 22, 23 e 24 de Novembro

Vemo-nos nas ruas da cólera!

A revolução social não é o passado, é antes sim o presente e o futuro do mundo.

Sobre a chamada de solidariedade e ação internacional

Como assembleia pelo caso da Luta Revolucionária e na sequência das ações de solidariedade com o mesmo, fazemos um apelo aberto a uma campanha de solidariedade, tanto a nível local, como internacional, para os dias 22, 23 e 24 de Novembro.

Decidimos romper com o muro de silêncio à volta do caso da Luta Revolucionária (L.R.) e demonstrar que os/as compas que se confrontam com um julgamento não estão sós, que o caso L.R. é o caso de todos/as nós e que está relacionado com a essência da luta em si mesma.
Convocamos, pois, os/as companheiros/as de todo o mundo a acionar e enviar a sua própria mensagem de Solidariedade e Luta.

O nosso objetivo é a ampliação das resistências dinâmicas com uma perspetiva revolucionária. A nossa meta é ampliar a luta pela subversão do existente, demonstrando a sua necessidade histórica e o significado que tem no presente, enquanto mostramos Solidariedade de facto com os/as companheiros/as que estão em julgamento.

O apelo internacional para três dias de solidariedade, contra-informação e ação pelo caso da L.R. é parte e continuação da guerra social e de classes pela subversão e Revolução. É justamente aí que se situa e se concebe historicamente, no seu todo, o caso da Luta Revolucionária.

Crónica do caso Luta Revolucionária

A 10 de Março de 2010, após um confronto armado com forças policiais, cai assassinado o companheiro anarquista Lambros Foundas. Nessa altura, a Grécia fica debaixo do controlo asfixiante da Troika, altura também em que Lambros Foundas, membro da organização Luta Revolucionária, perde a vida num tiroteio durante uma ação preparatória contra a elite política e económica que saqueia o planeta a nível global, que rapina e sangra a riqueza social, rebaixando a vida humana ao limite.

Um mês depois, num clima de terror-histeria, em Abril de 2010, no contexto de medidas preventivas para desarticular a organização L.R., detêm os/as anarquistas Kostas Gournas, Nikos Maziotis e Pola Roupa, os quais assumem a responsabilidade política da sua participação na organização. Ao mesmo tempo, são detidos também os anarquistas Vaggelis Stathopoulos, Christoforos Kortesis e Sarantos Nikitopoulos, que recusam categoricamente, desde o primeiro instante da sua detenção, a sua participação na organização, declarando que a sua perseguição está relacionada com a sua participação desde há muitos anos em projetos subversivos, a sua integração política no espaço anarquista/anti-autoritário e as suas relações de companheirismo.

Por participação na L.R., acusa-se também Kostas Katsenos, contra quem havia uma ordem de prisão pendente desde o momento das primeiras detenções. O sistema, ao querer dar um golpe definitivo na Luta Revolucionária, considerando esta uma ameaça, prolonga o seu ataque através destas detenções, para esmagar assím uma parte mais ampla do movimento subversivo.

No contexto desta expansão do ataque repressivo, 6 meses depois as autoridades chamaram, para declarações, dezenas de companheiros/as do espaço anarquista/anti-autoritário e familiares dos detidos/as.

O carácter vingativo destes mecanismos fica de novo demonstrado, chegando ao ponto de acusarem Marie Beraha, esposa de Kostas Gournas. A sua perseguição é uma clara ação vingativa contra Kostas Gournas, de modo a quebrar a sua posição combativa.

Desde 5 de Outubro de 2011 que se realiza, à porta fechada, numa ausência total de publicidade, o julgamento da Luta Revolucionária nos tribunais especiais das prisões Koridallos. Apesar dos media terem estado sempre dispostos a apoiar o ataque repressivo e a propaganda estatal, desta vez de maneira provocatória e tendo por trás uma ordem política, silenciam tudo o que seja relacionado com o julgamento do caso Luta Revolucionária.

Enquanto o regime leva a cabo um julgamento contra os seus oponentes políticos, com o objetivo de amordaçar qualquer mensagem de luta e distorcer o seu significado, os compas que assumiram a responsabilidade política da sua participação na L.R, defendem as ações e o plano político da organização, assim como o conjunto dos/as acusados/as, através das suas tomadas de posição, transformam as audiências em fortes ataques contra o sistema político-económico de miséria e exploração, contra o carácter das suas leis e os regimes especiais que impõem a todos/as que resistem combativamente.
Ter-se-á que esclarecer que atualmente nenhum(a) dos/as compas está encarcerado/a.

Vaggelis Stathopoulos, Sarantos Nikitopoulos e Christoforos Kortesis foram postos em liberdade após um ano de prisão preventiva por ordem do ministério público, enquanto que Kostas Katsenos, que se apresentou no julgamento, permaneceu 6 meses na prisão. Os/as membros da organização Lucha Revolucionária, Kostas Gournas, Nikos Maziotis e Pola Roupa foram libertos depois do terminus do limite máximo de prisão preventiva (18 meses). Nikos Maziotis e Pola Roupa não voltaram a apresentar-se no julgamento e encontram-se em fuga.

No momento em que se faz esta chamada o julgamento encontra-se na fase das declarações das testemunhas da defesa. Kostas Gournas, Nikos Maziotis e Pola Roupa, que assumiram a responsabilidade pela sua participação na  L.R. já prestaram declarações. Os/as compas da Grécia e do estrangeiro demostraram, através das suas declarações, a importância da organização L.R. a nível político e histórico, defendendo a luta armada, a totalidade e o carácter amplo dos projetos revolucionários. Nos próximos dias declararão as testemunhas  de  defesa de Vaggelis Stathopoulos, Kostas Katsenos, Sarantos Nikitopoulos, Christoforos Kortesis e Marie Beraha, que negam a sua participação na organização mas demonstram a importância da luta e a necessidade de resistir.

Durante os dias da chamada internacional, calcula-se que os procedimentos do julgamento estarão próximo do momento das apologias dos/as acusados/as. Por isso, consideramos muito importante que os/as compas de todo o mundo enviem, à sua maneira, mensagens de solidariedade e resistência, para demonstrar que os/as compas em julgamento não estão sós, que a Luta pela derrocada deste mundo é sempre atual.

O caso da Luta Revolucionária enquadrado na situação social, económica e política na Grécia

Para entender o caso na sua totalidade, assim como a sua  importância, devemos examinar o contexto histórico, social e político específico no qual o Estado se protege através das perseguições, detenções, prisões, leis especiais e tribunais especiais.

O julgamento do caso da L.R. está a dar-se num momento em que o regime se encontra em crise estrutural e caíram as máscaras democráticas. A ferocidade com que o atual regime se impõe nas nossas vidas não se diferencia muito das ditaduras do passado.

A cruel exploração e o controlo ampliado das nossas vidas são projetados como a única maneira de sair da crise, deixando obviamente intato o sistema qua a criou, a impôs e a estendeu a todos os aspetos da vida pessoal e social.

Atualmente, pois, o regime procura a exterminação e a exclusão políticas dos/as que lutam contra si, dos/as que resistem às suas maquinações, dos/as que trabalham para a sua derrocada.

Neste momento, na Grécia da crise e da dívida, a perspetiva revolucionária da subversão do regime é objetivamente necessária como se demonstra anteriormente. É o dinamismo e polimorfia das lutas  o que estado tenta deter e amordaçar. E é a ideia de solidariedade que se pôs como objetivo e se põe agora à prova.

Algumas palavras sobre a cena internacional

Para além das características específicas que a Grécia tem nestes  tempos de crise, seria um erro se víssemos o caso da Luta Revolucionária como um caso isolado na cena internacional. A crise não surge do nada, encontra-se no coração do sistema capitalista mundial, na forma de governo e da exploração económica que impõem os dominadores deste mundo.

Sabemos muito bem que este mundo nunca ofereceu nada aos/às que resistem de maneira dinâmica aos seus planos. Sabemos que a luta pela libertação humana e da sociedade foi sempre um caminho difícil. Sabemos que as relações entre os/as lutadores/as são riqueza e parte importante da essência da Luta e da sua realização. Que saibam todos/as pois, que os/as que lutam não estão sós.

Obriguemo-los a aprender que as leis especiais, os tribunais especiais e os regimes de detenção não podem travar a essência em si da Luta.

Contra as leis especiais, os julgamentos especiais e as condições de detenção especiais.
Solidariedade com todos/as os/as perseguidos/as pelo caso da L.R.
Solidariedade com todos/as os/as que lutam e os/as que persistem na atividade subversiva.

NEM ESQUECIMENTO NEM PERDÃO.
HONRA ETERNA AO COMPA ANARQUISTA LAMBROS FOUNDAS;
MEMBRO DA ORGANIZAÇÂO LUTA REVOLUCIONÁRIA

Assembleia pelo caso da Luta Revolucionária

Para se pôr em contato com a assembleia: RScase[arroba]espiv.net

Grécia: Um poema dos reclusos da ala 2 das prisões para homens de Larissa dedicado a Lambros-Viktoras Maziotis Roupas, o filhinho dos dois membros da Luta Revolucionária

Terça-feira 24 de Julho de 2012
Para o aniversário de Lambros-Viktoras Maziotis Roupas

Nascido atrás das grades visíveis, daquelas que escondem os céus

Os guardas do humano, a bófia e os corvos, patronos do sono tranquilo, foram a tua parteira

Celebraste o teu primeiro aniversário com as sombras projetadas pelas barras de aço…

A democracia burguesa é tão misericordiosa…

Agora é o teu segundo aniversário, a luz das estrelas que nunca tinhas visto até hoje

Com o horizonte estendendo-se à tua frente até ao infinito

Com cães ladrando ao longe

Desejamos-te anos ardentes, mares ressoando nos teus ouvidos, trovões cantando canções de embalar para ti

A maré entrando e apagando as tuas pegadas, na areia…

Com respeito e amor para aqueles que não se arrependeram do que se atreveu a fazer

Honra e lembrança de Lambros Foundas para sempre

Dirigido a Nikos, Pola e ao pequeno Lambros-Viktoras

Os reclusos da ala 2 de Larissa